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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

'As águas estão turbulentas, mas o PAC funciona como âncora'


Dilma Rousseff: ministra-chefe da Casa Civil

Ribamar Oliveira e Beatriz Abreu, BRASÍLIA

O Estado de São Paulo

A ministro-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, entende que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é “uma espécie de vacina” contra a turbulência internacional. Uma eventual redução da demanda global poderá, segundo ela, ser compensada pela “robustez do mercado interno” e pelos investimentos previsto no PAC. Ela não vê necessidade de o governo brasileiro adotar medidas preventivas. “Quais seriam essas medidas?”, questionou. “Por que nós haveríamos, num quadro desses, de puxar a demanda para baixo, derrubar o crescimento do PIB e provocar uma recessão?” Dilma afirmou que o Brasil será sempre “dependente de São Pedro”, pois é um país com grande dependência da energia hidrelétrica. Ela disse que usar as térmicas não deve ser visto “como um crime” e elas passarão a fazer parte do sistema. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Quando o PAC foi lançado, a economia mundial crescia mais de 5%. Agora o mundo vive um período de incertezas, com a possibilidade de recessão da economia americana. Além disso, o governo perdeu R$ 40 bilhões de receita, com o fim da CPMF. Essa mudança de cenário não deveria levar o governo a rever as metas do PAC?

As águas estão turbulentas (no mercado externo). Mas o PAC funciona como âncora. No mundo de hoje, é fundamental que o crescimento seja realimentado pelo mercado interno e pelo externo. Acho importante que o Brasil seja uma economia aberta. Agora, isso não significa desconhecer a importância da dinâmica interna, como um dos propulsores fundamentais do crescimento sustentado. As principais economias emergentes são continentais, com mercados internos de porte. Nesse sentido, o PAC funciona como uma espécie de vacina. Não é literal porque, neste mundo de economia globalizada, não se tem imunidade eterna.

Por que o PAC é uma vacina?

O aumento do investimento é que torna um crescimento sustentável, além do funcionamento dos mercados externo e interno. O interno tem de funcionar, porque senão o crescimento é pífio. Esse impulso endógeno, vamos dizer assim, que decorre do mercado interno, é algo que se obtém de várias formas. No Brasil, hoje, ele decorre do aumento da produção de bens de capital muito acima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o que permite dar sustentabilidade à expansão econômica, pois evita os gargalos e as pressões inflacionárias. O PAC é investimento em infra-estrutura na veia da economia. Num quadro de problemas na demanda internacional, o aumento e a maior robustez da demanda interna é um fator muito importante. Em termos de efeitos anticíclicos, o PAC é um elemento fundamental. Se ele se justificava antes, porque o governo queria acelerar o crescimento, mais ainda hoje porque queremos não só acelerar o crescimento mas dar sustentabilidade ao crescimento. O PAC é um programa com os pés no chão, pois está baseado na robustez fiscal e no controle inflacionário. Por isso, não acredito que ele tenha de ser “repensado” num quadro de desequilíbrio internacional. Nós vemos no PAC esse esforço virtuoso de dar sustentabilidade ao crescimento. O presidente Lula vai fazer um enorme esforço para evitar qualquer restrição ao PAC.

Cortar ou não o PAC não é uma decisão do Congresso?

Sem dúvida que é uma decisão do Congresso. Mas a Constituição atribui ao Executivo a gestão do seu orçamento. O Congresso decide, mas há graus de liberdade que são do Executivo. O nosso intuito é sempre uma ação cooperativa com o Congresso. Os Poderes da República têm de ter equilíbrio. A posição do Executivo é no sentido de não deixar ter corte no PAC e de compensar qualquer tentativa de fazê-lo. O cobertor ficou mais curto em R$ 20 bilhões e algumas despesas vão sobrar. Mas não necessariamente no PAC.

Mas cortar onde?

Quem vai responder é o ministro Paulo Bernardo (do Planejamento) e o ministro Guido Mantega (Fazenda). A orientação que eu tenho do presidente é: não se corta no PAC.

O documento divulgado sobre o PAC prevê crescimento da economia brasileira de 5% ao ano até 2010. Essa previsão é compatível com a nova realidade da economia internacional?

O Brasil esteve acostumado a taxas de crescimento de 2% ou até menos nos últimos anos. Por um motivo muito simples: nenhuma economia do porte da brasileira é puxada apenas por exportações. A grande novidade é que o Brasil manteve um impulso exportador significativo e agregou a ele um mercado interno muito robusto. Se esse problema do mercado internacional for mantido, e ninguém sabe qual é o tamanho dele, ele vai ser compensado por um aumento do que não existia antes (refere-se ao mercado interno). Acho que é prudente manter essa expectativa (de crescimento de 5% ao ano). Nós viemos de um impulso muito forte em 2007, que segurará 2008, e não há nenhum sinal de retração da demanda no mercado interno brasileiro. Por que nós haveríamos, num quadro desses, de puxar a demanda para baixo, derrubar o crescimento do PIB e provocar uma recessão? Por que teríamos de ser pessimistas?

O PAC depende também dos investimentos privados. A crise não pode reduzir esses investimentos?

Os sinais que nós temos da iniciativa privada é de muita agilidade e de muita agressividade, no que se refere a iniciativas de empreendimentos, de recuperar o tempo perdido. Todos os empresários estão esperando as condições e as oportunidades para investir e encontrar aqui dentro um horizonte de crescimento sustentável para os próprios negócios. Não vejo por que o setor de construção civil vá andar para trás. Não vejo por que o setor de equipamentos vá andar para trás. A crise começou no ano passado, e o crescimento do Brasil acelerou-se no último semestre de 2007. Não há razão econômica que leve o investidor a entesourar o seu dinheiro e não investir, se o entesouramento tenderá a render menos. O Brasil e os demais países emergentes são as melhores alternativas para investimento.

Não é arriscado esperar para ver o vai dar?

Mas qual é o risco? O risco hoje no mercado internacional não é por causa do subprime. É pelo efeito que o subprime provocou no mercado de crédito americano e europeu, que o Brasil não está nele. Quem está com medo é quem não sabe que banco está micado, não sabe quem está na pior situação. Essa incógnita é que cria incerteza no mercado de crédito. Todo mundo sabe que as instituições financeiras brasileiras estão numa situação bastante sóbria e robusta, de equilíbrio. Aqueles que têm investimento aqui em ativos reais não vejo por que retirarão. A menos que estejam sendo vítimas de crise de crédito, e não é isso que estamos vendo no Brasil. Não acho que estamos blindados, que nós somos uma ilha. Mas precisamos colocar as coisas em perspectiva. Os efeitos da crise internacional no Brasil serão muito menores do que alguns querem fazer crer.

Se houver uma redução da demanda internacional, o Brasil será afetado?

Aí teremos algum problema, mas teremos de nos adaptar. Vamos ver qual o efeito nas economias emergentes, pois a demanda de produtos brasileiros se diversificou bastante. Não somos mais dependentes pura e simplesmente dos Estados Unidos; temos os países da Ásia, da América Latina.

O governo não precisa, então, adotar medidas preventivas?

Se você me disser quais... Não sei qual. Neste momento, os Estados Unidos estão tentando estruturar uma política anticíclica, o que é muito bom para nós. Então, vamos saudar esse evento (redução da taxa de juros pelo Fed em 0,75 ponto porcentual). Agora, se ele vai ser eficaz ou não são outras avaliações.

Qual é a principal mensagem do governo no primeiro ano do balanço do PAC?

As obras do PAC deslancharam. Nós estamos saindo da fase de preparação (projeto básico, projeto executivo, licenciamento e licitação) para a fase de obras. Conseguimos agregar a ele um conjunto de ações muito importante. Lançamos a segunda e terceira fases das concessões e o trem de alta velocidade (que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas). No caso desse trem, vamos agora estudar a demanda, o traçado, e deixamos em aberto a solução tecnológica. Queremos avaliar até mesmo se este é um empreendimento para ser feito por PPP (parceria público-privada). Esse é um projeto importante para o Brasil.

Por causa da Copa de 2014?

Por causa da Copa, do aeroporto (de Congonhas, que está sobrecarregado). O projeto ajudará a diminuir a pressão sobre os dois maiores adensamentos humanos do Brasil, pois permitirá dispersar a concentração da população.

A oferta de energia pode ser um limitador do crescimento no Brasil.

Se tiver problema, será. Eu não acredito que terá.

Não é complicado, depois de tantos anos, o Brasil ficar na dependência de São Pedro?

O Brasil, enquanto for um sistema hidrotérmico, terá dependência de São Pedro. O nosso problema é acabar com o risco que essa dependência acarreta. O nosso sistema elétrico é, hoje, 80% hídrico e 20% térmico. Nós tivemos um aumento significativo da geração de energia, um aumento de 24 gigawatts (GW) de 2000 para 2007.

Mas é basicamente termoelétrica?

Não. É 13,8 GW de hídrica contra 9,1 GW de térmica. O Brasil não pode achar que usar térmica é crime. Ou seja, sinal de doença, de incompetência dos agentes públicos. Um sistema hidrotérmico é um sistema que se caracteriza por ter flexibilidade aumentada, segurança ampliada. O nosso sistema tem dominância hídrica (80%), diversidade hidrológica entre as regiões (chove em um lugar e não chove no outro) e usina distante do centro de carga. Portanto, tem de ter linha de transmissão. Esse sistema tinha parado de ampliar e de construir reservatórios. Não tinha linha de transmissão suficiente. Tivemos de expandir a capacidade hídrica e de dar conta das térmicas que estavam instaladas, mas não tinham gás nem gasoduto.

As térmicas vão funcionar desde que haja gás.

Isso. Quando nós chegamos aqui não tinha gás, não tinha gasoduto. Então qual é o nosso desafio? Correr atrás da máquina para dar conta do gás e do gasoduto que já não existia. Ao mesmo tempo, a demanda por gás cresceu 17% ao ano. Não adianta eu ter gás no Espírito Santo e não conseguir levar o gás para o Rio de Janeiro. Não adianta ter térmica em Pernambuco e não ter como levar para o Nordeste. Além de achar gás, o País precisa de gasoduto. Se o Brasil não tiver gás, precisa ter um dispositivo que permita adotar outro combustível. Tomamos a decisão de antecipar toda a produção de gás. Saímos de uma produção interna muito baixa. A nossa meta é chegar em 2010 com uma produção de 55 milhões de metros cúbicos em 2010.

Hoje, se ligar todas as térmicas não terá gás...

Quem disse isso? Eu quero que me diga quem é que sabe isso. Depende do que se quer fazer, se quisermos cortar um pedaço de refino da Petrobrás, quisermos ter uma discussão com as empresas... Ninguém opera um sistema elétrico dessa complexidade sem criar múltiplas alternativas e aumentar a flexibilidade do sistema.

Haverá aumento de preço?

Nós teremos de pagar o preço das térmicas, a não ser que o País faça grandes reservatórios, grandes Itaipu, alaguemos áreas.

Há os que afirmam que o racionamento está sendo feito via preço.

Racionamento não é isso, não. Racionamento é o que o pessoal tenta fazer com que nós façamos. Nossa estratégia não é a deles. Eles não tinham tomado nenhuma providência. É. Os que cantam em prosa e verso que nós temos de racionar. É o pessoal que fez o racionamento, que fez a operação pelo lado da demanda. Nós queremos fazer a operação pelo lado da oferta.



ENERGIA: “O Brasil, enquanto for um sistema hidrotérmico, terá dependência de São Pedro”

CORTES: “Cobertor ficou mais curto e algumas despesas vão sobrar. Mas não necessariamente no PAC”

PACOTE: “Os Estados Unidos estão tentando estruturar uma política anticíclica, o que é bom para nós”

sábado, 10 de novembro de 2007

Risco maldito

* Celso Ming para O Estado de São Paulo

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, antevê um belo futuro para o Brasil enquanto potência energética: “Seremos grandes exportadores de petróleo.”

Para o presidente da Petrobrás,Sérgio Gabrielli, o petróleo e o gás recuperáveis das jazidas compreendidas nas novas fronteiras de petróleo, abaixo da camada de sal, puxarão as reservas,hoje entre 17 bilhões e 20 bilhões de barris, para algo entre 70 bilhões e 100bilhões de barris.

São apostas. É como contar com os ovos da galinha ao longo de certo tempo. Os ovos não estão lá,mas podem vir a estar,desde que tudo se comporte como imagina o dono do galinheiro.

Em todo o caso, há justificativas para as projeções da ministra e do presidente da Petrobrás. O que já se sabe é suficiente para produzir conseqüências econômicas – algumas imediatas. Uma delas é a de que,uma vez confirmadas perspectivas tão promissoras para o petróleo e o gás, num quadro de escassez global, crescerá o nível de interesse por sua exploração. Só isso deverá trazer enxurrada de capitais novos para o Brasil, além dos que já vinham sendo aguardados, só porque, dentro de alguns meses,a dívida do Brasil será promovida na tabela de qualificação de risco e terá o grau de investimento.

Ontem, o economista-chefe da corretora Hedging Griffo (Grupo Credit Suisse), Elsom Yassuda, quantificou a condição exportadora anunciada pela ministra Dilma Rousseff. Avaliou que, em alguns anos, o Brasil poderá faturar US$ 20 bilhões por ano (cerca da metade do superávit comercial deste ano) apenas com exportações de petróleo.

Se essas expectativas se confirmarem,será preciso ver como essas receitas não se tornarão “riqueza maldita”, como aconteceu em outras paragens.

Para ser mais específico, a forte entrada de recursos em moeda estrangeira leva o risco de causar exagerada valorização do real e, mais do que já possa estar ocorrendo, prejudicar a competitividade do produto brasileiro.

Um dos principais objetivos da anunciada criação de um fundo de riqueza soberana no Brasil é desviar do câmbio interno certo volume de recursos em moeda estrangeira e, assim, evitar novas valorizações do real.

Essa é a principal razão pela qual não faz sentido usar esses recursos nos investimentos em infra-estrutura no País, como algumas autoridades aventaram. Se tivessem essa finalidade, esses recursos teriam de ser convertidos em reais e, outra vez, produziriam impacto sobre o câmbio,justamente o que se quer evitar.

O ministro Guido Mantega afirmou que esse fundo será criado tão logo as reservas externas do Brasil atingirem US$ 180 bilhões.Como,em novembro,as reservas têm crescido acima de US$ 900 milhões por dia útil e ontem estavam em US$ 172,5 bilhões, conclui-se que, antes do fim do mês, esse nível poderá ser ultrapassado.

Não estão claras as fontes de recursos em reais com os quais o Tesouro ou o Banco Central comprarão os dólares que formarão o fundo. No Chile, na Noruega e na Rússia, essa transferência direta de receitas de exportação para fundos soberanos administrados no exterior é facilitada porque as receitas são obtidas por empresas públicas. No Brasil, a maior parte dessas receitas e os recursos de investimento são do setor privado.

CELSO MING

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Con la nueva reserva de petróleo, Petrobras le gana a Google

La petrolera quedó como la quinta empresa con más valor de mercado en todo el continente. Según cálculos de una consultora, tras el descubrimiento del nuevo yacimiento, Petrobras vale US$ 221.900 millones. Sólo es superada por Exxon Móvil, General Electric, Microsoft y AT&T.


Clarín


La fuerte subida que registraron las acciones de Petrobras el jueves tras el anuncio del hallazgo de una gigantesca reserva, situaron a la petrolera brasileña como la quinta con mayor valor de mercado entre las empresas de capital abierto de toda América y la primera de Latinoamérica.

Según cálculos divulgados hoy por la consultora Economática, el valor de mercado de Petrobras al cierre del jueves llegó a 221.900 millones de dólares, con lo que la empresa saltó del noveno al quinto lugar entre las empresas más valiosas de América.

La empresa brasileña, controlada por el Estado pero con acciones negociadas en las Bolsas de San Pablo, Nueva York, Madrid y Buenos Aires, apenas es superada ahora en valor de mercado en América por Exxon Móvil (488.600 millones de dólares), General Electric (394.300 millones de dólares), Microsoft Corp. (325.000 millones de dólares) y AT&T (238.600 millones de dólares).

Según Economática, la apreciación de la petrolera le permitió superar en valor a Procter & Gamble, ahora sexta con un valor de 220.000 millones de dólares, Google (217.100 millones de dólares), Berkshire Hathaway (208.300 millones de dólares) y BankAmerica (193.000 millones de dólares).

Tras el anuncio del hallazgo de una reserva que puede contener entre 5.000 y 8.000 millones de barriles de petróleo, las acciones ordinarias de la petrolera (con derecho a voto) subieron el jueves un 16,73 por ciento y los preferenciales un 16,44 por ciento. Los títulos de la brasileña también subieron significativamente en los otros mercados en los que son negociados.

La empresa puede escalar aún más posiciones entre las compañías de capital abierto de América, debido a que a media jornada de hoy las acciones ordinarias de la petrolera brasileña acumulaban una subida del 4,86 por ciento y las preferenciales un 4,21 por ciento.

La empresa, que debe anunciar sus resultados financieros hasta el tercer trimestre del año al cierre de los mercados de hoy, anunció que descubrió un nuevo horizonte geológico bajo las áreas marinas que explora en el océano Atlántico con un volumen de crudo que puede superar la mitad de los cerca 10.573 millones de barriles de sus reservas probadas.

El presidente de la brasileña, José Sergio Gabrielli, afirmó que, considerada toda la cuenca en que fue descubierto el yacimiento y de confirmarse la importancia del hallazgo, las reservas de Brasil pueden llegar a "algún lugar entre las de Nigeria y Venezuela".

Tupi field a boost for Brazil’s Petrobras

By Sheila McNulty in Houston and agencies - FINANCIAL TIMES

Published: November 8 2007 22:43 | Last updated: November 9 2007 08:38

Petroleo Brasileiro, or Petrobras, Brazil’s state-owned oil company, on Thursday said well tests revealed its Tupi field may contain as much as 8bn barrels of oil and natural gas, which would considerably bolster the country’s energy clout.

The estimate, if correct, would raise the country’s reserves by 62 per cent and just about put Tupi on par with Norway’s 8.5bn barrels of proved oil reserves.

Brazil has 14.4bn barrels of proved reserves of oil and natural-gas equivalent.

The news pushed up Petrobras’ shares 9.95 reais, or 14.2 per cent, to 80.2 on the São Paulo stock exchange, the biggest rise in more than nine years.

It also lifted the share price of BG Group, which holds a 25 per cent stake in the field for a second day. BG shares opened 33p higher at £10.22, following Thursday’s 10 per cent advance.

Shares in Galp Energia of Portugal, which holds 10 per cent, also rose for a second session. The shares, which had their biggest one-day gain in Lisbon on Thursday, rose 21 per cent €2.60 on Friday to €14.95.

Petrobras’ news release contained few details beyond the fact that the estimates were made after analysis of the formation tests for a second well in the area.

The company also said the oil within was light, which is more valuable because it is cheaper to refine than the heavier crude oil that Brazil mostly produces.

“Tupi changes everything for Brazil and Petrobras,’’ said Carlos Renato Nunes, an oil analyst with São Paulo-based brokerage Coinvalores CCVM who has a buy recommendation on Petrobras shares.

“Tupi is not only huge, its light oil offers huge cost advantages.’’

And at a time when oil is heading towards $100 a barrel, and energy security is high on the agenda of many governments, the news is sure to boost Brazil’s economic influence. Petrobras, already a well-respected national oil company on the world stage, is likely to receive a further boost from the discovery.

“Brazil needs time to evaluate its new oil potential,’’ Dilma Rousseff, president Luiz Inacio Lula da Silva’s cabinet chief, said at a news conference in Rio de Janeiro.

“This could make Brazil jump from an intermediate producer to among the world’s largest producers.’’

Tupi is three-quarters the size of Kazakh­stan’s Kashagan field, which holds 12bn barrels of recoverable crude and was the biggest find in the past 30 years.

There have only been a few gas discoveries in the past 20 years that would rival it, including the Shtokman field in Russia at 23bn barrels of oil equivalent, and two other Russian finds in the 5bn to 10bn range, Andy Latham, vice-president of exploration services at Wood Mackenzie Consultants in London, said.


Rising Demand for Oil Provokes New Energy Crisis

The New York Times

With oil prices approaching the symbolic threshold of $100 a barrel, the world is headed toward its third energy shock in a generation. But today’s surge is fundamentally different from the previous oil crises, with broad and longer-lasting global implications.

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Hiroke Masuike for The New York Times

Traders at the New York Mercantile Exchange Thursday,
where the price for a barrel of crude oil settled at $95.46.

Just as in the energy crises of the 1970s and ’80s, today’s high prices are causing anxiety and pain for consumers, and igniting wider fears about the impact on the economy.

Unlike past oil shocks, which were caused by sudden interruptions in exports from the Middle East, this time prices have been rising steadily as demand for gasoline grows in developed countries, as hundreds of millions of Chinese and Indians climb out of poverty and as other developing economies grow at a sizzling pace.

“This is the world’s first demand-led energy shock,” said Lawrence Goldstein, an economist at the Energy Policy Research Foundation of Washington.

Forecasts of future oil prices range widely. Some analysts see them falling next year to $75, or even lower, while a few project $120 oil. Virtually no one foresees a return to the $20 oil of a decade ago, meaning consumers should brace for an era of significantly higher fuel costs.

At the root of the stunning rise in the price of oil, up 56 percent this year and 365 percent in a decade, is a positive development: an unprecedented boom in the world economy.

Demand from China and India alone is expected to double in the next two decades as their economies continue to expand, with people there buying more cars and moving to cities to seek a way of life long taken for granted in the West.

But as prices rise, the global economy is entering uncharted territory. The increase so far does not appear to be hurting economic growth, but many economists wonder how long that will last. “These prices are too high and will end up hurting everybody, producers and consumers alike,” said Fatih Birol, chief economist at the International Energy Agency.

Oil futures closed at $95.46 on the New York Mercantile Exchange yesterday, down nearly 1 percent from the day before. But the price has become volatile, and many analysts expect the psychologically important $100-a-barrel threshold to be breached sometime in the next few weeks.

“Today’s markets feel like the crowds standing up in the final minutes of a football game shouting: ‘Go! Go! Go!,’” said Daniel Yergin, an oil historian and the chairman of Cambridge Energy Research Associates, a consulting firm. “People seem almost more relaxed about $100 than they were about $60 or $70 oil.”

Oil is not far from its historic inflation-adjusted high, reached in April 1980 in the aftermath of the Iranian revolution. At the time, oil jumped to the equivalent of $101.70 a barrel in today’s money.

For most of the 20th century, as it transformed the modern world, oil was cheap and abundant. Throughout the 1990s, for example, oil prices averaged $20 a barrel. Even at today’s highs, oil is cheaper than imported bottled water, which would cost $180 a barrel, or milk, at $150 a barrel.

“The concern today is over how will the energy sector meet the anticipated growth in demand over the longer term,” said Linda Z. Cook, a board member of Royal Dutch Shell, the big oil company. “Energy demand is increasing at a rate we’ve not seen before. On the supply side, we’re seeing it is struggling to keep up. That’s the energy challenge.”

More than any other country, China represents the scope of that challenge. As it turned into a global economic behemoth over the last decade, China also became a major energy user. Its economy has grown at a furious pace of about 10 percent a year since the 1990s, lifting nearly 300 million people out of poverty. But rapid industrialization has come at a price: oil demand has more than tripled since 1980, turning a country that was once self-sufficient into a net oil importer.

India and China are home to about a third of humanity. People there are demanding access to electricity, cars, and consumer goods and can increasingly afford to compete with the West for access to resources. In doing so, the two Asian giants are profoundly transforming the world’s energy balance.

Today, China consumes only a third as much oil as the United States, which burns a quarter of the world’s oil each day. By 2030, India and China together will import as much oil as the United States and Japan do today.

While demand is growing fastest abroad, Americans’ appetite for big cars and large houses has pushed up oil demand steadily in this country, too. Europe has managed to rein in oil consumption through a combination of high gasoline taxes, small cars and efficient public transportation, but Americans have not. Oil consumption in the United States, where gasoline is far cheaper than in Europe, has jumped to 21 million barrels a day this year, from about 17 million barrels in the early 1990s.

If the Chinese and Indians consumed as much oil for each person as Americans do, the world’s oil consumption would be more than 200 million barrels a day, instead of the 85 million barrels it is today. No expert regards that level of production as conceivable.

More realistically, global demand is expected to rise to about 115 million barrels a day by 2030, a level that is likely to tax the world’s ability to pump more oil out of the ground. Already, the world is running on a limited cushion of spare capacity; any interruption in supplies, whether from hurricanes or armed conflict, causes prices to spike.

“We don’t have any shock absorbers,” Mr. Goldstein said.

For oil companies, high prices have set off a frenzied search for new sources around the world. After a long lull in investments through most of the 1990s because of low prices, major oil companies have invested billions of dollars to bring in more supplies.

The trouble is that these big new developments take a long time, and companies have been hobbled by higher costs. The cost of drilling rigs, for example, the basic tool of the trade, has doubled in recent years. Analysts say it will take time, but new supplies will eventually work their way to market.

Supplies have also been hampered by political tension in the Persian Gulf, the war in Iraq, devastating hurricanes in the oil-producing Gulf of Mexico, production difficulties in Venezuela and violence in Nigeria’s oil-rich province. Many of these geopolitical factors have contributed to a political risk premium variously estimated at $25 to $50 a barrel. Recently, in just nine weeks, oil jumped from $75 to $95 a barrel for little apparent reason.

“Fifty-dollar-a-barrel oil seems so far away at this point,” said Thomas Bentz, a senior energy analyst at BNP Paribas in New York, citing a figure that seemed an impossibly high price for oil only a few years ago. “Oil will stop rising when we see demand destruction. We haven’t seen that yet.”

When will it happen? Veterans of the oil business, having lived through booms and busts, say no one should count on oil rising forever. Economic slowdowns in China or the United States — or especially, in both — would probably send prices tumbling.

It happened a mere decade ago, after the Asian financial crisis sent economies there into a tailspin. Global oil prices fell by half, from $20 a barrel to $10, in months.

“It would be a big mistake to think the laws of supply and demand have been abolished,” Mr. Yergin said.


Reservas do Brasil podem superar 70 bilhões


Francisco Góes, Rafael Rosas e Ana Paula Grabois
Valor


A Petrobras anunciou ontem a descoberta de uma nova província petrolífera, situada em mar a grandes profundidades, abaixo de uma camada de sal, capaz de colocar o Brasil, no futuro, entre os maiores países do mundo em termos de reservas de óleo e gás. O anúncio foi acompanhado pela aprovação de uma resolução no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determinando a exclusão de 41 blocos que seriam leiloados na 9 Rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), nos dias 27 e 28 deste mês. Estes blocos estão na área de influência da nova fronteira exploratória e têm grande potencial de descobertas.


No campo de Tupi, na Bacia de Santos, que fica dentro da nova província petrolífera, a Petrobras estimou volume recuperável de óleo leve de alto valor comercial (28 graus API) entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural. Só esta descoberta poderá aumentar em mais de 50% as atuais reservas de petróleo e gás natural do país, que somam 14,4 bilhões de barris de óleo equivalente (Boe).


O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que quando toda a nova província petrolífera estiver sendo explorada, o Brasil deve ficar entre as oito ou nove maiores reservas do mundo. Hoje, a 8 posição no ranking de reservas mundiais de óleo e gás é da Venezuela, com 107 bilhões de barris de óleo equivalente. A Nigéria, 9 colocada, aparece com 69 bilhões de Boe. O Brasil ocupa a 24 posição, com 14,4 bilhões de Boe.


O diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella, adiantou que a intenção da estatal é implantar um projeto-piloto de produção na área de Tupi, associado à produção de gás, de cerca de 100 mil barris/dia, a partir de 2010-2011. A Petrobras é a operadora do campo de Tupi, no qual tem participação de 65%. O restante está nas mãos da britânica BG, com 25%, e da Petrogal - Galp Energia, com 10%.


A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a decisão do CNPE de retirar os 41 blocos da rodada da ANP se baseou no interesse nacional: "É a preservação dos interesses do país diante da descoberta de uma riqueza de proporções significativas", afirmou a ministra, após participar, na sede da Petrobras, no Rio, de reunião extraordinária do CNPE, que contou com a presença do presidente Lula. Dos 312 blocos previstos na rodada, sobram agora 271.


Dilma negou que a medida tenha viés estatizante e comparou a situação ao cancelamento das concessões rodoviárias que, depois de terem as condições modificadas, foram leiloadas. "O mesmo nos propomos a fazer para os blocos retirados da rodada", disse a ministra. A ação representa, segundo ela, a preservação da soberania do país, do desenvolvimento da indústria. O objetivo será analisar como irá se explorar a nova riqueza petrolífera. Dilma avaliou que a nova província petrolífera fará o país mudar de patamar, saindo de uma posição intermediária para o primeiro escalão na produção de petróleo, passando a exportador.


A resolução n 6 do CNPE, aprovada ontem, também determina ao Ministério de Minas e Energia e à ANP a adoção das providências necessárias para a conclusão da 8 Rodada de Licitações, que foi interrompida por decisões judiciais. Dos 284 blocos previstos, com foco em gás natural e óleo leve, só 38 foram arrematados devido a duas liminares judiciais. As liminares, derrubadas depois pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foram motivadas pela limitação imposta pela ANP no edital ao número de blocos que uma empresa operadora poderia arrematar.


O ministro de Minas e Energia. Nélson Hubner, presidente do CNPE, disse que a resolução do conselho determina rigorosa observação dos direitos adquiridos e atos jurídicos perfeitos, relativos às áreas concedidas ou arrematadas em leilões da ANP. A resolução também levará o Ministério de Minas e Energia a avaliar, a curto prazo, as mudanças necessárias no marco legal que contemplem "um novo paradigma de exploração e produção de petróleo e gás natural" em decorrência da nova província petrolífera.


A nova fronteira exploratória se estende por mais de 800 quilômetros, de Santa Catarina ao Espírito Santo, e tem até 200 quilômetros de largura. Inclui as bacias do Espírito Santo, Campos e Santos, em rochas denominadas pré-sal, espécie de "segundo subsolo" das bacias petrolíferas. Segundo a Petrobras, o pré-sal são rochas reservatórios que se encontram abaixo de extensa camada de sal. Os reservatórios situam-se em lâmina d´água que varia de 1,5 mil a 3 mil metros de profundidade. Para chegar até eles, é preciso furar ainda 3 mil a 4 mil metros de rocha.


Para atingir as camadas de pré-sal, entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade, a Petrobras desenvolveu novos projetos de perfuração. Nos últimos dois anos, foram perfurados 15 poços, com investimentos de US$ 1 bilhão, que atingiram as camadas pré-sal. Do total, oito poços responderam de forma positiva em produção. Os reservatórios perfurados na Bacia de Santos são semelhantes aos da Bacia do Espírito Santo, o que, para a Petrobras, reforça a hipótese de extensão dos reservatórios na área.


Gabrielli disse que o plano de investimentos da empresa, que prevê aplicação de US$ 112 bilhões até 2012, não contempla investimentos no pré-sal. "Provavelmente o valor vai subir." O diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, disse que a entrada em operação do campo de Tupi, em camada de pré-sal na Bacia de Santos, prevista para acontecer em até seis anos, contribuirá para redução das importações de óleo leve e diesel feitas pela companhia.


Hoje, segundo o executivo, a Petrobras importa 300 mil barris diários de óleo leve. Gabrielli disse que das áreas com possibilidade de ocorrência de hidrocarbonetos na camada de pré-sal do litoral brasileiro, cerca de 25% estão atualmente sob concessão. Desses 25%, a Petrobras atua em 70% dos blocos, sozinha ou em parceria. Segundo Guilherme Estrella, a previsão é declarar a "comercialidade" de um primeiro campo na área do pré-sal, no Espírito Santo, em 2009. "Confirmando-se os testes na área de Parque das Baleias, vamos interligar o poço à plataforma já instalada no Espírito Santo.".


O diretor disse que a tecnologia de produção para operar neste tipo de campo está disponível, mas o custo é alto. "A tecnologia vai ser aplicada na redução de custos", disse Estrella. Ele salientou que os campos estão situados a 250 quilômetros da costa. Ele também informou que a Petrobras está em contato com empresas que detêm tecnologia para aproveitamento do gás dos campos no próprio local. Uma alternativa é instalar térmicas flutuantes que poderiam enviar energia para o continente por meio de cabos submarinos. (* Do Valor Online)

Nova fronteira do petróleo


Celso Ming - O Estado de São Paulo

celso.ming@grupoestado.com.br

A descoberta de um campo gigante de petróleo e gás na Bacia de Santos é um acontecimento cuja importância transcende as dimensões econômica e energética. O impacto político e estratégico está por ser avaliado.

Este foi apenas o primeiro campo encontrado abaixo da camada de sal, formação geológica de 300 a 500 metros de espessura e cerca de 200 quilômetros de largura, que se estende por 3 mil quilômetros ao longo da costa, de Santa Catarina ao sul da Bahia. Está situada na plataforma continental, entre 6,5 mil e 7 mil metros abaixo do nível do mar.

Até agora, a maior parte do petróleo encontrado no Brasil é pesada (17 graus API). A principal teoria dos geólogos da Petrobrás é a de que esse óleo migrou de depósitos situados abaixo da camada de sal para acima dela, por fissuras causadas por pressões geológicas. No caminho, incorporou detritos, razão por que é de qualidade inferior. A hipótese dos geólogos é a de que as jazidas mais abundantes e de melhor qualidade estão abaixo do sal porque não conseguiram escapar de lá.

Há dois anos, a Petrobrás começou a perfurar essas estruturas. Na Bacia de Santos (Campo de Tupi) e na do Espírito Santo (Campo de Golfinho), as duas áreas em que iniciou os trabalhos, deu bingo: petróleo e gás de ótima qualidade. Mas só agora a Petrobrás pôde concluir a cubagem da jazida encontrada na Bacia de Santos, que aumenta em cerca de 40% as reservas brasileiras, ultrapassando as do México.

A descoberta anunciada parece ser apenas o começo. Ficou comprovado o potencial abaixo da camada de sal. E isso abre nova fronteira para exploração.

Em razão da enorme profundidade, altas temperaturas e fortes pressões, a exploração desses poços exige tecnologia de ponta. As condições da geometria de perfuração requerem diâmetro inicial maior do que a de um poço convencional; brocas especiais dotadas de turbina que giram só na extremidade e não ao longo do eixo de 6 mil a 7 mil metros; e lubrificantes de altíssimo desempenho.

Como o diretor de Produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, já explicou, seu custo de perfuração é cerca de três vezes mais alto do que o de um poço comum. Mas, diante do petróleo a US$ 100 por barril e diante das proporções da descoberta, esse aumento de custo pode ser considerado insignificante.

A nota oficial da Petrobrás emitida ontem afirma que o Campo de Tupi, somado aos já conhecidos, “coloca o Brasil entre os países com grandes reservas de petróleo e gás no mundo” (veja tabela).

Para dizer o mínimo, do ponto de vista econômico, a novidade vai atrair ainda mais interesse por petróleo e gás no Brasil. Mas o impacto maior pode ocorrer no campo estratégico e político. À medida que o Brasil for reconhecido como potência energética num quadro de escassez de petróleo, seu peso geopolítico deve crescer. E mudam, também, as condições de negociação com Venezuela, Argentina e Bolívia, os grandes produtores vizinhos de petróleo e gás.

Será inevitável que o presidente Lula tente tirar o máximo proveito interno das novas perspectivas. A conferir.


Confira

Visão estreita -
Ontem, o presidente do Fed, Ben Bernanke, criticou os analistas de Wall Street, incapazes de prever a crise das hipotecas podres: “É surpreendente e desapontador que investidores sofisticados (...) olharam para o rating do crédito e foi só o que fizeram.”

Outra estreiteza - Há outra crítica a fazer aos analistas financeiros, especialmente do Brasil. Há dois anos, atenta às recomendações dos geólogos, a Petrobrás perfura a camada de sal. Mas esses analistas não enxergam além dos fluxos de caixa, Ebitdas e outras rubricas contábeis. Não previram a nova aposta a fazer na Petrobrás.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

La libéralisation du marché de l'énergie défendue par Bruxelles divise les Européens

Le Monde

Le sujet est explosif. José Manuel Barroso, le président de la Commission européenne, a présenté, mercredi 19 septembre à Bruxelles, le projet de libéralisation du marché de l'énergie à l'origine d'une intense bataille entre Bruxelles, les industriels du secteur, et les Etats.

Parmi les propositions phares de ce "paquet" destiné à supprimer les dysfonctionnements du secteur en Europe figure la "séparation patrimoniale" des activités de transport et de production d'électricité et de gaz.

Une réforme radicale pour de nombreux Etats membres, puisqu'elle pourrait conduire à l'éclatement de groupes comme EDG, GDF Suez, en France, E.ON, ou RWE en Allemagne. Aux yeux de la majorité des commissaires, dont Andris Piebalgs, chargé de l'énergie, et Neelie Kroes, de la concurrence, cette perspective garantit l'accès des tiers aux réseaux détenus par les anciens monopoles.

Le projet suscite de vives empoignades entre les Vingt-Sept et le Parlement européen. Fin juillet, neuf Etats membres, dont la France et l'Allemagne, ont écrit à la Commission pour lui faire part de leur opposition à la séparation patrimoniale. Pour eux, elle ne pourrait qu'affaiblir les opérateurs à l'heure où il faut sécuriser les approvisionnements.

"NE PAS ÊTRE NAÏF"

Un peu plus tôt, huit autres pays, parmi lesquels le Royaume-Uni, l'Italie ou l'Espagne, avaient au contraire envoyé à Bruxelles un courrier favorable à l'initiative. Le Parlement européen a, de son côté, jugé que cette séparation patrimoniale serait l'option "la plus efficace" pour parachever la libéralisation du secteur, tout en suggérant de ne pas l'appliquer aux entreprises gazières.

La Commission a tout de même lâché du lest. Sous pression franco-allemande, plusieurs aménagements ont été proposés. La seconde option mise en avant par le collège, celle de la création d'un gestionnaire indépendant chargé des réseaux de transport, a été simplifiée, à la demande de Jacques Barrot et de son homologue allemand, Günter Verheugen.

Ce dispositif dérogatoire doit permettre aux principaux groupes européens de conserver la propriété de leurs réseaux. Mais EDG, GDF et autres E.ON devraient alors en confier la charge à un gestionnaire responsable des relations avec les différents utilisateurs. Une nouvelle agence pour la coopération des régulateurs de l'énergie aura aussi pour mission de superviser, en lien avec les autorités nationales, les projets d'investissements susceptibles d'avoir un impact sur l'ensemble du marché de l'Union européenne.

Enfin, un mécanisme est à l'étude afin d'exclure l'hypothèse d'un rachat des réseaux de transports par un producteur originaire d'un pays tiers, comme le puissant russe Gazprom. La Commission se propose de certifier que les investisseurs non européens souhaitant prendre le contrôle d'une infrastructure ne disposent d'aucun intérêt dans la production. "Il faut ouvrir nos marchés, mais sans être naïf", affirme M. Barroso.
Philippe Ricard

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Petrobrás anuncia descoberta de nova reserva em Santos

Terceiro poço da bacia tem óleo de boa qualidade, mas ainda é preciso fazer testes para confirmar seu potencial

Nicola Pamplona O Estado de São Paulo

A Petrobrás anunciou ontem uma nova descoberta de petróleo de boa qualidade na Bacia de Santos. Desta vez, o reservatório foi encontrado em um bloco chamado BM-S-9, a 273 quilômetros de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. Trata-se da terceira descoberta importante em águas profundas na região desde 2006. Num dos blocos, o BM-S-11, a empresa conclui testes que podem confirmar a existência de um megacampo, batizado de Tupi.

Sobre a nova descoberta, a companhia informou que ainda precisa abrir novos poços antes de confirmar a viabilidade das reservas. O primeiro poço produziu a média de 2,9 mil barris de petróleo e 57 mil metros cúbicos de gás natural por dia - segundo a empresa, o volume de produção foi limitado pela capacidade das instalações. O petróleo tem 27° API (unidade de medida da qualidade do óleo, segundo a qual, quanto mais perto de 50º, melhor).

'A partir desse novo resultado confirma-se, mais uma vez, o momento histórico da exploração de petróleo no Brasil e, particularmente, na Bacia de Santos', disse a companhia, em nota. O texto, porém, diz que novos investimentos serão necessários antes da comprovação da descoberta. Para isso, o consórcio, formado ainda pela britânica BG e pela espanhola Repsol, proporá um plano de avaliação do reservatório à Agência Nacional do Petróleo (ANP).

LEILÃO

O anúncio deve acirrar ainda mais a disputa por campos em águas profundas no próximo leilão de áreas exploratórias da ANP, em novembro. A agência vai oferecer 20 blocos na região onde estão as três descobertas da estatal - uma das ofertas terá preço mínimo de R$ 214 milhões, o terceiro mais alto do leilão. A própria Petrobrás já afirmou publicamente que pretende brigar pelas novas áreas.

O interesse reflete a expectativa de que a área se torne a próxima grande província produtora no País. Só no campo de Tupi, os sócios da Petrobrás estimam a existência de até 10 bilhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás), dos quais 20% seriam recuperáveis.

A Petrobrás já perfurou um segundo poço no local e aguarda a avaliação dos resultados dos testes para anunciar o volume de reservas. O bloco BM-C-10 também tem uma descoberta, mas sua avaliação foi deixada em segundo plano por dificuldades técnicas, dizem fontes próximas ao projeto.