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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Correio Braziliense fala de turismo

Brasil no circuito

Os grandes eventos esportivos como o Pan-Americano e a possibilidade de sediar competições mundiais, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, impulsionam a cadeia produtiva do turismo no Brasil. De acordo com o ranking da ICCA (International Congress e Convention Association), a mais importante entidade internacional do segmento de eventos, o país saltou da 19ª posição (2003) para a 7ª posição (2006) entre os destinos que mais recebem eventos no mundo, mantendo — se líder na América Latina e segundo lugar nas Américas. A Infra-estrutura moderna, aumento da oferta hoteleira, diversidade gastronômica, múltiplas opções de entretenimento e compras são alguns dos fatores que fazem com que o Brasil ganhe papel de destaque como destino de eventos. De acordo com a Federação Brasileira de Convention e Visitor Bureaux, 1.514 eventos foram realizados no país em 2006.


Parintins lança guia

A terra do Bumba-meu-boi entra na luta contra exploração sexual de crianças e adolescentes. Mais de 100 mil pessoas no festival folclórico de Parintins (AM) presenciaram o lançamento da campanha Turismo Sustentável e Infância (TSI), do Ministério do Turismo. A cidade receberá milhares de cartazes, adesivos, camisetas da campanha e palestras de conscientização. Durante as festividades da tradicional festa folclórica da cidade amazonense, houve também o lançamento do primeiro guia turístico de Parintins.

sábado, 30 de junho de 2007

O outro boi merece respeito


O que mais chama a atenção no Festival folclórico de Parintins é o respeito silencioso que acolhe a apresentação do adversário. Enquanto os vermelhos do Garantido atingem o delírio perante o ritmo da batucada,o visual das alegorias e o contagiante espetáculo do “próprio boi”; a numerosa torcida azul do Caprichoso assiste, aprecia e aguarda sua vez.

O “Eldorado é aqui” do Caprichoso fez seu ingresso com exuberância e profissionalismo sem nada a dever aos “Guardiões da Amazônia” que o precedeu na areia. Foi a vez dos mais de 15 mil torcedores vermelhos ficarem silenciosos homenageando o adversário. Uma lição de democracia que deveria impregnar o mundo político e muitas outras atividades humanas.











O “confronto”dura três dias e a cidade é virtualmente tomada por milhares de turistas e parintinenses, divididos igualmente entre azuis e vermelhos. A festa do boi bumbá, maravilhoso resgate do folclore com influências maranhenses e do sincretismo do Amazonas, constitui um manifesto cultural extraordinário sobre a preservação da floresta, sobre os problemas da relação da civilização e a natureza. Ao mesmo tempo uma fonte de emprego e renda que aprimora-se a cada ano. Em particular, após a presença do presidente Lula em 2003, onde pela primeira vez um presidente se fez presente no festival, que está hoje na sua 42° edição.

A festa constitui um momento de reafirmação desse compromisso com a exploração ecológica da Amazônia, ou como disse Vicente de Matos, presidente do Boi Garantido, “trata-se de um alerta para que as gravíssimas conseqüências do aquecimento global e do desaparecimento das florestas em nosso planeta não passem de um pesadelo.”

Não por acaso desta vez o boi bumbá Garantido exibiu uma mistura de bicho folharal, figura lendária que aparece para punir quem fere a floresta e o seringueiro Chico Mendes (a 20 anos de seu assassinato). Junto com eles uma feérica dança de criaturas encantadas, caboclos, gladiadores da tribo dos Munduruku, e o ritual Zuruahá, ao ritmo alucinante de uma batucada esquentada pelo apoio de milhares de torcedores. Em Parintins, se nasce azul ou vermelho, Caprichoso ou Garantido. E mesmo que os vermelhos se proclamem com orgulho “o boi do povão”, tem muito azul que vem do mesmo povo tão caprichoso na sua alegria.

A grande festa, ainda em andamento, dura três dias. Domingo à noite será a grande final e com o mesmo respeito será proclamado o campeão.

Durante as festividades, o acolhimento aos turistas é acompanhado de uma intensificação das campanhas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, assim como de luta contra o HIV e demais doenças sexualmente transmissíveis. Uma infraestrutura de hotéis e pensões, assim como barcos com grande capacidade e conforto de hospedagem, permitem uma estadia gostosa. Tudo conflui para fazer de Parintins uma porta para o desenvolvimento de um turismo ecologicamente equilibrado da Amazônia e com benefícios crescentes na geração de empregos e de renda.