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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

VOCÊ ACREDITA EM PESQUISA ?



As pesquisas tiraram 10 pontos
percentuais da Hillary


Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 852

. Uma semana atrás, as pesquisas eleitorais mostravam que Hillary Clinton ganharia a eleição primária do estado de New Hampshire com uma vantagem de dois dígitos.

. Na véspera da eleição, as pesquisas eleitorais mostravam uma reviravolta: Barack Obama ganharia com uma vantagem de dois ditos, por causa da surpreendente vitória em Iowa.

. As pesquisas eleitorais foram as grandes derrotadas – para quem acredita nelas – nas primárias do Partido Democrata (clique aqui para ler “Você acredita nas pesquisa ?”)

. Em Iowa – quando as pesquisas escolheram Hilllary – e agora, em New Hampshire, onde a margem foi apertada.

. A vitória de McCain, no lado Republicano, era mais esperada, porém, também ele tinha sido menosprezado pelas pesquisas e os “colunistas” da imprensa americana.

. A votação de Hillary se deve em boa parte – segundo a cobertura da CNN, da Fox News e da BBC, a que assisti – à fidelidade do eleitorado feminino, ao eleitorado trabalhador e sindical (que sempre gostou de Bill Clinton) e a Bill Clinton.

. E à fidelidade do eleitor mais pobre.

. Mais de 50% dos eleitores democratas com renda anual inferior a US$ 50 mil votaram em Hillary.

. Bill Clinton, nos últimos dias, pôs a mão na massa e partiu para o ataque a Obama, com o argumento de que Obama não tinha sido suficientemente questionado – pela imprensa e pelos eleitores.

. Obama se vangloria de ter votado contra a Guerra do Iraque. Hillary votou a favor.

. Mas, Bill Clinton tentou provar que, depois de votar contra a Guerra do Iraque, Obama aprovou todas as medidas que se tornaram necessárias para que os Estados Unidos realizassem uma campanha eficaz no Iraque – logo, dali em diante Obama e Hillary tinham votado da mesma maneira.

. Aí, disse Bill Clinton, o desempenho de Obama é “ um conto da carochinha”.

. Os eleitores que formam a base mais sólida do Partido Democrata adoram Bill Clinton.

. Obama está à esquerda dos Clinton.

. E isso, os Clinton e os Republicanos vão combater, daqui para frente.

. Pode dar Clinton, Hillary, McCain, Huckabee ou Romney.

. E as pesquisas, nos Estados Unidos, continuarão a ser recebidas como hoje: com ceticismo.

. Acredita em pesquisa quem quer – ou quem faz com que os outros acreditem.

Em tempo: até pesquisa de boca-de-urna errou: segundo a Fox, 39% dos eleitores Democratas que tinham acabado de votar escolheram Obama; e 34%, Hillary.

Em tempo 2: é bom lembrar que, no Brasil, três anos antes da eleição, o Datafolha já elegeu o presidente eleito José Serra.

Em tempo 3: agora de manhã, a CNN tirou a média das pesquisas eleitorais em New Hampshire. Em média, as pesquisas eleitorais tiraram 10 pontos percentuais de Hillary Clinton. Acredita quem quiser.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

"Não coma gato por lebre", de Paulo Henrique Amorim para Folha de São Paulo


A Folha publicou neste domingo, dia 11, na pág. A18 (clique aqui para ler - apenas para assinantes) reportagem de Uirá Machado e Fernando Barros de Mello de titulo “Blogs políticos encenam nova ‘Guerra Fria’”.

. Eu sou um dos entrevistados.

. Antes da entrevista, informei ao repórter Fernando Barros de Mello que gravaria a entrevista e a publicaria no Conversa Afiada, depois que a Folha publicasse a reportagem.

. Você poderá ler a íntegra logo a seguir.

. Antes, gostaria de chamar a atenção para uma sugestão que fiz.

. Sugeri ao ombudsman da Folha que produzisse um “Não coma gato por lebre”, como existe aqui no Conversa Afiada. (Clique aqui para ler o nosso humilde “Não coma gato por lebre”)

. Para não enganar o leitor e explicitar os casos – se houver – de conflito de interesse.

. Poderia ser alguma coisa assim: “Quem chama os candidatos a Presidente da República por um nome só ?”.

. Por exemplo, quem chama José Serra de Serra ?

. Quem chama Aécio Neves de Aécio ?

. Quem chama Dilma Roussef de Dilma ?

. Quem chama o Ciro Gomes de Ciro ?

. Quem chama Nelson Jobim de Jobim ?

. Aí, o ombudsman colocaria uma tabelinha no pé da coluna dominical: “Os colunistas/articulistas A e B chamam José Serra de Serra e Aécio Neves de Aécio. Os colunistas C e D chamam Dilma Roussef de Dilma. E os colunistas E, F, G ..... até Z não chamam ninguém por um nome só.”

. Por que isso não entra no Manual de Redação da Folha ?

. Poderia ser até um motivo de interesse adicional: “O colunista Y passou a chamar Dilma Roussef de Dilma. O colunista H deixou de chamar José Serra de Serra”. E os leitores acompanhariam com interesse esse vai-e-vem de predileções – se houver, é claro.

. Uma espécie de reality-show da isenção do jornalismo brasileiro.

. Não faço a mesma sugestão ao Estadão e ao Globo porque os ombudsmen deles habitam num espaço entre o Olimpo e Urano.

. Ressalto que, no nosso modesto “Não coma gato por lebre”, incluí recentemente o presidente eleito José Serra, o último autoritário.

. Não é para ma gabar, mas se trata de um ato de inusitada ousadia: José Serra se comporta como o presidente eleito; o PIG o trata como o presidente eleito; e ele aparece em TODAS as pesquisas de opinião pública como líder absoluto de uma eleição presidencial apenas pró-forma: porque já se sabe que ele toma posse no dia 1º. de janeiro de 2011.

. Para facilitar a leitura, foram feitas pequenas modificações em relação ao que foi gravado.

Leia a seguir a entrevista que dei à Folha sobre os blogs:

Folha - A nossa idéia é discutir um pouco os diferentes matizes ideológicos, essa novidade do blog, que não é tão novidade assim, mas como é que são inclusive as brigas entre diferentes blogs. Um blog que tem um post e outro vai lá e comenta. É uma coisa interessante. Eu queria começar perguntando pela rotina. Como é que é a rotina de blogueiro?

Paulo Henrique Amorim – Eu acordo de manhã, leio todos os jornais, quer dizer, a Folha, o Estado, O Globo, Agora e o Jornal do Brasil e o Diário de São Paulo. Tomo café, leio enquanto tomo café. Depois eu abro o computador, vejo todos os portais brasileiros, visito alguns portais estrangeiros, alguns jornais estrangeiros. E aí começo a me comunicar com o Givanildo Menezes, que é o editor do Conversa Afiada, e a gente faz uma pauta do dia. Eu escrevo, eu entrevisto. Agora, por exemplo, acabamos de fazer uma enquête e um IVDL, que é um índice que eu concebi sobre a intensidade de manifestações que têm o objetivo de derrubar o Presidente Lula. E devo te dizer que essa é a parte que mais me diverte, que é conceber enquetes e as perguntas do IVDL. Isso me dá um prazer especial. E aí, pronto, o dia rola. Eu posso estar fazendo isso de casa, posso estar fazendo isso da Record, posso estar fazendo isso de Nova York, posso estar fazendo isso de um engarrafamento na Marginal do Tietê, de qualquer lugar.

Folha – Então, mas isso que eu ia perguntar, dessa briga, dessa questão de brigas de diferentes matizes. No IVDL, por exemplo, uma das suas enquetes era: “A Miriam Leitão foi viajar”. No blog isso...

Paulo Henrique Amorim – Não, é que as férias da Miriam Leitão estão no fim. Qual a intensidade desse retorno no Índice Vamos Derrubar o Lula ?

Folha – Isso. E o blog permite isso, as pessoas serem mais francas?

Paulo Henrique Amorim – O blog permite.

Folha – Você acha que a briga, por exemplo, entre direita x esquerda, sei lá, é mais forte?

Paulo Henrique Amorim – Eu não sei se é uma briga entre direita x esquerda. A minha tese é que a imprensa escrita brasileira é tão ruim, é tão carente de informações relevantes, que ela deixou de oferecer ao leitor as diversas opiniões, as diversas perspectivas. Além disso, surgiram aqui no Brasil, como um fenômeno simultâneo, portais na internet com qualidade. Os dois fenômenos, somados, permitiram o aparecimento desses espaços de opinião na internet. Isso não tem, por exemplo, que eu saiba, não tem nos Estados Unidos, não tem na Europa, não tem na América Latina. Porque esse debate, lá, se trava na televisão, no rádio, no jornal ou na revista. Só que aqui, todos os jornais e todas as revistas – com a exceção da Carta Capital e da Caros Amigos – têm posição conservadora contra o Lula. Então, perde a graça. Você pega o New York Times, por exemplo, você tem colunistas de inclinação conservadora e colunistas de inclinação não-convervadora, digamos assim. Tem colunistas de inclinação republicana e tem colunistas de inclinação democrata. Aqui no Brasil, não. Todos os colunistas têm a mesma inclinação.

Folha – Mas isso, você diz, no espaço de opinião.

Paulo Henrique Amorim – Isso no espaço de opinião. Isso permitiu que surgisse na internet essa discussão e para mim foi ótimo. Eu me senti rejuvenescido profissionalmente, porque o meu espaço - como eu digo lá - é um espaço de opinião e informação. A gente faz reportagens, a gente tem um vídeo em forma de reportagem por dia. É um trabalho tecnicamente irretocável, não tem nada de opinião ali, é reportagem, reportagem de televisão. Aquilo ali poderia ser exibido em qualquer emissora de televisão, no Jornal Nacional, no Jornal da Record, qualquer jornal. E tem as minhas manifestações, que são as manifestações pessoais, minhas, que eu chamei, plagiando o Barão de Itararé, de Máximas e Mínimas. Aquilo ali é a minha opinião. E para não enganar ninguém, eu botei lá de quem eu gosto e de quem eu não gosto. Aquela lista ali está um pouco incompleta porque à medida que o tempo passa, eu acrescento mais pessoas e circunstâncias de que eu não gosto. Isso é muito salutar e é uma sugestão que eu faria ao ombudsman da Folha. (Eu não falo do ombudsman do Globo, porque o ombudsman da Globo é o Roberto Marinho, que controla o Globo de Urano. Então, não adianta, porque não temos como nos comunicar com ele.) Eu sugiro ao ombudsman da Folha que os colunistas da Folha dissessem assim: sou amigo do candidato à Presidência da República fulano de tal. Sou adversário feroz do candidato fulano de tal à Presidência da República. Que é porque quando o cara ler, o cara saber: ah, esse aqui é amigo do fulano, esse aqui é amigo do beltrano, que é para não enganar ninguém.

Folha – E para o leitor da Folha saber quais são seus amigos e seus inimigos.

Paulo Henrique Amorim – Isso, exatamente. Quem entra no Conversa Afiada, se ele é amigo do Fernando Henrique e do Daniel Dantas, das duas uma: ou ele gosta de sofrer ou ele quer se divertir. Porque não há a menor possibilidade de eu elogiar o Fernando Henrique e o Daniel Dantas.

Folha – Por quê?

Paulo Henrique Amorim – Porque eu acho que o Daniel Dantas tem uma peculiaridade muito interessante que é o fato de que na Justiça que se trava em língua inglesa ele é sempre condenado. Na Justiça brasileira ou ele é absolvido ou ele não é julgado. Eu tenho a impressão de que é possível que, em algum momento, as tratativas da Justiça que se trava em língua portuguesa acabarão por encontrar os mesmos motivos que levam ele a ser condenado em língua inglesa. E o Fernando Henrique Cardoso, eu considero um blefe. Um blefe político, um blefe intelectual, um blefe... em tudo.

Folha – E os seus amigos, quem são? Quando você disse assim, separar em amigos...

Paulo Henrique Amorim – Mas os meus amigos não são notórios, não são notáveis. Eu, por exemplo, tenho um grande amigo que é o Mino Carta, que fica óbvio porque nós nos correspondemos através do blog dele. Eu freqüentemente chamo ele (no Conversa Afiada). Mas, em geral, os meus amigos não são pessoas que estejam na mídia. Agora eu estive no Rio de Janeiro, passei um sábado adorável comemorando os 80 anos do Gazzaneo. O Gazzaneo foi chefe de reportagem do Jornal do Brasil, o Luiz Mário Gazzaneo. E hoje é um alto funcionário do IBGE. E encontrei lá muitos amigos e rimos muito. Mas não faria sentido eu fazer uma lista dos amigos porque não são, assim, personagens da cena pública.

Folha – E quando dizem que o seu site é mais alinhado com o governo, é verdade essa descrição?

Paulo Henrique Amorim – A mim, non me frega niente, a me non me frega niente porque não é verdade. Eu, por exemplo, nunca entrevistei o Presidente Lula desde que ele foi eleito Presidente da República. Já tentei e não consegui, entendeu ? A última vez que eu conversei com o ministro Guido Mantega foi quando ele lançou o PAC, que já tem quase um ano de vida. Isso não é uma coisa que me atinja. Eu não tenho nenhuma ligação com o PT, não tenho nenhuma ligação com o Governo Lula, isso é uma acusação que podem fazer como qualquer outra. A mim não me inibe nem me desencoraja esse tipo de comentário.

Folha – E nos blogs, nos outros blogs? Quem você lê?

Paulo Henrique Amorim – Eu leio todos.

Folha – Exemplo.

Paulo Henrique Amorim – Por exemplo, o Daily Kos, que é o do Moulitsas, que é o principal blog americano democrata e eu visito o Moulitsas todos os dias. E aqui no Brasil também eu visito todos eles. Eu não vou citar os nomes porque eu não quero esquecer nenhum e criar alguma incompatibilidade. Mas eu leio tudo. Tudo, tudo.

Folha – Do que se poderia chamar de adversários.

Paulo Henrique Amorim – Eu não tenho adversários, eu tenho divergências. E por exemplo, essa minha, digamos, implicância com a Miriam Leitão, que é uma pessoa adorável, que é uma pessoa que eu respeito muito, que é uma profissional maravilhosa, o problema da Miriam Leitão não é a Miriam Leitão. O problema da Miriam Leitão é a hegemonia da Globo. Só a Globo permite que um jornalista tenha a exposição que a Miriam Leitão tem no conjunto de mídia que a Miriam Leitão alcança. E a Miriam Leitão na televisão não deveria ter o direito de dizer o que diz. Nem ela nem o Jabor. Porque a televisão aberta é uma concessão de serviço público. É que o Governo Lula é muito frouxo. Porque o Governo Lula deveria entrar com uma ação administrativa na Justiça. Toda vez que a Miriam Leitão dissesse que o Brasil ia quebrar, que o Rio Madeira ia matar os bagres – que as represas do Rio Madeira iam matar todos os bagrezinhos, ia tudo ficar capado, não ia poder reproduzir, tinha que ter o direito de resposta: “não, o bagre não vai ficar capado”. Mas é que o Governo Lula tem medo da imprensa. A Cristina Kirchner foi eleita com a maior diferença da história política da Argentina desde a redemocratização e não deu uma única entrevista a um jornal argentino. O presidente Hugo Chávez dá uma banana para a mídia conservadora e venezuelana e aqui o PT tem um pânico. Se o William Waack ligar para o Marco Aurélio Garcia, o Marco Aurélio Garcia interrompe uma conversa que ele esteja tendo com o Vladimir Putin para atender o William Waack. O William Waack é mais importante que o Vladimir Putin para o Marco Aurélio Garcia. Ele desliga o telefone. Camarada Putin, “pá”, e desliga o telefone e vai atender: “oi, William”. Ele vai lá correndo.

Folha – E na blogosfera isso funciona também, essa questão de ataques, do poder, como é que você avalia isso nos blogs?

Paulo Henrique Amorim – Não entendi.

Folha – Porque a gente está falando aqui de outras mídia, a Globo, de televisão.

Paulo Henrique Amorim – O que eu acho é que na internet, nos portais, foi possível, por uma circunstância efêmera, espero que não seja efêmera, mas temo que seja efêmera, por uma circunstância foi possível abrir espaço para algumas pessoas dizerem algumas coisas. Por exemplo, eu posso dizer, o Nassif pode dizer, o Mino pode dizer, eu espero que o Azenha brevemente tenha mais exposição do que tem hoje. E isso é uma janela que se abre num ambiente totalmente não-democrático. Em nenhuma democracia do mundo, de 190 milhões de brasileiros, nunca se poderia imaginar que houvesse três jornais e uma emissora de televisão. Isso não se reproduz em nenhuma democracia do mundo, talvez só na Rússia, que não é uma democracia.

Folha – Mas uma das críticas que se faz, por exemplo, à questão do iG, que teria dinheiro público, que tem dinheiro público.

Paulo Henrique Amorim – Não tem dinheiro público. Que história é essa que teria dinheiro publico?

Folha – Que teria dinheiro...

Paulo Henrique Amorim – Do quê?

Folha – Dos fundos de pensão, BNDES.

Paulo Henrique Amorim – A BrT (Brasil Telecom) é a principal acionista do iG e é uma empresa que está na Bolsa. (Se quiser) compre ação da BrT na Bolsa. Qual é o problema? (Também são acionistas os fundos de pensão Previ, Funcef e Petros e o Citibank.) E é o portal mais democrático, o portal mais aberto.

Folha – Por quê?

Paulo Henrique Amorim – Porque é um portal que não está vinculado ideologicamente, doutrinariamente, a uma posição anti-trabalhista. A imprensa brasileira é anti-trabalhista. A imprensa brasileira é assim desde sempre. Ajudou a derrubar o doutor Getúlio, quase não deixa o Juscelino Kubitschek tomar posse, ajudou a derrubar o João Goulart e não queria deixar o Brizola ser eleito Governador do Rio. E agora quer derrubar o presidente Lula. Se bobear, eles derrubam o presidente Lula. Isso é do DNA da imprensa brasileira. E os portais Folha, Globo, Folha-Online, Agência Estado e Agência O Globo evidentemente que estão na mesma família genética. E o iG é um caso particular, porque houve uma troca de comando na Brasil Telecom. O Daniel Dantas foi afastado, entrou uma nova administração que resolveu fazer um portal plural. Do que me beneficio, do que se beneficia o Mino Carta, do que se beneficia o Luís Nassif.

Folha – Inclusive o Diogo Mainardi escreveu uma coluna criticando isso, falando que as pessoas que estavam no iG estariam mais alinhadas ao Governo.

Paulo Henrique Amorim – O Diogo Mainardi fez uma acusação pessoal a mim e, por isso, eu o processo no crime, e processo a ele e a Editora Abril no cível por causa dessa acusação que ele fez e ele vai ter que provar na Justiça.

Folha – Mas voltando à questão dos blogs, você acha que as posições são mais acirradas nos blogs?

Paulo Henrique Amorim – Olha, eu falo por mim, eu sempre fui assim. Isso que eu escrevo hoje é a minha posição desde sempre. É que antes eu não tinha esse espaço. Essas são posições e opiniões que eu venho amadurecendo ao longo de muito tempo e antes eu não tinha onde expressá-las. Na Record eu não posso expressar porque a Record não é minha. A Record é do Edir Macedo. Quem tem que tomar posição ali é o Edir Macedo, se tomar, se quiser tomar. Até hoje ele não tomou e eu espero que não tome, porque ele assumiu publicamente o compromisso na inauguração da Record News de que a Record News, como a Record, são emissoras que estão abertas a todos os credos, a todas as etnias, todas as posições políticas, sem discriminação de nenhum brasileiro. Então, não há veto na Record. Mas acontece que quem dá a linha editorial é ele e as pessoas que estão subordinadas diretamente a ele. Eu não tenho direito de usar um espaço público, que é uma televisão, controlada por um empresário que é o Edir Macedo, para dar as minhas opiniões. As minhas opiniões eu dou nos meus livros, nos meus artigos e no meu espaço na internet.

Folha – Então, mas aí a gente estava conversando de opiniões, por exemplo, da Miriam Leitão, eles também podem dar as opiniões deles...

Paulo Henrique Amorim – A Miriam Leitão pode dar a opinião que ela quiser. Menos na TV aberta.

Folha – Tá, eu queria entender isso.

Paulo Henrique Amorim – Na TV aberta não pode. TV aberta é o seguinte. A TV aberta se propaga através do éter. O éter é um bem público, administrado pelo Estado brasileiro, em nome da nação brasileira, ou seja, do povo brasileiro. Então, os ordenamentos jurídicos pegaram o éter e entregaram um pedaço desse éter à família do Roberto Marinho - atualmente a seus filhos - para controlar. Agora, isso pertence ao povo brasileiro, através de uma série de mediações institucionais, previstas na Constituição. Você não pode utilizar um bem público para defender sistematicamente, invariavelmente, a mesma posição, que é a de ser contra o Governo Lula. Isso não pode. Agora, isso só acontece porque, na minha opinião, o Governo Lula não reage e não diz assim: “um momentinho, agora eu quero ter o direito de resposta”. No jornal impresso não tem problema nenhum. A Miriam Leitão pode dizer o que quiser, pode pregar a instauração da Monarquia, pode defender o anarquismo desenfreado, o que ela bem entender. Porque só compra O Globo quem pagar. Eu pago e leio. Agora, TV aberta, não. TV fechada, sim. Porque eu pago, vou lá, compro e aí, comprou, comprou. Agora, TV aberta nãozinho. TV aberta é um bem público. Agora, não é só na Venezuela que é assim, não. É nos Estados Unidos, é na Inglaterra, é na França, é na Itália, é no mundo inteiro. Aqui é que é uma pré-democracia tropical, entendeu ?

Folha – Mas voltando ao tema dos blogs, e os leitores? Como são os seus leitores, desde page views por mês, você tem aquele leitor que está sempre ali, quais são as posições principais?

Paulo Henrique Amorim – Olha, nós temos um contato freqüente com os leitores, através dos comentários, através das votações nas enquetes. A gente teve que fazer uma triagem, um scanning desses comentários, porque havia manifestações de racismo, havia calúnias pessoais, não só contra mim, mas contra outras pessoas, havia acusações que não poderiam ser comprovadas. Então, nós utilizamos uma tecnologia que o iG nos fornece que é nós lermos antes. O que não se enquadra nessas categorias – pedofilia, essas coisas horrorosas –, a gente manda, publica tudo e tal. Os nossos leitores, em geral – eu acompanho sempre, leio sempre, me divirto muito –, são primeiro, ou pessoas dramaticamente a favor, ou dramaticamente contra. A internet tem essa virtude. Não tem “em cima do muro”. Não dá pra ser tucano nessa acepção. Ou o cara é miseravelmente contra ou é apaixonadamente a favor. E aí é interessante porque é uma batalha entre eles. E eu acho isso muito bom, eu acho isso muito positivo. E eu pego muitas dicas deles, muitas idéias, algumas perversidades, por exemplo, que aparecem sob a forma de enquete e no índice IVL eu extraio freqüentemente dos meus leitores mais sádicos.

Folha – Teve alguma briga que você lembre, de posições extremadas...

Paulo Henrique Amorim – A questão do aborto, por exemplo, que eu discuti agora nesse fim de semana. A questão da foto do delegado... como é que chama?

Folha – O Bruno.

Paulo Henrique Amorim – O Bruno. O nobre delegado Bruno. Aliás, se você conseguir descobrir onde está o delegado Bruno, você me avisa porque eu gostaria de saber o que ele está fazendo, o delegado Bruno. Eu procuro sempre saber onde está o delegado Bruno.

Folha – Mas então, a gente começou conversando sobre aquela coisa direita x esquerda na blogosfera, há um clima de tensão. Você acha que é assim?

Paulo Henrique Amorim - É mais nuançado do que isso, direita x esquerda. Tem muitos subitens e sub-departamentos na direita e na esquerda. Eu acho que o norte que separa hoje, pelo menos na minha cabeça, esse espectro político-partidário brasileiro é... você quer reduzir impostos ou quer distribuir a renda? Não vale dizer: “eu quero os dois”. Isso aí não pode. É um ou outro. É aquela coisa do conto do Eça de Queiroz: você tem que apertar um botão e matar o outro. Você mata reduzir impostos ou mata distribuir a renda ? Eu mato reduzir impostos e fico com distribuição de renda. Eu. Isso é uma divisão entre blogueiros e na própria sociedade brasileira. Outra divisão é a seguinte: você quer ter outro paulista Presidente da República? Eu não quero. Chega de São Paulo. Moro em São Paulo, minha filha é paulistana, sou felicíssimo aqui, tudo ótimo. Agora, chega. Vamos trocar. Eu quero mudar de sotaque. Eu quero sotaque nordestino, carioca. Eu sou carioca, filho de baiano, casado com uma carioca filha de paraibana. Então, eu cansei, cansei. Desse paulicentrismo, desse paulistério, desse “uspismo”, porque “só tem gente inteligente na USP”, ou “se não é da USP não tem talento”. Cansei. Disso aí eu cansei. Então, quero um mineiro, quero um gaúcho, paraibano, amazonense.

Folha – E a gente está falando de poder. Os blogueiros têm seguidores, quase seguidores?

Paulo Henrique Amorim – Eu acho que não. Eu acho que é um exercício de... quando eu escrevo eu tenho a impressão de que eu to indo para uma pracinha que tem lá perto de casa, como se fosse um banquinho de botequim, e fico berrando lá. E vem um: “oh, seu idiota, não é nada disso”... Eu acho que é um pouco isso, multiplicado por “n” vezes. Mas não é nada mais do que isso. É um exercício de pancadaria verbal, de pancadaria ideológica. E tem que ser pancadaria. O meu amigo e um dos melhores analistas políticos do Brasil, na minha opinião, o Zé Simão, diz que a internet é isso mesmo, é anárquica, é irreverente. Você entrar na internet de terno e gravata e começar a chamar as pessoas de Vossa Excelência, você foi para o lugar errado.

Folha – Isso é que é interessante, essa é que é a pauta, a questão da pancadaria ideológica na internet. Quem você vê em diferentes lados aí, desse pessoal que está na internet?

Paulo Henrique Amorim – Olha, eu não vou tratar de nomes. Eu acho que a questão não é de nomes. Eu acho que existe uma parte da internet, nos portais, os blogs, que são filiados contratualmente aos grandes portais conservadores: Folha, Estado e Globo. E dessa matriz doutrinária, fornecida pelas empresas que controlam esses portais, é que saem os seus frutos, os seus jornalistas que têm os blogs. Então, não adianta você esperar, por exemplo, que O Globo tenha uma posição interessante. O Globo é hoje contra o Presidente Lula, é contra o Governador Sérgio Cabral e é contra o Prefeito Cesar Maia no Rio de Janeiro. É ótimo, formidável. Agora, acontece que isso é feito de uma forma que não dá ao leitor do Globo a oportunidade de imaginar que ele possa estar errado. Então, a cobertura do fechamento do túnel Rebouças é uma cobertura parcial. A cobertura da discussão da CPMF é uma discussão parcial. A cobertura de como o Sérgio Cabral está enfrentando o problema do narcotráfico no Rio de Janeiro é uma cobertura parcial. E esse parcialismo se espraia, ele acaba irrigando tanto os colunistas do jornal quanto da televisão, quanto da internet.

Folha – Mas aí o iG, por exemplo, não vem para ser o outro lado?

Paulo Henrique Amorim – O iG não vem pra ser nada. O iG vem para ser um portal e abrigou aqui os conservadores e os espiroquetas como eu e pronto. E cada um diz o que pensa, desde que respeite algumas regras de civilidade e de bom senso, tudo bem. O iG não pretende ser nada. O iG pretende ser um portal que presta serviços e no que concerne ao jornalismo – eu falo isso de espiroqueta que eu sou, porque eu não tenho autoridade nenhuma para falar pelo iG –, mas eu acho que o papel do iG é o de oferecer ao seu leitor o máximo de opções possíveis.

Folha – Mais do que em outros lugares?

Paulo Henrique Amorim – Não necessariamente por virtude do iG. É porque nos outros você só tem uma opinião.

Folha – E quando você falou de embates ideológicos, você se lembra de algum embate com algum blogueiro que marcou? Porque o Reinaldo Azevedo, por exemplo, já fez comentários sobre...

Paulo Henrique Amorim – Mas eu não vou personalizar a discussão. Eu não vou brigar com o Reinaldo Azevedo, eu não vou brigar com mais ninguém, eu não quero brigar com ninguém. Eu só quero fazer amigos e influenciar pessoas. Eu quero defender as minhas idéias. Eu quero expor essas idéias desse palanque privilegiado que eu tenho, que é o palanque que eu tenho no iG, e dizer, por exemplo: hoje a prioridade no Brasil não é cortar imposto. É distribuir renda. O Brasil não pode ter outro presidente paulista. Porque o paulistismo, o paulistério ... a eleição de um paulista, a preservação do paulistério no comando da República representa a preservação de um tipo de elite branca que eu acho que não pode mais governar o Brasil. Elite branca que se nutre e se ilustra com esse sol, que é o Fernando Henrique Cardoso, que eu apelidei – acho que de uma maneira muito engraçada – de Farol de Alexandria, aquele que lançava luzes sobre a Antiguidade e foi destruído num terremoto.

Folha – Mas daí, então, a blogosfera é uma espécie de Guerra Fria?

Paulo Henrique Amorim – É uma espécie de Guerra Quente. Quando a gente senta no computador para escrever é como se a gente estivesse apertando aqueles botões que disparam mísseis.

Folha – Na hora que você está escrevendo você pensa em quem você vai atingir?

Paulo Henrique Amorim – Penso, penso. Sei direitinho. Cada vírgula minha tem um alvo. As pessoas não percebem, mas eu sei.

Folha – E quem são os alvos, tirando o Fernando Henrique, porque a gente já sabe.

Paulo Henrique Amorim – Está tudo lá. Eu acho que eu preciso atualizar o meu “Não Coma Gato por Lebre”, porque eu tenho falado muito do José Serra, a quem eu chamo de presidente eleito. José Serra, o último autoritário. O José Serra eu acho que merece estar no “Não Coma Gato por Lebre”.

Folha – E é possível viver só de blog no Brasil?

Paulo Henrique Amorim – É, eu acho que sim. Eu acho que sim, assim como é possível viver só de blog nos Estados Unidos. Crescentemente o blog vai encontrando os caminhos de se financiar.

Folha – Quer dizer, se você tivesse só o iG você conseguiria...

Paulo Henrique Amorim – Aí já é uma outra discussão, eu não pretendo entrar nela, mas eu prefiro ter a colaboração importante do departamento de tesouraria da TV Record.

Folha – E o blog traz uma outra oportunidade, de dar palestra...

Paulo Henrique Amorim – Não, não. Isso quem traz é a televisão. A vitrine para fazer palestra é a televisão.

Folha – Mas sabe porque eu estava com a imagem da Guerra Fria, é que eu estava lendo comentários no seu blog, em outros blogs. Aí, entram muitos leitores, por isso eu falei dos seguidores, e começam a falar no blog de um no blog de outro.

Paulo Henrique Amorim – Ah, sim. O negócio tem uma cross fertilization.

Folha – Como é que você acompanha?

Paulo Henrique Amorim – Eu acompanho. Aí, quando ele se refere a um blog eu vou lá, vejo, volto. É interessante. Eu acho que isso enriquece de uma forma fascinante esse mundo de se informar. E eu espero que isso seja crescentemente importante aqui no Brasil. Porque você depender dessa imprensa aí, da TV Globo, você está ferrado. Você, por exemplo, pensa que a Cristina Kirchner vai perder a eleição. Ao você ler a imprensa brasileira, a Cristina Kirchner ... é uma surpresa a vitória dela.

Folha – Alguma espécie de mágoa da Globo, de críticas a ela?

Paulo Henrique Amorim – Em relação a mim? O que é isso ? A Globo está no Olimpo e eu estou no...

Folha – Você em relação à Globo.

Paulo Henrique Amorim – Nenhuma mágoa. Eu saí da Globo para ganhar mais. Eu dobrei o meu salário quando eu saí da Globo. Por que eu vou ter mágoa da Globo?

Folha – Uma última pergunta, de ler os comentários dos outros. Acho que foi no blog do Reinaldo que eu li, falava assim: “porque o Paulo Henrique, por exemplo, teve passagens paga pelo Governo para dar palestra em Brasília”.

Paulo Henrique Amorim – Mentira.

Folha – É isso que eu ia perguntar. Porque leitores trazem esse tipo de coisa.

Paulo Henrique Amorim – Isso aí é o tipo de questão que você só trata com advogado. E a minha impressão é que eu resolvi anular Karl Marx e criei a minha própria teoria do Capital. Eu acho que... eu não sou o Fernando Henrique Cardoso, nem daqueles que estudaram seis anos O Capital ..., mas eu tenho a minha própria teoria do Capital. Eu acho que o que define o sistema capitalista é você juntar dinheiro para contratar advogado. Então, esse tipo de acusação, por exemplo, como a que me fez o Diogo Mainardi, a gente só resolve com advogado. Não adianta ficar batendo boca na imprensa. Tem que contratar um advogado e processar.

Folha – E isso vai crescer com a internet? Você acha?

Paulo Henrique Amorim – Deve crescer. Porque é preciso responsabilizar as pessoas que escrevem na internet. Eu sou a favor de processar, eu sou a favor de chamar à responsabilidade. Não tem conversa. Eu estou processando o Diogo Mainardi e acho que vai ser interessante acompanhar esse processo. E eu espero que isso se multiplique. Por exemplo: se vivesse hoje na internet e com esse novo ambiente político que há no Brasil, o Paulo Francis estava na cadeia há muito tempo, entendeu?

Folha – Por quê?

Paulo Henrique Amorim – Por exemplo, o Sérgio Cabral processou e ganhou um bom dinheiro. Porque o Paulo Francis disse que o Sérgio Cabral tinha roubado o título do Pasquim. Já naquele tempo, o Sérgio Cabral processou o Paulo Francis. Hoje, então, seria uma farra.

Folha – E na internet você vê isso...

Paulo Henrique Amorim – Eu acho que isso vai acontecer muito.

Folha – Por quê?

Paulo Henrique Amorim – Porque as pessoas acham que têm a liberdade de dizer qualquer coisa, de ofender os outros e aí as pessoas que se sentirem ofendidas vão processar.

Folha – E isso cabe à Justiça.

Paulo Henrique Amorim – Eu tenho essa posição. É muito mais interessante você contratar um advogado do que ficar batendo boca na internet. Tá bom?

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Conversa Afiada entrevista o professor Wanderley Guilherme dos Santos



Quando se fala em mídia como o “Quarto Poder”, qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça?

A primeira coisa que me vem à cabeça: não é uma particularidade nacional. Porque, na verdade, na teoria democrática clássica, não havia previsão para o aparecimento de um lugar institucional com poder político relevante. Então, você tinha o Parlamento e você tinha o Executivo. O Parlamento podia ser dividido em duas Casas, como quando tem Senado e Câmara, ou ser unicameral. O Executivo podia ser ou de gabinete ou uma Presidência da República. Mais o Judiciário, quando árbitro dos conflitos eventualmente surgidos entre as duas estâncias anteriores. Mas não havia, não há previsão em nenhuma teoria, de algo, de uma instituição que veio a ser a imprensa. Como também, aliás, não havia para as Forças Armadas. Não se concebia que as Forças Armadas viessem a ser um ator político relevante.

Mas, sobretudo, a imprensa. Porque, de certo modo, ela encarnaria não um poder, mas a vigilância do poder. Era a garantia do direito de opinião, a garantia do direito de expressão de idéias e a garantia de vigilância dos poderes constituídos. Então, era muito mais um órgão defensivo e reflexivo do que interferente. A partir do momento em que você tem uma sociedade de massa, ou seja, o tamanho do eleitorado traz novidades para o funcionamento da democracia – ninguém jamais imaginou eleitorado de mais de dez milhões de pessoas –, isso também trouxe uma modificação do papel das instituições. Em princípio, elas interagem com estas massas que têm peso.

O resultado foi que aquelas instituições que, de certa maneira, condicionam e influenciam a formação de opinião das massas, fazendo com que a disposição delas se altere ou se incline numa direção ou em outra, aquelas instituições passaram a ter um papel de importância.

A imprensa, os órgãos de comunicação e informação, na medida em que condicionavam e orientavam a inclinação desta população, e o peso delas se tornando cada vez maior dentro do funcionamento das democracias, fizeram com que esta instituição, a imprensa, passasse a ter um papel híbrido: de um lado, refletia o real; e de outro, ao mesmo tempo, interferia, interfere e condiciona as alternativas deste real.

É necessário deixar claro que isso não aconteceu por nenhuma conspiração, nenhum plano previamente estipulado. Foi assim, numa democracia de massa, com o problema do populismo, por exemplo. Este novo papel desempenhado pela imprensa, envolvida no seu papel constitucional, teórico, de expressão de opinião, controle e vigilância da ação dos poderes públicos, e, ao mesmo tempo, cobrar responsabilidade desta instituição pública, tem que ter norma a que deva obedecer, tem que ter instâncias de julgamento – com o qualquer agente público. E não se trata de julgamento estritamente policial, trata-se de julgamento político. Não existe consenso sobre como conciliar esta responsabilidade, que deve ser cobrada neste ato público, com o que é fundamental também numa democracia - que é o respeito à liberdade de imprensa, à liberdade de opinião.

Quer dizer, a liberdade de expressão de opinião é crucial e essencial na definição do que é democracia. Quando esta expressão de opinião pode de alguma maneira trabalhar contra a democracia, cria um problema. É o mesmo problema que se coloca em relação a partidos revolucionários. Democraticamente, é necessário que se permita a organização em partidos as diversas opiniões, correntes. Agora, em que medida este direito deve ser ou pode ser assegurado a partidos cujo objetivo é fazer com que desapareçam as instituições que permitam que ele exista - isso é uma complicação numa teoria democrática. Então, esse é um problema contemporâneo da imprensa, não é só no Brasil: como conciliar os dois papéis que a imprensa tem. Primeiro, como instituição da sociedade privada de exprimir o que se passa no mundo e a opinião da população. Por outro lado, na medida em que se comporta como ator político, ter instâncias que cobrem responsabilidade política dessa instituição.

Este problema já foi resolvido em algum país?

Institucionalmente, não. O que você encontra é uma evolução da cultura política e também do poder da sociedade civil, do poder privado. Na verdade, até agora não se criaram instituições consensuais para a solução deste problema. Tem sido resolvido pela idéia gradativa de redução da importância da imprensa, como condicionador das atitudes da população. Isso é o que tem acontecido nas sociedades ricas, porque dependem cada vez menos das políticas de governo. Porque são ricas, porque a sociedade é abundante, então, a opinião que os jornais e as televisões começam a distribuir – dizer que o governo é isso, que o governo é aquilo, isso não tem conseqüência sobre a vida privada dos cidadãos. E por isso mesmo a opinião da imprensa deixa de ser relevante. Então, o que tem acontecido nos países mais estabilizados, não é que se tenham criado instituições de controle ou de chamada à responsabilidade, mas que os jornais e as televisões vêm perdendo importância.

Especificamente no Brasil, como é que esse cenário se desenvolveu? Quem se aproveitou?

Quem se aproveitou eu não sei. No Brasil, você tem uma circunstância peculiar que é o fato de que as empresas jornalísticas têm os interesses empresariais também fora do circuito de informação. Então, isso faz com que as opiniões da imprensa não se apoiem apenas, como se diz, pelos preceitos de seus comentários, mas pelo interesse de matérias econômicas também, que são defendidos sob a desculpa, o contexto de que está sendo defendido o interesse da população. Então, este aspecto é o aspecto que não se encontra muito nos países desenvolvidos: a distância entre empresas, empresas jornalísticas que têm interesses comercias e empresariais, além dos interesses jornalísticos.

E isso cria uma situação muito particular, porque, afinal de contas, os interesses econômicos e empresariais de proprietários de jornais deviam ter suas instâncias de defesa e não utilizar a imprensa para isso. Mas, esta é a peculiaridade do Brasil. E é isso o que se mistura com freqüência no Brasil: as campanhas políticas desenvolvidas pela imprensa, sob o pretexto de que são questões que se quer públicas, mas, na verdade, são interesses privados dos próprios empresários jornalísticos.

Paulo Henrique Amorim costuma dizer que em nenhuma democracia importante do mundo os jornais e uma só emissora de TV têm a importância política que têm no Brasil.

Quer dizer, só em países mais ou menos parecidos com o Brasil. Fora países, digamos, com renda per capita inferior a 30 mil dólares, fora países desta faixa, isso não existe. Ou seja, em todos os países (com renda superior a 30 mil dólares), a imprensa não tem esta capacidade de criar crises políticas, como tem nos países da América Latina.

Aqui no Brasil, com esta importância política que os jornais e a Globo têm, como é que eles exercem este poder?

O modo tradicional de exercer o poder em países como o Brasil, e isso tem acontecido historicamente com freqüência, é a capacidade que a imprensa tem de mexer na estabilidade, ou seja, de criar crises, cuja origem é simplesmente uma mobilização do condicionamento da opinião pública. O que a imprensa nos países da América Latina, e particularmente no Brasil, tem é a capacidade de criar instabilidades. É a capacidade que a imprensa tem de criar movimentação popular, de criar atitudes, opiniões, independentemente do que está acontecendo na realidade. Isso é próprio de países latino-americanos, mas particularmente no Brasil, em que as empresas jornalísticas têm poder econômico e capacidade e disposição para a intervenção política. Então, a arma da imprensa no Brasil, o seu recurso diante dos governos: esta capacidade de criar instabilidade política.

Como é que o senhor vê o papel da mídia no governo Lula?

Tem dois aspectos. O primeiro aspecto é fato de o governo Lula ser um governo inédito no Brasil. É realmente um governo cuja composição de classe, cuja composição social é diferente de todos os governos até agora. Isso não foi e dificilmente será bem digerido. Agora, em acréscimo a isso é que, ao contrário do que se teria esperado ou gostariam que acontecesse, este é um governo que até agora tem se mantido fiel à sua orientação original, independentemente das discussões internas do grupo do PT. A verdade é que as políticas do governo têm prioridades óbvias, que são as classes subalternas. Isso é algo que irrita e, conseqüentemente, faz com que aumente a disposição da imprensa para acentuar tudo aquilo que venha a dificultar e comprometer o desempenho do governo.

Em que outros episódios da Historia do Brasil a imprensa usou a arma da instabilidade?

No Brasil, tivemos em 1954, com a crise que resultou no suicídio de Vargas, em que tudo foi utilizado. Documentos falsos que foram apresentados como verdadeiros, testemunhos de estrangeiros que seriam associados a confusões internas...

Houve em 1955, na tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. E em 1961, na crise de Jânio, na sucessão do Jânio. E em 1964.

Depois, durante o tempo do período autoritário, evidentemente, houve uma atuação explícita da imprensa. Não se falava a favor, mas também não se desafiava. Com o retorno da democracia, a imprensa interveio outra vez, na sucessão de Sarney, com todas as declarações e reportagens absolutamente falsas em relação ao candidato das forças populares, que já era Lula. Isso se repetiu nas duas eleições de Fernando Henrique, mas mais moderadamente. Foi bastante incisiva durante a primeira campanha. Na segunda, a imprensa se comportou razoavelmente. Houve certas referências, mas nada escabroso.

Mas, os dois últimos anos foram inacreditáveis em matéria de criação de fatos sobre nada: foi inacreditável. Para 50 anos de vida política, é uma participação à altura dos partidos políticos e dos militares. Quer dizer, fazem parte da política brasileira os partidos, as Forças Armadas e a imprensa.

Destes episódios que o senhor listou qual o senhor acha que é o mais emblemático?

Eu acho que dois episódios. Primeiro, a tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Por quê? Porque Juscelino não era intérprete ou representante de uma classe ascendente. Ele pertencia à elite política. Era um homem do PSD – Partido Social Democrata. Juscelino era um modernizador. Portanto, a tentativa de impedir a sua posse mostra o radicalismo e a intolerância das classes conservadoras brasileiras. Quer dizer, naquele momento, não aceitava nem mesmo um dos seus membros, porque era um modernizador. Este episódio é bem emblemático. Não houve nada de dramático, de trágico ou suicídio, mas é um exemplo de até onde pode chegar a intolerância do conservadorismo brasileiro. É impressionante. Esse foi pra mim um episódio que define muito bem até onde o conservadorismo é capaz de violar os escrúpulos democráticos.

E o segundo?

É agora com Lula, porque a posse de Lula realmente revela uma nova etapa histórica no país. E revela o quanto o conservadorismo se dispõe a comprometer o futuro do país, pelo fato de o governo estar sendo exercido pelo intérprete de uma nova composição social. Isto é, há um grupo parlamentar e há grupos privados – e neles se inclui a imprensa - dificultando a implementação de políticas que são reconhecidamente benéficas ao país, porque estão sendo formuladas e implementadas por um governo intérprete das classes populares. Isso é impressionante. Quer dizer, no fundo, aquilo que os conservadores dizem que as forças populares – segundo eles, para a esquerda, quanto pior melhor –, na prática, quem pratica o quanto pior melhor são os conservadores.

Por que, na opinião do senhor, a mídia se considera inatacável, indestrutível?

Ela se considera indestrutível porque ela tem razões para isso. Ou seja, uma das instituições que até agora vem resistindo à democratização, à republicanização do país é a imprensa. Um país moderno e democrático é um país em que não existe instituição ou pessoa com privilégio de direitos, pessoa que não seja submetida à lei. Na medida em que a democracia se implanta nos países, se reduz o número de instituições e grupos sociais que não se submete à lei. Todo mundo fica, de fato, igual diante da lei. Isso vem acontecendo gradativamente, vagarosamente, mas inapelavelmente no Brasil. Na realidade, nós temos até que as Forças Armadas hoje, no Brasil, estão mais democraticamente enquadradas, mais juridicamente contidas do que a imprensa. Hoje, é muito mais difícil para um representante das Forças Armadas violar impunemente as leis do que a imprensa.

Wanderley Guilherme dos Santos é titular da Academia Brasileira de Ciências, diretor do Laboratório de Estudos Experimentais e pró-reitor de Análise e Prospectiva da Universidade Cândido Mendes, professor titular aposentado de teoria política da UFRJ e membro-fundador do Iuperj.

Seus últimos cinco livros publicados são: Governabilidade e Democracia Natural (FGV editora, 2007) O Paradoxo de Rousseau (Editora Rocco, 2007) Horizonte do Desejo (Editora FGV, 2006) O Ex-Leviatã Brasileiro (editora Civilização Brasileira, 2006) O Cálculo do Conflito (UFMG, 2003)

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

The Economist destaca justiça social geradora de uma nova classe média no Brasil



Economist: Bolsa Familia não
é
fábrica de vagabundos

ECONOMIST: BRASIL CRIA UMA NOVA CLASSE MÉDIA

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 622


. Montanhão fica na extremidade sul de São Bernardo Campo. Tem uma população de 110 mil habitantes. É uma das regiões mais pobres de São Paulo, mas não é tão pobre quanto era 10 anos atrás.

. As ruas principais tem vários pequenos supermercados. Um deles, Dia, faz parte da cadeia francesa Carrefour.

. Outro é o Mercado Gonçalves. Desde 1997, essa pequena loja cresceu mais do que quatro vezes, para 480 metros quadrados. Vende mais de 10 mil itens diferentes. De Nescafé, a Colgate, a carne, pão e uísque importado. Segundo o sr. Gonçalves, muitas pessoas aqui ainda são pobres, mas muita gente entrou para a classe média.

. Eles são os membros da classe média que emergiu de uma hora para outra em países como Brasil. Dezenas de milhões dessas pessoas são as que mais se beneficiaram da estabilidade econômica e do recente crescimento econômico.

. O crescimento econômico da América Latina é o maior em uma geração.

. E a inflação não cresce há uma década.

. Essa nova classe média é, na verdade, uma baixa classe média.

. O rumo à classe média é mais significativo no Brasil.

. No Brasil, entre 2000 e 2005, o número de lares com uma renda anual de US$ 5.900 a US$ 22.000 cresceu uma metade – de 14,5 milhões para 22,3 milhões.

. Enquanto isso, o número dos que recebem menos de US$ 3.000 por ano caiu dramaticamente, para apenas um milhão e 300 mil.

. No Brasil, a proporção da mão de obra empregada informalmente começa a se reduzir.

. Além do crescimento e da estabilidade, um novo elemento são as políticas sociais inovadoras.

. Tanto no Brasil quanto no México – os dois juntos têm mais da metade da população da América Latina, de 560 milhões de habitantes – uma família em cinco famílias recebe uma mesada mensal do Governo, desde que os filhos freqüentem a escola e se submetam a exames médicos.

. O resultado disso é que a renda da metade mais pobre da população cresce mais rápido do que a renda da outra metade.

. Outro fator importante foi o acesso ao crédito. Com a queda da inflação e a queda dos juros, o crédito passou a crescer: no Brasil, o crédito passou de 21% do PIB, em 2002, para 32% do PIB.

. A venda de carros, computadores e eletrônicos está em níveis records, no Brasil e no México.

. Segundo estudo da consultoria McKinsey, das classes sociais D a B2 – com renda entre US$ 3 mil e US$ 22 mil por ano – estão 69% de todo o consumo do Brasil, em 2005. Isso é um aumento de 51% em dez anos. Em média, a mulher nessas classes sociais tem 13 pares de calças americanas.

. Um das causas dos problemas da aviação comercial no Brasil foi o rápido crescimento.

. Quem diz isso ? A mais respeitada revista de economia do mundo, a Economist, da Inglaterra.

. Não é por outra causa que a mídia conservadora (e golpista !), que expressa a elite branca, precisa derrubar o Governo Lula.

. Para evitar que Lula ajude a fazer o sucessor, e o crescimento da renda da metade mais pobre continue a ser mais rápido do que o crescimento da renda da metade mais rica...

Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

"Cansei" vai ser "Fora Lula" disse presidente da OAB de Rio


Paulo Henrique Amorim entrevista o Presidente da OAB do Estado de Rio de Janeiro, Dr. Wadih Damous

Paulo Henrique Amorim – Eu vou conversar agora com doutor Wadih Damous ele é presidente da OAB do Rio. Doutor Wadih, o senhor vai bem?

Wadih Damous – Tudo bem Paulo.

Paulo Henrique Amorim - Doutor Wadih, os jornais de São Paulo dão, rapidamente, uma declaração sua em que o senhor considera que esse movimento “Cansei”, que nasceu aqui na OAB de São Paulo tem uma certa conotação golpista. O que o senhor quer dizer com isso?

Wadih Damous – Paulo, tudo o que eu tenho lido e ouvido a respeito desse movimento “Cansei”, o fato que em mim chegou ao conhecimento é que esse movimento já estava sendo articulado e resolveram convidar a OAB de São Paulo para que fosse uma espécie de relações públicas desse movimento, ou seja, uma entidade com uma respeitabilidade e a tradição da OAB. E de fato, assim que a OAB entrou nesse movimento, o movimento passou a ter uma visibilidade social bastante intensa. Aqui no Rio eu comecei a ser interpelado até por advogados, não só pelo cidadão fora da advocacia mas até por advogado, criticando a participação da OAB nesse momento como se nós, OAB do Rio de Janeiro estivesse nesse... Então, a partir daí isso me incomodou, nós não só não estamos participando desse movimento como nós criticamos esse movimento. Daí vim a público para dizer exatamente o que eu penso sobre esse movimento.

Paulo Henrique Amorim – E o que que o senhor pensa?

Wadih Damous - Eu penso que esse movimento é um movimento estreito. Aliás é um movimento que até agora não conseguiu se expandir além das fronteiras paulistas, é estreito pelo conteúdo, pelos componentes sociais desse movimento, entidades das classes mais abastadas de São Paulo, algumas entidades que tem uma história não muito recomendável em termos de luta pela democracia integram esse movimento.

Paulo Henrique Amorim – Por exemplo.

Wadih Damous – Fiesp por exemplo, uma das artífices do golpe de 64, algumas personalidades que também não primam muito pela defesa da democracia.

Paulo Henrique Amorim – Por exemplo.

Wadih Damous – O empresário João Dória Júnior. Aliás eu quero até aqui incorporar um dito xistoso do ex-governador Cláudio Lembo, que disse que a grande contribuição do empresário João Dória foi promover um desfile de cachorros de madame há cerca de um mês em Comandatuba. E é um movimento que está, do meu ponto de vista, instrumentalizando, porque ele surgiu a partir, ele se intensificou a partir da tragédia do vôo da TAM, está instrumentalizando a dor de famílias enlutadas com aquela tragédia para a partir daí formular uma crítica às ações governamentais no Brasil. Obviamente o resultado previsível desse movimento vai ser o “Fora Lula”, que eu considero tão golpista quanto considerava o “Fora FHC”. Presidente eleito tem que terminar o seu mandato, concordemos ou não com a gestão, enfim, com as formulações que cada governante tenha.

Paulo Henrique Amorim – O senhor considera, portanto, que o próximo passo do “Cansei” é o “Fora Lula”?

Wadih Damous – Não tenha dúvida, é a lógica do movimento é essa. A lógica interna, ínsita a esse movimento, por sua composição social em termos de entidades e de personalidades e por essa indefinição das motivações desse movimento. E eu me lembro, pelo menos por leitura de livros de história, que foi exatamente assim que se gestou o Golpe de 1964, com uma indefinição momentânea, com uma crítica muito genérica, misturando o combate à corrupção com o combate à criminalidade comum. Hoje com esse ingrediente do apagão aéreo. E vai se caminhando em linha reta depois para o golpe. Então a OAB do Rio de Janeiro não participa. A OAB do Rio de Janeiro vai recomendar às outras seccionais que não participem e vai recomendar ao Conselho Federal que não participe desse movimento.

Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado, foi um prazer falar com o senhor.

Wadih Damous – Um abraço.

terça-feira, 17 de julho de 2007

CONTRATOS DE TUCANOS REJEITADOS PELO TCE SOMAM R$ 2 BI

Um relatório organizado pela liderança do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo mostra que o TCE (Tribunal de Contas do Estado) considerou 388 processos da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) irregulares entre 1998 e 2002.

Os 388 processos considerados irregulares somam R$ 2 bilhões e são referentes a obras da CDHU em várias cidades do estado de São Paulo.

Clique aqui para ver a íntegra do relatório.

O líder do PT na Assembléia, Simão Pedro, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta segunda-feira, dia 16, que esses processos considerados irregulares pelo TCE ficaram todos parados na Comissão de Finanças da Assembléia (clique aqui para ouvir o áudio).

Segundo Simão Pedro, até maio deste ano a Assembléia abafou todos os 388 processos irregulares da CDHU. “E há oito anos que a Assembléia não tomava decisão sobre esses processos”, disse Simão Pedro.

Esses processos do TCE chegam até a Assembléia como uma comunicação do Tribunal de Contas. O presidente da Assembléia encaminha esse processo para a Comissão de Finanças e Orçamento, que o transforma em um PDL (Projeto de Decreto Legislativo). Depois, o PDL vai para a Comissão de Fiscalização e Controle.

Só após percorrer esse caminho é que o processo vai para o plenário da Assembléia deliberar. Os deputados devem votar os PDL’s para decidir se enviam ao Ministério Público abrir processo ou arquivar.

Simão Pedro disse que quando o PT assumiu a presidência da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia, em 2006, descobriu que havia 706 contratos irregulares parados na Comissão. Desses, 43% eram referentes à CDHU.

Segundo Simão Pedro, um deputado do então PFL, Claudine Crespo, que não foi reeleito, chegou a propor uma CPI para investigar o “arquivamento” desses contratos.

Simão Pedro disse que esse relatório é um “pente-fino” desses contratos que estavam parados na Comissão de Finanças e Orçamento. Segundo ele, ao todo a Assembléia tem mais de três mil contratos considerados irregulares pela CDHU parados.

O Conversa Afiada procurou também o líder do PSDB na Assembléia, o deputado Barros Munhoz, para comentar o assunto, mas até agora a liderança do governo ainda não respondeu.

Leia a íntegra da entrevista com Simão Pedro no Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim