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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Crime cai, mas roubo cresce em SP


No Estado de São Paulo, os seqüestros apresentaram redução de 58%; número de roubos aumentou 1,8%

Bruno Paes Manso - O ESTADO DE SÃO PAULO



Dos 15 tipos de crimes cujo balanço de registros é divulgado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, 11 tiveram queda no ano passado em relação a 2006. Entre eles estão seqüestros (-58%), roubo a banco (-35%), homicídio doloso (-19%) e latrocínio (-18%).

Apesar do bom desempenho na redução da criminalidade, o roubo, crime violento que registra o maior número de ocorrências, continua sendo um desafio para a segurança pública no Estado. No ano passado, foram registrados 210.724 casos, total 1,8% maior do que em 2006. Quase metade deles, 104.951 casos, ocorreram na capital, onde ocorreu um crescimento de 2,81% nesse tipo de ocorrência.

"Estamos trabalhando em cima disso. De certo modo, temos dificuldades, porque São Paulo é uma cidade, em geral, de trânsito congestionado, o que não deixa de ser um fator facilitador. Boa parte dos roubos ocorre no trânsito. Compramos 120 motos para o policiamento de trânsito, que mudou a filosofia e agora atua também para coibir assaltos contra motoristas", afirma o secretário de Segurança, Ronaldo Marzagão.

No balanço da criminalidade divulgado ontem, alguns crimes tiveram recordes de baixa em registros. É o caso do latrocínio (roubo seguido de morte), com 218 casos no Estado e 42 na capital, a menor marca desde 1995, ano em que os dados começaram a ser medidos. Os casos de latrocínio da capital registrados em todo o ano são menores que os números dos trimestres do começo da década, que ultrapassavam os 70 casos.

O roubo de carros é outro destaque e registra uma queda acumulada de 54% desde 2000, passando de um patamar de 31 mil casos por trimestre para 14 mil. A fragilidade no mercado paralelo de carros e as medidas das seguradoras para coibir o comércio de peças frias desestimularam a ação dos bandidos no setor, a ponto de os furtos de veículos também registrarem no último trimestre do ano a maior queda desde que a série começou a ser feita: 17,2%.

Os homicídios dolosos, da mesma maneira, continuam com forte tendência de queda. Na capital, foram 1.538 casos, ante 5.327 no ano 2000, uma queda de 71%. Apesar dos avanços, o problema dos assassinatos ainda está altamente concentrado em alguns redutos mais pobres e de urbanização mais recente, como é o caso do distrito de Marsilac, área de proteção ambiental no extremo sul da cidade, que teve 134 homicídios por 100 mil habitantes.

Na divulgação, a SSP também mostrou dados que apontam para uma atuação mais eficiente das forças policiais. Os 438 casos de homicídios cometidos por policiais em supostas resistências de suspeitos foi 24% menor do que o total de 2006 - ano dos ataques do Primeiro Comando da Capital - e bem abaixo do patamar de 800 casos registrados em 2003.

O total de presos em flagrante e por mandato voltou a crescer no Estado e hoje registra um patamar de 57 prisões por cada 1.000 delitos cometidos. Esse índice já foi maior no começo da década, quando alcançou o recorde de 75 casos por mil delitos. Isso gerou uma superlotação nas prisões e cadeias, que hoje tem 161 mil presos.

No combate ao tráfico de drogas, considerado pelo secretário de Segurança Pública uma das prioridades para tentar asfixiar a força do PCC, os números também são expressivos e registram novo recorde. Foram apreendidas 84,2 toneladas de drogas no Estado, maior quantidade desde que a série começou a ser feita, em 1995.

SP omite dados sobre seqüestros relâmpagos

Crime, principal causa de estresse pós-traumático em vítimas, é registrado como roubo qualificado

Adriana Carranca-O ESTADO DE SÃO PAULO


Apesar de ser um dos crimes mais traumáticos para as vítimas e de se tornar cada vez mais violento, o seqüestro relâmpago não aparece nos dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Nas estatísticas, o crime é computado como roubo qualificado, o que impede que se tenha a noção real do problema, principal causa de estresse pós-traumático em vítimas de violência, ao lado dos seqüestros com cativeiro.

"Talvez os roubos sejam mais freqüentes, mas causam muito menos danos nas vítimas", diz o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, autor de Transtorno de Estresse Pós-Traumático em Vítimas de Seqüestro (Editora Summus), publicado em dezembro. "Quatro horas sob a mira de um revólver pode causar o mesmo trauma do que ser mantido em cativeiro por 40 dias", diz, após estudos com mais de 300 vítimas de seqüestros relâmpago que procuraram o Grupo Operativo de Resgate da Integridade Psíquica, coordenado por ele no Hospital das Clínicas, entre 2002 e 2005. Ao contrário de outros tipos de violência, que afetam psicologicamente quase duas vezes mais mulheres, o seqüestro relâmpago atinge os homens na mesma proporção, segundo Santos.

O advogado e jornalista Felipe Milanez, de 29 anos, parou o carro em uma rua para ligar para o amigo que o esperava. Um homem encostou na janela, com uma arma mirada em seu rosto. Outro colocou-se na frente do carro. Martinez foi obrigado a escrever num papel as senhas dos cartões de débito e de crédito e a entregá-lo para um terceiro, que estava de moto. Enquanto ele retirava o dinheiro nos caixas, Martinez ficou no carro sob a mira de dois revólveres por uma hora. Nervoso, ele errou as senhas e passou a ser ameaçado de morte. "Você está brincando com a gente?", gritavam. Sacados R$ 1 mil, os bandidos mandaram que Martinez ficasse no carro e se foram com as chaves. "Eu não sabia o que estava acontecendo, se iam voltar, se havia mais deles nas redondezas. Fugi assustado, com as pernas tremendo", conta. Desde então, as cenas não lhe saem da cabeça. "Não consigo mais ficar tranqüilo."

De acordo com o psiquiatra Marcelo Feijó, coordenador do Programa de Atendimento de Vítimas de Violência e Estresse da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entre 15% e 20% das pessoas que sofrem violência com ameaça à vida adoecem. Entre as vítimas de seqüestro relâmpago, a prevalência pode ser maior.

"Quanto maior o risco à vida, mais probabilidade de desenvolver estresse", diz Feijó. Segundo ele, os seqüestros relâmpago têm se tornado mais violentos. "Percebemos claramente o aumento de casos de violência física e sexual em seqüestros. Os relatos são cada vez mais horripilantes."


FRASES

Eduardo dos Santos

Psiquiatra

"Talvez os roubos sejam mais freqüentes (que os seqüestros relâmpagos), mas causam muito menos danos nas vítimas"

Felipe Milanez
Vítima de seqüestro

"Eu não sabia o que estava acontecendo, se (os bandidos) iam voltar, se havia mais deles nas redondezas. Fugi assustado, com as pernas tremendo"

Desarmamento, projetos sociais e ação policial reduzem homicídios (5)

campanha do desarmamento 2003-2004



O direitoso Reinaldo Azevedo, aquele que pontifica na Veja seu panfletista discurso anti-PT, tem uma explicação singela para a queda da taxa de homicídios: o crescimento da população carcerária, especialmente no Estado de São Paulo.

Nada a ver com desarmamento, nem com projetos sociais -mantra esquerdistas inócuos- e sim com linha-dura, repressão e bandido na cadeia.

O simplismo é sedutor: mais bandidos na prisão=menos homicídios.

Tem dois poréns, pelo menos. Segundo os dados do governo estadual de São Paulo, diminuíram os homicídios, mas aumentaram os roubos. Salvo de pensar que a polícia está tirando homicidas das ruas e deixando os ladrões fora, a questão parece menos simplória e panfletaria do que nosso direitoso-demagogo pretende.

Em segundo lugar, a maioria dos homicídios no Estado são culposos e não dolosos, o seja aqueles sem intenção de matar. Mas tanto nos homicídios culposos ou dolosos, muitos, a maioria, são motivados pela violência domestica, o álcool e as altercações. São esses os mais sensíveis as medidas como desarmamento, fechamento de botecos em horas tardías, campanhas contra a violência domestica e no transito, crescimento do emprego, projetos sociais e culturais nas periferias, ação do Estado com educação, iluminação pública e saúde, trabalho das ONG's etc. Os assassinatos ligados a roubo, os latrocínios, são menos e é onde a ação policial para coibi-los é preponderante. (No Estado de São Paulo teve em 2007 quase 10 mil homicídios - 5.121 culposos e 4.877 dolosos- já os latrocínios foram 218 e mortos em confronto com a policia 438)

Nada disso anula ou diminuí a importância da ação policial, da construção de presídios, do aprimoramento da repressão e da inteligência policial. Mas como disse o sargento da PM, aqui no blog, "O Estado tem que se apresentar com “todos os seus braços” e não apenas o braço armado"

Luis Favre

Ver aqui no Blog

“O Estado tem que se apresentar com “todos os seus braços””

Desarmamento, projetos sociais e ação policial reduzem homicídios (4)

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O pedágio paulista


Placa da Artesp, na Imigrantes, traz tucano, símbolo do PSDB, partido do governador do estado.


Segundo matéria do "Estadão" de hoje (clique aqui), apesar das declarações do governador José Serra, não mudou a lógica dos pedágios paulistas após a licitação das rodovias federais. Pelas declarações iniciais, parecia que São Paulo entraria na era da menor tarifa.

Não será assim. Segundo o "Estadão", a licitação prevê pagamento de R$ 2 bilhões pela concessão, mais R$ 9 bilhões de investimentos. Apesar de informar que os investimentos serão ao longo de 30 anos, não foi divulgada sua progamação. Se concentrado nos primeiros anos, significará mais custo para os contribuintes.Mais: o BNDES financiará os participantes, desviando mais recursos ainda de investimentos para aquisição.

Portanto, é bom que se esclareça: assim como a substituição tributária, essa licitação significará forma indireta de aumento de tributação no Estado.

Se o dinheiro for bem aplicado, ótimo. Mas que significa aumento de impostos, significa. Que significa bitributação, também significa.



Luis Nassif

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Capitanias hereditárias?

Carlos Brickmann para o Observatório da Imprensa




Bola dentro

Os repórter Eduardo Reina e Emilio Sant’Anna, do Estadão, foram fundo na história do incêndio do Hospital das Clínicas, em São Paulo: dos 16,9 milhões reservados para manutenção e reequipamento do HC, só três milhões tinham sido empenhados até 18 de dezembro. O secretário da Saúde garante que, no finzinho do ano, aplicaria o resto. Exato: aquilo que não foi aplicado em 352 dias seria gasto nos 13 dias restantes. O secretário disse isso!

A reportagem é impecável: não faz juízos de valor, não usa adjetivos, só narra fatos. E deixa absolutamente clara a causa do incêndio no Hospital das Clínicas.

Quem é quem

Para o Governo estadual paulista, o pior de tudo é não poder jogar a culpa nos antecessores. A imprensa tem esquecido esse tema, mas o fato é que Serra entrou no lugar de Alckmin, que entrou no lugar de Covas, todos companheiros de PSDB. E, em certo sentido, não se pode sequer falar em apenas 13 anos de Governo tucano: desde a gestão de Franco Montoro, iniciada em 1983, é o mesmo grupo político que ocupa o Palácio Bandeirantes. Alguns romperam com outros, mas em certo momento estiveram todos juntos. Serra foi secretário de Montoro, e Quércia, o vice, foi o governador seguinte; Fleury era secretário de Quércia e seu vice, Aloysio Nunes Ferreira, é o homem-forte do Secretariado de Serra. No total, são 25 anos. Ninguém pode falar de herança maldita.

Já os meios de comunicação preferem nem tocar nesse assunto.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Educação: Abaixo da média, São Paulo perde de Rondônia e Sergipe

O Estado não conseguiu ultrapassar a média nacional em nenhuma das três áreas avaliadas pelos exames do programa

Sindicato das escolas particulares diz desconhecer quem participou; Inep informa que não pode divulgar as instituições

EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
FOLHA DE SÃO PAULO

Os resultados do Pisa, sigla em inglês do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, divulgados ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), revelam que o Estado de São Paulo não conseguiu ultrapassar a média nacional em nenhuma das três áreas avaliadas -ciências, leitura e matemática.
Na área de ciências, a média paulista (385 pontos) é comparável à da Tunísia (África). No caso da leitura (392 pontos), eqüivale-se a Montenegro (Balcãs). Já em relação a matemática, com 370 pontos, os paulistas estão no mesmo nível dos vizinhos colombianos.
Para o ministro Fernando Haddad (Educação), o resultado de São Paulo requer "atenção" do governo federal. "Com exceção do Distrito Federal, São Paulo é a maior renda per capita do país. Era de se supor que pudesse trazer as médias nacionais para cima. É um resultado que surpreende, exige alguma atenção e algum diagnóstico do que se passa."
O petista Haddad falou com cautela sobre o Estado governado pelo tucano José Serra, que sucedeu os também tucanos Mário Covas (morto em 2001) e Geraldo Alckmin.
"No geral, os Estados mais ricos se saem melhor do que os mais pobres. Essa é a regra geral. Há exceções à regra", completou o ministro.
Para a secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, o tamanho do Estado explica o quadro. "Ao mesmo tempo em que temos uma economia forte, temos todos os problemas existentes no Brasil. O fato de termos avançado enormemente na oferta de escolas nos dá agora condições para melhorar a qualidade de ensino", disse.
Na três áreas, São Paulo registrou média abaixo do Sudeste. Em ciências, a média da região ficou em 396 pontos, contra 385 do Estado. Em leitura, o Sudeste teve 404 pontos, ante 392 de São Paulo. Em matemática, a diferença ficou em 378 contra 370.
O Distrito Federal lidera os rankings de ciências e de matemática, seguido por Santa Catarina, que lidera a tabela de leitura. No outro extremo ficou o Maranhão, com os piores resultados nas três áreas. Além do Distrito Federal, apenas oito Estados ficaram acima da média nas três disciplinas: Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.
Entre esses Estados, o ministro Haddad destacou Rondônia e Sergipe, que, apesar das baixas médias de suas regiões (Norte e Nordeste), conseguiram manter seus alunos acima da média nacional nas três áreas avaliadas. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes).

Gestão Alckmin em questão: Para o MEC, São Paulo puxou notas para baixo

Estado obteve notas piores que Sergipe, Goiás e Paraíba, mas ficou muito perto das médias nacionais

Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA

Estado mais rico do País, São Paulo não consegue refletir seu poderio econômico na educação. Os resultados do Programa Internacional de Avaliação por Aluno (Pisa) de 2006, divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC), mostram o Estado com médias piores do que as nacionais em leitura (11ª posição no País) e ciências (12º lugar) e igual à média brasileira em matemática (11º posição). Mais do que isso, São Paulo perde para Estados mais pobres, como Paraíba e Sergipe. Reunindo, sozinho, cerca de 20% dos alunos do País, a média paulista, na verdade, chega a puxar para baixo a média nacional, segundo o MEC.

“Era de se esperar que as médias de São Paulo ajudassem a puxar os resultados brasileiros para cima, mas não é o que aconteceu”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad. “Se é verdade que os Estados mais ricos deveriam ter um desempenho melhor, há exceções. Há Estados pobres com resultados melhores que os ricos.”

Em São Paulo, fizeram o Pisa 1.067 estudantes, o equivalente a 11% da amostra nacional. Mas, na conta final da média nacional, o peso de um aluno paulista é maior do que de todos os outros Estados, justamente porque representa 20% de todos os estudantes da educação básica no País.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), Reynaldo Fernandes, explica que não é necessário ter mais alunos de São Paulo fazendo a prova porque o número é suficiente para ter um panorama da educação no Estado.

VANTAGEM DE SERGIPE

O melhor exemplo dessas exceções é Sergipe. Com uma das menores economias do Brasil - 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, ante os 30,9% de São Paulo -, o Estado nordestino ganhou nas três áreas do Pisa. Em ciências, fez 402 pontos ante 385 de São Paulo. Em matemática, 385 ante 370 dos alunos paulistas. E, em leitura, 408 ante 392. São Paulo gasta por ano, em média, R$ 600 a mais por aluno da educação básica que Sergipe.

O MEC não se arrisca a fazer uma avaliação sobre o que levou aos resultados paulistas, mas Fernandes, do Inep, lembra que o Estado também não está nos primeiros lugares no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Em 2005, o Estado apareceu em 7º lugar em português e 10º em matemática na avaliação da 8ª série - equivalente ao Pisa, que faz a prova com estudantes de 15 anos.

Apesar da seqüência de resultados abaixo das suas possibilidades, São Paulo foi, junto com Minas Gerais (ambos governados pelo PSDB, que faz oposição ao governo Lula), um dos únicos Estados que ainda não aderiram ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado pelo ministério. Haddad nega que existam dificuldades políticas com o governo do Estado. “Temos conversado sem problemas. Acredito que seja apenas uma questão de tempo”, afirma.

FIM DE UM MITO

Feita a cada três anos desde 2000, essa é a primeira vez que os resultados do Pisa são detalhados por Estados no País.

O quadro revelado ajuda a desmistificar a idéia de que o Brasil tem regiões com níveis educacionais suecos e outros, africanos. Na verdade, todo o resultado brasileiro está muito abaixo da média européia, apesar das enormes diferenças existentes no País.

Primeiro lugar nas três áreas avaliadas, o Distrito Federal, com médias acima de 400 pontos, é o que vai mais longe. Ainda sim, não passaria da 40ª posição entre 57 países. Sua melhor pontuação, em ciência, o levaria a ficar um pouco acima do Chile e abaixo de Israel.

Ainda assim, o DF está muito à frente do Maranhão, o último colocado na lista. Em matemática, a média maranhense é 100 pontos abaixo da nacional. Em português, não alcança os 300 pontos. Se fosse país, o Maranhão perderia com alguma folga para o Quirguistão, último colocado em todas as três áreas.

INTERVENÇÃO

Depois dos resultados ruins apresentados ontem, o ministro da Educação revelou que o governo federal pretende criar algum mecanismo que permita uma espécie de intervenção branca em municípios e até Estados que não conseguirem melhorar seus resultados educacionais. “Se após vários anos, depois de receber todo o apoio, a rede demonstrar dificuldades de avançar, temos de pensar em um regime de cooperação em torno dela”, disse Haddad. “O direito da criança tem de estar acima de todos os outros.”

A dificuldade nessa questão é o fato de a Constituição estabelecer uma separação entre as redes municipais, estaduais e federal de ensino e impedir a interferência do MEC. Uma alteração desse tipo vai necessitar, provavelmente, de mudanças na lei. “Se precisarmos mudar a lei, vamos mudar. Mas imaginamos que pode ser feito por cooperação. Tem de ser algo pactuado politicamente”, afirmou Haddad.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Alckmin deu "choque de gestão" na Febem criando rombo milionário


Em quanto José Serra persevera na defesa da candidatura de Gilberto Kassab a Prefeitura de São Paulo, o jornal a Folha de São Paulo continua revelando os podres de Geraldo Alckmin.

Hoje é o rombo provocado pela irresponsabilidade gerencial e administrativa de Alckmin no caso da Febem. Milhões de reais jogados pelo ralo por ação demagógica e sem fundamento, segundo a justiça, na demissão de centenas de funcionários.


De forma arrogante, Alckmin se recusa a dar qualquer explicação ao jornal, seguindo a risca a linha de ignorar qualquer questionamento. Em quanto ele se cala, trabalhadores vitimas da insensibilidade e incompetência do Geraldo, sofrem com depressão e privações. Segundo a Folha, desde junho Alckmin recusa, soberbo, qualquer resposta sobre o assunto.


Leia as matérias da Folha de São Paulo



Demissões na Febem criam rombo milionário

Anulada pela Justiça, exoneração em massa já soma R$ 32 milhões em salários atrasados, direitos trabalhistas e danos morais

Após decisão do Supremo, todos os 1.674 demitidos no "plano radical" promovido pelo governo Alckmin voltaram para a instituição

GILMAR PENTEADO
DA REPORTAGEM LOCAL

A maior demissão em massa de funcionários da história da ex-Febem (hoje Fundação Casa), anulada pela Justiça em última instância por ser considerada arbitrária, já soma um rombo aos cofres públicos de São Paulo de cerca de R$ 32 milhões. Todos os 1.674 demitidos voltaram para a instituição.
Com os R$ 32 milhões, a fundação poderia construir 11 novas unidades dentro do projeto de descentralização Ämenores e mais próximas das famílias dos internos.
Em fevereiro de 2005, agentes de proteção dos principais complexos da então Febem foram exonerados de uma única vez. Era um "plano radical" para acabar com torturadores, anunciou o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente da fundação na época, Alexandre de Moraes, hoje secretário municipal dos Transportes de São Paulo. Na época, a ex-Febem vivia uma onda de rebeliões e fugas.
Após um longa briga judicial, que chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal), todos os demitidos foram reintegrados à nova entidade.
Restou, no entanto, uma conta para o contribuinte pagar: os salários atrasados dos agentes Äque vão receber o período sem terem trabalhadoÄ e ações por danos morais ingressadas por funcionários exonerados ou por agentes que, sem preparo, foram colocados às pressas para substituir os servidores demitidos.
Só os 27 meses de salários não recebidos e outros direitos trabalhistas acumulados dos últimos 924 funcionários que foram reintegrados ao trabalho, em junho deste ano _o restante retornou à ex-Febem em 2005 e 2006 Ä, chegam a cerca de R$ 30 milhões.

Precatório
A contabilidade feita pela Fundação Casa está em fase de conclusão. A entidade também gastou com os salários de funcionários em regime de emergência para substituir os demitidos. Os R$ 30 milhões vão virar precatório (dívida judicial do Estado), sem prazo para pagamento.
Além disso, agentes exonerados entraram com ações por danos morais contra a instituição. Afirmam que foram acusados publicamente de serem torturadores sem nenhuma prova substancial.
Na época, Alexandre de Moraes descreveu a demissão em massa como um "projeto radical" para livrar a fundação de maus funcionários. Um mês antes, ele afirmou que havia uma "banda podre" entre os funcionários e que iria "mapeá-los e demiti-los".
Entidades de direitos humanos elogiaram a reforma, mas disseram que o processo estava sendo conduzido de forma muito rápida, com atropelos.

Danos morais
A Folha teve acesso a 131
ações por danos morais ingressadas na Justiça do Trabalho, 69 com julgamento de mérito em primeira instância. Em todos os casos, há possibilidade de recurso. Em 29 delas _42%_, a ex-Febem foi condenada a pagar, no total, R$ 1.840.882.
A de maior valor, de R$ 910 mil, refere-se ao caso de uma funcionária estuprada por internos em março de 2005, em Franco da Rocha, na Grande São Paulo.
Contratada emergencialmente para substituir funcionários demitidos, ela foi atacada em uma unidade que estava sob controle dos internos.
O número de ações por danos morais vai crescer. O advogado Hilário Bocchi Junior, proprietário do escritório responsável pela maioria dos processos, afirma que vai ingressar com outras 80 ações na Justiça contra a instituição.
"Citamos o princípio constitucional da dignidade da pessoa, que não pode ser tratada como coisa. Quiseram meter política em um problema que tem de ser tratado com responsabilidade. Agora, esse é o preço que tem de ser pago", afirmou o advogado.

Alckmin não se manifesta; ex-presidente da fundação nega ter havido prejuízos

DA REPORTAGEM LOCAL

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) não respondeu aos pedidos de entrevista feitos pela Folha. Desde junho deste ano, quando ocorreu a reintegração dos últimos 954 funcionários demitidos, a reportagem tenta contato com Alckmin para falar sobre o episódio da demissão em massa.
O ex-presidente da antiga Febem Alexandre de Moraes negou que a demissão em massa ocorrida em sua gestão tenha gerado prejuízos.
Moraes, hoje secretário municipal dos Transportes de São Paulo, disse que não concederia entrevista à Folha por "respeito à nova administração". Leia mais na Folha (para assinantes)

Agente demitida passou por depressão, deixou faculdade e contraiu dívidas

DA REPORTAGEM LOCAL

O período de 27 meses entre a demissão e a volta à ex-Febem da agente de apoio técnico Carla (nome fictício) foi marcado por depressão, dívidas _seu nome foi parar no SPC_, abandono da faculdade e retorno à casa dos pais.
Ela está entre os últimos 924 funcionários reintegrados em junho. Ao ser encaminhada por psicólogos da instituição, recebeu licença médica. "Até agora não consegui me recuperar."
Em 17 de dezembro de 2005, data do anúncio da demissão em massa, ela estava em férias. Carla tinha conseguido a transferência para uma unidade do litoral, onde começaria a cursar faculdade, e tinha recém-mobiliado seu novo apartamento.
Foi demitida sem ter sofrido nenhum processo administrativo ou denúncia de agressão. "Passava o dia inteiro em frente à televisão, esperando notícias das demissões. Comecei a não sair mais de casa."
Com depressão e sem dinheiro, voltou para a casa dos pais. As dívidas com o banco fizeram seu nome ir parar no SPC. Leia mais na Folha (para assinantes).

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

José Serra poupa dinheiro em segurança


Reportagem do Terra Magazine informa que até anteontem, a secretaria de segurança do Estado de São Paulo havia investido apenas 11% das verbas previstas para o ano, pelo critério das despesas efetivamente liquidadas -dinheiro que já saiu dos cofres do governo.

Procurada pela reportagem de Terra Magazine, a assessoria de imprensa da secretaria argumentou que o critério mais correto para avaliar o ritmo da execução orçamentária é analisar as despesas empenhadas - dinheiro já reservado para determinados investimentos. Nesse caso, o percentual investido sobe para cerca de 40%.

O sheriff tucano, aquele mesmo que pousa armado de um fuzil, deve considerar que a segurança no Estado está uma maravilha. O rolex deve ter sido recuperado e eu não fiquei sabendo. A Casa da Febem e os presídios, com os celulares e as fugas bloqueadas, os PM com salários dignos e agora é só tocar o barco para herdar a presidência em 2010.

Os jornais grandes, distraídos, como sempre quando se trata de aves predatórias, nada informaram. Deve ser esse tal de "Porco" batizado por Paulo Henrique Amorim (PIG em inglês). Os três PIG (Partido da Imprensa Grande) só manifestam inquietação quando o lobo mau se manifesta (o lobo é barbudo e não careca), já com tucano de bico de ouro o papo é outro...

Fala-se em "choque de gestão".

LF

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Estado de São Paulo: Promotoria do Consumidor pede liminar contra Pinho

Promotores de Justiça do Consumidor da capital acusam o procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinho, de interferir indevidamente no trabalho do setor. O motivo: Pinho determinou, na sexta-feira, que a promotoria abrisse inquérito civil sobre prejuízos causados aos passageiros pela crise da BRA.

Quatro dos seis promotores do órgão assinaram representação com pedido de liminar, encaminhada na segunda-feira ao Conselho Nacional do Ministério Público. Nela, afirmam que Pinho extrapolou suas competências e abriu um “precedente perigoso”. Destacaram ainda que a Constituição garantiu a independência dos membros do Ministério Público e a decisão de abertura do inquérito cabe apenas ao promotor. O conselho ainda não apreciou o pedido de liminar.

Pinho estava em viagem ontem e informou não ter tomado conhecimento ainda da representação. A queixa da área do consumidor é a terceira feita por promotores ao conselho desde setembro sobre supostas interferências indevidas de Pinho, acusações negadas por ele. Nos dois primeiros casos as liminares foram negadas.

“É preciso respeito à independência dos promotores, porque a concentração de poder é extremamente perigosa”, disse João Lopes Guimarães Júnior, um dos que assinam a representação da área do consumidor. Segundo ele, a entrada da promotoria no caso BRA é inócua no momento, pois estão ocorrendo negociações com a Agência Nacional de Aviação Civil e transferências de vôos para outras companhias.
BRUNO TAVARES, FABIANE LEITE E MARCELO GODOY - O Estado de São Paulo

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O engodo tucano no Tietê: 15 anos é a mesma sujeira


Sem metas claras, Projeto Tietê não limpa o rio


Samantha Maia e Daniela Chiaretti - jornal Valor


"O Rio Tietê nasce em Salesopolis atravessa os municípios da Grande São Paulo , recebe como afluente o Rio Tamanduateí, que traz os esgotos da região industrial e doméstico dos municípios do grande ABC,que depois recebe mais um afluente com esgotos domésticos e industriais da região sul, pelo Rio Pinheiros. A espuma surge devido a falta de chuvas ,no período da noite, partir das 21horas ,quando a temperatura cai bastante,nesta época do ano, ocasionado pela alta concentração de poluentes e só começa se desmanchar às 10 horas da manhã quando os raios solares furam as bolhas da espuma". Comentários e foto extraídos do site de Alex Minck. O mesmo cita no site que as fotos foram tiradas no mês de maio de 2003, sempre as 6:30 da manhã na sua ida ao trabalho.


Urbanistas dizem que uma cidade se conhece pelo seu rio. Por esta premissa, São Paulo é tão sombria quanto as águas do Tietê e seus afluentes, Pinheiros e Tamanduateí. Desde os anos 90, a cidade tenta limpar a região do Alto Tietê, num esforço alardeado como o maior projeto ambiental da história de São Paulo e o maior financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID. De maior, por enquanto, só o engodo da população levada a crer que em 15 anos poderia usar o Tietê "como os americanos usam o Potomac". Ficou no bordão a promessa dos políticos de 1992, referindo-se ao rio de Washington onde no verão se vêem lanchas, caiaques e jet skis. Aqui se investiu mais de US$ 1,5 bilhão em estações de tratamento e redes de coleta, mas o Tietê continua a cruzar metrópole e arredores tão morto quanto antes.


Em 1992, na largada do Projeto Tietê, 75% dos moradores da Região Metropolitana de São Paulo tinham coleta e tratamento de esgoto, segundo cálculos do economista Marcelo Neri, com base na Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios, a PNA. Mesmo com todos os recursos gastos no saneamento do rio, a Grande São Paulo perdeu a primeira colocação no ranking de melhor área atendida por rede de esgoto entre as dez maiores regiões metropolitanas do país. Outras fizeram mais. Em 2006, os paulistas alcançaram um índice de 79%, caindo para o 3º lugar empatados com Salvador. Belo Horizonte ficou à frente (83%, tendo saído de 68% em 1992), seguida pelo Distrito Federal (80% hoje, 73% em 1992).


A coisa andou no Alto Tietê, mas a passos muito lentos e sem acompanhar o crescimento da população. O objetivo inicial -limpar 50% do rio em dois anos - ficou na bravata. Se o logo-ícone do projeto era um obstinado jacaré que apareceu no rio em 1990, agora seria melhor adotar uma tartaruga. De 1992 a 1997, a RMSP tratava 4 m3/s de esgoto, o resto, lançava in natura ao Tietê. Em 1998, fim da primeira fase do plano, o tratamento chegou a 8 m3/s. Em 2008, com a segunda fase em operação, serão tratados 16 m3/s, espera a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp. Saber ao certo quanto isto representa do total é um problema.


Na agência ambiental do Estado, a Cetesb, acredita-se que a RMSP produza cerca de 50 m3/s de esgoto, dos quais 81% são coletados e 37% tratados. Na Sabesp, os números são outros. Levam em conta sua produção de água e as perdas, e chegam a 57 m3/s. Aí os engenheiros aplicam um parâmetro clássico, que diz que 80% da água produzida transforma-se em esgoto. Descontam o que não é coletado e chegam a mais ou menos 33 m3/s. São 33 mil litros de esgoto que desaguam, por segundo, no rio, numa estimativa grosseira.


Se hoje não se sabe bem quanto de esgoto tem no Tietê, o início do projeto foi ainda mais nebuloso. Não havia - e ainda não há - metas ambientais claras a serem perseguidas. Hoje nem mesmo o Comitê de Bacia do Alto Tietê, uma instituição que reúne prefeituras, órgãos estaduais e sociedade civil e elabora o plano de gestão dos recursos hídricos da região, detalha metas para ressuscitar o rio. Mas um consenso é o êxito obtido com a queda da poluição industrial. Foram 1250 empresas monitoradas, as maiores poluidoras da região. Lançavam 4,7 toneladas por dia de metais pesados no rio, índice que caiu para 0,14 ton/dia já em 1995.


A fiscalização foi mantida, mas a menor poluição também ocorre porque das 1250 empresas, só 607 continuam na RMSP - a metade fechou ou mudou. Para a segunda fase do projeto, outras 290 indústrias deveriam ser monitoradas, com US$ 5 milhões do BID. Não aconteceu. "A lista das 290 empresas apresentada pela Sabesp tinha shoppings e supermercados, que não monitoramos", diz Richard Hiroshi, da diretoria de controle de poluição ambiental da Cetesb. "Virou uma discussão de anos e em dezembro de 2006 resolvemos não participar do Tietê 2."


Os recursos foram destinados a outras obras do projeto. Mas, segundo a Sabesp, o BID continua insistindo para que o trabalho com as empresas seja ampliado. "A Cetesb também tem responsabilidade", diz Marcelo Salles de Freitas, diretor de empreendimentos e meio ambiente da Sabesp. "Vamos continuar discutindo este ponto."


"Na parte industrial já chegamos aonde queríamos", rebate Hiroshi. "Como podemos exigir que as indústrias façam mais investimentos? E o esgoto doméstico?" O volume gigantesco de descargas orgânicas continua sendo o algoz do Tietê. "São raros os momentos na RMSP em que o oxigênio dissolvido no rio sobe acima de 0,5 mg/l", diz Eduardo Mazzolenis, gerente da Cetesb que lida com a qualidade das águas. "Para ter vida, o rio tinha que ter no mínimo 4 mg/l." A medida da poluição orgânica é a demanda bioquímica de oxigênio, a DBO. Quanto mais alta a DBO, mais poluído o rio. "DBO é a fotografia do esgoto não tratado", compara Mazzolenis.


Em 1992, em Pirapora do Bom Jesus, a DBO era 38 mg/l. Foi caindo e chegou a 21 mg/l em 2005, mas em 2006 saltou para 28 mg/l. "Ficamos invocados com a subida da DBO", diz o técnico. O efluente despejado pelas estações de tratamento da Sabesp, as ETEs, está sendo investigado. Há suspeitas de que a ETE Parque Novo Mundo estaria fora dos padrões de qualidade estabelecidos pela legislação. O fato de em 2006 ter chovido menos também pode ter influenciado a piora da qualidade da água.


Com 4 mg/l de oxigênio dissolvido na água há alguma vida nos rios, mas no Tietê são raros os trechos com 0,5 mg/l


O Tietê nasce em Salesópolis e percorre 1100 km até desaguar no rio Paraná. Basta distanciar-se umas dezenas de quilômetros da nascente para que peixes e plantas sumam. "Leva o primeiro golpe em Suzano", diz Mazzolenis. Em Itaquaquecetuba já é um rio morto. Assim segue por Guarulhos, passa pela capital e prossegue até Salto, onde começa a se recuperar. É no recuo desta mancha marrom que está um trunfo do projeto. Em 1992, estimava-se em 300 km o cobertor de poluição; hoje são 180 km, garante a Sabesp. Para o paulistano, contudo, nada mudou.


O que se sabe, 15 anos depois, é que a poluição do Tietê é bem maior que o esforço já feito. Nas contas de Hiroshi, da Cetesb, com todo o investimento em tratamento e coleta, chegou-se a apenas 1/3 do que se deveria para limpar o rio. A Sabesp admite que os trabalhos estão muito aquém do necessário para se notar alguma melhora. "Mas cumprimos o que queríamos fazer em termos de obras", diz Freitas. A engenharia prevista na 1ª e 2ª fase aconteceu, mas com 10 anos de atraso. "A despoluição do rio vai levar mais uns oito anos para avançar um pouco. A limpeza completa levará décadas", reconhece.


O ímpeto da primeira fase, que contou com US$ 1,1 bilhão, não se manteve na segunda. Ingressaram US$ 400 milhões frente a uma expectativa de US$ 1,2 bilhão. "Foi uma hora ruim. Teve a crise asiática, a desvalorização cambial", lembra Freitas. Dessa forma, a segunda fase serviu para ampliar a rede e aproveitar a estrutura de tratamento erguida no primeiro período, de 16 m3/s, e não para puxar a capacidade para 28 m3/s, como foi idealizado no começo. A estratégia rebateu as críticas à primeira fase - dizia-se que se fizeram grandes estações de tratamento mas não se levou o esgoto até elas.


Outro nó que só agora começa a desatar é a relação da Sabesp com as cidades que têm serviços de saneamento próprio. Dos 34 municípios da região, seis não estão sob o regime da Sabesp e acabaram não participando do projeto. Guarulhos, o maior deles, com 1,2 milhão de pessoas, não trata uma gota de esgoto e joga tudo no rio.


Depois de muita negociação com o Ministério Público, em dezembro de 2006 a prefeitura de Guarulhos assinou um acordo onde se comprometia a universalizar coleta e tratamento em 30 anos. "É um abuso este prazo", diz o geógrafo Gustavo Veronesi, da Fundação SOS Mata Atlântica. "Não temos tempo a perder, tinha que começar ontem." A prefeitura explica o prazo dizendo que não tem dinheiro. O Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, pode encurtar este horizonte, cobrindo a metade dos R$ 550 milhões necessários ao saneamento de Guarulhos. "A expectativa agora é concluir as obras em cinco anos", diz João Roberto Morais, superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos.


Também entre os municípios sob o regime da Sabesp há problemas. Sem investimentos, Itaquaquecetuba apelou ao Ministério Público para obter com a Sabesp um plano focado na cidade. São 350 mil habitantes e só 5% de tratamento de esgoto. O acordo, a ser assinado ainda em 2007, prevê 11 anos e R$ 176 milhões em coleta e encaminhamento dos efluentes para as estações de São Miguel e Suzano. Também serão instaladas estações provisórias em áreas mais populosas e onde já existe rede, conta João Antônio Campos, Secretário de Planejamento do município. Por seu lado, o gerente de departamento de planejamento integrado da unidade leste da Sabesp, Marcio de Oliveira, diz que os interceptores que permitirão a conexão entre Itaquaquecetuba e a estação de tratamento de São Miguel chegarão à cidade em 2008.


Esse é um exemplo do quebra-cabeças montado pela Sabesp dentro da RMSP, baseado na condução do esgoto a cinco grandes estações de tratamento, o que pode ser eficiente, mas também produz distorções. Barueri abriga a maior estação de tratamento de esgoto da America Latina, mas não é atendida por ela e despeja tudo onde? Bingo. "O esgoto da Billings será levado para Barueri, a 60 km de distância, sendo que a estação de tratamento do ABC é subutilizada", aponta Veronesi, da SOS Mata Atlântica. Ele acredita que um sistema baseado em pequenas e médias estações pode funcionar e ser menos oneroso.


É o que aconteceu na pequena Biritiba-Mirim (29 mil habitantes), que em 2005 atingiu um dos melhores índices de saneamento do país. Com 95% do esgoto coletado e tratado, Biritiba reduziu a mortalidade infantil de 60 por mil nascidos vivos, em 1990, para 11 em 2005. A saída foi uma ação localizada. Com R$ 7 milhões, 90% financiados pela Caixa Econômica Federal, a cidade construiu a rede coletora e uma estação com capacidade para tratar 55 litros por segundo. "Para uma cidade com R$ 20 milhões de orçamento, é uma obra faraônica", diz o prefeito Roberto Pereira da Silva (PSDB).


Para a terceira fase do Projeto Tietê, já em negociação com o BID, fala-se em outro US$ 1 bilhão. "Estamos formatando o plano", diz Freitas. A idéia é que a terceira etapa comece em 2009 e a quarta, em 2018. A intenção é ampliar as ETEs existentes e expandir a rede. Ao final da terceira fase a Sabesp espera coletar 92% dos esgotos e tratar 82%. Não se fala mais em ver o rio limpo, porém. "Isso não vai acontecer nem ao fim da quarta fase", diz o diretor da Sabesp.

sábado, 3 de novembro de 2007

Governo Serra estuda vender toda a participação na Cesp

Proposta anterior era vender só ações excedentes

DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Com o aval do governador José Serra (PSDB), a Secretaria de Fazenda elabora um modelo de privatização para se desfazer integralmente da participação do Estado na Cesp (Companhia Energética de São Paulo), avaliada em cerca de R$ 5 bilhões. Para conduzir o processo, a secretaria contratou o Citibank.
Pela proposta anteriormente em discussão, o governo venderia apenas as ações que excedessem o controle do Estado, como fez o governo federal com o Banco do Brasil e a Petrobras.
Mas, convencido por integrantes da equipe econômica - a começar pelo próprio secretário de Fazenda, Mauro Ricardo Costa -, Serra autorizou o desenho de um modelo de venda de todas as suas ações. O argumento é que não há necessidade o Estado ter uma empresa de geração de energia.
Em meio à ameaça de apagão, este é considerado pelo governo um bom momento para a venda. Mas só quando for concluído o projeto - provavelmente no início do ano que vem- Serra tomará a decisão política sobre a venda.
Como a operação já está autorizada pela Assembléia Legislativa, a idéia é deixar tudo pronto para vender as ações na melhor oportunidade. Segundo tucanos com trânsito no Palácio dos Bandeirantes, a intenção é que a Cesp seja vendida no primeiro semestre de 2008.
Os recursos seriam destinados a obras de infra-estrutura, possivelmente nos trechos Norte e Leste do Rodoanel.
O governo paulista tem 93,68% das ações com direito a voto da Cesp, totalizando 33,37% do capital total da companhia. Outros 35,9% já estão pulverizados no mercado.
Segundo a corretora Brascan, a Cesp tem um valor de mercado superior a R$ 11 bilhões, sendo que a parte do governo está avaliada entre R$ 4,8 bilhões e R$ 5 bilhões. Para a corretora, a privatização da Cesp não depende de qualquer alteração no arcabouço legal, diferentemente do que acontece com a Sabesp, em que há discussão jurídica sobre o poder concedente dos serviços de água e esgoto.
Em outubro, a Cesp teve seu rating (nota) elevado pela agência de classificação de riscos Standard & Poor"s por conta da melhora na estrutura de sua dívida, embora a classificação -que passou de "B-" para "B"- ainda seja de grau especulativo.
O governo de São Paulo implementou nos últimos anos uma completa reestruturação da dívida da Cesp, iniciada com o aumento de capital de R$ 3,2 bilhões com a emissão de novas ações, além de R$ 1,193 bilhão provenientes da privatização da Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), em junho do ano passado. Outros R$ 1,2 bilhão foram obtidos com a emissão de bônus e R$ 1,9 bilhão com fundos de recebíveis.
Com a privatização da Cesp, o governo paulista retoma seu antigo programa de desestatização, cujo primeiro passo foi dado em setembro, quando a Secretaria de Fazenda abriu uma licitação para contratar empresas para avaliar o valor e propor um modelo de negócio para 18 empresas estatais.
Entre as estatais objeto de avaliação estão o Metrô, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), a Dersa, a Imprensa Oficial e a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).
No final dos anos 1990, o governo paulista vendeu as distribuidoras de energia Eletropaulo, CPFL, Bandeirantes e Elektro, que passaram integralmente ao controle privado. A modelagem de privatização foi desenhada pelo BNDES com o objetivo de levantar recursos para abater a dívida pública.
Depois, foram vendidas as geradoras Parananema e Tietê, antigos braços da Cesp. A última privatização foi a da Cteep, que aconteceu em junho do ano passado. Os recursos obtidos foram utilizados para ajudar no processo de saneamento da própria Cesp.
(CATIA SEABRA E TONI SCIARRETTA)

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

CESP é o primeiro alvo de Serra: Será privatizada!


Lembrem: José Serra negou que pretendia privatizar a empresas estatais paulistas. Afirmava que os estudos procuravam somente saber o valor das mesmas. Na lista figuram 18 empresas do Estado, incluídas Nossa Caixa, Sabesp, Metrô etc.

O nariz de Serra amanheceu hoje um pouco maior.

Agora é oficial, a primeira da lista é a CESP!

Governo de SP contrata Citi para privatizar Cesp

A iniciativa de vender a Companhia Energética de São Paulo faria parte de um pacote de privatizações em estudo no governo de José Serra

Teresa Navarro, Elizabeth Lopes, Paulo Fortuna e Renée Pereira\ O Estado de São Paulo

A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) contratou o Banco Citibank para fazer a avaliação, modelagem e execução de venda de participação acionária detida pelo Estado no capital da empresa estatal. O acordo foi fechado no dia 18 de outubro, segundo fato relevante divulgado ao mercado ontem, no início da noite. Vinte dias antes a secretária de Saneamento de Energia de São Paulo, Dilma Pena, havia afirmado que a empresa não estava em nenhuma lista de venda.

A privatização da Cesp faz parte de um pacote de venda de empresas em estudo no governo do Estado de São Paulo. “Todas as companhias com controle do Estado serão analisadas e submetidas a estudos com vistas à privatização”, afirmou uma fonte ligada ao governo.

A secretária Dilma Pena confirmou que foi dada a ordem de serviço, pela Secretaria da Fazenda, para que o consórcio liderado pelo Citibank realize a avaliação, modelagem e execução de venda do controle da empresa hoje nas mãos do Estado.

Dilma disse que a ordem de serviço foi dada para “a possível venda do controle acionário da companhia”. Entretanto, afirmou que isso não quer dizer que a empresa será privatizada. Tudo vai depender de o negócio ser vantajoso para o governo. Segundo ela, é por isso que a avaliação será feita.

No caso da Cesp, segundo uma fonte, a idéia agora é que a empresa seja vendida inteira. No ano passado, chegou-se a cogitar a venda separada de ativos. Fontes do mercado disseram na ocasião que essa discussão chegou a ser feita junto com o banco UBS, que fez a primeira privatização da Cesp, com a venda fatiada. A fonte não soube informar prazos para a privatização, mas estima que os estudos a serem realizados pelo banco devem levar cerca de seis meses. “Isso com base em processos semelhantes realizados anteriormente”, afirmou.

O trabalho a ser entregue pelo Citibank ao governo estadual deve conter várias informações relevantes sobre a empresa e sobre o mercado. Além do valor dos ativos da empresa, a avaliação e modelagem mostrará quem são os possíveis interessados na empresa e o que eles pretendem. “O governo quer saber se o investidor se interessaria pelo ativo se o controle da empresa continuasse com o Estado”, afirmou uma fonte ligada ao processo, destacando que o governo mostrou deter poucas informações sobre a empresa. Foi o que os representantes demonstraram durante uma reunião com a empresa.

Os sinais de retomada do Plano de Privatização do Estado começaram a surgir em agosto, quando o governo estadual abriu licitação para contratar a empresa que fará uma varredura nas participações acionárias da administração nas empresas estaduais. O governador José Serra queria saber quanto valem as ações no mercado para decidir quais e quantas colocaria à venda, conforme informou uma reportagem do Estado, em 24 de agosto. O levantamento será feito em todas as estatais.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A dengue mata!

Glauco

PS.: Você mora no Estado de São Paulo? Então comece a se preocupar.

Escrito por Josias de Souza

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Dia do Professor após 12 anos de governo do PSDB no Estado de São Paulo

Professores da rede estadual paulista recebem salário 39% menor que o de colegas do mesmo nível no Acre, informa Daniela Tófoli. São Paulo, que tem o maior Orçamento entre os Estados, paga a um docente com formação superior o piso inicial de R$ 8,05 por hora, enquanto o Acre paga R$ 13,16. A distância entre os salários chega a cerca de 60% quando se considera o custo de vida nos Estados.

Professor de SP ganha 39% menos que do AC

Ranking dos salários de docentes da rede estadual em início de carreira traz SP, que tem o maior Orçamento entre os Estados, em 8º lugar

Se for levado em conta o custo de vida, a diferença entre São Paulo e Acre, que lidera a lista de melhores salários, aumenta para 60%

Greg Salibian/Folha Imagem
Luis Henrique da Costa, 45, professor da rede pública de SP; para ele, justo seria ganhar o dobro de seu salário atual, de R$ 2.500


DANIELA TÓFOLI
DA REPORTAGEM LOCAL

Os professores em início de carreira da rede estadual paulista recebem salário 39% menor do que os do Acre. Enquanto um docente com formação superior e piso inicial de São Paulo ganha R$ 8,05 por hora, o colega acreano recebe R$ 13,16. Se levado em conta que o custo de vida lá é menor, a diferença aumenta para 60%.
O ranking dos salários do país mostra que o Acre lidera a lista dos Estados que pagam melhor seus professores em início de carreira, seguido por Roraima, Tocantins, Alagoas e Mato Grosso. São Paulo vem em oitavo lugar, apesar de ter o maior Orçamento do país. Pernambuco tem o pior salário.
A remuneração acreana, porém, ainda não é a ideal para especialistas. "O baixo salário dos docentes é uma questão histórica no país. Basta ver o de outros países da América Latina, como Chile e Argentina, que são maiores", afirma Célio da Cunha, assessor especial da Unesco no Brasil. Para ele, o salário baixo é uma das explicações para a má qualidade do ensino. "Um salário justo motiva os professores."
O salário um pouco melhor no Acre começa a dar resultado. Prova disso pode ser a análise do Saeb (exame do MEC que avalia estudantes), divulgada em fevereiro. Na comparação entre 2003 e 2005, o Acre foi onde as médias dos alunos de 4ª série mais evoluíram. Em português, houve aumento de 13,8 pontos (de 156,2 para 170). Já São Paulo melhorou 1,1 ponto (de 176,8 para 177,9).
"Um docente bem pago trabalha melhor, sem dúvida", diz a professora da Faculdade de Educação da USP Lisandre Maria Castello Branco. Para ela, os governos continuam mais preocupados em melhorar a estrutura das escolas do que em investir no docente.
No Acre, os professores se organizaram para pressionar o governo, que criou um plano de carreira. "Houve também uma reorganização que tirou docentes de funções burocráticas e os colocou na sala de aula, permitindo melhor uso dos recursos", diz Mark Clark Assem de Carvalho, da Universidade Federal do Acre. A maioria é formada no Estado e não há falta de docentes. Mas eles reclamam de salas lotadas.
Em São Paulo, a situação se agrava se levado em conta o custo de vida. Um professor que trabalha 120 horas por mês (30 por semana) tem salário de R$ 966 e consegue comprar 4,9 cestas básicas. Já o do Acre recebe R$ 1.580 e compra 12,6. Ou seja, a diferença do salário/ poder de compra chega a 60%.
Para comparação, a reportagem considerou a cesta básica de setembro. A paulista tinha 13 itens e custava R$ 194,34. A do Acre -com um item a mais, a carne de frango-, R$ 124,47.
A secretária de Educação da gestão José Serra (PSDB), Maria Helena Guimarães de Castro, não deu entrevista sobre o assunto. Sua assessoria pediu que fosse procurada a Secretaria de Gestão, responsável pelos salários dos docentes. Esta também não se pronunciou.
A única explicação dada pela Educação foi a de que, em São Paulo, os professores já iniciam a carreira recebendo gratificações. Mas no Acre, assim como em boa parte dos Estados, também é assim. Para calcular os salários por Estado, nenhuma gratificação foi contabilizada, pois a maioria pode ser cancelada e não é incorporada no cálculo da aposentadoria.
O levantamento considerou o piso inicial de um professor estadual com licenciatura plena (ensino superior). Conforme a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), 25% dos docentes do país estão em início de carreira. Em São Paulo, segundo a secretaria, são 26%.
Os salários foram fornecidos pela CNTE, e a reportagem procurou todos os Estados para checar as informações. Dezessete retornaram o contato. Quatro tinham dados diferentes (BA, PE, PR e SP), que foram corrigidos para o cálculo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

"Choque de gestão" é regressão social, O modo tucano de governar

Alagoas e Rio Grande do sul, Estados governados por tucanos, expõem melhor que qualquer discurso o modo peessedebista de governar. Hoje a Folha de São Paulo publica uma reportagem sobre Alagoas (ver a seguir), indicando que a política aplicada nesse Estado é copiada de aquela implementada em Minas Gerais, pelo também tucano Aécio Neves. Estranhamente o jornal não ilustra o "choque de gestão", formula utilizada por Geraldo Alckmin, na sua aplicação no Estado de São Paulo durante a administração Alckmin e na atual de José Serra.

Mudou entre um e o outro? é igual?


Em que consiste o "choque" tucano?

Resolver os problemas financeiros dos Estados, muitos deles em situação gravíssima de endividamento e quase inadimplência, reduzindo brutalmente o dinheiro da saúde, da educação e dos funcionários públicos. No caso de São Paulo, Estado "rico" da Federação, o método consistiu em privatizar a maior parte do patrimônio. Dando continuidade, o governo Serra prevê a privatização da CESP e a concessão às empresas privadas do rodoanel e outras estradas construídas com dinheiro público. O complemento desta política se traduz nos baixos salários dos professores, dos agentes de saúde, dos policiais militares e na falta de investimentos essenciais no combate a dengue, por exemplo. Investimento para valer só como contra-partida, pequena, aos recursos do governo federal. Ao mesmo tempo que faz caixa para obras de grande impacto eleitoral, o que acaba gerando uma ambivalência no governo Serra: agir como Lula ou como FHC?

Acontece que José Serra tem como única obsessão ser candidato a Presidente e isto, em 2010, não é compatível com o perfil tradicionalmente liberal-privativista do PSDB de FHC, Alckmin e companhia. Serra quer ocupar o espaço do centro-esquerda, espaço que hábilmente Aécio Neves ocupa na sua aproximação com Lula e o PT de Minas. Eis o porque do jogo de "empurra-empurra" entre os presidenciáveis tucanos e as bicadas entre eles.

A Folha de São Paulo tem sido geralmente "generosa" com os tucanos em geral (basta ler o que escreve o próprio ombudsman do jornal), mas agora que o conflito entre Aécio e Alckmin, de um lado, e Serra do outro, começa a esquentar, alguns tucanos perdem as plumas nos artigos do jornal. O leitor acaba tomando conhecimento assim da realidade da política tucana e, en passant, das escolhas do próprio jornal.

Luis Favre

Folha de São Paulo

"Choque" tucano provoca crise administrativa em Alagoas

Governador Teotonio Vilela Filho enfrentou 183 dias de greve do funcionalismo após adotar modelo de gestão aplicado em Minas Gerais por Aécio Neves

THIAGO REIS
DA AGÊNCIA FOLHA

FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MACEIÓ

O modelo de administração adotado pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) em Alagoas, inspirado no "choque de gestão" aplicado em Minas Gerais pelo também tucano Aécio Neves, foi o grande responsável pela crise no Estado nordestino. É o que afirmam a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) alagoanas.
Nos cerca de nove meses de governo, Teotonio enfrentou 183 dias de greve de diversas categorias (algumas ao mesmo tempo), o que equivale a 71% do tempo em que esteve no cargo. Não houve um mês sem greve.
"O governador de Alagoas criou uma bomba orientado pelo pessoal de Minas Gerais. Usou uma receita mineira dada por técnicos e conselheiros políticos que vieram para cá", afirma Izac Jacson, presidente da CUT-AL.
Ele diz que o decreto baixado em janeiro por Teotonio, que suspendeu os reajustes salariais dados em abril de 2006 a todos os servidores, gerou uma "quebra de confiança".
"Havia um acordo. Durante o processo eleitoral, ele assumiu o compromisso de não mexer nos salários. Ocorreu uma traição. Ele elencou a folha de pessoal como principal guarda-chuva para fazer caixa", disse.
Policiais militares, médicos, funcionários públicos da Saúde, policiais civis, professores e servidores da Educação já fizeram greve neste ano. As quatro últimas categorias estão paradas no momento.
De acordo com Jacson, outros servidores também podem parar: "Os agentes penitenciários podem parar no dia 20. Tem fugido preso todas as semanas, e o governo quer que eles se responsabilizem pela parte externa dos presídios. Eles são agentes socializadores, não de segurança."

Estopim
O decreto, publicado em 15 de janeiro no "Diário Oficial", foi o estopim para uma paralisação geral, que teve início no dia 16. Uma semana depois, o governador revogou o decreto, mas a crise permaneceu.
Para o presidente da OAB-AL, Omar Mello, a importação do modelo mineiro explica o quadro atual: "Veio gente do PSDB de lá trazendo essa obra-prima de gestão. O que existe em Minas é um trabalho bem elaborado de marketing. Há, na verdade, um sufocamento do servidor público. Ele é tratado a pão e água. Não dá para imaginar como um Estado pode crescer mantendo um serviço público em baixa, desestimulado".
A expressão "choque de gestão" foi utilizada à exaustão por Geraldo Alckmin (PSDB) na campanha presidencial do ano passado. O programa trabalha com estabelecimento de metas e contrapartidas e se funda no enxugamento da administração, no aumento da capacidade de arrecadar e no gerenciamento de despesas.
O governo de Alagoas firmou convênio com duas empresas de consultoria, a Macroplan e a INDG, usadas por Aécio, para elaborar o plano de gestão. Teotonio viajou a Minas para conhecer o programa. Com o "choque de gestão", Aécio disse que conseguiu zerar seu déficit. Mas para Mello, da OAB-AL, Minas vive uma "farsa, um desenvolvimento de fachada".

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Estou anonadado !

Anonadar: reduzir a nada, aniquilar (Aúrelio)

Cadê o editorial do Estadão?

Onde está Eliana Cardoso do jornal Valor e suas analogias literárias inspiradas em Macbeth de Shakespeare?

A Folha fará um editorial?

Merval Pereira cadê você?

Vejam só quanto silêncio e quanta objetividade (ver artigos embaixo) para analisar a situação da dívida dos Estados, em particular do Estado de São Paulo governado faz mais de 12 anos pelo PSDB.

Ué, não era o exemplo que devíamos seguir? Não era que ao contrário do PT, os tucanos faziam o dever de casa, praticavam o ajuste, continham as despesas, eram a encarnação da moralidade no tratamento da dívida pública?

Cadê o famoso exemplo de Mario Covas que saneou as contas do governo estadual? Onde está o "Geraldo Alckmin, nosso gerente"?

Em 4 de novembro de 2004, em referência a administração petista da cidade de São Paulo, o editorial do jornal O Estado de São Paulo, atacava furioso:

"A dívida do Município passou de 192,98% da receita líquida da Prefeitura, em 2001, para 233,49% no segundo quadrimestre de 2004 – e isso não ocorreu apenas porque o índice de correção da dívida consolidada aumentou, mas também porque a prefeita assinou todos os contratos de empréstimos que haviam sido deixados em suspenso pelo seu predecessor e buscou recursos para financiar as obras com que pretendia impressionar o eleitorado, no quarto final de seu mandato. Marta Suplicy cometeu o erro de acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontraria meios para aliviar a situação financeira de São Paulo, sem se dar conta de que o presidente estava tolhido pela LRF e, mais importante que isso, acreditava que essa lei é o mais importante instrumento criado no País para impedir que administrações perdulárias ponham a perder os esforços comuns de ajuste fiscal. O máximo que a administração Marta Suplicy fez foi acumular superávits fiscais, que serviram para amortizar os restos a pagar – pagamentos deixados de um exercício para outro, que a LRF admite, desde que existam recursos em caixa para liquidá-los. No ano passado, foram deixados R$ 1,1 bilhão de restos a pagar, quase integralmente liquidados em outubro. "

Arremetia depois,

"
Ao futuro prefeito não restará outra saída a não ser promover um grande ajuste fiscal – que deveria ter sido iniciado há quatro anos –, à semelhança do que fez o governador Mário Covas, quando assumiu o governo do Estado."

Agora resulta que o governo do Estado de São Paulo (será que teve administração perdulária?), depois de ter privatizado adoidado e vendido quase todo o patrimônio do Estado, tinha se limitado a pagar apenas uma parte dos juros, que digo uma parte, menos da metade!

Agora o jornal nos informa que: "
O TCE mostrou, com números, esse cenário dramático. Em dez anos, tudo que o Estado pagou à União é menos da metade dos juros e das correções monetárias incorporados à dívida no mesmo período."

Vamos aguardar, tal vez a peroração venha nos próximos dias. Se não for o Estadão tal vez a Folha nos fale de "herança maldita", como o título irônico daquele editorial do 6 de novembro de 2004 e que dizia:

"depois de um esforço inicial de equacionamento das finanças de São Paulo, a prefeita Marta Suplicy parece ter considerado que a relação custo-benefício de conter despesas para melhorar o perfil da dívida não seria vantajosa num cenário em que a renegociação já se afigurava como provável. Contando, então, com o apoio federal, a prefeita apostou no fato consumado do endividamento insustentável e abriu os cofres para tentar a reeleição.

Nessas circunstâncias, o prefeito eleito José Serra será compelido a promover um intenso ajuste fiscal e, ao mesmo tempo, reunir condições políticas para renegociar a dívida. Eis uma herança que também poderia ser chamada de maldita."

Balela, nem ajuste fiscal, nem nada. As finanças da prefeitura foram deixadas para Serra infinitamente melhor que as que Marta recebeu de Pitta. Mas justamente ela recusou-se a descarregar nas costas dos mais pobres o peso de uma divida impagavel, feita pela troika Maluf-Pitta-FHC.

Já o Serra depois de muita campanha contra a Marta, fez só caixa para gastar em 2006, ano de eleição, como agora faz caixa para alavancar sua candidatura a presidente em 2010.

Vamos aguardar e ver. Será que a mídia vai condenar o governo Lula por tentar aliviar a situação desses Estados, em particular os de São Paulo e Minas, os mais endividados? Será que vão exigir que Lula recuse os pedidos dos inadimplentes-irresponsáveis-que-gastam-e-não-ligam? Vão exigir dos governadores cortar gastos, adiar obras, cortar na saúde ou na educação?


Ao que tudo indica, não. Com os tucanos nada disto será usado, nem argumentado, nem criticado.

Tal vez agora possamos ter uma discussão responsável sobre a equação das dívidas e as condições em que foram negociadas pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Pois não nos esqueçamos que como dizia com razão Marta Suplicy e repete agora o Secretário tucano de Finanças do governo Serra : “O pagamento desse resíduo nos termos acordados em 1997 inviabilizará investimentos ou mesmo a prestação de serviços nas áreas de educação, saúde e assistência social. Levará o Estado a um caos administrativo.”

Poderão contar, tenho certeza, com o apoio do PT e do governo federal para encontrar soluções que evitem o caos administrativo e para continuar viabilizando investimentos e serviços nas áreas de educação, saúde e assistência social.

Sei que poderão contar também com o apoio da mídia, pois ela só se pauta pelo interesse público.

Luis Favre



Jornal O Estado de São Paulo, hoje

Para TCE, São Paulo não terá como liquidar seus débitos

Relatório diz que, sem renegociação, finanças do Estado estarão seriamente comprometidas a partir de 2027

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) fez um alerta neste ano ao governo paulista sobre os riscos do alto resíduo da dívida acumulado nos últimos 10 anos. Em análise inédita sobre o refinanciamento acordado em 1997 entre São Paulo e a União, o TCE concluiu: “A dívida não terá possibilidades de ser liquidada nos termos pactuados.”

A avaliação faz parte do relatório sobre as contas da gestão de 2006 do governo paulista. Nela, o tribunal diz que, se o contrato não for renegociado, as finanças estaduais estarão seriamente comprometidas a partir de 2027 e recomenda uma repactuação já com o governo federal. “Pelos reflexos e conseqüências advindos de eventual dificuldade ou incapacidade de cumprimento integral do acordo, entendemos cabível propor recomendação no sentido de que o Executivo estadual implemente ações visando à reavaliação e repactuação da dívida remanescente (resíduo)”.

O TCE mostrou, com números, esse cenário dramático. Em dez anos, tudo que o Estado pagou à União é menos da metade dos juros e das correções monetárias incorporados à dívida no mesmo período. Pelas contas do tribunal, os pagamentos feitos por São Paulo somaram R$ 36 bilhões. Já as correções anuais foram de R$ 66,1 bilhões e os juros, de R$ 44,3 bilhões. Diante desse quadro, a conclusão foi de que o volume de desembolso pelo Estado “não permite expectativa de redução do estoque dessa dívida”.

O governo estadual compromete todo mês 13% de sua receita líquida real com o pagamento da dívida. Em 2006, isso representou cerca de R$ 5 bilhões retirados do Orçamento. Mesmo assim, o montante foi inferior ao cobrado pelo governo federal e o Estado somou R$ 2 bilhões em resíduo. De 2007 para cá, segundo o TCE, o residual acumulado em São Paulo foi de R$ 18 bilhões, que, corrigido, está hoje em R$ 43,2 bilhões.

O problema, diz o secretário de Fazenda, Mauro Ricardo Costa, é que o Estado tem pago praticamente juros e correção. A amortização tem sido mínima. Costa concorda com o diagnóstico do TCE. “O pagamento desse resíduo nos termos acordados em 1997 inviabilizará investimentos ou mesmo a prestação de serviços nas áreas de educação, saúde e assistência social. Levará o Estado a um caos administrativo.”



Resíduo de dívidas renegociadas dos Estados já soma R$ 82 bilhões

Valor devido à União equivale ao Orçamento do Estado de São Paulo, o segundo maior do País

Silvia Amorim para O Estado de São Paulo (para assinantes)

Às vésperas de completar dez anos em vigor, o maior refinanciamento de dívidas estaduais promovido pelo governo federal para socorrer administrações à beira da falência começa a mostrar um efeito colateral amargo. Apesar de todos os esforços para pagar os débitos acordados em 1997 com a União, os Estados não têm conseguido honrar esses pagamentos e uma nova dívida pública vem crescendo silenciosamente. Hoje já soma R$ 82,7 bilhões.

Esse novo débito, que, no jargão financeiro, leva o nome de resíduo, é o equivalente ao Orçamento do Estado de São Paulo, o segundo maior do País, e já representa 31% de tudo que os Estados devem à União referente ao refinanciamento lançado em 11 de setembro de 1997, com a sanção da Lei 9.496 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na época, o governo federal assumiu R$ 103 bilhões em dívidas dos Estados - em valores não atualizados. Hoje esse valor mais que dobrou e está em R$ 264 bilhões.

O acúmulo desse resíduo é preocupante porque a tendência é que ele aumente ainda mais nos próximos 20 anos - por conta de juros e correções - , inviabilizando, em muitos casos, a quitação da dívida no prazo de 30 anos acertado com a União. Segundo economistas, em alguns casos, esses valores, que eram para ser residuais, como o próprio nome sugere, serão tão altos que certamente levarão o País a um novo plano de socorro financeiro aos Estados, se não houver uma revisão contratual.

Onze das 25 administrações estaduais que participaram da renegociação já acumulam resíduo, constatou levantamento feito pelo Estado na semana passada. Somente Ceará e Mato Grosso do Sul não informaram sua situação à reportagem. Tocantins e Amapá não entraram no refinanciamento.

PRESTAÇÕES

O resíduo é a diferença entre o valor cobrado mensalmente pela União a título de prestações da dívida e o efetivamente pago pelos Estados. Traduzindo: acumula resíduo quem não paga integralmente sua parcela. Isso acontece porque, para não sufocar as finanças estaduais, a União assegurou aos Estados o direito de comprometer, no máximo, um determinado porcentual de sua receita líquida real com essas prestações - esse índice varia de 11,5% a 15%.

É como se, ao financiar um imóvel, fosse garantido ao comprador que seu desembolso com as prestações não passaria de 13% da sua renda. Toda vez que as parcelas superassem esse limite, o excedente seria jogado para o fim do financiamento, o tal resíduo. É o que está ocorrendo com os Estados.

São Paulo e Minas são os recordistas em resíduo, com R$ 43,2 bilhões e R$ 15,9 bilhões, respectivamente. Depois vêm o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. O menor é o do Maranhão, com R$ 219,8 milhões.

Apesar desse cenário dramático, São Paulo e Minas conseguiram neste ano autorização do governo federal para contrair novos empréstimos.

Os Estados que têm dado conta de pagar seus débitos, impedindo a formação de resíduo, são 12. Em geral, os de menor porte, com dívida abaixo de R$ 1 bilhão, como Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. Destoa nessa lista o Paraná, que, embora deva mais de R$ 7 bilhões, não acumulou resíduo.

Em São Paulo, Minas, Maranhão e Rio Grande do Sul, essa nova dívida está sendo considerada impagável. Isso porque, conforme as regras do acordo de 1997, os Estados que, ao fim dos 30 anos, tiverem resíduo a quitar vão dispor de 10 anos para fazê-lo - e sob condições bem mais duras, que vão impor aos devedores um comprometimento maior do Orçamento com a dívida, reduzindo ainda mais a fatia de investimentos.

Quanto aos resíduos menores, a previsão é de que sejam pagos no prazo contratual.

“MAL DO BEM”

“Se não mexer nesse resíduo, dando algum tipo de desconto, será impagável. Eu tenho dito que ele é o mal que veio do bem”, diz o economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos, que dedicou uma parte de seu próximo livro, Finanças Públicas: Verdades e Mitos, à análise dos resíduos das dívidas estaduais. “Estamos criando uma nova dívida, mas os governantes só pensam na próxima eleição e não na próxima geração.”

Especialistas em finanças públicas são unânimes ao aprovar o refinanciamento de 1997. “A renegociação de 1997 cumpriu e vem cumprindo seu papel”, diz Amir Khair.

O resíduo tornou-se um problema, aponta Santos, não porque a renegociação foi malfeita, mas por fatores econômicos, como a desvalorização cambial e o aumento dos juros em razão das crises internacionais, que desequilibraram os contratos assinados entre a União e os Estados.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Governo Serra e Administração Kassab: É urgente agir, SP tem o maior número de casos de dengue da história

O Estado de São Paulo (para assinantes)

O ano ainda nem terminou e o número de casos de dengue no Estado de São Paulo em 2007 já é o maior da história. De janeiro ao final de agosto, cerca de 62,2 mil pessoas foram infectadas com a doença e 16 morreram. O recorde anterior era de 2001, quando foram registrados 51,7 mil casos no Estado.

Mais números da dengue

Nas regiões de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e litoral a situação é mais crítica. Nesses locais, a reprodução do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da dengue, foi facilitada pelo clima quente ao longo do primeiro semestre. No caso de Rio Preto, pesou também a proximidade com Mato Grosso do Sul, que neste ano teve sua pior epidemia de todos os tempos, com mais de 72 mil casos até meados de agosto, segundo o Ministério da Saúde.

Para evitar que a situação no ano que vem seja pior, a Secretaria Estadual de Saúde inicia agora um período de três meses de “pente fino” nas cidades paulistas mais vulneráveis.

O objetivo é aproveitar o segundo semestre - período em que o número de infecções diminui - para eliminar o mosquito e seus criadouros. O trabalho se concentrará em 78 municípios das três regiões.

A atenção maior será dada a cemitérios, depósitos, ferros-velhos e prédios comerciais, locais onde mais se encontra acúmulo de água parada.

Um efetivo de 110 agentes foi contratado para ajudar no trabalho.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Atividade industrial tem 7ª alta consecutiva em SP

Paula Puliti para O Estado de São Paulo (para assinantes)

O Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista, elaborado pelo sistema Fiesp/Ciesp, teve alta pelo sétimo mês consecutivo em julho, confirmando que o nível de crescimento industrial no Estado avançou. De janeiro a julho, o INA subiu 5% sobre o mesmo período do ano passado. Para comparação, o indicador fechou 2006 com aumento de apenas 2,9%. Mas, ao mesmo tempo em que comemoram o dado, os empresários temem uma mudança no comportamento do Comitê de Política Monetária (Copom). 'Uma interrupção no corte de juros poderia minar o ânimo dos empresários', disse Paulo Francini, diretor da Fiesp.

Para Boris Tabacof, do Ciesp, o resultado do INA em julho (1% na margem) confirma que o aumento da atividade apresenta sinais de sustentabilidade. Por isso, já é possível pensar em um PIB industrial em 2007 na casa dos 5%, 'muito acima do que imaginávamos no início do ano (entre 2% e 2,5%)', disse o empresário. Tabacof demonstrou preocupação com o fato de esses números virem a ser interpretados pela autoridade monetária como sinal de aquecimento da economia e provocarem a interrupção na queda da taxa de juros.

Os empresários destacaram que investimentos em produção crescem de forma a evitar uma redução na oferta e conseqüente inflação. Isso é comprovado pelo comportamento do nível de utilização da capacidade instalada, estável em relação a junho (82,9%), e do setor de máquinas e equipamentos. No ano até julho, o INA setorial cresceu 11,7% sobre o mesmo período do ano passado.

Em relação à crise dos créditos subprime nos Estados Unidos, Fiesp e Ciesp acreditam que o sistema financeiro brasileiro mostra resiliência significativa, o que também não justifica mudança no ritmo do Copom. O fator preocupante é a possibilidade de esfriamento global do consumo, reduzindo os preços das commodities exportadas.

A Fiesp divulgou ontem, junto com o INA, o Sensor Fiesp, um indicador coincidente que antecipa o desempenho do atual mês. O indicador mostrou que a indústria segue positiva, com a percepção dos empresários subindo de 50,4 pontos em julho para 52,4 pontos em agosto, numa escala de zero a cem.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Professores encerram manifestação com promessa de greve


CAROLINA FARIAS
da Folha Online

Os professores que realizaram manifestação na tarde desta sexta-feira, em São Paulo, terminaram o protesto em frente à Secretaria da Educação, na praça da República (região central de São Paulo) com a promessa de entrar em greve a partir do dia 14, caso o governo não aceite as reivindicações da categoria.

A proposta dos professores é de que o governo incorpore ao salário-base de R$ 668 as gratificações, que elevariam o piso para cerca de R$ 900, além de reposição da inflação para que o salário atinja o valor mínimo de R$ 1.668. O número foi calculado para a categoria pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

"A cada ano cai mais a qualidade de ensino devido à desvalorização do profissional da educação. Nossas reivindicações também são por melhores condições de trabalho. As maiores vítimas deste sistema de péssima qualidade são os profissionais da educação e os alunos", disse o presidente da Apesosp (sindicato dos professores do Estado), Carlos Ramiro.

Segundo Ramiro, há dois anos a categoria não tem reajuste no salário-base.

Os números sobre a concentração de pessoas são divergentes. Os organizadores estimam que 30 mil pessoas se reuniram na Sé. O número da PM é bem menor: 7.000.

Mais protestos

Até o dia 14, o sindicato deve realizar atividades em todo o Estado, incluindo uma aula pública, no dia 29, e um acampamento entre os dias 10 e 14 na praça da República. Durante a vigília, devem ocorrer outras aulas abertas.

A manifestação da categoria ocorreu de forma pacífica, entre a praça da Sé e a República. Os únicos incidentes registrados pela Polícia Militar foram de pessoas que passaram devido ao calor e falta de alimentação.

Caravanas

Os professores vieram de várias partes do Estado, em caravanas de ônibus. O aposentado Ídolo Luiz Gasparino, 68, com 33 anos de profissão, veio de São José do Rio Preto (440 km a noroeste de São Paulo) para aderir à manifestação. Ele trouxe sua "árvore da miséria" --um guarda-chuva velho onde pendurou seus holerites em demonstração de revolta com o salário dos aposentados.

"A proposta do governo é a pior possível. Esses 12 anos de PSDB produziram analfabetos funcionais. São pessoas que lêem mal e escrevem mal", avaliou Gasparino. Ele afirma que participou do protesto no qual o então governador Mario Covas brigou com manifestantes, em 2000. Na ocasião, Covas foi levou pedradas, bandeiradas e ovadas. "Ele mereceu, era uma traidor."

Já a professora de educação física, Dirce de Souza, 45, que dá aulas há 19 anos, viajou quatro horas de ônibus, entre Jaboticabal (344 km a noroeste de São Paulo) e a capital. "Se não nos manifestarmos, é sinal de acomodação", disse Souza.

Manifestando pela educação

Eduardo Knapp/Folha
Professores e funcionários da educação do Estado de SP
fizeram manifestação no centro de São Paulo, nesta sexta-feira