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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Factóide Kassab



ROGÉRIO GENTILE

Engenheiro do ano

SÃO PAULO
- Recém-homenageado com o título de "engenheiro do ano" pelo tradicional Instituto de Engenharia, o prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM) demonstrou na semana passada um profundo desconhecimento do problema do trânsito na cidade.
Com 900 novos veículos por dia, São Paulo tem um sistema de circulação semelhante a uma rede de esgoto cuja tubulação está praticamente entupida. Se nada for feito, vai implodir mesmo. É o que os técnicos em transporte chamam de "bomba-relógio".
E a única forma de evitar isso é convencer o motorista de que pode ser mais barato e rápido usar ônibus, metrô ou trem. Ou seja, todo investimento público no setor deve ser direcionado no sentido de dar mais amplitude, eficiência, qualidade, segurança e velocidade ao transporte coletivo. O resto é paliativo.
Ao testar a tal faixa exclusiva para motos na avenida 23 de Maio, Kassab, com o perdão do trocadilho, pegou a contramão. Fez campanha para o transporte individual. Puniu os 10 mil passageiros que passam de ônibus por hora na avenida em favor de cerca de 2.000 motoqueiros/hora.
Nem mesmo o argumento oficial de que a medida serviria para aumentar a segurança dos motoboys se sustenta. Pelas estatísticas da prefeitura, a 23 de Maio está bem longe de ser a mais perigosa. Em 2006, último dado disponível, houve uma morte de motoqueiro ali contra, por exemplo, 35 nas marginais, 11 na avenida Teotônio Vilela e 11 na Aricanduva.
Ademais, se a questão é reduzir a violência, faz-se necessário lembrar que, das 1.500 pessoas que morrem no trânsito por ano na cidade, metade é pedestre (contra 25,6% de motoqueiros, 19,4% de ocupantes de demais veículos e 5,6% de ciclistas). Pela lógica kassabiana, então, a saída é transformar a 23 de Maio numa via exclusiva para pedestre...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Kassab é teste

Nem incompetência, nem factóide, nem chilique. A palavra mágica quando se trata da administração Kassab é teste.

Kassab anuncia o fim do rodízio e perante os engarrafamentos monstruosos, volta a trás. Era um teste.


Kassab anuncia faixa exclusiva para motos na 23 de maio e novamente engarrafamento e foi teste, pode voltar para trás.


Kassab anuncia inspeção veicular e depois disse que fica para a próxima administração, recuando de novo.

Kassab disse que vai construir cinco corredores de ônibus, depois disse que serão dois, depois um e até agora... nenhum.


Kassab proíbe garupa nas motos, mas pensando melhor, decide que é urgente voltar para trás.

De aqui a pouco vem o Serra é disse: deixei Kassab como prefeito para fazer um teste. Os paulistanos são cobaias e não sabiam. Os caras estão testando a paciência de todo mundo.

Et pourtant, porém, não tem um único artigo na mídia falando de improvisação, falta de planejamento, incompetência, factóides ou chiliques.

Chega a ser comico, como esta manchete da Folha Online:

Número de acidentes diminui com engarrafamento

Será que pensam que leitor é burro? ou que ninguém presta atenção ao partidarismo de uma certa mídia?

Porque será? ou serra? nunca sei como se escreve.


FOTO: VAGNER MAGALHÃES/TERRA

Kassab já admite desistir de faixa para motos

Prefeito disse ontem que os resultados parciais do teste realizado desde segunda na avenida 23 de Maio "não são favoráveis"

Secretário dos Transportes reconheceu "desconforto" causado aos motoristas e disse que a experiência vai continuar até amanhã

RICARDO SANGIOVANNI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Após dois dias de trânsito carregado na avenida 23 de Maio, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) já admite desistir do corredor exclusivo para motos, em teste desde segunda.
Kassab disse ontem que os dados parciais sobre o teste "não são favoráveis" e que a experiência "muito possivelmente não terá seqüência". "As simulações e os dados analisados pela CET não favorecem a manutenção dessa exclusividade para as motos na 23 de maio."
A média de congestionamento na avenida, que durante todo o ano de 2006 ficou entre 2,5 e 3 km, foi mais que o dobro do normal nos dois dias em que uma das cinco pistas ficou reservada às motos: 5,1 km na segunda-feira e 7 km ontem. Isso em plenas férias.
O secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes, esteve ontem à tarde com Kassab. Em nota, Moraes reconheceu o "desconforto" causado aos motoristas. Ele disse que a experiência deve continuar por mais dois dias -anteriormente previsto até o dia 25, o teste acabará amanhã, em razão do feriado na sexta.
"Queremos terminar os dias de experiência para verificar se há essa compensação da piora da fluidez com a melhora da segurança dos motoqueiros", disse Moraes ontem. Segundo ele, no trecho de 2,9 km onde funciona o teste, não há registro de acidentes desde segunda-feira.
Ontem, dois acidentes sem gravidade envolvendo motos ocorreram fora do trecho.
Embora a prefeitura justifique a faixa exclusiva como uma medida de segurança, a 23 de Maio não está entre as vias mais perigosas para os motoqueiros. Em todo o ano de 2006, segundo a prefeitura, um motoqueiro morreu ali. Na avenida Aricanduva, na zona leste, houve 11 mortes. A prefeitura diz não ter dados sobre 2007.

"Larga demais"
Após a reunião com Kassab, o secretário recebeu entidades de motoboys e motociclistas para discutir a faixa na 23 de Maio, a proibição da circulação de motos nas vias expressas das marginais a partir do dia 11 e a regulamentação da lei do motofrete (que prevê novas taxas).
O Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, que anteontem elogiara a faixa exclusiva, ontem a criticou. "Ficou muito larga e deixou os motoristas chateados com os motoboys. Deveria ser mais estreita, como na Sumaré", disse Gilberto dos Santos, presidente da entidade.
Mesma opinião tinham motoristas e usuários de ônibus. "Não tem espaço para criar um corredor para ônibus, imagina para motos", disse a agente de companhia aérea Estela de Lima, 25, que levou cerca de 50 minutos -30 a mais que o normal- de Congonhas (zona sul) para a Mooca (zona leste).
"Gosto da idéia, mas tem de ser mais estreita", diz o empresário Antonio Espínola, 53.
Segundo a gestora de segurança da CET Heloísa Martins, não é possível criar um corredor mais estreito, pois as faixas da 23 de Maio já sofreram redução em 2006, quando a via ganhou uma faixa (são cinco).
Ontem a CET registrou o maior percentual de congestionamento de janeiro -95 km em toda a cidade, às 11h30. Nesse horário, a Folha mediu o tempo de viagem no corredor norte-sul. O congestionamento estava pior no sentido centro.