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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Marta Suplicy discute Viaja Mais Trabalhador com centrais sindicais

Marta Suplicy discute Viaja Mais Trabalhador com centrais sindicais A ministra do Turismo, Marta Suplicy, reuniu-se na tarde desta sexta-feira, em São Paulo, com sindicalistas de cinco centrais brasileiras: CUT, Força Sindical, UGT, CGTB e NCST. O objetivo do encontro foi discutir propostas para fomentar viagens de trabalhadores brasileiros pelo país, e também o intercâmbio de viagens dos Estados Unidos para o Brasil, e vice-versa.

Este foi o primeiro encontro com as centrais sindicais brasileiras, e acontece já como resultado de uma conversa, nos EUA, da ministra com Stanley Gacek, representante da AFL-CIO (Federação Americana do Trabalho e Congresso das Organizações Industriais). Maior central sindical americana, a AFL-CIO também tem interesse em promover viagens de lazer entre trabalhadores.

A idéia é incentivar o turismo de lazer durante a baixa ocupação, estratégia que se soma à do Viaja Mais Melhor Idade, programa voltado às viagens para pessoas com 60 anos ou mais.

Lançado este ano, o Viaja Mais Melhor Idade obteve bons resultados em sua primeira fase: a meta era vender 7 mil pacotes, e o mercado comercializou 9 mil. “Agora que temos uma economia estabilizada, com aumento da massa salarial, está na hora de o governo, entidades de trabalhadores e empresários pensarem em suprir essa falta no Brasil, ou seja, criar a cultura de lazer para os nossos trabalhadores”, explicou a ministra aos sindicalistas.

Uma primeira sugestão desse encontro entre a ministra e as centrais sindicais brasileiras foi a utilização da infra-estrutura das colônias de férias dos sindicatos filiados, quando ociosas, na baixa ocupação. A mesma proposta de se pensar na estrutura já existente também será dirigida à central norte-americana.

Os representantes das centrais brasileiras explicaram à ministra que existem acomodações para trabalhadores de diversos segmentos econômicos – do mais simples ao mais confortável.

Em fevereiro de 2008 acontecerá a próxima reunião, quando as centrais deverão apresentar o levantamento dos leitos existentes nas colônias de férias de trabalhadores, além de propostas para incrementar o programa.

“É importante essa primeira ação de conversas com as centrais sindicais para fazermos o planejamento conjunto, ou seja, a preparação de uma proposta que venha resultar em ofertas de viagens atraentes para trabalhadores brasileiros e americanos”, explicou Marta.

“Consideramos também muito importante essa preocupação em se criar a cultura de lazer entre os trabalhadores brasileiros”, afirmou Denise Motta Dau, secretária nacional de organização da CUT. “A proposta de unir o esforço das centrais brasileiras com a norte-americana é bastante interessante e deve baratear custos”, acrescentou Marcos José Bulgarele, diretor do Sindicato dos Aposentados, ligado à Força Sindical.

Para João Pedro Apolinário, tesoureiro do Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo), o encontro com a ministra foi proveitoso: “a gente já vislumbra a oportunidade de fazer um planejamento de viagens para o exterior, beneficiando o relacionamento de trabalhadores e permitindo o conhecimento de diferentes realidades”.

VIAJA MAIS MELHOR IDADE – Depois do encontro com os sindicalistas, a ministra Marta Suplicy participou no Novotel Center Norte, também em São Paulo, de um encontro com grupos da terceira idade, organizado pelo Ministério do Turismo e Braztoa, para aproximar o público final das ações no planejamento da próxima fase do programa, a partir de março de 2008.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Mais pacotes no turismo do idoso


Governo vai incorporar 12 Estados ao programa, criar 12 destinos e credenciar outras 1.529 agências


Jornal da Tarde - JT

CHARLISE MORAIS, charlise.morais@grupoestado.com.br

O programa Viaja Mais Melhor Idade - que permite aos aposentados viajar em condições facilitadas - será ampliado. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, anunciou ontem que, a partir de março de 2008, quando terá início a segunda fase do programa, os pacotes turísticos terão 12 destinos a mais, passando de 23 para 35. O número de localidades de origem das viagens e o número de operadoras e agências turísticas que organizam e vendem os roteiros também vai aumentar.

Os 12 novos destinos ainda não foram definidos pelo Ministério do Turismo, mas irão proporcionar maior diversidade de roteiros aos beneficiados do programa.

Na primeira fase do Viaja Mais, as viagens tinham como ponto de partida o Estado de São Paulo e o Distrito Federal. Mas, a partir de março, os pacotes terão como origem também os Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e Amazonas.

“Em 2008, nossa meta é atingir a marca de 50 mil pacotes vendidos”, disse a ministra. Para isso também serão ampliados o número de operadores turísticos que organizam os pacotes - dos atuais13 para 25. Já as agências, que vendem as viagens, ganharão um reforço, passando de 971 para 2.500.

O programa

O Viaja Mais Melhor Idade é um programa do Ministério do Turismo que permite aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) adquirir pacotes de viagem em período de baixa temporada, a destinos nacionais predefinidos e pagar as despesas por meio do crédito consignado - descontado diretamente do benefício - em até 12 vezes. Os juros são de 0,75% a 0,95% ao mês. Mas, para isso, o aposentado não pode comprometer mais do que 30% do rendimento mensal.

Para viajar pelo programa , o interessado deve ligar para o telefone 0800-7707202 ou acessar o site www.viajamais.com.br e escolher a agência credenciada mais próxima. Depois é só comparecer na agência com RG, CPF, comprovante de endereço e de renda (original e cópia) e escolher entre os pacotes oferecidos. O valor máximo da viagem para financiar pelo crédito consignado é de R$ 3 mil.

Mas não serão apenas os aposentados e pensionistas que serão beneficiados. Quem não quiser viajar pelo programa e tiver acima de 60 anos também terá a chance de pagar menos em época de baixa temporada. A ministra Marta Suplicy assinou um acordo com a associações hoteleiras, de resorts e de bares, restaurantes e similares para oferecer descontos de até 50% no preço das tarifas cobradas nesses locais ao público dessa faixa etária, também durante o período de baixa ocupação.

“Nossa expectativa é que a partir de março de 2008, início do período de baixa ocupação, tenhamos a adesão de mil hotéis. A meta é chegarmos a setembro com mais de 2,5 mil meios de hospedagens oferecendo vantagens para o público da terceira idade” afirmou Marta.

O QUE MUDA NO VIAJA MAIS MELHOR IDADE

Os destinos dos pacotes turísticos serão ampliados dos atuais 23 para 35 - serão inseridos mais 12 destinos para as viagens

As localidades de origem, que atualmente são apenas duas (São Paulo e Distrito Federal) passarão a ser 12, com a inclusão dos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e Amazonas

Serão incluídas mais 12 operadoras de turismo para organizar os pacotes de viagem, passando de 13 para 25

1.529 novas agências de turismo serão incluídas para vender os pacotes. Passam das atuais 971 para 2.500 em 2008

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Ministério do Turismo amplia benefícios para a Melhor Idade

Ministério do Turismo amplia benefícios para a Melhor Idade Marta Suplicy assina novo acordo com o setor da hotelaria e apresenta resultados da primeira fase do programa Viaja Mais Melhor Idade

Brasília – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, assinou hoje (11) acordo com a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Associação Brasileira de Resorts (ABR) e Federação Nacional de Bares, Restaurantes, Hotéis e Similares (FNHRDS) para oferecer descontos de 50% no preço praticado nas tarifas cobradas do público da Melhor Idade, durante a baixa ocupação. “Nossa expectativa é que a partir de março de 2008, início do período de baixa ocupação, tenhamos a adesão de mil hotéis. A meta é chegarmos a setembro com mais 2,5 mil meios de hospedagens oferecendo vantagens para o público da terceira idade”, afirmou Marta Suplicy.

A tarifa 50% menor é um benefício que se somará aos já concedidos no Viaja Mais Melhor Idade, que será ampliado. O programa ultrapassou em 30% a meta estabelecida para a primeira fase, atingindo o total de 9 mil pacotes vendidos a pessoas com 60 anos ou mais, entre setembro e novembro, proporcionando um faturamento de R$ 7,65 milhões para o mercado de turismo no Brasil. O anúncio dos resultados foi feito pela ministra durante a abertura da 19ª reunião do Conselho Nacional de Turismo (CNT), realizada em Brasília.

Quando lançado, em setembro último, a expectativa inicial do Ministério do Turismo era de o mercado comercializar 7 mil pacotes no Viaja Mais Melhor Idade a preços reduzidos em períodos de baixa ocupação. Aposentados e pensionistas do INSS contaram com crédito consignado e juros abaixo de 1% para viajar a partir de São Paulo e Distrito Federal para 23 destinos. Em 2008, os benefícios do crédito consignado e dos juros baixos vão continuar, mas serão realizadas saídas a partir de 12 capitais.

As viagens do programa, a partir de março de 2008, terão origem, além de São Paulo e Distrito Federal, nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e Amazonas.

Para a ministra do Turismo, o programa veio para ficar e está cumprindo seus objetivos de aumentar a movimentação nos destinos turísticos nos períodos de baixa ocupação e promover a inclusão social dos idosos “O Viaja Mais é não é um programa de ocasião, ele veio para ficar. Programas de estímulo a viagens de idosos já existem em outros países e eles tiveram dificuldades durante a implantação. No nosso caso, tivemos sucesso muito rapidamente”.

Em 2007, o programa começou oferecendo 14 cidades como destinos para viagens, e passou, ainda na primeira etapa, para 23. A partir de março de 2008, serão 35 cidades, proporcionando mais diversidade de roteiros aos beneficiados das condições especiais do Viaja Mais.

O objetivo, para 2008, é vender 50 mil pacotes, o que representa um incremento de quase cinco vezes em relação ao total das viagens realizadas nos três primeiros meses do Viaja Mais Melhor Idade, neste ano. Com esse avanço, os próximos passos do programa vão proporcionar um acréscimo relevante no faturamento das empresas de turismo.

Considerando o preço médio das viagens na primeira fase, ao redor de R$ 850 (incluindo passagens aéreas e rodoviárias, hospedagem, passeios, deslocamento e seguro-viagem), o mercado em potencial na próxima etapa é estimado em R$ 42,5 milhões. Esse cálculo não contabiliza o impacto gerado no comércio em geral das cidades visitadas.

A ampliação do Viaja Mais Melhor Idade também resultará em maior participação da cadeia dos serviços turísticos no País. Em vez de 13 operadores, a segunda etapa contará com 25 empresas que organizam os pacotes turísticos para atrair os idosos. Da mesma forma, o número de agências, que comercializam as viagens junto ao consumidor final, saltará de 971, na primeira fase, para 2.500.

Viaja mais, melhor idade


Mercado Aberto

Folha de São Paulo

guilherme.barros@uol.com.br

BAGAGEM

Marta Suplicy anuncia hoje a ampliação do programa Viaja Mais Melhor Idade, do Ministério do Turismo. O programa teve 9.000 pacotes vendidos a pessoas com mais de 60 anos de setembro a novembro. A nova meta é vender 50 mil pacotes.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

¿Un gen para "demorar" la vejez?

SEGUN UN ESTUDIO DE CIENTIFICOS INGLESES, AYUDARIA A LIMITAR LOS MALES PROPIOS DE LA TERCERA EDAD

Por: Alok Jha
Un grupo de científicos ingleses descubrió un gen que regula la duración de vida en los mamíferos y podría conducir un día a la aparición de tratamientos que atrasen el envejecimiento y las enfermedades que le son propias, como el Mal de Alzheimer, el cáncer y las dolencias cardíacas.

Experimentos en ratones machos mostraron que aquellos que carecían de un gen llamado IRS-1 vivían un 20 por ciento más y llevaban vidas más saludables. En tanto que los ratones hembras

sin este gen tenían una longevidad aún mejor ya que vivían un promedio de un 30 por ciento más. Al margen de tener una vida más larga, los ratones sin el IRS-1 eran mucho más saludables que los ratones normales a medida que envejecían, tenían ojos más brillantes, un mejor funcionamiento del sistema inmunológico y huesos y pelaje más lozanos.

Dominic Withers, del Centro de Investigaciones sobre el Envejecimiento en la University College London, que fue quien lideró este estudio, explicó que "estos resultados sugieren que el IRS-1 es un sendero conservado por la evolución que regula el tiempo de vida de los mamíferos y podría apuntar a métodos para atrasar potencialmente el envejecimiento en los seres humanos".

El IRS-1 participa de la función de regulación de la función de la insulina, hormona que controla la cantidad de azúcar en sangre.

Los resultados obtenidos por el profesor Withers, que aparecieron ayer en Internet, en la publicación Faseb, se suman a una creciente cantidad de trabajos científicos, que señalan una relación entre los genes que regulan la insulina y la forma cómo envejece un animal. Genes similares en las moscas de la fruta y los gusanos ya fueron relacionados con un tiempo de vida mayor.

David Gems, otro de los autores del estudio, indicó que el trabajo con el IRS-1 en ratones es el primero en mostrar que los mamíferos pueden mantenerse saludables a medida que envejecen. "Lo que vimos en estos animales fue un aplazamiento de la aparición de enfermedades de la vejez, como la osteoporosis, la diabetes y los trastornos del sistema inmunológico. Pero no cabe duda de que estudiar todos estos mecanismos en los seres humanos es mucho más complejo porque nuestra expectativa de vida es mayor. De todos modos, tanto éste como otros trabajos nuestros sobre el proceso del envejecimiento están sentando bases científicas cruciales".

El profesor Withers no está seguro todavía por qué razón la extracción del IRS-1 condujo a una vida más prolongada en los ratones. "Es probable que el motivo por el que funciona es que es bueno que el animal reciba un poco de estrés".

Si los científicos descubren la manera para manipular al gen IRS-1 en los humanos, podría acarrear grandes beneficios médicos. Pero tendrán que pasar unos 10 años antes de que se puedan transferir los resultados a los humanos.

TRADUCCION: Silvia S. Simonetti

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"Brasil precisa mudar rede de saúde para atender idoso"



Entrevista da 2ª/Alexandre Kaleche

Folha de São Paulo


Chefe de envelhecimento da OMS defende que os médicos aprendam a lidar com a terceira idade e que o jovem seja sensibilizado para o fato de que "envelhecer é bom'

O Brasil precisa mudar a rede de atenção básica à saúde para atender as necessidades da população idosa, que atinge a marca de 17,7 milhões no país. A análise é de Alexandre Kalache, chefe do programa de envelhecimento e saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde), que está no Brasil para lançar um guia mundial em que o Rio aparece como cidade amiga do idoso.

CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

Às vésperas de completar 62 anos (dia 17) e se aposentar da OMS, Kalache vai montar no Rio de Janeiro o instituto latino-americano de gerontologia, ligado à Universidade de Londres e que tem como parceiros o Banco Mundial e a Academia de Medicina de Nova York.
"Em vez de ir para casa assistir à TV, vou agitar muito. Vamos levar o Brasil para o mapa da gerontologia internacional e vice-versa. Vou continuar ativo por muitos anos e, depois, vou plantar batatas na minha casinha na Espanha", diz ele, dois filhos e uma neta.
Há 33 anos morando no exterior, o carioca Kalache é PhD em epidemiologia pela Universidade de Oxford, foi fundador da Unidade de Epidemiologia do Envelhecimento da Universidade de Londres e criador do primeiro mestrado em promoção da saúde da Europa. A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha de Nova York, por telefone, na última sexta.

FOLHA - A OMS tem difundido o conceito de envelhecimento ativo, mas, no Brasil, envelhecer com qualidade ainda é para poucos. Quais estratégias o país precisa adotar para colocar o discurso em prática?
ALEXANDRE KALACHE
- A definição do envelhecimento ativo é baseada em três pilares: saúde, participação e segurança. Na saúde, a coisa mais importante no Brasil é reforçar, capacitar a rede de atenção primária para que ela esteja mais voltada às necessidades dessa população que envelhece. Hoje o SUS está muito voltado para a saúde materno-infantil.
A OMS tem desenvolvido estudos-pilotos, criando uma espécie de caixa de ferramentas sobre como fazer para que o centro de saúde se torne mais amigo do idoso. No Brasil, envolvemos dois centros, em São Paulo [em São Miguel Paulista] e no Rio [em Manguinhos]. Simulamos o envelhecimento, colocamos a equipe no centro de saúde simulando como se tivesse catarata, usando uma lente meio opaca, peso nas pernas, nas coxas, braços, grãos no sapato para doer um pouco, cera no ouvido. As pessoas nunca esquecem dessa experiência.
Também precisamos mudar aspectos administrativos. Existem postos de saúde que não têm nenhum sistema de marcação de consulta. Esses pobres idosos levantam às 5h da manhã, vão até o centro, recebem um número e, ao final da manhã, descobrem que o médico já foi embora e que ele não será mais atendido. Isso é um absurdo, uma falta de respeito. Em relação ao ambiente físico, o centro de saúde precisa eliminar as barreiras físicas, colocar rampas, elevadores, sala de espera mais confortável com acesso ao banheiro.

FOLHA - Qualidade de vida na velhice está ou não diretamente ligada a um maior poder aquisitivo?
KALACHE
- É muito mais difícil conseguir qualidade de vida se não tiver um teto sobre a sua cabeça, se não tiver a certeza de como se alimentar ou, se ficar doente, se terá o mínimo de assistência médica. Por outro lado, você não precisa ser milionário ou rico para ter qualidade de vida. Você vê milhões de brasileiros que estão envelhecendo, inseridos na sua comunidade, com suas famílias, vivendo bem. Estou conversando com você de Nova York, uma cidade de primeiríssimo mundo, onde você encontra idosos que, embora tenham suas necessidades básicas satisfeitas, vivem isolados, numa família fragmentada, reflexo das grandes massas migratórias. São pessoas que estão envelhecendo fora do seu meio ambiente. Em São Paulo, por exemplo, a gente vê o imigrante nordestino, a mulher que foi trabalhar em casas de família e que, muitas vezes, não constituiu a sua própria família, e que, ao envelhecer, está só, triste, sem qualidade de vida.

FOLHA - O sistema de saúde continua a enfatizar o cuidado com as doenças agudas, enquanto as que mais afetam os idosos são as crônicas. Isso não tem que ser revisto?
KALACHE
- Sem dúvida. Temos no Brasil a idéia de que as doenças que podem ser prevenidas são as infecciosas e que as doenças não-transmissíveis são inevitáveis dentro do processo de envelhecimento. Hoje há muita gente com 60 anos e que está muito mal e outros com 80 que estão muito bem.
Se você controlar apenas quatro fatores de risco, o fumo, a dieta inadequada, a falta de exercício físico e o consumo excessivo de álcool, já terá um impacto muito grande. Se a gente não tiver política preventiva, de promoção de saúde fortemente ativa, isso, que já é um problema de saúde no país, vai se tornar uma epidemia.
Em segundo lugar, mesmo que o indivíduo se comporte muito bem, tenha um estilo de vida saudável, você ainda tem um ingrediente social muito grande. Por exemplo, na Inglaterra, se você compara as classes sociais A e B com as D e E, você tem um excesso de risco, que se traduz na redução de oito anos na expectativa de vida [das D e E], mesmo aqueles mais pobres que nunca fumaram, praticam exercício físico e comem razoavelmente bem.
No entanto, a diferença social, talvez pela falta de cidadania e auto-estima, faz com que os mais pobres vivam muito menos mesmo vivendo no mesmo ambiente físico. É preciso levar em conta essas determinantes sociais e agir sobre elas.

FOLHA - Temos no Brasil perto de 550 geriatras contra 30 mil pediatras. Com o envelhecimento da população, esse quadro deve mudar?
KALACHE
- Até certo ponto. A gente não vai conseguir formar geriatras em quantidade para atender, em planos mundiais, 2 bilhões de idosos no ano de 2060. A gente vai poder fazer com que todos os profissionais de saúde saibam aquilo que seja a essência, a base da atenção do idoso. Estou muito mais interessado em que todos os ortopedistas de amanhã, todos os oftalmologistas, todos ginecologistas, todos cirurgiões saibam lidar com idosos e entendam o mínimo sobre a fisiologia do idoso, a anatomia, a depressão, a saúde mental do que formar especialistas. Do contrário, o risco é você acabar medicalizando e tornando o envelhecimento uma especialidade e não uma etapa da vida. O papel do geriatra é muito importante porque, você tendo bons geriatras, terá bons treinadores daqueles profissionais que precisam ser treinados.

FOLHA - O que o futuro médico precisa aprender sobre o idoso?
KALACHE
- A OMS e a Associação Internacional de Geriatria e Gerontologia lançaram 15 pontos de currículo mínimo sobre cuidados relacionados ao envelhecimento que todos os estudantes de medicina deveriam ter: anatomia, farmacologia, a manifestação clínica das doenças, que é diferente quando você tem 80 anos do que num adulto de 40, como o organismo responde às dosagens de medicamentos etc. Daqui a 40 anos, o mundo terá envelhecido de forma irreconhecível. O médico vai lidar com mais e mais e mais idosos. Se você, desde o início, não tiver a atitude correta e o conhecimento adequado, você vai fazer mal, mesmo que inadvertidamente.
E não só em medicina, mas em enfermagem, em arquitetura, em direito. Temos que sensibilizar a juventude de que o país está envelhecendo e que isso é uma coisa boa, que envelhecer é a negação da morte precoce.

FOLHA - O modelo de aposentadoria não-contributiva do Brasil continuará sendo sustentável?
KALACHE
- Vários estudos mostram que com 2% do Produto Interno Bruto você consegue atender as necessidades de mais de 7 milhões de brasileiros. Se a economia crescer, como tem crescido, não há nenhuma razão para que isso não seja sustentável. Você tem que ver o que a sociedade está ganhando e não o que está perdendo. Ela "perde" 2% do PIB, mas tira da miséria 25 milhões de brasileiros [familiares dos aposentados]. Na avaliação do Banco Mundial, modelos como o Brasil e da África do Sul, que são muito parecidos, demonstram a sustentabilidade. O que não é sustentável é continuar com privilégios e distorções em que alguns poucos pesam 50, 60, 70 vezes mais do que esses miseráveis US$ 100 [da aposentadoria não-contributiva]. Esses são os pesos que estão fazendo com que o seguro social no Brasil se torne inviável.

FOLHA - Há no país uma cultura pelo padrão de beleza física jovem. É mais difícil para o brasileiro encarar o envelhecimento?
KALACHE
- Fica mais difícil, não há dúvida que existe essa obsessão. Por outro lado, se você anda pelas ruas de Copacabana, você vê milhares de pessoas idosas. E, embora em choque com a cultura do corpo, com a idealização da juventude, você vê pessoas de todos os formatos de corpo, pessoas gordas, magras. Existe no Brasil uma adaptação, uma coisa mais flexível, que não consegue punir aqueles que fogem à regra.