quarta-feira, 31 de outubro de 2007

USA: Sindicato de funcionários públicos dá apoio a Hillary

JOHN WHITESIDES - REUTERS

Agencia Estado

WASHINGTION - A pré-candidata Hillary Clinton, favorita para receber a indicação do Partido Democrata à Presidência dos EUA, recebeu na quarta-feira o apoio da Federação Americana de Empregados Estaduais, de Condados e Municipais (AFSCME), um sindicato de funcionários públicos muito ativo politicamente, que prometeu se mobilizar por sua candidatura.

O apoio desse grupo de 1,4 milhão de filiados era um dos mais disputados entre os pré-candidatos democratas. O sindicato prometeu uma operação "sem precedentes" para levar eleitores às urnas para votar em Hillary nas primárias do Estado de Iowa, o primeiro a fazer a escolha.

"Acho que vocês entenderão que vão todos para Iowa", brincou o sindicalista Gerald McEntee a cerca de cem colegas reunidos para o anúncio.

A dois meses da primária de Iowa, a senadora mantém uma sólida vantagem nas pesquisas. Na terça-feira, ela foi duramente atacada pelos adversários num debate em Filadélfia.

Hillary vestiu luvas de boxe no evento da AFSCME e prometeu lutar pelas famílias trabalhadoras na eleição de novembro de 2008.

"Alguns de vocês devem ter visto o debate de ontem à noite: seis caras contra Hillary, e eu chamaria de luta justa --esta é uma mulher forte", disse McEntee.

Há alguns meses, ele afirmava que o sindicato estava dividido e talvez não apoiasse nenhum candidato democrata. Mas ele afirmou que a direção entrou em contato com cerca de 45 mil filiados e que Hillary foi a escolha "esmagadora". Na quarta-feira, segundo McEntee, o aval à candidata teve a aprovação de 72 por cento do conselho executivo do sindicato.

Cidade Limpa?

*Antonio Donato

A manutenção, pela Prefeitura paulistana, dos contratos de coleta de lixo e o arquivamento, pelo Conselho Superior do Ministério Público do Estado (MPE), da investigação que apurava eventual superfaturamento de preços na licitação que escolheu em 2004 as empresas que prestam esse serviço em regime de Concessão na cidade comprovam que a então gestão da Prefeita Marta Suplicy à frente da administração municipal de São Paulo agiu no episódio com lisura e tendo em vista apenas o interesse público.

Não podemos, contudo, deixar de enfatizar o caráter puramente político-eleitoral que envolveu todo esse processo, já que agora o atual governo municipal tenta apresentar a manutenção dos contratos não como um reconhecimento à plena legalidade deles, mas com uma ação que estaria redundando em economia de recursos para os cofres públicos, o que não corresponde à natureza dos fatos. Senão, vejamos!

A citada redução de custos prevista no acordo feito agora entre a Prefeitura e as duas empresas prestadores do serviço, da ordem de 17,31%, sobre um contrato de custo total de R$ 9,8 bilhões em 20 anos, foi justamente o índice sugerido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, quando o órgão, na gestão do então prefeito e atual governador paulista José Serra, contratou o órgão, sem licitação, a um custo de R$ 945 mil, para recalcular os valores dos trabalhos de coleta.

Naquela oportunidade, a Fipe concluiu que os valores estavam todos corretos, mas que, se o início de determinados serviços previstos nos contratos fossem atrasados ou reduzidos, os pagamentos mensais poderiam ser 17,31% menores. E quais seriam esses serviços não prestados à população paulistana dentro dos prazos contratuais previstos? Entre outros, a ampla implantação da coleta seletiva (que gera ganhos ambientais e produzem trabalho e renda), a coleta em favelas e locais de difícil acesso (que além do ganho ambiental contribuí com a geração de empregos formais em cada região), a construção de dois aterros sanitários (já que os atuais estão fechados) e de duas usinas de compostagem entre outros. Resumindo, essa foi a “mágica” conjurada pela atual administração municipal, reduziu custos esticando prazos para a prestação de serviços essenciais à saúde pública da população, ou seja a redução de investimentos na cidade é inversamente proporcional ao imenso prejuízo ambiental e social provocado.

O mais grave, contudo, é que, apesar de tal procedimento ter sido sugerido pela Fipe em 2005, o então prefeito José Serra continuou obcecado pela idéia de romper os contratos, chegando a entrar na justiça com esse objetivo e reduzindo, unilateralmente, a partir de outubro de 2005, em 30% os pagamentos mensais que deveriam ser efetuados às empresas prestadoras, o que acabou gerando uma dívida com as concessionárias. E, como qualquer criança com conhecimentos rudimentares de matemática sabe, endividar-se nada tem a ver com economizar.

A Prefeitura levou exatos dois anos para finalmente adotar a sugestão que lhe foi dada, pela Fipe, em outubro de 2005, qual seja, acatar a legalidade dos contratos (reconhecida também pelo Ministério Público) e atrasar a realização de serviços essenciais para reduzir o custo dos pagamentos mensais às companhias encarregadas do setor. Só que essa demora toda acarretou também um ônus adicional para o município de R$ 139 milhões, decorrentes das dívidas acumuladas com as empresas pela redução unilateral praticada pela administração paulistana desde 2005, cifra que será paga, conforme informações divulgadas pela imprensa a respeito do acordo fechado entre a Prefeitura e as prestadoras, em 10 prestações, até o final da gestão do atual prefeito Gilberto Kassab.

É, portanto, imprescindível que, além da conduta correta adotada pela administração municipal petista que formalizou os contratos em questão, fique patente que o projeto que começou a ser implementado na área da limpeza urbana da cidade de São Paulo, a partir de 2001, inaugurou um novo e moderno conceito desses serviços, em termos de seu nível técnico e da democratização dos benefícios prestados à população como um todo, em um dos maiores centros urbanos do mundo. Modelo este que ao mesmo tempo atende as demandas de serviços da cidade e contribui com aspectos sociais relevantes como a geração de trabalho e renda. Tentar comprometer sua qualidade, através de manobras puramente eleitoreiras, é colocar em risco, em última instância, a saúde de uma população que o poder público tem a responsabilidade de preservar.

Uma verdadeira cidade limpa, exige uma consistente política ambiental. Essa foi a direção seguida na elaboração do modelo de limpeza urbana implantado na gestão passada. Mesmo tardio, o reconhecimento da transparência e da lisura do processo realizado por Marta Suplicy à frente da administração municipal de São Paulo, acabou mostrando de que lado se encontrava o verdadeiro interesse público.

*Antonio Donato, Vereador pelo PT. Foi Secretário das Subprefeituras na gestão Marta Suplicy (2003).

Maria Callas canta "Una Voce Poco Fa"

da opera IL BARBIERE DI SAVIGLIA, de Rossini. Recital de Hamburgo 1959.

Novembre chaud en France

SNCF. Six des huit fédérations syndicales de cheminots (CGT, Sud Rail, UNSA, FO, CFTC, CFE-CGC) ont appelé à une grève reconductible contre la réforme des régimes spéciaux de retraite à partir du mardi 13 novembre à 20 heures. La Fgaac (conducteurs autonomes), qui représente un tiers des conducteurs de trains) ne se joindra pas au mouvement, et la CFDT réserve sa réponse.

EDF-GDF.
Deux syndicats (FO-Energie et la CGT-Energie), majoritaires dans le secteur, appellent à la grève le 14 novembre contre la réforme des régimes spéciaux. Trois autres fédérations (CFDT, CFTC et CFE-CGC) se prononceront mardi 6 novembre. Elles ont fixé un "ultimatum" au 5 novembre pour que le gouvernement revoie "sa copie".

Fonctionnaires. Sept fédérations syndicales de fonctionnaires appellent à la grève et à une journée d'action le 20 novembre contre les réductions d'effectifs et pour les salaires.

Education. les cinq fédérations de l'éducation – FAEN, FERC-CGT, FSU, SGEN-CFDT, UNSA-Education – ont appelé à la grève le 20 novembre pour "dénoncer la politique gouvernementale des 11 200 suppressions de postes" dans l'éducation. Le syndicat étudiant UNEF et l'Union nationale lycéenne (UNL) ont appelé également étudiants et lycéens à participer à la mobilisation du 20 novembre.

Poste et télécommunications. Cinq fédérations syndicales (CGT, CFDT, Sud, FO et CFTC) ont appelé les salariés de La Poste et de France Télécom à la grève le 20 novembre, pour l'emploi, le pouvoir d'achat, le service public, les conditions de travail et contre les restructurations.

Justice. Le Syndicat de la magistrature (SM) et trois principaux syndicats de fonctionnaires de justice (USAJ, CGT, CFDT) ont appelé à une journée de grève nationale, avec manifestation à Paris, le 29 novembre contre la réforme de la carte judiciaire.

Six syndicats de la SNCF appellent à la grève, ceux de la RATP attendent des "réponses"

Six des huit fédérations syndicales de la SNCF ont appelé, mercredi 31 octobre, à une grève reconductible contre la réforme des régimes spéciaux de retraite à partir du mardi 13 novembre à 20 heures. Deux syndicats du secteur de l'énergie EDF/GDF – FO et la CGT – ont également appelé à la grève le 13 novembre, "le même jour que les cheminots".

Les sept syndicats de la RATP ont, pour leur part, décidé de ne pas se joindre dans l'immédiat à ce mouvement mais demandent au gouvernement de revoir sa réforme des régimes spéciaux de retraite. "Les syndicats de la RATP attendent des réponses précises du gouvernement en début de semaine prochaine", a annoncé en fin de journée un communiqué commun rédigé à l'issue d'une réunion des sept organisations. Si le gouvernement ne revoit pas sa copie, "les organisations syndicales s'engagent à créer les conditions d'une action plus longue dans un acte unitaire et interprofessionnel".

LA DIRECTION DE LA SNCF VEUT "APPORTER DES SOLUTIONS ADAPTÉES"

A la SNCF, la CFTC, la CGT, SUD-Rail, l'UNSA (autonomes), FO et la CFE-CGC ont appelé à la "grève nationale illimitée, reconductible par durée de vingt-quatre heures" à partir du mardi 13 novembre 20 heures. La Fgaac (conducteurs autonomes) a cependant indiqué qu'elle ne se joindrait pas au mouvement. Elle avait déjà créé la surprise au lendemain du jeudi 18 octobre, en se désolidarisant des autres syndicats après avoir obtenu satisfaction sur ses revendications. La CFDT-Cheminots, elle, décidera de sa réponse le 6 novembre.

La direction de la SNCF a répondu à cet appel en affichant sa"volonté" d'"apporter des solutions adaptées et négociées aux différentes questions soulevées par l'évolution des règles du régime". Un "cadrage concret" de ces négociations sera adressé dans les prochains jours aux syndicats. Ils porteront sur "l'aménagement des fins de carrière", les "évolutions salariales et de carrière", les "conditions de travail et [la] prise en compte des contraintes métiers", les "compléments de retraite" et l'"amélioration des couvertures prévoyance et des droits familiaux ou conjugaux", précise la direction.

Le Monde

Liberdade da imprensa

Observatório da Imprensa



O padre e os moços - Carlos Brickmann para o Observatório da Imprensa

Circo da Notícia - Coluna de 30 de outubro

Imaginemos, apenas para argumentar, que o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Menor de São Paulo, tenha contado a verdade inteira no caso de extorsão de que foi vítima. Imaginemos que as denúncias feitas pelos acusados de extorsão sejam mentiras inventadas apenas para que se defendam do crime.

Neste caso, mesmo que os meios de comunicação dêem o mais amplo espaço possível ao sacerdote extorquido e divulguem à exaustão as provas de que os acusados mentiram, a imagem pública do padre Júlio Lancelotti estará ferida. Sempre haverá os que leram as denúncias e assistiram às acusações e não a decisão final, os que ouviram dizer, os que acham que alguma coisa feia deve ter ocorrido.

O caso do sacerdote católico não é o único: a avalanche de denúncias torna impossível, para o consumidor de notícias, a elaboração de uma análise equilibrada dos fatos. Pior: em busca de prestígio, de holofotes, de promoção profissional, há autoridades que usam deliberadamente a imprensa para demonizar os alvos que escolheram. Não lhes importa que, ao final de tudo, demonstre-se que não havia culpa e que as acusações tinham sido injustas: o réu terá sido condenado pelo tribunal da opinião pública. E ai do juiz que, de acordo com as provas, ousar absolver alguém: será o pizzaiolo, o promotor dos criminosos.

Que fazer? A imprensa não pode fazer muita coisa: se as autoridades apresentam uma testemunha (mesmo que as histórias que narra depois se comprovem falsas), não pode esconder o fato. E, ao publicá-lo, contribui para que a reputação de uma pessoa que pode ser inocente seja destroçada.

Talvez a solução esteja em costumes estrangeiros que poderiam ser importados. Na Suíça, por exemplo, o processo penal corre em segredo – não se divulga sequer que há um processo contra alguém. Concluído o julgamento, se o réu for condenado, é divulgado então o processo inteiro.

É a melhor solução? Talvez sim, talvez não: é um caso a discutir, inclusive entre nós, jornalistas. O que não se pode é manter a situação atual, em que a reputação de um cidadão, não importa o seu passado, pode ser destruída por declarações, mesmo incorretas, de uma autoridade. Ou por depoimentos de bandidos.

Anonimato

A história contada pelo padre Júlio Lancelotti é difícil de aceitar. Não é impossível que ele tenha dado sabe-se lá quantas dezenas ou centenas de milhares de reais a alguns indivíduos, apenas pela esperança de que enxergassem a Verdade. Mas algumas das histórias que levantaram contra ele também são pouco palatáveis: por exemplo, uma mulher, anônima, que disse ter trabalhado com o padre e que o acusa de pedofilia. O depoimento foi imediatamente divulgado – mas, logo depois, a Polícia informou que não sabia ainda se a referida senhora tinha efetivamente trabalhado na ONG do padre.

Assim não dá: uma acusação dessa gravidade, num caso já de si explosivo, só pode ser espalhada se alguns pressupostos de que poderia ser verídica tivessem sido verificados. Mas não se sabe sequer se trabalhou onde disse ter trabalhado.

Salvadores do Universo

O caso do padre Júlio Lancelotti já é complicado se um dos lados for absolutamente inocente e seus acusadores totalmente mentirosos. Mas essa situação definidíssima normalmente não acontece – e aí pioram muito os dilemas dos veículos de comunicação. Os repórteres tendem a acreditar nas autoridades; e nem sempre as autoridades merecem esse crédito (aliás, os velhos e bons manuais de Jornalismo recomendavam não confiar em ninguém, especialmente nas autoridades).

Num caso recente, repórteres de grandes veículos declararam candidamente que não precisavam “ouvir o outro lado” porque as informações de que dispunham vinham de fontes oficiais, em que confiavam cegamente. Bom, poucas vezes houve tantas fontes oficiais coincidindo nas informações quanto no caso do assassinato de Vladimir Herzog pela ditadura militar: todas garantiam que ele havia se suicidado. E daí? Confiar em “fontes oficiais” dá menos trabalho. E os acusados devem mesmo ter feito alguma, ou não estariam nesta situação.

Citando o deputado Ibsen Pinheiro – ele, vítima de situação semelhante, em que foi linchado pela imprensa – difícil não é lidar com jornalistas mal intencionados (se bem que o problema também exista). Difícil é lidar com jornalistas bem intencionados, que acham que estão salvando o mundo.

A hora do foca

E há, ainda, o problema econômico: para gastar menos, alguns portais de Internet colocam estagiários no comando do noticiário. Eles, que nem chegaram ainda a ser focas, põem a informação no ar, sem checagem, sem chefia. A questão não é apenas a informação falsa: a garotada está fazendo estágio exatamente para aprender. Se não há quem os ensine, como aprenderão alguma coisa?

Demorou II: Gestão Kassab faz justiça a Marta, fecha acordo e vai manter contratos do lixo

A FIPE, instituto contratado pela administração Serra - Kassab da prefeitura de São Paulo para avaliar os contratos de lixo feitos pelo governo Marta Suplicy, concluiu que os valores contratados estavam corretos.

Segundo a Folha de São Paulo de hoje: "A Fipe foi contratada pela prefeitura -por R$ 945 milhões sem licitação-, em março de 2005 (a cifra deve ser um erro da Folha, não podem ter pago tanto), para refazer o cálculo do custo dos serviços prestados pelas empresas responsáveis pela coleta de lixo.
Serra pretendia usar o resultado do levantamento para demonstrar que os contratos estavam superfaturados.
Ainda na campanha eleitoral, em 2004, Serra disse que havia indícios de corrupção na licitação para a contratação das duas empresas que fariam a coleta de lixo por 20 anos a um custo total de R$ 9,8 bilhões.
Já no início de sua gestão, Serra determinou que a prefeitura desistisse dos recursos judiciais que impediam o cancelamento dos dois contratos e preparasse uma nova licitação.
A Fipe concluiu que os valores dos contratos estavam corretos"

Segundo a Folha, como o contrato tinha sido suspenso e as empresas liberadas de fazer os investimentos previstos durante esses três anos, a FIPE concluiu que elas deverão receber 17,31% a menos do previsto e foram autorizadas pela Prefeitura a adiar ainda mais os investimentos na implementação de coleta seletiva de lixo, na coleta em favelas e na construção de usina de compostagem.

O seja, a FIPE e a Prefeitura reconhecem que os contratos tinham preços corretos e que a campanha de insinuações, calunias e mentiras contra Marta Suplicy tinha um objetivo político: sujar a imagem dela e de sua administração. A mídia, que tão generoso espaço deu para essa campanha suja, vai dizer agora alguma coisa sobre isto?

O desconto acertado compensa os serviços adiados que exigiam investimento das empresas e que não foram feitos até agora, como a construção de novos aterros. Ao mesmo tempo, fica de novo adiada a coleta de lixo nas favelas, a coleta seletiva e a usina de compostagem, o seja quem continua pagando pela ruptura dos contratos é a população de São Paulo, em particular a mais pobre.

Luis Favre

Demorou I: Kassab e MP Estadual fazem justiça a Marta Suplicy

SP recua e refaz contrato do lixo

Consórcios aceitam receber só parte dos atrasados e Prefeitura prorroga prazo para obras

Eduardo Reina - O Estado de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo recuou da idéia de rescindir contratos e fez um acordo com as empresas de coleta de lixo para reformar o contrato de R$ 10 bilhões - e duração de 20 anos - firmado em 2003, durante a gestão de Marta Suplicy (PT). O novo contrato assinado ontem pela administração e pelos consórcios EcoUrbis e Loga demorou nove meses para ser acertado. Pelo documento, a Loga receberá valores atrasados de R$ 68 milhões e a EcoUrbis, de R$ 71 milhões. Tudo será parcelado em dez prestações sem juros, até o fim da gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Esses valores são referentes ao que a Prefeitura deixou de pagar às empresas desde fevereiro de 2005, logo após a posse do prefeito José Serra (PSDB). Os valores não repassados somam R$ 180 milhões para a EcoUrbis e R$ 190 milhões para a Loga. Também ficou definida nova tarifa mensal. A administração abre mão da realização imediata de alguns itens do contrato e as empresas cedem ao não receber o montante total da dívida existente.

'Nós tivemos de engolir. Três anos se passaram e, quando não se pode ter o melhor, fica-se com o que se pode receber', afirmou Luiz Gonzaga Pereira, presidente da Loga. Já o presidente da EcoUrbis, Ricardo Arcar, disse que 'não é exatamente o ideal, mas o acordo foi importante no sentido do restabelecimento da execução normal do contrato'. 'Por isso, aceitamos a forma com que a secretaria conduziu a negociação.'

Em agosto, os dois consórcios protocolaram na Secretaria de Serviços e Obras proposta de redução tarifária. O contrato original previa cerca de R$ 25 milhões mensais, mas desde 2005 a Prefeitura vem pagando R$ 17 milhões. A partir de agora, a EcoUrbis receberá R$ 21,6 milhões e a Loga R$ 20,6 milhões.

Juntamente com os novos valores, a Prefeitura aceitou adiar alguns investimentos previstos. Cláusulas de base como implementação de coleta seletiva de lixo, coleta em favelas e construção de usina de compostagem terão prazo de conclusão prorrogados. Está mantida a necessidade de investimento em um novo aterro sanitário para acomodar as 15 toneladas diárias de lixo produzidas na cidade, uma vez que os aterros atuais - Bandeirantes e São João - estão com capacidade esgotada. Também será colocado GPS (rastreador) em todos os 250 caminhões de coleta que atuam no território de São Paulo. 'Esse acordo é um meio termo para o que eles (empresas) querem e o que a gente quer', disse uma fonte da Prefeitura.

O acordo leva o nome de Termo de Ajuste Ambiental e tem revisão prevista para 2009, quinto ano de vigência do contrato original. Nessa ocasião, serão rediscutidos valores e metas, conforme prevê o documento inicial. Apesar da reforma contratual, a administração Kassab não abriu mão da ação que está no Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, que pede a anulação do contrato de 2003. O processo foi iniciado em 2005, pelo secretário de Negócio Jurídicos do Município Luiz Antonio Marrey, a pedido do ex-prefeito Serra. Pelo acordo fechado ontem, se o TJ decidir pelo cancelamento do contrato de 2003, o atual documento também ficará cancelado. A previsão é de que a tramitação dessa ação no tribunal demore pelo menos mais cinco anos.



MPE arquiva investigação sobre contratos de Marta

O Estado de São Paulo

O Conselho Superior do Ministério Público do Estado (MPE) decidiu pelo arquivamento do procedimento investigativo que apurava eventual superfaturamento de preços na licitação que escolheu em 2003 as empresas que prestam serviço de coleta de lixo na capital. A concorrência foi realizada no final da gestão da prefeita Marta Suplicy (PT). Os conselheiros se reuniram no dia 7 de agosto e deliberaram pelo arquivamento da ação, aberta pela Promotoria de Justiça e Cidadania. Eles acompanharam o promotor Eduardo Rheingantz, que em 31 de maio já havia promovido o fim do procedimento.

Foi considerado que “não há nos autos nenhum fato determinado, ou mesmo a mais remota suspeita, que indique a ocorrência de eventual superfaturamento da concorrência nº 19/SSO/2003”, escreveu o promotor em sua decisão. Leia mais aqui

O jornal O Estado de São Paulo continua a se fingir de morto

O jornal O Estado de São Paulo continua a se fingir de morto. Três dias atrás, conforme mostramos neste blog, um artigo de pagina inteira fazia apologia da "idéia" do Secretário de Assistência Social de Kassab, Floriano Pesaro, de criar o programa "Bolsa-Aluguel". O Secretário disse que a "idéia" lhe veio em Nova York, onde ele ainda se encontra. A peça "jornalística" omitia que esse programa existia, criado pela Marta Suplicy, e foi fechado pelo próprio secretário.

No mesmo dia da publicação do artigo laudatório mostrei com arquivos de diversos jornais a manipulação do secretário de Kassab. Ao dia seguinte idem (ver aqui no blog Refrescando a memória do Estadão e Administração Kassab, com ajuda do Estadão, vai até New York para descobrir o que a Marta já fez).

Até hoje, o Estadão não disse uma palavra, não publicou nenhuma carta e não fez nenhuma retificação.

Cometer erros, todo mundo comete. No jornalismo tem até uma palavra, "barriga", para designar esses erros. Não reconhecer esses erros faz parte do mau jornalismo. Aquele jornalismo que confunde informação com propaganda.

Para refrescar a memória do jornal paulista sobre o "Bolsa-Aluguel" reproduzo a seguir artigo do próprio Estadão com data 17 de março 2007.

Luis Favre

O Estado de São Paulo

Sem-teto seguem acampados em frente ao prédio da CDHU no centro de SP

Uma das reivindicações dos sem-teto é a inclusão no programa Bolsa Aluguel

Há 17 dias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto da Região Central (MTST-RC) e do Movimento de Defesa à Moradia (MDM) estão acampados em frente ao Edifício Cidade I, onde fica a sede da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), na altura do nº 176 da Rua Boa Vista, no centro da capital paulista.

No total são 160 pessoas, mas o protesto, nos últimos dias, vem sendo realizado na base do revezamento durante a madrugada. Eram 3 horas desta terça-feira e havia um grupo com cerca de 30 acampados, entre estes várias crianças. Todos exigem da CDHU - subordinada à Secretaria Estadual de Habitação - a disponibilização imediata de alojamentos para as famílias, que foram retiradas de prédios por elas invadidos nas região da Consolação (centro), Mooca (leste) e Butantã (oeste).

Os sem-teto afirmaram que, por volta da 0h30 desta madrugada, policiais militares e funcionários da Prefeitura teriam tentado retirá-los de lá e alguns objetos foram levados. Não houve confronto. Outra reivindicação dos sem-teto é a inclusão deles no programa Bolsa Aluguel - benefício concedido a famílias residentes em imóveis onde já existe intervenção de outros projetos habitacionais.


O programa é custeado pela Secretaria Municipal de Habitação (SMH) e cada contemplado recebe um subsídio de R$ 200 até R$ 300 durante 30 meses. Atualmente, 1.500 famílias recebem o auxílio e a Secretaria informou que não há previsão orçamentária para mais inclusões. A prefeitura frisou que não ampliará o número de beneficiários do Bolsa Aluguel este ano.

Cristina Kirchner: 'Um país como a Alemanha'



O GLOBO ENTREVISTA CRISTINA KIRCHNER

BUENOS AIRES.

Cristina Kirchner confessou, em sua primeira entrevista após ser eleita presidente, que sonha em transformar a Argentina num modelo de país exportador como a Alemanha, que gere uma economia mais competitiva, e disse que, nessa próxima etapa, com ela no poder, será fundamental a relação do país com o mundo. Numa entrevista a Joaquín Morales Solá, transmitida anteontem à noite no programa “Desde”, do canal Todo Noticias, a presidente eleita afirmou que o combate à insegurança se faz com um modelo econômico que gere empregos e antecipou que sua primeira medida será “o combate à pobreza”.

Joaquín Morales Solá Para La Nación - O GLOBO: Quais serão as principais medidas de seu governo?

CRISTINA KIRCHNER: Combate à pobreza. Aprofundar o combate ao desemprego, educação, saúde e todas as questões que têm a ver com melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e nos dar maior competitividade.

Os países mais competitivos têm sistemas de saúde e educação, um regime de produção social que pode dar conta da qualidade competitiva.

É isso o que falta à Argentina.

 Com qual país gostaria que a Argentina se parecesse? CRISTINA: Isso é antipático porque podemos ser muito bons se nos parecemos conosco mesmo. Temos um país com altíssimo nível de recursos humanos. Gostaria que fôssemos um país exportador como a Alemanha, com altíssimo grau de tecnologia, que é o que distingue. Creio que devemos fazer grandes coisas, sobretudo em agricultura e informática.

Estamos fazendo.

Qual será a sua política contra a inflação?

CRISTINA: Primeiro seria caracterizar exatamente o problema. Se acreditarmos que estamos diante da hiperinflação, estaremos errados. Houve uma supervalorização do tema, própria de um período eleitoral. Em matéria de inflação, estamos entre os 7% e 11% previstos para este ano no orçamento. O Fundo Monetário Internacional prevê 12,6%. Se há na oposição quem diga que estamos em 25%, isso não é sério. De qualquer forma, o governo enviou uma delegação aos Estados Unidos. Ninguém porá em dúvida a metodologia da primeira economia do mundo.

Já pensou na política de segurança? A capital terá sua polícia?

CRISTINA: O presidente, numa reunião com o governador eleito, Mauricio Macri, acertou que haverá uma lei para que a cidade de Buenos Aires tenha a sua polícia.

Os recursos não dependem do presidente.

Eu não concebo a segurança como um plano sem ter a ver com o modelo econômico vigente.

Planejar um projeto de segurança com um modelo econômico que tenha taxa de desemprego de dois dígitos é impossível.

Que avaliação faz da eleição?

CRISTINA: Esses 45% são muito importantes.

Foram um reconhecimento, mas não a mim. Creio que foram um reconhecimento à gestão do presidente Kirchner. Tampouco me sinto longe. Fui parte do projeto, mas ele foi a nau-capitânea.

A senhora ficou decepcionada com o voto dos centros urbanos?

CRISTINA: Creio que um centro urbano, por excelência, é Mendoza. É uma cidade com classe média muito forte. Ganhamos lá com vantagem.

Há classe média também em Gran Tucumán, onde vencemos, e em toda a área que circunda a capital.

Como será a sua relação com a imprensa?

CRISTINA: Se voltar a ser meio de comunicação e não de oposição, será perfeita.

E quais devem ser os países amigos?

CRISTINA: Todos. Não quero que tenhamos inimigos. Amigos íntimos? Temos que priorizar nosso lugar na América Latina, ampliar o Mercosul e o tema energia. A equação energética da América Latina é fundamental.

Que papel terá o presidente?

CRISTINA: É um animal político, que ama profundamente a política, seu país, e tem um grande compromisso com a Argentina. Sempre quis ser o melhor. O melhor advogado, o melhor governador. Está em sua natureza. Se entra numa corrida, quer ganhar. Eu também. É uma atitude diante da vida.

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'Bola e turismo: tudo a ver'

Foto: Ivo Gonzales / Agencia O Globo



Marta Suplicy *

O Estado de São Paulo

A Copa do Mundo pode trazer excelentes resultados para o turismo do Brasil, alavancando nosso país a uma melhor posição no ranking do turismo internacional. Os impactos econômicos e sociais do mega-evento se darão antes, durante e depois do seu acontecimento. A Alemanha, por exemplo, teve um crescimento de 2,3% em seu PIB por causa da Copa em 2006. Sem dúvida, o sucesso desse evento no Brasil depende de uma organização impecável no âmbito da infra-estrutura esportiva. Mas a participação do setor do turismo é o complemento necessário para o êxito da cobertura jornalística e do conforto dos torcedores. Para tudo isso acontecer, temos de planejar desde já. E, para tanto, o Ministério do Turismo contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para levantar todas as necessidades de intervenção.

O estudo da FGV se iniciará assim que houver a confirmação pela Fifa das sedes e subsedes. E o detalhamento guiará, com precisão, os investimentos prioritários, ordenará onde, como e quanto aplicar, para obtermos bons resultados no atendimento das demandas, bem como na destinação de tudo o que ficar para nós, além do espetáculo.

Com este estudo, saberemos quais são os recursos que teremos de gerar e quais as prioridades para investimento em cada cidade. Por exemplo, se Brasília for escolhida como sede, Goiânia poderá ser subsede. Também será necessário um atendimento mais qualificado nos estabelecimentos comerciais, bares e restaurantes. Sinalização turística, receptivos em aeroportos e apoio em outros meios de transporte são mais elementos que têm importância e fazem parte da estratégia de ação que precisa ser planejada sempre de acordo com as necessidades de cada um dos destinos selecionados.

Não pensamos cada localidade como uma simples sede ou subsede. Cada região é um destino para o Ministério do Turismo. Tem potencial irradiador de desenvolvimento econômico e social. Pensamos assim desde a concepção do atual Plano Nacional do Turismo (2007-2010), que já aponta para a prioridade de qualificarmos 65 destinos com padrão de qualidade internacional. E o que é o destino? É um roteiro dinâmico, integrado, inteligente e que faz, por exemplo, com que uma pessoa em férias no Maranhão, também vá ao Piauí e ao Ceará. É uma visão de que o Brasil é rico em diversidade, cultura, patrimônio histórico e tem potencial para atrair turistas estrangeiros e encantar, cada vez mais, os brasileiros.

Queremos ver a bola rolando em 2014, porque, além de realizar o sonho de receber povos dos cinco continentes numa confraternização sem igual, temos certeza que isso significará promoção da imagem do país, oportunidades de empregos, de aumento de renda e de inclusão social e mais condições de competitividade no mercado mundial. Estou numa torcida enorme, que se soma a dos demais brasileiros e brasileiras, para que 2014 seja um show de bola em todos os sentidos.

* Marta Suplicy é ministra do Turismo

Copa do Mundo de futebol tem estimativa de receita de US$ 10 bi

Brasil se cobre de verde e amarelo para Copa de 2014 Maracana










Economistas internacionais dizem que Mundial será benéfico ao País

João Caminoto, LONDRES

O Estado de São Paulo

Ao ser sede da Copa do Mundo de 2014, o Brasil poderá estimular sua economia por meio de volumosos investimentos oficiais e privados, domésticos e estrangeiros, em diversos setores, como o de construção, tecnologia, e serviços, que serão acompanhados pela geração de dezenas de milhares de empregos, causando um impacto positivo que persistirá durante muitos anos. Além disso, segundo analistas ouvidos pelo Estado, ao promover o evento mais importante da agenda esportiva global - a final da última Copa na Alemanha foi acompanhada por dois bilhões de telespectadores -, o Brasil terá uma oportunidade histórica de fortalecer sua imagem de “potência emergente”, exibindo avanços concretos na solução de seus problemas seculares.

O torneio, se bem sucedido, poderá até ajudar a reduzir ainda mais o risco Brasil, principalmente em aspectos como o da infra-estrutura e segurança pública, que ainda incomodam muito os investidores estrangeiros. “Sem dúvida, a Copa do Mundo é uma vitrine fabulosa, poderá revelar o Brasil para aqueles que ainda o desconhecem no mundo”, disse o chefe do departamento de risco da consultoria britânica Economist Intelligence Unit, John Bowler. “Se o País promover o evento com competência, poderá tirar lucros no longo prazo.”

Não existem números precisos sobre os benefícios econômicos de se organizar uma Copa do Mundo. Os dados que circulam entre analistas são freqüentemente questionados. O PIB da Alemanha teria aumentado em 0,5% por causa do evento em 2006. O governo alemão avalia que os efeitos positivos continuarão emergindo durante muitos anos. O país europeu gastou cerca de US$ 1 bilhão na construção ou renovação de sete estádios, mas apenas os cinco milhões de torcedores que compareceram aos jogos geraram um faturamento de US$ 3,7 bilhões.

Em 2002, o governo japonês foi muito criticado por ter arcado, em meio a uma recessão, com boa parte dos US$ 5 bilhões de gastos com infra-estrutura para montar o torneio, que organizou ao lado da Coréia do Sul. Mas estima-se que a Copa pode ter adicionado 0,6% ao PIB japonês, e 2,2% ao sul-coreano.

No caso da África do Sul, que abrigará a próxima Copa, em 2010, o volume direto adicional ao PIB é estimado em cerca de US$ 3,5 bilhões. Cerca de US$ 1,2 bilhão deve ir para os cofres do governo em forma de impostos extras. Pelo menos 170 mil novos empregos deverão ser criados. Cerca de 2,7 milhões de torcedores - sul-africanos e estrangeiros - devem comparecer aos estádios, resultando em faturamento de US$ 2,1 bilhões.

Para a Copa no Brasil, já há estimativas de uma receita direta entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. Para o economista Clint Waltz, da Universidade Troy, dos Estados Unidos, os benefícios de ser sede de um evento dessa magnitude não podem ser menosprezados. “Os impactos para a economia são tanto diretos como indiretos.”


NÚMEROS FABULOSOS

0,5% foi o aumento

no PIB da Alemanha com a realização da Copa de 2006

US$ 3,7 bilhões
foi o faturamento dos alemães com a presença de 5 milhões de torcedores no evento

170 mil empregos
devem ser criados na África do Sul com a Copa de 2010

2,7 milhões
de torcedores devem ir aos estádios na África do Sul

terça-feira, 30 de outubro de 2007

"O patria mia" da opera Aida de Verdi cantado por Leontyne Price

"Une Coupe du monde au Brésil, c'est comme aller en pèlerinage à La Mecque, à Saint-Jacques-de-Compostelle ou à Jérusalem"

La Fédération internationale de football (FIFA) a officiellement confié l'organisation de la Coupe du monde de football 2014 au Brésil, lors d'une réunion de son comité exécutif, mardi 30 octobre, à Zurich, en Suisse. En vertu de principe de rotation (qui va désormais être abandonné), c'était au tour de l'Amérique du Sud d'organiser l'événement, et la confédération sud-américaine (Conmebol) n'avait pas présenté d'autre candidat. Le Brésil était donc sûr d'être désigné depuis que sa candidature avait reçu l'aval de la délégation technique de la FIFA, mi-octobre.


Quintuple champion du monde, le Brésil n'a accueilli l'événement qu'une seule fois, en 1950, et sera le premier pays d'Amérique du Sud à accueillir le Mondial depuis l'Argentine en 1978. Seul pays à s'être qualifié pour toutes les Coupes du monde (18) et seul pays à avoir emporté cinq fois le trophée, il succèdera à l'Afrique du Sud, qui doit organiser l'épreuve en 2010.

"COMME UN PÈLERINAGE À LA MECQUE"

"Une Coupe du monde au Brésil, c'est comme aller en pèlerinage à La Mecque, à Saint-Jacques-de-Compostelle ou à Jérusalem. Pour un footballeur, la Coupe du monde au Brésil, voilà ce qui la représente le mieux. C'est formidable", s'est réjoui Michel Platini, membre du comité exécutif de la FIFA et également président de l'UEFA.

Le président de la Confédération brésilienne Ricardo Teixeira a indiqué, lors de la présentation du dossier mardi, qu'il s'agissait d'une "grande joie et une conquête historique pour le pays et le peuple brésilien." M. Teixeira a aussi insisté sur "l'impact tant au niveau social qu'économique", puisque "la Coupe du monde laissera un héritage permanent", notamment avec des améliorations annoncées dans le domaine du transport, de la santé, des égouts et de l'épuration des eaux, ainsi que dans la sécurité.

Le dossier de candidature prévoit notamment la rénovation du mythique stade du Maracana, où avait eu lieu la finale du Mondial en 1950 et la construction de stades dans le nord du pays, région moins développée que le sud. Les recettes de billetterie ont été budgétées à 390 millions de dollars, pour 3 millions de billets. Mais il faudra certainement des tarifs différenciés pour les étrangers et les Brésiliens, très nombreux à vivre dans la pauvreté, alors qu'ils sont le principal moteur de la passion du football qui anime le pays.

Governo Lula amplia financiamento com recurso do FGTS para classe média

ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

O Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) decidiu flexibilizar as regras e liberar o financiamento com recursos dos fundos para os trabalhadores que ganham mais de R$ 4.900 e possuam conta vinculada. Essa regra terá início em janeiro de 2008 e, além disso, o limite do valor do imóvel para os cotistas foi ampliado para R$ 350 mil, sendo que o empréstimo pode chegar a R$ 245 mil.

O objetivo da decisão, tomada hoje em reunião do conselho, é beneficiar parte dos titulares dessas contas vinculadas que antes não eram atendidos por outros financiamentos com recursos do FGTS, voltados para habitação popular. Os limites anteriores eram renda de até R$ 4.900 e valor máximo do imóvel de R$ 130 mil.

Nessa nova linha, o conselho disponibilizou R$ 1 bilhão para o ano que vem, com taxa de juros de 8,66% ao ano e prazo de pagamento em até 360 meses (30 anos), prazo máximo dos empréstimos feitos por meio da Caixa Econômica Federal.

Para ter acesso a esse financiamento, o trabalhador deve ter contribuído no mínimo três anos sob o regime do FGTS e saldo na conta vinculada de no mínimo 10% do valor de avaliação do imóvel. Como nos demais financiamentos, esse trabalhador não pode ser proprietário de imóvel residencial no município que reside e nem deter financiamento no SFH (Sistema Financeiro de Habitação) em qualquer cidade do país.

Neste ano, o conselho já havia decidido conceder um desconto de meio ponto percentual na taxa de juros para os cotistas que comprassem um imóvel com recursos do FGTS. A medida, que também terá início em janeiro, não será aplicada à nova faixa de empréstimo criada hoje.

Nas demais linhas de financiamento, que incluem também os trabalhadores que não possuem conta junto ao FGTS, as faixas de financiamento permanecem as mesmas. O limite aprovado para a habitação popular no orçamento de 2008 é de R$ 5,4 bilhões.

O orçamento total do FGTS em 2008 será de R$ 11,64 bilhões, contra os R$ 11,2 bilhões aprovados para este ano.

Juros mais baixos

A taxa de juros com recursos do FGTS são menores do que aquelas do SFH, que têm como fonte de recursos os depósitos em poupança. Nesses empréstimos, os juros podem chegar a 12% ao ano mais a TR (taxa referencial).

O conselho curador tomou a decisão de flexibilizar as regras em um momento em que o fundo tem um saldo elevado. Hoje, se todos os trabalhadores zerarem suas contas, o superávit será superior a R$ 20 bilhões.

O saldo elevado motivou o governo a criar neste ano o FI-FGTS (Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Esse fundo terá ao menos R$ 5 bilhões do patrimônio líquido do FGTS que será aplicado em obras de infra-estrutura. Está previsto ainda que em cerca de dois anos os trabalhadores possam aplicar até 10% do saldo de sua conta vinculada nesse fundo.

CPI QUER INVESTIGAR DIFERENÇA DE TARIFA NO PEDÁGIO


O deputado estadual em São Paulo, Rui Falcão (PT), propõe a instalação de uma CPI para investigar os pedágios no Estado (clique aqui). Ele precisa de 32 assinaturas e já conseguiu 23.

Rui Falcão disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira, dia 30, que um dos objetivos da CPI é investigar a diferença entre as tarifas dos pedágios de São Paulo e das rodovias federais, que foram leiloadas no início de outubro (clique aqui para ouvir o áudio).

“Eu quero investigar a razão da disparidade dos contratos atuais e das tarifas atuais de pedágio diante das tarifas que serão fixadas nas rodovias federais. E, com isso, eu estaria, na verdade, ajudando o Governo Serra, que vai leiloar cinco rodovias estaduais e provavelmente pedagiar o Rodoanel, a ter tarifas mais acessíveis aqui em São Paulo”, disse Rui Falcão.

O deputado Rui Falcão destacou que os pedágios das rodovias paulistas são entre seis e sete vezes mais caros que os pedágios das rodovias federais. Para ir de São Paulo a Belo Horizonte, por exemplo, o motorista paga R$ 8,00 de pedágio. De São Paulo a Ribeirão Preto, o pedágio custa R$ 36,00.

Rui Falcão disse que a CPI também deve investigar a prorrogação dos contratos com as concessionárias de pedágio. Segundo ele, os contratos foram prorrogados na metade da vigência do contrato atual.

Leia a íntegra da entrevista com Rui Falcão:

Paulo Henrique Amorim – Deputado, o que o senhor quer discutir com essa CPI?

Rui Falcão – Duas coisas. Primeiro, a explicação da prorrogação dos contratos das atuais concessões rodoviárias. Por que, antes da metade do prazo de conclusão, o Governo Alckmin / Lembo, no apagar das luzes, prorroga os contratos das concessionárias alegando desequilíbrio econômico e financeiro a favor das empreiteiras? Pelos resultados que a gente vê, elas tiveram lucros assombrosos. Então essa explicação não me convence. Segundo, eu quero investigar a razão da disparidade dos contratos atuais e das tarifas atuais de pedágios diante das tarifas que serão fixadas nas rodovias federais. E, com isso, eu estaria, na verdade, ajudando o governo atual, o Governo Serra, que vai leiloar cinco rodovias estaduais e provavelmente pedagiar o Rodoanel, a ter tarifas mais acessíveis aqui em São Paulo. E quem sabe até podendo rever os contratos extorsivos que estão em vigor nas rodovias já pedagiadas. Então esse é o objetivo da CPI, Paulo Henrique.

Paulo Henrique Amorim – Qual é a diferença entre o pedágio que será cobrado nas rodovias que serão exploradas agora pelo grupo OHL espanhol e o pedágio cobrado hoje em São Paulo?

Rui Falcão – Bom, quase de seis a sete vezes, dependendo do trecho. A OHL está oferecendo um pedágio de até R$ 1,00 por quilômetro. Aqui em São Paulo nós temos uma disparidade de quase seis vezes. Para você ter uma idéia, a rodovia federal que liga são Paulo a Belo Horizonte, são cerca de 600 quilômetros, terá pedágios no valor total de R$ 8,00, enquanto a estrada paulista que liga São Paulo a Ribeirão Preto, que é a metade do trajeto, administrada pela própria OHL, tem pedágios que o usuário a desembolsar R$ 36,00. Então esse é um exemplo...

Paulo Henrique Amorim – Quer dizer que sair de São Paulo para Belo Horizonte custa R$ 6,00 e para ir de São Paulo para Ribeirão custa R$ 36?

Rui Falcão – Não, R$ 8,00 contra R$ 36,00.

Paulo Henrique Amorim – R$ 8,00 contra R$ 36,00.

Rui Falcão – Exato.

Paulo Henrique Amorim – Quase cinco vezes.

Rui Falcão – Não, e pela mesma empresa. E com uma diferença que as rodovias de São Paulo, quando foram pedagiadas, já eram as melhores estradas do país. E as rodovias federais, com anos de abandono de sucessivos governos, estão, na sua grande maioria, deterioradas. Então o investimento para manutenção é muito maior do que aquele que foi feito aqui em São Paulo.

Paulo Henrique Amorim – Quantos deputados já assinaram o seu pedido de CPI e quantos precisa?

Rui Falcão – (Tenho) 23 e precisa 32. Mas, na verdade, eu vou começar a coleta de assinaturas para valer hoje. Porque sexta e segunda são dias de pouca freqüência aqui, então eu me concentrei na bancada do PT, do PSOL e de um deputado do PV, o Major Olímpio. E hoje eu vou procurar as lideranças dos outros partidos, inclusive mostrando o meu ânimo, que não é um ânimo de politicagem ou de desgaste, mas de contribuir para que a gente possa reduzir a tarifa de pedágio em São Paulo. Porque é bom para o contribuinte que usa as estradas, é bom para quem paga indiretamente a tarifa nos preços das mercadorias e é bom para quem transporta produção ou para aqueles que produzem também e fazem a distribuição através de caminhões nas nossas estradas.

Low Buzz May Give Mice Better Bones and Less Fat

The New York Times

Clinton T. Rubin knows full well that his recent results are surprising — that no one has been more taken aback than he. And he cautions that it is far too soon to leap to conclusions about humans. But still, he says, what if ... ?


FAT Abdominal scans of two mice show subcutaneous fat (gray) and visceral fat (red). The vibrated mouse, right, has less of both.

And no wonder, other scientists say. Dr. Rubin, director of the Center for Biotechnology at the State University of New York at Stony Brook, is reporting that in mice, a simple treatment that does not involve drugs appears to be directing cells to turn into bone instead of fat.

All he does is put mice on a platform that buzzes at such a low frequency that some people cannot even feel it. The mice stand there for 15 minutes a day, five days a week. Afterward, they have 27 percent less fat than mice that did not stand on the platform — and correspondingly more bone.

“I was the biggest skeptic in the world,” Dr. Rubin said. “And I sit here and say, ‘This can’t possibly be happening.’ I feel like the credibility of my scientific career is sitting on a razor’s edge between ‘Wow, this is really cool,’ and ‘These people are nuts.’”

The responses to his work bear out that feeling. While some scientists are enthusiastic, others are skeptical.

The mice may be less fat after standing on the platform, these researchers say, but they are not convinced of the explanation — that fat precursor cells are turning into bone.

Even so, the National Institutes of Health is sufficiently intrigued to investigate the effect in a large clinical trial in elderly people, said Joan A. McGowan, a division director at the National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases.

Dr. McGowan notes that Dr. Rubin is a respected scientist and that her institute has helped pay for his research for the past 20 years, but she does caution against jumping to conclusions.

More...

Is This the End of News?

Even a guy burned by one failed Internet start-up can't resist the idea that this latest technology—like Linotype, TV, and cable before it—could remake the news. So here goes Newser.com, the author's attempt to rescue a common narrative of public life.

by Michael Wolff - Vanity Fair - October 2007

In every newsperson, not just Rupert Murdoch, there's the dream of owning a newspaper—my paper. This retro dream is why, for the past six months, every Wednesday morning, I've been on a conference call about the subject of software design and digital engineering as it relates to the news. Although the discussion is specifically about how to make the news exciting (come on, guys, if it bleeds it ledes), it is often as tedious an hour as any I remember from high-school math. I've been able, however, using the mute button, to shower during these calls.

Illustration by Barry Blitt.

The call gathers its participants from Chicago, Boston, Silicon Valley, and New York. On the one side are the newspeople—including, along with me, former New York–magazine editor Caroline Miller, former managing editor of the St. Paul Pioneer Press Ken Doctor, and various writers and reporters I've dragooned—and on the other side, the software engineers and their marketing counterparts from a technology company called Highbeam Research, which owns one of the largest news databases in the world (50 million articles). Highbeam has kindly agreed to put up the seed money to let us start our news … what? Not paper, not show, not screen, not portal (nobody says that anymore)—a news something in digital form. More...

Copa de 2014 deve atrair 500 mil turistas estrangeiros ao País

A delegação brasileira com o Presidente Lula em Zurique. Brasil sede da Copa em 2014


Brasília (30/10) - A ministra do Turismo, Marta Suplicy, que faz parte da comitiva do presidente Lula, em Zurique, na Suíça, para acompanhar o anúncio da realização da Copa de 2014, se pronunciou sobre a escolha do Brasil: "O evento, com certeza, é uma excelente oportunidade para o Brasil se projetar ainda mais no exterior, bem como para estimular o crescimento econômico, inclusive com mais viagens pelo próprio país”, disse a ministra.

Marta Suplicy afirma que: "Para construir o sucesso, além de trabalhar por uma organização impecável na infra-estrutura esportiva, vamos ter de planejar desde já as ações e investimentos em tudo que se relaciona a recepcionar mais pessoas. Pensar em rede hoteleira renovada, para atender torcedores, jornalistas, atletas e dirigentes, em todas as sedes e subsedes do evento; mais qualidade no atendimento dos estabelecimentos comerciais, bares e restaurantes. Também planejar e colocar sinalização turística, fazer receptivos em aeroportos e apoio em outros meios de transporte. E, fundamentalmente, capacitar nosso pessoal que trabalha em toda a cadeia produtiva do turismo".

Para planificar essas ações, o Ministério do Turismo está contratando um estudo com a Fundação Getúlio Vargas para levantar todas as necessidades de intervenção para a Copa. Fonte Portal do Minist'erio de Turismo


Marta já espera 500 mil turistas estrangeiros em 2014


Allen Chahad
Vagner Magalhães
Direto de Zurique
Portal Terra



A ministra do Turismo, Marta Suplicy, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista por telefone ao Terra, que espera pelo menos 500 mil turistas estrangeiros no Brasil durante a provável realização da Copa do Mundo de 2014. A Fifa deve oficializar o País como sede do Mundial na próxima terça-feira, em Zurique, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Marta estará no evento, na comitiva do governo brasileiro.

Denílson, do Arsenal, atuará como
garoto-propaganda em Londres

"Estamos muito satisfeitos com a indicação do Brasil para a realização da Copa do Mundo de 2014. O trabalho a partir de agora é divulgar os destinos turísticos brasileiros, já que certamente crescerá o interesse pelo País no exterior. Esse é um evento que coloca o País em evidência em todo o mundo", disse.

A primeira medida nesse sentido deverá ser durante a World Travel Market (Feira Mundial do Turismo), que será realizada entre os dias 12 e 15 de novembro em Londres. Na ocasião, o jogador Denílson, que defende o Arsenal, atuará como garoto-propaganda brasileiro no evento. O jovem atuou nas categorias de base do São Paulo e foi negociado com o time londrino após poucas atuações entre os profissionais.

"Vamos aproveitar essa feira, já com o anúncio oficial, para iniciar a divulgação do Brasil no exterior com o apelo da Copa do Mundo. Muita gente vai ficar interessada em vir ao Brasil antes do Mundial, para conhecer, e voltar durante a competição", disse a ministra.


Brasil, sede do Mundial em 2014

A idea de organizar uma Copa do Mundo naceu no mesmo dia em que se fundou a FIFA, em 21 de maio de 1904, mas só foi realizada em 1930. O primeiro mundial foi no Uruguai.

Blog argentino Antilogicas: Frida Khalo

El círculo, de Frida Kalho.


Un Frida Kahlo fuera de lo común, difícil de identificar en el marco de una obra personalista, de marca íntima.

Frida Kahlo (Méjico, 1907-1954) es una super valorada pintora que basa su producción en el autorretrato, por así decirlo, de sus muchos padecimientos, con el aporte del arte popular mexicano.

En realidad, su vida se pareció bastante a una novela y a una pesadilla. Frida nació en Coyoacán, en el sur de Ciudad de México. A los 16 años resultó gravemente herida en un accidente de camión y comenzó a pintar durante su recuperación. En 1929 se casó con el reconocido pintor Diego Rivera. Influida por la obra de su marido, adoptó el empleo de zonas de color amplias y sencillas plasmadas en un estilo deliberadamente ingenuo, quería que su obra fuera una afirmación de su identidad mexicana y por ello recurría con frecuencia a técnicas y temas extraídos del folklore. Más adelante, la inclusión de elementos fantásticos, claramente introspectivos, la libre utilización del espacio pictórico y la yuxtaposición de objetos incongruentes realzaron el impacto de su obra, que llegó a ser relacionada con los surrealistas.

Este es un bello ejemplo de lo atípico en Kalho, ideal para los argentinos de hoy, dispuestos a ser gobernados por un cuerpo, una sensibilidad y una inteligencia femeninas.

Administração DEM-PSDB anula efeito do Bilhete Único em São Paulo

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Refrescando a memória do Estadão

Ontem o jornal O Estado de São Paulo publicou uma peça de ficção publicitária anunciando o programa "Bolsa - Aluguel", inspirado em Nova York, da Administração Kassab. Ignorando que o programa já existia e foi criado por Marta Suplicy, o jornal passava sobre silêncio que ele tinha sido fechado pelos atuais ocupantes da Prefeitura. (ver Administração Kassab, com ajuda do Estadão, vai até New York para descobrir o que a Marta já fez ).

A seguir reproduzimos uma reportagem dos aspirantes a jornalistas da Folha de São Paulo sobre este tema publicado em 8 de dezembro de 2006. A diferença entre peça publicitária e jornalismo salta aos olhos.

Treinamento Folha


Folha Online



Novo em Folha 42ª turma

08/12/2006

Fim de programa habitacional força vai-e-vem por SP

Término do Bolsa Aluguel em 2007 e acesso difícil a ações do poder público cria "novos nômades" à busca de casa

Moradora chega a se mudar uma vez a cada um ano e meio; proprietário reclama de atrasos e de não receber bolsas de dezembro de 2004

BÁRBARA CASTRO
ESTÊVÃO BERTONI
DA EQUIPE DE TREINAMENTO

Os 30 meses do Bolsa Aluguel estão no fim. Com a decisão da Prefeitura de São Paulo de abandonar o programa assim que a última bolsa vencer, no primeiro semestre de 2007, as 1.387 famílias beneficiadas hoje temem retomar uma antiga rotina: perambular pela cidade atrás de um novo teto.

Renato Stockler - 2.dez.2006/Folha Imagem

VIZINHANÇA HISTÓRICA Ivanete de Araújo no corredor do prédio em que mora no Brás; o local abriga outras pessoas que recebem o benefício e fica próximo ao edifício São Vito, que pressionou votação do programa

VIZINHANÇA HISTÓRICA Ivanete de Araújo no corredor do prédio em que mora no Brás; o local abriga outras pessoas que recebem o benefício e fica próximo ao edifício São Vito, que pressionou votação do programa

Das 12 pessoas atendidas pelo programa ouvidas pela Folha, todas disseram não ter condições de pagar aluguel. Sem local onde morar, vão engrossar os índices do déficit habitacional da cidade, hoje de 509 mil casas, segundo a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo).

Em outubro deste ano, com o fim dos 30 meses de bolsa, Ivanete de Araújo pensou que voltaria a morar na rua. Desempregada, divorciada e mãe de três filhos, ela só permaneceu sob o mesmo teto graças à decisão da prefeitura de estender o programa por mais 120 dias.

Esses quase três anos foram os primeiros em que a ex-bóia-fria conseguiu morar em São Paulo sem dividir o mesmo espaço com outras pessoas, desde que chegou à cidade, em 1989.

Já viveu como agregada no subsolo de uma oficina mecânica, passou por quatro cortiços (um na Vila Guarani e três na Aclimação) e decidiu se juntar ao movimento dos sem-teto quando se viu com os filhos debaixo do viaduto Glicério. "Eu não agüentava mais morar na rua. Ali, se você não for esperto, não sobrevive", diz.

Habitou também dois prédios que foram reapropriados e, depois de ser despejada com outros sem-teto de um edifício na rua Ana Cintra, chegou a passar um tempo em uma garagem emprestada. Foi de lá que ela saiu para morar no Brás, em um apartamento pago com os recursos do Bolsa Aluguel.

Julia Moraes - 25.nov.2006/Folha Imagem

SEM CASA COM A CAUSA GANHA A diarista Merabi Pereira de Santana na rua do abrigo provisório onde mora, no Canindé; mesmo com a garantia judicial, ela não consegue alugar um apartamento utilizando o Bolsa Aluguel

SEM CASA COM A CAUSA GANHA A diarista Merabi Pereira de Santana na rua do abrigo provisório onde mora, no Canindé; mesmo com a garantia judicial, ela não consegue alugar um apartamento utilizando o Bolsa Aluguel

Em fevereiro, quando vence o prazo do programa, Ivanete deverá se mudar pela 11ª vez em 18 anos. Sua esperança é ganhar na Justiça o direito de morar novamente no prédio da Ana Cintra, reformado pela CDHU.

"Nem que eu tenha que catar latinha para chegar à renda que eles pedem", diz.

Mas ganhar na Justiça pode não significar a conquista de um teto. Desde janeiro deste ano, a diarista Merabi Pereira de Santana carrega na bolsa a garantia judicial que obriga a prefeitura a lhe pagar, mensalmente, o benefício.

Em outubro de 2004, ela assinou o contrato para receber a ajuda. Em janeiro de 2005, alugou um apartamento, mas quando tentou usar a bolsa, a Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação) se recusou a cumprir o acordo. Resultado: endividou-se com o proprietário.

Depois de entrar com uma ação na Justiça, Merabi teve o direito à bolsa garantido, mas não conseguiu alugar um apartamento, pois a prefeitura parou de oferecer garantias de fiador às imobiliárias, como três meses de aluguel adiantado.

Passados mais de dois anos, Merabi, já em sua 5ª casa, vive hoje em uma moradia provisória no Canindé. "Eles [prefeitura] dizem que vão te dar uma cama no albergue, comida de albergue, e de preferência lá na periferia; e você vai ficar escondida, porque, para eles, você não tem condições de ser um cidadão, de ter autonomia", diz.

Bruno Miranda - 27.nov.2006

VILA DOS IDOSOS A aposentada Jandira Ferreira da Silva na sala de sua quitinete, na av. Ipiranga, centro de São Paulo; com o fim da bolsa, ela tem esperança de ser encaminhada para uma vila de idosos

VILA DOS IDOSOS A aposentada Jandira Ferreira da Silva na sala de sua quitinete, na av. Ipiranga, centro de São Paulo; com o fim da bolsa, ela tem esperança de ser encaminhada para uma vila de idosos

Para o secretário municipal de Habitação, Orlando de Almeida Filho, as moradias provisórias seriam uma opção viável para quem vai deixar de receber a bolsa e não tem condições de pagar um aluguel, como no caso da aposentada Jandira Ferreira da Silva, 73.

Sustentada por dois salários mínimos, ela mora em uma quitinete na av. Ipiranga, no bairro da República. Como o valor da bolsa é menor do que o do aluguel, Jandira tira do próprio bolso o que falta e paga R$ 50 de condomínio, que considera caro.

Sem filhos ou parentes que possam ajudá-la, não faz idéia para onde possa ir. "Com minha aposentadoria, ou eu como ou eu pago aluguel. Estou procurando lugar para trabalhar, mas, com 73 anos, ninguém me aceita", diz.

Com o fim próximo da bolsa (vence em março de 2007), a auxiliar de serviços Darci de Oliveira considera o trabalho extra a única saída para conseguir saldar os aluguéis. Para pagar as contas e sustentar o filho estudante, de 18 anos, e o pai, aposentado e deficiente visual, de 92 anos, Darci vende cosméticos fora do expediente.

"Estou até procurando um trabalho noturno, no período entre 18h e 1h, não me importo de trabalhar, o importante para mim é poder garantir as despesas básicas", diz.

Bolsas atrasadas

As reclamações sobre o Bolsa Aluguel não partem apenas de quem está prestes a perder o benefício. Proprietário de um edifício na alameda Barão de Piracicaba, no centro de São Paulo, José Mário Guilherme diz que a Cohab não pagou os aluguéis de dezembro de 2004.

"A prefeitura não pagou dezembro e descontou o valor da bolsa-calção, que é a fiança", diz. Outra reclamação diz respeito às últimas parcelas que venceram. Com 35 inquilinos recebendo a bolsa, José Mário diz que a Cohab só pagou, no último mês, 31 aluguéis, e com atraso. "O aluguel vence no dia dois de novembro e o pagamento só caiu no dia 29", conta.

Procurada pela Folha entre os dias 5 e 7 de dezembro, a Cohab não respondeu sobre as queixas dos beneficiários.

"Acho engraçado que os mais arrogantes do país reclamem da arrogância de Cristina", diz ministro de Kirchner

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Voto oposicionista de grandes centros irrita ministro


FERNANDO CANZIAN

Folha de São Paulo
ENVIADO ESPECIAL A BUENOS AIRES

Os estratos mais pobres da população argentina foram os maiores responsáveis pela vitória de Cristina Kirchner e de seus aliados no domingo. Em cidades maiores e ricas, como Buenos Aires, Córdoba e San Luis, Cristina perdeu. Nas Províncias mais pobres do interior, principalmente no Nordeste e no Norte, venceu com ampla margem.
As urnas confirmaram a má vontade que a classe média argentina ainda guarda em relação a Néstor Kirchner. Mas recompensaram amplamente o forte assistencialismo que marcou a sua gestão, com profusão de programas e verbas sociais.
A Argentina de 2007 repetiu o Brasil de 2006. No ano passado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve o apoio maciço de eleitores mais pobres do Nordeste e Norte, mais atendidos pelos benefícios sociais. Mas teve de enfrentar um segundo turno contra Geraldo Alckmin (PSDB) por causa do eleitorado do Sul e Sudeste.
Diante da nova derrota do kirchnerismo em Buenos Aires, o chefe-de-gabinete da Presidência, Alberto Fernández, reconheceu que "a classe média definitivamente não confiou em Cristina". E disse que os portenhos deveriam "deixar de votar e pensar como uma ilha".
Referindo-se aos eleitores da capital argentina, acrescentou: "Acho engraçado que os mais arrogantes do país reclamem da arrogância de Cristina".
Em Buenos Aires, venceu a candidata a presidente da Coalizão Cívica, Elisa Carrió, com quase 38% dos votos. Cristina ficou com 24%. Em Córdoba, liderou Roberto Lavagna, com 35%. Cristina teve 24%.
Já na Província do Chaco, no Nordeste e a mais pobre do país, Cristina atingiu 50% dos votos, mais da metade do que foi dado a Lavagna, que ficou em segundo com 22%. Em Salta, no Norte, Cristina teve 74%, contra 12,5% de Lavagna.
Medidas voltadas às parcelas mais pobres dos argentinos foram decisivas para pavimentar a vitória de Cristina. Em termos absolutos, ela teve quase 8,2 milhões de votos -venceu a eleição com o apoio de pouco mais de 30% dos 27 milhões de eleitores aptos a votar na Argentina. Cerca de 28% desse eleitorado não votou.
Neste ano eleitoral, Néstor Kirchner ampliou em 45% os gastos estatais, cortou impostos dos trabalhadores que ganham menos, aumentou o valor das aposentadorias e subsidiou setores que empregam mais gente com salários menores, como a construção civil.
Em Províncias pobres como o Chaco, os índices de pobreza ainda estão em 50%, mas a maior parte dos pobres é atendida por programas sociais públicos que doam, no mínimo, 150 pesos (R$ 83) por indivíduo ou família.
Todo esse "pacote de bondades" foi financiado por um "calote branco" que Kirchner vem aplicando desde janeiro na dívida pública do país. Seu governo manipula os índices de inflação e utiliza o dado para remunerar os credores -ou seja, paga menos do que deveria. Boa parte desses credores também pertence à classe média.
O crescimento econômico de 51% nos anos Kirchner terminou por beneficiar os estratos mais pobres. Sete entre cada dez novos empregos formais criados na Argentina entre 2003 e 2007 saíram de setores que pagam 20% menos do que a média do setor privado.

Marta Suplicy abre a Feira das Américas da Associação dos Agentes de Viagem destacando o crescimento do turismo brasileiro

Ministra do Turismo, Marta Suplicy, visitou na tarde desta quarta-feira (24) o estande da Secretaria de Estado do Turismo e da Paraná Turismo na Feira das Américas (Abav 2007), que acontece até o dia 27 no Riocentro, Rio de Janeiro. Marta Suplicy experimentou o barreado, prato típico da comida paranaense, acompanhada pelo secretário do Turismo do Paraná, Celso de Souza Caron, e pelo presidente do Convention & Visitour Bureau de Curitiba e diretor da Serra Verde Express, Adonai Arruda. Foto:Divulgação



Crise aérea rouba a cena na Abav

Presidente da entidade, João Martins Neto, criticou o governo; Marta Suplicy, desta vez, evitou a polêmica

Natália Zonta - O Estado de São Paulo

A crise aérea brasileira foi o tema predominante das discussões na Feira das Américas da Associação dos Agentes de Viagem (Abav 2007). Na abertura, o presidente da entidade, João Martins Neto, não poupou críticas ao governo federal. 'O caos e a incerteza que dominam o setor são resultado de uma série de problemas estruturais - e não decorrentes da falta de órgãos de fiscalização', disse Neto. 'Nosso País cria órgãos que não cumprem suas tarefas.'

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, preferiu evitar polêmica e vestiu a camisa do tema do evento, Turismo: A Força de Reação. O tom de seu discurso foi otimista. 'Pouco a pouco, recuperamos a credibilidade da aviação.' A ministra fez questão de assistir até o fim à apresentação de mais de uma hora dos bois de Parintins - neste ano, a Abav elegeu um Estado patrono, o Amazonas.

A feira reuniu 700 expositores nos pavilhões 3,4 e 5 do Riocentro, e atingiu recorde de público, com 23.701 visitantes, 3,84% a mais que no ano passado. A Abav 2008 já está marcada para 22 de outubro, no mesmo espaço. Desta vez, o Estado patrono será Santa Catarina.

EXPECTATIVA

Segundo Marta, a arrecadação com a vinda de turistas estrangeiros deve ser recorde em 2007. 'Pelos nossos cálculos, vamos fechar o ano com mais de US$ 4,9 bilhões.'

Uma das prioridades do governo, agora, é a campanha publicitária para promover o Brasil nos Estados Unidos, na qual serão gastos US$ 6 milhões. Marta também aguarda que o BID libere empréstimo de US$ 1 bilhão para investir na infra-estrutura e na capacitação dos Estados. O primeiro programa lançado por Marta, o Viaja Mais Terceira Idade, deve ser ampliado, beneficiando trabalhadores e estudantes.

A presidente da Embratur, Janine Pires, seguiu o discurso de Marta e disse que os esforços serão concentrados na divulgação do País no exterior. Os destinos: Rio, Foz do Iguaçu, Amazonas e todo o Nordeste.

ACORDO

A Abav foi palco de um acordo entre os agentes de viagem e a TAM. No primeiro dia, a companhia aérea anunciou que vai voltar a pagar a comissão de 10% aos agentes. O valor só não será repassado quando a compra for feita pela internet e não representar custo adicional ao passageiro. Em 2001, a comissão caiu para 7% nos vôos nacionais e 6% nos internacionais.

João Martins Neto se despediu da Abav. Ele disse que não vai tentar a reeleição e já aceitou um convite para ser secretário de Turismo do Maranhão, no próximo ano.

Fifa confirma hoje Brasil como sede da Copa e CBF exalta governo Lula

O Estado de São Paulo

Na apresentação, a entidade brasileira vai celebrar ações de combate à fome e investimentos previstos no PAC

Jamil Chade e Leonêncio Nossa

Zurique - A Fifa vai oficializar hoje a escolha do Brasil como país-sede da Copa de 2014. Marcada para as 9h30 no horário de Brasília, a apresentação do Comitê Organizador, preparada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), vai misturar futebol e política. Um vídeo preparado pelos brasileiros vai mostrar pontos positivos do País, como as belezas naturais e a infra-estrutura turística. Serão exaltados também feitos do governo Lula, como as ações de combate à pobreza e os investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O anúncio oficial da escolha do Brasil será feito pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, às 12 horas, e será acompanhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Blatter e o restante da cúpula da Fifa dizem apostar num bom trabalho do Brasil, que foi o único país a se candidatar para sediar o Mundial de 2014. Os dirigentes do futebol muncial alertam, porém, que a realização da Copa de 2014 não pode - e não deve - servir para uso político.

Em jantar anteontem com governadores, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valke, advertiu claramente que o torneio não pode ser associada a projetos políticos. O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, disse que a Fifa quer um torneio apolítico. “O recado é claro: a Copa do Mundo não pode estar a serviço de ninguém”, disse. O governador do Amazonas, Eduardo Braga, ressaltou que o torneio deverá ser um projeto “suprapartidário”.

Por causa da rivalidade entre os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, que Braga acabou sendo escolhido para falar em nome dos 12 governadores que estão em Zurique para garantir jogos da Copa em seus Estados. Braga afirmou que foi o escolhido por representar a Amazônia, região que desperta fascínio no exterior. “Vou usar galho de arruda, vela de um metro e tomar banho de sal grosso”, brincou, referindo-se ao desejo de outros governadores de ocupar a tribuna na solenidade.

A delegação brasileira que prepara a candidatura realizou ontem seu ensaio geral. O Estado teve acesso ao vídeo que será utilizado para convencer os membros da Fifa. Ao som de samba e imagens do País, o filme garante que o PAC vai trazer mais de US$ 60 bilhões em investimentos até 2010 e insiste no crescimento econômico do Brasil. Com a Copa, a estimativa é de que os investimentos sejam ainda maiores.

BRILHO

O material ainda mostra os programas sociais do governo e como a pobreza está sendo atacada no País. O evento não passa de uma formalidade e, entre a apresentação do Brasil e a decisão a Fifa, reserva apenas 30 minutos de deliberações. “O Brasil quer um papel central no mundo”, destaca o documentário mostrado pelo Comitê Organizador da Copa. “Esse é o Brasil que brilha fora dos campos.”

Outro foco da apresentação será o cuidado com a proteção ao meio ambiente. O Comitê Organizador da Copa, montado pela CBF, vai vender a idéia de luta para se neutralizar a emissão de gás carbônico. A Amazônia é mostrada como santuário e os problemas de queimada e desmatamento nem sequer são citados. “A Amazônia tem um apelo forte internacionalmente”, afirmou Eduardo Braga.

No total, o Brasil terá meia hora para mostrar a candidatura. Segundo a CBF, as reformas e construções de estádios custarão US$ 1,2 bilhão. Os hotéis exigirão investimentos de US$ 500 milhões. Os responsáveis pela apresentação serão o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o escritor Paulo Coelho, que insistirá que os brasileiros são “pessoas trabalhadoras”.

Beneficiado politicamente na festa de anúncio do país-sede da Copa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só falará após Joseph Blatter oficializar o evento no Brasil. Lula e Blatter participam de uma coletiva de imprensa na sede da Fifa.

O atacante Romário, que ganhou o título de embaixador do Mundial de 2014, afirmou ontem, ao chegar a Zurique, que o Brasil precisa resolver problemas como a falta de segurança. E disse esperar que nenhum político use o evento para tirar proveito pessoal.

Delegação numerosa traduz expectativa com a Copa do mundo de futebol

Governo Federal

Luiz Inácio Lula da Silva
Marta Suplicy, ministra do Turismo
Orlando Silva, dos Esportes

Governadores

Binho Marques (Acre)
Eduardo Braga (Amazonas)
Jaques Wagner (Bahia)
Cid Gomes (Ceará)
José Roberto Arruda (DF)
Alcides Rodrigues (Goiás)
Blairo Maggi (Mato Grosso)
Aécio Neves (Minas Gerais)
Ana Júlia Carepa (Pará)
Eduardo Campos (Pernambuco)
Sérgio Cabral (Rio de Janeiro)
José Serra (São Paulo)

Poder Legislativo

Marconi Perillo, senador (Goiás)

Os representantes da CBF

Romário, jogador
Paulo Coelho, escritor
Dunga, técnico da seleção
Rodrigo Paiva, assessor
Ricardo Teixeira, presidente

"Woman power"


LA NUEVA CAMADA DE MUJERES POLITICAS Y PRESIDENTAS DEMOCRATICAS

Clarín

Cristina se suma al "woman power", que ya exhibe su sello por el mundo
Vienen avanzando en lugares clave del planeta. Tienen un denominador común: la educación superior.

Por: Daniel Juri

Tal vez, haya llegado la hora de hacer cambios urgentes en el diccionario. En la larga lista de acepciones de la palabra "mujer", dice la Real Academia Española, en su vigésima segunda edición: "Mujer pública: prostituta".

Otra definición: "Mujer de gobierno: Criada que tenía a su cargo el gobierno económico de la casa". Como siempre, la lengua termina yendo un paso más allá que las academias. Y hoy, para el común de la gente, mujeres públicas, mujeres de gobierno son Angela Dorotea Kasner, Hillary Rodham, Cristina Fernández o Mamá Sirleaf . Y es que, a pesar de que a las tres primeras se las conozca por el apellido de sus maridos y a la cuarta con el más femenino de los apodos, se trata, nada menos, que de mujeres de todo el mundo que pasaron a ser emblema del "woman power", un fenómeno que amenaza con sacudir, también, hasta la última letra del diccionario.

La primera de estas mujeres es la poderosa jefa del gobierno alemán, Angela Merkel; la segunda, Hillary Clinton, la candidata demócrata que amaga con instalarse en la Casa Blanca y no, esta vez, para redecorarla como primera dama, sino para dirigir los destinos de la primera potencia del mundo. La tercera es Cristina Fernández de Kirchner, elegida ayer presidenta de los argentinos. Luego, le sigue Ellen Johnson Sirleaf, verdadero emblema de este arranque del siglo XXI, quien el año pasado se convirtió en la primera mujer presidenta de Africa. No solo eso: ganó las elecciones en Liberia con un 59,4 por ciento de votos y se hizo cargo de un país desgarrado por una guerra civil. Encima, pudo con la política y hasta con un fetiche masculino: venció en las urnas a un ex futbolista llamado George Weah.

A las poderosas de este mundo contemporáneo parece unirlas un denominador común: la educación superior. Fueron las aulas del siglo XX las que, en definitiva, les dieron a la mujer el instru mento fundamental para pelear lugares, por ejemplo, dentro del "old boys club" de EE.UU., como se llama a ese coto cerrado que, históricamente, produjo candidatos presidenciales a destajo, siempre hombres. Con su acceso a la educación superior, la mujer pudo liberarse hasta de ese viejo mito religioso que le endilgó durante siglos la causa del pecado original. Ese mito por el que solo Eva y una serpiente (femenina) fueron expulsadas del Paraíso. "Soy socialista, agnóstica, separada y mujer", dijo a poco de asumir el gobierno la presidenta chilena Michele Bachelet.

Merkel es científica, Hillary era una abogada exitosa cuando su marido llegó a presidente. Cristina también es abogada y un cuadro político de peso surgido de las filas del peronismo. La africana Sirleaf es una economista licenciada en Harvard. También salió de esa universidad estadounidense la abogada laboralista Tarja Jalonen, que ya va por su segundo mandato en Finlandia. Bachelet es médico cirujana y pediatra.

En el otro extremo del planeta, la economista Gloria Arroyo, actual presidenta de Filipinas -que lidia en su país contra la corrupción, la guerrilla y el terrorismo- compartió alguna vez las aulas con Bill Clinton, en la Universidad de Georgetown. Vaira Vike Freiberga, la presidenta de Letonia se doctoró en Psicología en Canadá. Es traductora de español y habla francés, inglés y alemán, además de letón, claro.

Profesionales, políticas exitosas, verdaderas damas, femeninas -cada una con su estilo- y lejos, muy lejos todas ellas, de esa imagen masculinizada que instaló la hoy anciana baronesa Margaret Thatcher, ex primer ministro británica, una famosa dama de hierro.

Prefeito eleito de Bogotá diz que Lula e Cristina são suas referências

Valor

AP
O esquerdista Samuel Moreno, eleito prefeito da capital colombiana, Bogotá

O prefeito eleito de Bogotá, Samuel Moreno, se diz mais à esquerda do que a social-democracia e toma Lula e Cristina Kirchner como exemplos. Leia abaixo os principais trechos da entrevista dada ao Valor ontem, em que ele fala sobre segurança pública e sobre o quadro político do país após as eleições de domingo. (SL)


Valor: Que reflexo essas vitórias da esquerda trarão para o futuro da esquerda na Colômbia?


Sergio Moreno Há um avanço importante, se não dos candidatos do Pólo, de muito próximos, afins do que pensamos.


Valor: Como o sr. se define politicamente?


Moreno Sou de esquerda democrática. Mais à esquerda que a social-democracia [ri].


Valor: Qual a referência mais forte para a esquerda na América Latina, Lula ou Hugo Chávez?


Moreno Lula e, agora, Kirchner, Cristina, sim.


Valor: Usaram contra sua candidatura manifestações de apoio das Farc. Qual o papel da esquerda democrática na negociação com a guerrilha?


Moreno Nunca me senti mencionado [quando criticavam de candidatos apoiados pela guerrilha], porque as pessoas me conhecem. Sempre tive uma posição de rechaço à luta armada. Rechaçamos em declarações os atos de violência contra a população civil e, ao mesmo tempo, defendemos o diálogo e um acordo humanitário para superar o conflito e obter a liberação das pessoas seqüestradas.


Valor: Como prefeito de Bogotá, o segundo posto político mais importante do país, o senhor pretende ter um papel nessa negociação?


Moreno Claro, meu antecessor, Lucho Garzón, foi promotor importante do acordo humanitário, e nós incluímos essa proposta, essas idéias em nosso programa de governo. Sensibilizar a cidadania e fazer ações para chegar ao acordo. É importante que nós, prefeitos, possamos exercer uma liderança para esse tema.


Valor: Uma das peças mais importantes de sua campanha foi a construção do metrô de Bogotá, algo que interessa a empresas como as brasileiras, que constroem metrôs no continente. O Brasil está entre os países com quem o sr. pretende levar esse projeto à frente?


Moreno Toda colaboração internacional que possamos conseguir, especialmente dos países da América Latina, será bem vinda. Já há sistemas integrados de transporte de massa, há metrô integrado, sabem como operá-los, como se estruturaram, como financiá-los. Vamos precisar de ajuda, e a experiência internacional é chave.


Valor: Já há experiência brasileira no metrô de Caracas.


Moreno E em São Paulo. Vamos tomar todas as ações para conseguir recursos, estrutura, financiamento e experiência para tornar realidade nosso programa de governo. Há muitos projetos de metrô na América Latina, o do México, de Santo Domingo, de Brasil, Venezuela, Chile, Argentina. Quero conhecer de perto a experiência que tiveram. O mandato que nos entregaram foi exatamente para tomar todas as medidas para concretizar esse metrô.


Valor: Bogotá terá recursos para isso?


Moreno Sim, Bogotá é numa cidade imensa, tem recursos importantes, que geram a quarta parte do PIB da nação. Para cá vêm mais de 40% dos investimentos diretos estrangeiros na Colômbia. E boa parte das exportações saem daqui. A cidade é hoje o principal centro de negócios da área andina.


Valor: Por que a questão da violência não foi tão importante nessa campanha como na passada?


Moreno As pessoas ainda se preocupam com a segurança. Eu diria que há avanços significativos na redução de homicídios e furto de veículos, mas, ao mesmo tempo, há uma percepção de insegurança nas ruas, roubos, furtos, e aí temos de adotar ações importantes para melhorar a percepção de segurança na cidade. Aqui há uma política de desarme, cerca de 60% dos delitos em Bogotá são com arma de fogo, e estamos interessados em liderar uma proposta de desarme, levantada pelo atual prefeito Garzón. Que as armas sejam exclusivas das forças públicas.

Uribe sofre sua pior derrota em eleição local na Colômbia

Sergio Leo

Valor

As eleições estaduais e municipais na Colômbia, neste domingo, impuseram uma grande derrota ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, com a vitória impressionante da oposição na disputa pelo segundo posto mais importante da política colombiana, o de prefeito da capital, Bogotá. Mas é o próprio vencedor, Samuel Moreno, do esquerdista Pólo Democrático Alternativo, o primeiro a dizer que é errado acreditar que o resultado afeta seriamente as chances de Uribe e seus aliados nas eleições para a Presidência da Colômbia em 2010.


Uribe vem sendo fortemente criticado - e até ameaçado de processo judicial pela oposição - por seu forte engajamento na campanha eleitoral. No dia da votação, deu declarações contra Moreno, insinuando que ele teria ligações com a guerrilha das Farc, sem citar o nome do candidato.


Apesar de a economia colombiana seguir em franca expansão (o PIB deve crescer mais de 6% este ano), Uribe vive o momento mais difícil de sua Presidência, com acusações de infiltração dos paramilitares de direita em seu governo e com o fracasso, por enquanto, de sua principal aposta em política externa, o acordo de livre comércio com os EUA, ainda não ratificado pelo Congresso americano. Ainda assim, a aprovação ao presidente segue alta, perto de 70%, segundo as últimas pesquisas.


A derrota de candidatos de Uribe e a vitória da esquerda ou de candidatos independentes em capitais importantes como Bogotá, Medellín, Cali e Catagena, foi em parte compensada pela vitória de forças conservadoras, de partidos tradicionais ou ligados à direita, na maioria das disputas pelos governos dos Departamentos (os Estados) na Colômbia.


Somados, os tradicionais partidos Liberal e Conservador elegeram 14 dos 32 novos governadores, e o Partido da U, do presidente Uribe, elegeu quatro, o terceiro melhor resultado.


"Nenhum partido pode dizer que teve uma vitória rotunda, a maioria dos candidatos eleitos pertencia a alianças, algumas muito heterogêneas", comentou, ao Valor, o diretor do centro de análises Seguridad y Democracia, Alfredo Rangel. A eleição em Bogotá é uma vitória inquestionável da esquerda, mas, em outras localidades, a maioria dos eleitos por partidos independentes estão no centro ou até à direita do espectro político, diz o analista, um dos mais conceituados da Colômbia.


O país, até a Constituição de 1991, era obrigatoriamente bipartidário e, nos anos 50, resolvia à bala disputas entre os partidos Liberal e Conservador. Hoje a Colômbia tem, em seu cenário político, coalizões de forças sem clara identidade partidária, o que provocou o festival de alianças esdrúxulas nos departamentos e municípios. Houve casos de candidatos apoiados, ao mesmo tempo, pelo partido de Moreno e pelo de Uribe.


O Pólo, que elegeu só um governador, é uma coalizão das principais forças de esquerda colombianas, com predominância do centro-esquerda. O próprio Moreno não tem muita afinidade com o correligionário e atual prefeito de Bogotá, Luiz Eduardo Garzón, sempre comparado a Lula por sua origem sindical e estilo político.


Neto do único ditador que houve na Colômbia (o general Gustavo Rojas Pinilla), filho de uma influente política, Moreno foi senador e é um político de grande popularidade no país.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Paris Je t'aime - Pigalle

Paris Je t'aime - La Même Histoire (Final)

Administração Kassab, com ajuda do Estadão, vai até New York para descobrir o que a Marta já fez

Com a maior cara de pau, o jornal O Estado de São Paulo, em companhia de Floriano Pesaro, secretário municipal de Gilberto Kassab, tenta ludibriar os leitores, anunciando como novidade, desde Nova York, um programa que Marta Suplicy implantou em São Paulo.

No artigo que reproduzimos a seguir, o jornal paulista promove o programa "Bolsa-Aluguel" como sendo um projeto futuro da atual administração, inspirado na viagem do titular da pasta de Assistência Social a Nova York.

Uma simples consulta aos arquivos do próprio jornal, ou da Folha de São Paulo, teria evitado o constrangimento da peça publicitária e os gastos da viagem. Os leitores ficariam sabendo, assim, que a Administração Kassab fechou o programa "Bolsa-Aluguel" e foi obrigado, por decisão judicial, a manter, contra seu desejo, o pagamento das famílias acolhidas pelo programa de Marta Suplicy.

Vale a pena ler os considerandos da Justiça, em reportagem publicada na Revista Consultor Jurídico (5 de setembro de 2007):

"O Tribunal de Justiça de São Paulo limitou a prorrogação do programa Bolsa Aluguel às famílias que recebem o benefício há mais de 30 meses. O programa foi criado pela Prefeitura paulistana e é dirigido a pessoas com renda de um a dez salários mínimos. A determinação vai beneficiar 1.473 famílias e cerca de 6.000 pessoas.

A decisão é da 1ª Câmara de Direito Público, que entendeu que a liminar de primeira instância foi além do pedido feito pelo Ministério Público. Para a turma julgadora, a Promotoria reclamava a prorrogação do benefício e não a retomada do programa social.

Os desembargadores analisaram recurso da Prefeitura (Agravo de Instrumento) contra a liminar do juiz Emilio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública. O juiz argumentou que as políticas públicas de habitação popular são insuficientes para atender a procura e que o critério adotado pelo Município exclui determinados grupos ou cidadãos. O fundamento serviu para prorrogar o prazo do programa habitacional.

Ele apontou a ineficiência administrativa, o descaso do governo com direitos básicos, a incapacidade do poder público de gerir seus recursos, a incompetência para implementar o orçamento e a falta de visão política dos administradores. Ele entendeu também como indevido o pedido do Ministério Público Estadual de aplicação de multa para o caso de descumprimento da liminar. Para ele, a multa traria prejuízo aos próprios contribuintes.

E mais: deu prazo de 15 dias para que a Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) e a Prefeitura paulistana cumprissem a decisão. Insatisfeito, o Município entrou com recurso no Tribunal de Justiça. Sustentou que a interrupção do benefício era resultado do poder discricionário da administração e, por isso, não caberia a interferência do Ministério Público ou do Judiciário.

A turma julgadora entendeu que a prorrogação do benefício habitacional para as famílias que aderiram ao programa, aliada a realidade de que essas pessoas têm pouca instrução, é medida que se impõe à prefeitura. “Aqui não se há de falar em discricionariedade. Mas sim de cumprir aquilo que foi prometido aos participantes do programa”, defendeu o relator, Franklin Nogueira.

A liminar foi reclamada pelo Ministério Público Estadual em uma Ação Civil Pública. O MP queria prorrogar o programa para as famílias beneficiadas por mais de 30 meses até que a Prefeitura fosse capaz de oferecer habitação definitiva àqueles incluídos no programa “Bolsa Aluguel”.

O Programa Bolsa Aluguel foi implantado na gestão Marta Suplicy (PT) e operado pela Cohab, com previsão de duração de 30 meses. O benefício é dirigido a famílias com renda de um a dez salários mínimos. O atendimento prioritário é aos moradores de áreas sujeitas à intervenção de programas da Política Municipal da Habitação."

Quando a turma dos Demos fechou o programa, o próprio Estadão noticiou as manifestações dos Sem-Teto, exigindo a manutenção do "Bolsa-Aluguel". Agora, com a maior desfaçatez, nos anunciam a grande descoberta trazida dos "States".

Parece uma daquelas famosas fotografias das quais Stalin apagava seus desafetos, para reescrever a história. Só que aqui são muitos os que têm memória.

Reproduzo, a seguir, uma entrevista feita pelos trainees da Folha com o deputado Paulo Teixeira em 8 de dezembro de 2006, tratando em profundidade do programa "Bolsa-Aluguel" e demonstrando o caráter retrógrado da tentativa de acabar com esse programa.

Os trainees deram uma "lavada" no jornalismo "chapa-branca" da matéria do Estadão. Talvez, voltando a ler, o jornal recupere a amnésia estampada no artigo de hoje (reproduzido depois da entrevista).

Luis Favre


Entrevista com o vereador Paulo Teixeira (PT), ex-secretário de Habitação de São Paulo

DA EQUIPE DE TREINAMENTO FOLHA - A Secretaria Municipal de Habitação disse que não vai renovar o Bolsa Aluguel. A maioria das pessoas atendidas não tem como se sustentar e não sabe o que fazer. A quem elas devem recorrer?

PAULO TEIXEIRA - O que eu sugiro é que essas pessoas procurem o Ministério Público, ou a Defensoria Pública, e exijam seus direitos. A Prefeitura de São Paulo assinou um acordo com essa população na gestão passada. Ao não renovar o Bolsa Aluguel, a prefeitura está indo para a ilegalidade. Fizemos o programa com muito esforço, foi tudo discutido com especialistas para resolver o problema de habitação. Não renovar a bolsa após esses 30 meses pode ser uma tragédia.

FOLHA - Mas o programa não se resumia apenas a pagar R$ 300 por 30 meses?

TEIXEIRA - Não, a intenção era solucionar o problema de habitação. No convênio que tínhamos com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), era prevista a construção de moradia no Bresser, no Belém, a reforma do São Vito. Aprovamos também a Carta de Crédito no Conselho Municipal de Habitação. O Bolsa Aluguel era um subsídio importante dentro da política habitacional. Os programas habitacionais no Brasil são sempre concebidos como aquisição da propriedade. O Bolsa Aluguel não; é um subsídio. A prefeitura tem que responder se essas pessoas atendidas deixaram de necessitar do benefício, se elas saíram do critério de inclusão no programa. Ao meu ver, há uma pura desarticulação do programa habitacional na cidade. A cidade está hoje sem política habitacional.

FOLHA - O Bolsa Aluguel pode ser considerado um programa assistencialista?

TEIXEIRA - Não, é um programa de habitação, inserido nas políticas públicas de habitação, para uma população de baixa renda. Todos os países do mundo têm subsídios habitacionais. Geralmente, quando você coloca o subsídio na política habitacional, ele é um subsídio colocado de uma só vez, num montante alto. O Bolsa Aluguel é colocado a prazo, num montante pequeno.

FOLHA - Mas não havia no programa mecanismos para solucionar o problema de habitação dentro do prazo. Não havia nada que aumentasse a renda das pessoas, para que elas deixassem de depender do Estado.

TEIXEIRA - É a prefeitura que está inadimplente com essas pessoas. Ela deixou de dar essas condições. Essas pessoas estão na demanda da prefeitura, e a prefeitura está tentando se livrar dessa demanda.

FOLHA - Se o Bolsa Aluguel pretendia resolver a situação das pessoas e não conseguiu, é possível afirmar que o programa foi um fracasso?

TEIXEIRA - Não, o Bolsa Aluguel não foi um fracasso. O Bolsa Aluguel é um programa bem-sucedido. O fracasso está na política habitacional da atual administração. Ela está abrindo mão de um bom instrumento. Eu acho que o resultante disso é encontrar mais gente na rua. Isso vai aumentar a população de rua na cidade de São Paulo. Quem vai deixar de receber o benefício deve procurar imediatamente o Ministério Público, que deve abrir uma ação judicial exigindo o cumprimento do Bolsa Aluguel, sua renovação e o atendimento definitivo dessas famílias. Assim como o Ministério Público, a Defensoria Pública também pode ir à Justiça exigindo o cumprimento de uma política habitacional. A atual administração entrou numa política liberal de deixar as pessoas à sua própria sorte. Num país como o nosso, essa política tem um nome: é a rua. Vai aumentar a população de rua. Isso é um despejo que a prefeitura está fazendo, abrindo mão de suas responsabilidades.

FOLHA - A atual administração diz que cumpriu os 30 meses _e vai cumprir os acordos que ainda restam_ e que, nesse tempo, as pessoas atendidas deveriam ter procurado condições para não mais depender da bolsa.

TEIXEIRA - O problema do atual secretário municipal é que ele não leu os acordos que foram feitos. O instrumental do Bolsa Aluguel tinha como objetivo resolver problemas gravíssimos de risco na cidade de São Paulo. A visão dele não se sustenta a um questionamento judicial. É por isso que estou sugerindo às pessoas irem à Justiça. É uma violência o que eles estão praticando.

FOLHA - Por que o Bolsa Aluguel veio apenas no último ano da gestão passada? Quando o programa foi aprovado, o senhor não via perigo dos contratos não serem cumpridos com a mudança de governo?

TEIXEIRA - Primeiro, a bolsa foi lançada por meio de uma lei. Foi uma lei aprovada na Câmara. Teve maioria quase que unânime. Era um programa público. Segundo: dizia respeito a situações gravíssimas de risco. Ou não havia risco no São Vito? Quem é atendido pelo Bolsa Aluguel? Ex-moradores do São Vito, do Ana Cintra, de albergues, de rua. Foi um programa maravilhoso, de qualificar a vida das pessoas para além da solução coletiva e de médio prazo. Coletiva são os albergues e de médio prazo são as construções habitacionais. O Bolsa Aluguel teve a qualidade de manter as pessoas no centro da cidade, porque elas têm a vida aqui, estão organizadas aqui. É um belo programa, tanto que muitas prefeituras estão replicando o Bolsa Aluguel. Você vê isso no Rio de Janeiro, em Osasco, no ABC, em Guarulhos, em Suzano. Tem um monte de gente replicando o Bolsa Aluguel porque muda o conceito de habitação como propriedade. Você faz um desembolso pequeno, de imediato, e dá tempo de casar com a produção habitacional, que é demorada. Eu acho trágico o que eles estão fazendo.

FOLHA - Para o secretário municipal de Habitação, é difícil para a população de baixa renda se manter no centro, pois os aluguéis são geralmente caros. O senhor concorda com essa visão?

TEIXEIRA - Primeira coisa que quero dizer: essa visão vai na contramão de todas as políticas habitacionais do mundo, que defendem que as pessoas residam onde tem infra-estrutura. O Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) tem um estudo recente demonstrando que pessoas com o mesmo nível de escolaridade que vivem em distintos lugares da mesma cidade têm condições de vida diferenciadas. Por exemplo: o pobre que vive no centro tem condições de estudar mais, tem expectativa de vida maior, tem uma alimentação melhor, os filhos vão estudar mais.

FOLHA - Mas não é mais caro para ele?

TEIXEIRA - Você precisa dar soluções habitacionais para as pessoas de baixa renda. Essa idéia do que é mais caro, é uma visão liberal, é uma visão de mercado. Para o pobre, não é mais caro, é mais barato. Por que é mais barato? Primeiro: ele não tem que pegar condução. Segundo: ele tem escolas menos lotadas do que ele teria na periferia. Ele tem mais equipamentos de saúde do que teria na periferia. Ele tem mais transporte, menor desgaste físico. Outra coisa: o custo social de uma pessoa morar longe do centro é maior. Você tem que prover transporte, tem que fazer escola onde não tem escola. Quais são os maiores índices de criminalidade na região de São Paulo? Capão Redondo, Jardim Ângela, Grajaú, Cidade Tiradentes. São os extremos, exatamente pela falta de Estado. Os menores índices de criminalidade estão no centro. Por quê? Porque essas pessoas têm trabalho perto, têm uma oferta de trabalho magnífica, não gastam para tomar condução _que está ficando mais cara_, vão a pé para o trabalho. As escolas do centro têm menos turnos do que as escolas da periferia. A qualidade de vida para o pobre no centro é melhor do que na periferia e o custo social e ambiental de morar longe _muitas vezes as pessoas vão morar na serra da Cantareira, na beira de uma manancial_ é muito maior. É um equívoco essa visão.

FOLHA - Temos um caso de uma senhora de 72 anos que ganha dois salários mínimos e vai perder a bolsa. Perguntamos ao secretário municipal que destino ela poderia ter. Ele respondeu que essa senhora poderia ser encaminhada para um albergue. O senhor considera essa a melhor solução?

TEIXEIRA - É um erro. A realidade tem demonstrado que as soluções individuais são melhores que as soluções coletivas. Na casa dessa senhora, ela tem individualidade, ela tem o seu espaço organizado. Nos espaços coletivos de albergue, você tem que conviver com pessoas de diferentes situações. Tem muita gente que prefere morar na rua do que no albergue, por conta das condições da moradia coletiva. É um equívoco dizer que a solução para esse caso é procurar um albergue. Todas as sinalizações do atual secretário remetem ao passado, não ao futuro. São visões ultrapassadas da realidade das políticas públicas.

FOLHA - O senhor considera a Carta de Crédito uma boa solução?

TEIXEIRA - A Carta de Crédito é uma boa solução. O governo municipal tem uma boa articulação com o governo estadual. A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Estado de São Paulo) tem condições de operar esse jogo. O secretário municipal da Habitação está com a faca e o queijo na mão, mas com idéias atrasadas.

FOLHA - Muitas pessoas conseguem a Carta de Crédito, mas como o valor é baixo _e proporcional à renda_ não conseguem encontrar uma casa.

TEIXEIRA - A minha opinião é que o Bolsa Aluguel ainda é o melhor programa. Uma pessoa idosa, de dois salários mínimos. Você vai dar uma Carta de Crédito para ela comprar um imóvel. Uma Carta de Crédito custa R$ 20 mil. É muito melhor dar subsídio para o aluguel dela. Ela vai ter problema de renda, talvez o tempo de pagamento não corresponda ao tempo de vida. Se o Estado banca o subsídio para o aluguel, você dá uma tranqüilidade muito maior para a pessoa.

FOLHA - Das atuais políticas de habitação, quais delas o senhor vê como positivas?

TEIXEIRA - A política da atual administração é mera continuidade da política da administração anterior. Todas as favelas que estão sendo urbanizadas foram projetadas e contratadas pela administração anterior. É a mesma situação com todos os conjuntos habitacionais que estão sendo feitos: começaram na gestão passada. A única diferença é que, onde eles pararam os programas, eles estão errando, como no caso do Bolsa Aluguel. O que quero dizer é: o que eles estão fazendo é o que deixamos contratado, e eles estão parando programas importantes. A cidade carece de um programa habitacional adequado.

FOLHA - A integração entre governo municipal, estadual e federal é apontada como uma boa medida para o sucesso de políticas habitacionais. O fato das administrações estarem nas mãos de partidos diferentes atrapalha?

TEIXEIRA - Não atrapalha. Parte dos recursos da urbanização de favelas e dos prédios que estão sendo reformados no centro são do governo federal. É o caso do Hotel São Paulo. Foi reformado, e a parte que ainda não foi feita cabe ao governo municipal. (Folha de São Paulo 8/12/2006).


A seguir o artigo do jornal O Estado de São Paulo de hoje

SP cria 'bolsa aluguel' para morador de rua e estuda projetos de Nova York
Projeto já aprovado por conselho prevê subsídio de até R$ 300 para locação de apartamento, mas exige contrapartida
Camila Viegas-Lee, NOVA YORK
São Paulo ganha por ano mil moradores de rua, 60% deles concentrados na região central. A cada quatro abordados pelos agentes sociais, só um aceita ir para albergues. Diante das dificuldades do modelo atual de atendimento, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social aposta em outra estratégia: criou um tipo de “bolsa aluguel” para subsidiar a locação de apartamentos para quem hoje está nas ruas, mas tem renda de, pelo menos, 2 salários mínimos. Programa semelhante já é adotado em Nova York, visitada na semana passada pelo secretário Floriano Pesaro, que conheceu projetos para a população de rua.O Programa Parceria Social já foi aprovado pelo Conselho Municipal de Habitação e teve as normas publicadas no Diário Oficial da Cidade em fins de setembro. Ele prevê a concessão de subsídio de até R$ 300 por mês para o aluguel de um apartamento. Os principais beneficiados devem ser idosos, mulheres em situação de risco com filhos - que já sofreram violência nas ruas - e deficientes.Os candidatos precisarão oferecer contrapartidas, como pagar despesas de água, luz e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e depositar 5% do rendimento em cadernetas de poupança. A Prefeitura vai exigir dos beneficiados que tiverem filhos comprovantes de freqüência escolar.Na visita a Nova York, patrocinada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Pesaro conheceu um programa de “bolsa aluguel”, o Advantage New York.Ele foi criado pelo Departamento de Serviços de Moradores de Rua da prefeitura (DHS, na sigla em inglês) para evitar que famílias sejam despejadas, além de incentivar moradores de albergues a se mudarem para apartamentos comuns.O programa garante o pagamento do aluguel por 12 meses, com a possibilidade de renovação por mais 12. O beneficiado precisa trabalhar no mínimo 20 horas semanais e depositar de 10% a 20% da renda na poupança. No fim do ano, o DHS devolve o dinheiro, em dobro.Pesaro afirmou ter visto mais semelhanças que diferenças na população de rua das duas cidades. Assim como em São Paulo, disse, a grande maioria dos moradores de rua de Nova York sofre de distúrbios mentais, é formada por homens e nasceu fora da cidade. Muitos são dependentes de álcool e drogas, egressos de prisões e estão desempregados. Uma população que, no caso dos americanos, cada vez menos recebe tratamento nas ruas - e aqui começam as diferenças em relação a São Paulo. “Demorou para a gente perceber isso, mas os serviços são muito mais eficazes e custam a metade do preço se forem feitos dentro dos albergues”, disse Robert Hess, comissário do DHS há dois e meio. Para Hess, essa foi a maior lição que aprendeu em 15 anos de experiência no setor.Segundo Pesaro, o conceito de dar abrigo antes de prestar qualquer tipo de ajuda pode ser uma grande inovação no Brasil. “Fazemos o inverso em São Paulo. Trabalhamos primeiro nas ruas e depois levamos as pessoas para os albergues.”Pesaro também ficou impressionado com as parcerias do DHS com outros órgãos da prefeitura. Parte disso decorre da estrutura do departamento, que também trata dos sem-teto, população atendida em São Paulo pela Secretaria da Habitação. Com isso, o DHS consegue reservar cotas para assistência social em programas de habitação. “Nova York está muito na frente no ponto de vista de integração das políticas, especialmente de habitação e saúde”, disse Pesaro.Responsável por 219 albergues, que atendem cerca de 35 mil pessoas, o DHS tem um orçamento encorpado, de pouco menos de US$ 1 bilhão, para oferecer subsídios habitacionais e outros tipos de benefício. A secretaria paulistana tem dotação muito menor, equivalente a US$ 30 milhões por ano, embora concentre sua atuação nos cerca de 12 mil moradores de rua da capital e na administração de 35 albergues. Além disso, só recebe dinheiro da Prefeitura, enquanto o DHS conta com mais verbas estaduais e federais (dois terços do total) do que municipais.Outra diferença importante está no perfil dos abrigos, que seguem um modelo tradicional em São Paulo. Foi só no ano passado que a Prefeitura abriu seu primeiro albergue para famílias, com apenas 20 quartos, o Lar de Nazaré, no Brás.Hess, por seu lado, disse que a segmentação por tipo de moradia, com regras flexíveis, tem dado muito mais resultado que os grandes albergues comunitários e suas normas rígidas. “Acabamos de fechar um albergue para 600 pessoas e estamos dando prioridade à construção de moradias para até 200 pessoas, com quartos individuais.” No Times Square Hotel, por exemplo, administrado pela ONG Common Ground, a entrada é controlada com cartão magnético e há 652 unidades individuais para residência permanente. O prédio fica na Rua 43, ao lado do luxuoso hotel Westin. Metade dos residentes tem perfil mais próximo dos moradores de rua. Os outros são trabalhadores de baixa renda - pelo menos para os padrões nova-iorquinos.O primeiro grupo aluga os quartos com o compromisso de pagar um terço do rendimento semanal. “Se eles estão desempregados e não ganham nada, não pagam. Mas a regra é importante para criar o hábito de bancar a moradia”, explica Hilary Morgan, diretora da ONG.A outra metade dos residentes recebe até US$ 30 mil por ano e paga de US$ 425 a US$ 550 por mês. As regras são flexíveis e as unidades funcionam como apartamentos normais. Mas há assistentes sociais e enfermeiros no local e os residentes podem ser despejados por comportamento inadequado. “Precisamos ter uma mudança grande na cultura de acolhimento para adotar esse modelo de autocontrole e motivação no Brasil”, disse Pesaro.

A conta não fecha

Ribamar Oliveira, email: ribamar.oliveira@grupoestado.com.br

O Estado de São Paulo

A aritmética está sendo desrespeitada pelos políticos que negociam com o governo a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Não é possível destinar 10% das receitas brutas da União para a saúde e, ao mesmo tempo, reduzir a carga tributária do País. A conta não fecha. Mais recursos para a saúde resultarão em pressão adicional por mais receita, mantida a diretriz da atual política fiscal, em que todos os gastos sobem. Pelo andar da carruagem das negociações, a tendência é de elevação da carga tributária e não de queda.

Já está claro que o governo não conseguirá resistir às pressões da bancada da saúde no Congresso, que luta pela regulamentação da emenda constitucional 29. Esta emenda definiu os recursos mínimos para as ações e serviços públicos de saúde, mas nunca foi regulamentada, pois o governo nunca deixou, com receio de ser obrigado a destinar mais dinheiro para a área.

Mas agora não há como escapar. Com a ajuda do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chignalia (PT-SP), que é médico sanitarista, o projeto que regulamenta a emenda 29 poderá ser votado esta semana. Ele destina 10% das receitas totais da União à saúde, o que representaria um aumento de R$ 20 bilhões em relação ao que será gasto este ano pelo governo federal.

Os gastos federais com a área de saúde cresceram muito durante o governo Lula. Em 2002, eles totalizaram R$ 24,7 bilhões. Em 2007, a previsão é de que fiquem em R$ 45,8 bilhões - crescimento nominal de 85,4% em cinco anos. As despesas municipais com a saúde passaram de R$ 12 bilhões em 2002 para R$ 23,7 bilhões em 2006. Nos Estados, os gastos passaram de R$ 10,7 bilhões para R$ 18,6 bilhões no mesmo período.

Em reunião com secretários estaduais de saúde, na semana passada, Chignalia disse que não era possível o governo federal elevar suas despesas com a área de saúde em R$ 20 bilhões de um ano para o outro. Ele ponderou que será necessário fazer esse aumento de forma escalonada. Mas faltou explicar como é que serão destinados mais R$ 20 bilhões para a saúde sem cortar os outros programas do governo. É impossível reduzir os gastos de custeio nessa magnitude.

Os senadores do PSDB querem também que o governo comece a reduzir a carga tributária. Uma proposta é diminuir a alíquota da CPMF. Outra é desonerar os investimentos em saneamento básico. O risco que se corre é que mais uma vez a conta seja fechada com um corte nos investimentos públicos em infra-estrutura, tão necessários para a retomada do crescimento.

O governo não quer limite para a dívida

Desde agosto de 2000, o Senado evita votar a resolução que fixa um limite para o endividamento da União. Por uma razão simples: o governo não quer. Os senadores aprovaram limites para as dívidas Estaduais e municipais, que estão em vigor, mas deixaram a União de fora. O governo de Fernando Henrique Cardoso fez de tudo para que a resolução não fosse votada. A mesma coisa acontece com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. É curioso que os senadores tucanos queiram, agora, instituir o limite.

Pela proposta que está no Senado, o endividamento da União não poderá superar 3,5 vezes sua receita corrente líquida. O primeiro relator da resolução foi o ex-senador tucano Lúcio Alcântara (CE), que também era o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde está a proposta. Durante o primeiro mandato de Lula, o relator foi o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que era líder do governo. Agora, o relator é o senador Romero Jucá (PMDB-RR), também líder do governo no Senado.

O governo é contra, explicou o senador Mercadante a este colunista, porque em um eventual choque externo de grande magnitude, não haveria como controlar o endividamento. Isto já aconteceu no passado. Na crise cambial de 1998/99, lembrou Mercadante, o País perdeu US$ 70 bilhões em poucos meses. A taxa de juro foi elevada (chegou a 45% ao ano) e a taxa de câmbio disparou. Por causa disso, a dívida explodiu.

A dívida líquida do setor público passou de 42,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 1998 para 53,3% do PIB ao final de 2002. No caso só da União, a dívida consolidada líquida chegou a 3,4 vezes a receita corrente líquida no segundo quadrimestre de 2001. Muito perto do limite.

Para Mercadante, a União não pode ser submetida à limitação do endividamento porque tem a responsabilidade com a gestão da moeda, o que não ocorre com os Estados e os municípios. O senador acha importante discutir outra forma de limitação dos gastos públicos federais, o que parece ser a preocupação dos senadores tucanos. Para ele, é possível construir um pacto pelo crescimento, com o controle dos gastos na base do entendimento.

Disputa por votos malufistas deve marcar eleição à Prefeitura de SP

Cristiane Agostine - jornal Valor

Marisa Cauduro / Valor - 23/5/2007
Kassab: atual prefeito de São Paulo poderia ser beneficiados com os votos dos "órfãos" do ex-prefeito Paulo Maluf
Caso o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) concorram à eleição municipal de São Paulo no próximo ano, eles disputarão uma mesma parte do eleitorado, órfão de Paulo Maluf (PP). Nas duas últimas eleições, em 2000 e 2004, os tucanos conseguiram captar mais votos malufistas (da direita) do que o PT. Além da disputa pelo mesmo perfil eleitoral com os tucanos, o DEM terá de enfrentar outro problema: a entrada no cenário eleitoral, antes fechado pelos candidatos do PT, PSDB e PP.


Em São Paulo, cidade com a disputa eleitoral mais acirrada do país, 44% dos eleitores já têm suas preferências partidárias definidas. Nos três últimos pleitos, o PT mostrou que tem o voto garantido de pelo menos 17% do eleitorado. O PSDB tem 15% e o PP, 12%. Os números indicam o percentual de eleitores que votam no partido independente da chance de vitória do candidato lançado.


A análise do comportamento eleitoral e da dinâmica partidária das eleições de 1996, 2000 e 2004, realizada pelos pesquisadores Fernando Limongi e Lara Mesquita, mostra que o domínio do PT, PSDB e PP fechou o "mercado eleitoral" na cidade e impediu que, no período, candidatos de outros partidos ganhassem projeção. Os três partidos controlaram as eleições paulistanas nos últimos 15 anos. "Ainda que o voto partidário inicial, de 44% dos eleitores, não seja capaz garantir a vitória (de nenhuma agremiação), ele é capaz de bloquear a entrada de outros candidatos", analisou Lara. A pesquisa, patrocinada pela Fapesp, foi apresentada no 31º encontro da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).


Como os candidatos destes três partidos contam com um patamar mínimo de votos, explicam os pesquisadores no estudo, os eleitores tendem a convergir ao longo do processo eleitoral a um deles.


Um possível cenário favorável à candidatura de Kassab, vinculada a um partido de direita, seria a conquista dos votos do PP, dos "órfãos" de Paulo Maluf - deputado federal ícone da legenda, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo. Entretanto, ele esbarrará na parcela conquistada pelo PSDB nas últimas disputas eleitorais. Dos eleitores que votaram no PP em 1996, 27% mudaram o voto para o PSDB em 2000 e apenas 6,3% para o PT. Já na eleição seguinte, de 2004, a transferência de voto foi menor, mas ainda assim os tucanos conseguiram mais votos do que os petistas do grupo malufista: 1,9% dos que escolheram o PP em 2000 foram para o PSDB e 0,8% para o PT.


Com exceção de Celso Pitta, apadrinhado por Maluf em 1996, nenhum outro candidato sem experiência nas urnas ganhou a eleição na capital. "O custo para disputar a cidade é muito alto", observou Lara. "Nas últimas disputas, como o PT, PP e PSDB tinham 44% dos votos eles conseguiam coordenar a arena eleitoral. A disputa teve de ser em torno dos três", afirmou a pesquisadora ligada ao Cebrap, mestranda da USP. "O DEM não é uma força tradicional em São Paulo e entrará agora na disputa, em um lugar que sempre foi ocupado por Maluf", disse Lara.

domingo, 28 de outubro de 2007

Sarkozy “sometimes volatile” selon CBS

Dans deux secondes, il va se lever de sa chaise|CBS

Dans deux secondes, il va se lever de sa chaise
CBS La bande-annonce de l'émission "60 minutes"

60_stahlpreview1025_100x75.1193545206.jpg Je ne sais pas ce qui me fait le plus rire.
Est-ce la mine de Nicolas Sarkozy, les yeux au ciel, en train de dire tout le bien qu’il pense de son attaché de presse ?
- “L’imbécile” !
Ou celle, ahurie, de Lesley Stahl, la journaliste de CBS, quand le président de la République française arrache son micro et quitte l’interview en se drapant dans sa dignité.
- “Au revoir, merci”, lui lance-t-il (en français).
- “What was unfair”?,
interroge-t-elle, incrédule.
- “Allez” ! répond-il, du haut de son courroux…
Apparemment, la journaliste s’est permis de poser une question sur Cecilia….

stahl_notebook102607_100x75.1193545234.jpg Après avoir claqué la porte, le président a apparemment accepté de revenir. CBS diffuse l’intégrale de l’interview dans l’édition de Sixty Minutes de ce dimanche soir…
Titre: “Sarko l’Américain” (en français dans le texte).
Un président énergique et “parfois explosif”, note Lesley Stahl.
- “Energetic and sometimes volatile leader”…
(A noter par ailleurs que d’après Lesley Stahl, les indigènes ont une loi en France qui leur interdit de travailler plus de 35 heures…)

Quoiqu’il en soit…
A une semaine de sa visite officielle à Washington, il est urgent que Nicolas Sarkozy se trouve une contenance (surtout s’il persiste à vouloir donner des interviews aux media locaux)
La presse américaine n’aime rien tant qu’à passer les hommes politiques au grill pour voir s’ils résistent au stress.
Sarkozy aura beau marcher sur les traces de La Fayette, il n’échappera pas aux questions sur le divorce.
J’ai passé trois jours dans l’Iowa. On ne m’a parlé que de cela.
Encore hier, j’étais avec un prof du Centre d’Etudes des Grandes Plaines. Il avait vu le “preview” de CBS.
Il s’étonnait que le président français n’aie pas une réponse toute faite au départ de Cécilia.
Genre:
- “I wish her the best of luck”... blahblah
- “But now let me focus on the real issues”
blahblah
Le prof s’est arrêté, saisi d’une pensée:
- “Peut être les Français aiment cela, cette manière macho”…

Mulher

Mulher, de René Magritte.

Han recorrido un largo camino, muchachas

Por primera vez en la historia tres mujeres disputan conducir el destino de los argentinos. Qué las une, qué las separa.



Por: María Seoane


LAS CANDIDATAS. CRISTINA KIRCHNER (FPV), ELISA CARRIO (CC) Y VILMA RIPOLL (MST) INAUGURAN UN NUEVO TIEMPO EN LA PARTICIPACION DE LA MUJER EN LA HISTORIA POLITICA ARGENTINA.

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Acaso lo soñaron. Acaso también ellas lucharon por este día: Juana Azurduy, la capitana y heroína del Alto Perú, a quien Belgrano le entregó su sable para pelear en la lucha de la independencia y en la que perdió a sus cuatro hijos y murió pobre y abandonada por el poder rivadaviano; Camila O'Gormann, a quien Rosas ejecutó embarazada bajo presión clarical por haber defendido la libertad de amar; Juana Manso, nuestra primera maestra en los años posteriores a la Revolución de Mayo, gloria de la educación, perseguida, apostrofada y de quien nuestra poeta Juana Manuela Gorriti dijo: "Sin ella nosotros seríamos sumisas, analfabetas, postergadas, desairadas.".

Qué dirían de este domingo las valientes Julieta Lanteri, que exigió en tiempos del Centenario al ministro de Guerra ser empadronada en los registros militares para que le permitieran votar o la segunda médica argentina (Cecilia Grierson fue la primera) Elvira Rawson que montó una enfermería para asistir a los partidarios de Leandro Alem en la Revolución del Parque contra la República oligárquica. Junto con la socialista Alicia Moreau de Justo, Lanteri y Elvira fueron, entre otras, fundadoras del Centro Feminista: impulsaron la emancipación civil de la mujer en 1926 y el sufragio de las mujeres. Qué dirían Alfonsina Storni, y luego Victoria Ocampo y María Rosa Olivier que pelearon contra viento y marea para que el gobierno conservador del general Justo en 1936 no volviera atrás con la emancipación civil de la mujer casada, y fueron sufragistas intransigentes; qué diría Eva Perón, que recogió el guante de toda esta historia y con su poder conquistó en 1947 la sanción del voto femenino, tuvo la libreta cívica número 1, votó a pesar de un cáncer que la devoraba pero a la que no se le permitió ser candidata por la presión militar-ecesial; qué diría Azucena Villaflor, fundadora de las Madres de Plaza de Mayo si no hubiera sido asesinada por la dictadura; qué dirían las obreras de fábricas recuperadas, que pelearon por la defensa del trabajo; las jefas de hogar que mantuvieron en la gran crisis de 2001 a sus familias unidas y a sus hijos educados mientras sus hombres perdían el empleo; las chacareras que aguantaron la producción cuando rendía monedas; las empresarias que llegaron a liderar puestos reservados sólo para hombres. Qué dirán quienes pelearon por la "ley de cupo" para que las argentinas ocuparan cargos legislativos, cuando hoy, por primera vez en la historia, se vota a tres para el máximo cargo ejecutivo.

La peronista Cristina Kirchner, la liberal Elisa Carrió y la socialista Vilma Ripoll conocen este largo derrotero. Han leídos estas biografías, las imitan, las continúan. Las tres reinvidican a las heroínas del siglo XIX; a las sufragistas del siglo XX y a Eva Perón; la lucha por la defensa de los derechos humanos de las Madres y Abuelas de Plaza de Mayo; a las mujeres que a lo largo y ancho del mundo defienden los derechos económicos y sociales de todos los ciudadanos, y a las que luchan contra toda discriminación. Las tres candidatas a presidenta son, a su manera, feministas convencidas: es decir, creen que no es excluyente ser esposa, madre, profesional y dirigente política. Las tres provienen de la clase media ilustrada. Las tres nacieron luego del advenimiento del peronismo. Tuvieron, las tres, educación pública y también religiosa. Cristina y Vilma vienen de familias políticas mixtas: de padres radicales y peronistas. Lilita sólo radical. Las tres fueron militantes y abrazaron la política para cambiar el mundo. Ninguna de las tres es porteña. Ninguna gobernaría igual. Cristina Kirchner apuesta a un capitalismo con un desarrollo sostenido en la ampliación del consumo y la inversión, con fuerte presencia estatal; Carrió, a un capitalismo que desarrolle la industria pero afloje la presión sobre el agro- "seré la presidenta del campo", dijo- y enfríe gradualmente la economía, con moderada presencia estatal; Ripoll apuesta a una economía mixta con control de los trabajadores, un socialismo criollo. A grandes rasgos, estos son sus modelos, tributarios de las tres grandes marcas ideológicas aggiornadas del siglo XX.

Una sola de las tres estará habilitada para gobernar, según decidan hoy todos los argentinos. Más allá de los resultados, su llegada a esta contienda electoral es, sin duda, una gran noticia.

Correio Braziliense: Sons tipo exportação

A música brasileira se fortalece entre os produtos que a Embratur e o Ministério do Turismo divulgam no exterior. Iniciativa favorece até os brasilienses do Clube do Choro


Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio

Paulo de Araújo/CB
Músicos do Choro Livre participaram do Mês do Brasil na Argentina e vão voltar a buenos aires: aplaudidos de pé
Houve tempo em que os maiores atrativos brasileiros no exterior eram os shows e eventos que colocavam em destaque o rebolado de mulatas em trajes sumários. Uma mudança radical tem ocorrido ultimamente a partir de programação elaborada pela Embratur, que abre espaço nas feiras internacionais para um dos nossos melhores produtos de exportação: a música popular de qualidade.

Essas feiras se transformam em palcos para a apresentação do trabalho de grupos de diferentes estilos, que exibem a diversidade da cultura popular brasileira, com o sotaque regional característico. Por decisão política, países da América Latina têm sido o destino preferencial dessas caravanas – embora haja projetos para levá-las também ao continente africano.

“Com a criação do Ministério do Turismo, a Embratur passou a cuidar exclusivamente da programação voltada para o mercado internacional. Nas feiras, realizadas em várias partes do mundo, a música popular brasileira, o artesanato e a culinária são acolhidos com interesse e admiração pelo público”, afirma Maria Katavatis, gerente geral de eventos promocionais e feiras da Embratur.

Em diversas regiões do mundo, a instituição tem os Escritórios Brasileiros de Turismo, que se encarregam de identificar oportunidades de divulgação da cultura do país – e a nossa música freqüentemente é incluída nessas ações. Não há uma diretriz específica em relação aos ritmos que mereçam ser divulgados, embora a bossa e o samba tenham destaque.

A seleção dos artistas e gêneros depende das demandas e da receptividade do público de cada país. “Os músicos participam das feiras depois de serem avaliados e chamados pela Embratur, que leva em consideração critérios como qualidade e singularidade da obra”, continua a gerente.

Partiu dela, apreciadora do chorinho, o convite para que o grupo brasiliense Choro Livre viesse a se apresentar em feiras realizadas em Montevidéu (Uruguai), em 2005, e Lima (Peru), no primeiro semestre de 2006. No dia 19 próximo, Henrique Filho (bandolim), Henrique Neto (violão de sete cordas), Rafael dos Anjos (violão), Márcio Marinho (cavaquinho) e Antônio Afonso (pandeiro) vão tocar na 11ª Feira Internacional da Argentina, em Buenos Aires.

“Temos viabilizado a participação em feiras não apenas de artistas renomados nacionalmente, mas também de novos talentos, como o pessoal do Clube do Choro de Brasília. A música passou a ter um grande destaque nessas promoções”, comenta Maria. “Em 2008, quando a bossa nova comemora 50 anos, vamos buscar divulgá-la ainda mais no exterior.”

Choro e bossa
O Choro Livre se antecipa – e, no show que fará na capital argentina, vai incluir em seu repertório standards bossa-novistas. “Nas apresentações que fizemos nas feiras em Montevidéu e Lima, percebemos que as diferentes vertentes da MPB são muito apreciadas. A obra de Tom Jobim é conhecidíssima. Por isso, nessa investida na Argentina, vamos acrescentar alguns clássicos da bossa nova, em especial canções do compositor carioca”, comenta Henrique Filho, o Reco do Bandolim.

Nos dias 2 e 3 últimos, o Choro Livre esteve em Buenos Aires, com o apoio do Itamaraty. “Participamos do Mês do Brasil na Argentina. A programação musical contou com grandes instrumentistas nacionais, como Jacques Morelenbaum, Lula Galvão e o Trio Madeira Brasil. Fomos aplaudidos de pé e o ministro Rodrigo Baena, coordenador do evento, nos convidou para voltar no próximo ano”, continua Reco do Bandolim.

De acordo com José Mário Ferreira Filho, chefe da Divisão de Operação e Difusão Cultural do Itamaraty, a função primordial do órgão é expandir a cultura brasileira no exterior. “Fazemos isso de forma sistemática, a partir de um elenco de propostas de atividades elaborado por nossas embaixadas e consulados em diversos países. Obviamente, o atendimento depende dos recursos de que dispomos”, explica.

“Exemplo recente foi a solicitação feita por nossa embaixada em Buenos Aires, para a participação de artistas brasileiros no Mês do Brasil na Argentina. Atendemos prontamente e lá estiveram vários músicos, inclusive o grupo do Clube do Choro”, lembra José Mário. O Itamaraty dispõe de um arquivo com nomes de artistas e grupos que desejam participar de eventos internacionais com apoio do Ministério das Relações Exteriores – nele, se destacam artistas ainda pouco conhecidos aqui e no exterior. A seleção dos músicos que tomarão parte nesses eventos pode ser feita a partir desse acervo, mas também há casos em que as embaixadas pedem um nome específico.

Quem também contou com o apoio do Itamaraty foi o Choro & Cia., que esteve no 25º Festival de Medina, em Tunis (capital da Tunísia, no norte da África). O grupo brasiliense é formado por Fernando César (violão de sete cordas), Pedro Vasconcellos (cavaquinho), Amoy Ribas (pandeiro) e Ariadne Paixão (flauta). “A apresentação no festival, no dia 8 último, foi a convite da embaixada brasileira. Se não tivéssemos as passagens e a estadia pagas pelo Itamaraty, não poderíamos ter levado nossa música até lá. Depois, nos dias 10 e 11, tocamos em Argel e Boumerdes, na Argélia”, relata Fernando César, irmão do bandolinista Hamilton de Holanda.

Para ele, a ida ao continente foi de grande importância. “Além de poder mostrar a música brasileira para os africanos, tivemos a oportunidade de trocar experiências com músicos da região, que nos procuraram depois do show em Boumerdes, uma cidade onde vivem muitos artistas. Nossas apresentações foram programadas pela própria embaixada, que nos deu fundamental apoio logístico”, reconhece o violonista.


Homenagem a Pixinguinha

Recentemente, entre os dias 4 e 7, o grupo brasiliense Choro Positivo se apresentou no 18º Festival Internacional de Música de Pulso e Pua, ocorrido em La Coruña, na Espanha, que, na edição deste ano, homenageou o genial músico e compositor brasileiro Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. O encontro é promovido por Rosa Gonzales, da Agrupación Musical de Albeniz, que tem profunda admiração pela música brasileira.

Integrado por Carlinhos Sete Cordas (violão), Evandro Barcellos (cavaquinho), Léo Benon (cavaquinho centro) e Marcelo Sena (pandeiro), o Choro Positivo viajou com o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. “Participamos desse festival desde 2004, com o patrocínio do Ministério da Cultura. Desta vez, foi a Secretaria de Cultura que viabilizou a nossa ida”, revela o produtor Ruy Godinho.

“Foram conosco, também, a cantora Sandra Dualibe, o violonista Henrique Neto e a percussionista Amanda Costa. É da maior importância podermos levar a outros países a música que é feita em Brasília. Na Espanha, tivemos ótima acolhida do público e da crítica”, comemora. “Depois do festival, o Choro Positivo se apresentou em Madri, enquanto Sandra, Henriquinho e Amanda foram até Portugal e fizeram show em Lisboa.”


Música e filmes nas feiras e na internet

Mariana Ceratti e Ricardo Daehn
Da equipe do Correio
Pena Filho/Divulgação
Yamandú tocou em feira de World music Espanhola: visibilidade lá fora

O que têm em comum o violonista gaúcho Yamandú Costa e o grupo pernambucano Siba e a Fuloresta do Samba? Ambos são destaques da edição 2007 da The World Music Expo (a Womex), que começou na última quarta-feira e termina neste domingo em Sevilha, na Espanha. Yamandú tocou na tarde de quinta; Siba tem apresentação marcada para hoje. A feira dá visibilidade a um terceiro trabalho institucional de divulgação da música brasileira, realizado em parceria entre a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (a Apex, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e a Brasil Música e Artes (BM&A), associação que reúne artistas, gravadoras e produtores, entre outros participantes do mercado fonográfico.

No estande montado na feira espanhola, Apex e BM&A pretendem mostrar que as criações brasileiras não são apenas ricas e diversificadas – também podem gerar recursos e reconhecimento para o país. “A música posiciona o país lá fora como criativo, inovador, com um conjunto de atributos que abre portas para a venda de outros produtos”, destaca Christiano Braga, gestor de projetos da área de serviços e entretenimento da Apex. Dados da agência revelam que a música brasileira movimenta US$ 4,43 milhões (quase R$ 8 milhões) por ano. Pode render mais ainda – e, para isso, as duas instituições apostam em um modelo de negócios voltado para a distribuição da arte na internet.

Um dos principais esforços nesse sentido tem sido o de abrir espaço para a música brasileira nas páginas mais conhecidas de downloads legalizados. “Em muitos desses sites, como o iTunes (o mais importante do gênero), os artistas nacionais entram na classificação latin music (música latina) junto com Shakira e Julio Iglesias, que não têm nada a ver conosco. Misturados dessa forma, acabam perdendo a chance de aparecer nas listas dos mais ouvidos e baixados”, explica o irlandês David McLoughlin, gerente da BM&A. A associação já assinou parceria com a página All Music Guide, para separar a música brasileira da latina. O site não só oferece downloads, como provê informações sobre nomes de artistas e álbuns nos computadores com o software Windows Media Player. O projeto da Apex e da BM&A tem orçamento de R$ 5,042 milhões até o final de 2008.

Além do estímulo ao segmento musical, a Apex vem se firmando no ramo audiovisual, em projetos que começam a apresentar êxito financeiro. Ainda que a diversificação de parcerias, ocasionalmente, comprometa parte de eventos importantes, como o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a injeção gradual de R$ 5,5 milhões vem resultando em saldos animadores. Sem favorecer um grupo ou empresa, o contrato com o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo já gerou, em um ano, US$ 88 milhões (aproximadamente R$ 158,4 milhões).

A atuação com o sindicato mais representativo do setor, prevista para se estender até 2009, animou 80 empresas de mais de 25 países. A iniciativa prevê arranjos de co-produções e venda de serviços nacionais da área para equipes estrangeiras que filmam no Brasil. Os acordos de co-produção representam a maior parcela dos rendimentos, com volume de quase US$ 78 milhões (R$ 140,4 milhões, aproximadamente). Recentemente, o programa de apoio às exportações formou uma missão comercial de 10 empresas nacionais, que participaram do Festival de Toronto. Os próximos mercados a serem explorados estão nos festivais internacionais de Roma e de Madri.

Governo Serra: Denge no 1º semestre teve 20% mais casos do que o divulgado

Marcia Gouthier/Folha Imagem
Diferença em SP foi identificada após revisão de dados feita pelo Centro de Vigilância Sanitária; casos foram de 64.903 para 77.633

Com o novo número, SP já tem este ano 36% a mais de casos do que em todo o ano passado, que já havia sido 9 vezes maior do que 2005

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DA REPORTAGEM LOCAL

CINTHIA RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O Estado de São Paulo registrou no primeiro semestre do ano 19,6% mais casos de dengue do que o número que vinha sendo divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde.
Uma revisão de dados feita pelo CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) elevou o total de vítimas de 64.903 para 77.633, segundo balanço do último dia 19. O número de doentes do Estado, incluindo o segundo semestre, passou a 78.614.
A diferença, de acordo com a assessoria do secretário da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, se deve à revisão realizada a partir de setembro, quando teria sido percebida uma subnotificação no primeiro semestre deste ano.

Proporção maior
A alteração eleva também a proporção de casos por 100 mil habitantes, que passa de 161 para 191, segundo cruzamento de dados do CVE e do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O Ministério da Saúde considera epidemia o local com 300 infecções por grupo de 100 mil habitantes. Embora o índice do país todo seja de 253, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já afirmou que o Brasil "vive uma epidemia".
Pelo balanço, dos 645 municípios de São Paulo, 355 apresentaram pelo menos um caso de dengue autóctone (transmitido na própria cidade) neste ano. Destes, 45 tiveram o número do primeiro semestre revisado para cima pelo CVE.
A maior parte das cidades que tiveram dados alterados já estava entre as consideradas epidêmicas, no entanto, em alguns casos a subnotificação foi de até 800% (veja quadro nesta página).
O pior caso proporcional foi o de Sud Menucci (614 km a noroeste de São Paulo). No município, de 7.400 habitantes, as notificações subiram de 25 para 225 no primeiro semestre.
A secretária de Saúde de Sud Menucci, Eliana Luzia Covre Dias Martinez, afirma que todas as suspeitas de dengue e amostras de sangue coletadas para confirmação foram enviados ao Estado até abril deste ano. "Ao todo foram 330 suspeitas, mas só 25 foram confirmadas por eles. Do restante, 200 nós consideramos dengue por critério clínico, mas isso tudo até abril. Não mudamos nada nos dados antigos", diz.
Birigüi (514 km de SP) teve o maior número de "novos" casos, passando de 833 para 5.145 de janeiro a junho. A Folha tentou ouvir a Secretaria da Saúde da cidade, mas não obteve resposta.
Com o novo número geral, São Paulo já tem 36% a mais de casos do que todo o ano passado, que já havia sido nove vezes maior do que 2005.

Distorções
O CVE admite que havia subnotificação até o último relatório, mas culpou as cidades pelas distorções nos números.
A notificação de casos de dengue é obrigatória, seja o caso confirmado por exame ou apenas por análise clínica.
De acordo com a assessoria, municípios em epidemia, em que somente um exame clínico é suficiente para comprovar a doença, estariam deixando de enviar dados para o órgão.
Ainda conforme a assessoria, técnicos do CVE, a partir de setembro, entraram em contato com as prefeituras para pedir as informações completas.
A secretária de Saúde de Sud Menucci, porém, nega que tenha recebido qualquer pedido de reenvio dos dados.
"Nosso relatório já inclui a análise do médico. Isso está com o Estado desde abril. Tenho todas as planilhas para provar", declarou.

Para Cristina, la morocha argentina

Tita Merelo "La milonga y yo"

Várias da Folha

O TUCANATO E SUA PRIVATARIA DA GIRAFA


ELIO GASPARI

A Agência Reguladora de Transportes de São Paulo, dirigida pelo doutor Carlos Eduardo Sampaio Dória, ex-presidente da Câmara Municipal da capital, ex-deputado federal e ex-presidente da falecida Telesp, contestou uma nota publicada aqui na semana passada. Nela, sob o título de "Girafa", o signatário considerava esquisitas as condições da prorrogação, em 2006, de dez contratos de concessões rodoviárias que venceriam em 2008. Um deles foi estendido até 2018. O mimo, sacramentado ao apagar das luzes do governo de Cláudio Lembo, assegurou às concessionárias a taxa média de lucro de 20% ao ano, fixado em 1998.
A Agência oferece uma informação relevante a respeito dos critérios que orientaram as exigências e a taxa de lucro das concessionárias: "Foram ambos fixados unilateralmente pelo Estado na origem das concessões, independentemente da conjuntura econômica da época".
Como a variável macroeconômica ficou de fora, o tucanato e as empreiteiras ficam dispensados de repetir que a taxa de lucro médio de 20%, contratada em 1998, deveu-se às incertezas da ocasião. Se entre 1998 e 2006 a taxa de juros caiu de 28% para 12%, azar da patuléia. Os pedágios paulistas, prorrogados até 2018, continuarão a ser os mais caros do país, de longe.
O texto da semana passada tinha o título de "Girafa" em homenagem ao ruminante de cabeça pequena e pescoço grande, que come no andar de cima das árvores. (É lenda a história segundo a qual ela usa a língua para limpar as orelhas.)


Painel

Óleo na pista 1.
O deputado Rui Falcão (PT) inicia amanhã a coleta de assinaturas para instalar na Assembléia paulista a CPI dos Pedágios, que terá como gancho a prorrogação em até oito anos dos contratos de concessão das rodovias do Estado à iniciativa privada, feita no apagar das luzes da gestão Alckmin-Lembo, em 2006.

Óleo na pista 2. O petista larga com 25 dos 32 nomes necessários. Como o governo Serra está teoricamente fora do escopo da investigação e Gilberto Kassab (DEM) mantém amigos na Casa, cresce a chance de Falcão atingir a meta. Alckmin, vale lembrar, ameaça atrapalhar o projeto reeleitoral do prefeito.

Tiroteio

Os que atacam Berzoini com o discurso da ética se esconderam debaixo da cama na crise do mensalão, coisa que nós não fizemos durante a CPI do jogo do bicho em Porto Alegre.


Do deputado ANDRÉ VARGAS (PT-PR), sobre a atitude do grupo liderado pelo ministro e ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, que patrocina a candidatura de José Eduardo Cardozo à presidência do partido.

Outra vez orgulhosos, argentinos votam para consagrar Kirchners

Cristina Fernandez de Kirchner votou em Rio Gallegos
Gratos por recuperação econômica, eleitores do interior e das classes mais baixas deve eleger Cristina presidente

Ariel Palacios e Roberto Lameirinhas, BUENOS AIRES

Os argentinos vão hoje às urnas para - a confirmar-se a quase totalidade das pesquisas - assegurar a continuidade do governo do presidente Néstor Kirchner. Desta vez, por intermédio da mulher dele, a senadora Cristina Fernández de Kirchner.

link Leia mais sobre as eleições

Embalado principalmente pelo apoio do interior - onde programas assistenciais do governo ajudaram a recuperar a economia após os anos de aperto fiscal de Carlos Menem e Fernando de la Rúa -, o casal Kirchner resistiu às denúncias de corrupção e à escalada da inflação. Assim, Cristina deve obter entre 41% e 49% dos votos. Pela legislação argentina, ela precisa de pelo menos 40% para vencer já no primeiro turno, caso tenha uma vantagem de mais de 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado.

A segunda no páreo é a centro-esquerdista Elisa Carrió, candidata da Coalizão Cívica, que tem entre 16% e quase 22% das intenções de voto. Nos últimos dias, Carrió apelou aos indecisos (que na semana passada oscilavam entre 7% e 18%) para dar uma virada e levar o governo a um segundo turno. Nunca na história argentina duas mulheres lideraram as pesquisas presidenciais.

Ao Estado, Elisa disse que ainda mantém esperança de que Cristina não chegue aos 40%. 'As pesquisas mostram que a maioria da população, mais de 50%, quer a vitória da oposição', afirmou. 'Ela é Golias, eu sou Davi.'

Vinte e sete milhões de argentinos estão inscritos para a eleição de hoje, que definirão também o vice-presidente, a metade dos ocupantes da Câmara dos Deputados, um terço dos senadores e 8 dos 23 governadores provinciais, além de centenas de deputados locais e intendentes (prefeitos). Os candidatos kirchneristas são favoritos em praticamente todas essas disputas.

Kirchner assumiu a presidência em 2003, quando 57% dos argentinos viviam mergulhados na faixa de pobreza. Depois de declarar a suspensão unilateral do pagamento de parcelas da dívida externa, vender títulos da dívida para a Venezuela de Hugo Chávez, promover a retomada do crescimento do país e investir pesado nos programas sociais destinados à população mais pobre, Kirchner conseguiu reduzir o índice de pobreza para 27%, em 2006. Durante seu mandato, o país tem crescido em média 8% por ano. Em 2002, o salário mensal médio dos 10% mais pobres era de 109 pesos (US$ 34); hoje é de 337 (pouco mais de US$ 110).

A oposição contesta alguns números, como o da inflação. Oficialmente, o índice acumulado neste ano até setembro é de 9%. Mas consultorias privadas estimam a inflação real em torno de 20%. Independentemente da controvérsia, os resultados econômicos garantem a popularidade do presidente.

Segundo as pesquisas, Cristina tem vantagem esmagadora no interior do país e nas classes baixa, média-baixa e média - esta última, recuperada da ruína da crise de 2001-2002. O país, que contava com 14 moedas paralelas emitidas pelas províncias, sem lastro nenhum, atualmente utiliza somente a moeda federal, o peso.

APATIA

A apatia marcou a campanha eleitoral - que na Argentina é feita com poucos comícios, publicidade paga na TV e nenhum debate entre candidatos. Uma pesquisa da consultoria Delfos indica que a abstenção pode ser de até 30%.

Esse seria o nível mais baixo de participação desde o retorno da democracia, em 1983. Naquele ano, 86% dos eleitores votaram. Na eleição passada, em 2003, votaram 78% dos eleitores.

Os analistas afirmam que a falta de interesse se deve à pouca diferença de propostas entre Cristina e os candidatos da oposição. Os opositores estão de acordo com os principais pontos da política econômica e apenas sugerem 'correções' no rumo.

A campanha kirchnerista usa a imagem de Cristina e o slogan 'sabemos o que falta e sabemos como fazer'. Nos táxis, bares e barbearias de Buenos Aires - tradicionais locais de discussões políticas -, o humor ácido dos portenhos não resiste à pergunta: 'Se ela sabe, por que não contou para o marido?'

A verdade é que a auto-estima dos argentinos renasceu. Kirchner, com esperteza, explorou esse fator na reta final da campanha.

O analista Carlos Fara indica que Kirchner é favorecido pela mudança do ânimo dos argentinos em relação ao país e suas vidas pessoais. Kirchner também se aproveitou do cenário de uma oposição fragmentada, sem estímulo e imersa em lutas de egos entre seus líderes (ler mais na pág. 19).

O sociólogo Artemio López, diretor da consultoria de opinião pública Equis, destaca que Kirchner foi eleito em 2003 com 22% dos votos. Em 2005, na eleição parlamentar de meio de mandato, os candidatos kirchneristas obtiveram 39% do total de votos do país. López afirma que uma eventual votação de mais de 40% indicaria que os Kirchners estão aumentando e consolidando gradualmente um eleitorado fiel.

DENÚNCIAS

Diversas ONGs denunciaram sexta-feira a presença de nomes de pessoas mortas em listas de eleitores em todo o país. Entre elas, desaparecidos da ditadura (1976-83), além de soldados mortos em combate na Guerra das Malvinas (1982).


GLOSSÁRIO DAS URNAS

El Pingüino:
O Pingüim, apelido de Kirchner em alusão a sua região natal, a Patagônia

La Pingüina: Apelido de Cristina Kirchner

Rainha Cristina: Outro apelido da primeira-dama, pela pose considerada arrogante e tom autoritário

'Es too much': Expressão em 'spanglish' usada por Cristina para 'ah, não, isso é demais!'

Inferno e Purgatório: Metáfora referente à 'Divina Comédia', de Dante, normalmente utilizada por Kirchner. Segundo ele, a Argentina está saindo do 'Inferno' da crise e aproxima-se do 'Purgatório'

La Gorda: Apelido de Elisa Carrió, líder da centro-esquerdista Coalizão Cívica

El Pálido: Apelido do ex-ministro Roberto Lavagna, líder do partido Uma Nação Avançada

El Sillón de Rivadavia: A poltrona de Rivadavia, denominação da cadeira presidencial. É sinônimo de 'Presidência da República'. O nome remete a Bernardino Rivadavia, primeiro presidente argentino

Casa Rosada: Nome da sede do governo, que a partir de 1860 começou a ser pintada de cor-de-rosa. Segundo uma versão, a cor era o resultado do branco e do vermelho, que representavam as duas facções da guerra civil que se seguiu à independência. Outra versão diz que o rosa resultou da mistura de sangue de boi e cal, forma barata de pintar o prédio. A terceira diz que, na época, o rosa era a cor da moda na arquitetura

Radicais-K: Integrantes da União Cívica Radical, rival histórica do peronismo, que se alinharam a Kirchner - como o vice de Cristina, Julio Cobos

Coima: Suborno preparado, organizado


PESQUISA

46,7%

dos eleitores devem votar em Cristina Kirchner, segundo pesquisa do instituto
Poliarquia

21,8%
do eleitorado devem apoiar Elisa Carrió

14,3%
dos eleitores devem optar por Roberto Lavagna

Entrevista do Deputado Federal José Eduardo Cardoso

José Eduardo Martins Cardozo
O ex-Presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo durante os dois primeiros anos da gestão Marta Suplicy e hoje Deputado Federal, explica o sentido de sua candidatura a Presidente do PT nacional

João Domingos, BRASÍLIA - O Estado de São Paulo


Por que o senhor decidiu ser candidato a presidente do PT?

Porque conto com o apoio de militantes que antes não costumavam se juntar, como o ministro Tarso Genro (Justiça), os governadores Marcelo Déda (Sergipe), Jaques Wagner (Bahia) e Ana Júlia Carepa (Pará), o senador Eduardo Suplicy. Isso dá à minha candidatura característica nacional.

Lula tem dito que em 2010 o candidato à sucessão dele não necessita ser do PT, mas da base aliada. O PT, no entanto, decidiu em seu último congresso que lançará um candidato. Como o senhor vê isso?

É legítimo que o PT pleiteie. Mas temos de respeitar as forças aliadas de forma a construir os nomes que são melhores para o momento. Seria um absurdo o PT dizer que não quer um candidato. É o principal partido do País, tem governadores, prefeituras importantes. Mas qualquer candidatura tem de ser construída com respeito aos adversários. Temos de abrir diálogos.

Quais devem ser os interlocutores? Os mesmos partidos da coalizão de agora?

Não devemos fazer o que ocorre hoje no PT, busca prioritária à direita e secundarização da importância de alianças à esquerda. O PT tem grande preocupação em se aliar com forças de centro-direita e não prioriza relações com os partidos de centro-esquerda. Temos de inverter isso. Não tem sentido o PT ignorar as relações de construção política com PSB, PC do B e PDT. Não tem sentido o PT, que é socialista, se aliar com forças que desejam matar o socialismo na origem. É um equívoco.

O senhor foi sub-relator da CPI dos Correios. Saiu de lá convencido de que houve o mensalão?

Às vezes, o tal do mensalão envolve uma discussão semântica que não leva a nada. Eu vou sair fora dessa palavra. É evidente que houve situações de recursos indevidamente repassados a partidos, a parlamentares. Chamem isso do que quiserem. Vamos falar da substância. Evidentemente que houve situações em que dirigentes petistas agiram como não deveriam. Temos de dizer isso com toda a clareza. É por isso que temos defendido a ética para o PT. Não se trata aqui de discutir casos individualizados. A ética é pressuposto da ação política. Não é possível pensar, como falaram em alguns encontros do PT, que a construção da democracia e do socialismo prescinde da ética. Nós defendemos um banho de ética. E que o PT seja mais rigoroso com as transgressões éticas de seus militantes do que até com seus adversários. Acho que sempre que houver denúncia de infração ética, antes de punir, o PT tem de investigar. Havendo provas, que haja punição. Não havendo, que o PT defenda o militante.

Como fazer para resgatar a credibilidade que o PT já teve?

Resgatando a democracia interna. O que tem acontecido no PT é que um pequeno grupo de pessoas decide o que o partido tem de fazer e isso é imposto para todo o conjunto, por intermédio do grupo majoritário. O militante vai num encontro e levanta crachás. Sabemos do resultado antes do encontro do PT. Isso é a negação do partido. É preciso retomar a democracia interna, o respeito à minoria. Porque um petista pensa diferente da maioria ele não tem de ser execrado. A questão da democracia interna é chave no resgate do PT. Ela traz de volta o petista à sua origem. O partido tem que ser militante. Vimos em algumas eleições militantes pagos. Isso é uma afronta ao que defendemos. Temos de ter militância ideológica.

Desde que o PT chegou ao governo, há um choque entre o partido e os meios de comunicação. Agora, vai ser criada a TV pública, como forma de pôr uma cunha na mídia. O que acha da TV pública?

Sou plenamente favorável. É correta, necessária. Não vai competir com ninguém.

E sobre a revisão das concessões de emissoras de rádio e de TV?

Aquelas que não atenderem à lei têm de ser revistas. O que for irregular exige intervenção imediata. Defendemos a liberdade de imprensa, mas existe a necessidade de que grupos econômicos não controlem a informação.

No Congresso recente do PT, foi aprovada a realização de plebiscito a respeito da privatização da Vale do Rio Doce. O que acha dessa decisão?

Temos postura crítica a todo processo de privatização feito pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Algumas questionáveis no mérito; na forma, quase todas, porque levaram a situações de descalabro. Acho importante que cada questão seja discutida com cuidado, para verificar se é reversível o processo, os custos para a sociedade, os ganhos com a reversão. Por sua própria natureza, a Vale está distante do cidadão comum. Mas no caso da telefonia não há como negar que a sociedade se beneficiou.

O sr. poderia fazer uma análise de seus concorrentes?

São dois excelentes candidatos. Ricardo Berzoini (que concorre à reeleição) expressa o Campo Majoritário, responsável pela direção do PT já há muitos anos. Essa forma de gestão está totalmente superada. A direção tem um projeto exclusivamente de manutenção do poder. Em relação a Jilmar Tatto, há forças políticas que seguramente estarão conosco se chegarmos ao segundo turno. Mas seu arco de sustentação está centrado no Estado de São Paulo, há dificuldade de dialogar com o País.


Quem é:
José Eduardo Martins Cardozo


Deputado federal em segundo mandato. Professor de

Direito Administrativo e Filosofia do Direito da PUC-SP.

Secretário de Governo na administração de Luiza Erundina. Vereador mais votado da história do País, com 229 mil votos em 2000.

Vinícius de Moraes - Tom Jobim

Soneto da Fidelidade

Vinicius, sarava

Eu sei que vou te amar

sábado, 27 de outubro de 2007

A caravana do consenso tem que deixar os cachorros latindo

Uma estranha confluência constitui o factóide da semana. De um lado, dois deputados se movimentam com um projeto que poderia desembocar num plebiscito, que eventualmente levaria a autorizar um terceiro mandato para os presidentes, o que permitiria ao Presidente Lula, ao final, brigar por um novo mandato.

De outro, a mídia lança uma pronta campanha para condenar a heresia. Um aprendiz de Papa, o mesmo que defende o direito sagrado de Cacciola à fuga, pronuncia o anátema de blasfêmia. Outros falam de golpe, revolução, ditadura e fascismo.

Por último, incitados pela campanha conveniente com suas posturas radicais contra o governo, deputados e senadores do DEM e do PSDB aproveitam para proclamar uma chantagem: Se o projeto for proposto votarão contra a prorrogação da CPMF.

Misturando alhos e bugalhos, o factóide serve claramente um desenho político: explodir o processo de convergência entre o governo e os setores responsáveis da oposição para costurar, a partir da votação da prolongação da CPMF, uma agenda voltada para os principais problemas nacionais.

O jornal O Estado de São Paulo chegou até a inventar a presença do deputado Devanir Ribeiro na festa de aniversário de Lula, ontem, para induzir a idéia que a iniciativa infeliz do deputado poderia estar associada a uma diretriz do próprio presidente.

A bem da verdade, nenhum dos que vociferam contra um terceiro mandato tem moral para falar, pois a maior parte deles compactou com a verdadeira tramóia contra a democracia brasileira que foi o direito à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Isto não justifica a ausência de bússola de ninguém. O Presidente Lula, homem de palavra, já se manifestou com clareza sobre o tema, as bancadas do PT, e o PT como tal, também.

É bom rejeitar o factóide e retomar a agenda do entendimento.

Agora, factóide é factóide, os cachorros ladram e a caravana construindo consensos tem que passar, para o bem do Brasil.

Luis Favre

Para Cristina, Brasil é modelo a seguir


Favorita, mulher de Kirchner deve manter boa relação com País que investiu US$ 6,8 bi na Argentina em 5 anos

Ariel Palacios, BUENOS AIRES - O Estado de São Paulo

Os quase quatro anos e meio de governo do presidente Néstor Kirchner alternaram momentos de lua-de-mel com o Brasil e de confronto com seu principal sócio no Mercosul. Kirchner, fiel a seu estilo sem papas na língua, não hesitou, em diversas ocasiões, em desferir fortes golpes contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresariado brasileiro.

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“Há um lugar na OMC, o Brasil o quer. Há uma vaga na ONU, o Brasil a quer. Há uma cadeira na FAO, o Brasil a quer. Até quiseram eleger o papa!”, desabafou Kirchner em 2005, em plena crise diplomática. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) “é dura e impiedosa” e quer “desindustrializar a Argentina”, atacou, na mesma época. Mas, desde o final daquele ano, as relações entre os dois lados da fronteira desenvolveram-se sem grandes problemas. Kirchner voltou a tratar bem o Brasil.

Para reafirmar os laços com o País e convencer os empresários brasileiros a continuar investindo na Argentina, a candidata Cristina Kirchner esteve em Brasília em plena campanha. Se eleita no primeiro turno de amanhã - como prevêem oito de nove pesquisas divulgadas ontem, que lhe dão de 41% a 49,4% das intenções de voto -, ela terá de conviver com o governo Lula até 2010. Segundo disse ao Estado Ceferino Reato, autor da biografia não autorizada Lula, a Esquerda no Divã, a relação de um eventual governo de Cristina com Lula “está bastante bem encaminhada”.

Reato diz que os confrontos de Kirchner com Lula, no passado, foram provocados pela crise econômica que assolava a Argentina no início de seu mandato. “Lula e Kirchner construíram uma convivência satisfatória para ambas partes”, acredita o autor. Segundo ele, a Argentina de Cristina aceitará a liderança do Brasil. “Mas nunca a hegemonia brasileira.”

Desde o início do governo Kirchner, o intercâmbio comercial entre os dois países saltou de US$ 9,23 bilhões, em 2003, para cerca de US$ 20 bilhões, este ano. Um recorde histórico.

Cristina, em seu comício de lançamento de candidatura, em junho, indicou que o modelo econômico brasileiro era um exemplo a ser seguido e até citou explicitamente a Embraer como empresa a ser invejada pelos argentinos.

Para o ex-Secretário de Comércio Dante Sica, não haverá mudanças no trato entre os dois países. “Se Cristina for eleita, manterá a linha atual, com algumas nuanças”, disse ele ao Estado. “Considero que ambos países deverão definir uma política de defesa comercial comum contra a China”. Segundo Sica, os pontos de conflito foram delimitados e não afetam mais a relação bilateral.

Os analistas indicam que Cristina aprofundará as relações políticas e comerciais com o México, que servirá como contrapeso à influência do Brasil na região. Em relação à Venezuela, os analistas sustentam que Cristina manterá uma boa relação com o presidente Hugo Chávez, cujo governo defendeu, recentemente, perante empresários na Europa. No entanto, mais do que motivos políticos, essa proximidade seria necessária pela dependência argentina do petróleo venezuelano e da compra de bônus da dívida pública da Argentina por parte de Chávez.

O ex-secretário de Comércio Raúl Ochoa disse ao Estado que, se Chávez insistir em alianças estratégicas “duvidosas”, Cristina “terá de marcar território”, ou seja,melhorar relações com países desenvolvidos. “Por isso, é essencial a boa relação com Lula”, diz. A opinião é reforçada por Reato: “O Brasil continuará importante para a Argentina. Os Kirchners sabem disso, pois são muito pragmáticos.”

APOSTA

Em 2002, quando a Argentina era embalada pelas turbulências sociais e financeiras, os investimentos europeus e americanos sumiram do país. Mas as empresas brasileiras ao lado das mexicanas decidiram que valia a pena apostar na recuperação econômica argentina. Além disso, o cenário era conveniente, já que a desvalorização do peso transformara as empresas argentinas em ofertas atraentes. Muitas das grandes empresas remanescentes foram compradas.

A AmBev comprou a tradicional cervejeira Quilmes, em 2002. Logo depois foi a vez de a Petrobrás desembarcar na Argentina para adquirir a companhia de energia Pérez Companc. Na seqüência, também chegaram ao país a Camargo Correa, que comprou a maior empresa de cimento da Argentina, a Loma Negra, e a Alpargatas. O setor de carnes, motivo de orgulho para os argentinos, passou a contar com a crescente participação de capital brasileiro.

Os frigoríficos Friboi e Marfrig, ironizam os economistas portenhos, “vieram às compras” na Argentina. Além de comprar companhias existentes, as empresas brasileiras estão construindo fábricas no país. Foi o caso da Paquetá, que ergueu uma fábrica de calçados na cidade de Chivilcoy.

Os economistas ressaltam que a estratégia brasileira é a de investir aqui e exportar para o próprio Brasil. Nos últimos cinco anos, as empresas brasileiras investiram na Argentina US$ 6,812 bilhões. Desse total, 52% foram destinados ao setor industrial, pouco menos de 40% para o de gás e petróleo, 8% para o de construção e 0,3% para o de serviços. Os investimentos diretos provenientes do Brasil, que, em 1997, representavam 0,2% do total de recursos estrangeiros no país, chegam hoje a 20%.

Aroma presidencial en el 60 cumpleaños de Hillary

Hillary Clinton
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Hillary Clinton- AP


La candidata demócrata recauda un millón de euros

ANTONIO CAÑO - Washington - El País

Mujer práctica por encima de todo, Hillary Clinton ha celebrado su 60 cumpleaños como le conviene en un momento como este: con una fiesta en la que ha recolectado un millón y medio de dólares (un millón de euros) para su campaña. La candidata presidencial del Partido Demócrata se veía radiante el jueves por la noche sobre el escenario de un teatro del Upper West Side de Manhattan, aplaudida por un público entregado y por unos cuantos famosos (Billy Cristal y Elvis Costello, entre otros). Pero, sobre todo, se la veía sinceramente emocionada abrazándose a su hija Chelsea y a su marido, Bill Clinton.

Los tiempos de infidelidades y mentiras parecen haber quedado atrás. El ex presidente parece haber controlado su hiperactividad y sus impulsos y se muestra como un compañero leal al que no se le caen los anillos por actuar de telonero en la gran empresa en la que su mujer está embarcada.

Quizá todo sea una puesta en escena, como dicen los críticos. Quizá ambos saben que se necesitan ahora y que ambos ganarán si continúan juntos. Pero quizá los críticos se equivoquen y esta célebre pareja haya encontrado la felicidad que antes perdieron en tantas ambiciones.

Hillary Clinton lleva la etiqueta de mujer segura y brillante desde su época universitaria. Gracias a ella ha sido una persona respetada, incluso en el ingrato papel de primera dama. Pero esa misma fama le ha obligado también a pagar un alto precio como mujer. Maltratada por fotos juveniles que no hacen justicia a su físico y relegada durante años al papel de la sacrificada y silenciosa esposa, Hillary Rodham Clinton supo esperar su momento para ocupar el primer plano. Fue elegida y reelegida con altos porcentajes como senadora por Nueva York después de dejar la Casa Blanca y, contra todos los pronósticos, se ha asentado como la probable primera presidenta de Estados Unidos.

Hillary Clinton se planta, pues, en los 60 años en un momento de apogeo. Las encuestas le dan más de 30 puntos de ventaja sobre su principal rival demócrata, Barack Obama, y le auguran también una victoria ante cualquiera de sus posibles rivales republicanos.

Ha pasado un calvario para llegar hasta aquí. Sus errores, unidos a la leyenda negra creada por sus enemigos, han estado a punto de descabalgarla varias veces. Pero ha resistido y hoy es, sin duda, la principal figura emergente de este país, objeto preferido de libros, reportajes y tertulias, una gran estrella.

Hillary Clinton es una política pragmática que supo echarse atrás en su avanzado proyecto de reforma sanitaria cuando las circunstancias adversas lo aconsejaron y que sabe ahora mantener posiciones conservadoras en política exterior para ganarse la confianza de los votantes.

Los norteamericanos adoran los cumpleaños y son los mejores para agasajar y hacer felices a quienes los celebran. Hoy es el día de Hillary Clinton y se le perdona todo. Mañana reanudaremos la batalla.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Cristina's challenges


From the Economist Intelligence Unit ViewsWire - The Economist

Winning the election in Argentina will only be the start


Cristina Fernández de Kirchner, wife of Argentina’s current president, is certain to be elected to succeed her husband, probably in a first-round vote on October 28th. She will achieve this with ease—thanks to Néstor Kirchner’s popularity and a weak and fragmented opposition—and without laying out a detailed policy platform. However, she will not be able to evade the host of challenges that await her, including an overheating economy, rapidly accelerating inflation, energy shortages and lingering social tensions.

To win in the first round, Mrs Kirchner, of the centre-left Frente para la Victoria (FV), will need to garner either 45% of the vote or 40% with a ten-percentage-point margin over her nearest rival. During the week prior to the election, several opinion polls have indicated that she will reach this threshold. She has maintained a significant lead over the other candidates throughout the campaign, and this has enabled her to give only sketchy suggestions of her policy priorities, and to spend much of the campaign period travelling abroad.


More of the same?

Her husband, Mr Kirchner, has pursued a series of interventionist and stimulative economic policies—such as strong fiscal spending, price accords and a weak currency—to help boost the recovery from the economic crisis and financial collapse of 2001-02. While Chinese-style growth of more than 8% in the last four years and a slashing of unemployment have underpinned his popularity, his administration has not been without its setbacks. These include a loss for political allies in several recent local elections (including in the contest for the federal district), corruption scandals, renewed power cuts, and social unrest in the provinces and in the capital.

Concerns about transparency and the independence of institutions have also been raised, given Mr Kirchner's tendency to concentrate power in the presidency (which his wife is expected to continue). These concerns have grown since early this year, when the government intervened in the national statistics institute. Authorities are believed to have “fixed” inflation data so that they appear more favourable than the real figures (largely by altering the composition of the consumer price index) in the run-up to the election. According to official statistics, annual inflation was at 8.6% in September; according to independent estimates, it is actually running at closer to 15-20%.

Opposition candidates have latched on to the inflation problem, and it has become a key election theme. There also have been a number of protests and boycotts over rising food prices in recent weeks. But in the face of robust economic growth, Mrs Kirchner's own high popularity has not been dented, and her electoral prospects are secure. A more testing time may come after the election, when she will face the challenge of reining in inflation and engineering a soft landing for the economy.

Incompatible policies

Mrs Kirchner's plans for the next administration remain vague. She has been notably absent on the campaign trail in Argentina, focusing instead on visiting foreign leaders and business investors in the region and in the US in recent months. Mrs Kirchner has said only that she will aim to forge a social pact between government, business and unions; will revisit how inflation is measured (to rebuild confidence in official data); and may gradually raise utility rates. By speaking at investors forums abroad, she has also raised expectations that she might address the issue of holdout creditors who did not participate in Argentina’s massive 2002 debt restructuring.

However, specifics probably will only come after inauguration day, December 10th, and the selection of her cabinet. Since she lacks administrative and executive experience of her own, her choices will be revealing of her likely policies, and should indicate whether they will amount to changes of substance, or only of style.

Argentina’s current policy goals are largely incompatible: maintaining strong economic growth, holding on to the twin (fiscal and current-account) surpluses, keeping inflation at single-digit levels, maintaining a weak currency and minimising rises in interest rates. Changes will be needed if Argentina is to avoid a hard landing for the economy in the medium term. But this could prove tricky.

Efforts will have to be made to tame inflation while also eliminating price distortions and easing price controls that have discouraged investment in areas such as energy and utilities. Fiscal spending should also be reduced to prevent an erosion of public finances, and private investment encouraged to fill the gap as economic growth slows.

Seen as more of a negotiator, Mrs Kirchner might find it easier to make such adjustments and adopt other unpopular measures than her husband (although he may well announce some of these measures during the transition period to cushion the impact on his wife's popularity). But does she have the will?

The Economist Intelligence Unit’s baseline forecast assumes that a moderate adjustment in macroeconomic policy, including some tightening of monetary policy, will be made soon after the election, and will ensure a relatively smooth transition. But this is far from assured. And if the problems—particularly inflation—worsen, Mrs Kirchner’s current popularity and fresh image may quickly wear away.

The view from cloud nine

From The Economist print edition

Why Brazil looks in better shape than many other emerging markets


RIGHT now it is hard to walk around swanky parts of São Paulo without running into someone who has an uncle, a cousin or a brother involved in a company float. As many as 27 firms made their debut on the São Paulo exchange, known as Bovespa, in the first half of the year, surpassing the total number of floats in the whole of 2006. And they keep coming.

IPO-fever is such that shares in the exchange itself were due to start trading on October 26th, as The Economist went to press. It should be a coming-of-age party for a market that has broadened, deepened and bounded ahead recently (see chart).

This is quite a turnaround. Five years ago interest rates were so high that investing in equities was an esoteric pastime. Trading volumes were languishing and companies were rushing to delist.

Since then, three things have happened. First, interest rates have come down. Second, steps have been taken to improve corporate governance. And third, Brazil's public finances have been tidied up by a combination of good housekeeping and the commodities boom. Even Warren Buffett, a shrewd American investor, has been buying the Brazilian currency.

The flirtation with equities is still in its infancy. Years of high interest rates have given Brazil a fixed-income culture, says Eduardo Mufarej of Tarpon Investment Group. Only a tiny proportion of Brazilians own shares. As interest rates continue to head down, Brazilian pension funds should increase their exposure to equities, which now lies at just 16%, excluding those of state-owned Banco de Brasil. Itaú, a Brazilian bank, reckons this will add up to an annual flow to the Bovespa worth between 18.5 and 24.5 billion reais ($10.2 billion and $13.6 billion) until 2010, which is more than foreign investors have put into the market during the past decade.

The same forces that have benefited equities have brought all sorts of snazzy new debt products to Brazil in the past couple of years. Mortgage and credit-card debts, which did not exist when interest rates hovered somewhere above the Corcovado mountain, are now being bundled together into securities and sold. The adventurous are even getting excited about more exotic products, such as precatórios, which bundle local-government debts.

How sustainable is all this? On the one hand, the IPO activity has been good for corporate governance. In order to attract interest, the recent IPOs have had to sign up to so-called novo mercado guidelines, which do away with the dual share classes, over-friendly board members and non-existent protection for minority shareholders that made life hazardous for outside investors. A further boost to confidence should come when Brazil's sovereign debt is upgraded to investment grade, which most people expect will happen within the next 18 months.

Familiar dangers lurk, though. Lots of good companies have taken advantage of favourable conditions to come to the market, but some pretty dreadful ones have too, according to Paulo Bilyk of Rio Bravo Investments. Brazil is more open than many other emerging markets and so more vulnerable to hot money. Some 70% of the money for the IPOs has come from foreign investors. That money would probably be the first to head for the exits in any wobble. And some of the new stocks are illiquid. Still, for the moment things are looking good. If you don't believe us, say São Paulo's financiers, ask Mr Buffett.

Desenvolvimento da zona leste deve ser prioridade


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pesquisa eleições municipais em Recife

Coluna de Magno Martins na Folha de Pernambuco

Mendonça consolida imagem

Algumas constatações óbvias da pesquisa do Ipespe sobre a sucessão de João Paulo no Recife, divulgada, ontem, dentro do pacote do “Barômetro Pernambuco”: Mendonça Filho se desvinculou completamente da imagem de Jarbas, de quem foi vice, ganhou luz própria e continua liderando nos três cenários avaliados.

Cadoca, que está em segundo, mas numa situação caracterizada de empate técnico, mostra, mais uma vez, que não pode ser um candidato subestimado, mesmo estando numa legenda nanica, o PSC. O candidato mais forte do PT, como se esperava, é o ex-ministro Humberto Costa, com 18% das intenções de voto, enquanto o mais fraco é Maurício Rands, com 2%.

João da Costa, o preferido do prefeito, aparece com 5%. A grande surpresa da pesquisa é o desempenho do candidato do PMDB, Raul Henry, que não consegue ultrapassar a casa dos 7%, mesmo depois de uma mídia intensa na tevê ao lado do senador Jarbas Vasconcelos.

Aliados do prefeito têm dito nos bastidores que farão uma campanha light em relação a Cadoca, porque quando seu nome é retirado de qualquer cenário em pesquisa, os votos migram quase na sua totalidade para Mendonça e não Henry. No mais, essa pesquisa vai dar mais munição às correntes do PT que passaram a combater a candidatura de João da Costa.

Cesar Maia parou 64% das obras de contenção, disse JB

Não foi fatalidade

Duilo Victor e Renata Victal

A Meta Anual de Trabalho da Geo-Rio, no começo do ano, era clara: seria necessário fazer obras em 38 encostas, incluindo drenagem e recuperação. No entanto, apenas 14 frentes estão sendo realizadas. As outras 24 estão paradas, sem nenhuma previsão. Já o programa de manutenção e recuperação de obras existe, mas não chegou a ser executado. Estavam previstas quatro recuperações e manutenções. A informação, levantada pela equipe do vereador Eliomar Coelho (PSOL), foi confirmada pelo diretor de obras da Geo-Rio, Márcio Machado, e talvez explique o desmoronamento de 7 mil toneladas de terra nas entradas de duas galerias do Rebouças na manhã de quarta-feira.

- Temos em andamento 14 contratos que resultam em 35 frentes de trabalho. Estamos investindo cerca de R$ 7 milhões em contenção. São obras preventivas e corretivas - garante.

Na avaliação do engenheiro, o trabalho mais importante é o que está sendo realizado na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras.

- Ali há o risco de desplacamento de laje rochosa ao lado da Universidade Santa Úrsula. Também concluímos uma obra importante na Rocinha. Todas estas obras são importantes porque evitam gastos maiores de obras emergenciais. Elas devem ser feitas - avalia.

Apesar das boas intenções do diretor, as obras não são realizadas por falta de verba. Foi a constatação de auditores do Tribunal de Contas da União. Uma inspeção realizada pelos auditores no Programa de Contenção de Encostas da prefeitura entre 1996 e 2006 revelou que obras sem caráter emergencial eram empurradas para o orçamento dos anos seguintes, e o que era preventivo tornava-se urgente. Os números mostram que, em 1996, a Geo-Rio gastou R$ 43,547 milhões em obras do programa e que, no ano passado a quantia despencou para R$ 2,598 milhões.

É justamente uma obra emergencial, ainda sem custo estimado, que será realizada para a remoção de lama na entrada do Rebouças e contenção daquela encosta. Com duração prevista de seis meses, ela só terá início quando a chuva cessar. De acordo com o diretor da Geo-Rio, serão construídos três muros de contenção atrás do já existente em cima do túnel.

- Já estamos elaborando o projeto. Vamos fazer outros três muros, em níveis diferentes, para não ter nenhuma possibilidade de novo desmoronamento - explicou um solícito Machado.

A expectativa do secretário municipal de Obras, Eider Dantas, é de reabrir o trânsito no túnel em, no máximo 72 horas.

- Só vamos liberar o trânsito no túnel entre 48 e 72 horas depois que a chuva parar. Vamos trabalhar com uma margem de segurança - argumenta.

Hoje, técnicos da prefeitura vão colocar um corante em duas tubulações, de duas polegadas cada, encontradas em meio à terra no alto do túnel. O objetivo é descobrir a origem da água.

Visivelmente irritado com a insistência da equipe do JB, que queria saber a localização dos canos para seguir até lá e fotografá-los, ele não titubeou:

- Você pode subir de carro e pedir autorização para o tráfico.

Tropa da Elite


José Pedro Goulart
Eduardo Rocca/Terra

Polícia Federal em operação de combate à pirataria: "um furo no sistema, ué!"



Ok, você está cheio desse assunto; já leu a respeito, discutiu com os amigos, debateu no trabalho, na sala de aula, enfim. Bom, se é o seu caso, procure outras matérias, eu não vou me importar. Eu vou é botar a minha colher torta nesse bolo que, aliás, vem recheado com muita coisa, menos farinha.

Estou no shopping (onde mais poderia estar?), assistindo ao filme em questão. Há fúria na tela. Na platéia, setenta por cento de adolescentes estão imersos nessa fúria. A música urra: TROPA DE ELITE PEGA UM, PEGA GERAL, TAMBÉM VAI PEGAR VOCÊ - é punk, voz metaleira; o som dolby estéreo amplifica os tiros, os gritos. Atrás de mim um garoto de 16 repete alguns diálogos do filme - quantas vezes terá ele visto o filme para isso? O capitão Nascimento, o mocinho do filme, se culpa, se justifica, se purifica. Nessa ordem. O nome do capitão é Nascimento, veja só, e no filme ele espera o nascimento de um filho. E também torce para que nasça um novo capitão Nascimento. E o "Tropa de Elite" vê "nascer" um ideário de força e repressão que andava latente - mas contido - junto à população.

No Rio, um grupamento do BOPE passa em treinamento perto da praia. A galera pára o que está fazendo e se vira para aplaudir. No cinema, em várias sessões, foram testemunhadas verdadeiras ovações no final. Gritos de "caveira!!" foram ouvidos em outras. Parte da população vê no filme um modo de desatar o nó da questão da insegurança no país: é isso, é preciso reagir com força. O capitão Nascimento tem métodos discutíveis? Ok, mas o próprio filme inicia dizendo que a ação das pessoas depende das circunstâncias. E as circunstâncias no filme estão sempre justificando o arbítrio, a esquematização simplória entre um lado e outro. Os autores do filme avisam que o filme apenas coloca a problemática nas telas, e que o personagem vivido pelo Wagner Moura não é herói.

Mas é mentira.

É evidente que o filme glorifica o capitão Nascimento. Sujeito leal à corporação, incorruptível, que chega a brigar com a mulher quando se viu tomando uma decisão errada - por influência dela - e um companheiro morreu. Sujeito capaz de se enternecer diante de uma mãe que não pode velar o filho morto (então invade a favela e, em troca de alguns sopapos, desenterra o corpo). Nascimento "é" o filme, sua alma, sua justificativa. É por causa dele que o BOPE é aplaudido na rua. E é por causa dele que a polícia se sente liberada de atirar em bandidos correndo em um descampado de dentro de um helicóptero. É por causa dele, pela admiração que provoca, que o menino de 16 anos, atrás de mim no cinema, repete os diálogos do filme. A população baba, esbraveja, acompanha: Caveira!!

"Tropa de Elite" aponta: A culpa é do sistema! O sistema que cria policiais corruptos, o sistema que amordaça e impede que se saia dele. ONGs de mentira, passeatas pacifistas fajutas, jovens de classe média alta sustentando o tráfico. É o sistema. Contra ele a farda, a lógica da repressão e da tortura, a elite da tropa - só a elite é incorruptível. Já vimos esse filme nesse país. Será preciso reprisá-lo?

Aliás, os produtores do filme reclamam que o filme foi pirateado antes de chegar aos cinemas. Ótimo. A pirataria é um furo no sistema, ué. Só que num outro sistema - esse outro que o filme aparentemente desconsidera. Um sistema que cria sub-sistemas, como o da corrupção da polícia. Um sistema permanentemente cioso de suas razões. Um sistema, do qual eu e você fazemos parte, aliás; que precisa, necessita, torce e luta por uma Tropa de Elite que o proteja. E o mantenha.


José Pedro Goulart é jornalista, cineasta e diretor de filmes publicitários.

Fale com José Pedro Goulart: zp.zeppelin@terra.com.br

Ver também

Ganhei meu dia

A Catastrophe Foretold


“Increased subprime lending has been associated with higher levels of delinquency, foreclosure and, in some cases, abusive lending practices.” So declared Edward M. Gramlich, a Federal Reserve official.


Paul Krugman.


These days a lot of people are saying things like that about subprime loans — mortgages issued to buyers who don’t meet the normal financial criteria for a home loan. But here’s the thing: Mr. Gramlich said those words in May 2004.

And it wasn’t his first warning. In his last book, Mr. Gramlich, who recently died of cancer, revealed that he tried to get Alan Greenspan to increase oversight of subprime lending as early as 2000, but got nowhere.

So why was nothing done to avert the subprime fiasco?

Before I try to answer that question, there are a few things you should know.

First, the situation for both borrowers and investors looks increasingly dire.

A new report from Congress’s Joint Economic Committee predicts that there will be two million foreclosures on subprime mortgages by the end of next year. That’s two million American families facing the humiliation and financial pain of losing their homes.

At the same time, investors who bought assets backed by subprime loans are continuing to suffer severe losses. Everything suggests that there will be many more stories like that of Merrill Lynch, which has just announced an $8.4 billion write-down because of bad loans — $3 billion more than it had announced just a few weeks earlier.

Second, much if not most of the subprime lending that is now going so catastrophically bad took place after it was clear to many of us that there was a serious housing bubble, and after people like Mr. Gramlich had issued public warnings about the subprime situation. As late as 2003, subprime loans accounted for only 8.5 percent of the value of mortgages issued in this country. In 2005 and 2006, the peak years of the housing bubble, subprime was 20 percent of the total — and the delinquency rates on recent subprime loans are much higher than those on older loans.

So, once again, why was nothing done to head off this disaster? The answer is ideology.

In a paper presented just before his death, Mr. Gramlich wrote that “the subprime market was the Wild West. Over half the mortgage loans were made by independent lenders without any federal supervision.” What he didn’t mention was that this was the way the laissez-faire ideologues ruling Washington — a group that very much included Mr. Greenspan — wanted it. They were and are men who believe that government is always the problem, never the solution, that regulation is always a bad thing.

Unfortunately, assertions that unregulated financial markets would take care of themselves have proved as wrong as claims that deregulation would reduce electricity prices.

As Barney Frank, the chairman of the House Financial Services Committee, put it in a recent op-ed article in The Boston Globe, the surge of subprime lending was a sort of “natural experiment” testing the theories of those who favor radical deregulation of financial markets. And the lessons, as Mr. Frank said, are clear: “To the extent that the system did work, it is because of prudential regulation and oversight. Where it was absent, the result was tragedy.”

In fact, both borrowers and investors got scammed.

I’ve written before about the way investors in securities backed by subprime loans were assured that they were buying AAA assets, only to suddenly find that what they really owned were junk bonds. This shock has produced a crisis of confidence in financial markets, which poses a serious threat to the economy.

But the greater tragedy is the one facing borrowers who were offered what they were told were good deals, only to find themselves in a debt trap.

In his final paper, Mr. Gramlich stressed the extent to which unregulated lending is prone to the “abusive lending practices” he mentioned in his 2004 warning. The fact is that many borrowers are ill-equipped to make judgments about “exotic” loans, like subprime loans that offer a low initial “teaser” rate that suddenly jumps after two years, and that include prepayment penalties preventing the borrowers from undoing their mistakes.

Yet such loans were primarily offered to those least able to evaluate them. “Why are the most risky loan products sold to the least sophisticated borrowers?” Mr. Gramlich asked. “The question answers itself — the least sophisticated borrowers are probably duped into taking these products.” And “the predictable result was carnage.”

Mr. Frank is now trying to push through legislation that extends moderate regulation to the subprime market. Despite the scale of the disaster, he’s facing an uphill fight: money still talks in Washington, and the mortgage industry is a huge source of campaign finance. But maybe the subprime catastrophe will be enough to remind us why financial regulation was introduced in the first place.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Boa notícia no combate a dengue

Representantes do Ministério da Saúde, do Instituto Butantan e da Fundação Gates, do criador da Microsoft, o milionário Bill Gates, se reuniram nesta quinta-feira para criar um cronograma de testes, produção e aplicação de uma vacina contra a dengue no Brasil.

Uma boa notícia, visto a propagação alarmante da doença. Só no Estado de São Paulo 78.614 habitantes contraíram a doença este ano. Das 645 cidades paulistas, 127 registram epidemia e na cidade de São Paulo ela cresceu 400% este ano.

Aguardando a vacina e necessário ampliar a campanha de informação e prevenção. Depois do descaso com o tema por aqui, está na hora de reagir.

O acordo entre os diversos entes federados e as fundações indica que a vacina é promissória.

A Folha Online informa que " Segundo o diretor-presidente do Butantan, Isaias Raw, a organização financiada pela Fundação Gates que desenvolve a vacina para levá-la ao mercado norte-americano está na fase de testes em macacos e em grupos de voluntários.

No Brasil, os testes com voluntários serão repetidos no verão de 2008, para "provar que a vacina produz anticorpos e não doenças", afirma Raw. Em 2009, o objetivo será produzir o medicamento em quantidade e testar sua capacidade de inibir o surgimento de dengue. Em 2010, por fim, a vacina deve chegar ao mercado.

Inicialmente, ainda de acordo com Raw, a vacinação atingiria os jovens, que são maioria entre os pacientes com dengue. Em seguida viriam as crianças, por prevenção."

Bryan Adams - Everything I Do

Whitney Houston - I Will Always Love You

Music video of The Bodyguard soundtrack 'I Will Always Love You' - Whitney Houston.


Lyrics:

(Verse 1)
If I should stay,
I would only be in your way.
So I'll go, but I know,
I'll think of you ev'ry step of the way.

(Chorus 1)
And I will always love you,
I will always love you.
You, my darling you. Hmm.

(Verse 2)
Bittersweet memories;
that is all I'm taking with me.
So, goodbye - Please, don't cry.
We both know I'm not what you, you need.

(Chorus 2)
And I will always love you.
I will always love you.

(Instrumental solo)

(Verse 3)
I hope life treats you kind
And I hope you have all you've dreamed of.
And I wish to you, joy and happiness.
But above all this, I wish you love.

(Chorus 3)
And I will always love you.
I will always love you.
I will always love you.
I will always love you.
I will always love you.
I, I will always love you.
You, darling, I love you.
Ooh, I'll always, I'll always love you.

Les sociaux-démocrates allemands se rééquilibrent à gauche

Des drapeaux avec le logo du parti social-démocrate allemand (SPD) à Bochum (Allemagne), en janvier 2002. | AFP/SEBASTIAN WILLNOW
AFP/SEBASTIAN WILLNOW

Des drapeaux avec le logo du parti social-démocrate allemand (SPD)
à Bochum (Allemagne), en janvier 2002.


Le Parti social-démocrate allemand est-il à l'image d'une épave à la dérive sur une mer tumultueuse ? La couverture de la dernière édition du magazine Der Spiegel témoigne du climat d'incertitude qui règne au sein du SPD alors que ses membres se réunissent en congrès à Hambourg à partir de vendredi 26 octobre.

A la traîne dans les sondages - il stagne à moins de 30 % depuis des mois -, le parti est pris en tenaille entre les unions chrétiennes CDU-CSU, ses partenaires au gouvernement, et le nouveau parti d'opposition Die Linke. A droite, les chrétiens-démocrates lui volent la vedette sur des sujets aussi porteurs que la famille ou l'environnement et profitent de l'aura internationale qui continue d'entourer la chancelière Angela Merkel (CDU). A gauche, le SPD se voit court-circuité sur les thèmes de la justice sociale par Die Linke.

Pour reprendre l'offensive dans la perspective des élections de 2009, Kurt Beck, président du SPD et ministre-président de Rhénanie-Palatinat, cherche à renouer avec l'électorat de gauche. Le nouveau programme, qui doit être adopté lors du congrès, met l'accent sur les références au "socialisme démocratique" et à "l'Etat social prévoyant".

Autre concession faite à l'aile gauche du parti, l'arrivée d'Andrea Nahles à la tête du SPD. Après avoir été une farouche adversaire de l'ex-chancelier Gerhard Schröder et avoir provoqué le départ anticipé de Franz Müntefering de la présidence du parti en novembre 2005, elle doit être élue vice-présidente en même temps que Frank-Walter Steinmeier, ministre des affaires étrangères, la cheville ouvrière des réformes lorsqu'il était le bras droit de M. Schröder à la chancellerie.

Dans ce droit-fil, M. Beck souhaite revenir sur l'une des mesures phares du programme de l'agenda 2010, hérité de l'ère Schröder, et va soumettre aux délégués une proposition qui vise à allonger la durée de versement de l'allocation chômage pour les plus de 45 ans, réduite à 12 mois sous la coalition SPD- Verts.

Soutenue par la base et l'aile gauche du parti, cette stratégie a donné lieu à un bras de fer avec M. Müntefering, vice-chancelier et ministre du travail. Pour éviter un conflit lors du congrès, ce dernier a expliqué la semaine dernière qu'il allait se plier à la volonté du parti.

Ses autres collègues au gouvernement, le ministre des finances, Peer Steinbrück, ou M. Steinmeier, sont tout aussi sceptiques, mais évitent de contredire M. Beck. Ils savent qu'il faut apaiser la base du parti très remontée contre l'agenda 2010 et répondre à l'aspiration d'une plus grande justice sociale au sein de la population. Si l'économie allemande a pu profiter des réformes initiées par le SPD, elles lui ont beaucoup coûté en terme d'image. Entre 1998, date de l'élection de Gerhard Schröder à la chancellerie et 2007, le nombre d'adhérents a chuté de 775 036 à 545 223 personnes.

Aussi, la proposition de M. Beck devrait être adoptée à une large majorité. Pour le politologue Richard Stöss, professeur à l'Université libre de Berlin, plus qu'un revirement à gauche, la stratégie du SPD se veut être un rééquilibrage par rapport à 1998, lorsque M. Schröder avait fait campagne sur le thème de l'innovation et de l'équité. Ce deuxième aspect avait disparu après le départ d'Oskar Lafontaine, aujourd'hui président de Die Linke, et l'adoption de l'agenda 2010.

Reste à savoir si cette réorientation portera ses fruits. Des élections régionales fin janvier en Basse-Saxe, en Hesse et à Hambourg serviront de test. A plus long terme, cette stratégie pourrait permettre au SPD de former une coalition avec Die Linke même si, officiellement, la direction du parti continue de l'exclure.

En dehors de la politique sociale, d'autres sujets promettent de donner lieu à des débats enflammés. Conduit par le ministre social-démocrate Wolfgang Tiefensee, le projet de privatisation partielle de la Deutsche Bahn, la société allemande des chemins de fer, heurte de nombreux sociaux-démocrates. Beaucoup craignent que l'entreprise publique devienne la proie d'investisseurs mal intentionnés. Là encore, M. Beck devrait imposer ses vues en proposant, pour 25,1 % du capital de l'entreprise, l'émission d'actions populaires, dépourvues d'un droit de vote. M. Steinbrück est opposé à cette motion, craignant qu'elle tienne les investisseurs à distance.

En politique étrangère, c'est la participation à l'opération de lutte antiterroriste "enduring freedom" (liberté immuable) (OEF) dirigée par les Etats-Unis qui suscite la controverse. Le ministre des affaires étrangères aura la délicate mission de défendre cet engagement.

Cécile Calla pour Le Monde

Terceirização

por Luiz Fernando Verissimo

Quem diz que nunca houve matança sistematizada de judeus, ciganos e incapazes na Alemanha tem razão: Auschwitz, Treblinka, Sobibor e os outros campos de extermínio nazistas ficavam na Polônia. A Polônia anexada pelo Reich era uma extensão do solo alemão e os campos eram construídos e geridos por alemães, mas isto é detalhe para quem pretende a inocência pelo distanciamento formal. Os americanos que hoje levam suspeitos de terrorismo para serem interrogados em países onde a tortura é comum, longe dos Estados Unidos, também pretendem a absolvição pela geografia.


Tem-se discutido muito no Congresso, na imprensa e nos tribunais americanos os limites do permitido na busca da informação antiterrorista depois do 11/9, mas os escrúpulos quanto à tortura chegam atrasados. Torturar pela mão dos outros é uma prática antiga dos Estados Unidos, mais notoriamente — no que nos diz respeito — nas atividades da "School of the Americas" onde policiais e militares latino-americanos iam aprender métodos de interrogatório e contra-insurgência para combater o comunismo no continente.


A Escola das Américas chegou a ser chamada ironicamente de anexo da Escola de Chicago, produzindo técnicos em repressão para garantir os teóricos do neoliberalismo que saíam do Departamento de Economia da universidade onde o Milton Friedman era a estrela, para nos catequizar. É bom lembrar, nestes tempos de entusiasmo das platéias pelo fascismo contra o crime e de reacionarismo ostensivo e festejado, no que deu tudo aquilo.


Coisas como a "Operação Bandeirantes", a aliança de empresários paulistas com policiais e militares na caça, literalmente, à esquerda, que deixou mortos e mutilados por toda parte — menos, aparentemente, na consciência dos responsáveis, ou, presumivelmente, no livro de realizações dos formandos da Escola das Américas. Que continua no mesmo lugar, Fort Benning, na Geórgia, agora com o nome mais específico de Instituto de Cooperação para a Segurança do Hemisfério Ocidental. Não se sabe se o currículo ainda é o mesmo.


Do Iraque chega a notícia de outro exemplo de distanciamento remissor.


Neste caso, uma novidade — a terceirização da guerra. A ocupação do país está sendo um grande negócio não só para a Halliburton e outras empreiteiras superfaturadoras mas para empresas paramilitares, exércitos privados que substituem a tropa normal em certas tarefas e que já têm quase tanta gente no Iraque quanto o exército regular, com contratos milionários.


Há dias uma dessas empresas, a Blackwater, que pertence a um conhecido financiador das campanhas do Bush e do Cheney, se viu envolvida na morte de civis iraquianos.


A Blackwater não está sujeita nem às leis do Iraque, nem às leis dos Estados Unidos e nem aos estatutos militares americanos. Só precisou pedir desculpas.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Marilyn, Stalin & besos brujos: íconos del SotsArt

Civilización & Barbarie Blog de Cristina Civale

Perseguidos desde 1972 hasta la Perestroika, excluidos todavía de los ámbitos oficiales, los artistas rusos que hoy transitan el camino del sots art(base pop +carga conceptual política de la vieja Unión Soviética), exhiben desde esta semana en la Maison Rouge de Paris.

Lo hacen en la muestra que llaman Sots Art: Art Politique en Russia.

La palabra sost art proviente de la combinación de las palabras arte y socialismo e implica el despliegue de una retórica lúdica sobre la propaganda soviética.

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Pioneras de Victor Skersis

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Dios, ayudame a sobrevivir este amor fatal de Dmitri Vrubel

Esta obra fue considerada como una expresión de "arte degenerado" por parte de Vladimir Putin.

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Stalin y Monroe de Leonid Sokov

La exposición, que se puede ver hasta el 20 de enero del próximo año, exhibe la obra de 60 artistas -organizados alrededor del grupo creativo Blue Noses- a través de 160 obras entre fotografías, pinturas e instalaciones.

Sin embargo, dos obras no podrán ser exhibidas dada la prohibición de su exportación presentada por el actual gobierno ruso: se trataría de una fotografía en la que se besan dos policías y de una pintura donde se muestra juntos a Hitler, Mao y Stalin.

Aquí un inquietante bonus track tomado del sitio de los Blue Noses.

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Una época de clemencia

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Serie Danzas políticas


Argentina: um grande passo na luta pela igualdade

Mujeres al poder: esperanzas, miedos y algún que otro prejuicio de género

Ocupan el 38% de los cargos nacionales con funciones ejecutivas en el país. En el ‘83 sólo controlaban el 4 por ciento de las bancas de la Cámara de Diputados, hoy suman más del 30% en ambas cámaras.

Pasaron 60 años de aquella ley que instauró el voto femenino en el país para que hoy, a cuatro días de las elecciones, la mayoría de las encuestas señalen que tendremos a nuestra primera presidenta electa. Las cámaras de Clarín.com salieron a la calle a tomar el pulso de un debate con rostro de mujer.

El matrimonio Kirchner, la prensa y la inflación


La candidata favorita a la presidencia argentina, Cristina Fernández, rompe el bloqueo a la prensa y concede una entrevista a un medio local

JORGE MARIRRODRIGA - Buenos Aires

EL País

La campaña electoral en Argentina finaliza hoy con las mismas previsiones con las que comenzó: la candidata oficialista, Cristina Fernández de Kirchner, tiene grandes posibilidades de ser elegida el próximo domingo como presidenta de Argentina sin necesidad de una segunda vuelta.

La única gran novedad es que la candidata Fernández ha concedido una entrevista a un medio de comunicación local, un hecho que en una elección en cualquier otro lugar del mundo no pasa de ser algo habitual y sin embargo en Argentina adquiere el rango de acontecimiento especial, dado el bloqueo a la prensa que ha caracterizado a la Administración del marido de la candidata, el presidente Néstor Kirchner.

Los Kirchner consideran, y así lo han declarado en público, que los medios de comunicación son un elemento distorsionador en la relación entre el gobernante y el gobernado y de ninguna manera constituyen un elemento necesario en una democracia. En consecuencia, el silencio es la política oficial de comunicación de la Presidencia de la República, cuyas opiniones y reflexiones sobre cualquier tema son conocidos sólo mediante los discursos oficiales de Kirchner, una estrategia denominada por importantes periodistas argentinos como “la dialéctica del atril”.

La esposa del mandatario y candidata del Frente Para la Victoria (FPV) sigue, en esto y en todo lo demás, la línea del presidente. De hecho, comparte portavoz con su marido.

Ayer mismo, en un almuerzo con empresarios, Fernández aseguró que la prensa “distorsiona” la realidad en lo relacionado con la inflación, ese fenómeno económico que, según alguno de los ministros del presidente, “no existe” en Argentina.

Una opinión que no comparten los ciudadanos que desde hace tres días han iniciado un boicot contra el precio de las patatas, después de lograr la semana pasada con una medida similar que las hortalizas dieran marcha atrás en una subida que en productos como el tomate llegó al 200%. En paralelo, los taxis de Buenos Aires se disponen a subir sus tarifas en un 20%.

En la entrevista que ha concedido a una emisora de radio porteña, Fernández pidió “no preocuparse sino ocuparse” de la inflación e insistió en que las cuestionadas cifras oficiales sobre el incremento de precios son las reales.

Pero precisamente ayer la provincia de Mendoza volvió a denunciar que las cifras que ha enviado a Buenos Aires para que se elabore el índice de septiembre han sido manipuladas a la baja. La provincia comunicó al Instituto de Estadística (Indec), intervenido por el Gobierno, que la inflación de septiembre es del 1,7%, pero el Indec dice que es apenas del 0,8%.

Según Fernández, la polémica sobre la inflación ha sido instalada en la opinión pública por los partidos opositores.

Para la noche de ayer estaba previsto que la candidata del FPV apareciera entrevistada en un programa de televisión por dos conocidos periodistas y así se produjera un hecho inédito desde que Kirchner accediera a la presidencia y la candidata se convirtiera en primera dama: dos entrevistas en un día.

A frase do dia

Sobre o tema tratado no post "Consenso ou enxaqueca", me veio a frase do patrão dos patrões franceses:

"Avant on avançait dans la mauvaise direction, maintenant on recule dans la bonne" Ernest-Antoine Seillière (2002)

Antes avançávamos na direção errada, agora recuamos na boa direção.

Consenso ou enxaqueca

Foi necessária uma firme declaração da Ministra Dilma Rousseff, em Washington, proclamando que o debate sobre 2010 visava acabar com o governo, para que o próprio presidente e seus ministros - incluída a própria - caíssem na real.

Incentivar o debate sucessório, encorajar a pre-candidatura de Ciro e pesquisas sobre Dilma, plantar notinhas permanentemente sobre esse tema e ao mesmo tempo ignorar a construção de uma pauta política de governo e inclusive as eleições municipais de 2008, foi a manifestação de um clima de palanque, inimigo da agenda de governo.

A impasse sobre a votação da CPMF e o terrorismo verbal acabariam desaguando para uma derrota séria do governo amputado de um imposto absolutamente indispensável.

O bom senso aparentemente prevaleceu e o bom sinal veio também da própria Dilma, sobre os novos paradigmas a serem construidos entre governistas e oposição. Mereceu elogios até do editorial do Estadão.

Do lado do PSDB, a predisposição ao confronto antecipado sobre 2010 beneficiava o lado falcão dos tucanos, em detrimento dos governadores interessados numa pauta de governo. Este interesse de Serra e Aécio não está motivado exclusivamente pelo favoritismo deles para 2010. Intervém também um cálculo sobre o impacto de um clima de confronto acirrado com uma figura popular como a de Lula e fundamentalmente, com o céu de brigadeiro da economia brasileira nos próximos anos. O desgaste na opinião pública seria conseqüente e maior ainda entre os empresários e banqueiros. E como se sabe, não é por acaso que tucano tem bico d'oro e ele é pesado. Opinião das elites valem o dobro!

Um bom acordo sobre a CPMF é tão importante para o governo como para esses presidenciáveis tucanos, ajudando a isolar os partidários da radicalização. Se FHC e Alckmin seriam postos no escanteio, o mesmo acontecera com os "xiitas tucanófagos" no próprio PT.

A construção de consensos, além de benéfica para o pais, será um elemento de decantação nos partidos políticos com impacto em todas as forças, da situação e da oposição. Abriria espaço para um debate sério sobre a agenda de reformas que o Brasil aguarda e seguramente influenciaria setores da mídia hoje empenhada na agenda negativa.

Talvez eu esteja confundindo meus desejos com a realidade. É possível. Às vezes as pessoas confundem mão estendida com fraqueza e no lugar de espreitar a mão, cospem nela.

Nesse caso eu acordarei logo desinebriado, já a enxaqueca da ressaca acompanhará o brasileiro durante longos três anos, pelo menos.

Luis Favre

Muda tudo nas teles

de Thomas Traumann



Assim como os cadernos de economia nacionais, o diário espanhol El País destaca a decisão da Anatel (a agência brasileira de telecomunicações) de aprovar, com restrições cosméticas, a compra da operadora TIM pela Telefônica. A espanhola Telefónica tem 50% de participação na Vivo. Juntas, Vivo e TIM têm 53% do mercado brasileiro de celulares.

Mas a decisão mais relevante da Anatel não foi a da TIM, mas a autorização para a compra da operadora de TV a cabo Way Brasil pela Oi (grupo Telemar). Negada outras duas vezes, essa decisão abre a porteira para convergência de serviços de telefonia fixa, móvel, TV por assinatura e banda larga, o chamado 'quadruple play'. Também abre caminho para a aquisição da empresa de TV paga TVA pela Telefónica. O Estado informa que a Associação Brasileira de TV por Assinatura deve recorrer à Justiça contra a decisão para impedir a entrada das companhias telefônicas no mercado.

Leia a integra do O Filtro no portal da Época

Thomas Traumann O Filtro é um guia para você começar o dia bem informado. Colunista de política e chefe da sucursal da revista ÉPOCA no Rio de Janeiro, Thomas Traumann acorda cedo e lê os principais jornais do Brasil e do mundo. Depois, analisa e comenta as notícias mais relevantes do dia, poupando seu trabalho de se perder na avalanche de informações da internet.

Vamos ver se o bom (con) senso prevalece

Por que Lula prefere negociar

Luiz Weis

Um dia Lula comentou com Hugo Chávez o que, no seu entender, era a grande diferença no comportamento político de ambos. Eles falavam das relações dos respectivos governos com os Estados Unidos, e o brasileiro observou, talvez com menos palavras do que as que se seguem, que a formação militar deixara no seu interlocutor uma afinidade com a lógica do enfrentamento. Nela, a meta de cada uma das partes é necessariamente se impor à outra, transpondo para o terreno político o que os teóricos da guerra esperam que aconteça nos campos de batalha. Já ele, Lula, aprendera na escola do sindicalismo que a negociação é preferível ao confronto precisamente porque o seu resultado não é um jogo de soma zero, em que o vencedor fica com tudo.

Pois, se os trabalhadores de uma fábrica conseguissem deixar o patrão de joelhos, fazendo-o cumprir todas as exigências apontadas para o seu peito, correriam o risco de ser atingidos pelo efeito bumerangue, caso isso enfraquecesse a companhia a ponto de levar os seus dirigentes a não oferecer novos empregos, ou, pior ainda, a cortar pessoal. Decerto o pragmático ex-líder metalúrgico teve a delicadeza de não dizer ao coronel de Caracas o que tampouco precisou que algum “barbudinho da USP”, com o radicalismo temperado pelo conhecimento, lhe ensinasse: acomodação e conflito são faces da mesma moeda, e conflito fecundo é aquele que, por vias tortuosas, conduz a um desfecho mutuamente vantajoso, ainda que mais vantajoso para uns do que para outros.

Pouco importa o que ficou daquela conversa para o bolivariano. Para o Brasil, no entanto, esse flagrante da mentalidade política de Lula - repassado por um petista que não se perderia se deixado solto nos corredores do Palácio do Planalto - ajuda a entender por que Lula nunca rasgou nota de mil, embora muitas vezes agisse como se fosse fazê-lo em menos tempo do que gastou para vestir naquele dia a camiseta com a carrancuda inscrição “hoje não tô bom”. A propósito, os americanos têm uma fórmula preciosa para rebater avaliações catastrofistas que consideram desproporcionais à realidade dos fatos. “Considere as alternativas”, propõem aos assustados.

Considerem, pois, os críticos implacáveis de Lula a alternativa com que teriam de se defrontar se, com o prestígio que o homem acumulou, sem paralelo na História nacional, tivesse ele a cabeça de um valentão político, pronto a se servir de sua imensa popularidade como arma para golpear os seus adversários. É verdade que, no auge do mensalão e na reta final da campanha de 2006, principalmente, ele não se guardou de dar um sentido ameaçador à expressão marqueteira “com a força do povo”. Mas, no íntimo, ele nunca flertou com a idéia de virar a mesa, exatamente por se guiar, desde os tempos heróicos no ABC, pela lógica do custo-benefício, que tentou transmitir a Chávez.

Como a esmagadora maioria dos políticos, Lula tem mais de uma face, e não serão raros os seus companheiros e ex-companheiros com histórias nada edificantes a contar sobre a sua intolerância com o dissenso que ele perceba como ameaça à sua hegemonia. Mas a face do Lula negociador não é uma ilusão de ótica - e eis aí a que vem a historieta da aula que deu a Chávez sobre os benefícios de saber até onde ir em situações de antagonismo. Em primeiro lugar, a democracia brasileira deu sorte. Já lá se vão 12 anos que o Planalto tem ocupantes chegados a uma negociação. Digam o que queiram os tucanos e os petistas iracundos, essa é mais uma dimensão da continuidade que, literalmente, só não vê quem não quer, entre Fernando Henrique e Lula.

Cada qual a seu modo, vai sem dizer, ambos concebem a política como um processo de encurtamento de distâncias à primeira vista insuperáveis. Isso não faz de nenhum deles uma Madre Teresa de Calcutá (antes, bem entendido, da desconstrução de sua figura). Mas não vem ao caso aqui arrolar as culpas que lhes cabem, registradas em cartório, por não terem combinado liderança e persuasão para tornar mais respirável o ambiente político. (Lula, em especial, enfrenta a robusta acusação de que, na sua era e nem um pouco à sua revelia, a poluição política aumentou no Brasil.) O que leva ao segundo motivo por que se justifica tomar o episódio do seu diálogo com o presidente venezuelano como ponto de partida para ressaltar que o País está no lucro pelo fato de também Lula valorizar a construção de consensos como viga mestra da governança, embora a impressão que passa seja a da velha compra e venda de apoios.

A tal ponto chegou a repugnância dos setores mais vocais da opinião pública com as sessões contínuas de baixaria política que toda negociação é automaticamente percebida como corrupção disfarçada. A própria imprensa tem revelado, com os escândalos que noticia, a sua própria dificuldade em ajudar o leitor a distinguir acertos espúrios de acordos legítimos. Dificuldade compreensível porque não há uma cortina de ferro a separar as coisas. Mas algo se move. Ainda que, na África, Lula tenha reagido com um arreganho à resistência do DEM, o ex-PFL, à prorrogação da CPMF, não foi à revelia dele que os seus ministros procuraram a oposição para conversar, antecipando-se à tramitação formal, no Senado, da respectiva emenda constitucional aprovada na Câmara. De volta, mandou que seguissem em frente.

Claro que governo algum negocia por bom-mocismo, mas por necessidade, quando lhe falta chão firme para prevalecer no Legislativo. Isso, porém, é detalhe perto dos indícios animadores de que enfim se voltou a fazer política, em face de uma questão essencial como o destino do imposto do cheque. “Um espírito de negociação legítima começa a impregnar as discussões no Senado”, comentou a Folha de S.Paulo. É esse espírito, reminiscente do que Lula disse a Chávez, que pode ajudar a secar a mala sangre entre o governo e a oposição extremada.

Luiz Weis é jornalista

Sucessão de Lula se insinua na negociação da CPMF

Valor

Não apenas o governo tem necessidade e urgência de fechar uma negociação com o PSDB para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O tributo tem mostrado enorme potencial desagregador também na oposição. No Senado, teve o poder de afastar o PSDB do arquialiado DEM, que fechou questão pela rejeição da emenda - se aprovada, manterá até 2011 aquele que seria conceitualmente um ônus provisório nas transações bancárias. E desde o final da semana passada a divisão interna dos tucanos em torno da contribuição aparece límpida e cristalina nas páginas dos jornais.


Os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), presidenciáveis tucanos, autorizaram a cúpula do partido - o presidente, Tasso Jereissati, o vice, Sérgio Guerra, e o líder no Senado, Arthur Virgílio - a negociar uma "proposta concreta". Parece ser esse o caminho tomado pelos dirigentes, já que ontem Jereissati anunciava como "radicalização" a pressão sobre o governo para que este apresente "proposta sólida, de impacto", para compensar a CPMF. A "radicalização" pode ser entendida como seu oposto: disposição de conversar, na medida em que, diferente do DEM - que não admitiu qualquer diálogo -, o PSDB aceita, sim, discutir uma "proposta de impacto". Mas a posição é divergente da alardeada pelo vice-líder, Álvaro Dias (PR), como sendo a de 10 dos 13 senadores do PSDB, que querem rejeitar a CPMF.


O que faz a cúpula do PSDB acenar com uma posição conciliatória, mesmo não representando a maioria da bancada? Esse mistério é resolvido com uma simples consulta à CNT/Sensus de outubro. São os tucanos Serra e Aécio os favoritos na disputa de 2010 para a Presidência. Apenas Ciro Gomes (PSB-CE) passaria discretamente à frente se fosse disputar com Aécio Neves. Em todas as simulações, Serra se apresenta como o melhor candidato. Isso quer dizer que Lula deve sair do cargo com boa popularidade, mas não conseguirá transferir votos para um candidato da base. A posição de Ciro pode ser atribuída ainda ao recall da disputa de duas eleições presidenciais.


Hoje, o cenário forte para 2010 é a vitória de um candidato tucano. A prorrogação da CPMF proposta pelo governo vai até 2011, quando o novo presidente já teria assumido e procedido às negociações com o Congresso para extinguir, manter ou substituir o imposto. Se agora o PSDB optar por uma negociação de redução gradual da contribuição, de tal forma que ela seja muito menor em 2011, o sucessor de Lula assumirá o país com uma arrecadação, em tese, sensivelmente menor. Isso move o governador paulista, por exemplo, a sustentar que, "comparando com os outros [impostos], [a CPMF] é o menos pior". Talvez por isso, na convenção estadual do partido, o ex-governador Geraldo Alckmin tenha radicalizado em direção oposta: manter uma faixa própria de liderança no diretório paulista é fundamental para que sobreviva, e só conseguirá isso se radicalizar e rivalizar com Serra, que hoje prefere ser oposição morna - para um candidato a presidente, usar de radicalismo para disputar com Lula, que é popular, não é um bom caminho, como ensinaram, aliás, as eleições de 2002.


Esse é o espaço que o governo tem para negociar com os tucanos. Mas apenas conseguirá isso se ele próprio, governo, não radicalizar. Não tem sido a melhor das estratégias botar os ministros na linha de frente, com o discurso "ou a CPMF ou o caos". Com o aumento cada vez maior da arrecadação, não é o caos nem impossível pelo menos uma redução gradual da contribuição. E não é uma boa idéia colocar o PSDB como refém do discurso do caos - as pressões têm várias contra-indicações, inclusive a de ter o potencial de fazer os tucanos mudarem de idéia. Seria mais inteligente acenar com uma proposta consistente de desoneração tributária, que seja uma saída para o PSDB que negocia. Assim, os tucanos poderiam manter-se discretamente como oposição, mas sem fazer marola, esperando as próximas eleições presidenciais. Isso pode ser bom para ambos, mas nem tanto para o país, que há anos houve o discurso do imposto "menos pior" - enquanto eles se empilham - sem que o Congresso e as unidades federadas se debrucem seriamente sobre uma reforma tributária, que tire da agenda política os impostos "menos piores" e dote o país de tributos melhores.

Sem apoio, Brasil é o único competitivo em etanol

Valor de Genebra

A produção de etanol no Brasil deve alcançar 44 bilhões de litros em 2016, um volume 145% maior mais que as quantidades produzidas em 2006, segundo projeções da Organização para Cooperaçao e Desenvolvimento Economico (OCDE). A entidade dos países ricos considera que o Brasil é o único capaz de produzir etanol de maneira economicamente viável.

A entidade estima que, como a rentabilidade deverá aumentar, o crescimento da quantidade de cana-de-açúcar para etanol deve ser mais modesta em termos relativos no Brasil, mas aumentando em todo caso 120% nos próximos nove anos. A cana para etanol deverá representar 60% da produção total.


Nos Estados Unidos, a produção de etanol, que é feito a partir do milho, deve crescer 50% este ano e dobrar até 2016. O volume de milho utilizado para o biocombustível chegará a 110 milhoes de toneladas, 32% a mais. Na União Européia, o consumo de biocarburante (etanol e diesel) pode aumentar até 170%, com ligeiro aumento de importações e forte demanda por matérias-primas.


A OCDE considera que, enquanto o Brasil não precisa de subsídios, os Estados Unidos, Uniãoo Européia e outros países ricos, sem a mesma competitividade, estão é transferindo vários tipos de subsídios agrícolas distorcivos para etanol e biodiesel.


A constatação é de Stefan Tangermann, diretor de comércio e agricultura da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


A entidade Global Subsidies Initiative (GSI) calculou recentemente que o montante de subvenções dos países ricos para produção de biocombustíveis varia de ? 10 bilhões a ? 15 bilhões por ano, e tende a aumentar para os governos respeitarem suas metas de substituir gasolina por etanol e biodiesel.


"Está havendo uma mudança da direção de certos subsídios, sem duvida", disse Tangermann. Estudo da OCDE do ano passado, e que está sendo reatualizado a pedido da Suécia e Holanda, mostra que o etanol brasileiro é viável economicamente a partir de US$ 39 o barril de petróleo. Já a produção só teria sentido econômico nos Estados Unidos, Canadá e União Européia com o barril de petróleo variando de US$ 44 a US$ 145.


Enquanto deflagra o sinal de alarme sobre as subvenções para etanol nos países ricos, a OCDE não esconde sua impotência em relação ao algodão. A briga entre o Brasil e os EUA continua no centro dos debates. Mas a entidade até hoje não pode publicar o volume dos subsídios americanos ao produto, com base em suas estimativas, por causa do bloqueio de Washington.


Tangermann não escondeu que a questão "é politicamente sensível. Os Estados Unidso argumentam que algodão não faz parte das principais commodities nas estatísticas da OCDE, e portanto não deve ter a ajuda calculada. "Esperamos convencer os EUA...um dia", disse outro técnico da entidade. (AM)

Especialistas: cidades podem ficar ingovernáveis

Crise nas metrópoles brasileiras domina o primeiro dia da reunião anual da Anpocs, em Minas

Chico Otavio
Enviado especial

O Globo

CAXAMBU (MG). Um diagnóstico sobre as cidades brasileiras, que acumulam os efeitos mais dramáticos da crise social do país, ocupou ontem dois seminários no primeiro dia do 31º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). Os participantes alertaram que o atual modelo produtivo — que protege o emprego qualificado, criando guetos urbanos de classe média alta, e estimula a informalidade, entregando as áreas carentes ao “controle do mercado local” — mantém intacto o nível de desigualdade nas grandes metrópoles e aponta para um quadro futuro de ingovernabilidade.

Os dois seminários, “A Metrópole e a questão social” e “Cidades: perspectivas e interlocuções nas ciências sociais”, mostraram as contribuições que cientistas políticos, antropólogos e sociólogos podem oferecer para o debate sobre as cidades brasileiras. O professor Luiz César Queiroz Ribeiro, da UFRJ, disse que a gestão das metrópoles do país está à deriva, uma vez que os governos municipais, estaduais e federal não se integram e raramente acertam ações coordenadas. — São João de Meriti, na Baixada, concentra o mais alto índice de poluição do ar entre os municípios fluminenses. Porém, quem está produzindo esse gás carbônico é o Rio. Portanto, é impossível para a Prefeitura de São João pensar em qualquer alternativa para enfrentar o problema se a ação não envolver o Rio — disse.

O Brasil tem hoje 15 grandes aglomerações urbanas exercendo um papel de articulação, diferentemente de países vizinhos, que abrigam uma única grande metrópole cada um. Há, segundo os pesquisadores, uma relação entre potencial econômico e aglomeração urbana (a metrópole representa consumo, força produtiva e inovação). Segundo eles, isso tem sido um ativo, do ponto de vista do desenvolvimento nacional, ao mesmo tempo em que é um grande problema. — É também um passivo. As grandes cidades são o coração da problemática social no Brasil. Parte desses passivos é herdada do modelo anterior, que combinou um grande salto econômico com desigualdade — disse Luiz Cesar.

Os participantes lembraram que, no novo modelo de desenvolvimento, o mercado de trabalho está cada vez mais segmentado. Hoje, a qualificação protegida caminha lado a lado com a economia da informalidade. Ao ficarem entregues à regulação do mercado, esses lugares são cada vez mais um território livre para o narcotráfico e as milícias. A discussão sobre cidades foi um dos temas do primeiro dos três dias de debates na Anpocs em Caxambu, no Sul de Minas. O evento terá este ano 35 seminários temáticos, 26 mesas-redondas, 11 conferências, nove sessões especiais e quatro cursos sobre diversos temas, da crise de representação política às mudanças climáticas, incluindo os já tradicionais debates sobre gênero, sexualidade e violência.

Expansão agrícola do País será 'espetacular'

Mas OCDE alerta para impactos no meio ambiente

Genebra - O Estado de São Paulo

O Brasil será o maior exportador de soja do mundo em 2009 e, em dez anos, venderá mais carne que todos os seus concorrentes juntos. As projeções são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que destaca o crescimento “espetacular” da agricultura brasileira nos próximos dez anos.

Mas a entidade não esconde o temor pelo impacto desse crescimento no meio ambiente. Para a OCDE, o País tem a “difícil tarefa” de resolver o dilema entre proteger as florestas e aproveitar as oportunidades de negócios. Outro problema é a concentração cada vez maior de terras que nem a reforma agrária poderá reverter.

As projeções para a agricultura mundial até 2016 não deixam dúvida de que o futuro do etanol definirá o volume de terra destinado aos demais setores, e até definirá o preços das commodities. Nesse cenário, a OCDE estima que o Brasil tem tudo para avançar na produção.

Segundo as projeções da entidade, as exportações devem promover o “retorno de um sólido crescimento no Brasil”, com taxas do PIB beirando 4% por ano até 2016. Nem mesmo o real valorizado deve ser um problema para a expansão das exportações nacionais de produtos agrícolas. A OCDE, porém, não descarta que a demanda internacional pelos alimentos brasileiros possa acabar gerando inflação no País.

Outra preocupação da entidade é com o impacto da expansão agrícola do Brasil no meio ambiente. “As autoridades brasileiras se confrontam com a difícil barganha entre os benefícios econômicos da expansão agrícola e os benefícios ambientais da preservação da floresta”, diz o relatório, que destaca a Amazônia como apenas um desses dilemas. “O impacto dos pesticidas e do uso agrícola da água sobre os recursos são outras preocupações geradas pelo sistema produtivo no Brasil”, alerta a OCDE.

Apesar disso, as projeções são de crescimento da produção em quase todas as áreas. No setor de carnes, por exemplo, o País vai chegar a 2016 superando o volume de todos os demais concorrentes juntos e dominará 28% da carne exportada no planeta. Isso significa um total de exportações superior às vendas de Estados Unidos, Canadá, Argentina e Austrália somados. Hoje, o País tem 23% desse mercado. Segundo as projeções, o mercado mundial de carne deve aumentar em 7 milhões de toneladas até 2016. Já as vendas brasileiras devem adicionar outras 3 milhões de toneladas do mercado, chegando a 8,4 milhões de toneladas de carne.

O Brasil ainda vai superar as exportações dos Estados Unidos em soja até 2009, com seu crescimento de 3,9% por ano na produção. Em dez anos, a produção no País aumentará em mais de 54% e o Brasil responderá por 38% da produção mundial. A expansão ocorrerá tanto graças ao aumento da produtividade como da área plantada.

Em termos de exportação, o País somará 18 milhões de toneladas até 2016. Na prática, o Brasil passará a ter 41% do mercado, ante os 30% de que dispõe hoje. A OCDE destaca que os exportadores de soja são beneficiados por políticas tributárias.

CONSUMO

Ao contrário das últimas décadas, porém, os maiores índices de crescimento do consumo não estão nos países ricos, mas nos emergentes. Para a OCDE, os países exportadores devem se focar nesses mercados, se de fato querem expandir suas vendas. No setor de carnes, por exemplo, o aumento do consumo nos países emergentes será de 3,2% por ano, ante 0,9% nos países ricos.

O mesmo deve ocorrer com o consumo de manteiga, que terá alta de 3,4% ao ano nos países em desenvolvimento e estagnação nos ricos. No caso do açúcar, a alta será de 2,2% por ano nos emergentes, ante 0,5% nos países desenvolvidos. O resultado é a queda na participação dos países ricos entre os principais consumidores e a transformação da China na maior importadora de soja do mundo.

De fato, a OCDE prevê que a década pode ser a melhor em crescimento da história. Isso graças à entrada de países emergentes nos mercados. Nem mesmo a crise americana seria um problema, já que poderia ser rapidamente superada. Brasil, Índia, China e Rússia teriam uma participação cada vez maior na economia mundial e serão a chave para o desempenho positivo até 2016. J.C.

NÚMEROS

28 %

da carne exportada no planeta em 2016 será proveniente do Brasil, ante 23% atualmente

3,9 %
ao ano é o crescimento da produção de soja brasileira

54 %
é a projeção de crescimento da produção de soja em 10 anos

41 %
do mercado mundial da soja deverá ser do Brasil nos próximos 10 anos, ante os 30% atuais

Arranjo esquisito

Celso Ming, celso.ming@grupoestado.com.br

Há uma semana, três grandes bancos americanos, o Citigroup, o Bank of America e o JP Morgan, anunciaram a criação de um superfundo de US$ 75 bilhões destinado a resgatar os títulos micados no estouro da bolha das hipotecas de alto risco (subprime).

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos (ministro das Finanças), Henry Paulson, encorajou o lançamento desse bote salva-vidas.

De lá para cá, uma cortina suspeita envolveu o projeto. Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), colocou em dúvida a seriedade do fundo: 'Gostaria de saber quanto valem essas drogas (damn things).' O presidente anterior do Fed, Alan Greenspan, que mantém o prestígio capitalizado ao longo dos seus 19 anos de mandato, ao se referir ao superfundo e a seu provável conteúdo, usou expressões que se referem a tratamento natural dado a carniça: 'Se você intervém no sistema, os abutres são mantidos à distância; e os abutres são às vezes muito úteis.'

Ficaram duas impressões: (1) que a iniciativa dos bancos se destina a fazer o resto do mundo de trouxa, com patrocínio do Departamento do Tesouro americano; e (2) que os três bancões americanos, enredados até o pescoço com hipotecas podres, estão fazendo uma jogada cujo objetivo é evitar prejuízo em seus balanços.

O plano parece ser o de convencer os clientes a comprar as cotas do superfundo. E a dinheirama amealhada agasalharia os ativos encalhados em carteira.

O problema técnico mais relevante é o de que a principal razão do estouro da bolha das hipotecas subprime já havia sido a impossibilidade de definir o valor correto desses ativos. A proposta é reempacotar esses produtos financeiros, a preços arbitrados sabe-se lá por quem, e oferecê-los a supostos caçadores de pechinchas. E, para dar uma aura de respeitabilidade ao negócio, convenceram o secretário do Tesouro a recomendar a mercadoria.

Diante das restrições públicas externadas por Bernanke, Greenspan e dezenas de financistas, parece difícil que esse superfundo decole. Se não decolar, estaremos diante de pelo menos cinco conseqüências.

A primeira é que a crise continuará sem solução até que os detentores dos títulos micados se convençam de que devem liquidar seus créditos a preços de fim de feira ou esperar que os abutres lembrados por Greenspan façam o serviço.

Segunda, parece inevitável que grandes instituições financeiras acusem perdas. Há alguma probabilidade de que os bancos centrais sejam obrigados a acionar seus mecanismos de cobertura (financiamento de última instância) para evitar o alastramento sistêmico da crise.

Terceira, nesse ambiente, parece inevitável que o Fed seja obrigado a voltar a baixar os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Fomc, na sigla em inglês) do dia 31.

Quarta, a crise deverá ter novos desdobramentos cuja intensidade é difícil prever. E, quinta, como os bancos centrais dos países ricos mantêm a disposição de apagar todo princípio de incêndio, os investidores continuarão aceitando riscos cuja natureza e dimensão possam entender. Isso sugere que o mercado subprime seguirá largado e que o mercado de ações, de moedas e de commodities continuará tirando proveito disso.

Confira

Na rabeira - Neste ano, os juros básicos (Selic) caíram de 13,25% para 11,25% ao ano - um recuo de 15,1%. No entanto, os juros no crédito dos bancos não acompanham essa queda. Pelo levantamento do Banco Central, no desconto de duplicatas, os juros só caíram 12,5%; no financiamento de capital de giro, 10,3%; no cheque especial, 1,4%; e no crédito pessoal, 13,6%.

Em parte, a queda menor dos juros compensa o alargamento do prazo dos financiamentos, o que é também uma vantagem dos bancos. Num ambiente de redução dos custos financeiros, trataram de garantir juros ainda altos por mais tempo.

Jascha Heifetz plays Tchaikovsky Violin Concerto: 1st mov.

Jascha Heifetz plays Tchaikovsky Violin Concerto in D Major, Op. 35: I. Allegro moderato

*NOTE: This was from a movie, so Heifetz skips a LOT of the first movement due to time constraints. He skips nearly half of the piece, and so does the orchestra.

So please don't ask for second or third movements because I do not have them.


You also get to see a bit of Heifetz acting at the end. A great treat!

Conductor: Fritz Reiner

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Insultar en el blog se paga

Varias sentencias judiciales empiezan a poner coto a la impunidad en la Red - Los casos de "cibervandalismo" obligan a muchas páginas a moderar el ´tráfico´



Por M. R. Sahuquillo y R. Muñoz


MADRID (EL PAIS).– Insultos, comentarios ofensivos o incluso publicidad engañosa. Mensajes que buscan intencionadamente provocar la reacción del autor del blog o de los otros comentaristas. Son los llamados troll, y buscan desde divertirse hasta molestar al blogger o desviar la discusión que se está manteniendo. El mundo blog, el universo que ha permitido a millones de personas compartir opiniones, aportar datos o explicar sus vivencias personales, empieza a mostrar su lado más vulnerable. Los casos de juicios por injurias, acoso, problemas empresariales aireados, empiezan a proliferar. Y la impunidad de la que se ha gozado hasta ahora empieza a resquebrajarse.

Dos sentencias en Reino Unido acaban de reabrir la polémica sobre la responsabilidad de los comentarios anónimos que se vierten en las webs. El presidente y los máximos directivos del club de fútbol inglés Sheffield Wednesday han ganado una demanda que obliga a los propietarios de una web a identificar a los autores de una serie de comentarios ofensivos contra ellos.

En concreto, el juez condena al dueño de la página aowstalk.co.uk a desenmascarar la identidad de tres fans del equipo que, bajo apodos como halfpint (media pinta), habían mostrado su insatisfacción por la marcha del club, cargando contra los directivos mediante unos comentarios en los que se les acusaba de "avaricia, egoísmo, desconfianza y deshonestidad", según publicó ayer el periódico británico The Guardian. Eso sí, el magistrado ha desestimado la identificación de otros ocho fans al entender que sus comentarios eran simples bromas.

Otra sentencia de la pasada semana condenaba a John Finn, propietario de la firma inmobiliaria Pallion Housing, al considerarle responsable del lanzamiento de una campaña mediante comentarios anónimos colgados en distintas páginas en Internet contra su rival Gentoo Group, sus empleados y su dueño, Peter Walls.

En España, los tiros apuntan hacia otro lado. Las denuncias se dirigen mayoritariamente hacia las páginas web o los bloggers, en lugar de hacia los participantes en los foros. Así ocurre en los tres casos abiertos en los tribunales por denuncias sobre comentarios colgados en webs. El más reciente es la sentencia de un juzgado de primera instancia de Madrid que condenó en septiembre a pagar 6.000 euros a un presunto responsable de la web alasbarricadas.org por los comentarios anónimos vertidos contra José Ramón Julio Márquez, el cantante Ramoncín.

El abogado Carlos Sánchez Almeida, cuyo bufete lleva el caso, critica la sentencia porque, al contrario de lo sucedido en Reino Unido, en ningún momento "al demandante le interesó saber quiénes eran los verdaderos autores de los comentarios y no hizo el más mínimo esfuerzo por investigarlo". Ramoncín contrató a un detective privado para averiguar quién o quiénes eran los propietarios de la web. "Pero, ante la falta de pruebas, la juez ha condenado a la persona que registró el dominio, que ni siquiera era el administrador de la página (webmaster), sabiendo que en cuanto se tuvo conocimiento de esos comentarios ofensivos, fueron retirados", dice Sánchez Almeida.

El condenado, que prefiere aparecer como Jordi, señala que el fallo "es surrealista". "Me condena por unos comentarios que se hicieron en una sección sobre la que nadie tiene ningún control, que está a disposición de la gente que quiere dar su opinión", dice. Alasbarricadas.org ha recaudado ya 5.700 euros de donaciones de internautas para el pago de la multa, aunque la sentencia ha sido recurrida.

En España, todos los implicados coinciden en que la inseguridad jurídica acerca de estos casos es absoluta. Los jueces, en primera instancia, están aplicando la legislación penal de intromisión al honor o de propiedad intelectual, mientras que los representantes de las páginas web demandadas exigen que se aplique la Ley de Servicios de la Sociedad de la Información (LSSI).

Esta ley recoge una directiva comunitaria que señala que los propietarios de las páginas web no son responsables de los comentarios que se vierten en ellas, salvo que, cuando tengan conocimiento de que esas opiniones son ilícitas, no los retiren rápidamente. La directiva deja claro que los responsables de las webs no están obligados a supervisar los contenidos, es decir, no establece la figura de un moderador.

También se encuentra recurrido ante el Tribunal Supremo el fallo de la Audiencia Provincial de Madrid que condenó a la Asociación de Internautas (AI) a pagar 36.000 euros a la Sociedad General de Autores y Editores por alojar la web putaSGAE.org, al considerar que la página constituía una intromisión ilegítima en el derecho fundamental al honor.

"Se trata de un intento de amedrentar a Internet en su conjunto, ya que la sentencia carga la responsabilidad a los proveedores de servicios -la AI sólo ofrecía el alojamiento de la página- y no a los autores directos de los contenidos", señala Víctor Domingo, presidente de la asociación. Domingo coincide con Almeida en que detrás de estos fallos "está la mano negra de la SGAE". "Lo que pretende la SGAE es, primero, hacer responsables a las páginas web y, si tiene éxito, ir a por los proveedores de acceso a Internet para obligarles a que controlen las descargas de sus abonados", señala Sánchez Almeida.

El tercer caso atañe a un foro alojado en la web bandaancha.st. En él se colgaron una serie de comentarios técnicos sobre el servicio que prestaba la operadora Comunitel (hoy en manos de Tele2), y la compañía los denunció por entender que se trataba de información confidencial. Los responsables de la web denunciada se negaron a retirar esas opiniones. "Hemos colaborado en todo momento en averiguar el registro de IP desde donde se remitieron esos comentarios, como nos pidió el juez. Pero sólo los retiraremos si éste lo dicta", dice Josua Llorach, administrador de la página.

"José Antonio, cabrón, cuando tenga coche te voy a matar"; este comentario, colgado por ataulfo webos largos en el blog de Iván Fresneda, le costó a este chico de 18 años un disgusto y una multa de 200 euros. El mencionado José Antonio, profesor de Filosofía de Iván en el instituto, le denunció por injurias.

En el juicio, celebrado en verano de 2006, Iván facilitó al juez la dirección IP -el número que identifica cada conexión a Internet, que puede ser fija o dinámica- desde donde se habían vertido los comentarios. No sirvió y fue condenado. "Si un escrito ajeno es publicado sin que el medio conozca la identidad de su autor, ha de entenderse que el medio ha asumido su contenido", decía la sentencia.

Iván ha recurrido a la Audiencia Provincial de Madrid y ha ganado. Asegura que mostró buena voluntad y ayudó a facilitar la identidad del autor del comentario insultante. "No tengo por qué responder de un comentario que hace otro", dice, y explica que las leyes están muy verdes en todo lo relacionado con Internet. "Mi juicio fue un caos. Tuvimos que explicar incluso al juez qué era un blog y cómo funcionaba", se queja. Sí tendrá que pagar otros 200 euros, sin embargo, por un comentario que él mismo hizo en su blog, en el que criticaba los métodos educativos de su profesor.

Desde que todo sucedió, su web (www.mafius.com), que recoge opiniones sobre temas políticos y sociales, ha crecido. Ahora escriben en ella otras cuatro personas y reciben unas 3.000 visitas al día. A pesar de la mala experiencia, sigue sin moderar los comentarios. Asegura que no dan abasto.

En el mundo del ciberespacio y de los blogs hay una regla importante aunque no escrita: don´t feed the troll, es decir, nunca contestes a un troll, a una persona que deja insultos o comentarios malignos. "Verter exabruptos es una manera incluso de publicitar sus propios blogs. Otros lo hacen por jorobar", explica Arturo Vallejo. A él le ocurrió en su blog Diario de una Miss Intelijente (http://soyunamiss.blogspot.com), en el que escribía el diario de una supuesta miss de todo, menos inteligente.

Vallejo, un periodista leonés de 39 años que tuvo tanto éxito con su blog que publicó un libro con los mejores post, explica que recibía insultos a diario. "Algunos los dejo porque son graciosos; otros no, porque además no aportan nada. Al fin y al cabo, tu blog es tuyo y no tienes por qué aguantar que alguien venga a insultarte".

A Gina Tonic le han dicho de todo. Mantiene su blog desde 2004 -www.ginatonic.net- y en él habla de lo divino y lo humano. De arte, de política, de sexo... Y es precisamente este último tema el que recibe más comentarios dañinos. "Parece que no nos acostumbramos a que una chica hable de sexo. Pero no sólo me insultan a mí. También a otras", explica desde Barcelona. Por eso Gina modera los comentarios que entran en su blog -"cuando faltan al respeto, elimino el mensaje", dice-, y cuando ve que esos comentarios insultantes son repetidos por una misma dirección IP, la bloquea. "L