sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Demos e tucanos no mundo do faz de conta

A carta enviada ao jornal O Estado de São Paulo, da ex-secretária de educação do município de São Paulo na gestão Marta Suplicy, contém questionamentos graves sobre a situação das creches. A mídia deveria fazer seriamente seu trabalho e recusar a função de propagandista das cifras fantasiosas da administração DEM-PSDB.


Ao Estadão – Forum de Leitores

Sobre as várias matérias que saíram no estadão online sobre o déficit de creche comentado pelo atual Prefeito, gostaria de lembrar que a prefeita Marta Suplicy construiu 181 novas escolas exclusivamente com recursos do tesouro municipal, as vagas em creche foram ampliadas em 44,01% (35.923 novas vagas) e nas EMEIs 31,31% (65.905 novas vagas), uma ampliação de 75% em ed. Infantil em 4 anos. Ao contrário do que declara Kassab as vagas para ed. Infantil no município, segundo a prévia do Censo Educacional/MEC-2007, a partir dos dados fornecidos pela Secretaria Municipal, as matriculas diminuíram em torno de 10% em todos os níveis de ensino. Em 2004, havia 44.796 crianças nas creches, hoje sã0 35.981, cerca de 20% a menos de matriculas, em EMEI de 273 mil diminuiu para 264 mil e em EMEF de 556 mil para 516 mil.

Não fica claro em nenhuma das matérias onde estão as 149 mil crianças atendidas em creche, declaradas pelo Prefeito ou onde foram criadas as 80 mil novas vagas, segundo o Sec. de Educação! As vagas oferecidas via convênio e que não constam do CENSO/MEC precisariam ter duplicado nestes 3 anos, em 2004 eram atendidas cerca de 52 mil crianças via convênio com entidades. Não adianta dizer que as crianças foram para a EMEI ou para a EMEF, porque em todos os níveis o número de matriculas foi reduzido. Outra pergunta é como irá construir 500 creches em um ano, mesmo com o PPP!

Maria Aparecida Perez

Ex-Secretaria de Educação do Município de São Paulo

Elis Regina - Me Deixas Louca


Elis Regina em sua última apresentação na TV, cantando Me Deixas Louca.

Assim não dá

Entre os piores na educação
Brasil é o 52º de 57 países no ensino de ciências, mostra teste mundial com alunos de 15 anos


Demétrio Weber
BRASÍLIA - O GLOBO

O Brasil foi reprovado no maior exame mundial de ciências para estudantes de 15 anos, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2006, divulgado parcialmente ontem. Os jovens brasileiros de escolas públicas e particulares ficaram na 52ª posição entre 57 países e territórios, com nota média de 390 pontos, na escala até 800. Dito de outra forma: o país teve o sexto pior resultado.

A Finlândia lidera o ranking. Dos outros cinco países latino-americanos incluídos — Chile, Uruguai, México, Argentina e Colômbia —, apenas a Colômbia ficou atrás do Brasil.

A prova é feita por amostragem. No Brasil, foram avaliados 9.345 alunos de 390 municípios, em todos os estados. O critério para participar é ter 15 anos e cursar pelo menos a 7asérie do ensino fundamental (8º ano, onde o ensino fundamental dura nove anos). Por causa de diferenças na amostragem, a margem de erro varia em cada país. A brasileira é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos. Assim, o Pisa classifica o Brasil entre a 50ae a 54aposição.

Mesmo nações com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aparecem à frente do Brasil no Pisa 2006. É o caso da Indonésia, que ocupa a 107aposição no ranking anunciado esta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O IDH mede a qualidade de vida da população e, pelo primeira vez, deu ao Brasil o status de país de alto desenvolvimento humano, na 70ap os ição, entre 177 países e territórios. A Indonésia está no grupo de médio desenvolvimento.

— Não estamos bem, temos que melhorar.

Há muitos alunos atrasados no Brasil, mas isso não é desculpa. Ter alunos atrasados é um problema, e o Pisa capta isso — disse o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação, Reynaldo Fernandes.

Aos 15 anos, um estudante brasileiro deveria cursar a primeira série do ensino médio.

Mas, por causa da repetência e do abandono escolar, 32,7% dos alunos de ensino fundamental apresentavam atraso de duas séries ou mais em 2005, segundo o Inep.

— O problema é a formação de professores.

Temos uma deficiência grande em matemática, química, física e biologia. E a maioria das escolas não tem ou não usa laboratórios. O ensino se torna muito livresco e chato — disse o diretor de Popularização da Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ildeu de Castro.

Prova foi aplicada a 400 mil estudantes

De 149 mil escolas públicas de ensino fundamental no Brasil, apenas 6% tinham laboratório de ciências e 14% contavam com salas de informática em 2005.

— Se queremos entrar no mundo desenvolvido, não podemos ignorar a importância do aprendizado de ciências desde o ensino fundamental — diz o diretor-executivo da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), Jorge Werthein, ex-representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Mais de 400 mil estudantes dos 57 países fizeram o Pisa no ano passado, com foco em ciências. O teste avalia também a capacidade de leitura e os conhecimentos de matemática — a cada ano, dois terços do tempo são dedicados a uma dessas disciplinas. Os resultados das outras provas serão divulgados na terçafeira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Pisa foi realizado pela primeira vez em 2000, com foco em leitura. A segunda edição, em 2003, teve ênfase em matemática. Apenas 42 países participaram, embora nem todos tenham sido incluídos no ranking. Em 2000, o Brasil ficou em último lugar nas três disciplinas, entre 31 nações. Em 2003, foi o penúltimo em ciências, à frente da Tunísia, entre 40 países.

No Pisa 2006, a Tunísia continuou atrás do Brasil. Os demais países que tiveram desempenho inferior eram estreantes: Colômbia, Azerbaijão, Qatar e Quirguistão. Apenas oito dos 57 participantes tiraram nota abaixo de 400 pontos. Na Finlândia, os estudantes atingiram média de 563 pontos, seguidos pelos de Hong Kong (542) e Canadá (534). As 57 nações participantes respondem por cerca de 90% da riqueza mundial.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Arquimedes Diógenes Ciloni, defende a valorização da carreira de professor do ensino básico. Reitor da Universidade Federal de Uberlândia, ele diz que é preciso tornar o magistério nas escolas públicas mais atraente.

— Para recuperar a escola pública, temos que formar bem os professores. E pagar salários decentes — afirmou Arquimedes.

O Plano de Desenvolvimento da Educação lançado em abril pelo presidente Lula fixou metas até 2021. O objetivo é que os alunos brasileiros atinjam, às vésperas do bicentenário da Independência, o rendimento médio dos alunos da OCDE no Pisa de 2003.

Brasil está longe de cumprir metas de educação para 2015, diz Unesco

Segundo relatório, país tem 40% dos analfabetos da América Latina.

Marcia Carmo - BBC

O Estado de São Paulo

De Buenos Aires - A América Latina tem hoje 38 milhões de analfabetos, dos quais 15 milhões (cerca de 40%) estão no Brasil, segundo documento divulgado nesta quinta-feira pela Unesco em Santiago (Chile), Nova York (EUA) e Nova Délhi (Índia). Os dados incluem apenas os analfabetos com idade a partir de 15 anos.

A diretora da Oficina de Educação da Unesco para América Latina e Caribe, Rosa Blanco, e o coordenador do laboratório para avaliação de qualidade do ensino, Javier Murillo, disseram, por telefone, à BBC Brasil, que dificilmente o Brasil alcançará as metas estabelecidas para 2015.

"Primeiro, o Brasil aparece com alto índice de analfabetismo frente aos demais países da América Latina devido a sua enorme população", disse Blanco. "O Brasil tem avançado em algumas metas fixadas, mas este alto índice de analfabetismo, a falta de igualdade de gêneros no secundário, onde as meninas têm maior presença que os meninos na sala de aula, e ainda a repetição escolar colocam em risco o objetivo estabelecido", afirmou.

Murillo disse que a repetição escolar (27% entre 1999-2005) leva à deserção escolar antes da conclusão do primário no Brasil. "A repetição continua sendo um problema no Brasil."

Neste item, o país aparece junto com Nepal (37% de repetição entre 1999-2005), além de Burundi, entre outros, com mais de 30% de reprovação escolar.

"Na América Latina, a repetição no primário e no secundário representa um gasto de US$ 11 milhões anuais. Dinheiro que poderia ser usado, por exemplo, na contratação e qualificação de professores", disse Blanco. "Todos estes resultados ocorrem devido à ineficiência do sistema educativo."

No documento divulgado nesta quinta-feira, o Brasil é citado de forma positiva na parte de financiamento igualitário da educação nos Estados e ainda devido ao programa Bolsa-Família.

"Esse programa é uma forma de aumentar o acesso das crianças à escola", disse Blanco.

O plano de metas de educação da Unesco contou com a assinatura de mais de 100 países. Foi lançado em 1999 e será concluído em 2015.

O documento divulgado nesta quinta-feira, chamado de "Educación para todos: Reporte global de monitoreo 2008", mostrou que em 2007, na metade do caminho, muitos países já cumpriram as metas fixadas - caso de Cuba, por exemplo.

Outros países, como a Argentina e Chile, vão atingir os objetivos muito antes do prazo de 2015.

Para o Brasil, a meta da "universalização" das crianças no primário poderá ser concretizada. Mas o objetivo de aumentar em 50% o total de adultos alfabetizados corre risco de não virar realidade neste período.

O mesmo vale, segundo os especialistas da Unesco, para os índices de repetição escolar e para a quantidade de meninos que não estão inseridos no ensino secundário. BBC Brasil

Crescimento da produção surpreende em outubro

Cibelle Bouças - Valor

O vigor da atividade econômica surpreendeu em outubro. As previsões mais otimistas foram superadas e a expectativa dos analistas é que a produção industrial a ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima semana aponte um aumento entre 8% e 10% sobre outubro de 2006 e uma alta entre 1,3% e 2,6% sobre o resultado de setembro. Esta expectativa levou analistas a projetarem para o ano um crescimento na produção industrial brasileira superior a 5,5%, o melhor resultado desde 2004, quando o crescimento ficou em 8,3%.


O ABN Amro Real projeta para o ano crescimento de 6,2%, tendo como base a estimativa de um crescimento industrial de 5,9% entre janeiro e outubro. Para outubro, o banco estima que tenha havido um crescimento de 10,2% (ou de 2,5% na comparação dessazonalizada com o mês de setembro). O cenário traçado, afirma Zeina Latif, economista-chefe do banco, levou em consideração o crescimento das importações de bens de capital registrado em outubro e a retomada na produção de bens intermediários, após um fraco desempenho em setembro. "O varejo registra um crescimento forte, as importações e a produção de bens de capital aumentam. A tendência é de retomada na produção", diz.


A economista também observa que este será o quarto ano consecutivo de crescimento na produção industrial - em 2006 foi de 2,8%; em 2005, de 3,1%; e em 2004, de 8,3%. "É uma seqüência de crescimentos razoáveis com aceleração no fim do ano. Em um contexto de redução dos ganhos com exportação por conta do câmbio, esse desempenho comprova que a demanda interna está mais forte", afirma Zeina.


A LCA Consultores estima para o ano crescimento na produção industrial de 5,8%, 0,2 ponto percentual acima da estimativa feita em outubro. O resultado é sustentado pelo bom desempenho nos setores automotivo e de bens de capital. Bráulio Borges, economista da consultoria, observa que a cadeia automotiva responde por quase 20% da produção industrial e a previsão é que as vendas para o mercado interno em 2007 sejam 27% maiores que no ano passado. "O desempenho do setor automotivo, sobretudo em outubro, foi muito forte e é o que explica a surpresa no setor industrial", afirma Borges. Ele pondera que os investimentos na formação de capital fixo também superaram expectativas, com incremento de 12% no ano, ante previsão inicial de 10%.


No mês de outubro o crescimento é estimado em 8,2%, comparado a igual mês de 2006, e em 1,3% na comparação dessazonalizada com setembro. O cálculo da LCA baseou-se na avaliação de indicadores antecedentes da produção industrial, como o consumo de energia, importações de matéria-prima e expedição de papel ondulado (ver gráfico).


Para 2008, a LCA prevê crescimento menor na produção industrial, de 4,6%, também em função do desempenho do setor automotivo, deverá crescer 11% em vendas no país, 16 pontos percentuais abaixo do registrado neste ano, segundo Borges. A taxa de juros (Selic) é projetada em 9,75% no fim de 2008, ante 11,25% neste ano.


A Tendências Consultoria também projeta para 2008 desaceleração na produção industrial, com crescimento de 4%, ante 5,5% neste ano, afirma a economista Marcela Prada. "A tendência para 2008 é de que haja desaceleração na geração de renda e na disponibilidade de crédito", diz. A consultoria projeta aumento de 4,4% no PIB do próximo ano, ante crescimento de 4,8% em 2007. Em outubro, o incremento é estimado em 9,3%, ou 1,9% sobre setembro (com ajuste sazonal). Um dos indicadores avaliados foi o aumento de 27% na arrecadação de IPI no país em outubro.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O melhor: O niguiri polifônico do maestro Jun

Melhor sushi - Jun Sakamoto

O Estado de S.Paulo


- Regra é regra: no Prêmio Paladar, é a comida que está em foco. O sabor em primeiro plano, textura, apresentação e outros parâmetros vêm depois e aí segue. Assim, por mais que o restaurante de Jun Sakamoto insista em ser econômico na simpatia e generoso nas idiossincrasias, é difícil não reconhecer seu talento com o niguiri (o sushi depeixe e/ou frutos do mar sobre bolinhos de arroz). Porque, excentricidades à parte, quando o sushiman começa a conduzir no balcão aquela sinfonia de pescados e lulas frescos, vieiras sem comparação no mercado, sempre com um arroz perfeito, não tem jeito. Por apreço às verdades gastronômicas, os votos foram para ele.

Para apreciar de perto a técnica do chef (e de seu sub, o Jura), no balcão, é preciso pedir o menu-degustação, que sai caro. Deixe-se, então, levar por um ritual bem roteirizado de texturas e sabores. Como um bom regente, Jun sabe usar fortíssimos e pianos e dosar momentos de delicadeza e pungência, até que você transcorra o recital de sushis e vá embora para casa impressionado com aquilo que comeu.

Onde comer

Jun Sakamoto - R. Lisboa, 55, Pinheiros, 3088-6019.
Menu-degustação: R$ 210 no balcão e R$ 195 na mesa

Aizomê - Al. Fernão Cardim, 39, Jd. Paulista, 3251-5157.
Menu-degustação completo: R$ 120

Hideki - R. dos Pinheiros, 70, Pinheiros, 3086-0685. Combinado: R$ 75

Original Shundi - R. Dr. Mário Ferraz, 490, Itaim-Bibi, 3079-0736. Combinado: R$ 65

os outros finalistas

Aizomê

No restaurante de Shin Koike, os jovens Sasaki e Taka servem sushis bem construídos e peixes de primeira linha, sempre com algum pequeno toque especial.

Original Shundi

Ainda em forma, o veterano Shundi Kobayashi apresenta ao cliente seu conhecido arsenal de iguarias, sempre com muito rigor na apresentação visual.

Hideki

Hideki Fuchikami tem evoluído nos últimos tempos e, além de grandes pescados, entre os melhores da cidade, apresenta sushis em franco processo de refinamento.

os votos dos comilões

ALESSANDRA BLANCO
Aizomê


Adoro sentar no balcão de restaurantes japoneses. Não sei por que as pessoas não fazem isso. Primeiro: é lindo ver o sushiman em ação. Aqui, os movimentos eram tão rápidos e delicados que fiquei imaginando se, quando ele dormia, não repetia os mesmos gestos, involuntariamente. Segundo porque o sushiman simpatiza com você, e aí é uma maravilha. O sushi de atum do Aizomê é um dos melhores sushis que já comi na vida: pouquíssimo arroz, mas muito saboroso, um pedaço lindo, generoso e divino de atum por cima, raiz forte já misturada ao arroz e na quantidade suficiente para "desentupir" o nariz. Depois, comi ainda sushis de garoupa, olho de boi, polvo e ainda de meca, esse rapidamente grelhado com um maçarico bem na minha frente. Fiquei extremamente em dúvida entre ele e o Jun Sakamoto. Nesse último, comi maior variedade de sushis, todos divinos. Mas o que não consigo deixar de pensar é no sushi de atum, simples, do Aizomê. Então, é para ele que vai o meu voto.

BRAULIO PASMANIK
Jun Sakamoto


Não há muito que dizer. Os sushis que saem das mãos de Jun são inigualáveis. Os peixes são os melhores que se pode encontrar por aqui. O arroz tem textura e sabor perfeitos. E Jun, controle de qualidade em pessoa, vai tratando de doutrinar seus clientes para que comam o sushi com a quantidade certa de shoyu, sem deixar parar no prato por mais de dois minutos. E ainda tenta explicar o que é tradicional no Japão: comer com as mãos, estendendo o prazer também ao sentido do tato.

JACQUES TREFOIS
Jun Sakamoto


Bons sushis, tanto o arroz como os peixes.

LUIZ AMÉRICO CAMARGO
Jun Sakamoto


Em certos momentos, os sushis do chef tiveram os adversários quase nos seus calcanhares, especialmente na qualidade dos peixes - foi uma felicidade provar ótimos atuns, agulhões, robalos em quase todos os concorrentes. Mas a casa de Jun Sakamoto sobressai pelo rigor na construção do niguiri, pelo arroz ainda superior e por vieiras e ostras realmente excepcionais, entre outras iguarias. Ainda que, em alguns casos, tivesse havido um exagero no wasabi.

LUIZ HORTA
Jun Sakamoto


Implico com o silêncio e a concentração do restaurante Jun, não é a minha graça em sair de casa, talvez porque já more num ambiente parecido. Sempre acho que vou fazer alguma coisa errada e ser banido por alguns meses, como num episodio de Seinfeld "no sushi for you!". Mas quando fui comendo aqueles sushis, fui me emocionando, como uma epifania, tive meu atalho para Damasco ali no balcão, com Billie Holliday cantando e rindo de mim: "You''''ve changed...". Mudei mesmo, entrei Saulo e saí Paulo, pedi mais um sushi de ouriço, outro de enguia, o polvo incrível, a lula com seu salzinho preto e um zest de citrino, vi onde a faca termina e o talento começa.

PATRÍCIA FERRAZ
Aizomê


Fresquíssimos, com elegância ímpar, os quatro sushis são acomodados num pratinho retangular. Pargo, torô, olho de boi e sardinha - aquilo que estiver mais fresco no dia. Exibem o equilíbrio perfeito entre o peixe, o arroz e o wasabi. Sublimes.

RICARDO FREIRE
Hideki


Nunca tinha pensado no Hideki como um "haut" japa. Sempre fui levado para lá para aproveitar o bufê do almoço, que é gostoso e honesto, mas é um bufê. Sentar-me no balcão e pedir a escolha do sushiman foi uma experiência surpreendente. O que eu mais gostei é que, com exceção do torô e de um ou outro peixe branco, todos os sushis levam alguma frescurinha que agrada em cheio àqueles que, como eu, não sabem fazer cara de conteúdo para avaliar o frescor do peixe ou a quantidade de saquê do arroz. Adorei do primeiro ao último sushi proposto.

ROBERTO SMERALDI
Aizomê


Requinte no preparo e qualidade de ingredientes o tornam uma experiência inesquecível. Um bom indicador é a recusa do pessoal no balcão para lhe oferecer aquilo que você solicita quando a matéria- prima não for fresquíssima. Tomara que continue assim para sempre.

ROSA MORAES
Jun Sakamoto


Consistência, elegância , sutileza. Arroz no ponto certo, peixes, crustáceos e frutos do mar fresquíssimos. Sofisticados sushis de vieira, marisco vermelho, carapau, cavalinha gorda, enguia, lula, ostra, ouriço, torô... um mais delicioso que o outro. Ainda por cima, estava no meu dia de sorte: comi um gordíssimo sushi de atum bluefin e um de caranguejo do Alasca, recém chegados dos EUA, trazidos por um cliente que veio direto do aeroporto para o restaurante!

SAUL GALVÃO
Jun Sakamoto
Jun Sakamoto, sem dúvida. Também o Hideki agradou demais.


SILVIO GIANNINI
Original Shundi


Apresentação impecável, a consistência precisa do arroz e o frescor dos ingredientes e algumas iguarias raras fazem deste o melhor sushi atualmente servido na cidade. A presença constante do sushiman, que trabalha atrás do balcão, faz a diferença.

Turismo bate recorde: "outubro é o melhor da história"

Quase US$ 1 bilhão no exterior

Cláudia Dantas - JB

Nunca os brasileiros gastaram tanto no exterior como agora. Só em outubro, as compras fora do país somaram US$ 915 milhões. De janeiro a outubro, o volume foi US$ 6,6 bilhões. No mesmo período do ano passado, as despesas chegaram a US$ 4,7 bilhões. Os turistas estrangeiros, por outro lado, deixaram no Brasil US$ 4 bilhões. No mesmo período do ano passado, foram US$ 3,5 bilhões.

Os números demonstram um forte aquecimento nas vendas de pacotes internacionais, impulsionadas pela queda do dólar. De acordo com a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-RJ), a procura por destinos internacionais registrou alta de 15% em relação ao ano passado. Os cruzeiros marítimos são a grande revelação: mantêm alta de 30% por cinco anos seguidos.

O presidente da Abav, Luiz Strauss, confirma que o dólar baixo abriu caminho para a boa fase do turismo e sustenta que ainda há vagas nas operadoras, principalmente para destinos domésticos.

- Os cruzeiros já esgotaram, mas quem ainda planeja viajar no final do ano deve se apressar e optar por pacotes domésticos. Ainda há vagas. Já nas rotas internacionais mais procuradas é mais difícil confirmar a passagem de avião - disse Strauss.

As companhias aéreas também apostam no aquecimento do mercado e criam promoções especiais para o fim de ano e a temporada de férias. A Gol oferece até 31 de dezembro passagens a preços promocionais para 51 destinos em todo o Brasil. A compra é feita pelo site da companhia, o cliente combina preços promocionais com trechos e estes podem sair a R$ 0,50 ou R$ 50.

Já a TAM abriu ontem três vôos diretos de Congonhas para Ilhéus, Porto Seguro e Salvador e Cuiabá.

Para José Francisco Salles, diretor de estudos e pesquisas da Embratur, a oferta das empresas aéreas beneficiou bastante o turismo nacional, que se recupera da perda de assentos depois da saída da Varig no ano passado.

- Perdemos 1,4 milhão de assentos com a saída da Varig e isto pesou nos resultados de julho de 2006 a julho de 2007 - apontou. - Mas os números deste ano são a grande virada, pretendemos fechar o ano com 50 milhões de desembarques nacionais - estima.

O especialista acredita ser uma retomada do público viajante, pois desde de 2003 não se registrava um resultado de mais de dois dígitos. O mês de outubro, por sua vez, bateu recorde.

- É o melhor da história, obteve um crescimento de 27,8% em relação ao ano passado - revelou. (Com agências)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Lascia ch'io Pianga na versão do filme Farinelli -


Aria da opera Rinaldo de Handel, que no filme é cantada por Ewa Mallas-Godlewska soprano, e Derek Lee Ragin contra-tenor. O filme Farinelli de Gerard Corbieau foi nominado no festival de Cannes em 1996 e a cantora ganhou o disco de oro no mesmo ano, após vender mais de 2 milhões de copias.

Vaidade

Gloria Swanson, por Edward Steichen
(© Condé Nast Publications Inc., cortesia George Eastman House)

Kathleen Gomes antecipou no P2 de ontem a exposição Vanity Fair Portraits que inaugura em Fevereiro do próximo ano, na National Portrait Gallery de Londres. A revista americana foi suporte de alguns dos mais icónicos retratos da história da fotografia e decidiu agora dar a ver as imagens que fazem parte dessa herança visual. Entre os fotógrafos representados há dois nomes que ressaltam: Edward Steichen e Annie Leibovitz.

Para ler o artigo do P2 clique aqui.

Hillary Swank, por Norman Jean Roy, 2005
(© Norman Jean Roy)

Vanity Fair Portraits: Photographs 1913-2008
National Portrait Gallery, Londres (de 14 de Fevereiro a 26 de Maio)
Scottish National Portrait Gallery Edimburgo, (de 14 de Junho a 21 de Setembro)

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posted by Sérgio B. Gomes

Un vídeo contradice la versión policial sobre el accidente que originó los disturbios en Francia

Un vídeo contradice la versión policial sobre el accidente que originó los disturbios en Francia
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Estado en el que quedó el coche patrulla tras el accidente.- AP


El País

Un vídeo aficionado contradice la versión de la policía sobre el accidente con un coche de policía que el pasado domingo causó la muerte a dos adolescentes en la localidad de Villiers-le-Bel, cercana a París, y que está en el origen de los disturbios que han sacudido las calles de algunas ciudades francesas. Según publica Le Monde en su edición digital, el vídeo demostraría que los desperfectos que sufrió el coche policial no fue causado por incontrolados tras el accidente, sino que quedó así como consecuencia del choque.


Según la versión de la Inspección General de la Policía Nacional, encargada de investigar las circunstancias de la colisión, las primeras imágenes del coche aparecidas en la prensa, en las que se aprecia que el coche tiene el parabrisas roto y el parachoques descolgado, fueron tomadas después de que el coche fuera apaleado con barras de hierro por incontrolados que acudieron a la zona del accidente. Por tanto, sostiene la policía que los destrozos no fueron consecuencia de la violencia del accidente.

Esta versión es uno de los argumentos policiales para sostener la tesis de que el coche circulaba a escasa velocidad y que fue embestido por la moto que conducían los adolescentes que fallecieron.

El vídeo, que han podido ver en la redacción de Le Monde, fue grabado, al parecer, escasos instantes después del choque y ya se pueden ver los destrozos del coche. Es decir, que ya quedó en ese estado tras el accidente, y no fue atacado por incontrolados. Las imágenes del vídeo muestran el coche seriamente dañado, que se corresponden con las imágenes publicadas en la prensa que la policía dice que fueron tomadas tras el supuesto apaleamiento del coche. Van en el mismo sentido que las declaraciones de testigos que aseguran que se protegió el coche para que no sufriera más daños, para facilitar una investigación.

El autor del vídeo, que se ha reunido con periodistas de Le Monde y que ha pedido permanecer en el anonimato, sostiene que fue alertado del accidente "pocos minutos después de los hechos". Así, salió de su casa hacia el lugar de los hechos y comenzó a filmar "muy poco después" del accidente. Los bomberos dijeron que se había producido a las 17.00, según la fiscal de Pontoise, y él dice haber empezado a grabar entre las 17.15 y las 17.20.

En las imágenes, además del coche, se ve a varios testigos que miran cómo los bomberos realizan masajes cardiacos a los adolescentes muertos, en presencia de policías. A los pocos minutos, se ve llegar una ambulancia que, según el servicio de emergencia, salió del hospital de Gonesse a las 17.08, a cinco kilómetros del lugar del accidente. Según el cálculo de Le Monde, respetando las señalizaciones, tardaía en llegar 10 minutos, por lo que estaría allí a las 17.18. En ese instante, el coche está a caballo entre el asfalto y la acera, y exactamente con los mismos daños con los que aparece en las fotos publicadas que la policía sostiene que fueron tomadas tras un presunto ataque.

Un ataque que sólo podría haberse cometido entre el momento del accidente y el comienzo de la grabación. Ahora bien, los policías afirman que nunca dejaron solos a los dos adolescentes accidentados. Dado que estaban presentes en el lugar, habrían sido testigos de los presuntos destrozos causados por los incontrolados, los habrían señalado en su informe, cosa que no hacen. Por tanto, si el presunto ataque al coche policial se hubiera producido antes de la llegada de los bomberos, implica que un grupo de jóvenes atacó el coche con barras de hierro mientras los dos adolescentes yacían en el suelo.

Sin embargo, lo que se ve en el vídeo es cómo los bomberos y los servicios de emergencias trabajan en un entorno de relativa calma, al menos en la primera parte del vídeo. Luego la tensión parece aumentar, pero no se cometen actos de violencia.

Pese a todo, la policía y el Ministerio del Interior mantienen la versión de la Inspección General de la Policía según la cual, el vehículo policial, "probablemente" fue dañado voluntariamente tras el accidente. Sin embargo, el informe policial no cita testigos directos de ese ataque contra el coche, pero se apoya en el testimonio de un bombero de Villiers-le-Bel, el primer responsable que intervino en el lugar del accidente, que sostiene que el coche no tenía tantos destrozos cuando él lo vio por primera vez.

El presidente francés, Nicolas Sarkozy, ha anunciado hoy una investigación judicial que arroje luz sobre las circunstancias del accidente.

Plano Condor: Ditadores argentinos nos bancos dos réus. E os outros?

Elevan a juicio oral la causa por el Plan Cóndor

El juez Torres ordenó elevar la causa a juicio oral. (TN)

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09:24
El magistrado Sergio Torres dispuso que se juzgue a Jorge Rafael Videla y a otros 16 represores por delitos de lesa humanidad en el marco del acuerdo entre dictaduras latinoamericanas en los 70.

Comandante, ordene!

Lula: 'Quero ver todo mundo torcendo para o Corinthians hoje'

Obra dos Demos e tucanos: Região da Cracolândia aumenta e se espalha pelo centro da capital, denuncia o Diário de São Paulo


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Cresce o turismo e Brasil é confirmado para o Conselho Executivo da OMT

O crescimento do turismo e do emprego e renda gerados pela indústria turística (no Brasil de 33% segundo a OMT citada pela Folha Online)) esteve no centro do congresso da Organização Mundial do Turismo (OMT). O Brasil foi eleito membro da executiva deste importante organismo.

Brasília (26/11) – O Brasil foi eleito, ao lado do México e de El Salvador, para o Conselho Executivo da Organização Mundial do Turismo (OMT), durante a Assembléia-Geral da 47ª Reunião da Comissão da OMT para as Américas, em Cartagena de Índias, na Colômbia – encontro presidido pela ministra do Turismo, Marta Suplicy. Como era o último ano do Brasil na presidência das Américas, houve escolha também de seu sucessor: a Colômbia.

O Brasil foi eleito para o mandato 2007-2011. México e El Salvador vão compartilhar a representação. Entre 2007 e 2009 assume o México. Entre 2009 e 2011 responde El Salvador pelo mandato no Conselho. A renovação no Conselho, neste ano, se deu em razão dos términos de mandato do Canadá e Peru. O anúncio oficial dos países eleitos para o Conselho Executivo será amanhã (27), durante a XVII Reunião Ministerial da Assembléia-Geral.

Este encontro da Assembléia-Geral discute também temas importantes para o setor, tais como Turismo e Mudanças Climáticas; Política de Qualidade dos Destinos e o Estabelecimento do Centro Mundial de Excelência dos Destinos em Montreal.

A ministra Marta Suplicy reafirmou na reunião da Comissão das Américas posição que havia apresentado em Londres, durante debate da OMT, sobre mudanças climáticas e turismo. Segundo explicou, a questão do aquecimento global é uma preocupação de todos os governos e têm profundo impacto para a atividade turística. Para a ministra “países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, vão continuar a dar importantes contribuições voluntárias aos esforços globais para a redução das emissões de gases do efeito estufa”.

Marta observou, porém, que o Brasil leva em conta o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Os países em desenvolvimento não podem ser tratados da mesma maneira que os países desenvolvidos, que acumularam riquezas à custa de um grande passivo ambiental para todo planeta. “O compromisso em relação à preservação do meio ambiente não pode ser colocado em contraposição à luta contra a pobreza e a exclusão social. O turismo é um importante instrumento para o progresso de países em desenvolvimento, que vão continuar trabalhando para atrair turistas de todo o mundo”, afirmou Marta Suplicy.

A posição brasileira recebeu forte apoio dos demais países na reunião da Comissão para as Américas. Está sendo preparado um documento para, em nome dos componentes da comissão ser apresentada à Assembléia-Geral da OMT, como uma posição coletiva. Em encontro com a ministra Marta Suplicy, a ministra de Turismo da Índia, Renuka Chowdhuri, reforçou que os dois países compartilham a mesma posição em relação às questões das mudanças climáticas e suas influências no turismo.

Uma boa notícia foi dada pela ministra do Equador, Maria Izabel Salvador Crespo, à ministra Marta Suplicy. Uma linha aérea equatoriana vai operar a ligação Quito/Manaus, a partir do ano que vem. O Equador é hoje o único país da América do Sul sem vôos diretos para o Brasil.

Sobre a OMT – A Organização Mundial do Turismo é a agência especializada das Nações Unidas para o Turismo. O Conselho-Executivo da Organização é o órgão responsável pela tomada de decisões para a implementação de suas próprias resoluções e recomendações da Assembléia-Geral, órgão supremo da organização. Ligadas ao Conselho, estão as comissões regionais, que neste encontro também vão eleger seus próximos presidentes e vice-presidentes para exercer mandato de dois anos. A Assembléia-Geral reúne-se a cada dois anos com o objetivo de analisar e informar sobre as ações realizadas pela OMT. Os integrantes também se encontram para eleger representantes do Conselho Executivo e para aprovar o programa de trabalho e o orçamento da organização. Fonte portal do Ministério do Turismo

Turismo continua em alta mas está sensível a crises, afirma a OMT

da Efe, em Cartagena

O negócio do turismo no mundo é um dos que apresentam maior crescimento e um futuro promissor, mas por suas características é também um dos mais sensíveis a movimentos políticos, crise econômicas e desastres humanos e naturais. É o que informa um relatório da OMT (Organização Mundial de Turismo) divulgado nesta quarta-feira.

A OMT está realizando a sua assembléia geral na cidade colombiana de Cartagena. O seu relatório de conjuntura até agosto apontou que os resultados preliminares de 2007 "confirmam a resistência da demanda contra os fatores externos".

Os problemas incluem "desde turbulências nos mercados financeiros até segurança e saúde, passando pela alta dos preços do petróleo e o aumento dos impostos sobre o transporte aéreo, os riscos inflacionários e a alta das taxas de juros".

Além disso, o órgão alertou que "esses fatores começam a afetar a confiança dos consumidores em alguns mercados, o que poderia se estender e afetar, em algum momento, a demanda global de viagens internacionais".

Estatísticas

O número de chegadas de pessoas em viagens internacionais, segundo o documento, cresceu entre janeiro e agosto deste ano 5,6%. Foram 32 milhões a mais que no mesmo período do ano anterior.

Nos primeiros oito meses de 2007 houve 610 milhões de chegadas internacionais, nove por cada 100 habitantes do planeta. Até dezembro, segundo a OMT, o número deve ficar entre 880 e 900 milhões. Seria o quarto ano de crescimento sobre a média dos últimos anos, de 4,1%.

O crescimento na Europa foi de 4%, um ponto percentual abaixo da média do ano passado. Nas Américas, também com 4%, a taxa foi o dobro da registrada em 2006, segundo o relatório publicado pela OMT.

O relatório de conjuntura destaca os números da despesa turística, que continuam aumentando. No Brasil, o crescimento foi de 33%, e na Argentina, 24%. Em seguida vieram Coréia (18%) e Rússia (16%).

O relatório da OMT afirma que os destinos emergentes da Ásia e Pacífico, África e o Oriente Médio foram os principais motores do crescimento neste ano.

Begin the Beguine - Eleanor Powell & Fred Astaire


Para continuar com o bom dia!

Evolução da renda real ajuda a reativar economia brasileira

Julio Gomes de Almeida diz que o crescimento do crédito não teve um papel isolado na reativação da economia brasileira. "É muito importante relevar a evolução da renda real da população. A razão disto é que esta variável constitui uma destacada condição de acesso das pessoas ao crédito".


Júlio Gomes de Almeida
Terra Magazine

Redação Terra

Consumo básico é proporcional à renda real da população. Apenas crédito bancário não sustenta o consumo



Muitos analistas destacam o crescimento do crédito ao consumidor como o determinante fundamental da intensa expansão da demanda por bens de consumo. Nenhum reparo deve ser feito a esse entendimento, pois, de fato, o crédito concedido pelos bancos às famílias vem crescendo nesse ano a uma taxa real próxima a 20% relativamente ao ano passado. Isso vem dinamizando setores industriais inteiros que, do contrário, estariam em situação muito difícil em razão da valorização cambial. Os recordes de vendas de automóveis, de produtos da "linha branca" e de móveis têm inteira correspondência com essa reativação do crédito.

Outros setores também se beneficiam como é o caso da construção habitacional. A ampliação dos prazos dos financiamentos já permite uma maior aproximação entre os valores dos aluguéis e das prestações dos financiamentos, o que concede ao setor um grande incentivo. Portanto, não deve ser subestimado o papel do crédito, especialmente para as famílias, no atual contexto de reativação da economia brasileira.

Porém, uma indagação muito importante diz respeito aos fundamentos desse processo. Nesse sentido é muito importante relevar a evolução da renda real da população. A razão disto é que esta variável constitui uma destacada condição de acesso das pessoas ao crédito, assim como o principal fator que evita a inadimplência nos financiamentos. Ou seja, o rendimento real é a condição para "entrada" e para a "saída" das pessoas ao crédito, amparando a sua reprodução.

É claro que o pano de fundo de tudo isso é uma maior disposição do sistema bancário em ampliar suas operações creditícias, já que nessa área, os retornos são especialmente atraentes, dado o elevado "spread" cobrado pelas instituições financeiras. Mas, tal desejo de ampliação esbarraria em limites cadastrais e em uma crescente inadimplência, caso não fosse acompanhado de um crescente rendimento da população. A renda real também é em si um determinante destacado do consumo corrente, pois define o poder de consumo que se dirige diretamente para a aquisição de determinados bens, notadamente os de "primeira necessidade".

Como está evoluindo o rendimento real médio das pessoas ocupadas? Um breve retrospecto do comportamento da renda do trabalhador mostra duas etapas muito claras nos últimos doze meses. Desde outubro de 2006, seu crescimento teve expressiva elevação que se sustentou por cerca de oito meses. Nesse período, o aumento situou-se entre 4% e 5% com relação ao mesmo mês do ano anterior. Dado um aumento médio do número de pessoas ocupadas em torno a 3%, isso permitiu que a massa real de rendimentos crescesse em termos também anuais entre 7% e 8,5%. Daí a base elástica do crédito a que nos referimos.

Uma observação relevante é que mesmo na ausência da forte ampliação do crédito, esta elevada expansão da massa real de rendimentos por si só já seria um condicionante do bom desempenho do mercado consumidor interno. Não é por acaso que certos segmentos industriais como alimentos, bebidas, e a indústria farmacêutica tiveram significativa aceleração de crescimento no decorrer de 2007.

Desde meados do ano, no entanto, esse quadro teve progressiva deterioração, com taxas cada vez menores de variação do rendimento real. Assim, de uma média próxima a 5% de aumento, o rendimento passou a crescer em torno a 2,5% em junho e julho, 1,2% em agosto, 2,7% em setembro e 1,2% em outubro, sempre na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Se tomarmos a média do último trimestre, a variação alcançou 1,6%, ou seja, cerca de um terço do que chegou a ser nos meses de maior evolução. Com isso, dado que o aumento do emprego se manteve na faixa de 3%, a massa real de rendimentos, vale dizer, a base do mercado interno consumidor e o pilar para a multiplicação do poder de compra através do crédito, cresceu em média 4,6%.

Este ainda pode ser considerado um índice bom, mas indubitavelmente é bem inferior ao que foi no passado recente. Mais importante, todavia, são os desdobramentos desse processo. O movimento é de queda, não havendo ainda sinais de que tenha chegado ao seu limite mínimo. Dependendo da evolução do rendimento real da população nos próximos meses, teremos uma visão mais clara das tendências do mercado interno consumidor. Por enquanto, não é possível afirmar categoricamente que a pujança do consumo familiar verificada em 2007 será repetida no ano que vem.


Júlio Gomes de Almeida é professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Fale com Júlio Gomes de Almeida: jgomesalmeida@terra.com.br

O espantalho do terceiro mandato

Luiz Weis

O Estado de São Paulo

O terceiro mandato é uma invenção do PSDB. Serve para o partido empunhar a mais vistosa das bandeiras políticas - a defesa da democracia - a custo zero.

Se o presidente Lula for tomado por uma acesso de insanidade e, contra todas as evidências, embarcar nessa aventura que ele rejeita publicamente dia sim, o outro também, os tucanos terão um motivo real para fazer do que até hoje outra coisa não é senão a sua guerra particular uma legítima Batalha de Stalingrado pela santidade do princípio da alternância no poder. Já se a norma for mantida sem percalços, eles sempre poderão dizer que, não fossem as suas denúncias a tempo e hora, ela teria sido atropelada pelo chavismo da nação petista e do seu primeiro companheiro.

O PSDB começou a agitar o pano vermelho nos idos de janeiro, quando o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) ainda estava longe dos 15 minutos de fama com o seu nefasto projeto de emenda constitucional que daria ao presidente da República a prerrogativa de convocar plebiscitos sobre o que lhe desse na veneta, à revelia do Legislativo. Portanto, nove meses antes que saísse da obscuridade o "velho amigo íntimo" de Lula, como os tucanos e setores do comentariado político se apressaram a identificá-lo, foi posta a circular a versão de que o Planalto tratava de criar as condições para que o presidente começasse a "trabalhar por um terceiro mandato".

Naturalmente, era tudo muito iffy, como dizem os gringos. O motor começou a rodar não com uma acusação frontal, baseada em fatos, mas com uma especulação pontilhada de condicionais, que invocava a "lógica" - Lula não tem um sucessor natural capaz de herdar os seus 58 milhões de votos e tem toda a popularidade do mundo para fomentar um clamor popular pela re-reeleição, mediante um casuísmo que o Congresso não se furtaria a aprovar. Espantalhos não se fazem num dia, porém. Quanto mais gradual a sua montagem, maior o seu poder de assustar. Sem falar que teorias conspiratórias só têm compromissos com as intenções de seus autores.

O PSDB atou-se à teoria do terceiro mandato literalmente à falta de melhor. Seja para transformá-lo no mensalão do segundo - com a diferença de que o original foi um dado da realidade -, seja para mascarar o próprio apagão de idéias e ideais. Em agosto de 2005, quando Duda Mendonça, o marqueteiro do coração de Lula, contou ter sido remunerado com depósitos em conta secreta no exterior, faltou ao partido tutano para levar o presidente ao mata-mata de um pedido de impeachment. Faltou decerto porque um mês antes O Globo revelou os primeiros indícios do que ficou claro como o sol na semana passada - o mensalão tucano da campanha mineira de 1998.

Agora, trata de arar o terreno para a semeadura de uma crise mensalônica que poderia restaurar o seu patrimônio como oposição ao lulismo, dilapidado - desgraça pouca é bobagem - duas vezes. Na campanha de 2002, quando escondeu o presidente Fernando Henrique do horário eleitoral, e na seguinte, quando se envergonhou das privatizações no seu governo. Desta vez, é como se, perversamente, o PSDB desejasse que Lula incentivasse uma iniciativa terceirista, para armar o barraco. Mesmo sem isso, já faz desfilar a assombração no Senado, para impedir que alguns dos seus ajudem de caso pensado a aprovar a prorrogação da CPMF.

Curiosa família, a dos ranfastídeos. Tentam levar o povo no bico, apostando na sua proverbial desmemória. Fizeram em 1997 o que afirmam, horrorizados, que Lula quer fazer em 2007, apenas com um re a mais: aprovaram a emenda da reeleição, de quebra com uns votinhos comprados nos grotões, valendo já para o presidente de turno - senão, cadê a graça? No ninho, raras aves ousaram criticar a abolição da regra do impedimento com a bola rolando. Era para o bem, retrucavam os fernandistas no Congresso, na imprensa e na intelligentsia. Exatamente o que diriam os partidários do Lula-3. Eles existem, mas apitam o mesmo que aqueles poucos tucanos favoráveis à reeleição a partir de 2002.

O drama do PSDB, que deu no factóide que está aí, não tem mistério. O partido perdeu a pele social-democrata (leia-se: de esquerda modernizadora, à espanhola) com que veio ao mundo, em 1988, e a pele apefelada que a substituiu é o tipo da coisa fora de lugar diante desta sociedade que pode não ser mais justa, mas se "pensa mais justa", no fino registro do ex-ministro Delfim Netto, no Valor de segunda-feira. No mesmo jornal, a propósito, o repórter Caio Junqueira anotou dias antes as didáticas diferenças entre o primeiro programa tucano e o aprovado no congresso-convenção da última semana, em Brasília. O novo documento não contém nem o termo progressista, nem o nome Nordeste.

Mas o pior de tudo, como os tucanos só admitem na penumbra, é a sua respeitável dificuldade de combater um governo que cumpre essencialmente o seu, deles, programa. Assim como seria uma festa para o PSDB se Lula desse corda ao terceiro mandato - que não pegaria bem para ele nem no exterior, como sabe -, teria sido uma apoteose se Lula esquecesse o que assinou na Carta ao Povo Brasileiro, de junho de 2002 - e no ano seguinte entregasse as chaves do Planalto ao velho PT. Tendo os fatos transcorrido como transcorreram, o PSDB continuou no poder, como emanação doutrinária. Virou um autor à procura de um enredo.

Ainda mais depois da invertida que levou, em pleno convescote, do procurador-geral da República, que tirou o chão sob os pés do partido nascido do manifesto repúdio dos seus fundadores aos "métodos quercistas" de fazer política e governar. Hoje se sabe que também grão-tucanos são chegados à ética de resultados, como a companheirada da trincheira em frente. Restaram, no atacado, a apelação do terceiro mandato; no varejo, os constrangedores ataques pessoais de Fernando Henrique a Lula. O debate público nacional podia passar sem uma coisa e outra.

Luiz Weis é jornalista

Hilary Hahn toca o Adagio do concerto para violino no.1 de Paganini



Bom dia!

governo Lula: País tem resultados melhores entre emergentes que formam os Brics

O Globo

China e Índia estão abaixo na lista. Rússia, em posição melhor, teve queda no IDH

Martha Beck e Demétrio Weber

BRASÍLIA. O Brasil foi o país que teve melhores resultados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os Brics — bloco de nações emergentes cujas economias têm potencial para dominar o mercado mundial em meados deste século. Embora tenham registrado crescimento no IDH superior ao brasileiro nos últimos 15 anos, Índia e China ainda estão bem abaixo no ranking. Enquanto o Brasil ocupa a 70aposição, a China está na 81ª, e a Índia na 128ª Já a Rússia está numa colocação melhor que a brasileira (67aposição), mas registrou queda no IDH. A mesma vantagem, porém, não é encontrada quando a comparação se dá com os vizinhos da América do Sul.

Enquanto o índice brasileiro relativo a 2005 foi de 0,800 (alta de 10,65% sobre 1990), no mesmo período, o da Rússia foi de 0,802 (queda de 1,6%), o da China, de 0,777 (alta de 22,56%), e o da Índia, de 0,619 (alta de 18,81%). Mantido o ritmo, porém, a médio prazo os asiáticos podem ultrapassar o país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que o Brasil está em melhor posição do que seus companheiros nos Brics e enumerou desafios para o próximo século: — Nós temos a China, com 1,3 bilhão de habitantes, que precisa incluir 1 bilhão na cidadania.

Nós temos a Índia, com 1 bilhão de habitantes, precisando incluir 700 milhões na cidadania.

Arrumar trabalho, escola, alimento, tudo isso é um desafio para o século XXI.

Em artigo para o relatório, Lula defende etanol Mesmo assim, o Brasil ainda é o mais desigual do grupo. A renda dos 20% mais ricos é 21,8 vezes maior que a renda dos 20% mais pobres. Na China, essa relação é de 12,2 vezes, na Rússia, de 7,6, e na Índia, de 5,6.

No entanto, o Brasil apresenta melhores indicadores de pobreza e de saneamento em relação a China e Índia.

Quando se considera o Índice de Pobreza Humano — que combina diversos indicadores essenciais à qualidade de vida — o Brasil vê em condições degradantes 9,7% da população, contra 11,7% na China e 31,3% na Índia. Já a taxa de saneamento brasileira está em torno de 75%, enquanto a indiana é de 33% e a chinesa, de 44%.

Outro sinal da desigualdade está nas taxas de mortalidade infantil e materna. No Brasil, a mortalidade entre menores de 5 anos é de 33 por mil nascidos.

Mas entre os 20% mais pobres esse número sobe para 99. Já a taxa de mortalidade materna é de 110 para cada 100 mil nascimentos, contra em torno de 20 a 30 nos demais países.

Pelo segundo ano consecutivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve participação especial no Relatório de Desenvolvimento Humano. No seu artigo, enumerou os esforços brasileiros para minimizar as alterações climáticas, criticou os programas de subsídios aos biocombustíveis americano e europeus e pediu a redução das tarifas de importação do etanol brasileiro.

Para ele, “o Brasil está preparado para apoiar esforços de países em desenvolvimento para identificar fontes viáveis de energia alternativa”. Seu artigo aparece ao lado de autores como o secretário-geral da ONU, Ban-Ki-moon, e o bispo sul-africano Desmond Tutu (prêmio Nobel em 1984).

É Guerra!


O Globo

SÃO PAULO. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), lançou o nome do ex-governador paulista e candidato derrotado à Presidência Geraldo Alckmin para concorrer à prefeitura de São Paulo, em 2008. O gesto, se formalizado no próximo ano, pode ameaçar a aliança entre os tucanos e o DEM, que espera ter o apoio do PSDB à reeleição do prefeito Gilberto Kassab. Também pode atrapalhar os planos do governador tucano José Serra de ter o apoio do DEM, caso dispute a sucessão presidencial em 2010.

Kassab foi o vice de Serra na eleição de 2004 para a prefeitura e o substituiu quando o tucano concorreu, e venceu, a eleição para governador.

— Acho que se o PSDB tem um candidato com chances de vitória, e tem, então o candidato à prefeitura é o doutor Geraldo Alckmin — disse Guerra, em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, na noite de anteontem.

Guerra rejeitou a idéia de que a eventual candidatura de Alckmin vá minar a parceria com o DEM: — Vamos trabalhar para eleger nosso candidato, não para derrotar ninguém. Somos uma força política vitoriosa algumas vezes, e, além disso, nem sei qual é a posição do prefeito.

O PSDB ainda está à procura de um rumo



Editorial Valor

A semana passada seria a do PSDB. Pelo menos era o que o partido havia planejado, ao marcar suas inserções publicitárias na TV antes do 3º Congresso do partido fundado em 1988. A ofensiva de marketing desembocaria na reunião tucana, que decidiria pela "atualização" do programa partidário e seria encerrada com honras pelo seu maior cardeal, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República por dois mandatos (1994-1998 e 1999-2002).


Como a realidade nem sempre coincide com o marketing, ainda nos jornais de domingo era possível perceber o estrondoso fracasso de público da semana tucana. As televisões veicularam as imagens da xerox com repetitivos textos de que o PSDB fez, o PT copiou, sem que se conseguisse sair do "passado glorioso" para apontar um verbo no futuro: o que fará o partido hoje com mais chances de eleger o sucessor do presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva? Os tucanos não conseguiram também responder essa pergunta no "manifesto de atualização do programa partidário", que professa o partido como "autenticamente nacionalista e moderno" (sem dizer o que vem a ser o autêntico, o nacionalista e o moderno) e prega um "desenvolvimentismo" que passa por uma opção por "mais governo e mais mercado", seja lá o que isso represente na literatura acadêmica que tanto FHC preza (um mistura e manda, ou copia e cola, do liberalismo com o keynesianismo?)


No encerramento do evento, o que ficou registrado foi o radical discurso do ex-presidente que, para atacar os que consideram o partido elitista e preconceituoso, deu mais munição aos detratores. "Há, sim, acadêmicos entre nós, e nós não temos vergonha disso. Há gente que sabe falar mais de uma língua, sim, mas também falamos bem a nossa. Queremos brasileiros bem educados e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria", disse o ex-presidente, que sequer precisou apontar o indicador para o atual, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, para que sua "insinuação" fosse entendida. Além da deselegância, que trai um orgulho ferido, o ex-presidente carimbou na testa do PSDB não o desprezo pela educação, mas pelo voto, que deu dois mandatos a Lula assim como elegeu e reelegeu o sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Os eleitores certamente não têm vergonha de ter eleito um ou outro. Exerceram seu direito.


O Congresso e as máquinas xerox foram incapazes de dar um verniz a uma divisão partidária que se tornou uma doença crônica, motivada que é por ambições pessoais que dificilmente convergem para o coletivo e por uma enorme desorientação programática. Durante os governos FHC, um relativo consenso em torno da premência da estabilidade econômica e a existência de um elemento agregador, Mário Covas, deu alguma cola e substância aos atores que disputavam o poder internamente. Na oposição, o tucanato ficou sem norte no momento em que o PT optou por dar continuidade à política econômica ortodoxa de FHC e perdeu o rumo quando, depois de bater na tecla de que Lula abusava de uma política social paternalista e populista, engoliu nas urnas uma forte aprovação popular ao Bolsa Família. A partir de então, tenta emplacar um discurso do partido que inventou as políticas públicas que tiveram sucesso no atual governo. E não consegue sair disso - a não ser para renegar outras criaturas suas, como a CPMF, a Desvinculação das Receitas Orçamentárias (DRU), o valerioduto mineiro etc. A grita contra a carga tributária, aliás, é um capítulo à parte, já que ela é, hoje, a que se impunha aos contribuintes em 2002, menos as desonerações feitas no primeiro mandato de Lula.


A semana tucana projeta para 2010 uma legenda que tem os dois candidatos hoje com mais chances de êxito nas urnas, os governadores José Serra e Aécio Neves, nenhum programa e qualquer consenso interno. A educação per capita tucana, que FHC diz que não deve envergonhar os militantes, não foi suficiente para dar consistência programática e organicidade a um partido que corre o risco de voltar a ser governo em 2010 e precisa dizer a que veio - ou melhor, por que quer voltar.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

IDH: Brasil entra para o grupo de 'alto desenvolvimento humano'

O Globo e O Globo Online Melhoria na alfabetização infantil melhorou no país / Arquivo O Globo

BRASÍLIA - Favorecido em especial pelo aumento da renda, o Brasil entrou pela primeira vez para o grupo dos países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em 70.º lugar, no ranking de 177 países avaliados anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O IDH do Brasil subiu de 0,798 para 0,800 de 2004 para 2005, na escala de 0 a 1.

Apesar do aumento no índice, o Brasil perdeu três posições no ranking mundial em relação ao estudo anterior, caindo do 67º para 70º lugar. Além disso, outras sete nações conseguiram entrar para o grupo dos países desenvolvidos, que antes tinha apenas 63 integrantes.

Leia também: Clima ameaça desenvolvimento humano da América Latina.

De acordo com o novo relatório da Pnud, a Islândia, no noroeste da Europa, e Serra Leoa, na África, são a nova face da desigualdade mundial. O país europeu desbancou a vizinha Noruega e assumiu a liderança no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com 0,968, na escala de 0 a 1. Na ponta de baixo, Serra Leoa perdeu uma posição em relação ao ano passado e, com índice 0,336, tomou o último lugar do Níger.

Confira os ranking elaborado pelo Pnud

Ao nascer, por exemplo, um bebê islandês tem uma expectativa de vida de 81,5 anos. É quase o dobro do que sobrevive, em média, um cidadão de Serra Leoa: 41,8 anos.

O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007, que usa dados de 2005, tem como tema o aquecimento global e seu lançamento mundial foi realizado hoje no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No texto , a organização defende o fim das tarifas de importação que os demais países impõem sobre o etanol do Brasil .

O presidente Lula disse nesta terça-feira que o Brasil estará numa posição ainda melhor no IDH no fim de seu governo. Segundo ele, quando o Pnud divulgar o relatório de 2012, que trará os dados de 2010, as condições de vida dos brasileiros estarão bem melhores do que em 2005, ano analisado no relatório divulgado hoje. Lula citou o Bolsa Família como um dos instrumentos que possibilitaram a melhora do país no índice da ONU .

- Todo governo que vier vai se sentir na obrigação de fazer o Brasil crescer um ponto no relatório - disse o presidente, que participou do lançamento do relatório de desenvolvimento humano 2007/2008.

Criado pelos economistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede a qualidade de vida por outros indicadores que não apenas o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). Leva em conta renda (PIB per capita), saúde (expectativa de vida ao nascer) e educação (taxa de alfabetização de adultos e matrículas no ensino fundamental, médio e superior).

Renda ajudou país a subir no ranking de desenvolvimento

De acordo com o novo estudo da ONU, o PIB per capita do Brasil subiu de US$ 8.325 para US$ 8.402, entre 2004 e 2005, considerando a Paridade do Poder de Compra. O IDH da Saúde (expectativa de vida ao nascer) melhorou de 71,5 anos para 71,7 anos entre os dois anos. Com isso, nosso IDH subiu de 0,798 para 0,800.

Os dados de Educação _ taxas de matrícula no ensino fundamental, médio e superior combinadas _ ficaram inalterados em relação aos do ano anterior, mas devido a problemas na entrega dos números ao Pnud, atribuição da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), também um órgão das Nações Unidas. O índice atribuído foi de 87,5%. Isso pode ter prejudicado o Brasil na classificação, reconhece o Pnud.

O acréscimo no IDH foi suficiente para o país atingir o patamar de alto desenvolvimento humano, que vai de 0,800 a 1, mas não para subir no ranking. O Brasil deixou para trás a ilha caribenha de Dominica, que estava à frente no levantamento anterior, mas foi ultrapassado pela Albânia e a Arábia Saudita, que subiram respectivamente cinco e quinze posições.

Maior desigualdade do grupo entre ricos e pobres

Embora tenha passado a integrar o grupo de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), onde já estão hoje Chile, Uruguai, Argentina e México, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para melhorar as condições de vida de sua população, de acordo com o assessor especial do Pnud e especialista em desenvolvimento humano Flávio Comim.

" O aumento de número de alunos matriculados em escolas foi o fator que mais contribuiu para a melhora do IDH do país no longo prazo "

Ele lembra que, quando comparado com os países que estão no mesmo patamar de IDH, o Brasil perde de forma significativa em, pelo menos, cinco outros indicadores: pobreza, desigualdade, saneamento, mortalidade infantil e mortalidade materna.

- Se eu tivesse que dizer se o copo está meio cheio ou meio vazio no caso do Brasil, eu diria que ele está meio vazio - afirmou Comim.

Quando se considera o Índice de Pobreza Humano, por exemplo, o Brasil tem um percentual de 9,7% (da população), enquanto no México esse valor é de 3,8%.

Nesse índice estão pessoas que costumam morrer antes dos 40 anos, não têm qualquer acesso a educação ou saúde e vivem em condições precárias de saneamento. Por exemplo, enquanto a taxa de saneamento brasileira está em torno de 75%, na Argentina ela é de 91% e no Uruguai, de 100%.

Comim destaca ainda o alto nível de desigualdade. A renda dos 20% mais ricos da população é 21,8 vezes superior à renda dos 20% mais pobres do país.

Outro indicador que mostra a disparidade está nos índices de mortalidade infantil e materna. No Brasil, a mortalidade entre as crianças de menos de cinco anos é de 33 para cada grupo de mil nascidos. No entanto, entre os 20% mais pobres da população, esse número sobe para 99. Já a taxa de mortalidade materna é de 110 para cada 100 mil nascimentos, sendo que nos demais países ela gira em torno de 20 a 30.

Revisão da metodologia é questionada

O IDH é um índice usado pela ONU para medir o desempenho dos países em três áreas: saúde, educação e padrão de vida. O índice é composto por estatísticas de expectativa de vida, alfabetização adulta, quantidade de alunos na escola e na universidade e o produto interno bruto (PIB) per capita.

O Brasil subiu não só devido a melhoras reais nos campos avaliados pelo IDH, mas também em função de revisões de estatísticas nos bancos de dados da Unicef e do Banco Mundial - órgãos que fornecem os números para o PNUD, normalmente baseados em dados produzidos pelos próprios países. Essa mudança de metodologia é questionada por alguns especialistas .

Por exemplo, uma recente revisão de metodologia do IBGE alterou para cima o crescimento do PIB brasileiro em 2005. Em vez de 2,9%, o IBGE declarou que a economia do Brasil cresceu 3,2% naquele ano.

Revisões estatísticas do IBGE também revelaram que os padrões de educação e expectativa de vida no Brasil aumentaram em 2005. A expectativa de vida média subiu de 70,8 anos, no relatório do ano passado, para 71,7 anos, e a porcentagem de alunos matriculados em escolas e universidades aumentou de 86% para 87,5%.

O Brasil vem melhorando em ritmo estável

De 2004 para 2005, o Brasil melhorou em todos os itens que compõem o IDH, com exceção da alfabetização adulta - que ficou estável em 88,6% da população com mais de 15 anos.

O desempenho econômico do país também contribuiu para melhorar o padrão de desenvolvimento humano. O PIB per capita anual aumentou 2,5% de 2004 para 2005, atingindo US$ 8.402 (por paridade de poder de compra).

De 1990 a 2005, o PIB per capita brasileiro cresceu em média 1,1% por ano, ritmo idêntico ao da Argentina, mas bastante inferior ao do Chile - que cresceu em média 3,8% ao ano.

O PNUD começou a divulgar o IDH desde 1990, mas traz dados para vários países retroativos a 1975. Desde então, o Brasil vem melhorando o seu índice de desenvolvimento humano em um ritmo estável.

Em 1975, o IDH brasileiro era calculado em 0,649. Desde então o Brasil vem mantendo uma média de crescimento de cerca de 0,050 no índice a cada dez anos.

Segundo o economista Flavio Comim, especialista em desenvolvimento humano e assessor especial para o PNUD, o aumento de número de alunos matriculados em escolas foi o fator que mais contribuiu para a melhora do IDH do país no longo prazo. Desde 1990, o índice subiu de 67,3% para 87,5%.

Subir no ranking de IDH tem importância 'simbólica'

Para Comim, a importância de entrar na lista dos países de alto desenvolvimento humano é "simbólica, mas significativa, pois abre espaço para uma agenda mais ambiciosa no Brasil".

Segundo ele, um dos motivos que faz o Brasil ficar em último lugar entre as nações de "alto desenvolvimento humano" no IDH é o fato de que os indicadores sociais brasileiros estão muito abaixo do nível de renda do país.

Comim identifica cinco áreas em que o Brasil ainda precisa melhorar para subir no ranking: combate à pobreza e à desigualdade, saneamento, mortalidade infantil e mortalidade materna. Nessas áreas, segundo ele, o Brasil está muito atrás dos demais países, mesmo os latino-americanos.

Comim afirma que, baseado em dados já disponíveis sobre 2006, o Brasil deve melhorar ainda mais o seu IDH no relatório do ano que vem. Entretanto, alerta que outros paises em desenvolvimento vêm obtendo resultados melhores .

E o turismo cresce, apesar da crise aérea

José Ernesto Marino Neto * - O Estado de S.Paulo


- Segundo previsões do estudo realizado neste ano pelo World Travel & Tourism Council (WTTC), o turismo no Brasil deve crescer 5,3% ao ano nos próximos dez anos, um ponto porcentual acima da média mundial, colocando o País atrás apenas do México no ranking dos países da América Latina.

Nem a crise aérea nem os problemas estruturais apresentados pelo País vão atrapalhar as possibilidades de investimento para 2008. Os grupos SuperClubs e Invest Tur acabam de anunciar investimentos de R$ 1,5 bilhão em megaempreendimentos que colocam, lado a lado, um resort com todos equipamentos de lazer e hotelaria e um condomínio de casas.

A curva ascendente do mercado turístico-imobiliário é um dos temas da XI Brazilian Hospitality Investment Conference, que vai reunir em São Paulo, entre quinta e sexta-feira, 500 executivos de bancos de investimento, fundos de pensão, instituições de crédito imobiliário e especialistas do setor.

O mercado brasileiro está preparado para o desenvolvimento de projetos. Hoje, os financiamentos imobiliários batem recordes de aplicações. Os compradores de segundas e terceiras residências são os melhores clientes: fazem aplicações, seguros e movimentações.

Outros temas que serão discutidos durante a conferência são a evolução da economia brasileira e sua maturidade, como agregar valor no mercado brasileiro e desenvolver projetos de baixo risco, além de condo-resorts, condo-hotéis e complexos de uso misto.

O painel sobre a economia brasileira, por exemplo, vai destacar o que falta para o Brasil conseguir o grau de investimento. Quando se atinge tal grau quer dizer que o risco é muito pequeno. Então, os grandes investidores institucionais começam a aportar recursos. A economia do México deu um salto gigantesco depois que o país conseguiu o Investiment Grade. Em 2008, teremos muito dinheiro chegando ao Brasil para o incremento do consumo e da produção.

O crescimento da modalidade condo-resorts também será tema do evento. Esse novo tipo de empreendimento surge como tendência para o mercado turístico, pois se verifica a crescente preocupação das pessoas com a qualidade de vida e a procura por um local de lazer tranqüilo para desfrutar de sua aposentadoria ou de momentos com a família.

Outra boa novidade será a participação, pela primeira vez no evento, de representantes dos maiores escritórios de advocacia do país. Durante o Meet the Law, eles ficarão à disposição dos participantes para discutir temas como opções de financiamento em operações imobiliárias. Destacamos, ainda, a realização inédita do Find The Money, espaço onde 11 instituições de financiamento e investimento estarão à procura de projetos para aportar recursos. Donos de projetos poderão falar com quem faz diferença, num mesmo lugar.

Como se vê, há bons motivos para esperar que a XI Brazilian Hospitality Investment Conference amplie as possibilidades de grandes negócios e de um profundo debate sobre o mercado turístico-imobiliário brasileiro. E o turismo certamente se beneficiará com os frutos.

* José Ernesto Marino Neto - Presidente da consultoria BSH International

É "correção" ou é "ladeira"?

VINICIUS TORRES FREIRE


Estresse financeiro cresce sem parar desde outubro, com agravantes, e já bate em vários mercados do Brasil

É UM risco-país mais alto aqui. É um financiamento de comércio exterior mais caro ali. Acolá uma dúzia de empresas desiste de ir à Bolsa, para vender suas ações. Ou empresas menores deixam de tomar dinheiro emprestado lá fora, pois as taxas aumentaram um tanto, o bastante para encarecer demais o dinheiro para companhias que não têm crédito nota 10 e/ou que são novatas nas ditas captações.
Não é nada dramático, ainda mais num país que já viu seu crédito ficar cinco ou dez pontos percentuais mais caro de um trimestre para outro. Agora se trata de deterioração menor que um ponto percentual, meio ponto, para usar um indicador popular como o risco-país.
Mas o "estresse" financeiro agora já pode ser sentido e ouvido em vários mercados brasileiros, os mais óbvios sendo o da Bolsa e o de câmbio, as trincheiras mais avançadas, sensíveis e voláteis. Diretores e gerentes de investimento dizem que, embora não seja momento de entrar em Bolsa, Bovespa e real não rolariam a ladeira, dadas as previsões de lucros das empresas para 2007, em linha com as deste ano, dado o superávit externo ainda resistente em 2008, dados a perspectiva de "investment grade", a inflação ainda abaixo da meta, o crescimento do PIB duas vezes maior que o do americano e mesmo apesar do risco de "surto desenvolvimentista" no governo (mais gastos públicos, menos superávit, mais "pressão" sobre a autonomia do Banco Central).
Seria interessante se o mundo funcionasse assim, em especial o das finanças, racionalmente, "olhando fundamentos". De resto, mesmo quem tem a obrigação de tranqüilizar o ambiente, como Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, tem colocado suas barbas, ou melhor, seus cabelos restantes, de molho, em discursos cada vez mais cautelosos. Mas os indicadores objetivos de "estresse" no mercado financeiro global, embora sempre voláteis, estão em alta teimosa.
Os bancos assumem rombos cada vez maiores, o que mina sua capacidade de emprestar, e as taxas de juros interbancários estão renitentemente mais altas do que o normal e subindo, desde outubro, o que afeta as demais taxas. Os BCs de EUA e União Européia vão, de resto, colocar um dinheiro extra nos bancos a fim de "desestressá-los" um tantico.
A crise americana segue seu padrão "slow motion", mas segue, como uma enchente vagarosa. A cheia começou nos calotes dos imóveis vendidos para gente sem crédito e aguou os derivativos de crédito lastreados em hipotecas, daí afogou mercados de crédito de curto prazo para empresas e instituições financeiras, daí bateu no dinheiro que alavancava fusões e aquisições (e nas Bolsas do mundo rico) e já deteriora o crédito nos mercados de cartões e de empréstimos para compra de carros, o que estressa o consumidor e desanima o varejo. Enfim, o Dow Jones e o S&P 500, índices da Bolsa de Nova York, estão, em termos reais, zerados em 2007.
Os mercados brasileiros andaram descolando dos americanos neste ano, apesar de um ou outro tombo feio, mas até rápidos. Mas, mesmo que o "mau humor" não volte a ser dramático ou histérico, o "estresse" financeiro agora sugere uma crise de mau humor mais persistente.

Folha de São Paulo

vinit@uol.com.br

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Tucanos no foro intimo: "Por que no te callas!"



Depois da última arremetida de Fernando Henrique Cardoso tripudiando Lula pelo fato de não ter educação superior, cresce nas fileiras dos tucanos, especialmente entre os presidenciais, o apelo vibrante do rei da Espanha: "Por que no te callas!"

Brasil se rearma y refuerza la defensa de sus fronteras

É bom ficar alerta para evitar que a modernização urgente e necessária das Forças Armadas e de revalorização salarial de soldados e oficiais, não possa ser interpretado ou associado com qualquer ameaça aos países da região ou qualquer vocação de gendarme ou de super-potência. Este artigo do jornal El País é um alerta. A incitação da revista Veja, na linha do belicismo e outro sinal, grave.

As Forças Armada do Brasil devem estar a altura dos desafios de hoje e os militares devem ter sua carreira revalorizada e dignificada este é o sentido do esforço do presidente Lula, o resto é delírio de grande potência, que esconde a subordinação aos interesses norte-americanos na sua forma mais torpe, a do Bush. LF

El presidente brasileño, Luiz Inázio Lula da Silva
AmpliarEl presidente brasileño, Luiz Inázio Lula da Silva- REUTERS


EL PAÍS

El Gobierno de Lula aumentará un 50% el gasto bélico en 2008

J. MARIRRODRIGA - Buenos Aires - 26/11/2007


Más armas y de mejor calidad para tener más peso político en Latinoamérica. De este modo, Brasil ha optado por dar un giro significativo a su política de Defensa. El Gobierno de Luiz Inàcio Lula da Silva, junto a la cúpula militar del país, se encuentra elaborando un plan estratégico que verá la luz a comienzos de 2008, basado en el aumento hasta en un 50% de los gastos en material bélico, una reorganización de las defensas fronterizas y costeras y la asunción del papel de referente principal como árbitro en los conflictos que puedan surgir en el subcontinente.


Brasil tiene previsto gastarse en 2008 unos 4.600 millones de dólares (3.100 millones de euros) en compras de material para Defensa, sin contar los sueldos de los 310.000 integrantes de las Fuerzas Armadas, repartidos entre 190.000 militares del Ejército de Tierra, 70.000 de Aviación y 50.000 en la Marina. Una cifra que eleva en un 50% los 3.000 millones de dólares (2.000 millones de euros) presupuestados para este año.

Pero a diferencia de lo que han hecho otros países de la zona como Chile o Venezuela, los brasileños no emplearán la mayor parte de este dinero en compras en el mercado internacional de armas, sino que desarrollarán una industria bélica propia que, además de garantizar una menor dependencia de sistemas extranjeros, colocará a Brasil como referente para otros países a la hora de hacer sus propias adquisiciones.

Brasil intensificará la fabricación de aviones de combate y entrenamiento, sistemas antitanque, vehículos blindados, pequeños buques, electrónica, radares y munición en un ambicioso programa respaldado por capital privado nacional. En paralelo, ha comenzado el despliegue permanente de tropas en la frontera amazónica, con la construcción de una cadena de bases militares que vigilen la línea fronteriza más extensa de Suramérica.

Los motivos de este cambio han sido explicados por el propio Lula. "Las fronteras terrestres, las aguas jurisdiccionales y el espacio aéreo de las dimensiones de un país como Brasil demandan unas Fuerzas Armadas muy bien equipadas y adiestradas para la defensa de los intereses nacionales", ha destacado el mandatario. Además, para llevar adelante la reorganización, Lula puso el pasado julio al frente del Ministerio de Defensa a Nelson Jobim, un ex presidente del Tribunal Supremo que asumió su cargo una semana después de la peor tragedia aérea de la historia del país, en medio de una fuerte controversia sobre el control del espacio aéreo, donde los militares tienen un papel preponderante. En este tiempo Jobim ha sido muy directo al exigir una modernización del Ejército y reclamar a los empresarios privados que participen del proyecto.

Desde el punto de vista brasileño, la prisa está más que justificada. En 2008 habrá concluido el ambicioso programa de rearme chileno que incluye aviones de combate de EE UU, un centenar de carros de combate alemanes, fragatas lanzamisiles, submarinos y radares de última generación, entre otras adquisiciones. También Venezuela recibirá gran parte de las compras realizadas durante los años anteriores, entre las que destacan cientos de miles de fusiles de asalto. Ambos son los países de la región que más han gastado en armas en los dos últimos años.

Brasil es calificado habitualmente con el tópico de gigante latinoamericano y ahora importantes sectores del Ejército han comenzado a reclamar que el gigante comience a actuar. Según un sondeo publicado el sábado por la revista Veja, el 63,5% de los militares brasileños cree que es posible un conflicto armado con los países vecinos. En cambio, entre una muestra de población civil, el 57,9% no cree posible ese escenario. Sobre quiénes serían los enemigos potenciales, el 50% de los uniformados cree que serán Venezuela y Bolivia.

Algunas voces, no autorizadas pero significativas, han ido más lejos, y así el general José Benedito de Barros Moreira subrayó hace diez días que Brasil tiene que desarrollar armas atómicas para proteger su patrimonio. Y Moreira no es un general más, sino que es titular de la secretaría de Política, Estrategia y Relaciones Internacionales del Ministerio de Defensa. Moreira se suma, aunque probablemente pasándose de la raya, a la tesis de su ministro, que nada más anunciarse el descubrimiento de unas gigantescas reservas de gas y petróleo frente a las costas del país se expresó a favor de dar un giro a la política de Defensa. "El mundo carece de agua, energía, alimentos y minerales. Brasil es rico en todo eso", añadió Moreira para defender el argumento nuclear.

“LA ARGENTINA REAL NO ES LA DE LOS MEDIOS”

NOTA DE TAPA


Abrir esta nota en una ventana nuevaRecortar esta nota y guardarlaReportaje exclusivo a Cristina Fernández de Kirchner:
La presidenta electa adelanta las líneas políticas y económicas que definirán su gobierno. Revela nombres de embajadores, el rol de los ministros y cómo será el acuerdo social. Su mirada sobre la política exterior, el modelo económico, el Indec y las instituciones, en debate con la que ofrecen los grupos informativos.




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En su casa de El Calafate, donde pasó el fin de semana en compañía del Presidente.
Imagen: Adrián Pérez



A dos semanas de asumir la presidencia, Cristina Fernández de Kirchner explica las políticas que aplicará durante su mandato, da a conocer nombres de embajadores y mantiene el suspenso sobre las segundas líneas. Define cómo será el acuerdo social que propugna y revela que difundirá a principios de 2008 un “relevamiento físico” de toda la Argentina, provincia por provincia, que será la base de los planes productivos y de infraestructura. Sus ideas sobre la oposición y el sistema político, la meneada política exterior, los cuestionamientos a los funcionarios y el Indec y, a todo lo largo del diálogo, su crítica a la mirada con que la mayoría de los medios muestra la realidad.

Por Ernesto Tiffenberg, Mario Wainfeld y
Fernando Cibeira

Cristina Fernández de Kirchner es una reporteada deseable. Es una protagonista excluyente, otorga todo el tiempo del mundo a la entrevista, en su casa de Calafate, en la tarde del viernes. Da la impresión de estar a gusto, contesta sin enfados, acepta y propone bromas y cuando se le agradece por el largo tiempo concedido comenta creíblemente que no le pareció mucho. Se interna en los temas, no regatea extensión, le gusta hablar de política, busca ser persuasiva. Al mismo tiempo, la presidenta electa es una entrevistada difícil. Cuestiona a menudo la pertinencia de las preguntas, de la narrativa que supuestamente las sustenta, remite a debates anteriores, no todos librados contra este diario. Recae con notable recurrencia en la polémica sobre la lógica de los medios o la de los periodistas, que la induce a numerosas digresiones. En esa dialéctica, la charla recorrió un largo camino regado con unas botellas de agua mineral y una oferta de pastelitos caseros. Néstor Kirchner estaba en la casa pero se retiró durante el reportaje. Sí asistieron el vocero Miguel Núñez, y Cleopatra, una amistosa caniche toy que aprovechó el reportaje para dormitar a gusto al lado de su dueña, la presidenta que viene.

–En uno de sus primeros discursos de campaña le dijo al presidente Kirchner que iba a intentar que no lo extrañaran demasiado, ¿por qué le gustaría que la extrañaran a usted?

–Ah, sinceramente preferiría que no me extrañaran porque el que viene después sea mejor que yo. Lo ideal sería que los recambios institucionales tuvieran una continuidad, más allá de las diferencias en el espectro ideológico.

–Y si no quiere que la extrañen, ¿cómo le gustaría que la recuerden?

–Primero, porque la primera mujer que fue presidenta le hizo honor al género. Siento que tengo una obligación con el género en cuanto a demostración de eficiencia y eficacia en gestión de gobierno. Es un pressing que una siente.

–¿Y en contenidos o políticas? ¿Qué meta le gustaría alcanzar?

–La profundización del proyecto que se inició en el 2003. Nosotros hicimos en esta primera etapa lo macro, que no fue poca cosa. Planteamos un modelo de acumulación económica basado en la industrialización, transformación, en el agregado de valor, frente a lo que había sido el modelo de transferencia de los noventa. También de inclusión social. Habría que profundizar eso. La anterior fue de mucha gestión, pero mucha gestión macro, la próxima será de mucha gestión micro, tendiente a identificar las actividades económicas en las cuales necesitamos mayor grado de inversión, de tecnología. O qué es lo que nos falta en donde somos más o menos competitivos.

–¿Cómo será el acuerdo social que viene proponiendo?

–Lo defino como un acuerdo de carácter estructural en el cual se definan metas, objetivos cuantificables y verificables, siempre basado en este modelo. Con acuerdos sectoriales porque no se puede hacer lo que se hizo en el pacto Gelbard, en 1973, referido nada más que a precios y salarios. No es ésta la idea que tenemos. Y luego de ese acuerdo estructural global, ir sectorialmente sobre cada actividad, porque no son las mismas necesidades ni posibilidades las de cada sector.

–¿Cómo se imagina ese acuerdo, será una reunión de las representaciones corporativas?

–No, nada que ver. Si fuera corporativo no serviría, en términos de representación únicamente de cúpulas sectoriales. Por eso digo que tiene que ver con las necesidades de cada sector. Hay una fuerte necesidad de articulación entre el sector público, privado y el representado por los trabajadores, y no con criterio corporativo sino por cómo se articula hoy en todas las economías desarrolladas del mundo. En Alemania hay acuerdos entre empresarios, sindicatos y Estado. El Pacto de la Moncloa fue un gran acuerdo en este sentido. A eso queremos apuntar.

–Avanzando un poco, ¿cómo sería la primera reunión, cincuenta representantes de distintos sectores o...?

–... bueno, no quieran saber todo lo que se va a hacer. Un poco de paciencia. Ya vamos a articular el diseño.

–De todas maneras, usted sugiere que los actores son los representativos de la sociedad, de la producción, del trabajo y no los partidos políticos. La Moncloa, en cambio, era básicamente un acuerdo entre fuerzas políticas.

–No hay que olvidarse de que el Pacto de la Moncloa viene después de cuarenta años de franquismo, en el gobierno de transición, luego tuvieron el Tejerazo. No me gusta decir “va a ser el Pacto de la Moncloa”, o va a ser tal otro acuerdo. Ninguna sociedad es igual a la otra, ni ningún momento histórico se repite. Tiene que ver esencialmente con un acuerdo muy estructural acerca de cuáles tienen que ser las metas, tiene que ver también con este modelo de perfil industrial, en qué sectores vamos a hacer hincapié, en qué sectores es más necesaria la inversión, en dónde la tecnología. No hay que imaginar esto como una gran ceremonia en la cual nos juntamos setenta o cien personas, a la manera de proclama constitutiva con aires fundacionales, olvídenlo, esto no es así. No funciona así en ninguna parte del mundo. A veces preguntan “¿qué planes, qué medidas?”, como si gobernar fuera lanzar cuatro medidas (un plan) y sobre eso, desarrollar una gestión. No es así. Gobernar es cosa de todos los días, con todos los sectores, todo el tiempo. Hoy se fija una política, mañana cambian las circunstancias internacionales y hay que volver a reunirse para fijar metas y objetivos. Es difícil traducirlo, pero esto es lo que sucede en la gestión de gobierno.

–Aceptando la idea y aceptando también que hay una tensión entre la idea del largo plazo y la planificación...

–... éste es el gran problema del país. Hemos carecido toda la vida de una mirada estratégica de largo plazo. Esto ha dado la imposibilidad de articular a largo plazo de todos los sectores, no sólo de una gestión de gobierno.

–El gobierno de Kirchner arrancó de la emergencia, cuya salida imponía una cantidad de tareas, por así decirlo, gruesas: bajar el desempleo, bajar la pobreza, mejorar las exportaciones. La necesidad de salir tal vez motivó que el elemento básico no fuera la planificación sino la direccionalidad general y una acción intensa en el día a día.

–No, hubo un plan. Si uno recorre los discursos de Kirchner durante la campaña, a él le gustaba hablar de neokeynesianismo, de un plan de obra pública que activara la rueda de la economía y la dotara de la infraestructura necesaria. La planificación no es algo hecho con un compás arriba de un tablero de arquitectura y presentado tipo mamotreto. Están las ideas directrices y se va trabajando toda la planificación en materia de obra pública. Se está trabajando en un plan desde hace dos años, que es un relevamiento físico de la Argentina, que posiblemente presentemos en enero o febrero, donde hemos relevado provincia por provincia, región por región, en cómo está conformada actualmente en sectores productivos, sectores de servicios, rutas. Hay que profundizar en esa dirección.

–En la campaña hubo una discusión económica en cuanto a si convenía seguir creciendo al nueve por ciento con riesgo de inflación, o si convenía bajar suavemente al seis por ciento por ejemplo y controlar mejor las variables.

–Como si fuera la temperatura del aire acondicionado. Sería fantástico si tuviera un aparatito como el de la calefacción y pregunto “¿Tenés mucho calor? ¿La pongo a diez grados, a quince?”

–No es simple, ni en eso se consigue consenso.

–(Risas.) Ningún proceso económico se puede manejar desde un control. Cada vez que nos dijeron eso, Argentina terminó en recesión. La economía es una ciencia profundamente social, tiene que ver con las expectativas de todos los actores: de los trabajadores, de los consumidores, de los usuarios, de los productores, etcétera. Todas las economías del mundo crecen en la medida de lo posible, es lo que necesitamos también nosotros. En definitiva, haber llegado al 8,1 por ciento de desocupación no es una cuestión que se haga diciendo “a ver si lo pongo a cinco o lo pongo a seis”. Los que teorizan de esta manera vienen de experiencias monetaristas, con el sector financiero.

–Más allá de si se puede establecer en un laboratorio cuánto va a crecer la economía, hay dos o tres indicadores controvertidos, en especial en este año. Uno es la inflación. También el nivel de gasto público y el superávit.

–Estamos exactamente en el nivel de superávit que hemos marcado presupuestariamente, llegamos a 3,15. El desempeño en materia de gestión del gasto público también tiene que ver con el desarrollo de la economía. No entiendo cuál es el planteo. ¿Tendríamos que bajar el nivel de inversión pública?

–La pregunta es: ¿la relación gasto-producto 2007 es la mejor que imagina la presidenta para el año que viene?

–Es la que está pautada en el Presupuesto. Es increíble escuchar a los economistas que toda la vida han administrado con un déficit estructural a la República Argentina –los representantes de sus escuelas o ellos mismos en algunos casos– cuestionar al primer gobierno que gestiona sin déficit. Parece que hubiera que dar vuelta cómo se administra. Los que te preguntan son los que administraron con déficit y endeudaron a los argentinos, los condujeron a una desocupación record y terminaron con la tragedia del 2001, corralito mediante. A veces no sé qué es lo que hay que hacer para ser valorizados desde los medios de comunicación, porque desde la sociedad ya lo fuimos.

–Hay economistas que no tienen una mirada muy diferente a la del gobierno nacional que plantean que habría que moderar el gasto con respecto a 2007. No es necesario proponer un modelo antagónico para preguntarse si son necesarios retoques a los números de este año para acrecentar la sustentabilidad futura de este modelo.

–Uno va siempre durante toda la gestión ajustando, viendo si falló algo o cómo se puede mejorar. Pero, más que observaciones, lo que uno siente es que se marca que se está desbocando el gasto público y entonces va a haber déficit. Siempre todo es extremo. A partir del tomate se construyó que venía una disparada hiperinflacionaria como la del gobierno de Alfonsín o como la que tuvo Menem en su primera etapa. ¿A cuánto está el tomate hoy?

–¿Qué rol debe tener el Estado en la redistribución del ingreso?

–Activo, absolutamente. Este gobierno ha mejorado la redistribución del ingreso –no todo lo que hemos querido y era deseable–, de aquella participación del 34 por ciento del PBI que tenían los asalariados en 2003, a un 41 por ciento. Y, por primera vez desde hace aproximadamente una década y media, hemos movido el índice de Gini.

–¿Cómo se expresaría el rol activo del Estado? ¿A través de una reforma impositiva, por ejemplo?

–No, en la profundización del modelo y en la necesaria negociación de los sectores involucrados en las cuestiones de la producción. Hemos negociado más de mil convenios colectivos por primera vez en mucho tiempo.

–¿Cuándo dijo “reforma impositiva no” significa que no hay ninguna perspectiva de reforma al sistema actual?

–Hemos hecho una modificación de bienes personales, creo que ha sido una buena medida. Si me hablan de una reforma tributaria general, no lo hemos pensado. El tema de que si se reduce el IVA se traduce en menores precios y por lo tanto en un mayor poder adquisitivo, no está verificado. Al contrario, creo que si se reduce el IVA el beneficio por ahí termina apropiado por cadenas intermediarias y no por el usuario o consumidor.

Dem & Pop

–Si en un seminario internacional le preguntaran cuál es el perfil político de este gobierno y del que viene, ¿cómo respondería? ¿Un gobierno progresista, socialdemócrata, nacional y popular?

–Popular y democrático.

–¿Nacional ya no?

–Me parece que no se puede ser popular sin ser nacional, soy muy jauretcheana. Profundamente popular y democrático, lo defino sin valerme de categorías europeas. Lo es por su impronta, por su modelo de acumulación, por su manera de interpelación, su modo de relacionamiento. Por eso causa escozor en otros sectores.

–Esas referencias aluden a su lectura de lo popular. ¿Y lo democrático?

–Uno de los caballitos de batalla de la oposición era la calidad institucional. Creo que, como nunca, en este gobierno las instituciones cumplieron su rol constitucional. Fíjese lo que es la Corte Suprema de Justicia. Mire el Senado. Fui senadora por primera vez en diciembre de 1995, un senado que se fue deteriorando cada día más hasta que terminó con el escándalo de los sobornos. Me voy de este Senado como presidenta. Daniel Scioli, Alberto Balestrini, Celso Jaque, Jorge Capitanich se van elegidos para gobernar sus provincias. De este Parlamento denostado por opositores y comunicadores se va, legitimado, el oficialismo, los que defendíamos públicamente al gobierno. El Parlamento real no tiene nada que ver con lo que dicen los medios. Disculpen si estoy monotemática...

–No nos habíamos dado cuenta...

–... pero creo que los medios ocupan hoy en la región un lugar que antes ocupaban otros sectores respecto de ser los que tratan de condicionar a los gobiernos de ciertos signos políticos, populares democráticos. No es una percepción exclusiva mía. Me contó Isabel Allende que los noticieros de una hora en Chile destinan tres cuartos a informar sobre hechos de violencia, a machacar sobre el tema. Hay una direccionalidad de la información sobre inseguridad. Escuché a un comunicador contar que una persona entrevistada le dijo a un encuestador “¿de qué me sirve ganar más plata si me van a matar?”. No importa tener gobiernos que consigan trabajo o que mejoren el poder adquisitivo de los trabajadores, lo importante es que den seguridad...

–Respecto de ese tema. Se ha criticado la unificación de Justicia y Seguridad, básicamente porque se juzga que sea el mismo ministerio el que se ocupe de los derechos humanos y de la policía. Una parte sustancial de la acción de los organismos de derechos humanos son denuncias y acciones sobre delitos, excesos y abusos policiales.

–Emilio Mignone, hace muchos años, hablaba de la tensión que hay en democracia entre el valor “seguridad” y el valor “derechos humanos”. Siempre existe esa tensión pero lo más adecuado es que la Justicia gestione ambos, retomando lo que fue habitual. Sí, me parece adecuado. No creo que la seguridad sea un problema en sí mismo, objeto de planes aislados separados del modelo económico social, de la educación.

–¿Tiene prevista alguna medida para acelerar o facilitar los juicios a los represores por violación de derechos humanos?

–Conozco un proyecto del radicalismo redactado por Ricardo Gil Lavedra, puede haber algún otro. Me preocupa que ese proyecto permita que se acumule prueba de otros expedientes sin que los acusados hayan podido controlarla. Puede afectar el derecho de defensa y colocarnos en horrible posición. No quiero, en ningún aspecto, afectar la legalidad de los juicios. La legitimidad de la lucha por los derechos humanos tiene mucho que ver con su legalidad. A los represores se les dan todos los derechos que consagra la Constitución.

–Así debe ser. Pero subsiste un problema, que se expresó en la trágica desaparición de Julio Jorge López. La repetición de la prueba genera una serie de dificultades para el avance de los juicios y de sobreexigencias (y peligros mayores) para los testigos.

–Sin lugar a dudas. Un camino puede ser unificar causas en función a los centros de detención, creo que hasta la defensa de Febres había propuesto algo así para justificar su conducta frente a la de sus jefes. Hay que ser muy cuidadosos, no hay que poner en tela de juicio al debido proceso.

¿Reforma?

–Trascendió que existe la intención, durante de su mandato, de promover una reforma constitucional.

–Ah, bueno... Le puedo dar un listado así de largo (lo grafica dejando un buen espacio vertical entre sus manos) de cosas que han trascendido.

–Hablemos mejor sobre si hay o no intención de reformar la Constitución.

–¿A alguien se le ocurre hablar de una reforma y yo tengo que salir a contestar? También dijeron que íbamos a sacar la sala de periodistas de la Casa Rosada.

–Por ahí ese cambio figuraba en la reforma constitucional.

–(Risa) ¿Por qué tengo que desmentir lo que inventan? No me parece una buena metodología.

–No le pedimos una desmentida, sino una respuesta. ¿Cree que éste es un buen momento para una reforma constitucional?

–No, porque nunca se nos ocurrió. No lo veo, por parte del Gobierno.

Moción para otro
reportaje y cierre

–¿Van a construir alguna estructura política para la Concertación plural y para otros eventuales aliados como socialistas o el Frente Grande?

–Eso debería ser motivo de un reportaje a Néstor Kirchner, que va a tener mucho tiempo y les puede dar pormenores. Quien tiene que conducir los destinos de todos los argentinos tiene bastante con ocuparse de la gestión del Estado.

–¿Su idea es que el Presidente...?

–... tengo que mantenerlo ocupado (risas).

–¿Es una ocupación útil o pura laborterapia?

–El es un animal político, toda la vida ha construido política, toda la vida ha participado. Lo va a seguir haciendo. Volviendo a la estructura, es difícil proyectar porque uno interactúa con montones de cosas. Son cosas que van confluyendo. Uno no puede sentarse y diseñar la política como si fuera construir una casa... Hay mucho de trabajo cotidiano. Sí creo que debemos reconstruir un sistema de partidos políticos, con partidos que tengan que ver con un proyecto y que no todo dependa de la voluntad de una o dos personas. Cuando explota el sistema de representación, especialmente el partido radical, no se ve cuál va a ser el desarrollo de la política en el siglo XXI.

–¿Cómo imagina ese desarrollo, cómo aspira a que sea?

–Imagino espacios populares y democráticos donde los partidos se reagrupen respecto de grandes temas: la distribución, el posicionamiento en el mundo, la interrelación con la región, el respeto irrestricto a los derechos humanos. El radicalismo se acomoda, en el siglo XX, en la lucha contra el “régimen falaz y descreído”, contra el fraude, por el sufragio universal. El segundo partido del siglo, el peronismo, se ubica en torno a la justicia social. El tercer partido fue el militar, que se encargó de representar a los sectores más concentrados, que no podían llegar al poder mediante el sufragio. El problema es cómo se agrupan los nuevos partidos en el siglo XXI, en relación a qué tópicos. Y lo que debemos preguntarnos es quién cumple ahora el rol de representar a los sectores más concentrados.

–¿Cómo responde usted esa pregunta?

–Para mí, está claro que nosotros (este espacio político que represento) nos estamos agrupando en torno a una mejor distribución del ingreso, la vigencia irrestricta de los derechos humanos. Y si uno escucha los discursos que se plantearon durante la campaña, no todos... No me gusta hablar de los dirigentes de la oposición. Sería bueno que fueran agrupaciones más orgánicas, no tan centradas en una figura y que propusieran algo más que slogans. Y asumir a quién representan. Cuando uno escucha críticas a las retenciones al campo o a los juicios a las violaciones de derechos humanos, está claro. No soy yo la que tiene que clasificar eso, sería una clasificación interesada. Pero no vi en letras de molde clasificaciones exactas que dijeran “quien tiene esa posición, normalmente, es de derecha”.

–Dentro de lo que se reconoce como centroizquierda o lo que usted define como espacio popular y democrático hay otras fuerzas que comparten en líneas generales ese ideario. Por ejemplo, podrían ser los gobernadores Hermes Binner o Fabiana Ríos. ¿Ustedes deberían darse una política especial respecto de ellos?

–Esa pregunta deberían hacérsela a ellos, no a nosotros. Nosotros hemos tenido, desde el principio, una política respecto de esos sectores, muchos de sus dirigentes ya están con nosotros. Jorge Rivas, Ariel Basteiro, muchos dirigentes de la CTA. Este espacio que afecta intereses minoritarios, pero muy poderosos, debe contar con mayor sustentabilidad política y social. No es casual el diseño que se dio en estas elecciones, convocando a hombres y mujeres del radicalismo (en especial el que gobierna provincias) y del socialismo.

–La representación republicana es muy compleja. Usted fue elegida por una amplia mayoría y, desde ese mismo momento, representa a todos los argentinos, incluyendo aquellos que no la votaron. Hay un 55 por ciento que no votó Frente para la Victoria. ¿Se le ocurre algo para decirles, especialmente a ellos?

–No me parece representativo, ni democrático, ni republicano intentar representar al cien por ciento. Es una de las principales cuestiones que se están planteando en Europa, la indiferenciación de proyectos incide en el desapego a la política. Hay un excelente libro, “En torno a lo político”, de Chantal Mouffe, que aborda esta cuestión. Institucionalmente represento a todos los argentinos, soy la presidente, es claro. Pero no voy a poder representar (hace comillas con los dedos índice y mayor de las dos manos) “lo que todos quieren” porque la representación de intereses no es lo mismo que la institucional. Sobre todo en economía, las decisiones en economía no son neutras. Si uno mejora la participación de los trabajadores en el PBI, el otro sector deja de percibir una parte. Lo que tengo que buscar son las decisiones para que la mayoría de los argentinos viva mejor porque, en definitiva, también los demás recibirán beneficios en otros aspectos, por ejemplo en la calidad de vida. La modificación de la distribución del ingreso puede restarles algo pero les conviene vivir en una sociedad integrada, sin ghettos, que es el paisaje que suele verse en otros países de la región y que no terminó de llegar a la Argentina. No aspiro a representar al cien por ciento de los argentinos pero sí a una enorme mayoría. Con un modelo inclusivo, con menores índices de pobreza y de indigencia, con mayores exportaciones, más industrial, casi todos mejorarían.

–¿Para qué le jugó o le juega a favor ser mujer? ¿Para qué le juega o le jugó en contra?

–No creo que me juegue a favor. Mejor le contesto esa pregunta en un tiempo. Michelle Bachelet tuvo esa experiencia y dijo que “se juzga distinto al hombre y la mujer. Si el hombre grita, es enérgico, tiene autoridad. Si la mujer grita no tiene control, es una histérica”. O sea, siempre es más difícil ser mujer. En el senado me pasaba argumentar algo y no me hacían caso, era como si pasara un carro. Un hombre decía lo mismo y lo aceptaban. Me daba una rabia. Vamos a tratar de quebrar la racha histórica de género.

–¿Hay contenidos específicos de género que está dispuesta a promover? ¿Salud reproductiva, aborto?

–Saben que no estoy por la despenalización del aborto. Respeto todas las opiniones, no me sumo a los que estigmatizan a nadie. Mis ideas pueden tener que ver con que pertenezco a una generación en la que la mujer estuvo a la par del hombre, ni por arriba ni por abajo. No creo en los avances individuales, etarios o de género por fuera o independientemente del modelo político. En las sociedades donde hay buena distribución del ingreso, protección de los derechos humanos hay mejores posibilidades de recolocación de género.

O caixa 2, o Nordeste e o conselho que não darei a FHC


Blog de Alon

Qual será, para a eleição de presidente em 2010, o efeito da crise desencadeada pela denúncia do Procurador Geral da República contra os envolvidos no caixa 2 do então candidato à reeleição pelo PSDB ao governo de Minas Gerais em 1998, o hoje senador Eduardo Azeredo (PSDB)? Muito provavelmente nenhum. Do mesmo modo que foi nulo na presidencial de 2006 o efeito da tempestade provocada pelas acusações de Roberto Jefferson em 2005, o "mensalão". Servirá, entretanto, para infindáveis duelos verbais, midiáticos e mercadológicos entre petistas e tucanos. Mas, pelo menos num aspecto a nova denúncia tem utilidade: ela oferece um novo "gancho" jornalístico para recolocar na agenda a "pauta ética". Aliás, a convenção tucana foi prenhe de discursos destinados a reanimar essa cambaleante agenda. Segundo o site do PSDB,

Ao transmitir o cargo de presidente do PSDB nesta sexta-feira, o senador Tasso Jereissati (CE) afirmou que a democracia e os valores éticos e morais da nação estão em risco. "Todo o trabalho de trazer a ética para vida pública, de colocar a democracia como valor fundamental da nação, está em risco. O governo Lula é a principal fonte de destruição desses valores", alertou. Para o tucano, a impunidade que marca a gestão petista passou à população a impressão de que "roubar é normal". "Nosso papel hoje é dizer não: corrupção não é normal, falta de ética não é normal. O coração de uma sociedade são seus valores éticos e morais. Temos de dizer um basta a essa crise", argumentou.

Clique aqui para ler a reportagem completa sobre a fala de Tasso no encontro tucano. O observador que não sofre de amnésia, porém, lembra-se de que poucas semanas atrás o então presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, participava de uma tentativa de acordo com o governo Luiz Inácio Lula da Silva para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A CPMF, se prorrogada, dará ao governo federal cerca de R$120 bi até o fim deste mandato de Lula. Se o senador achasse mesmo que o governo Lula é "a principal fonte de destruição" dos "valores éticos e morais da nação" certamente nem cogitaria de dar ao presidente essa gordura orçamentária para gastar. Ou então o senador só chegou a essas conclusões sobre o governo Lula depois que micou o acordo com o Executivo petista. Mas Tasso Jereissati não está sozinho no nonsense. O novo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também bateu duro durante o evento tucano. Segundo o site do PSDB,

Guerra afirmou que o país precisa de governo transparente, "sem donos", "sem aloprados" e "sem montanhas de dinheiro". O tucano se referiu aos escândalos de corrupção na administração petista. "Lula esqueceu o Nordeste, os trabalhadores, o povo e se tornou instrumento do populismo e das elites", rechaçou.

Clique aqui para ler a reportagem completa. Chamou especialmente minha atenção a frase "Lula esqueceu o Nordeste". Por diversas razões. A mais vistosa delas é que Lula deu uma lavada no tucano Geraldo Alckmin ano passado em Pernambuco, estado de Guerra. Lembremos do resultado do segundo turno no estado:

Lula - 3.260.996 votos (78,5%)
Alckmin - 894.062 votos (21,5%)

No primeiro turno tinha sido assim:

Lula - 2.993.618 votos (70,9%)
Alckmin - 964.730 votos (22,8%)

Mas o eleitor sempre pode se enganar, não é? Com base nessa precaução, fui pesquisar um pouco para saber o que de fato se passa na região do país representada pelo novo presidente do PSDB. E encontrei o estudo Ambiente de negócios - região Nordesde (2007), da consultoria Deloitte. O texto é dirigido a potenciais investidores. Empresários, como o senador Sérgio Guerra. Vale a pena fazer o download. Diz o relatório que

As atividades consideradas tradicionais na região, como os setores de serviços e de turismo, além das indústrias têxtil, sucroalcooleira e de alimentos e bebidas, têm continuado a receber investimentos. Entretanto, outra realidade transforma a economia nordestina, tornando-a mais atrativa, seja pela clara diversidade industrial, como também pelo crescimento significativo da indústria petroquímica, do comércio de bens de consumo, das atividades de comércio exterior e das oportunidades de investimentos em áreas como a de biocombustíveis.

Diz também que

Vários fatores contribuíram para impulsionar a região nos últimos anos. O contexto macroeconômico estável, a proximidade de fontes de matérias-primas, a média salarial praticada e a disponibilidade de incentivos fiscais têm contribuído para a atração de investimentos estrangeiros e a migração de indústrias de outras regiões do País. Além disso, agrega-se a melhora na infra-estrutura portuária, estimulando a competitividade das empresas locais e facilitando o escoamento da produção para destinos internacionais.

O estudo traz um gráfico sobre o crescimento industrial nordestino em 2006 (clique na imagem para ampliar):

Vai bem Pernamuco no governo Lula. Aliás, a região toda vem ampliando fortemente na última década sua participação no produto industrial. Veja o gráfico abaixo, do mesmo estudo (clique para ampliar):

E tome otimismo:

(...) os indicadores econômicos refletem o crescente dinamismo da Região Nordeste na atração de novos investimentos. Segundo dados do Banco do Nordeste (BNB), os investimentos privados financiados pela instituição passaram de R$ 300 milhões em 2001 para mais de R$ 3 bilhões em 2006. No mesmo período, as liberações de recursos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Região passaram de R$ 3,3 bilhões para R$ 4,8 bilhões. Somente no último ano, os financiamentos destinados para o Nordeste registraram um crescimento de 27%, superior ao incremento de 9% nas liberações totais da instituição de fomento. Entre os setores mais dinâmicos, destacam-se os de turismo, petroquímico, comércio de bens de consumo, construção civil e agroindústria, principalmente na fruticultura e na produção do biocombustível. Além dos investimentos privados, adiciona-se o investimento público previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo Governo Federal no início de 2007. O PAC, que prevê investimentos em infra-estrutura da ordem de R$ 503,9 bilhões em todo o Brasil, destinará R$ 80,4 bilhões ao Nordeste (aproximadamente 16%), que se apresenta como a segunda região mais beneficiada, após o Sudeste.

Outra informação interessante do relatório é que no governo Lula a região Nordeste deixou de ser importadora e passou a exportadora. Veja o gráfico abaixo (clique para ampliar):


E como esse impulso exportador se dá?

O incremento no valor das exportações regionais está relacionado, principalmente, à mudança no mix de produtos, com maior participação daqueles de valor agregado mais elevado. Os dados reforçam as mudanças estruturais ocorridas no perfil da produção industrial nos últimos anos, resultando no incremento da participação de produtos industrializados, tais como os dos setores automotivo, petroquímico, papel e celulose, siderúrgico, calçadista, têxtil e veículos. Destacam-se, também, os produtos básicos, como soja e fruticultura, com ênfase nas indústrias do agronegócio localizadas no Vale do São Francisco (Bahia e Pernambuco).

Não vou tomar mais tempo de vocês. Quem quiser, que leia o relatório. Este post começou com uma divagação sobre escândalos e seguiu mostrando o contraste brutal entre a realidade do Nordeste e como a descreve o novo presidente do PSDB. Mas não poderia deixar de comentar também a referência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à falta de educação formal do sucessor. FHC jamais deveria fazer esse tipo de crítica a Lula. Pois o governo Lula é melhor do que foi o governo FHC. Se o sujeito com menos instrução faz o mesmo trabalho mais bem feito do que o sujeito com mais instrução, o mérito é do menos instruído, e não do mais instruído. Parece lógico. Quando FHC desdenha da educação formal de Lula, apenas reforça a idéia de que ele próprio, FHC, poderia ter feito algo mais quando esteve no Palácio do Planalto. O ex-presidente deveria achar outro mote para insuflar a galera dele. Alguém deveria dizer isso a FHC. Mas não serei eu. Pois eu confesso que ando cada vez menos propenso a gastar tempo com conversas de políticos que não encontram eco na realidade. Ou a desperdiçar energia com operações midiáticas para as quais, afinal, o povo não está nem aí.

Infra-estrutura pode dar fôlego para país crescer entre 6% e 7%

Sergio Lamucci e Denise Neumann, de São Paulo
Valor


Marisa Cauduro / Valor
Delfim Neto: "Ninguém quer ser sacrificado hoje, como faziam os incas, para que a colheita seja boa no futuro"


Antônio Delfim Netto acredita que o Brasil pode voltar a crescer, em breve, em um ritmo de 6% a 7%. A última vez em que essa velocidade foi alcançada foi no chamado milagre econômico, nos anos 70, período durante parte do qual ele foi o comandante da área econômica. A chave para essa mudança, diz ele, está na aposta que a União e Estados importantes - entre eles São Paulo e Minas Gerais, comandados pelo PSDB e por potenciais candidatos a sua sucessão - estão fazendo na infra-estrutura. E a aposta, explica, vem junto com a convicção de que agora parte importante deste investimento cabe ao setor privado,


Para Delfim, o BC, apesar de sustentar "o último peru disponível no mundo fora do Dia de Ação de Graças e do Natal", não tem mais o poder de frear esse crescimento porque o investimento privado não "obedece" à Selic. A seguir, os principais trechos da entrevista.


Valor: Quais suas perspectivas para o crescimento da economia nos próximos anos?


Delfim Netto: Estou com uma visão otimista por muitos motivos, mas talvez o mais importante é que caiu a ficha do governo federal. Houve alguns sinais importantes dados pelo ministro que considero talvez o mais eficiente do governo Lula, que é a Dilma Rousseff. No começo, os atrasos nos leilões de concessão faziam com que ficássemos desconfiados de que eles queriam devolver para o Estado todas as tarefas. Era aquela ameaça: vai recriar a Telebrás, vai recriar a Diabobrás. Mas não foi por isso que demorou e sim pela assimetria de informação entre o poder concedente e o concessionário. Nas concessões do governo Fernando Henrique, a assimetria de informação levou o concessionário a montar um sistema em que as vantagens eram substanciais. Isso era possível, porque o concessionário sempre sabe muito mais do que o poder concedente sobre a sua tarefa. Hoje estou convencido que era esse problema e não um resíduo ideológico. O que demorou foi o governo entender que poderia transferir para o setor privado algumas tarefas e, ao mesmo tempo, proteger o consumidor.


Valor: De onde vem essa mudança?


Delfim: Eles descobriram isso quando começaram a pensar no leilão de concessões rodoviárias, que poderia ser um leilão frio, comum, mas de repente aparece um animal estranho, que transformou o leilão num sucesso extraordinário. O governo sabe hoje que há mecanismos adequados que permitem transferir ao setor privado aquelas tarefas que antigamente apenas o Estado podia fazer.


Valor: E o que fica para o Estado?


Delfim: É possível reservar para o Estado apenas aquilo que ele tem que fazer. Ele tem que proporcionar uma Justiça razoável, saúde, educação e, numa palavra, precisa equalizar as oportunidades dos cidadãos. E aqui há uma idéia que vai salvar o capitalismo. O capitalismo é uma corrida, uma competição desenfreada. O que se exige numa corrida? Que os sujeitos saiam do mesmo ponto e que pelo menos tenham duas pernas. É evidente que no Brasil isso não existe. No Brasil, 60% das pessoas nascem em lares que são incapazes de dar a eles igualdade de oportunidades. O capitalismo só sobrevive quando há consciência de que essa igualdade de oportunidades está caminhando. A profecia marxista só não se realizou por causa do sufrágio universal. O sufrágio universal deu voz ao trabalhador e o está transformando em cidadão. Não adianta o economista vir e dizer: "Eu sou o portador da ciência e vocês devem seguir os meus conselhos", como se fosse um daqueles velhos sacerdotes incas, afirmando que temos que sacrificar alguém hoje para que a colheita seja boa no futuro. Ninguém quer ser sacrificado hoje para que a colheita seja boa no futuro. Você tem que convencer o sujeito, que está hoje produzindo a colheita do futuro, que o regime é razoavelmente justo. Isso vem da tentativa de melhorar as oportunidades. Eu me divirto muito porque, ao contrário do que as pessoas pensam, o Lula é o salvador do capitalismo.


Valor: Por que o sr. acha que ele é o salvador do capitalismo?


Delfim: Porque ele colocou na mesa, inconscientemente até, que a igualdade de oportunidades é a única coisa que pode salvar a boa política econômica. O Lula é o salvador do capitalismo, porque é óbvio que antes de voltar a crescer, estamos indo para uma sociedade que eu nem sei se é mais justa, mas ela se pensa mais justa, ela se percebe mais justa.


Valor: Mas por que sr. acha que o crescimento será mais forte?


Delfim: Porque vão se realizar projetos do PAC que jamais seriam realizados pelo governo. O governo não tem recursos. E no discurso do lançamento do PAC da ciência, o Lula descobriu uma coisa importante: não adianta nada fazer um programa e disponibilizar os recursos porque é no governo que o programa não se realiza. A verba não chega ao laboratório não porque nós não sabemos que a pesquisa é importante, mas porque tudo isso é bloqueado pela própria máquina, que é ineficiente para transferir os recursos. Isso é outro passo muito importante na sua compreensão do governo. Nesse cenário, os investimentos em infra-estrutura vão crescer e muito. Isso é apenas um pequeno aspecto. Eu olho para São Paulo e vejo o José Serra com um passo à frente, fazendo a mesma coisa e até melhor.


Valor: Por que melhor?


Delfim: Ele vai colocar em leilão as estradas, vai vender uma parte do patrimônio que não interessa, vai privatizar, vai fazer parcerias público-privadas. Nas estradas, ele escolheu um modelo que tem um certo interesse, que o governo federal não usou. Você fixa a outorga. O governo federal usou simplesmente minimizar a tarifa. A proposta do Serra tem uma coisa mais interessante, pois posso usar os recursos da outorga para investir onde a taxa de retorno social é maior que a privada, onde o setor privado não vai entrar. O Aécio Neves está fazendo a mesma coisa, o que prova que a competição é a única coisa que resolve. Você tem uma competição óbvia entre União, São Paulo e Minas, que são os potenciais sucessores do Lula. A União é uma interrogação, os outros dois vão disputar entre si, mas um dos dois vai ser candidato. Isso significa que você vai ter um aumento significativo do investimento em infra-estrutura.


Valor: Qual o impacto dessa alta?


Delfim: A bibliografia internacional mostra que 1% do PIB de aumento do investimento em infra-estrutura tende a aumentar a taxa de crescimento do PIB entre 0,4 e 0,5 ponto percentual. A soja, para ser trazida de Mato Grosso para Santos, metade é custo de transporte. Se arrumo as estradas, isso cai para 25%. Gasto menos pneumático, gasto menos energia. A externalidade do investimento público é enorme e eleva a produtividade do setor privado. Isso vai ser visível nos próximos dois anos.


Valor: Isso se materializa em 2008, ou é mais para 2009?


Delfim: Acho que é agora, porque está começando. São Paulo está funcionando, Minas está funcionando e a União está funcionando. Em 18, 24 meses, você vai notar esse efeito. O simples fato de que você está melhorando porto, melhorando estrada, você vai ter uma elevação do crescimento. Quais são os fatores que impedem o crescimento? Energia e conta corrente. Conta corrente, Deus resolveu para a gente. Na energia, Deus deu uma mãozinha agora, o que prova que esse tal de Lula tem alguma coisa com o divino. Há um problema de curto prazo óbvio, mas o entendimento de que há um problema de curto prazo é o primeiro passo para a solução do problema. Não adianta discutir, haverá problema de gás se não chover direito, mas ele não é suficiente para inibir ou abortar o crescimento. Hoje, estou muito mais confiante de que o único fator que poderia abortar o crescimento, que é a oferta de energia, aos trancos e barrancos será superado, infelizmente com custo marginal crescente.


Valor: O sr. acha que nós podemos sair dos 4,5% a 5% de crescimento neste ano para quanto?



O Lula é o salvador do capitalismo porque estamos em uma sociedade que se pensa mais justa"


Delfim: Acho que é perfeitamente razoável imaginar 6%, 7% nos próximos anos.


Valor: Inclusive em 2008?


Delfim: Em 2008 acho que você terá provavelmente mais do que 5%. É sempre muito arbitrário, mas o que digo é o seguinte: é óbvio que o governo colocou na mesa o problema do desenvolvimento, que tinha sido esquecido nos últimos 25 anos. Colocou na mesa, mostrou que o grosso dos diagnósticos dos cientistas estava errado. O que os cientistas diziam em 2002? Não há a menor possibilidade de superar contas correntes porque falta poupança. Um miserável fato destruiu a brilhante teoria. Subiram os preços externos, acabou. Houve movimento de capitais, uma porção de outras coisas, mas o que me interessa, o que sobrou desses pensamentos cerebrinos, é que, se você eliminar as duas restrições ao crescimento, o crescimento só depende da capacidade do governo de acordar o espírito animal do empresário.


Valor: O sr. acha que não há mais o risco de o BC inibir o crescimento?


Delfim: A taxa de juros fixada pelo BC não tem nada a ver com a taxa de juros que funciona no investimento. O investimento é controlado ou pela taxa de juros externa, para quem pode tomar, ou é controlada pelo BNDES. Aquilo na verdade é um banco de brincalhões, que nós continuamos levando a sério porque eles continuam a produzir o último peru disponível no mundo, fora do Dia de Ação de Graças e do Natal.


Valor: O BC não pode adormecer o espírito animal dos empresários? Ou não pode ter sua autonomia questionada pelo governo?


Delfim: Nunca ninguém respeitou a autonomia do BC como o Lula. Ninguém vai se meter a mudar a política do BC porque a única coisa para a qual ela tem importância hoje é a dívida pública, é disso que se trata. E mesmo assim o seu papel foi muito reduzido quando você deu o incentivo, que tem certo caráter exagerado, que foi a isenção de IR para o investidor estrangeiro. Você podia dar, mas dar para todos, não apenas para o investidor estrangeiro. O que acho é que não há mais a possibilidade de fazer o terrorismo. Isso é uma das vantagens do regime de metas inflacionárias. Há muitos problemas, mas uma das vantagens é que ele obriga o governo a explicitar a taxa de inflação que quer. A sociedade pode julgá-lo. Você acha que alguém tem condição de chegar hoje para o Brasil e dizer: eu quero uma taxa de inflação de 10%? Não tem. Ela é um instrumento de controle do próprio Executivo e cada vez está mostrando que não é o BC que é importante. O importante é a política fiscal. Se a política fiscal estiver correta, o BC pode fazer o seu trabalho sem prejudicar coisa nenhuma. Por que o Brasil precisa ter taxa de juro real de 8%? Qual é o motivo, qual é a doença, que faz que o Brasil seja o único país do mundo, além da Turquia, com juro desse tamanho? O Brasil é um país que tem que ter taxa de juro real como a do mundo inteiro, de 2,5% a 3%. Se você olhar a estrutura fiscal - e não a política fiscal -, ela é terrível. A carga tributária é a maior do mundo para um país do nosso nível de renda per capita, uma dívida pública bruta que é 65% do PIB. Esses fatos é que acabam exigindo a taxa de juros. Não é a economia brasileira. Você precisa financiar a dívida. O BC age mais na necessidade de financiamento do governo do que no processo produtivo.


Valor: O câmbio não pode abortar parte desse crescimento?


Delfim: Pode. Tudo isso está na direção de sustentar um câmbio artificialmente supervalorizado. A taxa de câmbio brasileira tem três componentes. Uma componente é a imagem da desvalorização do dólar. Todo mundo se valorizou. De vez em quando as pessoas pensam que a política econômica brasileira é tão virtuosa que produziu a valorização. Não. O segundo fator é que houve uma mudança estrutural fundamental. Eu gastava metade do valor das exportações para importar petróleo. Hoje somos auto-suficientes em petróleo. Mas há o que chamo de supervalorização. É triste ter visto grandes economistas, o BC, os mais sofisticados cientistas, negarem a relação entre diferença de taxa de juros e valorização do câmbio. É um momento negro da teoria econômica brasileira, a negação feita pelos financistas de que não há nenhum efeito do diferencial de juros. Agora, não sabem o que fazer com a grana toda que entrou.


Valor: Quanto é essa supervalorização causada pelo diferencial de juros?


Delfim: Não sei, mas não é nada diferente de uns 10%, 15%.


Valor: Mas um dólar na casa de R$ 1,70 não pode ofuscar os efeitos benéficos dos investimentos em infra-estrutura sobre a economia?


Delfim: Sem investimento em infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 100. Com investimentos de infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 80. Os investimentos em infra-estrutura significam aumento da produtividade do sistema econômico brasileiro, ou seja, significa a capacidade de resistir a uma valorização maior do que sem ele. É claro que tudo seria muito melhor se o Brasil acordasse para o fato de que precisa uma taxa de juro real igual à do mundo. Você eliminaria essa supervalorização e o efeito do investimento seria ainda maior. O investimento em infra-estrutura ajuda a resistir a um câmbio que está fora do seu equilíbrio.


Valor: Há muita gente que prevê déficit em conta corrente em 2008. Não há o risco de a restrição externa voltar a aparecer, talvez não em 2008, mas em 2009 ou 2010?


Delfim: A restrição externa vai aparecer se não tivermos inteligência, por um motivo simples. O Brasil vai ter, daqui a 25 anos, 250 milhões de habitantes e terá que dar emprego para 140 milhões de sujeitos entre 15 e 65 anos. É óbvio que o paradigma brasileiro não pode ser o neozelandês, que daqui a 25 anos vai ter 5 milhões de habitantes, ou seja, vai ser menor que a favela do Alemão. Também não pode ser o chileno, que daqui a 25 anos terá 20 milhões de habitantes. Estamos surfando no crescimento global. Junto com a expansão do mundo, apareceu a China, apareceu a Índia. Os preços dos produtos agrícolas e minerais cresceram muito mais do que os dos produtos industriais e estamos nos beneficiando disso. Mas sabemos que o mundo não é exponencial. A economia global flutua. O período varia, a amplitude varia, de modo que mais dia, menos dia, esses países vão caminhar para uma estabilização, vai haver uma recessão nos EUA, que terá conseqüência na China, você terá uma flutuação nesses preços. Quando os preços flutuarem, rapidamente vai aparecer um déficit comercial e em conta corrente. Por que ele não será um impedimento no curto prazo? Porque você tem reservas de US$ 170 bilhões. Você pode fazer besteira cambial por mais uns três anos. É óbvio que, para sustentar esse país é necessário ter política industrial exportadora. O Brasil não está se inserindo no mundo. O Brasil está servindo ao mundo, e na minha opinião, tem todo o motivo de servir e aproveitar ao máximo essa possibilidade, mas não acreditar que esse é o modelo que vai permitir ser um país decente daqui a 25 anos. O Brasil é o 5º país em dimensão geográfica, é o 8º ou 9º em dimensão demográfica, é o 11º em PIB. O Brasil tem que pensar o que ele é. Não é simplesmente essa cópia, essa idéia de que se deixar o mercado fazer tudo vai dar certo. O mercado é um instrumento fantástico porque não foi inventado por ninguém, foi descoberto no próprio processo de viver. Ninguém pensa em abandonar o mercado. Mas para crer que o mercado pensa 25 anos na frente, tem que acreditar muito mais do que qualquer muçulmano.


Valor: O câmbio se corrige só com o diferencial de juros?


Delfim Se os juros estivessem na posição correta, o movimento de capitais seria muito menor. A taxa de câmbio estaria no seu equilíbrio, um pouco mais, um pouco menos, pois o câmbio flutua, é assim mesmo.


Valor: O cenário externo não pode nublar essas perspectivas?


Delfim: Se nós continuarmos como está, nós vamos dar com a cabeça na parede mesmo. Do mesmo jeito que Deus deu essa alegria de eliminar a vulnerabilidade externa construída pelo Fernando Henrique, vai retirar. Essa expansão produzida pelo aumento dos preços dos produtos agrícolas e dos produtos minerais não é coisa permanente.


Valor: Além do câmbio, o que mais pode ser feito pelo governo?


Delfim: É a disposição de entender isso, que o mercado é formidável, mas não é ele que faz o crescimento. Quem faz o crescimento é o espírito animal do empresário quando é despertado pelo governo. Esse pavor estadofóbico que se apropriou de alguns economistas, que é compensado pela estadolatria que se apropriou de outros, é que perturba o crescimento. Nenhum dos dois está certo.

domingo, 25 de novembro de 2007

No Brasil e no mundo, dia de luta para evitar violência contra a mulher

Agência Brasil - O Globo

BRASÍLIA - Neste domingo, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, começou a campanha "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres", lançada semana passada no Congresso Nacional. Os lemas são "Uma vida sem violência é um direito das mulheres" e "Está na lei! Exija seus direitos". A campanha é desenvolvida há 17 anos em 135 países, de 25 de novembro a 10 de dezembro.

Para a deputada Cida Diogo (PT-RJ), o dia serve para muita reflexão e luta. Ela avalia que a Lei Maria da Penha, em vigor há mais de um ano, "veio para ficar" e está mexendo com as instituições públicas, obrigando a Justiça a assumir o seu papel nessa questão.

Sancionada em 7 de agosto de 2006, a lei, de número 11.340, aumenta o rigor das penas contra os autores de crimes de violência doméstica e sexual . A lei ganhou esse nome em homenagem à luta de vinte anos dessa corajosa cidadã, vitima de duas tentativas de assassinato, com graves seqüelas, até conseguir a condenação do agressor que era o seu próprio marido. A tragédia pessoal de Maria da Penha virou símbolo da luta contra os maus-tratos físicos, psicológicos e morais sofridos por parcela significativa da população feminina brasileira.

A lei permite que agressores sejam presos em flagrante ou tenham prisão preventiva decretada. A lei também acabou com as penas alternativas, em que o réu é condenado a pagar cestas básicas ou multas, e a pena máxima passou de um ano de detenção para três.

- Temos que exigir cada vez mais que as varas especiais se multipliquem país afora. E que as nossas mulheres tenham no Judiciário o direito de registrar a sua queixa, de promover algum processo contra o agressor e exigir que o Executivo tenha serviço público que dê assistência as mulheres vítimas de violência. Além de trabalhar efetivamente para construir uma sociedade em que homens e mulheres sejam iguais e livres, sem um querer se sobrepor ao outro. Essa é uma luta das mulheres, mas os homens de bem deste país têm que estar nessa caminhada também - afirmou Cida Diogo.

A coordenadora-geral da Casa da Mulher Trabalhadora, no Rio de Janeiro, Eleuteria Amora da Silva, fala da importância de ter um dia para chamar a atenção da população em relação ao problema.

" Para conter a violência contra as mulheres é necessário o envolvimento de toda a sociedade. Eu diria que é algo para ficamos horrorizados e não aceitarmos "

- A gente já avançou com a Lei Maria da Penha, que tipifica a lei - agora a mulher não pode mais retirar a queixa registrada (contra o agressor) na delegacia, por exemplo. Para conter a violência contra as mulheres é necessário o envolvimento de toda a sociedade. Eu diria que é algo para ficamos horrorizados e não aceitarmos - comenta Eleuteria.

Segundo Eleuteria Amora da Silva, a Casa da Mulher Trabalhadora tem sido procurada por uma grande quantidade de mulheres, mostrando que a Lei Maria da Penha tem impacto na sociedade. Para ela, a efetividade da lei ainda depende de medidas como a implementação de juizados especiais para casos de violência contra a mulher.

A data foi designada em 1999 pelas Organização das Nações Unidas (ONU) para lembrar à sociedade dos direitos das mulheres.

Distribuição de panfletos alerta sobre violência contra mulher

A distribuição de panfletos em postos de combustíveis foi uma das ações que marcaram o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, comemorado nesta domingo. Cerca de 600 mil panfletos foram distribuídos em 155 postos da BR Distribuidora em 15 cidades do país durante toda esta semana.

Os informativos explicam as características da violência doméstica e familiar, mostram as conquista da Lei Maria da Penha e o telefone da Central de Atendimento à Mulher (180).

O lançamento da campanha aconteceu em um posto de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, disse que este é o segundo ano que a empresa divulga a campanha.

- No ano passado a campanha ficou restrita apenas a alguns postos do Rio e hoje nós já conseguimos expandi-la para várias capitais do país. Isso é muito importante porque o posto de combustível é um lugar por onde passa todo tipo de pessoa - disse.

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que distribuiu panfletos na orla de Copacabana junto com Dutra, avaliou que o Brasil tem conquistado vitórias importantes com a Lei Maria da Penha.

- O número de agressões reincidentes vem caindo bastante. E além disso, a Lei Maria da Penha foi responsável pela implantação de mais de 6 mil medidas de proteção de urgência, como o afastamento imediato do agressor do lar e a possibilidade das autoridades determinarem a busca e apreensão de armas - disse.

L'aigle noir, de Barbara, pour toutes les femmes humiliées



Un beau jour, ou peut-être une nuit,
Près d'un lac je m'étais endormie,
Quand soudain, semblant crever le ciel,
Et venant de nulle part,
Surgit un aigle noir,

Lentement, les ailes déployées,
Lentement, je le vis tournoyer,
Près de moi, dans un bruissement d'ailes,
Comme tombé du ciel,
L'oiseau vint se poser,

Il avait les yeux couleur rubis,
Et des plumes couleur de la nuit,
A son front brillant de mille feux,
L'oiseau roi couronné,
Portait un diamant bleu,

De son bec il a touché ma joue,
Dans ma main il a glissé son cou,
C'est alors que je l'ai reconnu,
Surgissant du passé,
Il m'était revenu,

Dis l'oiseau, ô dis, emmène-moi,
Retournons au pays d'autrefois,
Comme avant, dans mes rêves d'enfant,
Pour cueillir en tremblant,
Des étoiles, des étoiles,

Comme avant, dans mes rêves d'enfant,
Comme avant, sur un nuage blanc,
Comme avant, allumer le soleil,
Etre faiseur de pluie,
Et faire des merveilles,

L'aigle noir dans un bruissement d'ailes,
Prit son vol pour regagner le ciel,

Quatre plumes couleur de la nuit
Une larme ou peut-être un rubis
J'avais froid, il ne me restait rien
L'oiseau m'avait laissée
Seule avec mon chagrin

Un beau jour, ou peut-être une nuit,
Près d'un lac, je m'étais endormie,
Quand soudain, semblant crever le ciel,
Et venant de nulle part,
Surgit un aigle noir,

Un beau jour, une nuit,
Près d'un lac, endormie,
Quand soudain,
Il venait de nulle part,
Il surgit, l'aigle noir...

Barbara, intacte et lumineuse

Ce sont des champignons qui l'ont tuée, le 24 novembre 1997. Un bocal devenu poison dans les caves de la maison de Précy-sur-Marne. Ou bien un surgelé décongelé recongelé. Ou des amanites phalloïdes, des hallucinogènes, des morilles ou des cachets. Dès sa mort à l'Hôpital américain de Neuilly-sur-Seine, les rumeurs transforment le "choc toxico-infectieux", cause officielle du décès, en mystère.

Noire et blanche, Barbara, disparue à l'âge de 67 ans après des années de santé fragile, de respiration bronchitique, était pourtant limpide. "Quand j'ai écrit Nantes, on a dit : elle est triste ! Non ! Mais tout le monde a perdu un père et moi j'ai pas inventé la mort... On se dirige vers la mort en passant par une chose éblouissante et terrible aussi qui est la vie. C'est un mensonge quand on dit qu'on avance vers la vie, on passe (emphatique) par la vie" (à François Deletraz dans "Opus", sur France Culture en 1993, restitué dans Le Temps du lilas, coffret édité ce mois-ci par Le Chant du Monde).

Peu importent les causes de la mort. Barbara est vivante puisque son public demeure et s'est même enrichi d'une jeunesse en culottes courtes quand elle finissait sa dernière tournée, épuisée, en 1994. La jeune génération de la chanson française en a fait une référence. Le dixième anniversaire de sa mort est l'occasion de la publication d'ouvrages souvent hagiographiques, où la suprême insolence consisterait à dévoiler l'identité de ses amours - le secret longtemps tu, l'inceste du père, révélé par elle-même dans un ouvrage posthume, Il était un piano noir... Mémoires interrompus (1998).

Barbara se protégeait. Rien de ce qu'elle ne voulait pas qu'on sache ne parut jamais. Par respect pour la "longue dame brune" selon Georges Moustaki qui l'aima, et sa pudeur, mais aussi parce que Barbara était une "femme piano" (titre de son ultime album en 1996) dont les chansons sont autant de miroirs tendus, aux amoureuses, aux adolescents, aux blessés.

SON AMANT LE DIPLOMATE

Monique Serf, née le 9 juin 1930, s'était rebaptisée du nom de la martyre chrétienne d'Héliopolis, jetée aux lions en 306. Barbara, du latin "barbare", "étranger". Etrangère aux lois communes, excessive, professionnelle, elle avait sapé dès 1954 les règles musicales en chantant d'une voix nue des classiques du répertoire français dans l'arrière-salle d'une friterie bruxelloise, puis Brassens ou Giani Esposito à L'Ecluse, cabaret parisien de ses débuts. Partout, elle chante. A Abidjan, en 1961, où elle rejoint son amant, le diplomate Hubert Ballay, pour qui elle écrira Dis, quand reviendras-tu ? avant de le quitter.

A Paris, en 1993, au Théâtre du Châtelet, s'adressant à son public : "Seuls vous et moi connaissons les sentiments extraordinaires qui nous unissent. C'est formidable la route que vous m'avez tracée. Il est vrai qu'à 63 ans, vous m'avez laissée intacte, vous m'entendez, intacte." Au passage, Barbara, intimement engagée (les prisons, la lutte contre le sida...), ajoutait à son répertoire Lily, de Pierre Perret, "la plus belle chanson antiraciste".

Sur cette alchimie politico-fusionnelle, Göttingen, chanson obligatoire de tous les récitals et compilations, renseigne. En 1964, Barbara chante à L'Ecluse. De jeunes admirateurs allemands l'invitent à Göttingen. Mais "l'Allemagne était comme une griffe", dira Barbara, femme juive, ayant passé une partie de son enfance à fuir l'occupant nazi et les camps de concentration - un sujet sur lequel elle est longtemps restée discrète. Aller en Allemagne lui cause des nausées.

Mais le pire, c'est qu'il y a une grève des déménageurs de piano à Göttingen, et qu'au lieu d'un demi-queue, il y a "un énorme piano droit, orné de deux chandeliers... Aucune possibilité de voir le public ni d'être vue." Impensable. Un groupe de jeunes étudiants ira récupérer le piano idoine chez une vieille dame. Alors, emballée, restituée au public, Barbara écrira Göttingen, chanson du pardon, comme le fut Nantes, destinée au père violeur.


Göttingen

Vêtue de noir et cloîtrée, la religieuse de la chanson française était surtout capable d'une écriture lumineuse, sensuelle, fluide. A peine, par exemple, sublime chanson d'amour composée en 1970, avec l'accordéoniste Rolland Romanelli, chanson qui figure sur l'album L'Aigle noir (l'inceste encore), paru en 1970. Elle est inscrite au formidable récital donné en 1974 au Théâtre des Variétés, réédité par Mercury-Universal, son label historique.

Véronique Mortaigne



Dis Quand Reviendras-tu

Voilà combien de jours, voilà combien de nuits,
Voilà combien de temps que tu es reparti,
Tu m'as dit cette fois, c'est le dernier voyage,
Pour nos cœurs déchirés, c'est le dernier naufrage,
Au printemps, tu verras, je serai de retour,
Le printemps, c'est joli pour se parler d'amour,
Nous irons voir ensemble les jardins refleuris,
Et déambulerons dans les rues de Paris,

Dis, quand reviendras-tu,
Dis, au moins le sais-tu,
Que tout le temps qui passe,
Ne se rattrape guère,
Que tout le temps perdu,
Ne se rattrape plus,

Le printemps s'est enfui depuis longtemps déjà,
Craquent les feuilles mortes, brûlent les feux de bois,
A voir Paris si beau dans cette fin d'automne,
Soudain je m'alanguis, je rêve, je frissonne,
Je tangue, je chavire, et comme la rengaine,
Je vais, je viens, je vire, je me tourne, je me traîne,
Ton image me hante, je te parle tout bas,
Et j'ai le mal d'amour, et j'ai le mal de toi,

Dis, quand reviendras-tu,
Dis, au moins le sais-tu,
Que tout le temps qui passe,
Ne se rattrape guère,
Que tout le temps perdu,
Ne se rattrape plus,

J'ai beau t'aimer encore, j'ai beau t'aimer toujours,
J'ai beau n'aimer que toi, j'ai beau t'aimer d'amour,
Si tu ne comprends pas qu'il te faut revenir,
Je ferai de nous deux mes plus beaux souvenirs,
Je reprendrai la route, le monde m'émerveille,
J'irai me réchauffer à un autre soleil,
Je ne suis pas de celles qui meurent de chagrin,
Je n'ai pas la vertu des femmes de marins,

Dis, quand reviendras-tu,
Dis, au moins le sais-tu,
Que tout le temps qui passe,
Ne se rattrape guère,
Que tout le temps perdu,
Ne se rattrape plus...



Il pleut sur Nantes
Nantes, lundi 21 décembre 1959, il pleut, Barbara débarque à la gare.

En fin de matinée, alors qu'elle se reposait rue de Vitruve le téléphone sonne. Elle raccroche, devient blême, griffonne un mot à l'attention de sa mère : "Mon père est mort à Nantes, je pars". A la hâte elle prend le train pour Nantes.

Sous un ciel gris elle découvre la ville, se dirige vers la morgue de l'hôpital St Jacques. Son père avait quitté Paris, la rue de Vitruve, il y a dix ans, n'avait donné signe de vie à sa famille. Elle le retrouve dans ce lieu sordide et froid. Les formalités administratives accomplies, elle tient à en savoir plus sur la vie de ce père disparu depuis 1949. Dans un café du centre ancien de Nantes, elle rencontre Monsieur Paul. Ses amis l'appelaient Monseigneur à cause de son port altier, pourtant il menait une vie dans la marge. Elle apprend que son père l'avait vue à la télévision lors de son premier passage l'année dernière. Il était fier d'elle.Retour à Paris. Le patron du cabaret L'Amiral lui prête la somme nécessaire à l'enterrement. Elle regagne la rue de Vitruve. Son frère Claude l'attend, il tient à venir avec elle à Nantes.

Avec son frère ils couchent leur père au chaud de la terre du cimetière de la miséricorde de Nantes.

Le lendemain soir elle chante à L'Écluse.Le 28 décembre 1959 elle écrit sur une feuille :

Il pleut sur Nantes
Donne moi la main
Le ciel de Nantes
Rend mon cœur chagrin

Le temps va passer. Une mélodie lui vient sur les mots jetés sur le papier en 1962. Lundi 4 novembre 1963 à la veille de se produire au théâtre des Capucines, les mots affluent. Elle écrit, elle écrit.

Quelques heures avant son tour de chant elle marche dans le théâtre des Capucines, ses feuilles à la main, et d'un feutre elle noircit les feuilles, rature, déchire, recommence....

Le soir tombe, le spectacle va commencer. Pour la première fois elle interprète Nantes. Nantes est née. C'est le triomphe. Sa mère, sa sœur et ses frères présents dans la salle apprécient la chanson. Cette première version ne sera jamais enregistrée telle que. Il existe un enregistrement de cette premier interprétation. Cet enregistrement n'est pas commercialisé....

Quelques jours plus tard devant le succès rencontré aux Capucines, Denise Glaser l'invite à son émission Discorama et invente une pochette de disque pour inciter la maison de disque à enregistrer ce titre. Début 1964 Barbara enregistre sur disque CBS le titre. Quelques mois plus tard après avoir changé de maison de disque elle réenregistre pour Philips Nantes.

Et depuis à chaque spectacle en public, Nantes figure au répertoire. A Bobino en 1966 elle interprète Nantes. Elle interprète Nantes lors de l'Olympia 1969 , théâtres des variétés, Pantin 1981, Châtelet 1987, Mogador 1990 , et Châtelet 1993.

Un 22 mars 1986, le lendemain de la représentation de Lily passion à Nantes, Barbara assiste avec Gérard Depardieu à l'inauguration de la rue de la grange au loup à Nantes. Cette rue est dans un quartier neuf de la ville. Elle est émue...

Dia mundial contra a violência contra as mulheres

Culpable de ser violada

Arabia Saudí condena a 200 latigazos a la víctima de un delito sexual. Es un ejemplo más de la indefensión legal de las mujeres de Oriente Próximo


Las presas brasileñas, víctimas ocultas del sistema carcelario

AI denuncia las violaciones y otros tratos vejatorios que sufren estas mujeres



Decenas de miles de personas rechazan en las principales ciudades españolas la violencia contra las mujeres

Las muestras de repulsa tienen lugar con motivo del Día Mundial contra esta lacra

AGENCIAS - Madrid - 25/11/2007 - El País

Mujeres dejan las huellas de sus pies teñidos de rojo en la manifestación celebrada en Sevilla convocada por la Plataforma 8 de marzo

Mujeres dejan las huellas de sus pies teñidos de rojo en la manifestación celebrada en Sevilla convocada por la Plataforma 8 de marzo- EFE


Decenas de miles de mujeres y hombres han salido hoy a las calles en las principales ciudades españolas para protestar contra la violencia machista en el Día Mundial contra esta lacra social. En las numerosas manifestaciones por toda la geografía española se ha recordado a las 69 mujeres asesinadas este año y se han reclamado medidas más efectivas para combatir este problema.

En lo que va de año, 69 mujeres han muerto a manos de sus parejas o ex parejas, pero sólo trece tenían alguna medida de protección en vigor que, en el 46% de los casos, fue quebrada por el agresor con el consentimiento de la víctima.

Amnistía Internacional (AI) ha celebrado este Día Mundial con un pasacalles, máscaras y disfraces y una concentración frente al Museo Reina Sofía, en Madrid. La actriz Pilar Bardem ha leído un manifiesto en nombre de AI en el que ha recordado que en todo el mundo al menos una de cada tres mujeres sufre violencia grave alguna vez en su vida, y ha subrayado que es durante los conflictos armados cuando la violencia amenaza a las mujeres con más fuerza y de múltiples formas: niñas soldado violadas sistemáticamente por miembros de sus propias tropas; o mujeres o niñas a las que se mutila, viola y mata al utilizarlas como armas de guerra.

La actriz ha denunciado asimismo lo "intolerable" que resulta la violencia contra las mujeres en el ámbito familiar ante "la falta de voluntad política de gobiernos que no garantizan la protección de sus derechos frente a la violencia que más a menudo las golpea: la ejercida por los hombres de su propia familia".

La secretaria de Políticas de Igualdad, Soledad Murillo, ha subrayado en una entrevista con Efe la importancia de que las mujeres no bajen la guardia y tengan "muy presente" que, aunque crean que pueden afrontar la situación solas, necesitan mucha ayuda.

Brasil toma las riendas en Latinoamérica

Lula da Silva y Hugo Chávez
AmpliarLula da Silva y Hugo Chávez- REUTERS



Nuevas reservas de gas y crudo reafirman su papel de potencia regional y le permiten desmarcarse de Chávez y Morales

J.M. - EL PAÍS


Ni el petróleo de Venezuela ni el gas de Bolivia. Con dos anuncios casi simultáneos el Gobierno de Luiz Inácio Lula da Silva ha colocado a Brasil como la principal potencia energética de Latinoamérica a medio plazo tanto en la mirada de sus vecinos como de la inversión internacional. Brasilia ha revelado el descubrimiento de una reserva gigante de gas y petróleo frente a la costa del Estado de São Paulo y al tiempo ha decidido descolgarse del proyecto del venezolano Hugo Chávez de construir un gasoducto desde el Caribe hasta el Río de la Plata, el pilar sobre el que descansaba el proyecto energético -y político- del presidente de Venezuela para la región.

Brasil nunca ha ocultado que considera a Suramérica su área de influencia estratégica, y los acontecimientos sucedidos en los dos últimos años en torno a los proyectos populistas en países de la zona como Venezuela y Bolivia habían despertado las alarmas en el Ejecutivo y la diplomacia brasileños. Y no tanto por el carácter político de los Gobiernos de Caracas y La Paz, que ha sido bien manejado por Lula, como por la dependencia energética en la que se estaba sumergiendo el gigante suramericano, que importa el 50% del gas que a diario consume su industria de Bolivia y se había comprometido en el supergasoducto propuesto por Chávez que de construir colocaría a Venezuela en una posición de preeminencia en la política energética del subcontinente.

"Dios es brasileño"

Por eso no es de extrañar que esta semana Lula declarara eufórico "está comprobado que Dios es brasileño" al comentar el hallazgo de unas reservas de crudo ante la costa brasileña que no sólo consagran la ya lograda en 2006 autosuficiencia petrolífera del país carioca sino que lo convierten en un exportador potencial. Itamaraty, el nombre de la sede de la potente diplomacia brasileña, evalúa incluso pedir una solicitud de ingreso en la Organización de Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

El descubrimiento del yacimiento de Tupí, situado frente a la ciudad costera de Santos, supone que Brasil ha encontrado en una sola zona el 50% de todo el crudo que ha tenido disponible en los últimos 50 años. Las prospecciones señalan que en Tupí hay entre 5.000 y 8.000 millones de barriles de petróleo. A día de hoy Brasil extrae 1.800.000 barriles diarios, con unas reservas calculadas -y en las que no entra el nuevo yacimiento- de 12.500 millones. "Ahora me llaman magnate del petróleo", bromeaba Lula con la presidenta electa argentina Cristina Kirchner, durante la visita que ésta hizo a Brasilia esta semana.

El fin de la dependencia energética ha sido una política de Estado brasileña y una prioridad llevaba con un bajo perfil político por la Administración de Lula. No hay que perder de vista que Brasil se halla a la cabeza de la producción y explotación de biocombustibles. En el país no se vende ni un litro de gasolina que al menos no lleve biocombustible en un porcentaje en torno al 20%, y el mismo mandatario brasileño trata de exportar este modelo al resto del continente. Un proyecto en el que tiene por socio a EE UU. Desde hace décadas se está multiplicando la superficie destinada al cultivo de caña de azúcar, de la que se obtiene el etanol, y sólo en los próximos tres años Brasilia invertirá 15.791 millones de euros en ciencia y tecnología, donde la producción energética tiene un papel clave.

El Gobierno no ha relativizado en lo más mínimo lo que supone el hallazgo del petróleo para su política nacional, y el ministro de Defensa, Nelson Jobim, ya ha pedido que la capacidad militar de Brasil sea incrementada. "En el momento en el que se tiene una gran riqueza nacional en el área del Atlántico, tenemos que estar en condiciones de defenderla". Jobim anuncia que el país tendrá submarinos de propulsión nuclear. La defensa de la riqueza natural es la misma línea de argumentación empleada para justificar la construcción de bases militares en la frontera amazónica, decisión que despierta recelos en Bolivia.

En paralelo, y tratando de no dar trascendencia al anuncio, la petrolera estatal Petrobras se ha descolgado del proyecto de construir un complejo gasístico denominado Mariscal Sucre, pieza indispensable en el megaoleoducto que apadrina Chávez. "No es atractivo para nosotros", reconoció su presidente, Sergio Gabrielli.

A nadie se le escapa que, como el mismo Lula ha declarado, "Petrobras es Brasil y Brasil es Petrobas", y que su Gobierno ha hallado una manera no traumática de descolgarse de un proyecto faraónico con un presupuesto de 23.000 millones de dólares, un desembolso inicial de 8.000 millones, grandes complicaciones técnicas, y una ventaja relativa para el país que debía albergar la mayor parte de los 7.000 kilómetros de tubería.

Brasilia pretende que la desactivación práctica del proyecto de Chávez le produzca los mínimos roces con Caracas, y así el martes el ministro de Exteriores, Celso Amorim, salió en defensa de la integración de Venezuela en el Mercosur ante las críticas de la oposición brasileña. Hace dos meses el presidente venezolano protagonizó uno de sus habituales duelos de declaraciones, esta vez con el Senado brasileño, a quien acusó de "repetir como un loro" las críticas de Washington hacia su régimen.

Por el contrario, el Gobierno de Lula es amistoso en las formas con su homólogo venezolano, pero a nadie se le escapa que ambos persiguen el objetivo de convertirse en referente energético regional y están en un rumbo de colisión que tarde o temprano se producirá. Lula y Chávez tienen previsto reunirse en diciembre, en una cumbre trimestral ordinaria, para tratar sobre energética. Lula acudirá al encuentro en una posición muy diferente y de mucha más fuerza que en el pasado.

Redes tendidas en la vecina Argentina

Apenas horas después del anuncio de la gran reserva de petróleo en la costa atlántica, Brasil ya ha comenzado a cortejar a algunos de sus vecinos para atraerles a la esfera de influencia de su proyecto energético. Así Marco Aurelio García, el influyente consejero en política internacional del presidente Lula da Silva, ha revelado que los técnicos brasileños estiman que en aguas argentinas también hay unas reservas semejantes a las encontradas y ha pedido la colaboración en el proyecto de la brasileña Petrobras con la empresa argentina pública Enarsa. En otro detalle no menor que indica el interés brasileño en la alianza con Argentina, fue Lula en persona quien adelantó personalmente la noticia del hallazgo del yacimiento brasileño al presidente Néstor Kirchner durante la pasada Cumbre Iberoamericana de Santiago de Chile.

Como parte de la misma política, Petrobras va a anunciar esta semana importantes inversiones en una central térmica cercana a Buenos Aires que aumentará para 2010 en más de un 30% su capacidad de producción. Esta inversión supone un fuerte gesto hacia la Administración argentina -y en particular hacia Cristina Kirchner, quien se ha reunido con Lula antes de jurar como presidenta, el próximo 10 de diciembre-, enfrentada a una crisis energética casi crónica debido al fuerte aumento de la demanda y a la deficiencia de las infraestructuras.

El próximo paso de la alianza energética entre Brasilia y Buenos Aires se dará previsiblemente en la cooperación nuclear, una tecnología que ambos países se han declarado dispuestos a desarrollar y un campo en el que Argentina tiene ya experiencia de exportación de reactores nucleares, como el inaugurado este mismo año en Australia. El Gobierno de Kirchner reactivó el Plan Nuclear Argentino en agosto de 2006. Venezuela se ha mostrado interesada en adquirir un reactor argentino, sin que se haya producido respuesta concreta por parte de Buenos Aires.

QUEM QUIS O 3º. MANDATO FOI FHC

ESTE BLOG FOI O PRIMEIRO, QUARTA-FEIRA PASSADA, A DENUNCIAR O APOIO DE FHC AO TERCEIRO MANDATO DE FUJIMORI (VER EM LEITURAS E OPINIÕES MEU POST Falando serio LF)


Montesinos, o guia do terceiro
mandato de Fujimori e FHC



Paulo Henrique Amorim


O Presidente Lula deu uma entrevista ao Globo.

. Um terço da entrevista foi a Miriam Leitão, Fabio Giambiagi e Paulo Guedes, uma vez que só tratou dos gastos públicos.

. “Gastos públicos” é uma “idéia fixa” dos neo-liberais, como se sabe: matar o Estado de inanição, menos naquelas linhas de crédito que beneficiem as empresas “escolhidas” pelo Estado neo-liberal.

. Como foi na privatização da Cemig (clique aqui para ler como os tucanos privatizaram a Cemig), por exemplo.

. Outro terço da entrevista foi concedido a Miriam Leitão e a Rubens Barbosa, porque só tratou da Venezuela.

. A Venezuela, como se sabe, é outra “idéia fixa” dos neo-liberais, porque eles batem na Venezuela “by proxy” – tudo o que eles dizem da Venezuela e do Presidente Chávez é o que gostariam de dizer do Brasil do Presidente Lula e não conseguem.

. Como diz o Presidente Lula: o que é que me interessa o regime político do Afeganistão? Da Austrália? Do Azerbaijão?

. O outro terço da entrevista tocou no assunto que, de fato, merecia destaque, se o Globo não fosse do PIG.

. Disse o Presidente Lula: “Não quero que publiquem isto, é apenas uma informação: quem defendeu terceiro mandato foi Fernando Henrique Cardoso, que defendeu o terceiro mandato do Fujimori (ex-presidente do Peru). Ou vocês se esquecem que publicaram isso?” (*)

. Na edição que está nas bancas (clique aqui para ler), a revista Carta Capital, numa reportagem de Leandro Fortes (“Eterno factóide”), diz: “O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de ter sido beneficiado com a manobra da reeleição, colocada em prática via mudança da Constituição, foi um dos avalistas internacionais do terceiro mandato de Alberto Fujimori, do Peru. Tanto, e de tal forma, que Fujimori, atualmente às vésperas de ser julgado por crime de corrupção, tráfico de armas e genocídio pela Justiça peruana, arrolou FHC como testemunha.“ (!) (*2)

. Para adicionar algumas informações ao que dizem o Presidente Lula e Leandro Fortes.

. A Embaixada do Brasil em Lima era uma sub-estação do gabinete de Vladimiro Montesinos, o Beria/Fernandinho Beira-Mar de Fujimori.

. A Embaixada do Brasil em Lima articulou entusiasmadamente o apoio de FHC ao terceiro mandato de Fujimori.

. O Governo dos Estados Unidos – que já sabia da ligação de Montesinos com o tráfico de drogas ... – condenou o terceiro mandato de Fujimori.

. Nas Américas, FHC foi o ÚNICO chefe de Estado que deu apoio ao terceiro mandato de Fujimori.

. Quer dizer, Fujimori era o “SCC” de FHC – “Se Colasse, Colava” ...

(*) Nos tempos em que os bichos falavam e havia um mínimo de pudor, os jornalistas respeitavam o pedido de off dos entrevistados. Continuam a respeitar, quando interessa. Quem inaugurou a prática insalubre de quebrar o off do Presidente Lula foi a Folha, numa entrevista a Kennedy Alencar (clique aqui). Agora, o Globo. Bem fazia o Presidente Tancredo Neves, que dizia aos jornalistas que lhe perguntavam se determinada declaração era em off: “Meu filho, tudo o que eu digo é para publicar.” Ou o Presidente Lula diz o que diz, porque já sabe que os jornalistas do Globo e da Folha não merecem mesmo confiança, ou o Franklin Martins podia contar umas histórias do Dr. Tancredo para ele...

. (*2) Essa eu quero ver: o Farol de Alexandria depor a favor de Fujimori. Ou ele vai dizer ao oficial de Justiça que não está?

"Não vamos melhorar a saúde pública sem contratar médicos. Não vamos melhorar a educação sem contratar professor", diz Lula em entrevista para O Globo

Luiz Inácio Lula da Silva

Com a irritação de um apaixonado torcedor e se queixando do desempenho da seleção brasileira no jogo da noite anterior contra o Uruguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizia repetidas vezes, na quinta-feira de manhã, que sem ousar, arriscar, não se faz gol.
— A palavra de ordem deveria ser: pegou bola fora da área, mete ela pro gol. Mete. Chuta dez, uma entra — disse antes de começar a desfiar, na entrevista de uma hora e 15 minutos ao GLOBO, números sobre a economia, e reafirmar a convicção de que sem aumento de gastos públicos não consegue governar. — Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo dinheiro, seria ótimo. Munido de folhas de papel com dados, Lula poucas vezes precisou consultá-los — cita-os praticamente todos os dias. Estava acompanhado, à mesa, por dois assessores. E um terceiro, à distância.

Ao longo da entrevista, gravada por uma equipe de TV da Radiobrás, o presidente tomou um café expresso, fumou duas cigarrilhas e encerrou com um copão de chá verde (a última moda no gabinete presidencial). Evocou Deus dezenas de vezes, inclusive quando falou da descoberta da Petrobras, tão badalada por sua “sombra”, como ele mesmo definiu a ministra Dilma Rousseff. O compromisso seguinte de Lula, naquela manhã, era a reunião do Conselho Político. A última com a participação do então ministro Walfrido dos Mares Guia, acusado pelo Ministério Público de lavagem de dinheiro e peculato no valerioduto tucano. No início da entrevista, Lula fez uma introdução livre e disse que 2008 terá, talvez, um Natal nunca antes visto neste país. Na retrospectiva do primeiro mandato, afirmou: — Tínhamos que aproveitar o momento em que o governo tinha muita credibilidade política para fazer o arrocho, porque assim poderíamos dar uma chance ao Brasil. Estamos prontos para o passo seguinte.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes

O Globo


O GLOBO: O arrocho não é mais necessário?

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: Não é. Já foi todo feito, enquanto arrocho; enquanto outras políticas e reformas, vamos continuar fazendo. Anunciamos um conjunto de programas que vão desabrochar a partir de fevereiro ou março de 2008. Vamos ter um 2008 melhor do que 2007. Vamos procurar outros assuntos para discutir e não discutir mais a inflação, por exemplo, que vai ficar em 4%. Vou trabalhar com todo o rigor para que a inflação se mantenha na faixa dos 4%, se puder, até um pouco menos.

Economistas falam da vulnerabilidade da economia brasileira para enfrentar uma crise mundial. O Brasil está forte?

LULA
: Temos US$ 175 bilhões de reservas. O mercado interno brasileiro está se fortalecendo. Este ano, vamos ter talvez um Natal dos melhores de toda a história, porque uma camada imensa de seres humanos que ficaram marginalizados está entrando na sociedade que compra.

O avanço de camadas que antes não consumiam existe, mas se dá muito com base no crédito. Isso pode criar uma bola de neve? Esse foi o problema da bolha americana...

LULA
: O problema dos Estados Unidos é outro. Qual era a lógica? Você comprava uma casa por US$ 300 mil, passados dois anos, aquela casa aumentava em US$ 100 mil o valor dela e você poderia fazer um crédito de mais US$ 100 mil. Na hora em que desvalorizou os imóveis, você ficou pendurado. Esse não é o nosso modelo. As pessoas estão se endividando para comprar coisas que precisam dentro de casa; querem comprar uma geladeira, uma televisão, um telefone, um carrinho, mais roupas... É só vocês irem, não sei se lá no Saara no Rio de Janeiro, na 25 de Março em São Paulo, para ver uma população de causar inveja à China. Um caminhão está demorando quatro, cinco meses para ser entregue.
Ora, é um problema gostoso.

O senhor mencionou a demora nos caminhões. Existe limitação para o crescimento, de bater num teto e não expandir mais?

LULA: Não existe.

Nem pelos gargalos de infra-estrutura...

LULA: Não existe.

A infra-estrutura comporta o crescimento? Tem crise energética, a Aneel disse que pode voltar a faltar gás...

LULA
: Lançamos o PAC, mas essas coisas não acontecem em um dia. No ano que vem, quem mora nas 13 principais capitais vai ter o privilégio de ver a quantidade de obras de saneamento básico que vai acontecer nessas cidades. São R$ 40 bilhões.

E a questão do gás?

LULA: De vez em quando no Brasil a gente tenta mistificar as coisas. Estamos com o sistema elétrico muito mais preparado do que em qualquer outro momento, porque estamos fazendo uma interligação de todo o sistema. Em 2001, você tinha excesso de água no Sul e falta de água no Sudeste. O Sul não tinha como transferir energia, porque não tinha linhas de transmissões.

Não haverá racionamento?

LULA
: Não acredito. O gás é uma matériaprima em que não temos auto-suficiência.
Se Deus ajudar e esse anúncio da Petrobras se confirmar, enfim, estará resolvido o problema do gás.

A falta de gás pode comprometer o crescimento?

LULA
: Não. O Brasil tem álcool, gasolina, biodiesel, gás. O cidadão pode achar ruim ter de pagar uma coisa mais cara do que outra, mas não vai ficar parado por falta de combustível.

Os investimentos em infra-estrutura crescem, mas há um crescimento ainda maior dos gastos públicos. Vê possibilidade de redução?

LULA: Não acontece isso. Saímos de R$ 2 bilhões do orçamento do Ministério de Transporte para R$ 10 bilhões.

Em 2003, a gente gastava do PIB 4,6% com pessoal. Em 2006, estamos gastando 4,6% também. Em 95 se gastava 5,3%. Vejo as pessoas dizerem que o funcionalismo público ganha muito. Fico com inveja do salário da iniciativa privada para as funções que eles acusam que aqui no Brasil ganham muito.

Os gastos têm mesmo que aumentar?

LULA: Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo dinheiro, seria ótimo. Não vamos melhorar a saúde pública sem contratar médicos. Não vamos melhorar a educação sem contratar professor.

O histórico do crescimento dos gastos no Brasil, nos últimos dez anos, está sempre acima do PIB. Há possibilidade de crescer menos?

LULA: Se você quiser comparar o PIB, vou dizer que em 1995, se gastava 5,3% do PIB com pessoal. Hoje, 4,6%.

Pode diminuir? Ainda está acima do crescimento do país ...

LULA: Não, não está acima. O crescimento do PIB vai ser mais.

Ah, vai ser ...

LULA: Eu não sei. Estou otimista.

Estamos trabalhando com dados existentes. Estamos encurralados, porque se gasta mais do que se cresce, como o país cresce assim?

LULA: Você vai cada vez mais melhorar a arrecadação do Estado, vai melhorar a gestão do Estado à medida que melhora a qualidade das pessoas que trabalham.

O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, disse que o Estado é raquítico. É uma opinião parecida com a sua? O Estado ainda tem o que crescer?

LULA: O Estado brasileiro vai crescendo à medida que o país vai necessitando de um Estado que precise crescer mais. A tese do Márcio Pochmann é correta. Se se comparar o número de funcionários públicos com a população brasileira, percebe-se que o Brasil é um dos países que tem menos. O problema é que a gente tem uma parcela de funcionários mal-remunerados e, portanto, desmotivada.

Está havendo um trabalho de recomposição desses salários desde o primeiro mandato ...

LULA: Estamos recompondo e cada vez precisa mais.

O senhor acha que os resultados disso estão aparecendo...

LULA: É só olhar o resultado do país. É evidente que estão aparecendo.

Eu digo em relação ao atendimento à população.

LULA: Melhorou muito. E ainda falta melhorar muito.

O que achou da polêmica em torno da troca de dirigentes do Ipea? Pessoas da comunidade acadêmica acham que houve perseguição política, enquadramento do Ipea...

LULA: Engraçado isso. Se tivesse um mínimo de verdade, o Márcio Pochmann não estaria no Ipea.

Por quê?

LULA: Porque ele escreveu vários artigos criticando o governo. Ora, meu Deus do céu, o mínimo de direito que tem alguém que é colocado num cargo de presidente de uma instituição como o Ipea é colocar quem ele queira colocar, trocar quem ele queira.

Mas são pesquisadores ...

LULA: Mas você há de convir que o Pochmann tem direito de dizer: “Eu quero tal pesquisador comigo e não quero esse”. É o mínimo.

O senhor se incomodou com estudos e críticas desses pesquisadores?

LULA
: Nunca me incomodei e não vou me incomodar.

O senhor descarta completamente patrulhamento, de novo pensamento único no Ipea?

LULA: É só ver o resultado. Há uma coisa que faz a minha cabeça, desde o tempo em que eu era dirigente sindical. Trabalho com o conceito de que a máquina pública é máquina pública, e ninguém pergunta para o cidadão concursado se ele é religioso, se gosta de futebol ou se pertence a partido. Ele faz o concurso, passa e vai trabalhar.

E a polêmica de imposto sindical? O senhor é bastante produto da luta contra o imposto. Como se vê, diante da História, depois que sair do governo como aquele que teve a oportunidade de fazer a mudança que sempre pediu, mas, no momento em que a discussão surgiu, viu seu partido e sua base agirem ao contrário?

LULA: Aquela proposta que foi aprovada é uma proposta complicada, porque tira o imposto sindical dos trabalhadores e não tira dos empresários. É importante saber que milhares de sindicatos não têm condições de sobreviver sem imposto sindical.

Mas o imposto deve continuar obrigatório?

LULA: Minha filosofia sindical é que quem deve determinar a forma de arrecadação e a quantidade de contribuição são os trabalhadores em assembléia. Por isso, historicamente, eu fui contra o imposto sindical. Só acho que é preciso dar um tempo de transição para que as pessoas se ajustem à nova realidade.

Qual transição? O Congresso fala em três anos.

LULA: É dar um prazo. Não sei.

O imposto sindical não produz mais pelegos?

LULA: Não estou discutindo a filosofia do que vai ser o dirigente sindical.
Tenho uma briga histórica contra o imposto sindical. Isso faz parte da minha matriz como sindicalista.

O senhor falou que na oposição fazia bravatas. Quando voltar para a oposição e fizer críticas, o que vai acontecer? A imprensa vai dizer que o senhor está fazendo bravata?

LULA: É preciso saber quando a oposição faz oposição em torno de propostas concretas e quando faz bravata. São coisas distintas. Não misture oposição com bravata. Bravata é quando o cara propõe coisas ou ameaça coisas que ele sabe que não pode fazer. Agora, fazer oposição, ser contra um projeto do governo, é legítimo e não tem restrição. Quando falo da economia, falo porque vivi 30 anos do outro lado, e todo ano a gente era pego de surpresa com um pacote, alguém anunciava um milagre. Agora, não. O Guido Mantega é meu ministro, e falo para ele: “Olha gente, não tem mágica, não tem mágica, não inventem! Em política econômica a gente não inventa”. Tenho discutido política cambial. A verdade é que escolhemos a forma correta, o câmbio flutuante. E o câmbio flutuante flutua. Ele vai flutuar, para cima ou para baixo. Em time que está ganhando a gente não mexe


Por mais criticado que seja pelas defesas que faz do colega Hugo Chávez e por mais polêmicas que o venezuelano protagonize mundo afora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não arreda pé de sua posição em relação à Venezuela e ao seu presidente. Diz que a política da Venezuela é uma questão do povo venezuelano e que Hugo Chávez não representa risco para a democracia no continente. E que Chávez terá de acatar o resultado da consulta popular sobre a reforma da Constituição da Venezuela, que, entre outras mudanças, permite a reeleição indefinida. E, num recado velado à oposição no Brasil, diz que os brasileiros têm de perder a mania de dar palpites na vida dos outros. — Como maior economia, nós temos que ter responsabilidade de fazer com que as coisas vão bem. Eu dizia que o irmão mais velho, o irmão maior sempre tem de ter generosidade com os outros irmãos.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes
BRASÍLIA

O GLOBO: A relação política do Brasil com a Venezuela tem algum problema, neste momento, em razão de críticas do presidente Hugo Chávez ao Brasil e ao Congresso? E sobre a questão de democracia na Venezuela?

LULA: Eu sou defensor da autodeterminação dos povos. Cada país determina o regime político que quer. A Suécia determina o seu, os Estados Unidos determinam o seu, o Brasil determina o seu, a Venezuela determina o seu. Por que eu vou ficar criticando ou aplaudindo a decisão da maioria do povo de um país? O regime político da Venezuela, o mandato do presidente é um problema do povo venezuelano. Ao Brasil, interessa ter uma relação do Estado brasileiro com o Estado venezuelano. Isso tem que ser construído quase que de forma definitiva. Agora, minha relação pessoal com o Chávez é outra coisa, minha relação pessoal com o Kirchner é outra coisa. Eu acho que nós aqui no Brasil precisamos parar com essa mania de dar palpite na vida dos outros. No regime parlamentarista, tem primeiro-ministro que fica 18 anos, 16 anos. Em alguns países, o primeiroministro manda de verdade, e o presidente é apenas o chefe de Estado, é solene.

Mas é um regime diferente. O primeiro-ministro pode ficar um mês também.

LULA
: No regime presidencialista, quando o povo quer, o presidente sai do mandato.

É mais difícil.

LULA: Não é mais difícil. Nós já vimos nos Estados Unidos, já vimos no Brasil. Eu acho é que nós devemos cuidar do nosso quintal, que já é grande: são quase 190 milhões de habitantes, 8,5 milhões de quilômetros quadrados e problemas muito grandes. O Brasil precisa ter uma boa relação com a Venezuela independentemente de quem seja o presidente do país.

O Brasil tem de ter investimento na Venezuela, fazer parceria com a Venezuela, porque interessa ao Brasil, como país mais rico da América Latina, como a maior economia da América Latina, que a gente tenha tranqüilidade no continente. Essa foi minha conversa com o presidente (George W.) Bush, em Camp David. Eu disse ao presidente Bush que está na hora de os Estados Unidos olharem para a América Latina com outro olhar, com olhar de investimento, com olhar de ajudar os países da América Central a crescerem, porque é a única oportunidade de ter paz. Da década de noventa para cá, com exceção das FARCs, que existem há 40 anos, não tem hoje nenhum país da América Latina falando em luta armada. Os países entraram no jogo democrático. Eu dizia ao Bush que é preciso valorizar isso.

Então o senhor acha que não há risco com Chávez?

LULA: Não há risco nenhum com Chávez, não há risco nenhum com a Bolívia.

Há uma consulta popular sobre as mudanças na Constituição e pesquisas indicam que Chávez pode não ganhar. Há risco de ruptura?

LULA: Quem se submete a uma eleição tem de se submeter ao resultado dela. O Chávez está convocando um plebiscito. Se ele ganhar, ótimo; se ele perder, ótimo. Ele vai acatar o resultado. Vocês esquecem que aqui no Brasil nós fizemos um plebiscito para saber se o povo queria monarquia, se queria parlamentarismo? E se o povo escolhesse a monarquia, quem seria o rei? Nós já passamos por isso.

Algumas pessoas dizem que o senhor tem essa relação de carinho, de não confrontar, porque realmente acredita na política do Chávez ou porque não quer partir para o confronto com a Venezuela, pois interessa ao Brasil. As duas versões são verdadeiras? Onde está a verdade?

LULA: É porque eu compreendo bem as razões dos conflitos que aconteceram no século XIX, e a gente não pode, no século XXI, repetir os mesmos erros. Às vezes, as guerras se dão por palavras. Quando fui à Guiné Bissau, tinha tido uma tentativa de guerra civil, e a Guiné Bissau é um dos países mais pobres do mundo, eu dizia para o primeiroministro e para os deputados, guerra para quê? Primeiro você tem de construir esse país. Na América Latina, os países precisam ser construídos. A Venezuela é um país rico, com potencial extraordinário, e eu tenho dito ao presidente Chávez: é preciso cuidar urgentemente de industrializar a Venezuela. Tem muitos empresários brasileiros trabalhando na Venezuela, fazendo investimentos e parcerias.

O senhor vai lá agora...

LULA
: Vou lá dia 13 de dezembro e vai uma série de empresários.
A Venezuela tem potencial grande, a Colômbia tem potencial grande. Para nós, se todos os países da América Latina, sobretudo os que fazem fronteira com o Brasil, estiverem bem, o Brasil está bem. Então, como maior economia, nós temos que ter responsabilidade de fazer com que as coisas vão bem. Eu dizia que o irmão mais velho, o irmão maior sempre tem de ter generosidade com os outros irmãos. Se não for assim, você vive em conflito permanente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva jura que não pensa em sucessão, mas já traçou seu cronograma político-eleitoral até 2010. Ao contrário do que falou aos aliados, disse que não subirá em palanque ano que vem, e que tratará de sua sucessão a partir de 2009. Ele insiste em candidatura única da base, mas evita citar nomes, com cuidado maior com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), apontada por governistas e oposicionistas como aposta para 2010.— Ela é minha sombra — diz Lula sobre Dilma.

Na esperança de afastar especulações, afirma que não incentivará mudanças para conquistar o direito de disputar o terceiro mandato em 2010, mesmo que todos os fatores conspirem a seu favor.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes
BRASÍLIA

GLOBO: O senhor tem desautorizado que falem em terceiro mandato. Diante da possibilidade de que a oposição fique dividida, o PT sem candidato natural e o senhor com popularidade alta, resiste a um terceiro mandato?

LULA: Resisto. Resisto. Eu tinha feito promessa de não discutir o assunto. Fiz uma profissão de fé de dizer que não toco mais nesse assunto. Ninguém me ouviu falar em terceiro mandato. Todo mundo sabe que eu era contra a reeleição. Só não mando um projeto acabando com a reeleição porque fui reeleito. Mas todo mundo sabe que era contra reeleição, que prefiro mandato de cinco anos, sem reeleição.

Por quê?

LULA: Acredito na alternância de poder. Não sei de onde surgiu essa história (terceiro mandato). A história do plebiscito não aconteceu no meu governo, não.
Aconteceu em 2001. É só irem ao Congresso, vão perceber que a história do plebiscito não é minha. Não quero que publiquem isto, é apenas informação: quem defendeu terceiro mandato foi Fernando Henrique Cardoso, que defendeu o terceiro mandato do Fujimori (ex-presidente do Peru). Ou vocês esquecem que publicaram isso? Então, eu sou contra, como filosofia.

Há amigos seus a favor do terceiro mandato.

LULA: Não, não são a favor de terceiro mandato. O que o Devanir (deputado Devanir Ribeiro, do PT paulista) propôs, querido, era o direito de o presidente da República convocar plebiscito.Não falou em terceiro mandato.

Mas o que se diz é que por trás do plebiscito tem a idéia do terceiro mandato.

LULA: Membros da oposição que me conhecem sabem que não exercito brincadeira com democracia. A democracia precisa se transformar num valor para a sociedade brasileira. Somos um país em formação. Alternância de poder é muito bom, porque o povo tem a cada eleição a chance de escolher o melhor. Pode dar certo ou não, mas tem a chance. Quer coisa mais extraordinária do que esse exercício da democracia? Não quero mais falar nesse assunto.

Com o PT sem candidato, teria dificuldade em apoiar candidato de outro partido? Enfrentaria o PT para apoiar Ciro Gomes? Além de Dilma e Patrus, que nomes teria na equipe em condições de ser presidenciável?

LULA: A sorte de eu ter participado de muitas eleições é que essa pergunta me foi feita muitas vezes. Deixa eu dizer o que o presidente da República pensa: só irei pensar na minha sucessão a partir de 2009. Quero cuidar de ver este país fazer as eleições municipais com tranqüilidade — é importante ter claro que o presidente não participará das eleições municipais...

Não vai subir em palanque de ninguém?

Lula: Não vou subir em palanque. Não vou subir. A partir das eleições municipais, quando entrar 2009 eu começarei a me preocupar com a sucessão. E a oposição também. Por enquanto só quem tem nome, ou nomes, é o PSDB. Pois bem. O que posso dizer é que a base aliada, essa é a minha convicção, terá que ter uma candidatura única.

O senhor acha isso possível no primeiro turno?

LULA: Acho possível construir isso no primeiro turno. Acho possível que cada partido queira ter candidato. Acho legítimo. Não é o que gostaria. Não estou discutindo candidaturas, muito menos nomes. Cada nome que eu citar vai ficar cravado que estou pensando naquele nome.

Não está pensando em um partido, ao falar em base...

LULA: Isso, não estou pensando em um partido. É a base.

Pode ser do PSB , do PMDB...

LULA: Pode ser de outro partido. Não tem que ser do PT. O PT pode querer ter candidato, é legítimo. O PCdoB pode querer, o PMDB pode querer. O PMDB tem ministros, senadores, a maioria dos governos, um estado como o Rio de Janeiro. Acho legítimo. Da minha parte não terá briga. Vou tentar convencer a base de que o prudente é que a gente tente candidatura única. Isso vou discutir mais para frente.

A ministra Dilma Rousseff é apontada como a presidenciável do momento.

LULA
: Eu nunca apontei. Nunca nem perguntei.

Mas é apontada por aliados, por petistas. O que acha disso?

LULA: Não tem, não tem. Como sou favorável à liberdade de expressão, cada um fala o que quer e responde pelo que falar. Posso dizer que não tenho nomes, nem interno nem externo.

Pela quinta vez, o senhor perde seu articulador político.

É uma área problemática? (pergunta enviada por e-mail, após a queda do ministro)

LULA: Não é problemática. É importante e, por ser importante, é complicada, porque tem relação política. É importante saber por que trocamos cinco vezes. Quando começamos, a articulação política estava na Casa Civil, com o Zé Dirceu. Resolvi separar e coloquei o Aldo Rebelo para ser coordenador político. O Aldo saiu para voltar a ser deputado e foi eleito presidente da Câmara.
Veio o Jaques Wagner, que saiu para ser governador da Bahia.
Veio o Tarso Genro, que saiu para ser ministro da Justiça.
Veio o Walfrido (dos Mares Guia), que saiu por causa desse problema das eleições de 98. E agora tem o Zé Múcio (Monteiro). Esse cargo de coordenação é um dos mais importantes do governo, é sensível porque você tem de ter relações com Câmara e Senado, partidos políticos, prefeitos e governadores.

Tem uma diversidade política extraordinária. Lamento profundamente o que aconteceu com o Walfrido, reconheço a indignação do Walfrido, porque ser indiciado por um processo que já tem nove anos sem que ele tenha sido ouvido em algum momento e, mesmo quando ele prestou depoimento, não foi perguntado a ele nada sobre o assunto, ou seja, foi perguntado sobre outro assunto, é motivo de ficar indignado mesmo. Espero que se faça justiça, que esse problema se resolva logo. O governo está extremamente bem representado com a figura do deputado José Múcio — é um dos mais brilhantes do Congresso, foi líder nesses últimos tempos, com atuação impecável, e certamente manterá essa atuação como coordenador político. Acredito.


O presidente Lula refuta a idéia de que há solidão no poder, mas se ressente de não ter vida pessoal em Brasília. Confessa que, se pudesse, passaria um dia no Planalto e sete viajando pelo Brasil. Foi um ato falho, mas Lula bem que gostaria de uma semana de oito dias, a julgar pelo pouco tempo que diz ter para a família. Na rotina no Planalto, normalmente de 9 da manhã às dez da noite, com almoço no Alvorada, Lula diz que não tem tempo para conversas amenas. Brincando, diz que dona Marisa cobra que ele cuide da agenda em casa. Isso quando está em Brasília.Lula fala em erros e acertos — considera que mais acertou do que errou. Perguntado se teria cometido um grande erro, responde:
— Não. Não.

O senhor sabe o nome de seus 37 ministros?

LULA: Até dos que já foram ministros.

Qual entra aqui sem bater na porta?

LULA: Não, ninguém entra sem bater na porta.

Já teve algum que entrou sem bater, metia a mão na maçaneta e entrava?

LULA: Nenhum.

Que ministros têm mais acesso ao gabinete?

LULA: Os da Casa. Fora os da Casa, o ministro da Fazenda, com quem despacho toda semana, às vezes mais de uma vez por semana, para saber como é que está acontecendo, por que tal setor não está indo bem. O Paulo Bernardo, para discutir o Orçamento, por que é que o Orçamento não está sendo executado. A ministra Dilma Rousseff, não só porque está aqui do lado. É que ela é a minha sombra na administração. É coordenadora do PAC, tem que prestar conta todo dia. O Dulci, porque cuida de políticas sociais. O Itamaraty, porque ando demais, sabe? E tem outros que têm rotina de uma reunião por mês.

Quem traz notícias boas e ruins?

LULA: Deixa eu falar uma coisa triste... Se pudesse escolher, eu ficaria um dia neste gabinete e sete viajando o Brasil. Sabe por quê? Ninguém traz notícia boa a este gabinete.
Quando a notícia é boa, festejam sem precisar eu saber. Quando a notícia é ruim, quando as coisas não estão acontecendo, eles vêm pra cá. Sobretudo quando precisam de mais dinheiro. Todo mundo quer mais, as pessoas não se conformam com o que têm.

O senhor tem momentos de conversas amenas, brincadeiras, piadas?

LULA: Não, não tenho. Esse é um problema de agenda que tenho que resolver. Já estou velhinho, com 62 anos.

Onde encontra energia para ficar aqui das 9 da manhã às dez da noite?

LULA: Motivação, motivação. Sou um cara que estou feliz pelas coisas que estão acontecendo no Brasil. E triste pelas que não estão acontecendo. Mas quero fazer acontecer.

Está virando bordão, em programa humorístico e em propaganda, a expressão que o senhor usa muito, ‘nunca antes neste país’. O que acha disso?

LULA: Sabe o que eu acho importante? Não é mais o governo que fala, são as pessoas que falam agora. No lançamento do programa de ciência e tecnologia, uma pessoa falou que é a primeira vez...
Então, é a primeira vez que tratam os catadores de papel com respeito, a primeira vez que tratam os quilombolas com respeito. Quer saber de uma coisa? É a primeira vez que essas pessoas entraram no Palácio.

O senhor disse no discurso de vitória, em 2002, que jamais poderia errar. A pergunta é: qual o seu maior erro? Cometeu algum grande erro no governo?

LULA: Devo ter cometido erros, cometido acertos. Temos muito mais acertos do que erros.

Mas o senhor não se lembra de um grande erro, daquele que morde até hoje, que não podia ter feito...

LULA: Não, não. Até porque vou fazer meu julgamento quando terminar 2010. Eu vou fazer uma reflexão.

(Já de pé, Lula conversa informalmente com os jornalistas): LULA: Não falamos de Sérgio Cabral.... Que diferença! Como mudou a relação do governo federal com o Rio! O Sérgio Cabral é incrível. Vocês percebem que ele não tem ranço? Está muito bem.

Já estão dizendo que ele pode ser uma opção do senhor para 2010...

LULA: Por enquanto, ele pode ser opção primeiro do PMDB...

E a vida em Brasília, sem filhos e netos, muito ruim?

LULA: Eu confesso que não tenho vida.

Solidão do poder não é bem o termo ?

LULA: Não tenho solidão para tomar decisão. Mas, veja, levanto às 6h da manhã todo dia. Faço uma hora de ginástica todo dia, faço musculação. Chego aqui todo dia às 9h e não tem hora para sair. Pode ser 9, 10, 11, 11 e meia... Chego em casa, e aí dona Marisa, como todas as mulheres, diz que eu tenho que cuidar da minha “agenda”. E eu não vou à casa de ninguém dia de sábado e domingo porque eu... Em Brasília às vezes tem muita futrica, e eu prefiro não... Eu nunca fui a um aniversário, nunca fui a um casamento, eu nunca fui a um jantar. De vez em quando eu convoco...
eu convido um companheiro para ir em casa para conversar um pouco comigo, para jantar...

O senhor dizia na campanha que o segundo mandato seria mais fácil porque tinha aprendido os caminhos do poder. Está sendo mais fácil?

LULA: O medo que eu tinha do segundo mandato era da mesmice.
Lembro que, no enterro do Octavio Frias, o Fernando Henrique Cardoso me falou: “Você vai ver depois do segundo ano, quando os ministros estiverem pensando nas suas candidaturas”. Graças a Deus, sabe, é um desafio para mim... Todo dia tenho que me motivar para fazer o segundo mandato ser melhor que o primeiro. Todo dia. É uma profissão de fé que fiz.

Todo dia eu me motivo. Graças a Deus essa quantidade de programas que lançamos são um oxigênio extraordinário para o presidente fazer um segundo mandato melhor que o primeiro.

sábado, 24 de novembro de 2007

In memoriam, 10 anos do falecimento da cantora francesa Barbara

Ma Plus Belle Histoire d'Amour
Du plus loin, que me revienne,
L'ombre de mes amours anciennes,
Du plus loin, du premier rendez-vous,
Du temps des premières peines,
Lors, j'avais quinze ans, à peine,
Cœur tout blanc, et griffes aux genoux,
Que ce furent, j'étais précoce,
De tendres amours de gosse,
Ou les morsures d'un amour fou,
Du plus loin qu'il m'en souvienne,
Si depuis, j'ai dit "je t'aime",
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous,

C'est vrai, je ne fus pas sage,
Et j'ai tourné bien des pages,
Sans les lire, blanches, et puis rien dessus,
C'est vrai, je ne fus pas sage,
Et mes guerriers de passage,
A peine vus, déjà disparus,
Mais à travers leur visage,
C'était déjà votre image,
C'était vous déjà et le cœur nu,
Je refaisais mes bagages,
Et poursuivais mon mirage,
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous,

Sur la longue route,
Qui menait vers vous,
Sur la longue route,
J'allais le cœur fou,
Le vent de décembre,
Me gelait au cou,
Qu'importait décembre,
Si c'était pour vous,

Elle fut longue la route,
Mais je l'ai faite, la route,
Celle-là, qui menait jusqu'à vous,
Et je ne suis pas parjure,
Si ce soir, je vous jure,
Que, pour vous, je l'eus faite à genoux,
Il en eut fallu bien d'autres,
Que quelques mauvais apôtres,
Que l'hiver ou la neige à mon cou,
Pour que je perde patience,
Et j'ai calmé ma violence,
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous,

Les temps d'hiver et d'automne,
De nuit, de jour, et personne,
Vous n'étiez jamais au rendez-vous,
Et de vous, perdant courage,
Soudain, me prenait la rage,
Mon Dieu, que j'avais besoin de vous,
Que le Diable vous emporte,
D'autres m'ont ouvert leur porte,
Heureuse, je m'en allais loin de vous,
Oui, je vous fus infidèle,
Mais vous revenais quand même,
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous,

J'ai pleuré mes larmes,
Mais qu'il me fut doux,
Oh, qu'il me fut doux,
Ce premier sourire de vous,
Et pour une larme,
Qui venait de vous,
J'ai pleuré d'amour,
Vous souvenez-vous ?

Ce fut, un soir, en septembre,
Vous étiez venus m'attendre,
Ici même, vous en souvenez-vous ?
A vous regarder sourire,
A vous aimer, sans rien dire,
C'est là que j'ai compris, tout à coup,
J'avais fini mon voyage,
Et j'ai posé mes bagages,
Vous étiez venus au rendez-vous,
Qu'importe ce qu'on peut en dire,
Je tenais à vous le dire,
Ce soir je vous remercie de vous,
Qu'importe ce qu'on peut en dire,
Je suis venue pour vous dire,
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous...

Ministra do Turismo participa da abertura do Festival de Gramado

    • Ministra Marta com crianças carentes de grupo de dança gaúcho Foto: Andréia Elis/MTur
Gramado (23/11) - A ministra do Turismo, Marta Suplicy, participou, na quinta-feira à noite (22), da solenidade de abertura da 19° edição do Festival do Turismo de Gramado – “Unindo Povos, Gerando Negócios”. O festival representa uma das maiores feiras do setor de negócios da América Latina, reunindo empresários de 20 países. O evento é realizado no Palácio dos Festivais, em Gramado, na Serra Gaúcha.

“O trabalho da iniciativa privada é mais um artifício que temos para o desenvolvimento do turismo. Feiras como esta de Gramado ajudam toda a cadeia produtiva do turismo, já que promove nossos roteiros e proporciona a promoção e a comercialização de nossos produtos”, disse a ministra para empresários de mais de 1,5 mil empresas expositoras do setor.

A ministra recebeu das promotoras do festival Marta Rossi e Silvia Zorzanello uma pintura de São Pedro, padroeiro de Gramado, que faz referência ao lançamento, na edição deste ano, do Salão de Turismo Religioso. “O turismo religioso vem crescendo a cada ano e, pela primeira vez, este segmento está sendo mostrado no Festival de Gramado. A intenção dos organizadores é abordar todos os tipos de nichos do turismo. No ano passado, lançamos o Salão de Turismo de Saúde e, agora, é a vez do turismo místico”, explicou Marta Rossi.

Para a ministra, o turismo religioso é uma grande tendência. “Esse segmento tem grande impacto na inclusão social, que é o que propomos em nossos projetos para os próximos quatro anos. Lançamos, recentemente, o Programa Viaja Mais Melhor Idade, criando condições para que pessoas a partir dos 60 anos visitem os destinos brasileiros”. A inclusão social foi um dos temas da abertura do evento. Um exemplo disso foi a apresentação de dança, realizado pelo grupo Arte e Samba e Restinga Crew, de Porto Alegre, e Raízes da Paz, de Canoas – todos formados por crianças, atendidas por organizações que prestam assistência a pessoas carentes.

O secretário de turismo do Rio Grande do Sul, Luis Augusto Lara, destacou a importância da atuação do Ministério do Turismo para o crescimento do setor: “Foi uma grande ação do Governo Federal, criar o Ministério do Turismo. Mesmo com apenas cinco anos de existência, a pasta já mostrou que é um fenômeno, pois é a que mais cresce e tem excelentes perspectivas para o futuro”.

Troféu – A ministra do Turismo participou também da entrega do Troféu “Amigos do Festival”, destinado às pessoas que, no decorrer dos anos, incentivaram o crescimento do evento. O secretário nacional de Políticas de Turismo do MTur, Aírton Pereira, foi um dos homenageados. “Sabemos da importância de um evento como este. O Rio Grande do Sul tem uma grande potencialidade de promoção do setor junto aos países da América Latina. Por isso, vamos procurar contribuir sempre”.

Depois da solenidade de abertura do festival, a ministra Marta Suplicy e o prefeito de Gramado, Pedro Henrique Bertolucci (PP/RS), assinaram convênio para a implantação da 2° etapa da rede elétrica subterrânea na avenida Borges de Medeiros e implantação de sinalização turística no município. Outro convênio foi assinado com o prefeito de Canela, Cleomar Eraldo Porte, para implantação de sinalização turística, construção de portal turístico e revitalização da área central da cidade.

“Para que o turismo dê certo e se firme realmente, investimentos são necessários. É preciso investimento em infra-estrutura, qualificação e promoção do destino. Os destinos turísticos do Rio Grande do Sul já são conhecidos nacional e internacionalmente, principalmente Gramado. No entanto, o investimento deve ser feito em toda a região”, declarou a ministra, depois da assinatura dos convênios.

O prefeito de Gramado, Pedro Henrique Bertolucci, comentou a parceria com o MTur: “O trabalho de crescimento da cidade só é possível por meio de boas parcerias. Uma delas, que consideramos muito importante, é esta com o Ministério do Turismo. Estabelecer alianças é o segredo neste mundo globalizado.”

Punk da periferia

É patética a “represália” da Veja contra o jornalista Jon Lee Anderson – que criticou a capa sobre Che Guevara. Ironiza o fato de ele ser “corajoso, sem medo de se indispor com seus amigos marxistas”. Acha que esse patrulhamento rastaqüera vai afetar um dos repórteres mais prestigiados de uma das revistas mais sofisticadas do planeta.

É a Freguesia do Ó (com todo respeito) contra New York.

Depois “prova” que Anderson afirmou que Che “fedia”. Está certo que, em plena selva, o ar condicionado às vezes falhava. E comprova, com base do livro, que, durante a guerrilha, Che guerrilhava, isto é, matava os adversários. E eu que achava que ele pertencia à Cruz Vermelha.

O “ataque” apenas comprova que Anderson fez uma biografia isenta de Che. O que aumenta o valor de suas críticas contra o padrão Veja de jornalismo.



enviada por Luis Nassif

Maurice Béjart

Amigos,


Algumas tantas lágrimas pela morte do genial Maurice Béjart (1927-2007)!!!

Se você não sabe quem foi ele, dê uma olhada nessa coreografia dele:

o Bolero, de Ravel, com solo do extraordinário bailarino argentino Jorge Donn (falecido em 1992). Esse bailado marcou muita gente que assistiu ao filme RETRATOS DA VIDA (1981 - Claude Lelouch).


Confirmem, por favor, se não é uma das obras mais marcantes da dança em todos os tempos!!! Bom, eu sou suspeito, pois sempre falo que foi a melhor tradução já feita da circularidade da música do "impressionista" Maurice Ravel.


In memoriam: Maurice Béjart
Maurice Béjart, l'homme qui voulait amener le grand public à la danse

Chico via Gloria F.

A direita e a liberdade de informação: Berlusconi au cœur d'un scandale politico-médiatique

Silvio Berlusconi, en avril 2006. | AFP/ANDREAS SOLARO

AFP/ANDREAS SOLARO


Ceux qui ont inventé le néologisme "Raiset" - à partir de RAI, le service public télévisé et Mediaset, la structure regroupant les chaînes privées de Silvio Berlusconi - pour décrire ce qui se passait en Italie du temps où le "Cavaliere" était également chef du gouvernement, n'avaient pas tort.

En parlant de "Raiset", ils voulaient dire que la RAI se montrait particulièrement complaisante envers le "Cavaliere" qui, à la tête du gouvernement italien, contrôlait financièrement et politiquement les trois chaînes publiques.


Des centaines de coups de fil contenus dans des écoutes téléphoniques, effectuées au cours des années 2004-2005, dans le cadre d'une enquête judiciaire concernant l'un des collaborateurs, à l'époque, de Silvio Berlusconi, publiées par le quotidien La Repubblica, mercredi 21 novembre, ont levé tous les doutes.

Le quotidien de gauche rapporte que des proches de Silvio Berlusconi, placés à des postes de responsabilité à la RAI, s'entendaient avec la direction de Mediaset pour tout ce qui touchait le chef du gouvernement.

Les personnes mises en cause sont, notamment Deborah Bergamini, ancienne assistante personnelle de Berlusconi, à l'époque responsable de la programmation de la RAI et aujourd'hui dirigeante du secteur marketing, ainsi que l'ancien directeur général (2003-2005) de la télévision publique, Flavio Cattaneo.

Selon les écoutes publiées par le quotidien, les présences de Berlusconi à la télévision ou le pouvoir de donner, ou pas, une nouvelle qui pouvait lui nuire étaient minutieusement étudiés. Ainsi, même la mort de Jean Paul II a été gérée "en commun" afin que cet événement ne conduise pas trop d'électeurs - on votait ces jours-là en Italie pour les élections régionales - à l'abstention et donc au risque de tourner le dos au chef du gouvernement. Ou encore comment édulcorer les estimations sur les résultats de ces mêmes élections qui avaient tourné à la catastrophe pour le "Cavaliere".

A ce sujet, révèle La Repubblica, quelques responsables de la RAI ont suggéré à Mediaset de diffuser une émission de forte audience pour contrecarrer la soirée électorale que le service public était bien obligé, malgré tout, de diffuser.

Ces révélations ont provoqué une onde de choc dans le pays. Avec une kyrielle de menaces de recours en justice et appels à la démission des actuels responsables du service public. Les actuels dirigeants de la RAI ont décidé une enquête interne alors que Mediaset se limite à démentir ce qui peut l'être.

Un communiqué officiel du gouvernement demande que la RAI fasse tout le nécessaire pour clarifier la situation et reconnaît que le temps est venu d'une "réforme vraie et démocratique afin de garantir la liberté d'information et l'autonomie du service public".

Walter Veltroni, maire de Rome et tout nouveau secrétaire du Parti démocrate, principale force de la coalition gouvernementale, parle, lui, de "l'extrême gravité de ces révélations". Il ajoute que "le service public a été piétiné. Tout cela est en contradiction avec les principes de libre concurrence, du marché et des devoirs du service public".

"Personne ne peut nier que l'image de la RAI est gravement endommagée" par les informations de La Repubblica, a reconnu le ministre des communications. De son côté, Silvio Berlusconi a dénoncé "les hyènes et les chacals" qui ont attaqué Mme Bergamini, jugeant "inacceptable et illégitime" la publication d'écoutes par un journal. M. Cattaneo a formellement démenti ces accusations dans une lettre ouverte, tandis que le groupe Mediaset annonçait avoir l'intention de porter plainte contre La Repubblica.

Il y a trois semaines, un projet de loi a été présenté par le gouvernement de Romano Prodi (centre-gauche) pour donner davantage d'indépendance à la RAI, toujours liée traditionnellement aux partis. Ce qui n'avait pas été mis en compte, c'était de trouver la façon pour la préserver de sa 5e colonne.

Salvatore Aloise - Le Monde

Un adiós anarquista

Fernando Fernán-Gómez


Fernando Fernán-Gómez tuvo una despedida celebratoria: música, poemas, el tango Caminito y el cariño de la gente




El saludo anarquista a la llegada del cajón con los restos del actor Foto: EFE

El actor, escritor y dramaturgo Fernando Fernán-Gómez fue cremado hoy en Madrid en una ceremonia íntima y familiar, luego de recibir el homenaje de miles de personas del público y de personalidades de la cultura y la política, que le despidieron como a uno de los grandes del cine y el teatro español.

Con los acordes del tango Caminito , de Juan de Dios Filiberto y Gabino Coria Peñalosa, una de sus canciones favoritas, y con sentidos gritos de "¡Bravo, bravo!", el artista fue despedido en el cementario madrileño de la Almudena.

Pocos fueron los que se acercaron al cementerio, donde sólo un grupo reducido de amigos y familiares acompañaron hasta el último momento los restos del actor, que el miércoles último falleció a los 86 años.

El féretro llegó cubierto con la bandera anarquista, la misma que lució durante estos dos días en la capilla ardiente y con una rosa blanca encima.

Pero antes hubo una ceremonia única: fue en el Teatro Español, donde se celebró un último homenaje por deseo de su viuda, la actriz española Emma Cohen, con un acto en el que el cantaor flamenco Enrique Morente le dedicó Caminito ante un patio de butacas totalmente abarrotado y en absoluto silencio.

Durante más de doce horas el escenario del Teatro Español, en el que Fernán-Gómez estrenó su obra Las bicicletas son para el verano a finales de los años 70, se convirtió en una tertulia de café de esas que a él le gustaban, en torno de su féretro, instalado en medio del escenario, delante de una foto que le mostraba en una terraza en Roma leyendo el periódico y observando una paloma.

Amigos y compañeros como los actores Rafael Álvarez "El Brujo", Fernando Guillén Cuervo, Julieta Serrano, Blanca Portillo, Loles León o Amparo Baró leyeron en voz alta sus textos, lo que de vez en cuando arrancaba una ovación del público.

El tango, que tanto amaba este limeño, nacionalizado argentino y que murió español, sonó por todos los rincones del teatro, y el Caminito , cantado en directo por Enrique Morente y bailado por una pareja de tanguistas, le despidió.

Su hijo Fernando y su hija Helena acompañaron a la viuda, y fue Helena, fruto de su relación con la cantante María Dolores Pradera la encargada de agradecer a los presentes su asistencia.

Hasta la capilla ardiente acudieron altos representantes del mundo de la política española, como el presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero; el ministro de Cultura, César Antonio Molina; o el alcalde de Madrid, Alberto Ruiz Gallardón.

Pero, sobre todo gente corriente que le admiraba y compañeros del cine y el teatro como Pedro Almodovar, Pilar Bardem, Manuel Aleixandre, Marisa Peredes, Álvaro de Luna, Nuria Espert, José Luis Borau, Verónica Forqué, Montxo Armendáriz, Cayetana Guillén Cuervo, Tristán Ulloa, Berta Riaza y Pedro Olea.

El presidente del Gobierno de España destacó que Fernán-Gómez "era una persona excepcional de la cultura española, figura que dejará una huella imborrable entre lo mejor que hemos podido hacer en este siglo".

Hoy, el fallecido actor fue condecorado por el Consejo de Ministros.

Protagonista de doscientos filmes y director de más de una veintena, Fernando Fernán-Gómez, nació el 28 de agosto de 1921 en Lima, durante una gira que realizaba por Latinoamérica su madre, la actriz Carola Fernán-Gómez, y fue inscrito en el Consulado de Buenos Aires, por lo que fue nacional argentino hasta 1970, cuando se nacionalizó español.

En su filmografía figuran títulos como "Botón de ancla", "El inquilino", "La venganza de Don Mendo", "Ninette y un señor de Murcia", "El espíritu de la colmena", "Mamá cumple cien años", "La colmena", "Esquilache", "Belle Epoque", "El abuelo", "Todo sobre mi madre", "La lengua de las mariposas" o "Tiovivo c. 1950".

Su carrera literaria, que comenzó con la novela "El vendedor de naranjas" (1961), incluye obras de teatro como "Las bicicletas son para el verano".

Divorciado de la cantante María Dolores Pradera, con la que se casó en 1945 y con la que tuvo dos hijos, Fernando y Elena, Fernán-Gómez contrajo matrimonio en el año 2000 con la actriz Emma Cohen.

Não vi na mídia brasileira: PETRODOLARES, INVERSIONES Y UNA FUERZA DE TAREAS

Las diferencias de peso, más Chávez, en el eje entre Argentina y Brasil

Por: Alcadio Oña
Clarín

ALIANZA. LULA Y CRISTINA FERNANDEZ, EL LUNES, EN BRASILIA.

Dentre varias interpretaciones más, una es ver al eje Brasil-Argentina, que parecen haber alumbrado Cristina Kirchner y Lula da Silva, como la intención de articular una estrategia común en América del Sur. Otra, para nada contradictoria, que sea una fórmula para acotar las ambiciones de Hugo Chávez en la región, tal cual también se deduce de arranque.

Hay un detalle nada insustancial, que le pone marco a cualquier especulación apresurada. El lunes, simultáneamente con la cumbre entre Cristina y Lula en Brasilia, la Argentina cerraba con Venezuela la colocación de un bono por 500 millones de dólares. La plata entró al Tesoro Nacional el martes, en efectivo, y ayudará a dejarle aliviadas las cuentas externas a la Presidenta electa, durante el primer semestre de 2008.

Fue una movida calculada al milímetro, hecha en secreto, para evitar cualquier interferencia de los bonistas -sus abogados, en realidad- que en Nueva York pleitean contra el país. Más que seguro, Cristina estuvo al tanto de toda la movida.

Con el mercado internacional cerrado, Venezuela se ha convertido en una fuente de financiamiento crucial para la Argentina: incluida la operación de esta semana, Chávez ya ha contribuido con más de 5.000 millones de dólares. Gesto fuerte, igual que el gasoil y el fuel oil que bombea hacia acá para amortiguar los sofocones del sistema energético. Eso sí, todo a precios de mercado.

Una cosa es, entonces, acotar las ambiciones de Chávez y otra enfrentarse a Chávez. Está claro que cualquier estrategia regional, la que fuese, pierde sentido con Venezuela afuera: aun con fricciones recurrentes -antes, ahora y más adelante-, es algo que bien saben Lula y el Gobierno argentino.

Está fuera de discusión, acá, la utilidad que puede acarrear un eje con Brasil. Pero también resulta inevitable computar unas cuantas y notorias diferencias de estatura, en la relación bilateral. Entre ellas, las macroeconómicas:

  • El PBI brasileño es cuatro veces mayor al argentino.

  • Las reservas del Banco Central de Brasil ascienden a 176.000 millones de dólares, contra 43.400 millones del BCRA local.

  • Entre enero y octubre, las exportaciones brasileñas totales montaron a US$ 156.000 millones y el superávit comercial, a 42.700 millones. Para nueve meses, las estadísticas del INDEC le dan a la Argentina: US$ 39.400 millones y US$ 7.190 millones, respectivamente.

    Si se quiere más micro, un trabajo de la consultora Abeceb revela otras asimetrías estructurales igualmente significativas. La industria brasileña es cuatro veces más grande que la nuestra. El sector alimenticio, cinco veces. En textiles, indumentaria y calzado, la brecha es de casi seis. Siete veces, en equipo de transporte. Y arriba de doce, en maquinaria y aparatos eléctricos.

    Diferencia potente es, también, el financiamiento de las inversiones. El Banco de Desarrollo de Brasil (BNDES) tiene una cartera de créditos, a tasas de interés bajas, equivalente a US$ 83.000 millones. Su similar aquí, el BICE, prestó el año pasado por apenas 277 millones.

    Vuelta al cuadro regional y a los pesos relativos de los actores. Así América del Sur resulte un mercado fuerte y nada despreciable para sus exportaciones manufactureras, hace tiempo que Brasil ha trasvasado el enfoque puramente comercial. Pesan, crecientemente, las inversiones y la expansión de sus grupos empresarios en toda la zona. Es lo que se nota, acá, en sectores tan diversos como el frigorífico, la siderurgia y el cemento. Estrategia acompañada desde el Estado, mucho más que operaciones de oportunidad.

    Parte de esa misma dinámica, es el empeño que Brasil pone en garantizarse el abastecimiento de energía y en montar una infraestructura regional que apoye su proyección. Y, a la vez, en atender otros flancos también sensibles: la seguridad, la defensa, el narcotráfico y el impacto del cambio climático.

    Con cierto enfoque crítico hacia la burocracia propia, esta radiografía aparece en un muy reciente trabajo de un equipo de académicos, consultores, analistas de empresas y periodistas brasileños. Fue constituido bajo un nombre que acá trae malos recuerdos: Fuerza de Tareas de Brasil en América del Sur.

    La conclusión del documento es que a su país se le abren dos caminos, diferenciados, aunque en varios puntos confluyentes. Uno, que Brasil apueste con todo a sus intereses en la región, la potencie, la juegue en los foros internacionales y haga mayores concesiones a los vecinos menores. Otro, darle prioridad a la integración en la economía mundial y que esto "demarque" su política regional.

    En fin, complejidades de las políticas de Estado. Si se prefiere, articulaciones internas, amplias e ineludibles, cualquiera fuese el eje que se proyecte.
  • Clinton Team Is Quick to Bat Down Rumors

    Hillary Rodham Clinton's campaign aides are considered especially adept at beating back attacks that they consider untrue or unfair. Hillary Rodham Clinton's campaign aides are considered especially adept at beating back attacks that they consider untrue or unfair.
    Photo Credit: AP



    By Howard Kurtz
    Washington Post Staff Writer
    Saturday, November 24, 2007; Page A06

    On the evening of Nov. 16, Phil Singer, a spokesman for Sen. Hillary Rodham Clinton, got a tip from a journalist about a Robert D. Novak column that would be published the next day.

    At 11:40 the following morning, when Sen. Barack Obama (D-Ill.) put out a statement on the thinly sourced item -- which charged that the Democratic senator from New York was sitting on "scandalous" information about her rival -- the Clinton team was ready.

    "Once again Senator Obama is echoing Republican talking points, this time from Bob Novak," Clinton communications chief Howard Wolfson e-mailed reporters.

    After another statement from Obama, who demanded that Clinton refute the charge, Wolfson fired again: "It's telling that the Obama campaign would rather spend the day throwing mud in Bob Novak's sandbox than talking about the issues." And for good measure, the campaign recycled some of its greatest hits against Obama on a newly launched Web site dubbed "The Fact Hub."

    Every presidential campaign finds itself dealing with allegations, exaggerations and rumors that require a quick response. But journalists say that Clinton campaign officials are the fastest and fiercest at pushing back against media accounts that they regard as unfair or inaccurate.

    "We live in a minute-to-minute media culture," Wolfson said. "What may seem like a small story one day could snowball into a larger story the next day. Left unchecked, false stories can take on a life of their own."

    Obama has also been the subject of unsubstantiated reports, such as a claim by a conservative Web site that he had not put his hand on his heart in Iowa during a recitation of the Pledge of Allegiance. The Obama camp explained that a Time photo of the event -- which showed Clinton and New Mexico Gov. Bill Richardson (D) with hands on their hearts -- was taken during the singing of the national anthem.

    "Untrue rumors need to be beaten back," said Obama spokesman Bill Burton. "Often the media spend too much time focusing on the superfluous."

    Strategists for Obama believe that Clinton could have defused the three-paragraph Novak item by notifying Obama's staff to say that it was untrue. "I think we pretty effectively took this issue head-on and were able to put it to bed," Burton said.

    Bill Clinton honed the art of rapid response in his 1992 campaign, as memorialized in the movie "The War Room." President Bush's campaigns were known for even swifter reactions to criticism, as blast faxes gave way to BlackBerry messages and technology fostered a nonstop news cycle.

    As a former first lady who lived through numerous scandals in her husband's White House, Hillary Clinton seems determined to avoid the fate of Sen. John F. Kerry (Mass.), the 2004 Democratic nominee, who later admitted he was too slow to respond to attacks on his Vietnam War record by Swift Boat Veterans for Truth.

    "One of the greatest strengths of the Clinton campaign is they've internalized and updated the lessons of 1992 for the new media era," said Dan Schnur, a Republican campaign veteran. "When it comes to rapid response, you can't be too fast, but you can certainly be too hysterical. It's important to get information into reporters' hands as quickly as possible, but you don't want to be the deputy press

    The Clinton camp unleashed the heavy artillery on Nov. 8. Singer was driving to the Arlington headquarters that morning when he heard part of a National Public Radio report on two women whose lives had been touched by the campaign. At the office, Singer learned that he had missed an interview with a waitress at a Maid-Rite sandwich shop in Toledo, Iowa, who said that "nobody got left a tip" after Clinton ate a loose-meat sandwich at the lunch counter.

    As the tale, powered by a link on the Drudge Report, ricocheted across the Internet, Clinton staffers tracked down those who were at the restaurant, including the aide who paid the bill with his credit card.

    "The Clinton campaign was upset that we hadn't called them to talk about the tip," said NPR reporter David Greene, who acknowledged that he should have checked further. "We weren't trying to do gotcha journalism."

    Singer sent off an e-mail to NPR: "The campaign spent $157 and left a $100 tip at the Maid-Rite Restaurant. Wish you had checked in with us beforehand." As the Republican National Committee began e-mailing the NPR report to the press, Clinton staffers contacted reporters and got their denials onto blogs at the Chicago Tribune, The Washington Post and the New York Times and other media outlets. An aide was also dispatched to hand the waitress $20.

    "The first version of a story is incorrect, it gets pounced on, your opponents jump on it, and trying to get the toothpaste back in the tube is almost impossible," said Jay Carson, Clinton's traveling press secretary. "All of a sudden you have reputable news organizations chasing it." With the tip yarn, he said, "you're in the middle of a full-fledged controversy over something that didn't really happen."

    The Clinton campaign isn't reticent about challenging news reports that turn on interpretation, either, and critics have likened its aggressive tactics to those of the Bush White House, which has had tense relations with the press corps.

    "Reporters who have covered the hyper-vigilant campaign say that no detail or editorial spin is too minor to draw a rebuke," the New Republic says.

    Clinton aides know they run the risk of highlighting small items that might otherwise receive scant attention but have concluded that, most of the time, that is an acceptable risk. "Vigilance is very important," Wolfson said. "I think Democratic voters expect a nominee's campaign to know how to correct the record."

    Blog de Mino Carta

    Quais e quantos livros de FHC vocês já leram até hoje?

    Fernando Henrique Cardoso acaba de se manifestar, à margem da grande reunião tucana, da qual Aécio Neves preferiu manter afastado o senador Azeredo, por razões além de óbvias. FHC disse que Lula é um iletrado inculto que não sabe usar a língua portuguesa. E que ele, do alto de sua sabedoria e traquejo de ex-presidente, se esforçará para prestar a sua imprescindível colaboração à eleição em 2010, de alguém capaz de dominar o vernáculo. A crítica do príncipe dos sociólogos a Lula é, no mínimo, grosseira e preconceituosa. Uma análise baseada na verdade factual dirá que Lula se tornou orador convincente e que sua lida com o vernáculo supera o aceitável. E haveria de ser devidamente considerado outro aspecto da oratória do presidente-metalúrgico: ele tem o charme, certo encanto natural, de que carece FHC. E nem se diga que este é mestre da língua. De hábito, da tribuna, exibe retórica chã, comedidos vôos pelo riquíssimo vocabulário português e um poder soporífero raramente navegado. Aliás, insisto em uma pergunta aos prezados companheiros de navegação: quais e quantos livros de FHC vocês já leram até hoje?
    enviada por mino

    Mundo de sombras

    Miriam Leitão

    O Brasil trafega entre luz e sombras. Às vezes, parece que vai ser tragado pelas sombras. Uma adolescente trancada por 20 dias com vários homens sob o olhar conivente de autoridades policiais, sendo estuprada diariamente. Índios mantidos em trabalho degradante numa das maiores usinas de álcool do Brasil. Mas a economia vai bem, a bolsa brasileira é recordista mundial, e o país resiste bem à crise americana.

    Na Arábia Saudita, uma monarquia tirânica e medieval, um juiz condenou uma jovem de 19 anos, que foi estuprada, a uma pena de 200 chibatadas. O assunto está virando uma crise internacional.
    Os pré-candidatos à eleição presidencial americana querem que a Casa Branca exija do governo saudita — principal aliado árabe dos Estados Unidos — a suspensão da pena absurda que recaiu sobre a vítima.
    Mukhtar Mai, uma paquistanesa, foi estuprada por ordem de um conselho tribal. Hoje o livro “Desonrada”, contando sua incrível reação e luta, está na terceira edição no Brasil.

    Um texto meu serviu de prefácio, o que, para mim, foi uma honra. As histórias da saudita e da paquistanesa viraram casos mundialmente conhecidos.

    O nosso caso era notícia internacional ontem. A vergonha é nossa. Mas aqui o que intriga a polícia é se a jovem tinha 15 ou 19 anos.

    — Se ela dissesse que era menor, seria dado outro procedimento — diz o superintendente da Polícia Civil, Fernando Cunha.

    Fica-se sabendo, assim, que, no Pará, um superintendente da Polícia Civil acha que há uma idade a partir da qual a mulher pode ser submetida a esse “procedimento”. Como a jovem, pelo que se diz, teria duas certidões de nascimento, o superintendente ficou nesta dúvida. Se ela tiver 19 anos, o procedimento hediondo está correto? O que espanta é a certeza dos policiais do Pará de que ficariam impunes.

    Submeteram uma adolescente a uma situação infame e dormiam tranqüilos.

    O noticiário que se seguiu mostrou que ela pode ser apenas mais uma.

    Tranqüilos também estavam os administradores e dono da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool. Depois que foi divulgada a notícia dos 831 índios em trabalho degradante numa das fazendas do grupo, em Brasilândia (MS), muita coisa já mudou.

    Banheiros químicos foram instalados nos canaviais, agora os trabalhadores têm água para lavar as mãos e tirar os resíduos de agrotóxicos antes de almoçar.

    Uma lona foi improvisada no local, cobrindo as recémchegadas mesas e cadeiras para ser uma espécie de refeitório.

    Ônibus mais novos substituíram os velhos e inseguros veículos que transportavam os trabalhadores.

    — Fizeram o mínimo, o básico, coisas simples, mas já mudou muito — diz Wladimir Pollecci, o engenheiro integrante da equipe móvel do Ministério do Trabalho que está no local.

    A auditora do Ministério do Trabalho que chefia a operação, Jaqueline Carrijo, confirmou o quadro de horrores descrito pelo procurador do trabalho aqui na coluna e acrescentou: — A empresa já foi autuada várias vezes, sempre foi orientada a corrigir as falhas. Está tudo nos livros de registro das fiscalizações.

    São dez anos de ocorrências, dez anos de descumprimentos — diz.

    Os trabalhadores indígenas dormiam sobre colchões mofados, sem roupa de cama, em alojamentos cobertos com telhas de amianto num espaço tão exíguo que é difícil imaginar como cabiam lá.

    — Num dos alojamentos, de 2,80 metros por 9,4 metros (26 metros quadrados), dormiam 20 índios — diz Wladimir.

    O empresário, presidente do grupo, José Pessoa de Queiroz Bisneto, quando falou comigo, tratou tudo como um problema inesperado; um acidente.

    Mas a verdade é que, desde 2005, a Polícia Federal instaurou um inquérito pelas denúncias de trabalho degradante na fazenda, segundo me contou o delegado Flávio Cuppari: — Tudo ultrapassa o limite do ruim, é subumano e discriminatório.

    O delegado deve enviar em breve o inquérito à Justiça, mas admite que dificilmente alguém vai para a cadeia.

    — Para um indiciado ser condenado nestes casos, é preciso se provar que ele tinha efetiva consciência do que se passava. Os donos não moravam aqui, não estavam presentes, vão delegando funções. Em todos os casos que vi de trabalho escravo, se alguém vai preso, é o jagunço; nunca o empresário.

    A certeza da impunidade que levou os policiais a manterem a jovem presa com os homens é a mesma que permite que empresários garantam que desconhecem o que se passa em suas empresas.

    O Brasil tem vários pontos de luz. Nas últimas duas décadas, houve avanços sociais, econômicos, macroeconômicos.

    Muitas empresas se modernizaram, adotaram novos valores. Até por isso é espantosa a permanência de barbaridades e violências. Uma sociedade onde acontecem fatos como o da jovem presa com os homens tem que se perguntar o que tem feito de errado. Os casos de trabalho análogos à escravidão, ou de trabalho degradante, nos canaviais, na pecuária, são freqüentes demais para serem tratados como um fato isolado, um exagero dos fiscais do trabalho.Tem que ser visto como é: um ataque aos direitos humanos mais básicos, um crime que exige castigo.

    O Brasil avança, resolveu problemas e obstáculos, pode crescer, se desenvolver, enfrentar velhos dilemas.

    Tem tudo para ser um dos grandes países do mundo.

    Mas não pode se conformar com o progresso pela metade; não pode se acostumar com o acintoso desrespeito às leis. A reação indignada dos brasileiros é a única resposta.

    Será um ponto de luz.

    Cheiro ruim: José Serra e Dengue


    PROMOTORIA: ÓRGÃO ANALISA DADOS SOBRE DENGUE NO ESTADO DE SP

    A promotoria do Ministério Público de São Paulo investiga as estatísticas sobre dengue divulgadas pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria da Saúde do Estado. A suspeita é a de que houve manipulação nos números de casos da doença no primeiro semestre deste ano.
    Em balanço divulgado em julho, foram notificadas 64.903 ocorrências confirmadas. Na atualização do dia 11 de novembro, o total de vítimas foi de 79.073 nos seis primeiros meses de 2007. Uma diferença que chega a 18% . Neste ano, foram tabulados 81.332 casos.

    Folha de São Paulo

    Cúpula do PSDB aborta nota contra terceiro mandato

    Depois de ler esta nota da Folha de hoje, leiam novamente 3º Congresso do PSDB: o monstro do Loch Ness e também esta outra Tucano voa baixo e pensa que é condor



    Em jantar na noite de quinta-feira, FHC e presidenciáveis discutiram tema; Aécio e Serra querem mandato de 5 anos

    Encontro de dirigentes do partido teve como razão central discutir nome da secretaria-geral; mineiro atuou para manter afilhado

    MALU DELGADO
    EDITORA-ASSISTENTE DE BRASIL
    Folha de São Paulo

    Não é crença generalizada no PSDB que os petistas conseguirão levar adiante uma articulação consistente que possa dar viabilidade legal a um terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenha enfatizado em seu discurso de abertura no 3º Congresso do PSDB que a democracia estaria sob risco, os altos dirigentes do partido, reunidos na noite de quinta-feira num jantar em Brasília, abandonaram a idéia de divulgar uma nota oficial contra uma mudança constitucional que permita a continuidade de Lula no poder.
    Participaram do jantar FHC, os presidenciáveis José Serra e Aécio Neves, os senadores Tasso Jereissati (que deixa a direção do partido), Sérgio Guerra (que assume a presidência da legenda) e Arthur Virgílio.
    Há, porém, uma outra mudança constitucional que une os tucanos, sobretudo os presidenciáveis: a reintrodução do mandato presidencial de cinco anos sem reeleição. "Isso sim dá caldo", admitiu um tucano que participou do encontro.
    Os tucanos sabem que a defesa do fim da reeleição esbarra numa séria contradição, já que foi a articulação do PSDB em 1998 que garantiu a aprovação da emenda que deu a FHC o direito de governar por oito anos.
    Ainda assim, Aécio e Serra acham que têm espaço para articular essa mudança no Congresso, pois nunca defenderam abertamente a reeleição, seja como parlamentares, seja como governadores.
    Aécio foi voz firme, no jantar, contra a divulgação de uma nota anti-terceiro mandato. Disse aos correligionários que essa seria uma estratégia equivocada e que o PSDB contribuiria para manter na agenda política um debate que não é consensual sequer no PT e que não conta com a simpatia de Lula. Em conversas recentes com o mineiro, Lula demonstrou que seu plano concreto é 2014.
    Agora à frente do PSDB, Sérgio Guerra admite que o receio de terceiro mandato não é generalizado na sigla. Mas é reticente: "Eu não acredito em nada bom deste governo. Só acredito em coisa ruim".
    Já Tasso Jereissati tenta explicar o sentimento tucano: "Não é um receio do terceiro mandato. É receio em relação ao conjunto da obra: TV Pública, expurgos no Ipea, elogios à Venezuela para dinamitar o Mercosul. É esse conjunto que não está cheirando bem".

    Secretaria-geral
    Ainda que os debates sobre terceiro mandato, conjuntura política para 2010 e prorrogação da CPMF (o imposto do cheque) tenham permeado o jantar, o assunto central foi a composição da nova direção.
    Tucanos históricos queriam uma mudança na indicação da secretaria-geral do partido. O indicado foi o deputado Rodrigo Castro (MG), afilhado de Aécio. Havia um temor de que a denúncia sobre o "valerioduto mineiro", feita pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, pudesse alcançar aliados do governador, entre eles Danilo Castro, secretário de governo de Aécio e pai de Rodrigo.
    "Ele fica e com todas as atribuições de um secretário-geral", enfatizou o governador de Minas na conversa com correligionários. "Está tudo certo. Não se cogitou nenhuma mudança", disse Rodrigo Castro. Por enquanto, prevalece a vontade política do governador.

    Os altos vôos dos tucanos

    Painel da Folha

    "Papo em dia.
    Serra e Alckmin voaram juntos para Brasília e de volta para SP."


    Estranho a Folha não dizer se foi em vôo comercial ou no avião do Estado?

    Sabe aquele avião que Alckmin disse que vendeu e que Serra recomprou.

    Avião do Estado para reunião partidária? Não é igual que carro de deputado em reunião partidária ou de Minístro em jantar político que regularmente a Folha noticia de maneira crítica?

    Carta de um leitor da Folha

    FHC e Lula
    "Vergonhosa e vulgar a posição do ex-presidente FHC ao atentar para um suposto semi-analfabetismo do presidente Lula e ao associar o pouco estudo formal à incapacidade de governar ("FHC critica "elitezinha" e prega reconciliação com o povo para retornar ao poder", Folha Online, 23/11).
    Por mais que tente negar, o discurso de FHC está cheio de ressentimento, de preconceito de classe e de desprezo pelos mais pobres. E esta é exatamente a marca do PSDB que o povo brasileiro rejeita e espezinha nas urnas."
    EUSTÁQUIO MOREIRA (São Paulo, SP)

    sexta-feira, 23 de novembro de 2007

    Tucano voa baixo e pensa que é condor

    Fernando Henrique Cardoso voltou a evocar o monstro do Loch Ness (terceiro mandato) e com soberba proclamou:

    "- O programa do nosso partido tem posição muito clara. Somos contrários a qualquer mudança da regra eleitoral neste momento no Brasil. A alternância de poder faz parte da democracia. Eu nunca vi regime democrático presidencialista que aceite um terceiro mandato. Eu não conheço um regime democrático de verdade que não imponha uma limitação a duas vezes - afirma."(Portal O Globo)

    O regime francês é um presidencialismo semi-parlamentar. O poder emana do presidente que nomeia o governo, pode dissolver o parlamento, comanda as forças armadas, preside o conselho de ministros e é eleito ao sufrágio universal direto. Na França não existe limite para o mandato presidencial, pode ser um, dois, três, quatro... ele depende inteiramente da vontade eleitoral do povo. Em Estados-Unidos o limite de dois mandatos só foi introduzido depois da segunda guerra, a democracia americana vigorava fazia já muito tempo.

    A alternância de poder na democracia exige ganhar as eleições. Ela é incompatível com mudar as regras eleitorais no meio do seu próprio mandato para se beneficiar, como fez FHC. Mas é não só democrático, como altamente educativo para a soberba tucana, se o apoio popular ao governo Lula se traduzir em 2010 na continuidade dessa política voltada para as maiorias e que Lula representa. Com outra candidatura, mas com os mesmos compromissos, isto é possível e desejável para os interesses populares.

    Assim os tucanos continuaram dando lições de português e aplaudidos nos Jardins. E o Brasil por sua vez continuará a diminuir a pobreza, o desemprego e a desigualdade social e racial. Com mais universidades e diplomas para os filhos das classes populares.

    Foi necessário um operário sem diploma ser presidente, para que filho de pobre tenha vez e ... diploma.

    Luis Favre

    Agora é caixa 2

    A mídia anda pisando em ovos. A denuncia do "mensalão tucano", apesar de aguardada, provoca uma sensação evidente de mal estar nos jornais e nos seus comentaristas.

    Para o Procurador geral a ação dos tucanos não foi crime eleitoral, nem caixa 2 nenhum; foi "ação criminosa" consistente em “Desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou tendo como fonte empresas estatais”; “Repasse de verbas de empresas privadas com interesses econômicos perante o Estado de Minas Gerais, notadamente empreiteiras e bancos, por intermédio da engrenagem ilícita” e “Utilização dos serviços profissionais e remunerados de lavagem de dinheiro”, operados, entre outros, por Valério e seus sócios, “em conjunto com o Banco Rural, para garantir uma aparência de legalidade às operações [...], inviabilizando a identificação da origem e natureza dos recursos”.

    O Procurador afirma que o dinheiro desviado dos cofres públicos tinha a seguinte origem: "R$ 1,5 milhão da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais); R$ 1,5 milhão da Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais); e R$ 500 mil do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais)."

    Para o Procurador não há crime eleitoral e o esquema é o mesmo que do outro "mensalão".

    Para o jornal Valor isto não é assim. A sua manchete sobre o assunto é: "Caixa 2 do PSDB mineiro chega ao Supremo".

    Segundo o artigo "O mensalão mineiro teria o objetivo de arrecadar dinheiro para campanha e o petista em obter apoio em votações no Congresso, mas o procurador evitou comentar essas diferenças entre os "mensalões".

    Na mesma linha, Merval Pereira, no Globo, afirma: "O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não quis deixar clara a diferença na denúncia oficial, pois não indiciou ninguém do valerioduto mineiro por crime eleitoral, o que caracterizaria o chamado caixa dois, que é na verdade do que se trata o caso dos tucanos."

    Em eco ou fazendo coro, Eliane Catanhede insiste: "Mares Guia e Azeredo, ex-presidente tucano, são os pais do esquema Marcos Valério de financiamento de campanhas, que na era petista evoluiu para compra de apoio parlamentar ao governo."

    Na mesma linha foram as declarações dos principais lideres tucanos. Para eles caixa 2 é uma coisa e "mensalão"é outra. É a linha da defesa do PSDB.

    Pois bem, a questão do desvio do dinheiro público é o centro da peça do procurador. Ele deverá evidentemente provar e a justiça determinará. Eduardo Azeredo é inocente até a decisão judicial. Como o são todos os denunciados em ambos esquemas.

    Eduardo Azeredo e Delubio Soares, acusados pelo mesmo "crime" não são tratados pela mídia da mesma maneira. Os jornais não berram em favor de uma CPI, nem utilizam os epítetos de ladrão, nem criminoso.

    Delubio foi expulso do PT, Azeredo não foi expulso do PSDB e é defendido pelo seu partido. Ambos rejeitam os termos das acusações. PT e PSDB reconhecem, mais ou menos explicitamente, que os esquemas financiavam as campanhas eleitorais, eram caixa 2. No caso do PT sem desvio de dinheiro público; no caso do PSDB, que as empresas estatais eram autônomas. Trata-se da palavra dos partidos, dos acusados e dos seus advogados contra as acusações da procuradoria. Pode se acreditar ou não, a justiça dará a palavra final.


    Mas a mídia, ela não tem partido...

    Luis Favre

    quinta-feira, 22 de novembro de 2007

    Maurice Béjart, l'homme qui voulait amener le grand public à la danse

    Maurice Bejart + Queen :" the show must go on"

    Le chorégraphe français Maurice Béjart, figure majeure de la danse contemporaine, est mort dans la nuit, jeudi 22 —novembre, à l'âge de 80 ans, à l'hôpital de Lausanne. Il y avait été admis pour la deuxième fois en l'espace d'un mois, après avoir été régulièrement hospitalisé depuis quelques années pour des affections cardio-pulmonaires. De l'hôpital de Lausanne, il téléphonait régulièrement à sa compagnie, en tournée à Lyon. Travailleur acharné, il préparait son prochain programme pour le Palais des Sports de Paris, prévu en janvier.


    Avec Béjart, c'est un authentique phénomène qui disparaît, tant l'impact de son œuvre, sa longévité, son succès jamais démenti auprès des spectateurs de tous les pays, en font un cas merveilleusement unique. Meurt-on vraiment lorsqu'on a atteint un tel statut de mythe ? Maurice Béjart est le chorégraphe le plus populaire en France et à l'étranger avec une œuvre de plus de deux cent cinquante ballets, dont certains passablement ratés selon Béjart lui-même.

    Cette figure de l'art du XXe siècle aimait à dire que, s'il avait un destin, c'était d'amener le grand public à la danse. Il y a réussi, laissant des souvenirs chatoyants à des millions de spectateurs. Jamais le public, qui se pressait à guichets fermés au Théâtre de Chaillot dans les années 1980 puis au Palais des Sports ou des Congrès, à Bercy mais aussi à l'Opéra de Paris, n'a été infidèle à Maurice Béjart. Cet homme lucide – tant sur son œuvre, que sur lui-même – évoquait récemment sa mort dans le ballet Lumière crée à Lyon devant trois mille personnes en 2001. Son testament adressé aux jeunes générations— : "Plus de danse, encore plus de danse." Né à Marseille en 1927, Maurice Berger emprunte son pseudonyme à Armande Béjart, le femme de Molière. Du sang noir coule dans ses veines— : celui de son arrière grand-mère paternelle, Fatou Diagne, originaire du Sénégal. Son père, le philosophe Gaston Berger, parlait sept langues, lui récitait de la poésie mais fabriquait aussi ses jouets. Il lui consacrera un livre, La Mort subite (1990), comme il évoquera sa mère, morte lorsqu'il avait 7 ans, dans le spectacle Casse-Noisette (1999). Gamin maigrichon à qui un médecin conseilla la danse pour le fortifier, il prend des cours de danse classique pendant ses études au lycée et décide d'en faire son métier à l'âge de 18 ans. Adolescent, il rêvait de devenir torero, s'entraînait en Camargue avec des vachettes.

    Arrivé à Paris, il profite de l'enseignement de maîtres comme Lioubov Egorova ou Madame Rousanne, travaille auprès des danseuses Janine Charrat, Yvette Chauviré. Roland Petit l'engage dans sa compagnie en 1948. Deux ans plus tard, il collabore avec la suédoise Birgit Cullberg et règle L'oiseau de feu à l'Opéra de Stockholm. Il fonde sa première compagnie en 1953, qui devient les Ballets de l'Etoile.

    En 1955, son premier succès s'intitule Symphonie pour un homme seul, sur la musique de Pierre Henry et Pierre Schaeffer, et le met en scène tel qu'en lui-même. Il y compense sa petite taille et son manque de virtuosité classique par des sauts, des acrobaties et du mordant. Très vite, Maurice Béjart impose son style, fait de ses défauts des qualités, pour bâtir une œuvre contrastée et prolifique. En ligne de mire— : le "spectacle total". Son écriture, à la fois classique et très expressive, avec un jeu de bras musclé, fait feu de toutes les influences— : tradition indienne, africaine, turc… Son goût du texte (de Cioran à Saint-Exupéry en passant par Nietzsche ou Goethe) et du théâtre, de la philosophie comme de la psychanalyse, nourrira sa singularité engagée.

    Ses ballets mythiques, repris régulièrement ces dernières années, affichent une profonde solidité artistique. Le Sacre du Printemps (1959), sur la partition de Stravinski, réglé en trois semaines, jette les hommes et les femmes les uns contre les autres dans une guerre des sexes intemporelle. Pour Boléro (1961), son écriture prend d'assaut celle de Ravel. Interprété par les plus grands, de Maïa Plissetskaïa, qui raconte comment elle suivait Maurice Béjart dans la régie pour ne pas oublier la chorégraphie, ou Sylvie Guillem, qui déclarait se sentir comme un morceau de pain au milieu d'une foule en famine, ce Boléro perdure par sa plasticité scénique, l'impeccable jeu de balance du groupe et du soliste, sa puissance expressive et sa jouissance du mouvement.


    Bolero de Ravel par Maurice Béjart

    Les grands motifs de l'œuvre de Maurice Béjart sont inscrits dans l'histoire de la danse. Il a su valoriser le danseur masculin, l'habillant en jean, exacerbant son érotisme dans une gestuelle virile loin du rôle de faire-valoir de la ballerine classique. Il a posé au cœur du débat la philosophie qui le nourrit depuis son enfance, qu'elle soit européenne, orientale ou asiatique. Au risque parfois de la naïveté et du sentimentalisme, certaines pièces, chargées de théâtralité comme Jérusalem, cité de la paix (1997), MutationX (1998) sur le nucléaire, militaient pour un humanisme sans œillères. Bien avant que le mot ne s'use, il a fait du métissage son porte-drapeau— : ses danseurs, comme ses élèves, débarquaient de tous les pays.

    Source d'inspiration toujours renouvelée, la musique a porté son travail. Celle de Wagner, de Bach, de Berlioz mais aussi des groupe U2 ou Queen, les chansons de Jacques Brel ou de son amie Barbara. Il citait les compositeurs Pierre Boulez et Pierre Henry comme des socles de sa pensée. Sa collaboration avec ce dernier, qu'il rencontre en 1955, aboutit à un énorme succès en 1967— : Messe pour le temps présent.

    Ses interprètes s'appelaient Tania Bari, Paolo Bortoluzzi, Patrick Dupond, Sylvie Guillem, Rudolf Noureev… Jorge Donn, fidèle complice qui fit toute sa carrière de danseur auprès de lui, jusqu'à sa mort en 1992, reste une icône béjartienne. Le chorégraphe avouait avoir raté des ballets mais jamais un danseur. C'est en voyant apparaître Jean Babilée en smoking un soir chez Maxim's qu'il eut envie de lui tailler sur mesure Vita Nova (1995).

    Si le statut de Béjart auprès du grand public est celui d'un intouchable, le milieu de la danse contemporaine l'a longtemps tenu éloigné, alors même qu'il en est incontestablement l'un des pères fondateurs. Trop populaire sans doute, trop proche du classique. Il est aujourd'hui reconnu comme un précurseur. Son école de danse bruxelloise Mudra a formé dans les années 1970-80 des personnalités comme Anne Teresa de Keersmaeker, Michèle Noiret, Bernardo Montet ou Hervé Robbe.

    Les relations de Béjart avec la France ont toujours été délicates. En 1959, sans proposition de la part de l'Etat français de lui offrir un théâtre, il part s'installer à Bruxelles où il fondera le Ballet du XXe siècle en 1960. A la demande de Maurice Huisman, il crée Le Sacre du Printemps sur la musique de Stravinski pour le Théâtre royal de la Monnaie. Il restera à Bruxelles vingt-sept ans. Proche de Jean Vilar, il conçoit avec lui en 1967 un projet pour ouvrir l'Opéra de Paris à un art populaire, mais sans résultat. Jean Vilar l'invitera au Festival d'Avignon en 1968. Au début des années 1980, Jack Lang reprend l'idée d'installer au Théâtre de Chaillot une école pour Béjart qui n'aboutira pas non plus. Sept ans plus tard, Béjart quittera Bruxelles pour Lausanne. Il y remontera une compagnie, le Béjart Ballet Lausanne, et une école, Rudra.

    En 2004, Maurice Béjart nous avait accueilli chez lui, dans son petit appartement du 5e arrondissement de Paris. Décor modeste mais chaleureux, entre grotte et rez-de-chaussée parisien, un feu de bois dans la cheminée. Béjart, vêtu d'un pull rouge – sa couleur fétiche et celle du plateau de Boléro – vaque pieds nus en dépit du froid. Il en rit et déclare, comme pour s'excuser, qu'il adore ça et préfère la simplicité. Un bol de soupe chez lui le soir, plutôt que des mondanités vaines, tel était le menu de choc de Maurice Béjart.

    Rosita Boisseau

    In memoriam: Maurice Béjart

    Bejart - Adagietto (Jorge Donn)



    BEJART SACRE DU PRINTEMPS


    Porta-vozes do Bejárt Ballet Lausanne informaram que Béjart deixou orientações sobre como queria seu funeral

    Jamil Chade

    Agencia Estado

    Coreógrafo Maurice Béjart

    EFE/Laurent Gillieron

    Coreógrafo Maurice Béjart

    GENEBRA - A morte do coreógrafo francês Maurice Béjart não irá interromper as turnês e a programação de sua companhia de dança, estabelecida em Lausanne desde 1987. Um dos criadores da dança contemporânea, Béjart estava preparando sua nova produção que seria inaugurada no dia 20 de dezembro na Suíça, Volta ao Mundo em 80 minutos.

    A morte, segundo Eric Trol, administrador adjunto da companhia, ocorreu no início da madrugada de ontem no Centro Hospitalar de Lausanne. Pela manhã, os 35 dançarinos da companhia foram informados da morte. Mas optaram por seguir com a programação do ano.

    Entre os mais de cem funcionários do Béjart Ballet, o sentimento é de tristeza. "Estamos todos chocados e muito tristes, mas o show irá continuar", afirmou o Roxanne Aybek, porta-voz do grupo.

    Os porta-vozes do Bejárt Ballet Lausanne (BBL) ainda informaram que o coreógrafo de 80 anos deixou algumas orientações sobre como queria seu funeral. A cerimônia será laica e ocorrerá no mais tardar na próxima segunda-feira. Elementos dos ritos muçulmanos serão incorporados.

    Essa havia sido a segunda internação de Béjart por causa de problemas cardíacos e renal em menos de um mês. Segundo a companhia, o coreógrafo pediu para acompanhar os avanços de sua próxima produção mesmo do hospital.

    Lausanne foi a terceira casa de Béjart. Sua companhia foi criada em 1954 em Paris, mas permaneceu por 27 em Bruxelas. Graças aos generosos subsídios dados pelas cidades suíças, o coreógrafo optou por se mudar para Lausanne, aos pés dos Alpes.

    Imediatamente, políticos e artistas expressaram suas homenagens ao coreógrafo e reivindicaram Béjart como sendo um representante de seus países. Para Nicolas Sarkozy, Béjart foi um dos "grandes nomes da história da dança". "Sem dúvida que suas coreografias vão permanecer em nossas memórias. Por muitos anos ainda, elas serão representadas sobre os maiores palcos do mundo", afirmou.

    "Com a morte de Maurice Béjart, perdemos um dos maiores coreógrafos de nossos tempos, um dos mais famosos e mais admirados", disse a ministra da Cultura francesa, Christine Albanel.

    Já para o ministro da Cultura da Suíça, Pascal Couchepin, a morte de Béjart "é uma grande perda para as artes e para a Suíça".

    A mídia em questão

    "Da discussão nasce a escuridão" - Carlos Brickmann, para o Observatório da Imprensa


    Circo da Notícia - Coluna de 20 de novembro



    Tudo começou com uma briga em que ninguém tem razão. Ao fazer uma capa para Veja sobre Ernesto “Che” Guevara, o repórter pediu uma entrevista a um jornalista americano que escreveu festejada biografia do guerrilheiro. Por algum motivo, a entrevista não se realizou. O americano não gostou da reportagem; e, em vez de enviar uma carta ao autor, ou à revista, ou a ambos, enviou-a também a uma lista de correspondência, que a divulgou pela Internet. Nela, insulta o repórter. Este reagiu protestando não contra as críticas ou os insultos, mas contra a divulgação da troca de mensagens entre ambos, que qualificou de anti-ética.

    Até aí, normal: bate-bocas, com ou sem bons motivos, são frequentes na profissão – ainda mais quando envolvem, como no caso, diferentes visões da mesma personagem. O grave é uma frase do repórter brasileiro enviada ao americano: “Você pode ficar certo de que não aparecerá mais nas páginas desta revista”.

    Trata-se de algo que sempre se comentou, de que muito se falou, mas que até agora não tinha confirmação formal (e, aliás, sempre foi oficialmente negada): a existência de uma “lista negra” em veículos de comunicação. Pior: quando se falava em “lista negra”, sempre se pensava no comando supremo do veículo, ou da empresa. Nunca se pensou que um repórter, por melhor que fosse, por mais alto que estivesse na hierarquia da reportagem, pudesse incluir nomes na lista negra.

    Este é um tema que vale a pena discutir, aqui no Observatório da Imprensa e em todas as instâncias jornalísticas. Seria interessantíssimo conhecer a opinião de Luiz Weis, cuja coluna neste Observatório tem sido preciosa, pela escolha de temas e pela análise de cada um deles. E, naturalmente, de Alberto Dines, que há muitos anos pensa jornalismo e já comandou grandes veículos.

    Lista negra é o oposto do jornalismo; é a negação da imprensa livre. A opinião é livre, mas levar ao leitor “all the news that’s fit to print” é a obrigação de cada jornalista.

    As listas...

    Listas negras do tipo “fulano não aparece neste jornal” talvez sejam raras; este colunista não teve a oportunidade de conhecê-las. Mas listas “light”, com restrições a personalidades ou grupos étnicos, sempre existiram.

    Um grande jornal, por exemplo, até há alguns anos só publicava pretos na primeira página em dois casos: estadistas africanos e Pelé. Um dia, em 1967, Zé Keti ganhou o Carnaval do Rio com Máscara Negra, e rompeu-se a barreira da primeira página. Aliás, bem em tempo: não muito tempo depois, se fosse mantida a restrição, como colocar na primeira página os ministros Orlando Silva, Gilberto Gil e Joaquim Barbosa e os secretários Condoleeza Rice e Colin Powell?

    ...escondidas

    Outro grande jornal publicava tudo, mas usando alguns códigos. Adhemar de Barros, político de grande prestígio em São Paulo, era A. de Barros. Um conceituado jornalista, A. P. Quartim de Moraes, quando sofreu restrições passou a ser chamado por “Parahyba de Moraes”. Fernando Costa, que foi interventor no jornal na época da ditadura, nunca chegou a gerar notícias. Mas o Parque Fernando Costa, na Capital paulista, era sempre chamado de “Parque da Água Branca”. E uma deputada, embora tivesse as atividades noticiadas, não tinha nome: era “uma deputada do PSD”.

    Resultado: num determinado dia, a deputada trocou tapas com um deputado, cujo nome também não era citado. Os dois eram do mesmo partido. O título acabou sendo algo do tipo: “Parlamentar bate em outro”.

    Os ódios à tona

    Há um debate muito interessante na lista de discussões da Abraji, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a respeito de blogs. Foi iniciada por um jornalista que não aguenta mais a radicalização e os ódios que vê nos blogs, e decidiu que, já que não dão notícias, não mais vai lê-los. É, óbvio, uma posição generalizante: há bons blogs,e há blogs em que, se o político favorito matar o pai e a mãe, vão dizer que o coitado não deve sofrer críticas porque se trata de um órfão.

    O fato é que, se o blog perde leitores com uma posição ultra-radical (para que irá alguém lê-lo, se já sabe de antemão o que vai encontrar?), acaba contribuindo para uma indesejada baixa de nível. Deixa-se de discutir o que está escrito para tentar desqualificar quem o escreveu. E o debate, que poderia trazer um pouco de luz, acaba se empobrecendo e perdendo a utilidade.

    Olha o racismo!

    Law Kim Chong, que cumpria pena de prisão em regime aberto, acusado de tentativa de suborno do então deputado federal Medeiros, foi preso de novo, agora por suspeita de contrabando. Law é apontado, com fartos indícios, como grande contrabandista. Está, ou esteve, ligado a personagens de conduta dúbia. Agora, há a grande chance de investigá-lo, provar sua relação com o contrabando, julgá-lo e condená-lo; e, melhor ainda, verificar quem é que o protege, quem é que permitiu que por tantos anos atuasse sem problemas – e a que custo.

    Mas essa é a questão policial. A questão de imprensa (e não é a primeira vez, longe disso, que é tratada nesta coluna) é que insistem em chamá-lo de “chinês”, em vez de Law, de Chong, do que quer que seja. Cheira a racismo: ninguém deve ser chamado por sua nacionalidade, sua cor, sua religião. As pessoas têm nome – que, aliás, serve exatamente para chamá-las. E o fato de ser chinês, japonês, congolês ou paquistanês não tem nada a ver com as atividades ilegais a que porventura o cavalheiro se dedique.

    E, ainda por cima, Law Kim Chong não é chinês. Nasceu em Hong Kong, à época possessão inglesa. É, portanto, britânico de nascimento. Por escolha, é brasileiro, pois se naturalizou. Chamá-lo de chinês porque tem os olhos puxados também cheira a racismo. Mas bem que valeria a pena entrevistá-lo e perguntar por que, num mundo tão grande, foi escolher para si a nacionalidade brasileira.

    Ação, reportagem!

    Quando foi preso, Law Kim Chong estava concluindo um shopping center para dois mil camelôs, com estacionamento para 400 ônibus, na Capital paulista. Não seria possível tocar em segredo uma obra como essa. Segundo a Polícia, o contrabando que estava escondido dentro da obra encheria uns cem caminhões. Não seria possível, sigilosamente, enfiar tanto contrabando numa obra inacabada. Uma boa reportagem pode pegar não apenas quem faz o contrabando, mas também os que viabilizam a distribuição da mercadoria e garantem a impunidade de todos os envolvidos.


    carlos@brickmann.com.br

    O problema de Veja

    *do Blog do jornalista Pedro Doria

    A troca de mensagens pública entre o repórter Jon Lee Anderson e o editor de Internacional de Veja, Diogo Schelp é um bocado importante – e não pelo que ela diz a respeito de Schelp; pelo que diz sobre Veja.

    A argumentação de Schelp em sua defesa é ruim. Fonte não deve qualquer sigilo a repórter – a nossa é uma profissão que deve operar às claras. O sistema de filtro de mensagens da Abril é de fato muito rigoroso e dá problema com mensagens perdidas a toda hora. Mas este é um problema que a Abril deve resolver com sua equipe técnica. Numa empresa jornalística, é um problema sério. Usar o anti-spam como desculpa para não ter contatado uma fonte é piada.

    Por fim, ele reconheceu publicamente que Veja tem uma lista negra: quem cai lá não sai na revista. Não é o único órgão de comunicação grande que tem uma lista dessas, mas há um motivo pelo qual ninguém assume sua existência. É que não pode ter. Noticia-se, sempre, o que é notícia; e procura-se, sempre, quem melhor pode informar a respeito de um assunto. Quando uma publicação reconhece que tem uma lista negra, está dizendo que não tem pudores de usar sua influência para fazer com que alguém suma do mapa da relevância, independentemente de ser notícia ou não. (Não que, neste caso específico, Anderson vá sentir falta.)

    Mas não era Schelp que deveria responder pela crítica e é injusto que a revista o tenha exposto desta forma. Nenhum jovem jornalista deveria ser obrigado a debater com um repórter de primeira linha do jornalismo mundial. É um debate perdido de início e, portanto, uma exposição cruel.

    A reportagem sobre Che não saiu como saiu porque esta é a qualidade de trabalho que Schelp pode apresentar. Quem o conhece diz que é bom repórter, que jamais tem preguiça de apurar. A reportagem saiu assim porque assim é a linha editorial de Veja: a tese já está definida antes que qualquer repórter se lance à apuração. As fontes consultadas são aquelas que confirmarão a tese. Se alguém disser o contrário, que seja ignorado. Não é a curiosidade, a tentativa de compreender o mundo, que move a pauta de Veja. O que lhe move é a vontade de dizer o que seus leitores devem pensar.

    O caso de Reinaldo Azevedo é diferente de Schelp. Este tem por função entrar mesmo nestas polêmicas e argumenta como lhe é típico: quando o debate é impossível de ser encarado, parte-se para lidar com os acessórios. Nos EUA, isto tem nome e há especialistas do ramo. São os spin doctors. Daí, que se debata a tradução, alguma questão ética imaginária, que se insinue que um repórter sênior da New Yorker, uma das revistas mais influentes do mundo, sentirá falta de ver seu nome em Veja.

    Veja já foi a quarta revista mais vendida do mundo – hoje, deve estar entre a quinta e a sexta. Já foi uma revista indispensável. Veja foi uma revista que pautou a discussão no país. Há capas memoráveis – a do aborto, por exemplo, com incontáveis mulheres contando suas histórias pessoais; a entrevista de Pedro Collor que disparou o processo de um ano que culminaria com o impeachment de seu irmão.

    Não foi sempre assim: o conceito de uma revista séria e rigorosa, com o noticiário semanal, era novo no Brasil de quando ela veio às bancas. Durante uma década, deu prejuízo. Quase quebrou a Abril, até então uma editora de pouca influência. Mas, aos poucos, Veja tornou-se indispensável. São muitos anos de trabalho para construir influência. Influência jornalística é ganha com trabalho sério, no dia-a-dia e chega apenas muito lentamente.

    Jornal e revista também são produtos de hábito. Leitores cariocas por certo reconhecerão o exemplo do Jornal do Brasil. Foi um grande jornal, influente, importante. Começou seu lento processo de decadência há uns quinze anos. Mesmo quando já era evidente que o JB não era mais o mesmo, muitos leitores continuaram o comprando. Aí foram perdendo o hábito. A influência é perdida quando, dia após dia, semana após semana, o veículo vai provando que simplesmente não é mais o que foi.

    Um veículo de comunicação constrói uma comunidade. É o comentar ‘você viu a Revista de Domingo ontem?’, ‘você viu aquela matéria no Fantástico?’ O veículo é relevante quando sugere o assunto, influi na conversa pública, dá a seu leitor ou espectador a percepção de que ele está informado, que tem assunto, que está capacitado a formar opinião, preparado para a conversa e o debate.

    Influência, este espaço na formação do debate público, demora muito tempo para ser construída. Depois que foi, a influência pode ser mantida ou não. Não é de uma hora para a outra que a influência é perdida – mas, depois que foi, não há quem a reerga. É este o patrimônio que Veja tem e está, muito lentamente, dilapidando.

    Aos poucos, muito aos poucos, começa-se a ouvir o seguinte comentário nas ruas: ‘você viu aquela matéria na Época?’ Não é questão de ser de esquerda ou ser de direita, este é um debate que interessa apenas a meia dúzia de leitores. A questão é aquela curiosidade inicial que leva o jornalista à rua. Ele não tem uma tese para comprovar, tem dúvidas. Está disposto a ser convencido, de apresentar tantos lados de uma história quantos possa haver.


    Sobre o blogueiro

    Pedro Doria (email | foto) é jornalista, nasceu no Rio de Janeiro, mora em São Paulo.

    É colunista do caderno Link e repórter-especial do caderno Aliás, ambos de O Estado de S. Paulo.

    Seu Weblog, em pedrodoria.com.br, foi o primeiro blog jornalístico profissional do Brasil.

    Esteve entre os fundadores dos sites NO. e NoMínimo, que marcaram época na internet brasileira. Foi colunista da Revista da Folha, Internet.br, Macworld Brasil e Oi. Seus textos apareceram em títulos como Playboy, Trip, Superinteressante e VIP.

    É autor de quatro livros, entre eles Manual para a Internet (Revan, 1995), o primeiro sobre a grande rede no Brasil, e Eu gosto de uma coisa errada (Ediouro, 2006), coleção de reportagens sobre internet, sexo e nudez.

    Recebeu o Prêmio Caixa de Reportagem Social e o Best of Blogs, da rede alemã Deutsche Welle.

    A coisa mais importante que fez na carreira, no entanto, foi descobrir Bruna Surfistinha.

    + Pedro

    Blog de Alon: Quanto pior, melhor

    Do DCI:

    Varejo prevê a maior expansão dos últimos 10 anos, aponta instituto

    Felipe Oda

    SÃO PAULO - O varejo brasileiro tem motivos de sobra para comemorar 2007 e os números comprovam o ótimo desempenho. No ano, o setor registrou um crescimento de 12% no faturamento total das empresas e projeta uma expansão de 9,2% em relação a 2006. O resultado equivale ao maior crescimento do varejo nos últimos dez anos, de acordo com informações do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). A expansão do varejo segue uma trajetória ascendente. Em 2006, o setor obteve crescimento de 6,3% em relação a 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ritmo alcançado e já superado no terceiro trimestre deste ano. Ainda com dados das 28 empresas associadas ao IDV (correspondentes a 27% de todo o varejo brasileiro), que representam diversos setores, por exemplo, vestuário (Renner, Riachuelo, C&A), material de construção (Telhanorte, C&C - Casa&Construção, Leroy Merlin), alimentos (Bob´s, McDonald´s, Grupo Pão de Açúcar), entre outros, o número de lojas das redes aumentou 7,4%, ou 9.436 unidades, em todo território nacional e a área total das lojas (m2) foi ampliada em 11% em relação a 2006. (
    Continua...)

    Clique aqui para ler a reportagem completa. O que sustenta a expansão econômica do Brasil num ambiente de inflação baixa? A rigidez fiscal. Que por sua vez é o alicerce sobre o qual repousa o crescimento do crédito. Que por sua vez é a mola mestra do crescimento do consumo. Se estivéssemos falando de Química, poder-se-ia dizer que a ortodoxia fiscal produz um efeito-tampão que relativiza o papel do vetor externo na amplitude das oscilações da economia brasileira. Para saber por que chegamos a esse momento especial da história econômica do Brasil, sugiro a leitura de Política Econômica e Reformas Estruturais, de Marcos Lisboa, então (abril de 2003) secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Um trecho:

    Uma relação dívida/PIB crescente diminui a taxa de crescimento econômico de longo prazo. Por um lado, o financiamento do gasto público passa a exigir uma fração crescente dos recursos da sociedade, reduzindo o crédito disponível para o setor privado. Por outro lado, o próprio Estado perde a capacidade de investir em áreas essenciais. Ademais, a não sustentabilidade de uma relação dívida/PIB crescente acarreta um aumento da desconfiança sobre a capacidade do governo em honrar seus compromissos futuros, resultando em maiores prêmios de risco dos títulos da dívida pública e em aumentos da taxa de juros, desestimulando o investimento privado e reduzindo a taxa de crescimento econômico.

    Clique aqui para baixar o texto. Quem o leu com atenção na época percebeu que eram grandes as chances de o governo Luiz Inácio Lula da Silva dar certo. O texto do Marcos Lisboa (que está a merecer, faz tempo, uma homenagem em algum desses encontros do PT) foi, portanto, um precioso instrumento para a adoção de posições políticas adequadas. Mas o passado é o passado. Por que estamos revolvendo o passado? Porque só é possível compreender a tenacidade do movimento contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) se se entender a centralidade do virtuosismo fiscal no cenário econômico brasileiro. Em resumo, quando a oposição radical luta com todas as forças contra a CPMF não é por achar que o país pode prescindir da CPMF. É por saber que sem quebrar as pernas da solidez fiscal não há como sonhar com uma crise que ponha fim ao ciclo virtuoso da economia brasileira. Para usar um chavão, trata-se do famoso "quanto pior, melhor". Para tentar emparedar Lula e impedi-lo de jogar um papel decisivo na própria sucessão. É natural que a oposição radical aja assim. Quando o PT era oposição radical ele também agia assim. Guerra é guerra. Como é que a oposição radical vai endossar uma política que proporciona a Lula dinheiro suficiente para 1) manter a dureza fiscal, 2) expandir programas sociais e 3) retomar investimento público? Quando a oposição radical joga o tudo ou nada contra a CPMF ela sabe muito bem o que está fazendo. E ela mostra, simplesmente, que morre de medo de um 2010 que repita 2006.

    3º Congresso do PSDB: o monstro do Loch Ness



    O "Nessie" tucano é o "terceiro mandato" ("Nessie" é o nome carinhoso que dão ao famoso monstro do lago Loch Ness, na Escócia).

    Da mesma maneira que regularmente alguém afirma ter visto "Nessie" no lago, contribuindo de passada ao turismo regional; ora a mídia, ora um tucano, procuram fazer o terceiro mandato emergir das profundidades do imaginário cansado dos oposicionistas, para nos alertar sobre o perigo existente.

    Ao mesmo tempo, o congresso dos tucanos, este verdadeiro encontro de aves predadoras, pretende defender uma reforma eleitoral introduzindo o voto distrital.

    Qual é a relação entre as duas coisas? Aparentemente nenhuma, a não ser fantasiar a ausência de qualquer programa alternativo ao governo Lula e continuar praticando a política favorita dos tucanos: a inação.

    Para qualquer observador da situação política brasileira, minimamente isento, a urgencia da reforma política salta aos olhos.

    O sistema eleitoral e partidário é um empecilho a constituição de maiorias parlamentares estáveis e incentiva o fisiologismo de varejo. Os escândalos ligados ao financiamento ilegal das campanhas e dos partidos, que atingiu todos eles sem exceção, mostrou que é urgente mudar esse sistema para assegurar transparência e estabilidade ao sistema político em seu conjunto.

    Como bem tem dito o presidente Lula uma reforma política para valer exige um consenso que parte do pressuposto que o atual congresso não mexerá nas regras pelas quais ele mesmo foi eleito. Parece lógico, nesse contexto, a convocação de uma Constituinte exclusiva para discutir, elaborar e aprovar a reforma. Mesmo para a questão do voto distrital, isto parece ser uma condição sine qua non.

    E bem, não. Para o PSDB agir sobre esse grave disfuncionamento das instituições é abrir o espaço a "Nessie".

    Aparentemente o mecanismo para encaminhar qualquer idéia sobre este tópico seria o do conchavo, denunciado recentemente pelo jornalista Elio Gaspari. Para ajustar o sistema eleitoral às necessidades internas das disputas entre caciques tucanos, acaba-se com a reeleição e aumenta-se o mandato dos atuais titulares. Tal vez no mesmo bolo a tucanagem espera ver "aprovada"a reforma distrital.

    Rejeitar toda e qualquer discussão a luz do dia sobre a reforma política e para isso agitar o espectro do "terceiro mandato" como espantalho. Na calada da noite, negociar com o governo um "ajuste" que evite a disputa entre tucanos. Eis o conteúdo das propostas e das proclamações veementes do PSDB sobre o tema .

    Me parece necessário reafirmar com força: ou uma Constituinte exclusiva é convocada para debater uma reforma política para valer, ou o PT deverá se opor com todas suas forças a qualquer mudança nas regras eleitorais e dos mandatos a todos os níveis.

    Manter as regras atuais é ruim para a democracia brasileira, muda-las nas costas do povo é infinitamente pior.

    A tentativa tucana deve ser rejeitada.

    Podem continuar agitando o "Nessie", mas não deveriam contar com néscios no PT para secundar tamanha patranha.

    FHC mudou as regras do jogo para beneficio pessoal, em detrimento da democracia brasileira. Que seja ele que carregue este feito em sua biografia. A do Lula esta imaculada neste quesito, para orgulho de todo o PT e dos defensores da democracia.

    Luis Favre

    Carta de Franklin Martins ao jornal O Globo: desmontando a desinformação


    O Globo
    Cartas dos leitores

    Presidência cara

    Na tentativa de classificar custos da Presidência da República como "mordomias", a reportagem do GLOBO ("Presidência cada vez mais cara", 19/11) mistura dados e confunde números, desinformando o leitor. A denominação "gabinete presidencial", usada no primeiro parágrafo da reportagem, é equivocada: o valor de R$ 223 milhões anuais refere-se à "administração da unidade Presidência da República" - ou seja, uma estrutura que envolve, além do Gabinete Pessoal do Presidente, a Casa Civil, a Secretaria Geral, a Secretaria de Relações Institucionais, o Gabinete de Segurança Institucional, o Núcleo de Assuntos Estratégicos e a Secretaria de Comunicação Social. A matéria também não diz que os gastos de custeio (água, luz, telefone, aquisição de computadores, passagens, diárias, combustível etc.) têm se mantido praticamente constantes nos últimos quatro anos, sempre na faixa de R$90 milhões. O texto cita em tom de denúncia o fato de ter havido um aumento de gastos de 2003 para 2005, sem dizer ao leitor que o programa Pró-Jovem - com orçamento de R$262 milhões só em 2005 - foi incorporado à Presidência da República (e não ao gabinete do presidente) naquele ano. Não se trata de "gastança", mas de um programa que auxilia na educação e formação profissional de 467 mil jovens de 15 a 24 anos em situação de risco social. A reportagem registra ainda que houve um aumento de 68 para 149 funcionários da "assessoria particular" do presidente. Isso não é verdade. O segundo número corresponde basicamente à fusão de estruturas já existentes. Com relação aos gastos com cartões de pagamento, deve-se ressaltar que todas as despesas realizadas têm o amparo da legislação e todas as contas foram aprovadas pelo mesmo TCU, que serviu de fonte para a reportagem, após auditoria de 90 dias entre 2005 e 2006. O repórter é desrespeitoso com ecônomos, servidores públicos encarregados do controle e execução de despesas, a quem chama depreciativamente de "mordomos". E comete uma inverdade quando afirma que algum desses profissionais está a serviço da primeira-dama. A reportagem menciona também a compra de uma "estante do tipo rack" no valor de R$25,1 mil, como se fosse um item de luxo, quando na verdade trata-se de uma estrutura de suporte para computadores e servidores de rede da central de informática do Palácio do Planalto. O valor é compatível com o de mercado. Na mesma linha, a matéria afirma que há custeio de "massagens para os funcionários do Palácio". Na realidade, o gasto se refere a um programa específico, a Semana de Qualidade de Vida, promovido em maio pela Coordenação de Saúde da Presidência, para orientar os funcionários quanto à postura corporal na prevenção de lesões no trabalho. Programas como esse existem em todas as grandes empresas. Provavelmente, O GLOBO já promoveu atividades dessa natureza para seus funcionários. Certamente não deve considerá-las mordomias. Em suma, a reportagem falta com a verdade na tentativa de passar ao leitor uma imagem de ostentação e luxo, tratando como gastos absurdos investimentos em programas sociais, na saúde dos funcionários e na manutenção e reposição de materiais necessários à administração pública. Ressaltamos que todas essas incorreções e equívocos poderiam ter sido evitados se a Secretaria de Imprensa da Presidência da República fosse contatada previamente, como é de praxe.

    FRANKLIN MARTINS

    Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (por e-mail, 20/11), Brasília, DF

    Mercado interno deve "proteger" o Brasil

    Fabiano Cerchiari/Valor
    Mendonça de Barros: crescimento da demanda interna e contas externas sólidas deixam o país mais blindado


    Sergio Lamucci - Valor


    O impacto da desaceleração americana sobre a economia brasileira tende a ser modesto. Como uma recessão nos Estados unidos não está no cenário dos analistas econômicos, eles não esperam efeitos negativos relevantes sobre a atividade, o saldo comercial ou o fluxo de investimentos estrangeiros diretos. Uma grande vantagem é que hoje a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) está baseada fortemente na demanda interna, como lembra o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros. Ele afirma ainda que as contas externas estão muito sólidas, com o país devendo terminar o ano com reservas na casa de US$ 180 bilhões. "Essa combinação deixa o país mais blindado aos efeitos da desaceleração americana", diz ele.

    Mendonça de Barros acredita que os EUA não deverão entrar em recessão. Para ele, o mais provável é que o país cresça algo como 1,5% a 2% em 2008, um ritmo que deixa a desejar, mas longe de ser uma tragédia. Segundo ele, enquanto a crise do setor imobiliário rouba dinamismo do PIB, a desvalorização do dólar estimula as exportações americanas, que têm crescido a taxas robustas. "Se não houver um cenário de derrocada nos EUA, o ajuste da balança comercial americana é uma boa notícia, fundamental para o equilíbrio de longo prazo." Mendonça de Barros avalia que o Brasil deve crescer cerca de 5% neste ano. Em 2008, uma taxa de até 4,5% lhe parece bastante factível, mesmo com a desaceleração americana.


    De Nova York, o economista-sênior para a América Latina do Dresdner Kleinwort, Nuno Camara, também não acredita que a menor expansão dos EUA vá provocar estragos no crescimento brasileiro. "O setor externo tem contribuído negativamente para a alta do PIB há seis trimestres", diz ele, referindo-se ao fato de que as importações aumentam a um ritmo bem superior ao das exportações. "Quem tem puxado a economia é a demanda doméstica, com destaque para o investimento", afirma Camara, que espera um avanço do PIB de 4,7% em 2007 e de 4,4% no ano que vem. A aposta numa expansão levemente mais fraca em 2008 se deve à expectativa de que o consumo cresça a um ritmo um pouco menor e não à desaceleração americana, explica ele.


    Camara tampouco teme