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segunda-feira, 11 de junho de 2007

domingo, 10 de junho de 2007

O controle perdido

JANIO DE FREITAS

A origem do descontrole e seus frutos não está na Polícia Federal. Está em decisões do próprio Lula

O PINGA-PINGA de informações que associam o nome de Lula ao irmão e ao compadre alcançados pela Operação Navalha, tão parecido com as intrigas políticas que se valem da imprensa, é a amostra, para uso externo, da perda de controle que atinge a Polícia Federal na sua primeira era de eficiência e prestígio.

Tudo o que a liberação dosada pela PF proporcionou até agora - quase a mesma coisa com mudança irrelevantes - já era do seu conhecimento antes da divulgação inicial das gravações comprometedoras. Mas a origem do descontrole e seus frutos não está na PF. Está em decisões e autorizações do próprio Lula.

Só agora, passados três meses desde a confirmação de sua escolha para ministro da Justiça, Tarso Genro afirma, para todos os efeitos, a efetivação do delegado Paulo Lacerda no trabalho extraordinário que fez na PF, com o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos. A politicagem típica do serviço público teve muito tempo para voltar ao predomínio na PF, com disputas não só pela direção geral. A PF, nesse sentido, voltou ao seu passado. E mesmo para o experiente Paulo Lacerda a recomposição da obra prejudicada tende a ser mais problemática do que foi criá-la.
Tanto mais que Tarso Genro já cometeu a imprudência de informar que, no final do ano, Paulo Lacerda reexaminará sua permanência. Está dada, pois, a indicação para a continuidade das disputas perturbadoras.

O antecedente desses erros é outro erro. Lula armou-se de dois articuladores políticos e não tem nenhum. Tarso Genro, na Justiça, continua fazendo tanta política partidária e governista quanto antes, quando foi articulador oficial sem êxito perceptível. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Xeque-mate

JANIO DE FREITAS

O dever da PF é expor os motivos reais que levaram o irmão de Lula a se tornar objeto de ação policial

FALHAS muito mais graves do que o sensacionalismo comum às operações da Polícia Federal, e ao seu uso pela imprensa, comprometem esta Operação Xeque-Mate que toma o presidente da República e um irmão como os seus personagens centrais. O comprometimento decorrente das falhas, por sua vez, tem como personagem principal o ministro da Justiça, Tarso Genro.

A ocasião escolhida para a operação foi, tudo indica, de impropriedade rara no gênero. Até agora, nada sugere que a operação não pudesse ocorrer dias e mesmo semanas antes ou, melhor ainda, aguardar alguns dias. Desfechá-la com o presidente da República em visita oficial ao exterior atinge, muito mais do que a pessoa de Lula associada ao irmão, a respeitabilidade externa do Brasil e de suas instituições. O ministro não podia estar desatento a esse problema.

Essa impropriedade insanável agrava-se com a estranha omissão de explicações para o envolvimento de um irmão do presidente em viagem. A captação de um telefonema entre Genival Inácio da Silva e algum dos apontados de ilegalidades, para marcarem um encontro que não se soube se efetivado ou não, nem para quê, foi toda a pretensa justificativa policial para inclui-lo no escândalo. Da "busca e apreensão" feita em sua casa, tudo o que saiu foram três ou quatro folhas de papel com pedidos de emprego, um deles dirigido a um senador que disso nunca teve notícia.

Falar ao telefone com um amigo ou conhecido sem saber de seus envolvimentos irregulares pode acontecer a qualquer um, e não é, por si só, comprometedor em nenhum sentido. A inclusão pública de Genival Inácio da Silva no escândalo exigia algo além de um telefonema que, afinal de contas, ficou parecendo menos utilizado para ligar dois amigos do que, depois, para conectar o presidente da República a uma situação embaraçosa. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)