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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Mensalão tucano: Para Luiz Dulci, PSDB é que deve responder sobre mensalão mineiro

Adauri Antunes Barbosa - O Globo

SÃO PAULO - O ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência da República, disse nesta quinta-feira em São Paulo que não comentaria as denúncias contra o ministro Walfrido Mares Guia, das Relações Institucionais, sobre o mensalão tucano de Minas Gerais, por entender que este é um assunto que deve ser respondido pelo PSDB. De acordo com o ministro, as denúncias que envolvem a campanha ao governo de Minas do atual senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) podem ter "implicações mais amplas" do que a participação de Mares Guia.

- Pelo que o senador Azeredo falou, não é necessariamente um assunto só de Minas Gerais. Pode ter implicações mais amplas - disse Dulci, referindo-se à confirmação pelo senador mineiro de utilização de caixa dois em sua campanha, assim como na campanha eleitoral do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

As denúncias que envolvem campanhas tucanas, nas quais é citado o ministro Mares Guia, na época candidato a deputado federal pelo PMDB e aliado de Azeredo, devem ser respondidas, segundo Dulci, pelos dirigentes do PSDB.

- Sobre campanhas do PSDB não cabe a mim ou a lideranças do governo darem opinião. Quem tem de prestar esclarecimentos sobre campanhas eleitorais do PSDB são os próprios dirigentes do PSDB. Eles é que têm informação sobre a campanha eleitoral que o PSDB fez - disse.

Perguntado sobre as semelhanças do caso dos tucanos mineiros com o mensalão que envolveu o PT no ano passado, o ministro da Secretaria Geral do governo deu uma resposta no mais clássico estilo mineiro:

- Não faço a menor idéia. Não conheço tecnicamente nenhuma das duas realidades. Mas sempre defendi que quaisquer denúncias devam ser investigadas. Cabe ao PSDB prestar os esclarecimentos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Carta de Tarso Genro a militantes reacende crise interna do PT

Raymundo Costa

Além do problema Walfrido dos Mares Guia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está combatendo uma nova crise no PT. Sob o pretexto de avaliar o 3 Congresso Nacional do partido, o ministro Tarso Genro (Justiça) enviou uma carta aos militantes na qual faz duras críticas ao antigo comando partidário, minimiza seu papel nos avanços econômicos do primeiro mandato e diz - numa referência ao julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) - que não houve um julgamento "deste ou daquele indivíduo, tarefa que é responsabilidade da justiça penal após a instrução dos respectivos processos judiciais".

A carta de Genro - cujo título é "Depois do Vendaval" - deixou particularmente aborrecidos os ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu, além do ex-presidente do PT José Genoino. Palocci acredita que o ministro da Justiça desmereceu o papel que ele exerceu no governo Lula, ao afirmar que, com a mudança de comando no PT, deu-se no segundo mandato "início à 'transição' em direção a um novo modelo de desenvolvimento, com maiores taxas de crescimento, emprego e distribuição de renda, superando o modelo neoliberal herdado de FHC, de baixas taxas de crescimento e sucateamento das funções públicas do Estado".

Segundo Genro, a crise de 2005 "evidenciou a falência dos velhos paradigmas ideológicos vigentes no interior do partido, herdados da bipolarização URSS x EUA", que se refletiam no PT "com um arcabouço conceitual e um modelo de organização de tendências, incapaz de dar conta das novas complexidades da luta social no mundo globalizado". Este modelo, "impotente e primário, serviu apenas para consolidar relações de poder puramente contingentes para fortalecer interesses grupistas no partido, mas foi impotente para ajudar Lula a governar olhando para a frente, como o próprio presidente te o fez ao longo do primeiro mandato". Este foi o trecho que mais deixou incomodados Dirceu e José Genoino.


A assessoria do ministro Tarso Genro confirmou ao Valor a autenticidade da carta, mas destacou que se tratava de uma correspondência particular aos militantes que não era para ser divulgada. No pé do texto, aliás, há um aviso entre parênteses: "Este texto é uma correspondência; não é permitida sua reprodução sem licença do autor". Apesar da recomendação, a carta reabriu feridas que nunca foram inteiramente cicatrizadas no PT e voltou a radicalizar as posições em relação ao Processo de Eleição Direta (PED), em dezembro, que vai eleger o novo comando partidário.


O PT encaminhou a Lula uma lista com três nomes para presidir o partido: Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente, Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, e o do assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia. O nome do atual presidente, Ricardo Berzoini, foi omitido porque ele disse que não queria mais permanecer no cargo, por sentir-se desprestigiado pelo presidente Lula.


Ao tomar conhecimento da lista do PT, Lula se recusou a abrir mão de dois dos três auxiliares: Gilberto Carvalho e Luiz Dulci. Especificamente em relação a Carvalho explicou que ele tem novas funções desde a reforma da chefia de gabinete da Presidência, a partir da qual Cezar Alvarez passou a cuidar especificamente da agenda presidencial e liberou Carvalho para outras tarefas . Entre elas, a interlocução do presidente com o próprio PT. Dulci também prefere ficar na Secretaria Geral. Restou Marco Aurélio Garcia, que já declarou publicamente não se sentir em condições de ocupar o cargo, depois que foi filmado fazendo um gesto obsceno.


Diante do impasse, os integrantes da executiva petista, que se encontram em viagem à China, decidiram antecipar a volta ao Brasil para este fim de semana. O grupo Articulação, que foi majoritário na eleição dos delegados ao 3º Congresso Nacional do PT, vai tentar convencer Ricardo Berzoini a voltar atrás e concorrer à reeleição para a presidência do PT. Há outras três alternativas - Paulo Frateschi (SP), Marcos Maia (RS) e André Vargas (PR). Mas um nome nem sequer pode ser mencionado no grupo: Tarso Genro.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

3º Congresso do PT: A dialética da candidatura para 2010 (2)

(...)

Petistas tentaram ontem desfazer a impressão de que a aprovação da candidatura própria para 2010 foi uma derrota. "A resolução deixa claro que vamos dialogar", disse Rocha.

O texto, apesar de fazer acenos a aliados, deixa claro que o PT quer lançar candidato próprio. No segundo parágrafo, o partido diz que será "dirigente" da condução da sucessão. No terceiro, mais explícito, diz que "deve apresentar candidatura petista à sucessão de Lula".

O último parágrafo, negociado por integrantes do ex-Campo Majoritário -ministros Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e pelo assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, além de petistas ligados a Tarso- propõe o debate. "O PT apresentará uma candidatura a presidente a ser construída com outros partidos", diz. A negociação foi costurada porque os petistas mais próximos a Lula temiam uma derrota se o texto fosse votado no plenário. (...)

Leia a integra do artigo Derrotas de direção atual abrem disputa no PT
no jornal Folha de São Paulo (para assinantes)

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Informe JB: Para Dirceu, PT está sem bandeira

Informe JB

Sérgio Pardellas

No que depender do ex-ministro José Dirceu, um novo Partido dos Trabalhadores emergirá das urnas este ano. Apesar de defender a reeleição do atual presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), provável candidato do antigo Campo Majoritário, corrente desgastada pelos escândalos que envolveram seus principais dirigentes nos últimos anos, Dirceu recita o discurso da renovação.

- O partido está completamente sem bandeira - reconheceu o ex-ministro durante evento de lançamento do seu novo site na internet, semana passada, em Brasília.

Para Dirceu, o PT precisa resgatar o elo com a juventude, aproximar-se da classe média e voltar a empunhar as bandeiras das reformas política e tributária, e da democratização da mídia. Na seara política, o petista promete trabalhar nos bastidores para aproximar o partido do PSB e PCdoB, embora considere a tarefa espinhosa. Em sua avaliação, as eleições municipais de 2008 serão o grande teste da coalizão governista.

- Apesar de a coalizão aprovar tudo no Congresso, não há um programa comum. Faltam regras claras - disse.

Mesmo sem o acerto de contas prometido pelo Campo Majoritário, destinado a punir de maneira exemplar os responsáveis pela grave crise ética e moral em que mergulhou o partido, Dirceu acredita que a tendência petista, depois de ganhar fôlego na correlação de forças internas, terá condições políticas para empreender as mudanças necessárias ao PT.

Berzoini, segundo Dirceu, é favorito porque o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, "não tem saúde, nem voto" para vencer; o ex-presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, carece de apoio; e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, "nem pensa em deixar o governo".

O quebra-cabeça petista

Thomas Traumann

Os resultados das prévias estaduais para o congresso que o PT organiza na virada do mês prenunciam várias mudanças no partido. Eis algumas previsões:

* O mandato do presidente do PT, Ricardo Berzoini, será encurtado. A nova eleição deverá ocorrer em dezembro. Berzoini é candidato, mas pode ser substituído por um nome de consenso, como o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel;

* a surpresa das eleições internas é a musculatura das duas tendências ligadas à ministra Marta Suplicy. Junto com a ala de Arlindo Chinaglia, elas serão o fiel da balança na disputa de poder no PT;

* está em curso a criação de uma nova maioria petista, juntando os lulistas mais fiéis como Luiz Dulci, governadores como Jaques Wagner, Antonio Palocci e os grupos de Marta Suplicy e Chinaglia;

* autoproclamado refundador do partido, o ministro Tarso Genro será isolado na nova composição petista.

Janela Indiscreta, coluna da revista Época (para assinantes).