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sábado, 19 de maio de 2007

USP: A ocupação e a solidariedade


Neste sábado, os estudantes enviaram comunicado à imprensa com um abaixo-assinado com o nome de 130 professores, a maioria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

Segundo o documento, os docentes dizem apoiar todas as ações que são contrárias aos decretos do governador José Serra (PSDB), que, segundo eles, ferem a autonomia universitária. Os professores pedem, de acordo com o texto, a reabertura das negociações e dizem refutar qualquer ação violenta de desocupação do prédio.

Cerca de 200 estudantes se revezam na reitoria. O movimento foi reforçado na quarta-feira (16) pela greve de alunos e dos funcionários da universidade. O sindicato dos professores (Adusp) tem uma paralisação marcada para a quarta-feira (23) e decidirá se adere ou não à greve.

Mesmo após uma determinação judicial para desocupação do prédio, os alunos se recusaram a deixar o local.

Os estudantes mantêm a posição de só sair após o avanço de reivindicações que dizem respeito à melhoria e à construção de mais moradias nos campi, à contratação de professores e funcionários e ao que chamaram de “um posicionamento mais claro” da reitoria sobre cinco decretos assinados pelo governador José Serra no início deste ano, que segundo eles, ferem a autonomia das universidades. Leia mais aqui no G1 Portal da Globo

Intervenção da PM ‘mata’ a universidade, diz professora

Professores da Universidade de São Paulo (USP ) condenam a intervenção da Polícia Militar nas negociações entre a reitora Suely Vilela e os estudantes que ocupam o prédio da reitoria desde o dia 3 de maio.

“A hora que a universidade precisar da força de repressão é porque perdeu seu lugar de crítica, de negociação, de aceitação das idéias, de desenvolvimento de conhecimento e da ciência. Isso mata a universidade”, afirma a professora Zilda Iokoi, do Laboratório de Estudos da Intolerância (LEI) da USP.

“A universidade tem autonomia e não precisa da força de repressão do estado. Todas as vezes que a polícia entrou no campus foram no tempo da ditadura militar, e não queremos esse retorno”, completa a professora. Ela afirma que as normas de convencimento e de violência da polícia militar não pertencem ao universo de uma instituição de ensino.

Preocupados com a possibilidade da entrada da tropa de choque na USP, um grupo de docentes chamados pela professora Zilda formou uma comissão para acompanhar as negociações entre os alunos e a reitoria e evitar atos violentos. Logo na primeira reunião, nesta sexta-feira (18), a comissão mediadora conseguiu fazer as negociações avançarem para que estudantes e representantes da reitoria entrem em acordo.

Autonomia

A autonomia universitária, ponto central dos debates do protesto de ocupação da reitoria, é fundamental para a livre pesquisa. Segundo o professor Leonel Itaussu Almeida Mello, do Departamento de Ciência Política da USP, a origem da instituição universitária está ligada à sua independência de gestão. “A universidade surgiu na baixa Idade Média e, desde aquela época, a liberdade de pensamento era garantida pela não intervenção das autoridades exteriores. Isso ocorria, por exemplo, nas universidades de Bologna, Cambridge e Oxford”, diz Mello. Por isso, de acordo com o professor, os conflitos têm de ser resolvidos pela comunidade, envolvendo estudantes, professores e alunos. Nós [da universidade] nos autogerimos e prestamos contas à sociedade.” “Muita gente acha que o governo estadual restringe o que é mais precioso”, diz Mello, estas divergências ocasionaram os conflitos que culminaram com a ocupação da reitoria e com a ameaça da violência policial. Leia mais aqui no G1 portal da Globo

Serra quer os R$ 5,5 bi dos reitores

Paulo Henrique Amorim para Conversa Afiada

. O primeiro ato do presidente eleito José Serra, ao assumir, provisoriamente, o Governo de São Paulo, foi passar a pá em todas as verbas à vista e reuni-las sob seu arbítrio pessoal, exclusivo.
. Como o presidente eleito conta com o apoio irrestrito da mídia conservadora (e golpista), especialmente a de São Paulo, ele achou que ninguém ia perceber que tinha tirado a autonomia das universidades estaduais.
. Como ?
. Com dois mecanismos que tinham a sutileza de um elefante:
. 1º. – nomear um Secretario do Ensino Superior, que passaria a mandar no Conselho de Reitores.
. 2º. – não deixar os reitores mexerem nas verbas, cuja fatia mais grossa provém de 9,57% da arrecadação de ICMS.
. Como Serra não se formou nem em engenharia nem em economia na USP, para ele tanto faz que a universidade paulista tenha ou não autonomia.
. Qual é a estratégia de médio prazo do presidente eleito ?
. Tomar conta do dinheiro das universidades – e ele já começou a espalhar na imprensa (?) que são universidades ineptas – e colocar num mesmo bolo central, que ele possa usar para a campanha da posse na Presidência em 2010. Leia mais aqui

Serra: teses de alunos da USP têm base em 'miragens e mentiras'

Estudante mostra a camiseta mais popular da ocupação da USP (Foto: Simone Harnik/G1)

do portal da Globo G1

O governador de São Paulo, José Serra, criticou neste sábado (19) à ocupação feita pelos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), no campus do Butantã, Zona Oeste da capital.

De acordo com o governador, os alunos realizam um “protesto sem causa” no que diz respeito à questão da autonomia da gestão financeira da instituição.

Serra criticou ainda a forma como o protesto está sendo realizado, e lembrou seus tempos de líder estudantil. “Fazíamos agitação. Estávamos baseados em posições políticas, em teses que podiam ser discutíveis, mas eram verdadeiras. Não estavam baseadas em miragens e mentiras”, disse Serra, que presidiu a União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1963.
As declarações do governador foram feitas em um hospital da Zona Leste, durante abertura do mutirão de mamografia na rede estadual. Serra atacou os estudantes novamente, ao afirmar que eles estão adotando “métodos violentos”.

Desde o dia 3 de maio, centenas de alunos ocupam o andar térreo da reitoria da USP. Eles reivindicam melhores condições de moradia na universidade e criticam decretos que o governador teria publicado e que acabariam com a autonomia da gestão financeira da instituição.

Serra negou a falta de autonomia e defendeu maior transparência no uso da verba. “Queremos transparência nos gastos da universidade. São recursos públicos, dos contribuintes”, disse.


Desocupação

O governador também comentou a possibilidade de a Polícia Militar invadir a reitoria e obrigar a saída dos alunos, que receberam da Justiça na quarta-feira (16) um mandado de reintegração de posse. Serra disse esperar por um desfecho pacífico. “Foi ocupado um prédio público com violência. A Polícia Militar, para evitar qualquer problema, está esperando uma saída negociada”, afirmou. Segundo ele, o governo do estado não poderia ser responsabilizado caso houvesse a invasão, pois essa foi uma determinação judicial.

Os estudantes farão uma plenária no fim da tarde deste sábado para decidir se vão participar de uma reunião com a PM e representantes da reitoria sobre uma desocupação pacífica do prédio.