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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Copa do mundo: Brasil já pensa em como equipar cidades candidatas

Cristina Massari, do Globo Online

A ministra Marta Suplicy, o ex-jogador Carlos Alberto Torres e Jeanine Pires, presidente da Embratur, no estúdio da rádio Talk Sport, em Londres, falam da Copa de 2014 no Brasil  / Foto: Divulgação

RIO - A Copa do Mundo de 2014 foi um dos principais assuntos em torno da participação do Brasil na World Travel Market, que acontece em Londres até quinta-feira (15). Para falar de futebol para os ingleses, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, levou Carlos Alberto Torres, capitão da seleção tricampeã de 1970 à rádio Talk Sport Radio e ao estande da Embratur no pavilhão de exposições da feira. A ministra contou com exclusividade ao Globo Online como o turismo brasileiro já está se preparando para a Copa de 2014, mas com o olho também nas Olimpíadas de 2016.

- Tínhamos encomendado à Fundação Getulio Vargas um estudo de competitividade para os 65 destinos turísticos prioritários para os investimentos. Aproveitamos então e pedimos que os trabalhos em torno das 18 cidades que concorrem à sede do campeonato de futebol sejam priorizadas e que já se tenha uma avaliação de sua competitividade em fevereiro - conta.

Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife/Olinda, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo são candidatos a sediar os jogos da Copa do Mundo de Futebol ( vote nas cidades de sua preferência). A escolha da Fifa só será anunciada em junho de 2008. Todas estas cidades terão sua competitividade turística avaliada pela FGV, no estudo que está sendo conduzido pela FGV através de um convênio firmado com o Ministério do Turismo.

- A avaliação que vamos fazer não será falando de futebol. Mas se a infra-estrutura turística é sustentável, sob diversos aspectos, incluindo o meio-ambiente. Depois vamos aprofundar para o futebol. Sabemos que o resultado desta seleção só sai em 2008, mas temos que ir nos preparando. A capital de Goiás, por exemplo, Goiânia, tem um hotel cinco estrelas. Como vai receber uma Copa do Mundo? É preciso fazer um estudo de viabilidade de hotéis. Temos que pensar na qualificação dos jovens. Tudo isso tem que ser planejado e pensado.

Questionada, a ministra opinou que a prioridade para os investimentos em infra-estrutura no país visando a Copa do Mundo deve se voltar para a infra-estrutura de transportes.

- A reforma dos portos, aeroportos e rodovias federais é o item mais prioritário para a Copa do Mundo. E já estão recebendo investimentos, só que são obras que não ficam prontas em um ano, mas estamos prevendo que para 2014 estejam.

Mirando nas Olímpiadas de 2016

De olho ainda na escolha da sede das Olimpíadas de 2016, Marta aposta no andamento dos preparativos para a Copa para que o Brasil, que inscreveu a candidatura do Rio de Janeiro, seja mais uma vez escolhido:

- A seleção para as Olimpíadas será em 2009, temos que ter passos bastante sérios tomados para pleitear 2016. Se pudermos mostrar serviço antes, será melhor.

Nesta disputa, o Rio concorre com Chicago (EUA), nas Américas; Doha (Qatar) e Tóquio (Japão), pela Ásia; e Baku (Azerbaijão), Madri (Espanha) e Praga (República Tcheca), pelo continente europeu. A escolha da cidade que organizar os Jogos Olímpicos e 2016 será anunciada em Copenhague, na Dinamarca, em 2 de outubro de 2009, durante uma reunião do comitê executivo do Comitê Olímpico Internacional.

Marta Suplicy ressaltou ainda que a Copa do Mundo deverá trazer mais benefícios que as Olimpíadas para o país:

- Especialistas já afirmaram que uma Copa do Mundo traz mais dividendos que uma Olimpíada. Para o Brasil, serão várias cidades-sede, o que vai permitir ao brasileiro se apropriar como nunca do Brasil e o estrangeiro terá uma visão ampla deste país. Para nós será uma promoção maravilhosa. Para o turismo, é um salto de 50 anos, superacelerado, que se dá, com investimentos maciços em transportes etc.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Marta Suplicy quer vôos regionais "para ontem"

Claudio Leal - Terra Magazine

Rose Mary de Souza/Especial para o Terra

A ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT-SP), encomendou à Fundação Getúlio Vargas
um estudo da infra-estrutura do Brasil para a
Copa de 2014



No início da organização da Copa do Mundo de 2014, a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT-SP), defende o desenvolvimento dos vôos regionais para superar a crise aérea. Com a expectativa de ver ampliado o fluxo de turistas, ela encaminhou ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, um estudo sobre a ampliação das rotas regionais.

Marta falou a Terra Magazine durante o encontro do governador da Bahia, Jaques Wagner, com 500 empresários, na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

- A aviação regional nós temos que ter um empenho muito sério, já enviamos ao ministro (Nelson) Jobim todos os vôos regionais que acreditamos que é importante se desenvolver pra ontem, não é pra a Copa, é pra ontem. Porque você não consegue fazer turismo sem ter uma companhia aérea regional forte - analisou Marta.

A ministra participará, na próxima semana, em Londres, de uma feira de turismo que deve antecipar a campanha de atração de turistas para a Copa no Brasil. Segundo ela, o modelo dos Jogos Pan-americanos, no Rio de Janeiro, deve ser adotado no planejamento do setor hoteleiro.

- Você tem que planejar para não criar hotéis que depois virem "elefantes brancos", porque não tem sustentabilidade. Se não vão ter sustentabilidade, têm que ser construídos como os do Pan, que foram construídos para depois serem vendidos como residências.

Um estudo foi encomendado à Fundação Getúlio Vargas (FGV) para planejar os investimentos do governo nas cidades-sedes.

Leia a entrevista.

Terra Magazine - Depois do anúncio da Copa, qual é o planejamento do Ministério de Turismo para adaptar o País ao novo fluxo de turistas?
Marta Suplicy - Olha, começa semana que vem, na maior feira de turismo do mundo, que vai ser em Londres, o encontro dos operadores e agências de viagem ingleses. Junto convidamos o jogador Denilson, que joga no Arsenal, pra ele estar presente. Hoje, nós já começamos as campanhas do exterior brasileiras, colocando que sejam bem-vindos à Copa de 2014. A Alemanha fez isso logo que foi anunciado e conseguiu, naquele ano da Copa, um crescimento no seu PIB de 2,3. Nós temos que começar como eles fizeram antes, já colocando como gancho promovidor toda a possibilidade que nós vamos ter de sediar a Copa.

Quanto aos investimentos...
O Ministério tem várias responsabilidades, no meu entender a mais importante é o planejamento. Tem que planejar até 2014 os investimentos nas cidades-sede. Quais serão as cidades-sedes? Nós aí iremos avaliar a infra-estrutura de cada cidade. O PAC já está dando uma boa resposta em relação a aeroportos e portos e uma importante rodovia que é a BR-101, que pega toda a costa. Depois, nós termos agora o leilão das rodovias federais, que também é muito importante que aconteceu, até 2014 nós vamos ter isso também em ordem. Mas vão sobrar algumas estradas, algumas rodovias, que não vão ter provavelmente nos próximos três, quatro, cinco anos, tido a adequação necessária. Nós vamos ter que ter planejamento, assim como infra-estrutura hoteleira. Por exemplo, se Goiás for escolhido como sede... Goiânia não tem um número de hotéis suficientes. Tem um cinco estrelas. Tem que construir, tem que planejar, tem que ir pra fora buscar investidor...

Já houve articulação com os governadores, na viagem para a Suíça?
Então, todos os governadores estão satisfeitos e impregnados do espírito da Copa, mas eles vão se dedicar no primeiro momento à questão dos estádios. Porque essa questão vai pesar para a escolha das sedes, que ainda não estão definidas. Nossa preocupação é a curto, médio e longo prazo. Por exemplo, quando eu não tenho hotéis numa cidade, como é que você vai abrigar milhares de torcedores? Você tem que planejar para não criar hotéis que depois virem "elefantes brancos", porque não tem sustentabilidade. Se não vão ter sustentabilidade, têm que ser construídos como os do Pan, que foram construídos para depois serem vendidos como residências. Esse estudo todo o ministério está encomendando à Fundação Getúlio Vargas (FGV) para que a gente possa, paulatinamente, ir fazendo os investimentos. Que não são do ministério, o ministério é um grande articulador.

Não é preciso investimento rápido no setor aéreo, por causa da crise?
Em relação ao setor aéreo, nós estamos crescendo vôos internacionais. Isso até lá vai ter outro panorama, que não vai ter nada a ver com o que nós temos hoje. Em pouco tempo, nós já tivemos o vôo inaugural para Brasília e agora a TAP vai para Belo Horizonte em fevereiro. Vamos ter no começo do ano que vem dois vôos novos de companhias aéreas para o Nordeste, tivemos a Emirates que está voando para Dubai direto. Então, isso tá aumentando e até 2014 será outro mundo. Agora, a aviação regional nós temos que ter um empenho muito sério, já enviamos ao ministro (Nelson) Jobim todos os vôos regionais que acreditamos que é importante se desenvolver pra ontem, não é pra a Copa, é pra ontem. Porque você não consegue fazer turismo sem ter uma companhia aérea regional forte. Várias companhias aéreas.

O Ministério do Turismo vai se envolver também na questão das ferrovias?
Isso tá dentro do PAC, mas nós vamos avaliar tudo dentro desse estudo da FGV.

Terra Magazine

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

How Brazil Reversed the Curse

SPECIAL REPORT
NEWSWEEK


Latin America used to suffer the deepest gap between rich and poor.

Now it is the only region narrowing the divide.

Christopher Anderson / Magnum Photos for Newsweek
Upwardly Mobile: Middle-class Brazilians

By Mac Margolis | NEWSWEEK
Nov 12, 2007 Issue



Way back in the 1970s, when Brazil's economy seemed unstoppable, South America's biggest nation earned a disparaging moniker: Belindia. Society, by this metaphor, was divided into two lopsided parts—a petite and prosperous Belgium surrounded by a vast and destitute India. Pundits spent years parsing the reasons.

But the underlying meaning was hard to miss. While the overall economy boomed, only a tiny elite was blessed. So Brazil rose to become one of the top 10 economies—and one of the most unequal societies—in the world.

Now Brazil may need a new metaphor. One of the most reliably abysmal income gaps in the world has finally started to shrink, and it may herald a region-wide shift. Thanks to a complex cocktail of economic gains such as the end of chronic high (at times hyper-) inflation and plummeting interest rates, soaring enrollments in primary schools and, more recently, plenty of well-targeted cash handouts going directly to the poorest households (bypassing wasteful welfare bureaucracies), Brazil managed to slash the number of people living on $2 a day or less from about 36 percent in 1992 to just over 19 percent last year. Now the gaping divide between Brazil's haves and have-nots, as measured by the Gini coefficient, is also starting to narrow. Brazil's fell by 5 percent (.59 to .56) from 2001 to 2006. So have Mexico's (.543 to .509) and, more modestly, Chile's (.563 to .562) over the past decade—thanks largely to the same mix of anti-poverty strategies. So rapidly have fortunes turned that Brazil is being hailed by some analysts as an unlikely bellwether for fighting poverty policies worldwide. "The '90s were the years of economic stabilization," says economist Marcelo Neri of the Getúlio Vargas Foundation, a Brazilian business school. "This decade is going to be remembered as the era of falling inequality."

Once again the sages are asking why. Boilerplate economics deserves part of the credit. While the Latin American Street may grumble over "neoliberals," it was free-market reforms that helped break down a long-encrusted social order that grated especially against the poor.

Greater fiscal responsibility curbed compulsive government borrowing, bringing down interest rates and encouraging lenders to spread credit to even low-income consumers, long written off as unbankable. Chronic high inflation was practically eliminated by the mid-'90s, ending one of the more pernicious taxes on the poor; while governments could be refinanced through bonds that paid just a bit more than the inflation rate, workers watched helplessly while their cash wages melted in their pockets.

"There is clearly now much stronger political commitment to macroeconomic stability and keeping inflation low," says Anoop Singh, head of the International Monetary Fund's Western Hemisphere department. "This is good news for bringing down both poverty and inequalities."

Policymakers also did their part through massive campaigns in the 1990s to get children out of the workplace and into the classroom. Brazil, for example, had 97 percent of school-age kids in the classroom as early as a decade ago; those students are now being rewarded with better jobs.

But one of the most celebrated government initiatives is a new brand of grant to the extremely poor known in policy argot as conditional cash transfers (CCTs). All turn on the same principle of paying a small stipend—say, $10 to $50 per month—to the poorest families on condition that they keep their children in school and take them for regular checkups at the local health clinic.

The most rigorous of the CCT schemes is the decade-old Chile Solidario, which awards small two-year grants to families who must not only keep their children in school but also report to social workers and look for jobs. Mexico's Oportunidades, begun in 2002, tracks the progress of some 5 million families on a sophisticated computer database, which has caught the attention of officials from Ankara to New York. After a visit to Mexico, New York Mayor Michael Bloomberg launched his own version, Opportunity NYC, last March. The grandest scheme by far is Brazil's Bolsa Família, or the Family Stipend, which gives some 11.1 million families—nearly a quarter of the 183 million population—up to $50 a month for an unspecified period. (Officials are still debating a cutoff point.) Several stipend programs had been launched in the mid-'90s but they were unified and spread across Brazil after 2003, under the government of Luiz Inácio Lula da Silva.

Economists generally applaud targeted cash transfers on the ground that paying the poor to improve their own lot is far more efficient than throwing money at top-heavy poverty-relief bureaucracies. It is also far cheaper. A textbook case is Brazil, where the government spends more than $500 billion, close to half its GDP, on social programs such as the loss-making pension system that mostly benefits the nonpoor. "With Bolsa Família you reach a quarter of the population by spending just 1 percent of GDP," says Neri. "That's a far better deal." Because of its sharper focus on the poor, Bolsa Família was just as effective in lowering Brazilian inequality as the massive pension system, at only a fifth the cost, Neri says.

Not everyone agrees, of course. In the wrong hands, aid can easily turn into an old-fashioned populist handout. Nicaragua's Zero Hunger project gives families a cow and three chickens, which is unlikely to change lives, while studies show Brazilian leaders crank up the stipend awards around election time. More worrisome, much less attention has been paid to getting people off the stipend. "There's something wrong when 50 million people are getting income transfers," says economist Eduardo Giannetti of Ibmec, a São Paulo business school. "I fear that Bolsa Família is being sold as a way of life and not as an emergency aid program." Skeptics also point out that the rising poor may sink again if the Brazilian economy softens and the government supply of cash dries up.

Longer-term, transforming society will take much more. "We have to improve education in order to see a real reduction in inequality," says Naércio Menezes, an education specialist at Ibmec. If not, critics warn, globalization can actually worsen the opportunity gap. "As countries grow faster and globalize, there's going to be increasing demand for people with tech skills. Unless the education system is geared to meeting those needs, you'll [find] that the benefits will go to a narrow group of people, and inequality will increase," says the IMF's Singh. And Belindia will re-emerge.

With Monica Campbell in Mexico City

© Newsweek, Inc.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Indústria tem o maior uso de capacidade em 31 anos

Apesar da produção aquecida, sondagem da FGV não detecta pressões significativas por reajustes de preços neste trimestre

Márcia De Chiara - O Estado de São Paulo

Pelo segundo mês consecutivo, o uso da capacidade de produção da indústria de transformação atingiu níveis recordes. Em outubro, o indicador chegou a 87%, a maior marca em 31 anos, desde outubro de 1976 , quando havia atingido 89%, segundo a Pesquisa Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada ontem. Na comparação com setembro, o avanço foi de 0,9 ponto porcentual e de 2,8 pontos ante outubro de 2006.

Coincidência ou não, no início do mês passado, em Florianópolis (SC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou exatamente esse índice quando conclamou os empresários a investirem e produzirem mais, alertando para os efeitos do excesso de demanda sobre os preços.

Apesar de a capacidade de produção estar pressionada, a sondagem, que consultou no mês passado mais de mil empresas com faturamento total de R$ 553,6 bilhões por ano, mostra que não há um aumento na intenção de elevar preços neste trimestre em relação aos anteriores. Na média da indústria, 31% delas informaram que querem reajustar preços, ante 32% nos dois últimos trimestres.

“Se neste momento, que é o ápice de produção da indústria, não está ocorrendo pressão de preço generalizada, nada indica que a situação ficará crítica nos próximos meses”, disse o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo. Na sua avaliação, isso revela que o investimento está ocorrendo e o câmbio em baixa, que facilita a importação, contribui para segurar os preços. O quadro é favorável mesmo com o petróleo em alta.

Campelo disse que a pressão no uso da capacidade das fábricas não é generalizada e que a situação é crítica em três setores, dos 21 pesquisados. São eles: indústria mecânica, de material de transporte e de alimentos. A sondagem mostra que nesses setores há uma escassez maior de matérias-primas. De acordo com a sondagem, aumentou também o tempo que as fábricas levam para receber as matérias-primas, o que pode indicar o aquecimento da produção. Em outubro, 12% das empresas informaram um acréscimo nos prazos, ante 2% em outubro de 2006.

Com a produção aquecida, a indústria trabalha hoje, em média, com 2,5 turnos. Esse resultado está acima da média desde 2001, que é de 2,2 turnos, e do resultado em outubro de 2006, que foi 2,4 turnos. Os estoques de produtos acabados também estão mais enxutos. Segundo a sondagem, 10% da empresas informaram que seus estoques são insuficientes, ante 2% delas em outubro do ano passado.

Apesar da cautela do Banco Central (BC) ao interromper a queda da taxa básica de juros no mês passado, depois de um longo período de cortes na Selic, o otimismo da indústria no curto prazo não foi abalado. O Índice de Confiança da indústria atingiu em outubro 123,4 pontos, com um acréscimo de 14,7% em relação ao mesmo período de 2006. “Esse resultado é o recorde da série histórica iniciada em abril de 1995”, observou Campelo, ressaltando que o otimismo é sustentado pelo consumo doméstico e pelas exportações.

domingo, 7 de outubro de 2007

Aumento de renda dos idosos atrai empresas

População acima de 60 anos já responde por quase 15% do mercado de consumo brasileiro

Martha Beck

O Globo

BRASÍLIA. De olho num público responsável por quase 15% do mercado de consumo no país, as empresas brasileiras estão se especializando em serviços para idosos. As ofertas são as mais variadas, de pacotes de viagem com desconto em folha do INSS, passando por serviços de intercâmbio e exercícios, a aparelhos acionados de casa para receber atendimento médico em caso de emergência. Tudo para atrair uma população de 19 milhões de brasileiros, que deve chegar a 30 milhões em 2020.
O poder de compra aumentou, graças ao ganho real do salário mínimo. As pessoas acima de 60 anos tiveram elevação da renda familiar per capita de R$ 243 nos últimos 14 anos.

Segundo o chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Neri, os idosos brasileiros são responsáveis por 14,53% do mercado de consumo no país, algo em torno de R$ 13 bilhões.

O percentual vem subindo ano a ano: era de 10,8% em 1992 e de 14,03% em 2003, segundo cálculos feitos com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

— O poder de mercado dos idosos brasileiros cresce tanto pelo efeito da renda quanto pelo crescimento demográfico da população — destaca Neri.

De acordo com dados do IBGE, as famílias com idosos ficaram mais longe da pobreza.

Enquanto em 1995 as que recebiam até um quarto do salário mínimo representavam 3,9% do total, em 2006 elas caíram para 1,7%. Já as famílias com renda acima de cinco salários mínimos aumentaram de 7,5% para 8%, na mesma comparação.

— O aumento do salário mínimo é importante para a renda dessa população: 76% dos idosos recebem benefícios vinculados a ele — diz a pesquisadora Lúcia Cunha, do IBGE.

É o caso das cunhadas viúvas Vitória Carvalho, de 76 anos, e Liu-Siu de Carvalho, de 77. As duas viajaram para diversos países por meio de programas de intercâmbio — do qual participam, principalmente, idosos — e fazem ginástica especializada para sua faixa etária.

— O dia teria que ter 48 horas para eu conseguir fazer tudo o que quero — afirma Liu-Siu.

— Antigamente, o idoso era relegado e não tinha opções de lazer. Hoje, as coisas são diferentes — diz Vitória.

Segundo o presidente do programa de intercâmbio Friendship Force no Brasil, Antônio Carlos Azevedo, 90% dos clientes têm mais de 60 anos: — Os aposentados têm mais tempo para viajar. Por isso, viraram alvos.Há, também, descontos especiais.
Na academia Companhia Athletica, em Brasília, pessoas acima de 60 anos não pagam matrícula e têm mensalidade reduzida.

As agências de viagens tentam, igualmente, atrair esse público, oferecendo pacotes de viagem nos quais os aposentados podem fazer financiamentos por meio do crédito consignado. Esse tipo de produto, lançado pelo Ministério do Turismo por meio de convênio com operadoras, agora é oferecido pelas empresas.
A demanda é tão grande que faltam lugares nos pacotes.

aposentada Célia Passos, 63 anos, por exemplo, tentou comprar uma viagem para o Nordeste em janeiro de 2008, mas não conseguiu vaga: — As pessoas idosas estão viajando mais.

Célia conta que já fez cursos de informática e agora não sai mais da frente do computador: — Em 2000, meu neto de cinco anos gozava de mim porque eu não sabia mexer no computador.
Tive que dar um basta no garoto. Fui fazer cursos.

Segundo a operadora de turismo CVC, os idosos correspondem a 20% do total de turistas atendidos ao ano, cerca de 1,5 milhão. O interesse em viajar se reflete nos dados de inflação da FGV: enquanto viagens representam 0,88% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da população em geral, no caso dos idosos chega a 1,06%.

Rio concentra o maior número de idosos O diretor e sócio da empresa Telehelp Felipe Wright, especializada em atendimento de emergência a idosos, confirma que o mercado está crescendo.
A empresa começou a atuar há um ano e meio, e hoje tem mil clientes em vários estados, como São Paulo e Rio: — O Brasil é um país novo se comparado com os europeus ou os Estados Unidos. Trata-se de um mercado em expansão.

Ainda assim, não atende a todos. Jarila de Paula, 61 anos, reclama da falta de atividades culturais voltadas para esse público na capital federal: — A população idosa quer serviços mais completos.

Para as empresas que querem ganhar mercado entre os idosos, o Rio é o lugar mais atraente, segundo Neri. É que a população carioca idosa representa 13,5% do total, bem acima da média nacional, de 9,9%. As pessoas acima de 60 anos estão concentradas no bairro de Copacabana: 25,91% da população local são da terceira idade.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Minas receberá R$ 33 milhões do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste

Sandra Silveira - O Globo Online

BELO HORIZONTE - O Ministério do Turismo vai destinar R$ 33 milhões para o Estado de Minas Gerais, dentro do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur), o que deve beneficiar nove municípios. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela ministra Marta Suplicy na abertura do Salão Mineiro de Turismo 2007, em Belo Horizonte.

Os recursos serão aplicados, entre outras coisas, na recuperação da estrada que liga Milho Verde a Diamantina e de monumentos históricos da região, assim como na qualificação do setor de turismo do norte do estado.

O Prodetur compreende nove estados nordestinos, além do norte de Minas e Espírito Santo, atuando por meio de financiamento de obras de infra-estrutura, projetos de proteção ambiental e do patrimônio histórico e cultural.

Marta afirmou ainda que entre os mais de 400 destinos turísticos do Brasil, 65 deles foram escolhidos pelo governo como prioritários e Minas Gerais tem quatro municípios incluídos nesse roteiro - Tiradentes, Belo Horizonte, Ouro Preto e Diamantina. Segundo ela, a Fundação Getúlio Vargas prepara um estudo técnico sobre os 65 destinos, identificando os principais problemas para que sejam capacitados a operar dentro de um padrão internacional.

A ministra informou ainda que o governo investirá, a partir de agora, na captação de visitantes de três grandes mercados turísticos, o argentino, americano e inglês. Em outubro, começará a ser veiculada nos EUA uma propaganda visando a atingir, principalmente, os afro-descendentes e os hispânicos. Apesar de apenas 1,9% dos turistas americanos que viajam elegerem o Brasil como destino, esse já é o segundo mercado para o setor.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Desigualdade até na pobreza

Nordeste reduz percentual de pobres menos que estados mais ricos.
No Rio, melhoria é recorde

Liana Melo, Cássia Almeida, Letícia Lins e Adriana Baldissarelli*

RIO, RECIFE e FLORIANÓPOLIS Apesar de cerca de seis milhões de pessoas terem ultrapassado a linha da pobreza em 2006, deixando de figurar entre as famílias que ganhavam, mensalmente, menos de R$ 125 per capita, o Brasil continua sendo um país de contrastes, com um Sul rico e um Nordeste pobre. Justamente em alguns dos estados que registram os menores índices de pobreza, a redução do problema foi mais acentuada. Depois de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina foi o estado onde a taxa de redução relativa da pobreza foi maior: 26,3%.
No extremo oposto, está o Maranhão, com a menor queda da miséria (-9,73%), apesar de ter sido o estado com o maior ganho de renda no último ano (33,74%).

A conclusão é do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ), que produziu o estudo “Miséria, desigualdade e políticas de renda: o Real do Lula”, de autoria do economista Marcelo Neri. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2006), divulgada na semana passada pelo IBGE. O aumento do emprego formal e do salário mínimo e a expansão do programa Bolsa Família foram os responsáveis pelo incremento de 7,2% na renda do brasileiro, um dos indutores da redução da pobreza, juntamente com a queda da desigualdade.

O que surpreende é Santa Catarina estar entre os que mais reduziram a pobreza.
No estado, o percentual de pobres é de apenas 4,68% da população, o mais baixo do país. Enquanto isso, o Maranhão tem quase metade da população (44,23%) abaixo da linha de pobreza.

— O Nordeste não teve o resultado esperado (seis dos nove estados da região reduziram a pobreza numa intensidade menor que a média brasileira). Uma hipótese possível é que a alta do salário mínimo não teve tanto impacto. Lá, grande parte da população ganha menos que o mínimo — explicou Neri.O economista acredita que uma combinação de capital social e humano e pequenos produtores favoreceu Santa Catarina.

Sonia Rocha, estudiosa de pobreza e desigualdade do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), diz que houve um desematé penho desigual no Nordeste. E atribui a queda da pobreza ao mercado de trabalho, que teve papel fundamental para diminuir a pobreza no Brasil: — Talvez, o que tenha acontecido no Nordeste esteja relacionado ao Bolsa Família, que teve um impacto menor na redução da pobreza no ano passado, já que o valor do benefício foi mantido. Ou seja, perdeu poder de compra. Mesmo com pouca inflação, houve corrosão.

Morador de Ipojuca, em Pernambuco, Clóvis Vitorino Rosa, 40 anos e quatro filhos, sente em casa a melhoria do rendimento, embora seja um pobre trabalhador do corte de cana. Ele afirma que hoje consegue comprar mais do que antigamente, e que o salário que recebe, embora não seja alto, tem sido suficiente para o sustento da família, o que antes não ocorria.

— Hoje, consigo comprar mais mercadoria do que antigamente.

Tem sempre feijão, arroz, farinha e desematé carne em casa. Isso antes não acontecia — afirma ele, cujo salário cresceu 15,72% nos últimos dois anos.
Além disso, Rosa, a mulher e os filhos engordam sua renda com os R$ 95 do Bolsa Família, benefício social que tem um grande peso na economia do Nordeste, principalmente nas áreas rurais.


Ganho de renda no Rio só perde para o de Belo Horizonte

No Sul do país, para a catarinense Fabíola Silva Leite, a passagem da situação de miséria não está marcada na carteira de trabalho nem em extrato de conta bancária. Esses documentos ainda lhe faltam. A prova de que conseguiu romper a linha estatística é o carnê de uma loja de departamentos. Há quatro meses, pela primeira vez na vida, ela conseguiu obter crédito formal. Acertou seis parcelas de R$ 30 e comprou o sonhado aparelho de DVD para o lazer da família.

— Só faltam duas prestações.

Nunca imaginei que iria conseguir. Fabíola faz a triagem de materiais recicláveis da Associação Recicladores Esperança (Aresp) há um ano e oito meses. Quando chegou à equipe, conseguia uma renda de R$ 35 por semana. Nos últimos meses, fatura mais, em torno de R$ 400 por mês: — Todo o dinheiro é para a comida. A gente pensa primeiro na barriga dos filhos, não sobra para comprar roupa.

Outro desempenho regional que chamou a atenção foi o do Rio de Janeiro. Segundo André Urani, do Iets, a Região Metropolitana do Rio, que concentra 75% da população fluminense, reduziu em 19,28% o número de pobres.

O que significou menos 600 mil pessoas ganhando até R$ 183 (a linha de pobreza do Iets é diferente da usada pela FGV). Na indigência (R$ 92 de ganho domiciliar per capita), a queda foi ainda maior: 24,8%. No ganho de renda, o Rio, com alta de 12,23%, só ficou atrás de Belo Horizonte.

— O Rio saiu-se melhor que o Brasil, na renda, na pobreza e na indigência. E a Região Metropolitana, em crise há mais de dez anos, renasceu. Cresceu mais que o resto do estado nesses indicadores, invertendo tendência de quase uma década — disse Urani.

(*) Especial para O GLOBO

Redução da pobreza com Lula foi maior do que nos governos de FH

Com petista, queda foi de 27,7%, contra 24,3% nos oito anos do tucano

Cássia Almeida e Liana Melo













RIO e BRASÍLIA. O primeiro governo Lula conseguiu atacar a pobreza com mais sucesso do que o governo Fernando Henrique Cardoso nos seus dois mandatos, que somaram oito anos. A redução acumulada durante a primeira gestão petista, de 2002 a 2006, chegou a 27,7%, contra os 24,3% registrados nos dois períodos tucanos, de 1995 a 1998 e depois até 2002. A maior redução (23%) verificou-se no primeiro mandato do governo FH, enquanto no segundo mandato a queda foi de apenas 1,7%.
A conclusão é do economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), que produziu estudo com base na Pnad/2006.

Leia mais no jornal O Globo (para assinantes)

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Governo Lula: Seis milhões de brasileiros deixaram de ser miseráveis em 2006

O Globo Online, Liana Melo - O Globo, Reuters

RIO - Seis milhões de brasileiros deixaram a linha da miséria em 2006, segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado nesta quarta-feira.

O número, que representa uma queda de 15% da miséria entre 2005 e 2006, representa o melhor resultado entre todos os 15 anos analisados pela FGV (1992-2006) e reflete políticas públicas que beneficiaram a parcela mais pobre da população, como a expansão do Bolsa-Família e os aumentos do salário.

Mesmo assim, dois em cada dez brasileiros ainda estão na miséria. Existem 36,2 milhões (19,31% da população) de pessoas no país que ganham até R$ 125 mensais, valor usado de referência para classificar a miséria. Outras 8,7 milhões (4,69%) vivem com menos de US$ 1 por dia.


- Acho que essa queda em 2006 vai se repetir em 2007, uma vez que o crescimento da economia é bom, há uma perspectiva boa para o aumento do emprego e há também uma continuidade dos programas sociais do governo - disse o economista responsável pela pesquisa, Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV.

Embora a quantidade de miseráveis seja assustadora, esta foi a primeira vez que o número de miseráveis ficou abaixo de 20% da população brasileira, desde que a FGV começou a realizar a medição, em 1992. Naquele ano, o percentual de miseráveis atingiu 35,16%.

Apesar disso, a cesta básica mais barata das regiões metropolitanas do país custa R$ 141,53.

As informações fazem parte do estudo "Miséria, Desigualdade e Políticas de Renda: O Real do Lula", apresentada pelo economista da FGV Marcelo Neri. A pesquisa avalia a evolução da distribuição de renda e de pobreza nos últimos 15 anos com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE na semana passada.

Segundo Neri, custaria em média R$ 12 por mês por pessoa para erradicar a pobreza no Brasil. O cálculo exclui a parcela da população que ganha menos de R$125 por mês.

O levantamento mostra que a renda domiciliar dos brasileiros cresceu em todos os anos de eleições (1982, 1986, 1989, 2002 e 2006) e caiu em todos os anos pós-eleitorais.

A desigualdade no país também caiu. A renda dos 10% mais pobres subiu 57,4% e a dos 10% mais ricos aumentou quase 10 vezes menos, 6,8%.

Governo Lula: Queda da miséria em 2006 teve o melhor resultado desde 1992

O Globo Online

RIO - O percentual da população brasileira que vive em situação de miséria caiu de 28,17% em 2003 para 19,31% em 2006, segundo levantamento realizado pelo pesquisador Marcelo Neri da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 1992, o percentual da população que vivia em situação de miséria era de 35,16%.

O melhor resultado entre todos os 15 anos analisados pela FGV (1992-2006) foi encontrado justamente em 2006, quando o número de miseráveis caiu 15% em relação a 2005, refletindo políticas públicas que beneficiaram a parcela mais pobre da população, como a expansão do Bolsa Família e os aumentos do salário mínimo.

As informações fazem parte do estudo "Miséria, Desigualdade e Políticas de Renda: O Real do Lula", apresentada por Neri. A pesquisa avalia a evolução da distribuição de renda e de pobreza nos últimos 15 anos com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE na semana passada.

Segundo relatório do estudo, "o bolo cresceu para todos, mas com mais fermento entre os mais pobres".

No ano passado a renda dos 50% mais pobres cresceu 12%, enquanto que a dos 10% mais ricos tive um ganho menor, de 7,8%, diz o estudo.

Governo Lula: Miséria diminui 15% no Brasil em 2006, diz FGV

Levantamento com base na Pnad aponta queda de 22,77% para 19,31% entre 2005 e 2006

Jacqueline Farid - Agência Estado


RIO DE JANEIRO - O porcentual da população brasileira que vive em situação de miséria caiu 15% em 2006, segundo revela levantamento realizado pelo pesquisador Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado nesta quarta-feira, 19. Em 2005, miseráveis representavam 22,77% dos brasileiros, contra 19,31% em 2006.

Em 1992, o porcentual da população que vivia em situação de miséria era de 35,16%. A conta foi feita a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE na semana passada.

Para Néri, o ano de 2006 "foi o melhor ano isolado da série história da nova Pnad, com queda de 15% da miséria", em relação à pesquisa de 2005. O detalhamento da pesquisa realizada por Néri, intitulada "Miséria, Desigualdade e Políticas de Renda: o Real do Lula" serão apresentados na tarde desta sexta-feira pelo pesquisador na sede da FGV, no Rio.

Governo Lula: Pobreza tem a maior queda dos últimos dez anos

A proporção de brasileiros situados abaixo da linha de pobreza caiu de 35% para 19% do total da população brasileira - estimada em quase 190 milhões de pessoas - entre 1993 e 2006 - uma redução cerca de 45% no percentual de pobres em um prazo de apenas 14 anos.

A constatação é da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgará a pesquisa Miséria, Desigualdade e Política de Renda: O Real do Lula nesta quarta-feira.


Portal Terra

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Estudante premiada com bolsa para a Áustria recebe passaporte

O documento foi entregue pela ministra Marta Suplicy e pelo Embaixador da Áustria, em reunião no Ministério do Turismo

Brasília (18/09) – Monique Nairane da Silva e mais três estudantes brasileiros vão fazer parte da primeira turma do curso de Gestão em Turismo e Hospitalidade da Universidade Modul, em Viena. Eles foram selecionados no concurso de bolsas de estudos, promovido pelo Ministério do Turismo, e homenageados, nesta terça-feira, em cerimônia no gabinete da ministra Marta Suplicy. A estudante brasiliense representou os colegas de Minas Gerais e São Paulo e recebeu o passaporte, com visto de entrada no país europeu, das mãos do embaixador da Áustria no Brasil, Werner Brandstetter.

“São 25 mil euros, quase R$100 mil, investidos por aluno. Espero que, quando eles voltarem com o título de bacharel, sejam multiplicadores de novos conhecimentos em turismo”, disse Marta Suplicy. O curso começa em outubro e tem duração de três anos. A bolsa cobre exclusivamente as despesas de natureza acadêmica, como taxas de matrícula e anuidade.

“A iniciativa de doação das bolsas partiu da visita que a ministra fez, em abril, à Áustria, país turístico que recebe mais de 25 milhões de turistas por ano. Temos grande experiência e, por isso, muitas escolas na área de turismo. É com prazer que vamos compartilhar esta experiência com os alunos do Brasil”, ressaltou o embaixador da Áustria. A Universidade Modul foi criada a partir da experiência vivenciada pela Escola Modul, uma das mais antigas instituições de ensino na área de turismo do mundo.

“A qualificação profissional é muito importante para que o estudante consiga colocação no mercado de trabalho. Essa oportunidade de estudar em uma instituição de renome e excelência na área de turismo será importante para minha carreira”, disse Monique.

A seleção dos quatro estudantes foi feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) por meio de entrevista e análise documental. Para concorrer às vagas, o candidato deveria ter concluído o ensino médio, ter idade mínima de 18 anos, fluência do idioma inglês comprovada por diploma ou exame de proficiência e provar possuir recursos financeiros suficientes para manutenção dos gastos pessoais durante o curso. Além de Monique receberam bolsas os estudantes: Fábio Vilela da Silva Neto (MG), Jéssica Marian de Carvalho Buttini (SP) e Guilherme Scoralick Vilela (MG).

No final do encontro, a ministra parabenizou os estudantes e agradeceu a colaboração do Governo da Áustria pelo incentivo. “Gostaria de agradecer pelo gesto cordial do povo austríaco em colaborar conosco para a qualificação profissional de nossos estudantes”.
Fonte Ministério de Turismo

sábado, 1 de setembro de 2007

Ministério do Turismo define 65 destinos como prioritários para investimentos

Cristina Massari, do Globo Online

RIO - De 200 destinos identificados pelo Plano de Regionalização do Turismo - Roteiros do Brasil (PRT), onde foram investidos R$ 56 milhões na gestão anterior, o Ministério do Turismo escolheu 65 para serem priorizados nos planos de investimentos financeiro e técnico até 2010.

- Os 65 destinos foram escolhidos entre os 26 estados e o Distrito Federal, segundo a capacidade que têm de espraiar o que já foi investido. São destinos que têm condições de impactar turisticamente a região, tanto recebem como distribuem fluxo turístico. Porque, hoje, quem vai para uma cidade também quer passear nas cidades que estão a sua volta. E dentro deste escopo, 733 municípios serão beneficiados - disse a ministra Marta Suplicy, no Rio, nesta sexta-feira.

" Os destinos escolhidos têm condições de impactar turisticamente a região, tanto como receptores como distribuidores de visitantes (M. Suplicy, ministra do Turismo) "

Através de um convênio firmado com a Fundação Getulio Vargas, cada um destes 65 destinos terá o seu nível de competitividade mensurado. A metodologia vai analisar vários itens da atividade turística, desde acesso ao local, preservação do meio ambiente, promoção, infra-estrutura geral até capacidade empresarial da região. De acordo com o estudo, a médio prazo, o ministério terá condições de avaliar se o destino escolhido foi capaz ou não de desenvolver seu potencial em cada um dos quesitos avaliados.

- Este convênio possibilitará desenvolver um instrumento que mede o que precisa ser melhorado para que os destinos possam ter competitividade internacional. As cidades serão avaliadas segundo seus acessos rodoviário e aéreo; sua infra-estrutura geral e turística; pavimentação; calçamento; saneamento; meio-ambiente; capacidade empresarial; cultural etc - afirmou Marta.

Em cada estado foram escolhidos no mínimo um e no máximo cinco destinos. A ministra destacou alguns contemplados:

- No Piauí, o Delta do Parnaíba, São Raimundo Nonato (Parque Nacional da Serra da Capivara) e Teresina serão contemplados. No caso de São Raimundo Nonato, especificamente, onde o acesso é precário, já houve liberação de R$ 6 milhões para conclusão do aeroporto.

" Os 26 estados e o DF foram incluídos. Em cada UF foram escolhidos no mínimo um e no máximo cinco destinos "

Segundo ministra, este convênio permite dar continuidade ao mapeamento feito pelo programa Roteiros do Brasil (PRT).

- Tenho trabalhado junto às bancadas federais, apresentando o trabalho feito pelo PRT e as sugestões de ações que consideramos estruturantes para o desenvolvimento daquela região. A idéia é que agora quando apresentem suas emendas passem a propor a implantação de uma sinalização turística, por exemplo, que seja para o roteiro e não só para a cidade. Mas só saberei se vão eles vão fazer estas emendas de fato em outubro, quando eles apresentam seus projetos - acrescentou Marta.

Rio tem cinco destinos esoclhidos. Veja os destaques de outras regiões

O estado do Rio de Janeiro teve cinco destinos escolhidos, como Armação dos Búzios, Paraty, Petrópolis e Angra dos Reis. Em Goiás, estão contemplados Goiânia, Alto Paraíso (Chapada dos Veadeiros), Pirenópolis e Caldas Novas. Em Espírito Santo, apenas Vitória. Em São Paulo, foram escolhidas a capital, Ilhabela, e a cidade de Socorro - que se posiciona como referência para esportes radicais para portadores de deficiências e idosos) - além de Ribeirão Preto, que figura como o berço do etanol. No Nordeste, destacamos Aracati (Canoa Quebrada) Fortaleza, Jericoacoara e Cariri, no Ceará. O Maranhão tem São Luis e Barreirinhas (na região dos Lençóis). Em Minas Gerais, Belo Horizonte, Diamantina, Ouro Preto e Tiradentes. E no Rio Grande do Sul, estão Gramado, com a microrregião das Hortênsias; Bento Gonçalves, na microrregião da uva e do vinho; e em Porto Alegre, o Delta do Jacuí, conforme listou a ministra.

Turismo elege 65 destinos "internacionais"

Cidades serão avaliadas pela FGV, que indicará mudanças necessárias para se tornarem de padrão turístico internacional

Em 2006, ministério definiu 87 roteiros com o mesmo fim; afetado pelo câmbio, setor terá desonerações fiscais para equipamentos

JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
FOLHA DE SÃO PAULO (para assinantes)

O Ministério do Turismo divulgou ontem uma lista de 65 destinos que foram escolhidos para atingir padrão de qualidade internacional. O objetivo do ministério é desenvolver a regionalização do setor e evitar que o país receba visitantes apenas no litoral.

Para fazer a avaliação da infra-estrutura turística dessas cidades e apontar mudanças necessárias, o ministério firmou convênio de R$ 1 milhão com a FGV (Fundação Getulio Vargas), que deverá elaborar uma metodologia para medir a competitividade dos destinos.

A iniciativa remonta à elaboração de 87 roteiros de padrão internacional -envolvendo 483 cidades- anunciada no ano passado pelo Ministério do Turismo. Os roteiros foram apresentados como principal ação, à época, para regionalizar o turismo. O trabalho de identificação dos roteiros, avaliação e levantamento de dados envolveu mais de um ano e R$ 25 milhões só nessas ações.

Na ocasião, o ministério já reduzira sua ambição: passara a lista de 116 roteiros definidos inicialmente para 87, após a constatação de que nem todas as regiões poderiam tornar-se do padrão turístico almejado.

A lista anunciada ontem inclui cidades de todos os Estados, mas alguns são mais contemplados do que outros. No Nordeste, por exemplo, a Bahia tem cinco cidades incluídas, mas em Sergipe apenas a capital, Aracaju, consta da lista.

Para a ministra Marta Suplicy, a escolha dos 65 destinos terá efeitos benéficos para 737 municípios porque o turista não se limita hoje a visitar uma cidade, mas parte em busca de roteiros turísticos integrados. A seleção das cidades levou em conta o estágio de organização e eles serão considerados prioritários para o recebimento de investimentos.

O convênio com a FGV inclui avaliação em aspectos como acessibilidade, preservação do ambiente, propaganda do destino e cultura local.

Segundo Carlos Simonsen, presidente da FGV, a idéia é medir como está a situação atual, analisar, apresentar o planejamento da solução, a implementação e verificar novamente o patamar dos serviços.

Competitividade

Marta destacou que o Brasil perdeu competitividade como destino turístico em razão da valorização do real e que precisa compensar o preço com qualidade do serviço. "O turista quer bons hotéis, boa gastronomia e artesanato local para comprar", disse.

Para minimizar os efeitos do câmbio sobre o setor, Marta afirmou que o ministro Guido Mantega, da Fazenda, anunciará no próximo dia 4 a desoneração fiscal para investimentos na compra de equipamentos do setor, como ar-condicionado, camas, entre outros.

A ministra destacou que o setor também depende de melhorias na infra-estrutura, especialmente em rodovias e aeroportos e destacou o papel da aviação regional no desenvolvimento do setor. "A aviação regional é imprescindível porque não se faz turismo sem aviação regional em um país que é quase um continente", disse.

Segundo Marta, após reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ficou decidido que o Ministério do Turismo deverá participar da avaliação dos aeroportos necessários para o país sob o ângulo do setor.