Mostrando postagens com marcador Selic. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Selic. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Indústria tem o maior uso de capacidade em 31 anos

Apesar da produção aquecida, sondagem da FGV não detecta pressões significativas por reajustes de preços neste trimestre

Márcia De Chiara - O Estado de São Paulo

Pelo segundo mês consecutivo, o uso da capacidade de produção da indústria de transformação atingiu níveis recordes. Em outubro, o indicador chegou a 87%, a maior marca em 31 anos, desde outubro de 1976 , quando havia atingido 89%, segundo a Pesquisa Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada ontem. Na comparação com setembro, o avanço foi de 0,9 ponto porcentual e de 2,8 pontos ante outubro de 2006.

Coincidência ou não, no início do mês passado, em Florianópolis (SC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou exatamente esse índice quando conclamou os empresários a investirem e produzirem mais, alertando para os efeitos do excesso de demanda sobre os preços.

Apesar de a capacidade de produção estar pressionada, a sondagem, que consultou no mês passado mais de mil empresas com faturamento total de R$ 553,6 bilhões por ano, mostra que não há um aumento na intenção de elevar preços neste trimestre em relação aos anteriores. Na média da indústria, 31% delas informaram que querem reajustar preços, ante 32% nos dois últimos trimestres.

“Se neste momento, que é o ápice de produção da indústria, não está ocorrendo pressão de preço generalizada, nada indica que a situação ficará crítica nos próximos meses”, disse o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo. Na sua avaliação, isso revela que o investimento está ocorrendo e o câmbio em baixa, que facilita a importação, contribui para segurar os preços. O quadro é favorável mesmo com o petróleo em alta.

Campelo disse que a pressão no uso da capacidade das fábricas não é generalizada e que a situação é crítica em três setores, dos 21 pesquisados. São eles: indústria mecânica, de material de transporte e de alimentos. A sondagem mostra que nesses setores há uma escassez maior de matérias-primas. De acordo com a sondagem, aumentou também o tempo que as fábricas levam para receber as matérias-primas, o que pode indicar o aquecimento da produção. Em outubro, 12% das empresas informaram um acréscimo nos prazos, ante 2% em outubro de 2006.

Com a produção aquecida, a indústria trabalha hoje, em média, com 2,5 turnos. Esse resultado está acima da média desde 2001, que é de 2,2 turnos, e do resultado em outubro de 2006, que foi 2,4 turnos. Os estoques de produtos acabados também estão mais enxutos. Segundo a sondagem, 10% da empresas informaram que seus estoques são insuficientes, ante 2% delas em outubro do ano passado.

Apesar da cautela do Banco Central (BC) ao interromper a queda da taxa básica de juros no mês passado, depois de um longo período de cortes na Selic, o otimismo da indústria no curto prazo não foi abalado. O Índice de Confiança da indústria atingiu em outubro 123,4 pontos, com um acréscimo de 14,7% em relação ao mesmo período de 2006. “Esse resultado é o recorde da série histórica iniciada em abril de 1995”, observou Campelo, ressaltando que o otimismo é sustentado pelo consumo doméstico e pelas exportações.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Consumo das famílias cresceu 5,9% no semestre

O aumento da massa salarial real e a facilidade na obtenção de crédito reforçaram o poder de compra

Andrea Vialli, Jacqueline Farid e Adriana Chiarini

O Estado de São Paulo

Um dos motores do aumento do PIB no segundo trimestre, o consumo das famílias cresceu 5,7% em comparação com o segundo trimestre do ano passado e alcançou a cifra de R$ 379,575 bilhões, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. No primeiro semestre, o crescimento no consumo chega a 5,9%, impulsionado pelo aumento da massa salarial real no período e a facilidade de obtenção de crédito para pessoas físicas.

No que depender da professora Maria Tereza Rodrigues Santos, o consumo das famílias vai continuar crescendo até o fim do ano. No final da tarde de ontem, ela fazia compras com o marido em uma loja de móveis e eletroeletrônicos na região Norte da capital paulista.

“Depois de 25 anos de casada, resolvi trocar os eletrodomésticos antigos”, conta a professora, que comprou máquina de lavar roupas, fogão, geladeira, exaustor para cozinha e um colchão de casal. Tudo parcelado no cartão de crédito. “Estou aproveitando este momento de crédito farto. Se não fossem as facilidades, não teria como pagar à vista”, afirma. Com uma renda familiar mensal de R$ 7 mil, a professora vê com bons olhos o aumento do consumo no Brasil. “Acho importante que as pessoas de menor poder aquisitivo possam consumir mais, e as facilidades do crédito contribuem para isso.”

O analista de sistemas Edson Silva, que pesquisava preços de móveis com a mulher, Sabrina Serruya, tem opinião diferente. “O brasileiro está se endividando. Muitas pessoas já comprometeram 80% da renda com financiamentos e isso não é um bom sinal”, diz. “Esse aumento no consumo vai trazer consequências sérias para o País, como superprodução, risco de inflação e problemas de infra-estrutura”, analisa. Silva se diz comedido nos gastos, poupa 20% do salário e prefere pagar suas compras à vista. “Ando na contramão”, diz.

Mas o casal ainda deve contribuir para elevar o PIB até o fim do ano. Recém-casados, estão mobiliando a casa e devem comprar móveis e utensílios domésticos nos próximos meses. E planejam para 2008 a troca dos dois carros que estão na garagem por modelos mais novos.

No entanto, há quem prefira evitar a farra do consumo. A bancária Sueli Mendonça vai evitar grandes gastos até o ano que vem, quando pretende adquirir uma televisão de LCD, “atual sonho de consumo”. Com uma renda média mensal de R$ 1,5 mil, Sueli ainda está quitando prestações do carro - comprado no ano passado e financiado em 24 vezes - e de uma viagem à Cuba. “Até o final do ano, vou evitar gastos maiores e manter só as despesas do dia-a-dia, como roupas e alimentos.”

MUDANÇA

A coordenadora de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, afirma que os bons resultados do consumo das famílias ilustram uma “mudança de composição” que está ocorrendo no crescimento da economia desde o início de 2006, com o mercado interno tomando o lugar das exportações como principal motor da economia.

Segundo Rebeca, o consumo foi influenciado pelo aumento de 5,2% na massa salarial real no segundo trimestre deste ano ante igual período do ano passado e pela expansão, nesse período, de 26,5% no saldo de operações de crédito do sistema financeiro para pessoas físicas. Segundo ela, a queda na taxa Selic também influencia o consumo interno.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Lula sai em defesa de ritmo menor no corte de juro

Reuters/Brasil Online Portal O Globo

SÃO PAULO (Reuters) - Aproveitando entrevista a emissoras de rádio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a iniciativa de sair em defesa da decisão do Banco Central de reduzir o ritmo de corte da taxa de juro. Nesta quarta-feira, a instituição votou por um corte de 0,25 ponto percentual na taxa, que passou para 11,25% ao ano . Lula ressaltou que o governo perseguirá o objetivo cumprir a meta de inflação.

- O BC vai continuar acompanhando o cumprimento da meta, acompanhando par e passo, junto com o ministro da Fazenda, a economia, para que a gente não permita que aconteça agora o que já aconteceu em outros momentos: parecia que tudo estava certo, daqui a pouco desarranja tudo- afirmou o presidente. - A inflação, quando atinge dois dígitos, ninguém segura mais. E nós não iremos permitir que a inflação saia da meta - acrescentou.

" Quem estiver apostando na volta da inflação para ganhar dinheiro, eu queria aproveitar a rádio de vocês para dizer: tire o cavalo da chuva "

O corte menor decidido por unanimidade pelos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) ficou dentro do que esperavam analistas diante de índices de inflação que mostraram recentemente um repique dos preços.

Nesta quinta-feira, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,47% em agosto , contra alta de 0,24% em julho.

A meta central de inflação deste ano é de 4,5% com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O IPCA, que baliza a meta, acumulou em 12 meses até agosto uma alta de 4,18%, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira.

No mercado, analistas apostam que o IPCA deve fechar o ano com alta de 3,92%, de acordo com a mais recente pesquisa feita pelo BC, divulgada na segunda.

- Quem estiver apostando na volta da inflação para ganhar dinheiro, eu queria aproveitar a rádio de vocês para dizer: tire o cavalo da chuva - afirmou o presidente.