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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A desigualdade social, essa é a questão


Faltou dizer que São Paulo tem 2 milhões e meio de favelados

PIB paulistano supera o de 22 Estados norte-americanos, diz pesquisa


da Folha Online


O PIB (Produto Interno Bruto) da capital paulista --US$ 102,4 bilhões-- supera a riqueza gerada por 22 Estados norte-americanos, entre eles Hawai, Georgia e New Hampshire, quando analisados individualmente, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).

Segundo o estudo, se a cidade de São Paulo fosse um país, ele estaria entre as 50 maiores economias do mundo, no 47º. lugar, à frente do Egito (15% maior) e do Kwait (27% maior) e na mesma dimensão da Nova Zelândia e da Hungria. Além disso, a riqueza gerada pela capital paulistana corresponde a quase 85% da economia de Israel.

O levantamento de dados econômicos e de outras áreas, além de variedades, foi elaborado pela Fecomercio-SP em função da comemoração dos 454 anos da capital paulista.

O PIB do município de São Paulo em 2005 alcançou R$ 263,2 bilhões, ou US$ 102,4 bilhões. Isso corresponde a 12,3% do PIB do Brasil. A entidade considerou a taxa cambial média de 2005, R$ 2,57.

Ainda segundo a pesquisa, o PIB da capital paulista é maior do que o de todos os Estados brasileiros, exceto São Paulo. O resultado é 7% maior do que o Estado do Rio de Janeiro e 37% maior do que Minas Gerais.

Se o município de São Paulo fosse um país, ele seria o quinto da América do Sul, ao lado do Chile, com um PIB cinco vezes maior que o do Uruguai.

A carga tributária do Brasil em 2005 ficou em cerca de 35% do PIB. A participação da cidade de São Paulo no PIB do Brasil nesse ano foi de 12,3%, portanto o município paulistano contribuiu com pelo menos 4,3% do PIB brasileiro em termos de carga tributária nacional. Ou seja, recolheu mais de R$ 90 bilhões em impostos naquele ano para o país.

O Orçamento de São Paulo foi de R$ 15 bilhões em 2005, menos de 6% do seu PIB. Para a Fecomercio, isso indica que, em média, a contribuição da cidade de São Paulo para o país é muito maior do que ela recebe de volta.

Veja informações e curiosidades sobre a cidade de São Paulo:

Dados geopolíticos

São Paulo é a terceira maior cidade do mundo e a maior das Américas, com mais de 11 milhões de habitantes;

O orçamento da cidade é o terceiro maior do Brasil, atrás apenas do governo federal e do estado de São Paulo;

A cidade de São Paulo tem um território de 1.530 kms2;

A taxa de alfabetização está em 95,4% da população;

Dados econômicos

A cidade de São Paulo é o principal centro financeiro da América Latina e abriga sucursais das maiores instituições bancárias do mundo. São aproximadamente 1.500 agências de bancos nacionais e internacionais. E ainda abriga 38% das sedes das 100 maiores empresas privadas de capital nacional; 63 % das sedes de grupos internacionais instalados no país. São Paulo também é sede de 16 dos 20 maiores bancos múltiplos e comerciais; de oito das dez maiores corretoras de valores e de cinco das dez maiores empresas de seguros;

A BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) é a sexta do mundo em volume de contratos negociados;

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) movimenta R$ 6 bilhões por dia;

Cerca de 30 mil milionários vivem atualmente na cidade de São Paulo;

60% de todos milionários do Brasil vivem na cidade de São Paulo;

Em São Paulo são efetuadas dez compras por segundo via cartão de crédito ou débito;

São mais de 240 mil estabelecimentos comerciais na cidade e mais de 70 shopping centers (o maior número do Brasil). Só os shoppings centers recebem mais de 30 milhões de pessoas por mês;

Variedades

Na cidade de Londres existem 20 mil táxis, e em São Paulo são mais de 30 mil;

A cidade de São Paulo hoje tem a segunda maior frota de helicópteros do mundo, só perdendo para Nova York;

Na cidade de Londres existem um pouco mais de 11.000 bares e restaurantes, e em São Paulo são mais de 38.000; Desde 1997, a cidade é a capital mundial da gastronomia;

A cidade conta com mais de 5.000 mil pizzarias que produzem cerca de 40 mil pizzas por hora. No caso dos sushis, são produzidos aproximadamente 16.800 por hora na cidade;

São Paulo é a capital cultural da América Latina com a maior diversidade em manifestações culturais. São mais de 100 peças teatrais por semana, ou 4.800 peças por ano;

São Paulo é a 3ª maior cidade italiana do mundo; a maior cidade japonesa fora do Japão; a maior cidade portuguesa fora de Portugal; a maior cidade espanhola fora da Espanha; a terceira maior cidade libanesa fora da Líbano;

Fontes:
IBGE, Prefeitura do Município de São Paulo, Banco Mundial, GeoHive, Kaiser Family Foundation / statehealthfacts, Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e Fundação Seade.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Uma saga familiar de êxito

'A gente não tem apego ao tijolo'

O clã Szajman fala sobre a lógica que conduz os negócios da família

Abram Szajman passou o bastão para os filhos Cláudio e André há 13 anos, quando eles ainda eram garotos. Com 25 anos e 23 anos, eles assumiram o comando de um grupo que faturava R$ 500 milhões. Hoje, aos 36 anos, André não gosta de usar terno e gravata e cuida do negócio de entretenimento do grupo, a gravadora Trama. Cláudio, 38 anos, divide seu tempo entre Nova York (onde vivem a mulher e os dois filhos) e o escritório da VR em São Paulo. Ele é o único do clã Szajman que ainda faz parte do corpo de executivos do grupo. Abram dedica a maior parte de seu tempo à Federação do Comércio. A seguir, alguns trechos da entrevista com o trio.

O TRABALHO

ABRAM SZAJMAN

CLÁUDIO SZAJMAN

Cláudio: 'Meu pai tem 40 anos de história ligados a outras coisas fora dos negócios da família. Desculpa, eu cresci sem ver meu pai em casa. A sua vida inteira foi trabalho. Grande parte do seu tempo hoje não é dedicado às nossas empresas. Eu sei o quanto isso te suga.'

Abram: 'Enquanto me quiserem, vou continuar na Federação do Comércio (ele preside a Fecomércio há 23 anos). Já tentei sair e não me deixaram. Minha rotina é aqui e lá. Aqui, eu vejo o macro, o dia-a-dia eu não vejo mais. Eu vejo só o caixa.'

INVESTIMENTOS

Estado: Vocês podem repetir uma experiência de compra de parte de empresas, como foi no Real ou no Mappin?

Abram: 'Pode!'

Cláudio: A gente não comenta. A cabeça do capitalista, que meu pai tanto fala, é retorno sobre investimento. Nós, do ponto de vista ativo, vamos operar companhias que estejam dentro de ambientes que a gente acha que conhece um pouco mais porque isso gerará um diferencial competitivo . A partir daí, os investimentos são tipicamente financeiros, passivos.'

Abram: 'A gente fala muito de tecnologia, mas isso não quer dizer que a gente não possa investir em uma mineradora, para explorar minério. Se aparecer um negócio bom.'

Cláudio: 'Isso é opinião dele, não condiz com a realidade. Talvez através de um fundo. A gente não tem apego a tijolo.'

André: 'Nós, por exemplo, estamos investindo em pequenas centrais hidrelétricas através de um fundo de private equity (fundo de participação em empresas). São investimentos razoáveis.'

André Szajman

Abram: 'O dinheiro da venda vai para a holding. Como a gente vai dividir o dinheiro, eu vou resolver. Não dependíamos desses recursos para fazer investimentos. Somos portadores de recursos de longa data.'

Cláudio: 'Vamos crescer a partir dos negócios que a gente tem.'

André: 'A gente já está meio cansado de empresas do zero.'

A SUCESSÃO

André: 'Meu pai nunca teve medo. Quando eu e o Cláudio assumimos a empresa, em 1994, eu tinha 23 anos e ele, 25. A gente chegou e falou: pode tirar os executivos, a gente assume e não vai acontecer nada. A empresa já faturava R$ 500 milhões nessa época'

Cláudio: 'Lembro como se fosse hoje. A gente trouxe um consultor para cá, fez um plano de meia dúzia de páginas e levou pro meu pai. E não é que ele acreditou na gente? Ele deu liberdade pra gente atuar, que é uma coisa muito da cabeça dele, muito particular. Eu não teria essa coragem.'

Abram: 'Eu resolvi meu problema de herança. Hoje eu tenho uma parte pequena da empresa.'

André: 'Mas ele põe muita tinta na caneta.'



Com R$ 1 bi em caixa, os Szajmans agora vão se dedicar à tecnologia

Após venda para a Sodexho, a família vai apostar em cartões pré-pagos e aplicar o dinheiro em fundos ao redor do mundo

Patrícia Cançado e Ricardo Grinbaum

Nos anos 90, o Grupo VR chegou a ter uma frota de 100 carros blindados só para entregar vales de papel no Brasil inteiro. Há quase dez anos, porém, o VR vendeu a frota, digitalizou toda a papelada e criou a SmartNet, a empresa de tecnologia do grupo que captura e processa os pagamentos eletrônicos. No fim de setembro, a família Szajman abandonou de vez a era do vale-benefício ao vender o negócio para a francesa Sodexho por R$ 1 bilhão. Agora, o grupo quer espalhar o conceito dos cartões inteligentes e pré-pagos para outras áreas como transporte, saúde e varejo.

'Vamos atuar como a Intel. Ela não vende computador, mas a tecnologia que está por trás da máquina. Vamos ser como uma 'Intel inside' para empresas de vários ramos, já incluindo a própria Sodexho', afirma Cláudio Szajman, presidente do Grupo VR e filho do fundador, Abram.

O dinheiro da venda irá para a holding dos Szajmans, que além da SmartNet, controla o BancoVR, a gravadora Trama, uma incorporadora imobiliária e um fundo de investimentos em ativos no mundo inteiro. 'Como a gente vai dividir o dinheiro, eu vou resolver', diz Abram, o fundador.

Por enquanto, o que está definido é que a família não pretende inventar a roda, mas investir nos negócios que já possui. Nos próximos cinco anos, eles vão aplicar entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões na SmartNet. Em vez de gastar dinheiro na construção da rede - hoje com 100 mil terminais eletrônicos em 1200 cidades -, o grupo vai buscar novos mercados.

O foco são serviços onde o uso de cartão está se popularizando. A atuação na área da saúde é o que está mais claro para o grupo. 'Nesse mercado, a automação vai ajudar na identificação do usuário do sistema de saúde e na liberação de autorizações para consultas e exames', explica Cláudio.

A prestação de serviços para empresas de transporte e varejo também está no radar do grupo. Os Szajmans acreditam que poderão processar parte dos milhões de cartões dos usuários de transporte público do País. 'Hoje tem mais de 150 municípios saindo do papel e indo para o cartão. O pré-pago é uma solução fenomenal para a baixa renda', diz Cláudio. 'E a gente consegue ser viável economicamente, chulamente ganhar dinheiro com transações de R$ 1.'

Estima-se no mercado que a SmartNet fature por volta de R$ 100 milhões. Ela processa 500 milhões de transações por ano, um terço do volume da Redecard (empresa que concorre com a SmartNet em processamento de cartões de benefícios, porém mais focada em operações de débito e crédito). 'Eu vejo a SmartNet como uma empresa que está aproveitando uma oportunidade de mercado porque tem uma tecnologia apropriada. Mas nada impede que a Redecard ou a Visanet desenvolvam uma tecnologia mais simples', diz o analista do Unibanco, Carlos Macedo. 'Recentemente, a Redecard lançou uma tecnologia que permite pagar compras pelo celular. É um negócio que vai funcionar muito bem em deliveries e táxis.'

O grosso do dinheiro que entrou no caixa deve ir para o fundo de investimentos que administra aplicações da família há oito anos. Eles têm desde aplicações financeiras em diversos fundos até participações em empresas no Japão e Rússia e pequenas centrais hidrelétricas no Brasil. Quando perguntado se existe alguma chance de repetir a experiência do Banco Real, Abram, que se tornou o segundo maior sócio do banco de Aloysio Faria antes da venda para ABN Amro, não hesita: 'Pode. Se o investimento der retorno...' Abram não tem apego ao tijolo. Ele já viveu em um cortiço, começou a trabalhar como office-boy aos 13 anos na malharia de um tio, teve sua própria tecelagem com os Rabinovitch, uma corretora de valores e criou a VR, agora vendida por R$ 1 bilhão.