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sábado, 9 de junho de 2007

O desacordo do clima

Ricos querem que emergentes reduzam emissões para não perder na disputa econômica


Deborah Berlinck e Graça Magalhães-Ruether
Enviadas especiais •

HEILIGENDAMM O debate sobre a mudança no clima do planeta não apenas dominou a cúpula do G-8 (o clube dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia) como confirmou um racha crescente entre ricos e emergentes, como o Brasil, na questão. Pressionadas pelos Estados Unidos e pela Europa a se comprometerem a reduzir emissões dos gases que estão causando o aquecimento global, nações em desenvolvimento como China, Índia e Brasil fincaram o pé: cabe aos ricos, que mais poluíram, arcar com a maior parte da conta.

Como baixar emissões implica mudar um modelo econômico poluidor, o debate do clima virou, essencialmente, uma disputa econômica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem aos líderes dos países ricos que o Brasil não vai aceitar nenhum compromisso que iniba seu crescimento econômico: — Fica bastante visível que os países mais pobres e os em desenvolvimento têm muito a ver com essa discussão (sobre mudanças climáticas), para evitar que a discussão sobre a questão climática seja um instrumento de inibição de crescimento dos países pobres e em desenvolvimento.

Mas o argumento não convenceu o G-8, como demonstrou a chanceler alemã Angela Merkel, atual presidente do G-8, ao dizer: — Os países do G-5 (Brasil, China, Índia, África do Sul e México) disseram que não querem reduzir o crescimento. Mas a questão é se não é possível um acoplamento do crescimento econômico com redução de CO2 (gás carbônico) através de maior eficiência de energia — disse.

Lula reclama de contradições

Também o novo presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi direto ao ponto: — Se os chineses e os indianos emitirem a mesma quantidade de gases de efeito estufa que os americanos, considerando o número de indianos e chineses, vocês verão a catástrofe que isso vai provocar.

Lula reconheceu como uma “conquista importante” o fato de que todos concordam que mudanças climáticas são um problema que precisa ser combatido “com certa urgência”.

Foi u ma alusão à resistência do governo de George W.

Bush, que passou anos ignorando o problema e rejeitando negociações internacionais sobre o tema, mas anunciou uma semana antes da cúpula do G-8 uma nova iniciativa para controlar o aquecimento global.

Mas Lula não escondeu o racha quando frisou que há “contradições” entre o documento conjunto do G-5 e da presidência alemã, e outro documento que foi apresentado como declaração do G-8. Lula falou disso na reunião, ontem, dos países emergentes com o G-8, da qual o presidente americano não participou por estar com distúrbio gastrointestinal.

— Fiz questão de começar a reunião (ontem, do G-8 com o G-5) dizendo que tinha coisas no documento do G-8 que não tinham sido discutidos por ninguém.

Portanto, não poderíamos concordar — disse Lula.

Foi o item 53 da declaração do G-8 que irritou o G-5 e o Brasil, em particular, e gerou uma verdadeira batalha diplomática nos bastidores. O texto usa expressões como “principais economias emissoras (de gases)”, que não existem na Convenção de Mudanças Climáticas, acordo assinado no Rio em 1992, considerado o grande marco na questão. Ao usar a expressão “principais economias emissoras”, o G-8 estaria incluindo entre os poluidores países como Índia e China ou Brasil. Na Convenção, bem como no Protocolo de Kioto, que estabelece metas de redução das emissões de gases, fica claro que são os países ricos os principais responsáveis pelas emissões.

A Europa, que tem um discurso favorável ao combate da mudança climática, aumentou suas emissões entre 2005 e 2006. Os europeus e os americanos temem que, ao fazerem ajustes sozinhos, vão perder em competitividade para países como China.

Para o governo brasileiro, a posição é clara: assim como os ricos tiveram a oportunidade de crescer e se desenvolver livremente no passado, os emergentes querem o mesmo direito. E, se ajustes são necessários no modelo, que ele seja feito primeiro pelos ricos. Leia mais no O Globo (para assinantes)

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Discurso muda, mas posição não

Sobre aquecimento global a nova postura de George Bush analisada pelo editor de ciência da Folha de São Paulo

CLAUDIO ANGELO

Quem acredita em George Walker Bush? Como o pastor que grita "lobo!" na fábula de Esopo, o presidente dos EUA passou tanto tempo dizendo que metas de redução de gás carbônico eram "prejudiciais à economia" que fica difícil engolir sua aparente mudança de posição.

Ela vem, aliás, em lugar e hora no mínimo curiosos: o discurso climático foi colado, como se às pressas, no pé de um pronunciamento sobre outro assunto. E é proferido dois dias depois que Nancy Pelosi, a democrata presidente da Câmara, deu a mão à chanceler alemã Angela Merkel e disse que um eventual governo democrata aceitará um acordo multilateral contra o aquecimento. Pelosi é o principal símbolo da derrota republicana nas eleições legislativas de 2006.

Sozinho externa e internamente, Bush não conseguiu mais sustentar a retórica da negação climática. Mas sua posição continua a mesma. O discurso de ontem é propositalmente vago, contraditório e inclui um oximoro ("carvão limpo") entre as soluções do problema ambiental.

Na verdade, a "proposta" americana se limita a chamar uma reunião para discutir metas (reinventando a roda, já que tanto o Painel do Clima quanto a Convenção do Clima da ONU têm esse objetivo) e acordá-las só em 2008. Leia mais aqui (para assinantes)

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Un G8 sous tension

Editorial do jornal francês Le Monde

La réunion ministérielle, mercredi 30 mai à Postdam, en préparation du sommet du G8 d'Heiligendamm, du 6 au 8 juin, sous présidence allemande, n'a fait que confirmer les tensions qui parcourent cette enceinte des grandes puissances industrialisées.

Deux dossiers importants font l'objet de graves désaccords : celui de la lutte contre le réchauffement climatique, qui met aux prises les Etats-Unis et la chancelière allemande, Angela Merkel, qui en a fait l'une de ses priorités ; et celui du statut du Kosovo, la province albanophone que les Occidentaux voudraient faire accéder à un statut d'"indépendance surveillée", sans avoir réussi à emporter l'assentiment de la Russie. Moscou brandit la menace d'un veto au Conseil de sécurité de l'ONU.

Sur le Kosovo, une discussion tendue a opposé, à Potsdam, le ministre russe des affaires étrangères, Serguei Lavrov, et ses homologues américain et européens. Le représentant russe a jugé que les positions étaient "diamétralement opposées", arguant que toute modification des frontières serait lourde de déstabilisation dans les Balkans, avec des conséquences possibles dans le Caucase.

La Russie a déployé ces derniers mois une rhétorique particulièrement offensive, face aux Etats-Unis, au sujet du bouclier antimissile en Europe, et ses relations avec les Européens se sont détériorées, notamment à l'occasion d'une dispute sur le déplacement d'un monument soviétique en Estonie. En comparaison avec le G8 de Saint-Pétersbourg en 2006, celui de Heiligendamm s'annonce comme une réunion à haute tension. Leia mais aqui

Bush Urges Emissions Goal for Greenhouse Gases


WASHINGTON (AP) -- President Bush, seeking to blunt international criticism of the U.S. record on climate change, on Thursday urged 15 major nations to agree by the end of next year on a global emissions goal for reducing greenhouse gases.


Bush called for the first in a series of meetings to begin this fall, bringing together countries identified as major emitters of greenhouse gases blamed for global warming. The list would include the United States, China, India and major European countries.
The president outlined his proposal in a speech ahead of next week's summit in Germany of leading industrialized nations, where global warming is to be a major topic and Bush will be on the spot.


The United States has refused to ratify the landmark 1997 Kyoto Protocol requiring industrialized countries to reduce greenhouse gases to 1990 levels by 2012. Developing countries, including China and India, were exempted from that first round of cuts. Bush rejected the Kyoto approach, as well as the latest German proposal for what happens after 2012.


quarta-feira, 30 de maio de 2007

O MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE ADVERTE: Combate a gás da camada de ozônio poupa "um Kyoto"

DA REDAÇÃO DA FOLHA DE SÃO PAULO
O Brasil e a Argentina apresentarão na próxima semana, num encontro internacional no Quênia, uma proposta para que os países ricos financiem os pobres para acelerar a eliminação dos HCFCs (hidroclorofluorcarbonos), gases que destroem a camada de ozônio e causam o efeito estufa.A eliminação dessas substâncias em 2040 e o congelamento de sua produção em 2015 é prevista pelo Protocolo de Montreal, acordo internacional firmado em 1987 para salvar a camada de ozônio do planeta.Um cálculo do Ministério do Meio Ambiente mostra, no entanto, que é possível estabilizar as emissões em 2011, evitando 14 milhões de toneladas desses gases na atmosfera. Como os HCFCs têm um potencial de absorver calor (e esquentar a Terra) milhares de vezes maior que o do gás carbônico, o principal gás-estufa, mesmo uma economia modesta de suas emissões teria um impacto grande no clima.Segundo Ruy de Góes, da Secretaria de Mudanças Climáticas do ministério, a proposta significaria deixar de emitir 5,5 bilhões de toneladas equivalentes de gás carbônico, ou a meta do acordo de Kyoto. Isso será usado para convencer nações como os EUA a engordar um fundo que banca a eliminação desses gases no Terceiro Mundo. "A proposta tem duplo benefício", afirma.

CLIMA: Pelosi e Merkel pedem acordo "multilateral"

DA REUTERS
A presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, sinalizou ontem que o país deverá integrar algum acordo global para combater a mudança climática caso os republicanos percam as eleições presidenciais. A declaração foi dada após um encontro com a chanceler alemã Angela Merkel, em Hamburgo, para debater o assunto."Me associo completamente aos comentários da chanceler de que a solução tem de ser multilateral", disse a deputada democrata. Merkel havia dito que "acordos multilaterais no futuro" terão de ser feitos para salvar o clima.