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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

"Choque de gestão" é regressão social, O modo tucano de governar

Alagoas e Rio Grande do sul, Estados governados por tucanos, expõem melhor que qualquer discurso o modo peessedebista de governar. Hoje a Folha de São Paulo publica uma reportagem sobre Alagoas (ver a seguir), indicando que a política aplicada nesse Estado é copiada de aquela implementada em Minas Gerais, pelo também tucano Aécio Neves. Estranhamente o jornal não ilustra o "choque de gestão", formula utilizada por Geraldo Alckmin, na sua aplicação no Estado de São Paulo durante a administração Alckmin e na atual de José Serra.

Mudou entre um e o outro? é igual?


Em que consiste o "choque" tucano?

Resolver os problemas financeiros dos Estados, muitos deles em situação gravíssima de endividamento e quase inadimplência, reduzindo brutalmente o dinheiro da saúde, da educação e dos funcionários públicos. No caso de São Paulo, Estado "rico" da Federação, o método consistiu em privatizar a maior parte do patrimônio. Dando continuidade, o governo Serra prevê a privatização da CESP e a concessão às empresas privadas do rodoanel e outras estradas construídas com dinheiro público. O complemento desta política se traduz nos baixos salários dos professores, dos agentes de saúde, dos policiais militares e na falta de investimentos essenciais no combate a dengue, por exemplo. Investimento para valer só como contra-partida, pequena, aos recursos do governo federal. Ao mesmo tempo que faz caixa para obras de grande impacto eleitoral, o que acaba gerando uma ambivalência no governo Serra: agir como Lula ou como FHC?

Acontece que José Serra tem como única obsessão ser candidato a Presidente e isto, em 2010, não é compatível com o perfil tradicionalmente liberal-privativista do PSDB de FHC, Alckmin e companhia. Serra quer ocupar o espaço do centro-esquerda, espaço que hábilmente Aécio Neves ocupa na sua aproximação com Lula e o PT de Minas. Eis o porque do jogo de "empurra-empurra" entre os presidenciáveis tucanos e as bicadas entre eles.

A Folha de São Paulo tem sido geralmente "generosa" com os tucanos em geral (basta ler o que escreve o próprio ombudsman do jornal), mas agora que o conflito entre Aécio e Alckmin, de um lado, e Serra do outro, começa a esquentar, alguns tucanos perdem as plumas nos artigos do jornal. O leitor acaba tomando conhecimento assim da realidade da política tucana e, en passant, das escolhas do próprio jornal.

Luis Favre

Folha de São Paulo

"Choque" tucano provoca crise administrativa em Alagoas

Governador Teotonio Vilela Filho enfrentou 183 dias de greve do funcionalismo após adotar modelo de gestão aplicado em Minas Gerais por Aécio Neves

THIAGO REIS
DA AGÊNCIA FOLHA

FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MACEIÓ

O modelo de administração adotado pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) em Alagoas, inspirado no "choque de gestão" aplicado em Minas Gerais pelo também tucano Aécio Neves, foi o grande responsável pela crise no Estado nordestino. É o que afirmam a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) alagoanas.
Nos cerca de nove meses de governo, Teotonio enfrentou 183 dias de greve de diversas categorias (algumas ao mesmo tempo), o que equivale a 71% do tempo em que esteve no cargo. Não houve um mês sem greve.
"O governador de Alagoas criou uma bomba orientado pelo pessoal de Minas Gerais. Usou uma receita mineira dada por técnicos e conselheiros políticos que vieram para cá", afirma Izac Jacson, presidente da CUT-AL.
Ele diz que o decreto baixado em janeiro por Teotonio, que suspendeu os reajustes salariais dados em abril de 2006 a todos os servidores, gerou uma "quebra de confiança".
"Havia um acordo. Durante o processo eleitoral, ele assumiu o compromisso de não mexer nos salários. Ocorreu uma traição. Ele elencou a folha de pessoal como principal guarda-chuva para fazer caixa", disse.
Policiais militares, médicos, funcionários públicos da Saúde, policiais civis, professores e servidores da Educação já fizeram greve neste ano. As quatro últimas categorias estão paradas no momento.
De acordo com Jacson, outros servidores também podem parar: "Os agentes penitenciários podem parar no dia 20. Tem fugido preso todas as semanas, e o governo quer que eles se responsabilizem pela parte externa dos presídios. Eles são agentes socializadores, não de segurança."

Estopim
O decreto, publicado em 15 de janeiro no "Diário Oficial", foi o estopim para uma paralisação geral, que teve início no dia 16. Uma semana depois, o governador revogou o decreto, mas a crise permaneceu.
Para o presidente da OAB-AL, Omar Mello, a importação do modelo mineiro explica o quadro atual: "Veio gente do PSDB de lá trazendo essa obra-prima de gestão. O que existe em Minas é um trabalho bem elaborado de marketing. Há, na verdade, um sufocamento do servidor público. Ele é tratado a pão e água. Não dá para imaginar como um Estado pode crescer mantendo um serviço público em baixa, desestimulado".
A expressão "choque de gestão" foi utilizada à exaustão por Geraldo Alckmin (PSDB) na campanha presidencial do ano passado. O programa trabalha com estabelecimento de metas e contrapartidas e se funda no enxugamento da administração, no aumento da capacidade de arrecadar e no gerenciamento de despesas.
O governo de Alagoas firmou convênio com duas empresas de consultoria, a Macroplan e a INDG, usadas por Aécio, para elaborar o plano de gestão. Teotonio viajou a Minas para conhecer o programa. Com o "choque de gestão", Aécio disse que conseguiu zerar seu déficit. Mas para Mello, da OAB-AL, Minas vive uma "farsa, um desenvolvimento de fachada".

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Reflexões pessoais que visam ao entendimento

O horror da tragédia da TAM foi objeto da mais detestável campanha de ódio da qual se tenha notícias. Amigos e familiares das pessoas mortas no acidente, chocadas pela dor e as perdas irreparáveis, foram usados para uma manifestação e campanha oposicionista inescrupulosa.

Cavalgando no desespero alheio, oportunistas e aproveitadores tentam angariar apoios para conseguir algum usufruto político e futuramente eleitoral, do acidente da TAM, jogando nas costas de Lula, Marta e do PT o sangue de vítimas inocentes.

Mas é bom lembrar que este movimento foi insuflado por setores da mídia intensamente engajados na oposição ao governo federal e que procuram, a todo custo, impor uma desmoralização ao governo e às forças políticas e sociais que o sustentam, para abrir o caminho a um retorno da oposição ao poder.

Uma sadia reação democrática jogaria luz sobre a manobra ignóbil e exporia os artífices do movimento "Cansei", identificados como expoentes da elite paulista, respaldados em organizações de empresários e de classe média sem maior apoio popular.

Porém, seria um grave erro de julgamento e politicamente um desastre para o país se a resposta a este caminho de ódio levasse a uma exacerbação da luta de classes, de radicalismos infantis e de pregações ofensivas para aqueles setores que podem se identificar no palavrório vazio e reacionário dos "cansados".

Não devemos esconder nossas próprias carências e erros, na denuncia fácil da "elite branca”, da insensibilidade social da burguesia e do apartheid social em que sustenta seus exorbitantes privilégios.

Os desafios presentes, a começar por medidas urgentes para resolver a crise aérea e também os gargalos na infra-estrutura, enfrentar as terríveis carências na educação, na segurança pública e na saúde, além de manter o curso positivo da economia do país, exigem a união e o diálogo entre todos os setores sociais e uma postura construtiva dos atores políticos, tanto da oposição como da situação.

Convém registrar que a reação do presidente Lula à crise aérea, com a nomeação do novo ministro Nelson Jobim, foi acompanhada positivamente pelas forças da oposição responsáveis e por vários veículos de comunicação.

Retomar a agenda positiva para o Brasil passa hoje pela adoção imediata de medidas para reduzir o tráfico em Congonhas, ampliar Guarulhos e Viracopos, assim como a construção do trem São Paulo-Guarulhos-Campinas com o concurso financeiro do governo estadual e das prefeituras, e com a intervenção decisiva do governo federal.

O mesmo esforço financeiro e de agenda prioritária que o governo federal implementou no Rio de Janeiro, permitindo que além do PAN, tenhamos hoje um começo de resposta às questões de segurança, deve ser feito conjuntamente pelo presidente Lula, o governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab, para São Paulo.

Aos pregadores do ódio nossa rejeição, com argumentos.

Nossa prioridade deve ser corrigir e aprender com nossos erros. O Brasil requer a mão estendida para construir consensos que, rejeitando os populismos demagógicos e os elitismos revanchistas, consolide a democracia. Esta sim será a melhor demonstração de força de um governo respaldado pelo povo.

Luis Favre

sábado, 7 de julho de 2007

Reflexões pessoais sobre o Ibope e o momento político

Como era de se esperar nenhum jornal comparou a pesquisa de ontem da CNI-Ibope sobre avaliação do governo Lula, seis meses após iniciado seu segundo mandato, com as pesquisas do mesmo período do segundo mandato de FHC.

A comparação (veja aqui) põe em evidencia um fato: Os que avaliam como ruim ou péssimo o governo Lula hoje, são os mesmos 16% que consideravam ótimo e bom o governo FHC. Já os 50% de ótimos e bom de Lula são superiores aos 46% que achavam FHC ruim ou péssimo. Conclusão: o governo atual mantém o apoio de sua base e dos que rejeitavam o governo tucano e Lula acrescentou 6 pontos de aqueles que consideravam FHC mais ou menos.

Tudo isto apesar do noticiário negativo que marcou quase tudo o primeiro mandato e continua neste momento. Noticiário negativo que é percebido crescentemente pela população, a qual porem manifesta, ao mesmo tempo, sua confiança e apoio a Lula e ao governo.

Para os que consideram que isto é produto exclusivo do carisma de Lula é bom lembrar que, além do carisma pessoal, tem aumentado a avaliação positiva em quase todos os setores de atividade governamental, desde os programas sociais até a política econômica no que concerne combate a inflação, geração de emprego e renda.

Mas nem tudo é rosa no resultado da pesquisa. Se os resultados no sudeste são equivalentes a media nacional, no sul o descontentamento com o governo é maior.

Por outro lado é bom assimilar de uma vez por todas que o noticiário negativo não é só produto da vontade oposicionista de muitos colunistas e donos de jornal. As taras históricas do estado brasileiro, com seu sistema clientelista e sua penetração por grupos de interesse e máfias diversas, configura uma realidade que exige iniciativas políticas do governo federal, além evidentemente da ação da PF e dos tribunais. Só assim as hipócritas campanhas da oposição, travestidas de noticiário informativo, poderá ser posta mais a nú aos olhos da população.

Para isto é fundamental, além da ação do governo, a iniciativa política e a ação do PT e dos partidos aliados. E fica evidente que estes partidos, e especialmente o PT, estão completamente ausentes e sem qualquer capacidade de ação. Esta é a discussão que deveria interessar todos os petistas que preparam para o mês próximo o congresso partidário. Não me parece que esta seja a preocupação de muitos de seus atuais dirigentes, a todos os níveis.

Luis Favre

sábado, 23 de junho de 2007

Reflexões pessoais sobre a crise aérea

O espaço dedicado à crise aérea no rádio e TV, na imprensa escrita quotidiana e revistas semanais é tão grande que cabe uma pergunta singela: por que as pessoas estão tão confusas sobre as causas dos problemas nos aeroportos ?

Se o objetivo da mídia é informar, pesquisar e opinar, permitindo assim que a opinião pública possa ter uma idéia, não só da situação, mas das eventuais soluções a determinado problema, por que no caso da crise que se alastra no tráfico aéreo a confusão parece predominar?

A jornalista Cristiana Lobo, na Globo News das 22 horas de ontem, indicou que é insuficiente o número de controladores de vôo e que isto eclodiu com o acidente da Gol. Ela acrescentou que a resposta do governo foi a de formar novos funcionários e que isto leva dois anos. A primeira turma de quinhentos novos controladores estaria pronta em dezembro.

A revista Época desta semana disse que os problemas existentes derivam das reivindicações dos controladores a respeito das condições de trabalho e remuneração. O governo está atendendo uma parte destas reivindicações e não aceita, o que é lógico, que o país fique refém de uma categoria profissional.

Esta questão explode concomitantemente ao crescimento considerável do número de passageiros provocado pela melhoria da situação econômica do país, sendo que as companhias aéreas carecem de aviões suficientes para fazer frente à demanda. Várias delas têm comprado novas aeronaves que começarão a voar só daqui ha seis meses. Esta carência foi agravada pela crise da Varig, levando à uma explosão do overbooking.

Last but not least, a ampliação dos aeroportos e de pistas, em curso no país todo, ainda não foi concluída e uma descentralização dos aeroportos se faz necessária para dar conta do aumento do tráfico aéreo. Este crescimento é um fênomeno mundial e, no que diz respeito ao Brasil, será maior por conta das projeções decorrentes do crescimento econômico e do impulso ao turismo.

Resumindo, a situação exige respostas urgentes, porém a solução requer tempo. O governo demorou na sua reação política, mas tomou as medidas corretas na procura de soluções que exigem tempo para darem resultados. Pode-se diminuir os problemas dos passageiros durante o tempo necessário à chegada de novas aeronaves, de mais controladores e da ampliação e descentralização dos aeroportos e do tráfico. Porém é irresponsável pretender que as coisas possam andar mais rápido nas soluções estruturais.

A reação política do presidente Lula foi boa exigindo responsabilidade da categoria dos controladores e do comando da aeronáutica e a vontade de vários ministros de contribuir para diminuir os problemas dos passageiros nos aeroportos também são positivas.

A mídia pode contribuir esclarecendo e informando.

Mas deseja faze-lo ou procura simplesmente manter a população na confusão?

O interesse do Brasil não pode estar sujeito à politicagem mesquinha, nem de categorias profissionais, nem dos que têm como suposta vocação informar com isenção.

Luis Favre