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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Apesar do otimismo, presidente mostra preocupação com alta dos alimentos

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante entrevista a emissoras de rádio, que o Banco Central (BC) vai continuar perseguindo o cumprimento da meta de inflação (4,5% neste e nos próximos dois anos), pois o governo não está disposto a abrir mão do controle sobre a variação dos preços. Neste contexto, Lula avaliou que a redução do corte da taxa básica de juros Selic, de 0,5 ponto percentual para 0,25 ponto, faz parte desse objetivo.

O presidente afirmou que o mercado interno é extremamente importante e é a “mola propulsora” da sustentabilidade do modelo econômico em vigor e do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Mas demonstrou preocupação com a alta de preços no setor de alimentos, principal responsável pelo aumento da inflação. A elevação do índice também guarda relação com o aquecimento da atividade econômica e o aumento da renda.

— Não iremos permitir que a inflação volte, porque na hora em que ela voltar, o prejuízo é direto no bolso das pessoas que vivem de salário e das pessoas mais pobres. — Quando atinge dois dígitos, ninguém segura mais. Nós não iremos permitir que a inflação saia da meta — afirmou o presidente, que alertou os especuladores para que “tirem o cavalo da chuva, porque a inflação não vai voltar”.

A escalada dos preços, no entanto, não será contida com medidas de estímulo à compra de produtos no exterior. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, adiantou ontem ao GLOBO que não será reduzida a alíquota para importação de trigo, produto que está em alta, puxando uma série de outros itens, como pães e massas.

Mantega informou que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) já concluiu os estudos e apontou que a medida não reduziria os preços no mercado doméstico.

A solicitação de mudança na taxa, hoje de 10%, foi feita pela associação que representa os produtores brasileiros, a Abitrigo.

Isso porque a Argentina, principal fornecedor brasileiro, limitou as exportações do grão por enfrentar problemas de abastecimento doméstico.

— Já tenho relatório, e ele mostra que não adianta baixar a alíquota pois não vai baixar o preço — afirmou o ministro.

Fazenda monitora preços para evitar alta do índice Mantega explicou que a segunda opção de mercado para o Brasil seriam os Estados Unidos.

Porém, devido ao custo de transporte — 25% do preço de cada tonelada do trigo — não haveria qualquer tipo de compensação. Além disso, pesa o fato de a cotação do grão — uma commodity — ter subido no mundo inteiro.

Para os demais produtos que pressionam a inflação — lácteos e carnes — Mantega afirmou que também não cogita diminuir as tarifas de importação neste momento, pois não existe chance de efeito prático sobre os preços internos. No caso das carnes, porque o Brasil é o maior produtor e exportador do mundo. No caso dos lácteos, porque também houve aumento no exterior.

— Mas se houver algum setor com uma alta de preço, e a redução da alíquota de importação contribuir para baixar (o preço), não titubearemos em fazer — afirmou, incluindo cimento e aço entre os itens que também estão sendo monitorados pela Secretaria de Acompanhamento Econômico. O Globo (para assinantes)

Para IBGE, repique da inflação não deve se generalizar pelos setores da economia

Valor Online

RIO - Com elevação acumulada de 4,18% em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se aproxima do centro da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional para 2007. Para os responsáveis pelo cálculo do indicador, porém, o ganho de força da inflação em agosto ainda não mostra risco de uma alta generalizada de preços para diferentes setores da economia.

Eulina Nunes, coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não acredita em risco de que a tendência de alta de preços se espalhe, o que poderia tornar mais conservador o comportamento do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que ontem decidiu, por unanimidade, reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros da economia brasileira, para 11,25% ao ano.

Este ano, tanto em setembro quanto em outubro, haverá o benefício de taxas menores, até negativas, no caso do telefone fixo, tendo em vista a conversão de pulso para minutos. Por outro lado, há a incógnita dos alimentos, que podem continuar a crescer. Mas olhando no geral, podemos dizer que essa inflação é muito concentrada nos alimentos, afirmou Eulina. Em outros itens, o que se observa é até uma certa ajuda no sentido de conter a inflação, como no caso dos preços administrados, que em outros anos pressionavam a inflação e este ano tendem a beneficiar.

(Rafael Rosas | Valor Online)

Recaída

Celso Ming para O Estado de São Paulo (para assinantes)

O assunto do dia não é o novo corte dos juros, mas a recaída inflacionária.

Ainda é preciso observar melhor esse movimento para identificar a natureza da estocada. Mas dá para dizer que os indícios são de que a forte procura por bens e serviços está permitindo que a inflação de demanda ponha a cabeça para fora da toca.

Os economistas identificam dois tipos de inflação. O primeiro é o de custos. Simplificadamente, é a alta de preços que decorre de fatos sazonais ou fortuitos. É geada que estraga a produção de verduras; um furacão, como o Katrina, de 2005, que desorganiza a produção de petróleo numa região importante; a seca que quebra a safra. Essa inflação não tem a ver com o volume de dinheiro da economia e, portanto, não pode ser rebatida com alta dos juros. Ocorre por elevação dos custos ou queda da oferta.

O outro tipo é a inflação de demanda. Aparece quando o poder aquisitivo do consumidor aumenta mais do que a oferta de bens e serviços. Agora, por exemplo, a massa salarial está se expandindo mais do que o PIB. Pelas contas do Dieese, vem crescendo a 7,6% ao ano. Em parte, isso é efeito do aumento de 8,6% do salário mínimo deste ano (de R$ 380). O crédito para pessoas físicas está se expandindo a 25%. E os juros, em queda desde setembro de 2005, despejam cada vez mais dinheiro na economia. A expansão do consumo está perto dos 10%. A indústria de veículos festeja vendas 27,4% maiores neste ano.

Um sinal de alerta saiu dia 5, com a divulgação de um avanço surpreendente do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) em agosto, de 1,39%. Este não é o termômetro oficial de inflação. Sua metodologia dá peso enorme (60%) para a evolução dos preços no atacado. Mas é aí que está o ferrão. Na ponta atacadista, em 30 dias os preços saltaram 1,96%, uma enormidade diante do 0,37% de julho.

O IPCA, este sim o índice levado em conta pela política de juros, avançou menos: 0,47%. Mas esse número aponta para dois fatos inquietantes. O primeiro é o de que, ainda que mais baixo do que o do avanço do IGP-DI, é o dobro do visto em julho (0,24%). O risco é o de que essa alta seja repassada para o custo de vida, com base na regra de que o atacado de hoje é o varejo de amanhã.

Quando se fala da ameaça de inflação, os de sempre logo disparam: “Por que essa obsessão com uma esticadinha dos preços, especialmente quando a inflação está no seu ponto mais baixo em mais de 50 anos? Deixe que os mortos enterrem seus mortos...”

Aí tem duas coisas. A primeira é que é mais fácil matar a cobra no ovo do que no capinzal. Segunda, o governo Lula já entendeu qual é o preço de uma escapada da inflação e a recompensa eleitoral por evitá-la. Ele não vai deixar que, no ano que vem, quando serão escolhidos perto de 6 mil prefeitos, a inflação corroa o poder aquisitivo do eleitor. E isso pode implicar juros caindo mais devagar. Ou deixando de cair.

Tomara que também aqui o pessoal da Associação dos Alcoólicos Anônimos tenha razão. Dizem eles que as recaídas são parte do processo de recuperação.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Governo brasileiro age para evitar aumento da inflação

Brasil não pode dar subsídio aos produtores argentinos e manter um desabastecimento que provoca aumento de preços na farinha e seus derivados.

No caso do leite e da carne o mesmo motivo recebe a mesma resposta do governo brasileiro, só que neste caso favorecendo Argentina e penalizando os produtores brasileiros.

Agindo assim o governo federal mostra que não permitirá nenhum surto inflacionário e manterá a meta de inflação baixa, fixada pelo Presidente da República e monitorada pelo Banco Central.

A inflação e a carestia prejudicam em primeiro lugar os trabalhadores brasileiros.

Os produtores, argentinos em um caso e brasileiros no outro, não podem impor aumento nos preços na base da forte demanda e baixa oferta. Devem, isso sim, ampliar a produção e compensar no crescimento da venda as margens de lucro.

Luis Favre



Jornal Clarín de Argentina
Brasil libera las compras de trigo y daña a la Argentina


Perjudica al país por un monto de más de 1.000 millones de dólares al año.
Intercambio comercial Argentina-Brasil



Eleonora Gosman SAN PABLO. CORERSPONSAL
egosman@clarin.com

Brasil va a liberar la importación de trigo de países de afuera del Mercosur. El ministro de Hacienda, Guido Mantega, informó que ya envió una resolución a la Cámara de Comercio Exterior de Brasil (organismo oficial que depende de la presidencia brasileña) para bajar a cero el arancel que grava las importaciones del cereal desde terceros mercados. La medida tiene como principal damnificada a la Argentina que abastece 40% del total del mercado brasileño, lo que le representa un ingreso anual de más de 1.000 millones de dólares.

El equipo económico brasileño considera que al igual que el trigo, también deberá flexibilizar las importaciones de leche y de carne. En estos dos casos, las ventas argentinas son relativamente bajas, del orden de los 100 millones de dólares anuales. Ocurre que en el sector lácteo existe un acuerdo de auto-restricción de exportaciones que Brasil consiguió imponer a sus socios argentinos y uruguayos, principales productores de ese bien dentro del Mercosur. En estos dos rubros, el principal perjudicado será el productor brasileño y los principales beneficiados serán los argentinos y uruguayos que podrán vender con más libertad en el mercado vecino.

Al anular el arancel externo del trigo, que hoy está fijado en 10%, los productores de harina de Brasil podrán importar desde Canadá y Estados Unidos. En realidad, lo que está de por medio es un problema de precios: al abrir las importaciones del cereal desde mercados que subsidian, como el canadiense y el norteamericano, se obliga a los productores argentinos a ponerse en línea con los valores más bajos.

El argumento que esbozaron los privados brasileños es que Argentina suspendió desde marzo envíos de trigo. Eso los habría obligado a comprar a canadienses y norteamericanos a un precio como mínimo tan caro como el argentino. Lo que quieren precisamente es nivelar para abajo deduciendo de las importaciones desde América del Norte el 10% del arancel. El secretario de Comercio Exterior brasileño, Armando Meziat, declaró que "hubo un desequilibrio entre la oferta y la demanda de trigo en el mundo y eso llevó los precios para arriba". El total del consumo brasileño de trigo llegó el año pasado a 10 millones de toneladas anuales; de esa cifra, 4 millones fueron vendidos por los argentinos.

Otros de los argumentos oficiales que explicarían la decisión de bajar a cero los aranceles de alimentos (además de trigo, leche y carnes hay otros tres en vista) es que en Brasil hay un proceso inflacionario.

Clarín intentó ayer recabar informaciones en medios diplomáticos argentinos, pero no obtuvo respuesta. Esta corresponsal no tuvo respuesta. La medida, en sí misma, es violatoria del tratado fundamental del Mercosur que establece la obligación para todos los socios de cumplir estrictamente con el Arancel Externo Común, que es lo que hace del bloque una unión aduanera.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

ARGENTINA NO OLHO DO FURACÃO:La inflación afecta más a los pobres que a los ricos, según el Gobierno Argentino

Ismael Bermúdez
ibermudez@clarin.com


En el primer semestre, la inflación afectó más a los pobres que a los ricos. Así se desprende de una primera lectura de un informe que publicó ayer el INDEC. Sin embargo, la sospecha de manipulación que pesa sobre los índices oficiales de precios relativizó las conclusiones de ese trabajo.

Según los datos oficiales del primer semestre de 2007, en Capital y GBA la inflación promedio fue del 3,9%. Pero para el 20% de las familias más ricas, la suba de los precios habría sido de apenas el 3,3%. En cambio, para el 20% de hogares más pobres fue de 4,2%. Y para el resto de la pirámide rondó entre el 4,1 y el 4,4 por ciento.

La duda sobre la veracidad de los índices provocó dos efectos. Uno deseado por el Gobierno: que la estadística sea más baja que la inflación real. Y otro seguramente no deseado: que la suba de los precios perjudique más a los sectores medios y pobres que a los ricos.

La inflación más baja que la real se logró por el manejo de casi todos los rubros que componen el índice de precios. Se estima que la diferencia entre una y otra rondaría los 7 puntos: en lugar del 3,9%, la inflación real del primer semestre sería del 10,9%.

Con esta estadística retocada, se produjo otra distorsión. Las familias más ricas -que destinan una proporción mayor de sus ingresos al Esparcimiento y a la medicina privada- se beneficiaron con una "deflación" de 4,3%. Esta supuesta baja de precios no pudieron aprovecharla los más pobres, que en ese rubro sufrieron un alza del 3,7%.

Y por el supuesto congelamiento de las cuotas de las prepagas, los gastos en salud de los hogares más ricos subieron 3,4%, pero para los más pobres un 4,5%.

El año pasado, antes del manipuleo estadístico, pasó lo contrario: la inflación promedio fue del 9,8%. Y entre los más pobres alcanzó al 7,5% y entre los más ricos al 11,2%. Algo similar sucedió en los años 2005, 2004 y 2003. En cambio, durante 2002, la suba de los precios golpeó más a los sectores pobres.

Esto se explica porque, por la devaluación, hubo una explosión de los precios de los alimentos e indumentaria, mientras que los servicios quedaron rezagados por la falta de demanda y el congelamiento de las tarifas.

Una vez que la economía empezó a normalizarse, los precios de muchos servicios comenzaron a recuperar posiciones, afectando más a los sectores medios y altos.

Aunque es difícil saber qué hubiera pasado sin el manipuleo de los precios, los analistas consideran que las conclusiones serían muy diferentes:

«+ La inflación fue más alta y afectó más a toda la población.

«+ Los precios de los alimentos básicos subieron más que el promedio, perjudicando más a las franjas de la población indigente y pobre.

«+ Los precios de los servicios también fueron mayores e impactaron en las franjas más altas.