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sexta-feira, 29 de junho de 2007

'Se os ricos não abrirem a agricultura, não tem negócio'


Presidente Lula reafirma posição brasileira nas negociações da Rodada Doha

Leonencio Nossa e Leonardo Goy

Às vésperas de uma viagem para discutir com dirigentes europeus o impasse nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou que o Brasil não recua da posição assumida na semana passada, na Alemanha, de só falar de redução de tarifas de importação de bens industriais se os Estados Unidos e a União Européia diminuírem os subsídios da agricultura.

'Não podemos trabalhar com eles no século 21 como se trabalhou no século 20', disse ele, no lançamento do Plano Agrícola e Pecuário, no Palácio do Planalto. 'Devem compreender que os países emergentes precisam ter a oportunidade de disputar com eles', ressaltou. 'Não tem acordo.'

Foi a primeira manifestação pública de Lula desde o fracasso da reunião da OMC em Potsdam, Alemanha. Durante o encontro, Brasil e Índia não concordaram em reduzir em 50% suas tarifas de importação de bens industriais. Os Estados Unidos e os países europeus criticaram a posição dos dois emergentes de se retirar das negociações.

Lula disse que, 'no fundo', os países ricos queriam abrir o mercado de bens dos emergentes sem aceitar a abertura do mercado agrícola, setor em que as nações em desenvolvimento são mais competitivas. 'Então, não tem negócio', afirmou.

O presidente relatou que, numa conversa na sexta-feira passada por telefone, o então primeiro-ministro britânico, Tony Blair, tentou convencê-lo a aceitar os termos do acordo propostos por americanos e europeus.

'O Tony Blair me ligou ponderando que, se o Brasil não aceitasse o coeficiente que eles iam propor para a indústria, não tinha acordo', contou. 'Eu falei: então não tem acordo, porque, mais uma vez, vocês querem que os países emergentes, os países pobres, abram as suas porteiras e vocês lacrem as de vocês.'

Lula também relatou que, na conversa com Blair, disse que aceitaria viajar para qualquer lugar para discutir a retomada das negociações. A visita de Lula a Portugal, na próxima quarta-feira, inclui encontros com a chanceler alemã, Angela Merkel, o chefe de governo da Espanha, José Luiz Zapatero, e o presidente de Portugal, Cavaco Silva. 'Mas, se eles não abrirem a agricultura, não tem mais conversa', avisou. A platéia, formada por representantes do agronegócio, aplaudiu.

PRESSÃO

Lula lembrou que os Estados Unidos queriam aumentar de US$ 15 bilhões para US$ 17 bilhões o limite de subsídios aos agricultores e o Brasil queria que esse limite ficasse em US$ 12 bilhões. Ele reclamou ainda da pressão dos países ricos para que os emergentes, como Brasil e Índia, abrissem seus mercados para produtos industrializados. Leia mais no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes)


terça-feira, 26 de junho de 2007

Quem é Gordon Brown?

Por Ian Davidson*
26/06/2007

Por fim, Gordon Brown está assumindo o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido de Tony Blair, alcançando, assim, a ambição de toda a sua vida, como se por direito. Este é seu primeiro problema. Ele não foi eleito por ninguém - nem pelo Partido Trabalhista e nem pelos eleitores britânicos; simplesmente recebeu uma herança que há muito tempo imaginava ser seu direito.


Como, então, Brown adquirirá legitimidade como novo líder do Reino Unido? Uma coisa que está clara é que ele não conquistará legitimação se apenas oferecer mais daquilo que Blair tem nos servido nos últimos dez anos.


O segundo problema de Brown é reflexo do primeiro. Na condição de membro do alto escalão do governo, Brown, ao longo do seu mandato, compartilha a responsabilidade por tudo o que Blair fez. Comentaristas políticos às vezes alegam detectar diferenças importantes nas suas atitudes políticas latentes. Na prática, porém, Brown permaneceu nas sombras, habilmente gerindo a economia, mas se manteve calado e enigmático em torno de temas políticos vitais e aparentemente endossando tudo o que Blair fez.


Se Brown quiser conquistar legitimidade, precisará oferecer algo novo. Entretanto, ele só poderá fazer isso distinguindo-se do legado de Blair de formas claramente perceptíveis e, portanto, bem radicais. Esta será uma proeza difícil de executar.


Possivelmente a questão doméstica isolada mais importante que Brown enfrenta diz respeito à sua posição na balança entre o livre mercado e as exigências de política social.


O governo de Blair fez o Partido Trabalhista percorrer um longo caminho à direita das suas prioridades tradicionais de proteção aos desprivilegiados e, para justificar a mudança, ele mudou o nome do partido para "Novo Partido Trabalhista".


Sob muitos aspectos, o apoio do governo Blair às políticas de livre mercado acabou se transformando em uma mudança produtiva e perspicaz. A economia do Reino Unido cresceu mais regularmente e mais velozmente do que tem feito por várias gerações, e a receita de impostos gerada por esse crescimento permitiu ao governo canalizar dinheiro para a Educação e para o Serviço Nacional de Saúde. Mas isso foi obtido a um preço, ou melhor, vários preços.


Primeiro, a desigualdade aumentou nos dois extremos da escala de renda. Na parte de baixo, a proporção da população com renda abaixo da linha de pobreza aumentou de 13% no começo do governo Blair para 20% agora. Esta situação é muito mais grave entre minorias étnicas. Além disso, apesar dos esforços do governo, a pobreza infantil também aumentou sob Blair.


Não se sabe se Brown entende que existe diferença entre ser amigo próximo dos EUA e entrar numa guerra ilegal e desastrosa para agradar George W. Bush


No topo, as rendas dos mega-ricos dispararam, com repercussões previsíveis, especialmente no mercado imobiliário. A preocupação pública em torno desta questão foi agravada por afirmações de que os ricos enriquecem mais pagando menos impostos.


Houve uma época em que se acreditava que Brown seria um entusiasta dos valores tradicionais do Partido Trabalhista. Era verdade? É verdade agora? O que ele dirá sobre a desigualdade? Leia mais no jornal Valor (para assinantes)

*Ian Davidson é consultor e colunista do Centro de Política Européia em Bruxelas e ex-colunista do "Financial Times". Seu livro mais recente é "Voltaire in Exile" (Voltaire no Exílio). © Project Syndicate/Europe´s World, 2007. www.project-syndicate.org

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Tony Blair, un bel espoir balayé par l’Irak et l’argent


ROYAUME-UNI • Alors que le Premier ministre britannique devait annoncer cette semaine la date de son départ, l’heure est au bilan de ses dix années de pouvoir. Pour l’hebdomadaire de gauche New Statesman, il est plus que contrasté.

Tony Blair n’a pas su s’arrêter à temps : il aurait dû partir fin 2003, dès que l’absence d’armes de destruction massive en Irak a été confirmée. De nombreux dirigeants ont été obligés de se retirer pour moins que cela. Tony Blair a préféré s’accrocher. Il a survécu aux rapports Hutton* et Butler**, mais dépouillé du prestige dont il jouissait en Grande-Bretagne et dans le reste du monde.


Ces trois dernières années sont un gâchis, une démonstration de vanité politique. En mai 1997, pour marquer l’accession du New Labour au pouvoir, nous avions écrit : “Tony Blair sera sans doute le meilleur Premier ministre depuis Churchill.” Dans l’euphorie de cette victoire écrasante, tout semblait possible. La gauche radicale avait depuis longtemps intégré l’idée que gouverner consiste à maîtriser l’art du compromis, notamment dans un système électoral faussé par des électeurs indécis.

Mais l’une des choses les plus regrettables de l’ère Blair est que notre Premier ministre considère toute personne préoccupée par les libertés civiques, l’Etat de droit, la redistribution des richesses et la pauvreté au mieux comme une gêne, au pire comme un ennemi intérieur.

Leia mais aqui na revista Courrier International