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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Centro-esquerda vence eleições presidenciais na Guatemala

CIDADE DE GUATEMALA - O social-democrata Alvaro Colom será o próximo presidente da Guatemala, após ganhar as eleições de domingo com promessas de acabar com a pobreza e virar a página da violenta história do país.

"Essa é uma nova página para a Guatemala, estou muito agradecido a Guatemala por esta confiança", disse Colom.

Os dados do tribunal eleitoral lhe davam vitória de 5,36 pontos percentuais sobre seu rival de direita, general Otto Perez Molina, com 95,63 por cento das urnas apuradas.

"Depois de tomar posse começaremos a trabalhar em um plano de esperança que vamos anunciar em uma entrevista coletiva", acrescentou.

Colom, do partido Unidade Nacional da Esperança (UNE), disse que os presidentes da Nicarágua, Daniel Ortega, e do Panamá, Martín Torrijos, o parabenizaram pela vitória por telefone.

Colom, um ex-empresário que também foi vice-ministro de Economia, sucederá o liberal Oscar Berger por um período de quatro anos.

O presidente eleito prometeu combater a pobreza que afeta metade dos 13 milhões de guatemaltecos, especialmente a população indígena.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

No poder, UNE assiste à divisão do movimento

Caio Junqueira e Cristiane Agostine
Jornal Valor

A União Nacional dos Estudantes (UNE) elege neste domingo sua nova direção numa encruzilhada: exerce influência no governo, como poucos momentos dos seus 70 anos de história, e assiste a uma sensível fragmentação do movimento estudantil na disputa pelo que resta de mobilizável numa juventude mais preocupada com o mercado de trabalho e a escalada da violência.

A entidade reivindica como pauta compartilhada com o governo a expansão de vagas nas universidades federais, o Prouni, a criação de uma rubrica específica no Orçamento das universidades e a limitação de 30% de participação do capital estrangeiro no ensino superior privado. Essa aproximação também se traduz pelo aumento dos repasses federais. Desde 2003, segundo dados do Siafi obtidos pela ONG Contas Abertas, saíram dos cofres da União para a UNE R$ 5,3 milhões. Nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, a cifra foi de R$ 1,1 milhão.

À esta força, contrapõe-se a distância da UNE das iniciativas mais visíveis do movimento estudantil - a ocupação de reitorias de universidades federais e da maior instituição de ensino superior do país, a Universidade de São Paulo (USP). Nesta última, onde a ocupação da reitoria durou 50 dias, a maior parte dos alunos acatou um documento em que ficou registrado que a UNE não os representava. Na Universidade Federal de Alagoas, o presidente da entidade, Gustavo Petta, chegou a ser expulso de uma reunião.

Petta rebate as acusações de adesismo e minimiza as considerações sobre a fragmentação do movimento estudantil. "A UNE sempre teve apoio governamental. A diferença agora é que há diálogo. Fernando Henrique nunca nos recebeu. Paulo Renato (ex-ministro da Educação no governo FHC) só nos recebeu uma única vez, em 2001, para negociar o fim da uma greve", diz. Da pauta compartilhada, reclama da proliferação desenfreada das instituições privadas de ensino superior.

O presidente da entidade diz que mais significativa que a fragmentação do movimento é a própria desmobilização dos estudantes. Enquanto gays e evangélicos movem multidões, o máximo que a UNE consegue mobilizar, e ainda assim, reunida a outros movimentos sociais, como o MST e sindicatos, é um público de 20 mil pessoas. Leia mais no Valor (para assinantes)